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Full text of "Mems do Instituto Oswaldo Cruz"

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FOR THE PEOPLE 

FOR EDVCATION 

FOR. SCIENCE 






LIBRARY 

OF 

THE AMERICAN MUSEUM 

OF 

NATURAL HISTORY 





Bsund at 
A.M.M.H. 

1 noR i 



Ano 1922 
Tomo XV 
Faciculo I 



MEMORIAS 

DO 

Instituto Oswaldo Cruz 

numero Commemorotivo 

DO 

Centenario da Independencia do Brasil 



Rio de Janeiro -Manguinhos 



J^-loUf^^'^ ^'■' 



Síuma-rio: 

I Traços de Otwaidò Cruz 5 .«-^- 

II Noticia histórica "Sobre o preparo da vaccina anti-pestoss por OSWALDO CRUZ, no Instituto de 

JWanguiíilios, pelo Dr. FIGUEIREDO DE VASCONCELLOS 58 — ^ 

¡il Descoberta do Tripanozoma Cruzi e verificaçlio da Tripanozomiase Americana. RETROSPECTO HIS- 
TÓRICO pelo Dr. CARLOS CHAGAS, Director do Instituto Oswaldo Cruz 67 \_-^ 

IV Soro contra o epithelioma ou diphtheria das aves pelo Dr. H. MARQUES LISBOA 77 ^^ 

V Contribuição ao estudo das Gregarinas por CESAR PINTO, D. M. ^Com as estampas 1 — 6.). . . 84 -^^ 

VI Sobre as relações entre precipitinas e precipitinogcno pelo Dr. J DA COSTA CRUZ 109 t— ^ 

VII Sobre ama amoeba do genero VAHLCAMPFIA, encontrada no homem por CESAR PINTO ^Com a es- 
tampa 7.) 122 ^ 

VIII Notas entomológicas II : Estudo sobre a anatomia do genero Triatoma. Apparelho salivar, pelo Dr. " 

ANTONIO LUIS DE B. BARRETO, Adj. de Assistente do Instituto Osviraldo Cruz (Com as 
estampas 8—12). . 127 • 

IX Um cazo de mola, complicado de corio-carcinoma, pelo Dr. OSWINO ALVARES PENNA (Com as 

estampas 13— 16.) (Secção de Anatomia Patolojica do Instituto Oswaldo Cruz.^ 131 ■ ' 

X Alterações histjpathologicas da medulla óssea na immunisação para obtenção de agelutininas por 

C. MAOARINOS TORRES. 1— Introducção e histórico. Il— Material e methodos de pesquiza? 
III— Estudo histopathologico da medulla óssea. IV— Conclusões. (Cora as estampas 17—22.) 148 ¿-^ 
XI Sobre a perda da acido-resistencia e a desagregação granular nos bacillos de KOCH em culturas anti- 
gas, pelo Dr. A. FONTES. (Chefe de serviço). . . 181 --» 

XII Estudos sobre protozoários do mar pelos Drs. J. OOMES DE FARIA. A. M. DA CUNHA e CESAR 

PINTO (Est. 23—25.) 186 ■-— 

XIII A Reacção de Wassermann na Leishmaniose pelo Dr. ANTONIO EUGENIO DE AREA LEÃO. . . 209 , ^ 

XIV Contribuições para o conhecimento da fauna helmintolojica brazilelra. XVII. Gorgoderidae brasileiras, 

por LAURO TRAVASSOS. (Com as estampas 26—30.; 220 - 

XV Elaps Ezequiell e Rhinostoma bimaculatum, cobras novas do Estado de Minas Geraes, pelos Drs. ADÓL- 
PHO LUTZ (áo Instituto Oswaldo Cruz) e OSWALDO DE MELLO (da filial de Bello Ho- 
rizonte). fCom a estampa 31) 235 

XVI Estudos sobre os Blastoeystis pelo Dr. HENRIQUE DE BEAUREPAIRE ARAGÃO (Chefe de serviço). 

(Com as estampas 32—33.) 240 S^~a 

XVII Syphilis das glândulas supra-renaes, por C. BURLE DE FIGUEIREDO (Com as estampas 34—39.) . 251 

Ta.l>le des JMa-tiet-es: — Contents: — Inha-lt: 

I The Discovery of Trypanosoma Cruzi and of American Trypanosomiasis. Historic retrospect by Dr. 

' CAKLOS CHAGAS (Director of the Instituto Oswaldo Cruz.; 3 \__ 

II Serum against the Epithelioma or Diphtheria of Birds by Dr. H. MARQUES LISBOA î2 .^ 

III Beitrag zur Kenntnis der Gregarinen von Dr. nied. CESAR PINTO (Taf. 1—6; 19 w— 

IV On the relation cf precipitins to precipitinogen by Dr. J. COSTA CRUZ 34 S— ^ 

V Uber eine Amõbe der Gattung VAHLCAMPFIA bein Menschen, von CESAR PINTO (Tafel. 7). . . . 47 ^.. 
VI Entomological notes II. On the anatomy of the genus Triatoma. Salivary apparatus, by Dr. ANTO- 
NIO LUIS DE B. BARRETO, Auxii. Assistant of the Instituto Oswaldo Cruz (Plates 8—12.) 50 \ — 

VII Un Cas de Mole Compliqué de Chorio-Carcinome par le Dr. OSWINO ALVARES PENNA. (Avec les 

Planches 13 -16.) Section d'Anatomie Pathologique de l'Institut Oswaldo Cruz 53 i 

VIII On the histopathologic lesions of the bone-marrow in immunisatii<n for agglutinin production, by 
Dr. C. MAGARINOS TORRES. I— Introduction and History. II— Subjects and methods of 
research, lil— Histopathology of the bone-marrow. IV— Conclusions. (With plates 17—22.) . 69 

IX On the loss of acid-fastness aud granular desaggregation in Bacillus tuberculosis of old cultures by " 

Dr. A. FONTES, Head of Department 97 . 

X Studien ueber Protozoen des Metres, von Drs. GOMES DE FARIA, A. M, DA CUNHA und CESAR 

PINTO (Taf. 23—25.) 101 • 

XI The Wassermann Test in Leishmanicsis by Dr. ANTONIO EUGENIO DE AREA LEÃO 116 - - 

XII Contributions à l'étude c^e la faune helminthologique du Brésil. XVII. Gorgoderidae brésiliennes, par 

le Dr. LAURO TRAVASSOS (avec les planches 26—30) 125 

XIII Elaps Ezequieli and Rhinostoma bimaculatum, new snakes from the State of Minas Geraes by ADOL- 

PHO LUTZ, M. D. and OSWALDO DE MELLO, M. D. (Instituto Oswaldo Cruz in Rio 

and Branch in Bello Horizonte) 138 — '' 

XIV Etudes sur les Blastoeystis par le Dr. HENRIQUE DE BEAUREPAIRE ARAGÃO, Chef de service. 143 --^ 
XV Syphilis in the adrenals by Dr. C. BURLE DE FIGUEIREDO (With plates 34—39) 152 \^ 



AVISO 



As «MEMORIAS» serão publicadas em fascicules, que não apparecerão em 
datas fixas. No minimo haverá um volume por anno. 
Toda correspondencia, relativa ás «MEMORIAS », deverá ser dirigida ao «Director do Ins- 
tituto Oswaldo Cruz - Caixa postal 92Ó - Manguinhos - Rio de Janeiro». Endereço telegraphicos 
«lVlanguinhos>. 

Os artigos da primeira parte vem traduzidos para outras linguas na segunda parte da 
^MEMORIAS». 

Les «MÉMOIRES > seront publiés par fascicules sans date fixe, formant, au 
moins, un volume par année. 
Toute correspondance doit être adressée au «Directeur de l'Institut Oswaldo Criiz — Caixa 
postal 926— Manguinhos— Rio de Janeiro». Adresse télégraphique «Manguinhos». 

La deuxième partie contient la traduction des articles de la première partie des «ME- 
MOIRES-. 



AVIS 




Chefe de serviço do Instituto Oswaldo Cruz. 

t 22 de Outubro de 1922. 



Ezequiel Dias 



Quando, no desvelo de uma saudadt 
que não finda, regressamos aos tempos 
primitivos de Manguinhos, e procuramos 
relembrar naquella epocha as melhores 
alegrias de um convivio cordial e afor- 
tunado, desde logo nos acode, entre as 
recordações de amizade que mais nos 
faliam á alma e mais nos edificara no 
bpreço á abnegação e á lealdade, o nome 
querido de EZEQUIEL DIAS. Foi dos 
•primeiros que alli chegaram, e á obra 
scientifica de OSWALDO CRUZ, annos 
prolongados de uma actuação proficua, 
dedicou todas as energias de seu espirito, 
todo o ardor e toda a perserverança de 
sua fé inabalável. 

Em Manguinhos realizara sua apren- 
dizagem experimental e também alli com- 
pletara sua individualisação moral. E 
do Mestre tanto valeram ao discípulo, 
no aperfeiçoamento da educação bio- 
lógica, as sabias doutrinas, quanto apro- 
veitaram ao amigo os raros predicados 
de sentimento, que o integraram nas 
mais lidimas virtudes humanas. Dahi, 
principalmente, o ter sido EZEQUIEL, 
acima de tudo, ura siraples e um bom. 
porque nas doçuras infinitas de uma 
grande amizade, nos encantos de lima 



convivencia berafazeja, lucrou de OS- 
WALDO CRUZ atlributos de coração que 
constituirara a força maior de sua indi- 
vidualidade. 

Tornou-se, bera depressa, um dos nos- 
sos melhores experimentadores, pelas 
excellencias de uma technica irreprehen- 
sivel, pelo acerto de um raciocinio atila- 
do. E de seu labor intenso lucrámos pro- 
ducções de alta valia, que illustram as 
paginas da 1 literatura medica nacional e 
vieram esclarecer relevantes problemas 
de nossa pathologia. Assim, nas con- 
clusões definitivas de suas pesquizas he- 
matológicas encontra-se a derrocada da 
falsa anemia tropical, erro em que se 
illudia o entendimento de quantos disser- 
tavam sobre a pathologia dos climas 
quentes, em que se líaseavam as ana- 
chronicas doutrinas que, em suas conse- 
quências physio-pathologicas, malsinavam 
o clima de nossa terra. Outras publica- 
ções de irrecusável valor devemos a sua 
actividade, e nas Memorias do Instituto 
Oswaldo Cruz encontramos bera eviden- 
ciado seu esforço e alta clarividencia 

Possuia lambem EZEQUIEL DIAS 
notável capacidade organizadora, apro- 



II — 



veitada cm iiiicialivas fecundas, que 
levaram a outras regiões do paiz 
OS beneficios da escola de Man- 
guinlios. No Maranhão instaliou comple- 
to laboratorio de pesquizas e orientou, 
pelos ensinamentos experimentaes, os ser- 
viços de hygiene publica. E em Minas 
Geraes organizou a Filial de Bello Hori- 
zonte, inslitulo modelar em que se per- 
petuam o zelo e as ratas aptidões do 
jovem experimentador, em que se con- 
cretizam suas melhores aspirações de 
sclencia. Foi essa a grande opportunida- 
de de trabalho offe^ecida a EZEQUIEL, 
que a soube utilizar no esclarecimento 
de importantes aspectos da nozologia 
regional, no vaiioso concurso technico 
á administrarão sanitaria do Estado, e 
em outras iniciativas que muito facilita- 
ram a realiação de um vasto programma 
de aperfeiçoamento medico na capital 
mineira. Assumptos de excepcional inte- 
resse pratico foram depressa conside- 
rados pelo novo Instituto, e nüo tar- 
dou que, em iieneficios incalculáveis, se 
prestigiasse sua actividade technica. 

O combate ao opbidismo, realizado 
num accordo acertado com VITAL BR.\- 
SiL, mereceu o maior esforço de EZE- 
QUIEL DIAS, que na persistencia de 
uma campanha inleiligenle conseguiu 
educar as populações ruraes e delias 
banir abusões, nas quaes naufragariam as 
tentativas de propaganda da sòrothera- 
pia especifica. Foram assim demolidas 
as benzeduras e mezinhas, e os acci- 
dentes ophidicos, agora attendidos pelo 
raethodo scientifico, deixaram de cons- 
tituir factor de elevada lethalidade. 
E, como este, outros aspectos da medi- 
cina pratica muito lucraram dos tra- 
balhos e pesquízas executados pela I''!- 
lial de Manguinhos. Ahi onde se faziam 
indicados processos biológicos de diag- 
nostico ou de cura, não falhava o con- 
curso da experimentação medica, orga- 
nizada em moldes adiantados e executa- 
da com as exigencias da technica mo- 



derna. Nem se limitara a trabalhos de 
applicação immediata o programma de 
EZEQUIEL DIAS. A seu lado, num labor 
de alta sciencia, actuavam discípulos es- 
forçados, cujas producções originaes do- 
cumentam a pi-oficuidade da nova escola 
c consagram o renome de um grande 
Mestre. O Instituto de Bello Horizonte 
tornou-se, desl'arle. um centro de apren- 
dizado experimental, e foi sem duvida o 
inicio de uma evolução scientifica e de 
um avanço em medicina pratica, que 
nobilitam a mentalidade e a iniciativa do 
povo mineiro. 

: Na Escola medica de Minas Geraes, 
hoje prestigiada no consenso unanime da 
opinião culta do paiz, creou o ensino da 
bacteriologia, e tanto pelas excellencias 
do met bodo didáctico, quanto pela larga 
experiencia no assumpto, bem dej)ressa 
adquiriu preeminencia e tornou-se dos 
melhores esteios da nova Faculdade, e 
nella foi elemento de maxima valia. 

O infortunio de pertinaz doença, que 
o altingiu em plena mocidade, assignala 
de verdadeiro stoicismo a vida de trabalho 
do grande discípulo de OSWALDO CRUZ. 
Houve elle ([ue empenhar esforços in- 
gentes, nos quaes se foi aos poucos 
esvaindo a propria vitalidade, para levar 
de vencida soffrimentos ininterruptos, que 
só o não afastaram da lida porque nelle 
perdurava a resistencia de nobres ideaes. 
?<em um dia esmoreceu, c na adversida- 
de de Jongos annos soube caminhar se- 
reno, bemdizendo o destino, de animo 
forte e de perspectivas sempre renova- 
das. É que, acima de tudo, nelle actuava 
e exemplo de uma outra vida, que lhe 
foi o maior symbolo de heroísmo, e 
cujas normas de abnegação e de verdade 
soube elle adoptar e praticar. De 
OSWALDO CRUZ, na intimidade de rnna 
affeicção que lhe foi o maior dos bens, 
adquiriu EZEQUIEL DIAS as caracte- 
rísticas moraes que o nobilitaram. E 
foi por isso que ao Mestre consagrou 
profunda idolatria, bem exte.Morizada na 



Ill 



directriz de sua carreira profissional, e 
culminada nos dias derradeiros de sua 
vida, quando no fundo de um leito, esgot- 
tada a capacidade physica e bem se 
apercebendo do fim que vinha perto, 
voltou para OSWALDO CRUZ seu pen- 
samento e Iraçou-lhe o perfil magestoso, 
em paginas inconfundiveis de amor e 
de gratidão. 

Foi o ultimo gesto magnifico do 
nosso grande companheiro, e nelle se 
consagram as bellezas de sua alnui, os 
encantos de seu coração. 

Na vida intima de EZEQUIEL ÜIAS 
nobilita-se ainda mais sua memoria, lillio 
e irmão amantíssimo, foi o .'dolo ao íir 
paterno e o conforto de dois velhinhos 



simples e austeros, que nelle tiveram 
a maior compensação de toda luna exis- 
tencia de labor e de virtude. E na Es- 
posa carinhosa e compassiva, na santa 
creatura que lhe partilhou os revezes e 
as alegrias, encontrou elle o maior am- 
paro moral e a resignação de deixar 
na vida entes queridos, que delia apren- 
derão a cultivar-lhe a memoria e a 
imitar-lhe as normas de honra. 

O Instituto Oswaldo Cruz, num culto 
de saudade e reconhecimento, vem curvar- 
se ante o tumulo de um dos pioneiros da 
medicina experimental no Brazil, de um 
de seus trabalhadores mais dedicados. 

C. C. 



Ezequiel Dias 



Com a morte de EZEQUIEL DIAS 
desapparece da casa de OSWALDO um 
dos mais sinceros e ardentes trabalha- 
dores. 

Sua obra de pesquizador infatigável 
guarda uma admirável harmonia e uni- 
dade. 

Dir-se-ia mesmo que reflecte na sci- 
encia mais alta o alto e dedicado espiri- 
to que elle foi. 

Tendo iniciado sua carieira scien- 
tifica com trabalhos sobre o sangue, para 
esse inesgotável manancial de estudos, 
teve, quasi sempre, voltadas suas vistas.. 

Nunca também como a este modesto 
e valoroso pesquizador poder-se-ia appli- 
car o dito de BUFFON. 

Seus trabalhos expressam mais do 
que os de qualquer o homem e o 
scientista que elle foi. 

A phrase curta, polida, incisiva, tra- 
l^alhada, revelava o haiñl manejador do 
vernáculo. 

Nos enlre-meios dos periodos harmo- 
niosos entreviam-se os desvaneios do 
poeta, desgarrado na prosa, e os anceios 
do artista pelo ideal da perfeição. 

Surprebendido pela molestia, quando 
se encontrava em honrosa commissão no 



Estado do Maranhão e da qual, mais tar- 
de, foi victima, leve que abandonar um 
magnifico futuro e se recolher ao Estado 
de Minas. 

Conformou-se apparentemente com a 
desdita. Si é verdade, como diz RENAN, 
que tudo na terra é symbolo e sonho», 
6 por elles, muita vez, que podemos sup- 
portar a dôr de certos Infortunios. 

Sonhando o seu ideal de sciencia, 
soffreu EZEQUIEL, com estranho estoi- 
cismo, o supplicio de ver cerceadas pela 
molestia todas as suas grandes aspira- 
ções de trabalhador invulgar. 

Mesmo quando a morte já adejava 
solire seu leito com o frémito de sua 
aza Lnvisivel, só se lhe ouviam dos labios 
palavras de resignação, de fé e de espe- 
rança Ha força do trabalho e no ideal da 
sciencia. Dei.Kou apezar de tudo valiosas 
contribuições á sciencia patria. 

Sobre todas, pelas consequências, 
avulta a da creação da Filial do Instituto 
Osv,aldo Cruz, em Bello Horizonte. 

Foi ahi organizador acabado, ad- 
ministrador de raro lino, pesquizador 
emérito, orientador seguro e elevado da 
mocidade Mineira. 

Sem elle, disse em sessão solemne um 



V 



illusti'e professor mineiro, não se teriam 
esclarecido os numerosas problemas de 
medicina local, do Estado de Minas, 
as clinicas não teriam alcançado á per- 
feição da actualidade na Capital mineira, 
c a propria Faculdade de Medicina 
d'aquelle Estado teria experimentado se- 
rios tropeços. 

Sua direcção na Filial foi ura grande 
exemplo para os moços. 

Dezesete annos viveu elle doente. No 
começo e no fim do mal, não seguia, ar- 
rastava-se para o trabalho. 

Suas energias nioraes eram, porem, 
extraordinarias. Os dias cheios pelas boas 
lutas eram seus dias mais alegres. 

Os dois últimos trabalhos de sua 
lavra, num dos quaes poz toda sua alma, 
foram escriptos já no leito de morte. 

De.sde 7 de Agosto de 1907 consa- 
grou-se de corpo e alma á Filial de 
Bello Horizonte. 

Com os olhos fixos em OSWALDO— 
seu grande modelo, dia a dia, hora a 
hora procurava melhorar, em Minas, a 
miniatura de Manguiuhos. 

Sondou as necessidades do meio. Por 
fim, conheceu-o como poucos. 

Viu para logo onde estavam as ca- 
reacias imperiosas e os estudos adequa- 
dos á região. 

Estabeleceu um laboratorio moder- 
no, com todas as dependencias, adaptan- 
do para isso um velho predio cedido 
pelo Governo de Minas. 

Contractou com o Estado o forneci- 
mento da lympha ante-variolica e de todos 
os exames microbiológicos necessários á 
população. 

Teve, para isso, de fazer em Minas 
mn pouco daquillo que o Mestre já 
havia feito entre nós. 

Viu-se obrigado a preparar para es- 
tes misteres desde o servente até os 
auxiliares technicos. 

Em pouco tempo fornecia também 
ao Estado vajcina anti typhica e abor 
dava, so])rc todos os aspectos, o proble- 
ma dos Escorpiões. 



Foi devido a ter elle cuidado destes 
Arachnideos que de lá partiram, entre 
os nacionaes, os trabalhos notáveis de 
EURICO VILLELA, A. LUTZ e OSWAI.- 
DO de M. CAMPOS sobre o assumpto. 

Havia ainda muita cousa á fazer. 
Com espirito previdente voltou-se EZE' 
QUIEL DIAS para a questão do ophi- 
dismo, em Minas, e fundou finalmente, 
não sem grande luta, o 1° Posto ante- 
ophidico do Estado. 

Só a rescluçSo destes dois proble- 
mas bastariam para o sagi'ar um brasi- 
leiro benemérito. 

Ao lado, todavia, deste intenso 
esforço organisador, emprehendeu tra- 
balhos de piu^a sciencia, da mais subida 
valia. 

Continuando sua «These»— obra clás- 
sica sobre sangue entre nos—, praticou 
excur.são scientifica á Lassance, onde fez 
os estudos sobre a Hematolojia da mo- 
lestia de C. Chagas». 

Esclareceu, neste capitulo soberbo da 
pathologia humana, pontos interessantes 
de sua pathologia. 

Emprehendeu, com A. ARAGÃO, es- 
tudos sobre «Anaplasmas* e escreveu in- 
teressante memoria. 

Sempre no seu assiunpto predilecto, 
enfrentou com ardor sincero os proble- 
mas universaes da (Molestia de Hogdi- 
kin» e das Leucemias. 

Quasquer que sejam as ideas scienti- 
ficas actuaes ou futuras sobre estes tres 
últimos assumptos, não é pos.sivel reti- 
rar das communicações de EZEQUIEL 
DIAS, pela probidade, pelo zelo e pelas 
minucias com que foram realizadas um 
cunho de verificações preciosas. 

Estudou, com H. MARQUES LIS- 
BOA, a interessante molestia dos bovi- 
deos denominada, era Minas, «Peste dos 
Polmões». 

Até bem pouco tempo, era o único 
trabalho nacional sobre a questão, e 
um dos raros da litteratura universal 

Escreveu ainda- «O Instituto Os- 
v^^aldo Cruz ~ Resumo histórico, modelo 



VI 



de serena justiça e de modestia, onde 
< refere com pleno conhecimento e va- 
liosas minucias toda a evolução do Ins- 
tituto»; Licção inaugural de Microbiolo- 
gia, na Faculdade de Medicina de Bello 
Horizonte; Prophylaxia dos Escorpiões, 
com MARQUES LISBOA e SAMUEL LI- 
BANIO; e, finalmente, «Notas sobre OS- 
WALDO CRUZ). 

Este ultimo trabalho, escripto nos 
curtos intervallos saudáveis do final de 
uma molestia crudelissima, é uma obra 
prima no genero. 

EZEQUIEL linha pelo Mestre uma 
admiração, uma gratidão e amizade que 
não conheciam limites. 

A longa convivencia e intimidade 
com OSWALDO faziam-no, por outro 
lado, imia voz autorizada para registrar 
flagrantes expressões da vida e das obras 
do Grande Homem. 

Qualquer dos discípulos e amigos do 
fundador de Manguinlios verá naquellas 
paginas o retrato mental e moral de 
OSWALDO CRUZ. 

Não é apenas a obra do Mestre que 
se espalha naquelles contos. 

Nestes se reflectem os espíritos dos 
dois amigos, Mestre e dicipulo, creador 
e creatura. 

O plano da obra, a escolha das ma- 
terias, o bom gosto e tacto cora que fo- 
ram abordados e a elevação da lingua- 



gem mostram que EZEQUIEL era digno 
de OSWALDO. 

Para coroar finalmente sua alevan- 
tada acção em Minas, faltava a crea- 
ção de um Instituto Pasteur na Capital 
do Estado. 

Vontade, e decidida, não lhe faltou 
nem tão pouco deliberado apoio na rea- 
lização do emprehendimento. 

As delicadezas moraes deste gar- 
dingo eram bem dignas de melhores tem- 
pos. 

Preferiu sacrificar este tentame a 
magoar os melindres de uma velha ami- 
zade. 

Não foram, porem, dias gloriosos 
os que encontrou, no caminho da üua 
vida, o l)cnemerito fundador da Filial 
de Bello Horizonte. Na execução dos 
planos de trabalho, na perpetração de 
sua obra scientifica viu também «mares 
verdes ), céus de tormenta desfeita, o 
discípulo illustre de OSWALDO. 

Tinha, alem de outras, herdado do 
Mestre a tempera de lutador destemeroso, 
mas sereno, a nobre doçura do semblante 
e dos gestos, não obstante possuir a fir- 
meza de lun coração intrépido e de uma 
alma impávida. 

E é por isso que sua obra lá está, 
na Filial do Instituto Oswaldo Cruz, em 
Bello Horizonte, immortalizando-lhe o 
nome já coberto de bênçãos pela Patria. 

O. >1. 




DR OSWALDO CRUZ, 



Traços de Oswaldo Cruz 



jastificação. 

Depois que RUY BARBOSA pro- 
nunciou aquelle celebre discurso sobre 
a vida publica do fundador da medicina 
experimental no Brasil, seria um crime 
de lesa-magestade retomar alguém o 
mesmo assumpto, si não estivesse ainda 
por escrever a biographia completa de 
OSWALDO CRUZ. 

Do attentado ora commettido nestas 
paginas é principal auctor o Dr. CAR- 
LOS CHAGAS, que com a aggravante da 
superioridade jerarchica determinou ao 
seu subordinado que desse á publicida- 
de alguns episodios e impressões rela- 
tivos ao creador desta Casa. O mandata- 
rio disciplinado procurou cumprir o 
seu dever, mas manda a verdade decla- 
rar que o fez com todas as veras, em- 
bora lamentando a falta de attributes 
para tal empresa. 

E não ha nisso falsa modestia. 

A individualidade de OSWALDO 
CRUZ difficilmente achará quem a re- 
trace em todas as suas linhas primoro- 
sas. Neste século de especializações ca- 
da vez mais aprofundadas, onde encon- 



trar o escriptor impeccavel, com foros 
de scientista e philosopho, afeito a estu- 
dos de arte e de psycologia, sonhador, 
moralista, etc., capaz de analysar e em 
seguida resumir tão complexa persona- 
lidade? 

Ante taes embaraços, parece que o 
Director do Instituto resolveu designar 
um funccionario antigo para redigir seu 
depoimento pessoal, com a sinceridade 
que era licito esperar de quem só co- 
nhece motivos para venerar a memoria 
do seu bem feitor. 

Recaia, pois, sobre o verdadeiro res- 
ponsável a culpa de todas as imperfei- 
ções deste trabalho. 

Devemos, porém, avisar aos simples 
curiosos que este singelo artigo não tem 
feição scientifica. E' apenas irnia serie 
desconnexa de apreciações e factos es- 
criptos a esmo, sem siquer a ordem chro- 
nologica. É um mero subsidio para a 
futura biographia, que, felizmente, com- 
petirá a outras mãos. É, em summa, um 
pequeno album de instantâneos onde 
houve a intenção de pôr em relevo cer- 
tos traços característicos do homem. 



Os sabios, os críticos, os espíritos 
altamente differenciados não deverão 
pousar nem um momento os seus olhos 
sobre estas débeis linhas, destinadas tão 
somente aos corações voltados para o 
bem, os quaes talvez aqui deparem ensi- 
namentos úteis. 

Ahi está, portanto, o objectivo deste 
opúsculo: commemorando o primeiro 
centenario da independencia politica do 
Brasil, apresentar ás novas gerações al- 
guns aspectos de um modelo de bellas 
Tirtudes varonis. 

A todos aquelles que nos prestaram 
dedicados auxílios, seja-nos permittido 
consignar muitos e cordiaes agradeci- 
mentos. 

Bello Horizonte, 30 de Agosto de 1922. 

I— Lapidarios. 

"É uma verdade, que ainda 
nâo chegou ao dominio comnmm, 
que o ultimo grau de desenvolvi- 
mento mental em cada homem e 
em cada mulher sõ pode ser con- 
quistado no desempenho dos deveres 
paternaes. Quando esta verdade fôr 
reconhecida, ver-se-ha então quam 
admirável é a lei que obriga os eeres 
humanos, pelas suas affeicões mal» 
forte» a eujeitar-se, elles mesmos a 
uma disciplina que por outra qual- 
quer Mrma evitariam." 

Herbert Spencer— "Educação 
Intellectual moral ephyslca"', trad, 
de E. d'Oliveira— Porto. 

OSWALDO CRUZ era profmidaraen- 
te religioso; mas tinha uma religião 
«em ritos, entretecida apenas no intimo 
do coração. 

Comtudo, quem procurasse estudar- 
Ihe a complexidade psychica, talvez ap- 
parentemente feita de imprevisto e con- 
tradicções, havia de vislumbrar, vaga- 
mente entrelaçados numa caligem de 
poético mysticano, sub-conscientemente 
confundidos no mesmo culto, o nome de 
Deus e a imagem paterna. 

Que influencia, que puder extranho 
exercera sobre o sabio o vulto longínquo 
de seu Pae? 



Seu Pae, Dr. BENTO GONÇALVES 
CRUZ, fallecen no mesmo anno em que 
o filho se doutorou. Sua Mãe, D. AMA- 
LIA DE BULHÕES CRUZ, permaneceu 
viuva cerca de 30 annos, sobrevivendo 
4 annos a OSWALDO, pois morreu aos 
16 de Dezembro de 1921. 

Foram rudes os primeiros tempos 
da vida do casal. Havia, no emtanto, a 
contrabalançar essas vicissitudes, um es- 
pirito de escol, em quem se congrega- 
vam todos os requisitos indispensáveis 
á doce figura do palco domestico. O es- 
poso podia ausentarse tranquillamente 
para o trabalho, porque em casa tudo 
havia de correr como si elle fora presen- 
te. Na educação dos filhos, sobretudo, 
não se conheciam hesitações, dissídios, 
intermittencias. Reinava perfeita harmo- 
nia entre os cônjuges, unidos principal- 
mente pelos mesmos ideaes. Marido e 
mulher adoravam-se, e o perfil do chefe, 
naquelle ambiente pobre e sadio, paira- 
va respeitável, disciplinador, mas inva- 
riavelmente meigo, carinhoso. Por isso 
a consorte o amava acima de tudo; e 
ha ainda alguns mezes, sempre com os 
olhos d'alma volvidos para o passado, 
la ia a digna matrona de venerável bel- 
leza anciã, com a cabeça a branquejar 
sobre o luto pesado, lá ia caminho do 
cemitério, sobraçando flores predilectas 
e votivas, prosternar-se aos pés do espo- 
so bem amado, lá no mesmo jazigo com- 
mum, á sombra da mesma casoarina, 
onde hoje dormem Pae, Mãe e Filho. 



Foi nesse lar abençoado que se creou 
o único filho varão. 

Desde cedo costumaram-n'o a conci- 
liar os brincos da meninice com as obri- 
gações escolares e domesticas. Ao le- 
vantar-se, cmnpria-lhe compor o próprio 
leito, arrumar o quarto, tratar de si mes- 
mo, sem aiixilio de ninguém. Queriam-n'a 
trabalhador e independente. 



Nesse ponto eram os Paes tão rigo- 
Tosos, que, certo dia, estando Elle no 
coilegio primario, em plena aula, rece- 
beu um recado da familia, que o cha- 
mava á toda pressa. O professor orde- 
nou que o menino partisse immediata- 
mente, imaginando para logo qualquer 
acontecimento extraordinario. Entretan- 
to, após curta demora, estava o pequeno 
de volta; e, todos, a começar pelo pre- 
ceptor, cheios de natural curiosidade, o 
torturaram de perguntas. Mas não houve 
quem lhe arrancasse uma palavra. Só 
mais tarde se veiu a saber que se trata- 
ra de uma obrigação por cumprir: OS- 
WALDO por esquecimento deixara a 
cama desfeita. . . 



Era sagrada a hora do estudo. To- 
dos os dias, houvesse festa ou visitas, o 
rapazelho havia de se retirar para o 
quarto afim de preparar as lições. Não 
tinha meios de fugir áquelle dever dia- 
rio de consagrar 2 horas aos livros. A's 
vezes, estava o collégial entretido em 
animados jogos infantis, quando chega- 
va o momento terrivel de ir para o tra- 
balho. Pois o Dr. CRUZ era inexorável. 
Ninguém conseguia demovel-o das suas 
normas, sempre insensível aos rogos do 
filho, dos amigos, de todos, emfim. E 
lá ia o estudante para o posto de honra, 
a entre-ouvir a algazarra feliz dos par- 
ceiros, emquanto Elle nem siquer podia 
1er, porque as lagrimas Ih'o vedavam. 

Não obstante, em meio á severa dis- 
ciplina, o educado era o melhor amigo 
do Pae, cora quem vivia sempre a con- 
versar intimamente, como si fossem dois 
irmãos ou dois amigos inseparáveis en- 
tre os quaes não se permittissem reser- 
vas. 

Além disso, naquelle systema de edu- 
car, não se conheciam castigos corpo- 
raes: condemnava-se a velha escola de 
pancadaria. O rapazola havia de ser 



creado com rigor, mas proscreviam-se 
todas as penas vexatórias, que tantas 
vezes subtrahem ao animo juvenil cer- 
tos sentimentos nobres. O methodo pater- 
no consistia em incutir no raciocinio 
do pirralho a necessidade daquelle mo- 
do de vida. Quando não era attendido, 
reprehendia-o. Quando a reprehensãoí 
não era sufficiente, vinham as senten- 
ças comminatorias: em geral, privações 
de passeios e cousas appetecidas; naí 
maioria dos casos, as penalidades não 
iam além da suppressão dos carinhos ha- 
bituaes; bastava quasi sempre a recusa 
do beijo com que Pae e Filho á noite 
se apartavam. 



Ao admirar as regras educativas des- 
se extraordinario modelador de espíri- 
tos, tivemos, á primeira vista, a impres- 
são que lhe eram famihares o methodo 
persuasivo, os alevantados preceitos de 
HERBERT SPENCER e até os estudos 
p.sychologicos que constituem a base da 
moderna pedagogia Agora, porém, te- 
mos elementos para crer que elle tinha 
perfeita intuição de tudo isso, assim como» 
das leis racionaes de WILLIAM JAMES. 

O nosso pedagogo pratico não pre- 
cisava de principios que muitas vezes 
são apanágio de doutrinadores meramen-' 
te theoricos, capazes de traçarem mag- 
níficos roteiros espirituaes para uso 
alheio, mas frequentemente incapazes de 
applical-os quando mais necessários s6 
tornam, como fazem esses óptimos pre- 
gadores e péssimos sacerdotes dos quaes 
foi maioral J. J. ROUSSEAU, cujas fra- 
quezas são bastante conhecidas, si bent 
que differentemente interpretadas. 

Não. Ao contrario disso, o Dr. 
BENTO GONÇALVES CRUZ era um ho- 
mem de ideaes. Desde que lhe nascera o fi- 
lho, havia feito firme proposito de tornal-a 
grande, nobre, feliz. Sentia palpitar-lhe 
dentro d'alma um poder occulto e inven- 
cível que lhe indicava o caminho a se~ 



8 



guir. Era a força de vontade; era o seu 
peregrino caracter. Bastava-lhe isso. E 
para comproval-o, vamos citar ainda um 
episodio, em que fica demonstrado ter 
sido o exemplo o elemento preponde- 
rante na formação moral de OSWALDO. 

— « Certa vez-contava o Mestre-meu 
Pae surprehendeu-me a fumar. Admoes- 
tou-me com brandura, fazendo ver que 
as creanças não devem ter vicios. Apon- 
tou-me um a um os inconvenientes e 
maleficios que d'alii podiam advir-me. 
Foi, em synthèse, uma prelecção com- 
pleta e cabal a respeito do mau habito 
que eu forcejava por adquirir. 

« Comtudo, continuava Elle, o elo- 
quente sermão não logrou convencer- 
me, porque dias depois fui novamente 
pilhado com o cigarrinho na bocea. Meu 
Pae mostrou-se então zangado, triste. 
Censurou-me com menos paciencia do que 
a que lhe era habitual. Repetiu-me os 
conselhos anteriores e terminou por um 
appello formal á affeição que eu lhe de- 
dicava. Mas eu lhe retorqui singelamen- 
te: 

— Papae tambera não fuma? 

' Na verdade meu Pae era lun fu- 
mante inveterado. Desde adolescente es- 
cravizára-se ao tabaco. Usava cigarros, 
charutos, e até cachimbo. Fizera varias 
tentativas para abandonar o vicio, sem 
nunca o conseguir. Pois bem: desse dia 
em diante, como por encanto, deixou 
para sempre, o habito de tão longos an- 
nos. . . 



OSWALDO também nunca mais fu- 
mou; e tinha a preoccupação de con- 
verier os poucos fumivomos que lhe me- 
reciam o af fecto, narrando cheio de sau- 
dades e emoção esse delicadíssimo epi- 
sodio em que se espelha integralmente 
a belleza da alma paterna. 

De facto, todas as virtudes máscu- 
las, todas as dedicações sublimes ahi 
se acham crystallizadas na abdicação 



dos próprios desejos, na renuncia do 
único prazer capitoso desse varão puro 
e austero, no devotamente decidido á 
perfeição do filho. 

Por conseguinte, a esse casal augus- 
to, a esses lapidarios d'almas, deve a 
Patria uma braçada de flores, neste mo- 
mento de reparações históricas e pie- 
dosa gratidão. 

II— Na Penumbra 

OSWALDO sempre foi de genio con- 
centrado. 

Esse retrahimento chegara a ser ti- 
midez nos primeiros passos da sua vida 
de estudante. Isso lhe valera uma re- 
provação em latim, o que Elle contava 
sem rancor, confessando que o caturra 
FORTUNATO DUARTE, seu algoz, mui- 
to concorrera para que se apreciasse me- 
lhor o sabor das leituras clássicas. 

Sempre avesso a exhibições de qual- 
quer natureza, era um mau examinando, 
cujas provas publicas nem sempre corres- 
pondiam ao seu preparo. Narrava Elle 
que, no exame oral de chimica orgânica, 
embora n'essa occasião já fosse interno 
de cirurgia, de tal modo se perturbara 
que affirmou perante os examinadores 
que o chloroformio, como anesthesico 
geral, era administrado pela bocea. 

Por esse e outros motivos o seu 
curso não teve o brilho que se devia es- 
perar do seu talento e do seu amor aos 
livros. Mas isso não o preoccupava. Lu- 
gares de evidencia, premios, renome, tu- 
do deixava aos outros, comtanto que al- 
cançasse o seu objectivo: saber, saber 
muito, aprendendo rapidamente. 

Dir-se-ia que, já então, antevendo o 
seu fim prematuro, tinha pressa de 
viver. . . 

Assim, fez o curso em 4 annos, gal- 
gando o 1^ e o 4o, de modo que aos 
20 era doutor em medicina, tendo de- 
fendido these sobre « Vehiculação mi- 
crobiana pela agua », apresentando um 
engenhoso apparelho original para aco- 



9 



Iheita aséptica d'esse liquido em diver- 
sas profundidades. 

Em consequência da sua natural es- 
quivança, passou durante pinito tempo 
despercebido á maioria dos mestres, á 
excepção de MARTINS TEIXEIRA, com 
quem trabalhou no gabinete de physica, 
de ROCHA FARIA, em cujo laboratorio 
lhe nasceu o gosto pelas questões de 
hygiene e microbiologia, e de FRANCIS- 
CO DE CASTRO. Era este ultimo quem, 
por vezes, entre brandas censuras ao 
seu feitio concentrado, lhe augurava um 
futuro brilhante, mas só á custa de ta- 
lento e muito trabalho. Ao demais, foi 
o egregio professor de clinica propedêu- 
tica quem exerceu certa influencia na 
sua carreira. Como dedicado medico as- 
sistente do Dr. BENTO CRUZ, teve o 
Professor CASTRO ensejo de se approxi- 
mar de OSWALDO, aconselhando-o a 
deixar a clinica e o pequeno laboratorio 
improvisado no porão de sua residencia 
afim de ir a Europa estudar para um 
provável concurso na secção de hygiene 
c medicina legal. 

E assim Elle fez, permanecendo em 
Paris quasi 3 annos, repartindo intelli- 
gentemente o tempo entre o Instituto 
Pasteur e o Laboratorio de Toxicologia. 
Neste, ao lado de OGIER e VI BERT, se 
orientou cabalmente era tudo quanto se 
relaciona com a moderna pratica medi- 
co-legal, Ioda eila baseada em solidos 
alicerces scientificos. 

Mas onde se lhe antolhou o ambien- 
te intellectual que anhelava foi no Insti- 
tuto Pasteur. Ahi, o acolhimento do Prof. 
ROUX foi tão significativo' que sahiu dos 
moldes adoptados n'essa instituição. Nun- 
ca indemnizou o material de trabalho e 
os animaes de experiencia, conforme era 
de praxe. Tudo gratis. Indagando, veiu a 
saber que devia tamanha munificencia 
e outras muitas gentilezas ao facto de 
ser o primeiro filho do Brasil, que batia 
ás portas da Casa de Pasteur, para cuja 
fundação concorrera generosamente o 
magnânimo D. PEDRO II. Entretanto, já 



não viviam nem o genio creador da Mi- 
crobiologia, nem o nosso e.x-monarcha. 
Mas no glorioso Instituto também sa- 
biam e sabem zelar os sentimentos de gra- 
tidão, e por isso lá deve estar até hoje o 
busto do nosso ultimo Imperador, como 
uma prova de que o culto da sciencia nãd 
repelle as "delicadezas de sentimento. 

OSWALDO apreciava extraordinaria- 
mente esse e outros traços do grande 
bacleriologista, de quem se tornou amigo 
sincero. 

Outra amizade ahi também adquiri- 
da foi a de METGHINIKOFF, cujas ideas 
e doutrinas admirava com enthusiasmo. 
O sabio russo retribuia-lhe ex-covde o 
affecto e achava especial prazer era con- 
versar com o seu joven amigo brasilei- 
ro, na lingua deste, a qual havia apren- 
dido na Ilha da Madeira, onde expirara 
a sua primeira esposa. E seria talvez 
bem différente a trajectória de OSWAL- 
DO, si annuisse ao honroso convite para 
trabalhar definitivamente no laboratorio 
do genial descobridor da phagocytose. 

Mas para isso seria preciso que o 
nosso patricio não amasse bastante a 
sua terra. 

Ainda em Paris, aproveitou a op- 
portunidade para fazer um aprendizado 
que estava fora do seu programma: se- 
guiu um curso completo de vias urinarias, 
sob as vistas do velho GUYON, que ainda 
pontificava no assumpto, e de ALBAR- 
RAN, que alvorecia na celebridade. Aper- 
feiçou-se a ponto de se familiarizar com 
os segredos da cystoscopia, do cathete- 
nismo dos ureteres, etc. No emtanto^ 
quera quizesse saber o motivo desse pe- 
queno desvio da rota que Elle se havia 
traçado, teria de perguntal-o áquelle dis- 
creto e perfeito coração, porque o sin- 
gular urologista uma única voz e n'um 
só caso clinico, se servira de especiali- 
dade: para tratar de um amigo a quem 
consagrava profundo reconhecimento. 

Finalmente ao regressar á Patria,^ 
quasi nos fins de 1899, era um microbio- 
logista consumado, mas não passava de 



10 



chefe de laboratorio da Polyclinica do 
Rio de Janeiro. E jamais seria professor 
da Faculdade de Medicina. 

III— Um retrato antigo. 

Por volta do ultimo trimestre de 
1899 entrou a ser notada no Rio de Ja- 
neiro uma figura que se destacava do 
vulgacho carioca. 

Todos os dias, mais ou menos á 
mesma hora, quando os bondes desciam 
apinhoados para o centro da cidade, era 
certo encontrar-se n'um dos carros de 
« Largo dos Leões » aquelle homem appa- 
rentemente robusto, de estatura meã, 
sobrecasaca preta, cartola muito alta, 
gravata branca a Principe de Galles. A 
tez levemente morena; a cabelleira bas- 
ta e castanha, entresachada de longos 
e numerosos fios brancos; o bigode ful- 
vo e eriçado a lhe descobrir a bocea 
amplamente rasgada, onde os dentes for- 
tes se entremostravam; o nariz bastan- 
te pronunciado; e dominando a physio- 
nomia, uns olhos grandes, muito expres- 
sivos, de um tom verde claro, davam- 
Ihe ao semblante um aspecto original. 

Quem se propuzesse adivinhar-lhe 
a idade ficaria realmente hesitante. A 
expressão physionomica entre doce e 
austera, a cabeça alvacenta a contrastar 
com os traços juvenis, tudo isso descon- 
certava áquelle que intentasse calcular- 
ihe o niunero de annos de existencia. 

Além disso, os modos, a attitude, 
O quer que é de distincção e fidalgia, 
um tudo-nada contemplativo faziam que 
os psychologos de esquina lhe attribuis- 
sem uma serie de lendas que ainda mais 
excitavam a coscovilhice dos basbaques. 

Posto que n'aquella época fosse com- 
mum semelhante traje archi-solemne, 
comtudo, não passava despercebido, on- 
de quer que apparecesse, o vulto encar- 
tolado do extranho personagem. 

Certo dia, durante um concurso na 
Faculdade de Medicina, por entre a ag- 
glomeração dos assistentes, distinguia-se 



o singular desconhecido, envolto na sua 
rabona, agarrado á sua pasta, alheio á 
bisbilhotice da patulea que em torno o 
escabichava com afinco. 

— Quem é esse typo? 

Ninguém ao certo sabia responder. 

Aqui diziam diplomata: aquelle todo 
não negava; não podia deixar de ser con- 
sul ou ministro plenipotenciario. Outros 
julgavam-n'o artista, naturalmente por 
causa da farta cabelleira: talvez musico, 
talvez pintor ou poeta. Acolá, em meio 
á casquinada dos rapazes, corriam ver- 
sões jocosas: não passava de imi pho- 
tographe (*), porque lá tinha elle uma 
pasta, a celebre e inseparável pasta de 
couro negro, a qual á distancia lembra- 
va uma KODAK. 



No emtanto, quem se approximasse 
dessa creatura enigmática, logrando che- 
gar-lhe á intimidade, teria uma surpre- 
za absoluta. 

A primeira qualidade a ser revelada 
era uma educação apuradissima, que dif- 
ficilmente seria imitavel: uma educação 
sobria de verdadeiro gentleman, cujo tac- 
to sabia differençar um moço de um 
ancião, uma senhora de uma rapariga; 
um cavalheiro, em fim, que não distri- 
buia sorrisos indifferentemente e não 
beijava todas as mãos femininas que se 
lhe extendessem, mas que tinha o dom 
quasi instinctivo de dar a cada um o 
acolhimento que merecia. 

Pois esse mesmo manto delicado de 
cortezia talvez concorresse para lhe ve- 
lar ainda mais o espirito que, com to- 
dos os seus predicados, ninguém como 
Elle sabia recatar. 

Effectivamente, OSWALDO era na- 
turalmente calado. Na sua residencia, na 
sala de estudos, lá está até hoje uma 



(•)_Houve, de facto, nessa data, um grupo de es- 
tudantes que o appellidou "Dr. Photographe". E • 
mais Interessante é que Elle o era, mais habillislrao. 



Il 



ierra-cotta que representa lun frade com 
o dedo indicador em frente aos labios 
a recommendar silencio. Porque o si- 
lencio era o seu grande amigo, confi- 
dente e conselheiro. 

Todavia, quando algum intimo o fur- 
tava á meditação, nos seus raros mo- 
mentos de expansibilidade, era um en- 
canto ouvil-o discretear. E aos raros 
felizes que ás vezes alcançavam desnas- 
trar-lhe algumas das cortinas espirituaes, 
para esses se entreabrira um mundo de 
predicados que passavam totalmente des- 
presentidas aos olhos da sociedade. 

IV— O primeiro recruta. 

Ao acceitar a missão de fundar o 
primeiro estabelecimento sôro-therapico 
no Brasil, o Mestre convidou para seu 
ajudante um antigo condiscípulo que 
exercia as funcções de gerente da casa 
de saúde dos Drs. CATTA PRETA, M A- 
RliNHO e WERNECK. 

OLIVEIRA VIANNA, o mencionado 
amigo, era e felizmente ainda é um typo 
originalíssimo no nosso meio, onde o 
titulo de doutor seduz a grande maioria 
da mocidade. VIANNA fez todo o curso 
medico com raro aproveitamento; ao che- 
gar, porém, a occasião de se doutorar, 
negou-se obsUnadamentc, não consentindo 
jamais em apresentar a imprescindível 
these. Entretanto, era esse homem quem 
suggeria pontos de dissertação a nu- 
merosos doutorandos dos que frequenta- 
vam aquella casa; era elle quem lhes for- 
necia livros e revistas, quem lhes orien- 
tava o desenvolvimento do assumpto, 
com erudição e clarividencia admirá- 
veis; era elle, finalmente, que muitas 
vezes lhes corrigia a obra, escoimando-a 
dos attentados á sciencia, á lógica e até 
á grammatica. 

A despeito da forte amizade que o 
ligava a OSWALDO, não quiz VIANNA 
abandonar a sua antiga tenda de traba- 
lho, onde também o prendia um affecto 
quasi filial á pessoa do velho Conselhei- 



ro CATTA PRETA, a quem se consa- 
grou alé á derradeira hora do saudoso 
cirurgião. 

O Mestre cobiçou para o seu pro- 
jectado Instituto esse inconfundível mo- 
delo de caracter, intelligencia e modes- 
tia. Não o conseguindo, viu-se forçado 9, 
pedir a outro amigo a indicação de iuni 
estudante de medicina que lhe accei- 
tasse as condições. ALFREDO PORTO- 
um grande coração que infelizmente já 
não existe- foi o incumbido da tarefa. 
PORTO, movido pela sua bondade infi- 
nita, lembrou-se logo de um estudante 
pobre a qu€m havia promettido uma col- 
locação em seu estabelecimento hydro- 
eleclrotherapico. Sem perda de tempo, 
deixou os seus interesses e partiu para 
a pensão, onde residia o rapaz, encon- 
trando-o a dormir, em pleno dia, vespe- 
i*a de exame, com' o compendio de HAL- 
LOPEAU aberto sobre o peito semi-nú. 
Despertou-o risonhamente, gracejando 
com leve ar de censura, e deu-lhe conta 
do convite. A hora aprazada, subiam os 
dous as escadas de um sobrado á traves- 
sa de S. Francisco n». 10, onde tinham 
consultorio os Drs. CANDIDO DE AN- 
DRADE e LUIZ BARBOSA e onde tam- 
bém estava montado com muito capri- 
cho um gabinete de microscopia e de 
analyses clinicas. ' 

Feitas as representações, retirou-se 
o Dr. PORTO, deixando a sós os dois 
recem-conhecidos, que entabularam o se- 
guinte dialogo: 

— Em que anno está o Sr? 

— No terceiro. 

— Tem medo da peste? 

— Não, senhor. 

— Está disposto a trabalhar tantas 
horas quantas forem necessárias para 
ciunprir as suas obrigações, sem depen- 
dencia de nenhmn horario fixo? 

— Perfeitamente. 

— Agora uma ultima pergunta, á 
qual ligo muita importancia: O Sr. co- 
nhece alguma cousa de bacteriologia^ 



12 



O moço teve um momento de duvida: 
de um lado, a fascinação que exercia so- 
bre si o inesperado cargo de auxiliar de 
vim verdadeiro scientista, além dos pro- 
venios que d'alii lhe adviriam; de outro 
lado, a sua consciência que o compellia 
a dizer a verdade. Optou por esta, dei- 
xando-se, porém, cahir interiormente 
n'uma crise de abatimento moral. 

— Não, senhor. 

— Pois eslá muito bem; é essa uma 
das condições exigidas. 



Tempos depois, valendo-se da bon- 
dosa condescendencia do Mestre, o ex- 
recruta perguntou-lhe curioso : 

— Lembra-se das condições que o 
Sr. me apresentou para ser seu ajudante? 

— Mais ou menos. 

— Porque é que o Sr. fazia questão 
de um auxiliar sem nenhuns conheci- 
mentos de microbiologia? 

— Por uma razão muito simples: 
porque si você soubesse alguma cousa 
da materia, devia ser muito pouco, só 
servindo para lhe dar prcsumpção e 
portanto difficultar o seu aprendizado. 
E eu ¡)refiro certos ignorantes. . . 

V— A Lancha de Manguinhos. 

Morto o Pae, fez OSWALDO questão 
de o succéder na clinica, labutando no 
mesmo bairro, atlendendo aos mesmos 
doentes, praticando a mesma caridade. 
Ainda hoje, entre os pobres antigos da 
Gávea, deve haver quem confunda os 
nomes dos dous medicos, envolvendo-os 
nas mesmas bênçãos e orações. 

Nessa faina de clinico, conheceu de 
perto a febre amarella, com todos os 
seus horrores. Muitas vezes lhe ouví- 
ramos a narrativa de casos a que assis- 
tira e que se lhe gravaram para sempre 
na memoria. Alanceavam-lhe o peito os 
soffrimentos das victimas; acima delu- 
do, porém, o acabrunhava a fallencia 
completa da therapeutica e da prophy- 



laxia. Por isso foi com incontido alvoro- 
ço que acompanhou os trabalhos da 
corjimissão norte-americana em Cuba, 
dos quaes tirou para logo todas as in- 
ferencias cabíveis. E então, com mn ar- 
dor patriótico que mal podia reprimir, 
falava aos discípulos na possibilidade de 
realizar semelhante campanha no Rio 
de Janeiro, chegando a propor aos seus 
minguados auxiliares uma tentativa par- 
cial n'um arrabalde, afim de apresentar 
aos poderes públicos uma demonstração 
pratica e convincente. 

Embora não tivessem a minima com- 
petencia para julgar tai commettimento, 
os seus companheiros não hesitariam 
em acceitar os postos que lhe fossem 
confiados. Mas as cousas soffreram uma 
repentina modificação. 

Effectivamente, OSWALDO sempre 
tão assiduo ao serviço, deixou de ir a 
Manguinhos dous ou tres dias seguidos, 
^ob o pretexto de obter uma lancha para 
o pessoal, que luctava com a falta dos 
meios de conducção. 

Qual não é, porém, a surpreza quan- 
do em vez da embarcação promettida 
apparece nos jornaes a nomeação do 
Dr. OSWALDO GONÇALVES CRUZ para 
o cargo de Director geral da Saúde Pu- 
blica. 

Todavia, no dia seguinte, ao tornar 
ao Instituto, onde o aguardavam os em- 
boras da grei manguinhense, fora Elle 
o primeiro a recusal-os, visto que já 
não era mais o chefe da repartição sani- 
taria. 

— Como assim? 

— Porque já pedi demissão. 
Explicadas as cousas, o Mestre se 

vira na conjectm^a de fazer tal pedido, 
porque o governo começara por lhe fal- 
tar a um compromisso solemne, qual o 
de lhe conceder autonomia absoluta no 
exercício do cargo. E sem lhe dar satis- 
facção, lhe nomeara o secretario, no- 
meação essa que aliás recahira numa 
das figuras mais brilhantes d'aquella ge- 
ração medica. 



13 



Üesnecessario seria dizermos que o 
grande Presidente reconsiderou nobre- 
mente o acto, negando a exoneração pe- 
dida e nomeando o collcga que OSWAL- 
DO já havia convidado: o Dr. J. PE- 
DROSO. 

D'alii a dias atracava na nossa ve- 
lha ponte de madeira, (hoje substituida 
por outra de cimento armado) uma gar- 
rida iancha a vapor, especialmente desta- 
cada pelo novo Chefe da Saúde Publica 
para o serviço do Instituto. 

Estava cumprida a promessa. 

Faltava-lhe ainda algiuna cousa que 
também havia de conseguir; a realiza- 
ção de dous bellos sonhos. 

VI— Um cartão poital (*). 

Meus senhores: 

Antigamente, o nosso primeiro dia 
de aula era festivo. Por entre alegrias 
e esperanças, aqui nos reunimos para 
celebrar o inicio d'estes trabalhos. 

Relembrávamos então os primordios 
da Microbiologia. Commemoravamos o 
advento da era microbiana, recontando 
as doutrinas que foram por esta sub- 
vertidas. Remontávamos ás pugnas em 
torno da famigerada « geração expontâ- 
nea », vetusto monumento que um só 
homem derruiu. 

Enalteciaraos a memoria do funda- 
dor da Bacteriologia, o genio da bene- 
merencia, o nome de mais brilho que 
jamais perlustrou os dominios da Biolo- 
gia. 

Era com indizível gáudio que re- 
constituíamos os primeiros passos de 
PASTEUR ao desbravar o caminho para 
a gloria. 

Depois, embora de relance, apontá- 
vamos outros nomes illustres, de diver- 
sas nacionalidades, todos a disputarem 
os louros da peleja era prol dos mesmos 
ideaes. 



(•)- Primeira licção de Microbiologia, em 1907, na 
Faculdade de Medicina de Bello Horizonte. 



Nesse concatenar de nomes e de 
feitos, procurávamos sempre realçar al- 
go que pudesse servir de exemplo para 
a mocidade, afim de que esta bebesse 
em lousas veneráveis a verdadeira lição 
para a vida e para o trabalho. » Os 
vivos são sempre e cada vez mais gover- 
nados pelos mortos s. 

Agora, mais do que nunca, tem ca- 
bimento a piedosa sentença. 

Mais uma lapide venerável veiuajun- 
tar-se ás que eram alvo do nosso preito: 
e essa a de um Morto cujo espirito é a 
razão de ser deste modestíssimo curso. 



Meus sunhores, nunca nos ha-de es- 
quecer o dia em que surprehendemos 
OSWALDO CRUZ a 1er e meditar um 
livro precioso: «La vie de Pasteur». 

Esse livro é um evangelho, em que 
VALLERY-RADOT, genro do immortal 
sabio francez, conta, dia por dia, com 
vero amor filial, a vida do grande varão. 

Relendo-o agora, pudemos compre- 
hender o enlevo daquella dignificante 
leitura, a que o Mestre se entregava nos 
bons tempos embryonarios de Mangui- 
nhos. 

Relendo agora alguns trechos dessa 
obra grandiosa, convencemo-nos de que 
esta foi o seu guia predilecto. Relendo-a, 
verificamos a extraordinaria semelhan- 
ça entre PASTEUR e OSWALDO: o mes- 
mo feitio moral, a mesma nobreza de 
sentimentos, a mesma fé inquebrantável 
na Sciencia, o mesmo arcabouço de luc- 
tador, a mesma preoccupação de bem- 
fazer, a mesma probidade profissional, 
o mesmo ardor patriótico, o mesmo 
amor do trabalho, o mesmo desvelo com 
a familia, a mesma capacidade de attra- 
hir proselytos, a mesma amizade aos 
discípulos, o mesmo poder de suggestão, 
que os fazia chefes de escolas incontras- 
taveis. Ambos geniaes e simples, victo- 
riosos e compassivos. 

Agora que ambos pervagam nos pá- 



14 



ramos da elernidade, irmanemol-os na 
mesma reverencia. 

N'esta alludida biographia ha uma 
phrase magistral: « Da vida dos homens 
que têm assignalado sua passagem por 
um traço de luz durável, recolhamos 
piedosamente, para o ensinamento da 
posterioridade, até as mínimas pala- 
vras, os mínimos actos capazes de tor- 
narem conhecidos os aguilhões da sua 
grande alma ». 

Esta phrase é do próprio PASTEUR, 
que sabia tão bem render homenagem 
aos luminares como elle. São provas 
disso a amizade respeitosa e o sincero 
culto que votava aos sabios d'aquella 
época, principalmente aos seus Mestres, 
mormente aos mais velhos, especialmen- 
te a BIOT, J. B. DUMAS, SAINTE-CLAIRE 
DEVILLE, CHEVREUIL, CLAUDE BER- 
NARD, REGNAULT, etc. 

Ora, Senhores, essa mesma phrase 
deve ser também o lemma que todos os 
discipulos do PASTEUR brasileiro temos 
de adoptar, afim de que se não percam 
no esquecimento as grandíloquas lições 
que sublimam a sua vida publica e par- 
ticular. 

Emquanto não se elabora a biogra- 
phia de OSWALDO, a qxial seu successor 
escreverá com mais auctoridade do que 
ninguém; emquanto não verte o opulen- 
to manancial de civismo, que todos 
aguardamos com anciedade, podemos e 
devemos, cada imi na medida das pro- 
prias forças, esbater alguns traços mais 
impressionantes da sua inconfundível phj'- 
sionomia moral, intellectual e scientifica. 

Por conseguinte, áquelle que vos fal- 
ia também cumpre prestar o seu singelo 
depoimento,— embora lhe falleça a ne- 
cessar/a competencia. Mas, neste caso, 
onde falta o fulgor da palavra, sobeja 
a sinceridade do sentimento; e á mingua 
de sumptuosidade literaria, recorra-se ao 
recesso do coração, que, ás vezes, tam- 
bém suppre o estylo e o pensamento. 

É por isso que, movido pela grati- 
dão, que tributamos á sua memoria. 



vamos dizer-vos, em palavras simples, 
na linguagem que Elle amou, alguma 
cousa da sua vida, que é o mais puro, 
o mais nobilitante exemplo para a moci- 
dade, em cujo seio quizeramos esparzir, 
si fora possível, todo o balsamo do seu 
espirito inegualavel. Entretanto, uma dif- 
ficuldade se nos antolha: que devemos 
narrar-vos? sua carreira profissional? 
seus celebrados feitos? as peripecias de 
suas luctas? sua obra? Seria impossí- 
vel resumir aqui tudo isso, ou siquer 
uma parte da sua magnifica trajectória 
pelo mundo. Todavia, fallando a moços, 
a almas que precisam se formar ao ca- 
lor de outras almas bem formadas, que- 
remos referir um traço apenas da sua 
estructura moral. E esse talvez baste 
para caracterizar a personalidade de OS- 
WALDO CRUZ. 

Transportemo-nos aos tempos do 
combale gigantesco á febre amarella. 
Graças á efficaz intervenção de um ami- 
go—o Dr. SALLES GUERRA,— o gover- 
no RODRIGUES ALVES acabava de con- 
fiar ao jovem pesquizador os serviços 
sanitarios do paiz. A nomeação de um 
bacteríologista era pessimamente rece- 
bida pelo que se convencionou chamar 
opinião publica. Os jornaes extranhavam 
que um homem habituado ao campo 
restricto do microscopio fosse capaz de 
se librar em tão altas,, tão amplas res- 
ponsabilidades e cogitações, esquecidos, 
talvez, de que, em todo o mundo civili- 
zado, os hygíenistas soem sabir justa- 
mente desses mesmos laboratorios mal- 
quistos. Mostravam-se todos estupefactos 
ao saber do revolucionario programma 
de saneamento, que o novo chefe em- 
punhava. 

A theoria culicidiana, pela qual se 
explica e se prova a transmissão do 
typho icteroide, parecia agonizar aos 
golpes iracundos que a medicina e a 
critica indígenas lhe desferiam. Naquel- 
la epoca-póde dízer-se quasi sem receio- 
ninguem levava a serio tão abstrusa 
fantasia. 



15 



Organizou-se então contra o Direc- 
tor Geral de Saúde Publica a celebérri- 
ma campanha, que, provavelmente, os 
contemporáneos ainda não olvidaram. 

A classe medica em peso, chefiada 
pelos maioraes do ensino (com raríssi- 
mas excepções, entre as quaes o saudo- 
so e notável PEDRO DE ALMEIDA MA- 
GALHÃES), condemnava implacavelmen- 
te a famosa doutrina. Do alto de cathe- 
dras imponentes cabiam sobre o monstro 
fulmíneas sentenças. 

No Congresso Nacional, na alta ad- 
ministração, nos conciliábulos, na praça 
publica, por toda a parte, cobriam de 
apodos o pretencioso saneador. 

Todos os jornaes leigos, todos os 
jornalistas (menos MEDEIROS e ALBU- 
QUERQUE e AGENOR DE ROURE tam- 
bém, que tinham a clarividencia e a 
impavidez de defendel-o), todos o zur- 
ziam sem cerimonia. O artigo de fundo, 
inspirado ou não por comparsas profis- 
sion aes, azorragava-o diariamente de 
rijo. 

Das différentes armas, comtudo, ar- 
remessadas contra o responsavel-mór pe- 
la infrene matança dos mosquitos, uma 
havia, que era a preferida. 

Era o ridiculo, o ridiculo em todas 
as suas modalidades: ora o epigramma 
acerbo, ora o mordaz remoque; a cha- 
cota insulsa, ou a chufa de recoveiro; a 
maliciosa caricatura; a ironia subtil, ten- 
denciosa; e até o convenció, grosserias, 
e a propria calumnia infanda. Tudo 
servia. , 

Poetas e poetaços prestavam ópti- 
mo serviço á causa. Versos picantes não 
rareavam nas columnas humorísticas dos 
periódicos. 

Lembra-nos ainda mna versalhada 
nephelíbata, que fez época: 

De dezembro em noites calidas 
As culicidias exóticas 
Parecem deusas chloroticas 
Ou parasitas esquálidas 

E por ahi além. Quadras, sonetos, 



todos os metros de arte poética, trovas 
adaptadas ao violão. . . 

Tudo servia. 

A musica-honra lhe seja feita-assim 
como a caricatura, cumpriu cabalmente 
o seu dever; e õ genero «modinha» 
ganhou mais de uma composição, que fa- 
zia as delicias até dos « cordões » car- 
navalescos. O saneamento de Cuba,ci- 
tado em um trabalho official da Repar- 
tição de Hygiene, deu ensejo a copiosas 
pilhérias, inclusivamente a uma canço- 
neta mais ou menos néscia, que « O 
Malho » publicou com a respectiva parte 
musical. 

De modo que a opposição não lhe 
dava treguas nem quartel. 

Qualquer medicastro embelecado 
com sciencia de fancaria, qualquer igna- 
ro labrego, um parvajola qualquer se 
arrogava direitos de critico, e assumia 
attitudes cathedraticas, e compenetrava- 
se de que era homem para desfazer na 
reputação alheia, ou idóneo para derro- 
car noções, factos scientificos, que nem 
por sombras lhe passavam no alcance 
do peco bestunto. 

Pois no meio de toda essa atroada 
infernal, que durou largo tempo, o sa- 
bio continuava imperturbável e sereno, 
a seguir a sua rota, com destemor, a 
vencer obstáculos innumeraveis, a con- 
vencer os discípulos, a persuadir os auxi- 
liares, a disseminar conhecimentos até 
então ignorados, a estabelecer a nossa 
modelar legislação sanitaria, a erguer 
a indestructivel escola de Manguinhos, 
e, finalmente, isentando a Patria de man- 
chas negrej antes que a deslustravam, al- 
cançar a mais esplendorosa victoria con- 
tra o mal e contra a .morte. 

Antes, porém, do monvunental trium- 
ph o, quão longo e duro fora o cami- 
nho. . . 

Um bello dia, quando ainda ninguém 
acreditava no êxito de tão hercúlea em- 
presa, quando mais truculenta e cruel 
ia a obra do ridículo, realizou-se no 
Rio de Janeiro uma festa de caridade. 



16 



Senhoras do escol social porfiavam 
em angariar donativos para uma insti- 
tuição pia. Entre outros meios de captar 
beneficios, houve um, que não deixava 
de ser algo curioso: levaram a leilão 
varios cartões postaes escriptos por ho- 
mens notáveis da época. Cada bilhete 
continha ora uma phrase requintada, ora 
poesias de auctores consagrados, ora bre- 
ves trechos musicaes, etc., em confor- 
midade com o gosto artístico ou a pro- 
fissão de cada signatario. 

Aiguns alcançaram preços avulta- 
dos, com que a alta sociedade acolhia 
as notabilidades que os firmavam. E a 
festa mundana ia correndo suavemante, 
sem nenhuma discrepancia, sem a mais 
ieve nota dissonante. 

Senão quando, surde, por fim, mn 
cartão com uma assignatura mal intelli- 
givel por baixo de uns dizeres, que de- 
viam ser extremamente cómicos, tal o 
sussurro de sarcasmo, que o recebera. 
As palavras do dito cartão não as cito 
textuaes, porque só as tenho approxima- 
damente de memoria; mas a idéa resu- 
mia-se mais ou menos no seguinte: 

« O mosquito é o único transmissor 
provado da febre amarella.— assignado) 
GONÇALVES CRUZ ». 

Esse cartão, que uma pessoa bondo- 
sa conseguiu arrebatar ao ridiculo, ao 
innominavel escândalo, que o aguarda- 
va, c incontestavelmente uma obra pri- 
ma! 

Demonstra elle até que ponto uma 
consciência recta e lucida é capaz de 
uma convicção scientifica. 

Esse pequeno cartão é o retrato 
moral de um homem. Da primeira á 
ultima letra tudo ahi resumbra o animo 
varonil, a intrepidez, a immensuravel 
energia, a sinceridade sem limites, o 
caracter perfeito de uma individualidade 
forte e incomparável. 

A propria assignatura esse Gonçalves 
Cruz, com que até nos últimos e doloro- 
sos dias de existencia se assignarà, até 
isso releva uma face bellissima e quasi 



desconhecida da sua extructura moral. 

Ao brilho do nome OSWALDO CRUZ, 
mais tarde consagrado, ultimamente co- 
berto de gloria, e pelo qual era em toda 
a parte conhecido, preferiu sempre 
aquelle'outro sobrenome, que herdara 
do seu digno Pae— o Dr. BENTO GON- 
ÇALVES CRLTZ— cuja vida honrada e 
cujas nobres virtudes tamanlia influencia 
exerceram sobre a formação da sua per- 
sonalidade. 

Era esse um dos diversos modos 
porque idolatrava a memoria do seu 
Progenitor, a quem amara com o mais 
acrysolado amor filial. 

Esse diminuto cartão não sabemos 
por onde andará. Sabemos apenas que, 
para proveito dos vivos, devia figurar 
na antiga sala da directoria do Institu- 
to de Manguinhos; aquella mesma sala 
que as mãos affectuosas de CARLOS 
CHAGAS transformaram em discreto mu- 
seu, onde tudo permanecerá para sem- 
pre tal qual o Mestre deixou; onde tudo, 
a cada passo, parece evocar a sua egre- 
gia figura; onde, a cada momento, vemos 
resurgir o seu porte distincto, com o 
inseparável dolman branco, com a bella 
cabeça de artista, com a cabeileira alva 
sobre o juvenil semblante, com a mes- 
ma austera sympathia, pensando, escre- 
vendo, trabalhando, resolvendo proble- 
mas transcendentes, ouvindo e estimu- 
lando os discípulos, prodigalizando-lhes 
os thesouros do seu coração munificen- 
te; n'aquelle augusto recinto, onde nin- 
guém ousa tocar no mais insignificante 
objecto; e onde os visitantes observa- 
rão com respeito que, na Casa que Elle 
creou e que tanto estremecia, se guar- 
dam como reliquias inestimáveis essas 
pequenas cousas, que refletem recorda- 
ções infinitas, lembranças do grande As- 
tro, que a illuminou; ahi, nesse carinho- 
so santuario onde sempre errara o seu 
genio immortal, e onde, quando o animo 
se nos entibiar, iremos os seus discípu- 
los haurir coragem e civismo para as 
jornadas cruentas da vida. 



17 — 



Meus senhores, quizemos referir-vos, 
de preferencia, esse episodio, em vez de 
qualquer outro dos muitos que podería- 
mos contar-vos, porque esse, por bem 
dizer, resume a vida inteira do Homem. 

Ficae sabendo que a mais avanta- 
jada erudição, a mais brilliante origina- 
lidade intellectual, o mais peregrino ta- 
lento, a maxima capacidade de trabalho- 
nada d'isso valerá si não correr parelhas 
com a sinceridade, que, até na opinião 
de um sceptico, é o verdadeiro apanágio 
das obras duradouras. 

Bem hajam, pois, os illustres docen- 
tes desta Faculdade, que se lembraram 
de esculpir tão assignalado nome nos 
porticos deste laboratorio. 

A homenagem-nós o sabemos— é exi- 
gua demais para tão grande vulto. Aca- 
nhadíssimo o ambiente para o Nume, 
que de ora avante irá pairar sobre os 
destinos desta cadeira, cujo detentor 
actual é frágil limo para supportar a 
tremenda responsabilidade. E todos, to- 
dos os que aqui mourejamos, nos sen- 
timos obumbrados, deprimidos ante a 
majestade do nome aureolado que rebri- 
lhará sobre nossas cabeças. 

Apezar disso, bem hajam os aucto- 
res dessa lembrança. 

Porque dia virá em que o Brasil, 
já na posse de si mesmo, assistirá ao 
surio magnifico que lhe está reservado. 
Os homens do porvir, os compatricios 
vindouros comprehenderão facilmente as 
paginas da Historia, que aos nossos olhos 
se vão desdobrando. A Humanidade des- 
fructará todos os bens que a Sciencia 
lhe dará. A Sciencia, maior do que as 
artes, maior que tudo, reinará sem con- 
traste sobre a Terra. 

E então, quando os escribas procu- 
rarem nos desvãos do passado os nomes 
para o Pantheon brasileiro, também aqui 
encontrarão, modestamente embora, o 
symbolo da nossa liturgia, o idolo vene- 



rado pelos obreiros desta recôndita offi- 
cina. 

Bello Horizonte, lide Abril de 1917. 
Vil -Zé orgaeiro. 

N'uma das suas viagens ao Norte 
do Brasil, em Sergipe ou Alagoas, narra- 
ram-lhe a historia de imi artista obscu- 
ro que havia fabricado, sósinho e sem 
nenhuns recursos, um complicado ins- 
trumento musical: um órgão para a igre- 
jinha pobre da sua freguezia. 

OS WALDO quiz ver o instrumento. 
Mostraram-lh'o: uma obra rustica, feita 
de taquaras e cousas toscas; na realida- 
de, um objecto inesthetico, mas possui- 
dor de mna alma que plangia sons har- 
moniosos, e todos os domingos pela ma- 
nhãsinha, ás mãos do seu próprio auc- 
tor, fazia vibrar o coração simples dos 
crentes, tal como os órgãos ricos das 
cathedraes. 

O Mestre ficou maravilhado. Quiz 
conhecer o artista. Apresentaram-lh'o. 
Era ainda mais rustico do que a obra- 
um individuo inculto que após longos an- 
uos de trabalho, mal visto e chacoteado, 
só com o seu engenho e a sua fé con- 
seguira emfim realizar o ideal de toda 
a sua vida: dotar a ermida de sua devo- 
ção um harmonium, para que a Nossa 
Senhora padroeira de sua terra, aquella 
mesma Santa de manto azul estrellado, 
tão bôa e tão milagrosa, tivesse 
como as outras imagens das basilicas 
opulentas a sua oblata de accordes me- 
lodiosos. 

Não tinha dinheiro para compral-o? 
resolveu fazel-o. Escasseavam-lhe elemen- 
tos para isso? Havia de fabrical-o assim 
mesmo. E fel-o. Era um homem! O nome, 
pouco importa. Possuia, porém, um cog- 
nome, um appellido popular que o defi- 
nia e o glorificava: Zé Orgueiro. 

O Mestre, a expensas suas, encami- 
nhou Zé Orgueiro para o Rio, confiando- 
o ao Director do Instituto Nacional de 



18 



Musica, apresentando-o aos mestres da 
arte, para que burilassem aquelle bello 
bloco espiritual. 

Ignoramos si o conseguiu. Parece 
que não. 

Nem sempre os raios do sol pene- 
tram o amago das florestas virgens. 

VIU — Dous homens 

RODRIGUES ALVES foi imia dessas 
individualidade.s raras para quem não 
havia boas nem más formas de governo. 

Sem embargo do apreço devido aos 
doutos que consagram tanto saber e ta- 
lento ao estudo theorico da governação 
dos povos, esse exemplo parece até certo 
ponto provar que as mais debatidas ques- 
tões sociaes, no terreno da pratica, des- 
cem a um plano secundario quando os 
dirigentes teem as qualidades indispen- 
sáveis á sua alta missão. Aliáz, é isso 
mesmo o que affirma um philosopho da 
estatura de TH. RIBOT: «Le succès et 
le revers d'un peuple ne depends pas de 
la forme de son gouvernement » 

Pois aquelle conselheiro, educado na 
rotina do antigo regime, foi a grande 
força propulsora das ideas e planos ar- 
rojados do joven OSWALDO CRUZ. Sem 
esse prestigio, talvez não se tivesse rea- 
lizado até hoje o saneamento do Rio de 
Janeiro; e o nosso garboso Instituto 
não seria o que actualmente é, si o 
excelso Presidente não lhe vislumbrasse 
o deslumbrante futuro. 



Não obstante o apoio firme que o 
Chefe do Poder Executivo dispensava ao 
Director da Saúde Publica, a campanha 
politica e jornalística contra esta attingiu 
a tal ponto que RODRIGUES ALVES, 
incitado pelos próprios amigos, se viu 
na contingencia de chamar o hygienista 
c em termos ungidos de amizade pedir- 
Ihe que, ao menos como uma satisfação 
ao publico, mandasse fazer algumas de- 
sinfecções pelos velhos processos, nos 



casos de febre amarella, sem comtudo 
abandonar os expurgos preconisados pela 
doutrina havaneza. 

OSWALDO ficou por momentos pen- 
sativo. Depois, fitando tranquillamente 
o digno ancião, agradeceu-lhe a delicade- 
za do superior hierarchico que, poden- 
do ordenar peremptoriamente a medida 
conciliatoria, como era de seu direito, 
preferia apresental-a sob a forma deli- 
cada de um pedido; e terminou af fir- 
mando que a ordem seria cumprida sem 
tardança, bastando para isso que S. Exc. 
lhe nomeasse o substituto. 

A um gesto negativo do Conselheiro, 
obtemperou o Mestre que era preciso at- 
tender a dois pontos de vista différen- 
tes, mas, de igual modo respeitáveis: 

— De um lado, as exigencias politi- 
cas, talvez a estabilidade das instituições 
a imporem uma providencia anodina, 
mas opportuna. De outro lado, uma con- 
vicção scientifica arraigada, que não ad- 
mitte transigencias, sob pena de deser- 
ção moral. 

E concluiu pedindo-lhe insistente- 
mente a exoneração. 

Mas RODRIGLTES ALVES negou-lh'a, 
auctorizando-o a perseverar nos seus 
processos prophylaticos. 

Despediram-se cordialmente. 

Mal OSWALDO se retirou, ainda no 
topo das escadarias, disse o integro es- 
tadista a alguém que se lhe approxi- 
mava: 

— É impossivel que esse moço não 
tenha razão! 

IX -Chefe de Escola. 

Paraphraseando EUCLYDES DA 
CUNHA, que julgava ROOSEVELT o 
< maior philosopho pratico do secido », 
também podemos considerar OSWALDO 
CRUZ como um dos grandes psychologos 
práticos da sua época. 

Entretanto, o Mestre nunca estu- 
dou a sciencia do espirito; mas tinha, 
em compensação, o dom intuitivo de 



19 



conhecer os mysterios da alma humana, 
podendo assim seleccionar os auxiliares 
da sua confiança. 

Foi isso, em grande parte, que lhe 
grangeou tanto prestigio entre os subor- 
dinados, na sua classe, em toda a socie- 
dade. 

Cada um dos seus coadjuvantes lhe 
merecia uma analyse rigorosa, realizada 
imperceptivelmente. Dotado de excep- 
cional espirito de tolerancia perfeita- 
mente humano, pensava que no homem, 
creatura sempre imperfeita, era bastante 
que as qualidades más fossem superadas 
pelas boas. E esses predicados Elle sabia 
discriminar com muita precisão, che- 
gando a minucias inacreditáveis, para 
depois reduzil-os a uma synthèse que 
podia ser considerada como mn retrato 
espiritual talhado por mão de mestre. 

Na esphera administrativa essa ad- 
mirável capacidade teve azo de se reve- 
lar innúmeras vezes. 

Em Manguinhos ba um exemplo ca- 
racterístico. 

Andava r procura de emprego um 
rapaz a cuja família OSWAJ-DO tributa- 
va especial sentimento de gratidão e 
amizade. Não havia ainda o cargo de 
bibliothecario do Instituto. O Mestre deu- 
Ih'o. Mas o moço não soube correspon- 
der aos desejos do amigo, mostrando-se 
tão inhábil que cahiu em pleno ridiculo 
e desprestigio. Naturalmente, todos es- 
tranhavam a excessiva complacencia do 
Director, sempre tão exigente e rigoro- 
so. Este, porém, continuava impassive! 
até que, de subito, sem que ninguém 
esperasse, o joven desappareceu da tci- 
dade dos livros » (que naquelle tempo 
funccionava provisoriamente n'imi barra- 
cão de madeira) e surgiu em novo pos- 
to: no almoxarifado. 

Foi uma transfiguração: o ultimo 
dos bibliothecarios passou a ser o pri- 
meiro dos almoxarifes. E hoje a sua 
prestigiada posição de thesoureiro re- 
presenta um dos cargos de mais impor- 



tancia na vida administrativa de Man- 
guinhos. 



Na alta esphera scientifica ia mui- 
to mais longe a penetração do psycho- 
logo, pois a investigação espiritual se 
aprofundou a ponto de caracterizar os 
diversos typos de intelligencia em todos 
os seus graus e especializações. 

Nos últimos tempos a sua táctica 
consistia mais ou menos no seguinte: 
acompanhava assiduamente o curso of- 
ficial do Instituto, cuidando de observar 
um por um os neophytos. Dentro em 
pouco o seu juizo estava feito. Exclui- 
dos os mediocres, ia fazendo a classifica- 
ção dos mais aptos, segundo o pendor 
de cada imi. Assim, por exemplo, este 
devia ser muito trabalhador e erudito, 
mas nunca teria originalidade; aquelle 
seria naturalista, mas sempre limitado 
ao circulo da systematica; n'aquel- 
I'outro estava o arcabouço de mn futuro 
experimentador, capaz de perquirir com- 
plicados problemas vitaes. 

No emtanto como bôm sociólogo, 
Elle sabia que cada individuo deve ter 
sua missão a cumprir na communidade, 
e que só os egoístas e os fátuos preten- 
dem encerrar dentro de si todos os pre- 
dicados úteis e victoriosos. Com esse 
criterio de perfeita sabedoria, interessa- 
va-se condialmente pelos labores de seus 
auxiliares, incitando-os ao trabalho, in- 
cutindo-lhes fé e enthusiasm©, ainda 
quando fosse minúsculo o objectivo scl- 
entifico e restricto o âmbito intellectual 
do obreiro, porque sem essa febre vivifi- 
cadora ninguém pode servir dignamente 
aos seus próprios ideaes. 

Pois esse homem extraordinario, as- 
sim que conseguiu a primeira turma de 
discípulos sufficientemente versados em 
assumptos de laboratorio, tratou de fim- 
dar luna revista magnifica; mas desde 
esse dia nunca mais veiu á luz imi tra- 
balho original firmado por seu nome. 



20 



Qual teria sido o motivo que levou 
esse chefe de escola a subtrahir sua 
individualidade á evidencia dos prélios 
scienlificos? 

OSWALDO, provavelmente, imaginou 
que si concentrasse as suas forças com o 
fim de augmentar a sua producção intel- 
lectual, aureolando de novas conquistas 
exclusivamente o seu nome, certamente 
Elle serviria com fidelidade á sciencia, 
opulentando-lhe o patrimonio; entretanto, 
uma vez encerrado o cyclo da sua vida 
terrena, deixaria em pós a sua morte ura 
pugillo de moços quasi todos de innegua- 
lavel valor, mas talvez desorientados, á 
mercê do primeiro golpe da adversidade. 
E como a idéa de morte prematura lhe 
era sempre presente ao espirito, Elle 
foi a pouco e pouco se deixando ficar 
no segundo plano, para que os seus com- 
panheiros caminhassem para a frente, 
cada um a fazer sua reputaçno á custa 
de pesquisas valiosas. 

Não obstante, quasi todos os estu- 
dos assim elaborados recebiam a sua 
influencia benéfica, embora muitas ve- 
zes o assumpto não lhe fosse da especia- 
lidade. É que ninguém como Elle sabia 
entrever as causas de erro, as apparen- 
cias enganosas, as conclusões illogicas. 
Todavia, é bem possível que nem 
todos tenham sabido interpretar esse al- 
truismo invulgarissimo, talvez não en- 
contrado em muitos corações paternos, 
porque até mesmo entre pae e filho nem 
sempre se fala a mesma lingua, como 
tão elegantemente assignalou JULES 
LEMAIÏRE. 

É possível que nem todos tenham 
podido comprehender o sublime papel 
representado por esse mentor subtil, que 
pensava menos em si do que na gloria 
dos seus filhos intellectuaes. 

F: bem possível que sim. Mas, si os 
houve, devem ter pertencido a uma das 
seguintes categorias: 1.— a dos cegos que 
não querem ver; 2.— a d'aquelles cujo 
espirito, segundo REMAN, é « fermé á 



toute idée genérale », cuja intelligencia 
não vae além das cousas concretas. 

Como quer que seja, OSWALDO foi 
um d'esses homens de visão illimitada, 
cujo horizonte mental alcançava os phe- 
nomenos mediatos, de preferencia aos 
immediatos, justificando exhubarente- 
mente um dos conceitos mais profundos 
da "brilhante psychologia de WILLIAM 
JAMES « A tontes les époques, l'homme 
qui subordonne son action aux fins les 
plus éloignées a paru posséder la plus 
haute intelligence ». 

Além disso, ha sempre uma justiça 
eterna, superior ás boas e ás más pai- 
xões, á qual compete enlaçar insensivel- 
mente os homens e os factos para en- 
feixai- os, por fim, n'um julgamento de- 
finitivo. E essa já estabeleceu de modo 
irrevogável que houve no Brasil uma es- 
cola-talvez mais do que isso: uma era — 
a que está para todo o sempre ligado 
o nome de OSWALDO CRUZ. 

Assim também, para LATINO COE- 
LHO, o eximio exegeta da civilização 
lîcl'.cnii: % a era hippocratica é uni mo- 
numento de saber humano, erguido por 
uma plêiade de sabios que se congrega- 
ram, para servir á sciencia, á sombra 
do vulto symbolico do * Pae da Medi- 
cina ». 

X— Uma sentença de morte. 

Estávamos em principio de 1907. 

N'aquelle anno, mais do que nunca, 
devia o carnaval ser animadíssimo. Mal 
anoitecia, era um continuo e ensurderce- 
dor rufar de zabumbas, pandeiros, reco- 
recos, chocalhos e outros instrumentos 
que fazem o acompanhamento das can- 
tonas plebeias. 

Os cordões preparavam-se. 

Ensaios sobre ensaios succediam-se 
infindáveis. Todas as noites, a mesma 
orchestração estrambótica e infernal an- 
nuciava pelos bairros a próxima chegada 
do deus bulhento e brejeiro. Promettia 
ser celebre a funçanata final. 



21 



Todos os annos, por essa occasião, 
âpparecia n'um solar de Botafogo a fi- 
gura retinta e sympathica de uuin negro, 
ex-creado da familia. Era alii infallivel 
a sua presença afim de pedir aos antigos 
patrões alguma roupa, calçado, qualquer 
cousa, em fim, com que pudesse apresen- 
tar uma fantasia carnavalesca. 

D'esta vez, a sorte parecia propicia 
ao folião. O creoulo arregalou os olhos 
de contente quando viu os paramentos 
que lhe deram. Fascinava-o, sobretudo, 
uma cartola reluzente, muito alta, em 
bôm estado, a qual iria a calhar com 
uma fatiota de doutor, princez ou urubú, 
assegurando-lhe uma proeminencia co- 
biçada e ntre os parceiros. Por isso JOÃO 
CONSTANTINO, agradecendo, partiu cé- 
lere, com a alegria a lhe cantar no 
carão rude e sincero. 

Mas não eram passados muitos mi- 
nutos, eil-o de volta ao lar amigo. Su- 
mira-se-lhe, porém, a alegria. E sem di- 
zer palavra, saca da trouxa o chapéu 
alto que tanto o encantara. 

Quedam-se todos ante a inesperada 
attitude do rapaz, que commovido le- 
vanta o forro da cartola e aponta ao 
fundo da mesma uma inscripção gros- 
seira, a lapis: 



Morto a bem do povo 

13 de Novembro de 1904. 

Passada a primeira impressão de 
estupor, que se desenhava em todos 
os semblantes, alguém lembrou e depois 
todos af firmaram que, com ef feito, fora 
essa a ultima vez que OSWALDO usara 
o histórico chapéu que vinha revelar á 
familia aquella sentença traçada por 
mão mysteriosa no dia da conferencia 
BO Ministerio do Interior para a leitura 
do regulamento da lei da vaccina obriga- 
tória, justamente na véspera do levante 



militar (*) contra o governo RODRI- 
GUES ALVES. 

XI — Jacinthe. 

Si EÇA DE QUEIROZ escrevesse em 
francez, seria um dos artistas mais cele- 
bres do mimdo. 

Entretanto, em Portugal e no Brasil, 
uma forte corrente literaria prefere es- 
quecer o fulgor do estylista e todas as 
creações do psychologo para combater 
vehementemente o desciddado perpetra- 
dor de gallicismos e quejadas mazella» 
que maculam a sua linguagem vibrante 
e luminosa. 

Comtudo, esses mesmos quinhentistas 
do século XX acceitam como legitimo» 
os vocábulos originarios do hespanol, 
do italiano e até os termos arabes que 
o duro dominio dos mouros impoz a 
golpes de cimitarra aos povos ibéricos, 
ao passo que repellem com asco as expres- 
sões vivas e harmoniosas que exponta- 
neamente, sem a minima coacção, não 
só nós como diversos povos adeantados 
vamos pedirá clareza e á finura do idio- 
ma de Molière. 

fî uma questão de gosto. 

As linguas vivas, emquanto viras 
forem, terão sempre, fatalmente, de per- 
mutar os seus valores; mnas preferem 
fazel-o por bem, importando o que lhes 
paracer melhor; outras, ao contrario, 
só o consentirão por mal, a ferro e a 
fogo. 

E os adeptos das duas escolas são 
irreconsiliaveis e muitas vezes aggressi- 
vos. 



^*^— No livro "Conspirações" do general DANTAS 
BARRETO, encontra-se a narrativa resumida do motim 
militar de 14 de Novembro de 1904, por elle classifica- 
do de "mal esboçada comedia politica". Trata-se de 
um depoimento insuspeito, que devia ser lido e medita- 
do pela officialidade de terra e mar. É pena, porém, 
que o auctor não tivesse aprofundado a genesis d'essa 
rebelião urdida por positivistas exaltados, explorada, 
por aventureiros de varias categorias, servida por mi- 
litares desviados do cumprimento dos deveres. 



22 



— EÇA, dizem os pardidarios da for- 
ça, EÇA DE QUEIROZ escreve mail 

— Escrevem mal todos os grandes es- 
criplores, affirma o diabólico ANATOLE 
FRANCE, cheio de malícia e verdade. 
E prova-o, e documenta-o. 

— EÇA, gritam os homens do alfan- 
ge, EÇA não conhece o vernáculo! Fula- 
lano, sim, é um mestre. 

Na verdade, ao 1er Fulano, temos a 
Impressão de entrar n'iuna sala de estylo 
clássico, um desses estylos bem antigos 
flue nos enchem de respeito e displicen- 
cia. Tudo é correcto e uniforme. E ao 
canlo, á meza também clássica, n'uma 
salva de prata pesada, em copos de puro 
crystal (tudo clássico) uma virago c de 
tempos idos », encarquilhada e barbiros- 
tra, mas também muito clássica, offere- 
ce-nos uma clássica infusão de camo- 
«illa. 

Com o EÇA já não se dá o mesmo. 
Os seus salões podem ser heterogéneos 
• cosmopolitas, mas são claros e alegres; 
seus objectos d'arte seriam talvez dig- 
nos de um bric-á-brac, mas são encanta- 
dores; seus crystaes não são, provavel- 
mente, de primeira, porque elle era po- 
bre; eníretanlo, quem nos aguarda em 
suas recepções festivas é uma jovem de 
belleza peregrina que nos delicia com 
am saboroso licor espiritual. 

Pois foi esse artista quem creou 
JACINTHO, um dos typos mais bem ta- 
lhados do romance moderno, JACINTHO, 
o superei vilizado heróe d'tA Cidade e 
as serras», o qual adquiria todas as pro- 
ducções do engenho humano com o só 
tptuito de contribuir para o progresso 
'éti humanidade. 

Pois foi JACINTHO a alcunha esco- 
lhida pela tribu manguinhense para dar 
«o Mestre, que lá no seu intimo não de- 
sadora va o gracejo. 

Effectivamente, para o seu Instituto 
Elle queria o que houvesse de melhor 
DO mundo. 

E assim aconteceu. 



Desde o subterrâneo até as cupulas, 
desde os laboratorios até ás cavallariças, 
Manguinhos é mna complicação de ma- 
chinismos, installações e pormenores ar- 
chitectonicos, que só após algum tempo 
de iniciação, um simples mortal é capas 
de entender vagamente. 

O aquecimento original da estufa 
de seccar vidros; a distillação de agua 
por meio de correntes de ar comprimi- 
do e mais a condensação dos vapores, 
etc.; as estufas aquecidas pela agua que 
serviu para resfriar o cylindro do motor 
a gaz; a recuperação do calor contido 
nos gazes de escapamento do motor; o 
relógio central eléctrico e a distribuição 
da mesma hora por todos os laborato- 
rios e dependencias; a serie de balanças 
de precisão, cada qual mais aperfei- 
çoada; o apparelho que regista ao longe 
a temperatura dos quartos-estufas; os 
aquários e piscinas de agua doce e sal- 
gada, tudo complicadíssimo; o gigan- 
tesco microtomo, capaz de cortar em 
finas fatias um cerebro inteiro; a cor- 
tina que escurece o gabinete radiogra- 
phico, obdecendo apenas a um botão 
eléctrico; o dictaphone onde se gravam 
os protocollos das autopsias; o impres- 
sor de endereços para a expedição 
das « Memorias do Instituto Oswalde 
Cruz » ; as « Memorias » com o seu text© 
em duas línguas e a riqueza das illustra- 
ções coloridas; a cinematographia dos 
microbios; os apparelhos centraes para a 
producção de ar sob pressão e vacuo, 
que são canalizados e distribuídos por 
todos os laboratorios; a opulencia da bi- 
bliotheca com os seus 4 andares de aço, 
toda illuminada por dentro, e os seus 
40 mil volumes e as suas 1.000 revis- 
tas scíentificas; a sala de leitura, (*) 
lindamente luxuosa, com as estalactites 
alvas a contrastarem com as admiráveis 



r>— Foi sob a direção do Dr. C. CHAGAS que sa 
concluirara as obras da sala de leitura, do masen, d« 
hospital, etc: 



23 



«bras de madeira; o bellissimo e rico 
museu; o hospital com uma installação 
resfriadura a 25oC., de modo que os do- 
sntes não soffrerão calor; a chave ma- 
gica que abre todas as portas, embora 
do fechaduras différentes; a porta que 
apaga ou accende a illuminação electri- 
za da sala das semeaduras; o edemico 
refeitório, cuja columna de sustentação 
é uma bella arvore frondente, toda flo- 
rida de trepadeiras e orchidéas; por fim, 
• cstylo rebuscado do edificio e mais 
a$ mil maravilhas e surprezas desse sitio 
encantado excedem a toda e qualquer 
«oncepção jacinthica. 

Pois, apezar de tudo, o nosso JACIN- 
THO premeditava sempre novas jacin- 
Ihadas e se entristecia quando lhe fal- 
avam meios para executal-as. 



Fazendo abstracção das tres gran- 
des descobertas do Instituto, as quaes 
eontinuam a ser, em ordem chronolo- 
^ca. a vaccina contra o cabunculo 
symptomatico (peste da manqueira dos 
bezerros), o cyclo evolutivo do halteri- 
dio dos pombomi, e a doença de Carlos 
Ghagas; excluindo o periodo de installa- 
ção, em que aliáz se elaboraram magní- 
ficos trabalhos sobre a Peste,— podemos 
talvez dividir a evolução scientifica de 
Manguinhos em 7 phases principaes: 

1*.— hematológica. 

2a.— entomológica. 

3a.— protozoologica. 

4a. — helminthologica. 

5*. — my cologica. 

6a.— anatomo-pathologica. 

7a.— chimico-therapica. 

(Que os doutos collegas nos descul- 
pem a ousadia com que ja vamos redu- 
zindo a simples estratificação os fruc- 
tos dos seus apreciados estudos, alguns 
dos quaes, para evitar prolixidade, não 
puderam ser aqui incluidos). 



Estávamos em pleno período hema- 
tológico. 



No ardor da mocidade e das exage- 
rações proprias das novas doutrinas, pen- 
sava-se que o só exame de sangue seria 
capaz de resolver todos os problemas do 
diagnostico e do prognostico. Reunid» 
mn pequeno capitulo da confraria doai 
cata-globulos, ficou definitivamente esta- 
belecido que o principal elemento san- 
guineo-a hemoglobina-não possuía uns 
processo de dosagem acceitavel, por- 
quanto esta se fazia e ainda hoje se fas 
grosseiramente, por meio de padrões co- 
lorimetricos, sujeitos, além disso, á va- 
riabilidade visual dos différentes obser- 
vadores, conforme ficou provado. 

— Nesse caso, alvitrou o Mestre, é 
preciso que se ache outro processo ca- 
paz de substituir os que acabam de ser 
condemnados. 

— Perfeitamente, responde mn dos 
rapazes. Ha um apparelho que dosa rigo- 
rosamente a hemoglobina através do 
ferro que esta contenu: é o ferrometro. 

— Mas é garantido? 

— Não pode deixar de ser; a base é 
a mais segura possível. 

— Então compre-se o ferrometro, 
deliberou o Director. 

Lá foi a encommenda para a Europa, 

Demorou, mas um dia veiu o appa- 
relho anciosameníe esperado. Custou ca- 
ro, mas tinha uma caixa tão grande e 
bonita que com certeza havia de ser 
uma das maravilhas da sciencia. 

Montado, tudo em ordem, entra eni 
funcção o ferrometro de accôrdo com 
as regras do prospecto. Mas, afinal, de- 
pois de muito virar e mexer, o producto! 
a dozar é levado a um colorímetro» 
quasi em idênticas condições ás das que 
acompanham os hemometros commun^ 
condemnados pela referida collegiadade 
hematologos. 

O ferrometro era um bluff. 

Foi, porém, uma das raríssimas ja- 
cinthadas sem sorte. 



24 



XII— Sabe com quem está falando?. 

Quando RODRIGUES ALVES deixou 
o governo, todos os seus principaes auxi- 
liares foram acompanhal-o até Guara- 
tinguetá, sua cidade natal. 

Na estação, por entre os figurões 
que se comprimiam em redor do glo- 
rioso ex-presidente, reinava certa bal- 
búrdia. Todavia, o especial partiu aho- 
ra aprazada, e exactamente nesse mo- 
mento um cidadão retardatario tomou 
o comboio, dirigindo-se para o interior 
de um dos carros. Ao vêl-o, o chefe de 
trem advertiu-o de que alli não havia 
logar para intrusos, e sem mais delongas 
fechou-lhe a porta, deixando-o do lado 
de fora. 

Passado algum tempo, por mero 
accaso, um dos graúdos viajantes encon- 
trou de pé, na plataforma do vagão, 
aquelle vulto que não lhe era de todo 
desconhecido. Approximando-se, reco- 
nheceu-o : 

— O Sr. aqui? 

E correu a chamar o chefe de trem, 
€xprobrando-lhe a desconsideração feita 
a uma das figuras mais eminentes do 
quadriénio findo. 

Himiilde, tremulo, o funccionario 
dcsfez-se em desculpas, affirmando que 
não conhecia pessoalmente o Dr. OS- 
WALDO CRUZ. Este, porém, tranquil- 
üsou o pobre homem, felicitando-o pelo 
cumprimento do dever, pois o único cul- 
pado daquella situação era Elle próprio, 
que nao havia trazido as crendenciaes 
necessárias para a entrada no especial 
de luxo. 

XIII— O Beijo da Gloria. 

No porto, atracado ao novo caes, 
am grande transatlántico. 

O tempo é propicio aos passageiros, 
que vêem encontrar um sol radioso e 
brando a sobredourar os encantos da 
terra. Por sua rez, a mfio do homem 
havia alindado uma bôa parte da cidade 
outr'ora tão feia e suja. E o « Tomito 



aegro » que tanto horror espalhara nes- 
sas formosas paragens, já agora desap- 
parecera da nossa Capital, onde durante 
meio século se acoitara. 

Tudo convida á delicia dos passeios. 
A bordo ninguém permanece, ninguém 
perde um instante; todos ávidos de at- 
tractivos e sensações. 

No caes o movimento é excessivo. 
Os automóveis, n'um continuo vae-vem, 
levam e trazem a flor da sociedade; 
senhoras esbeltíssimas, com a indizível 
graça da mulher brasileira; cavalheiros 
imponentes nos seus trajes impeccaveis; 
jovens diplomatas pródigos de mesuras; 
emfim, um conjuncto de gente fina c 
feliz. 

Dentre os que compõem o vistoso 
ramalhete mimdano, destaca-se uma fi- 
gura sjTnpathioa de septuagenario extran- 
geiro, a quem não faltam homenagens da 
nata social. O ancião vem receber alguns; 
compatriotas aos quaes dispensa acolhi- 
da affectuosa, prestando-se a acompa- 
nhal-os nas excursões do ritual dos tou- 
ristes. Mas estes já conhecem todas as 
bellezas clássicas do Rio e por isso não 
chegam a aceôrdo com relação ao iti- 
nerario. Entretanto, sem destino certo, 
lá se vão accommodando n'um automó- 
vel confortável. Continua, porém, o dis- 
sídio, porque cada qual deseja tomar 
imia direcção différente. Alguém, toda- 
via, lembra que deve haver algo por des- 
cobrir para os lados suburbanos, onde 
ainda existem vestigios da cidade antiga 
e de suas tradições. 

Segue o carro ao longo dos imper- 
vios caminhos da banlieue carioca, che- 
gando ás proximidades da estrada real 
de Santa Cruz, testemunha discreta das 
cavalgadas nocturnas de D. PEDRO I. 

Aqui e alli, intercallando-se á paisa- 
gem modorrenta, alguns casebres tristes 
e miseráveis. Não podem ser gratos aos 
excursionistas esses aspectos de pobre- 
za e melancholia. Já se fez sentir a 
necessidade de mudar o rumo do infeliz 



25 



passeio, quando alguém aponta estupe- 
facto o vulto ainda longiquo de um edifi- 
cio magestoso. 

— Que será? 

Ninguém sabe responder. 

Assentam-se os binóculos, que até en- 
tão jaziam imiteis a tiracollo. 

O facto é que nenliiun dos forastei- 
ros atina com o que pôde ser aquelle pa- 
lacio encantado no meio da charneca. O 
4ihauffeur, também extrangeiro e recem- 
chegado, desconhece-o. E o próprio cice- 
rone, ha pouco investido de altas func- 
eOes plenipotenciarias, esse só tinha na 
memoria lembranças da cidade pestilenta 
que visitara em caracter festivamente 
official durante o governo CAMPOS SAL- 
LES. 

Assim, imia ponta de curiosidade 
começa a picar o espirito dos itineran- 
tes. Resolvem proseguir. Já passam in- 
sensiveis os socavões da péssima estra- 
da. De nariz para cima, excitados, to- 
dos reclamam a solução do inesperado 
problema que lhes aguça o senso artís- 
tico. 

Mas nesse cómenos o automobilista 
pretexta difficuldades e deseja regressar 
ao centro da cidade. Os viajantes, po- 
rém, a nada attendem e exigem a con- 
tinuaçílo da jornada, até que pelo menos 
se approximem do soberbo castello que 
já deixa perceber aos conhecedores as li- 
nhas architectonicas do seu estylo. 

— Dir-se-ia que andamos por terras 
de Hespanha, lembra mna das senhoras. 

No emtanto, o homem do automóvel 
dá por intransponível a má estrada. Não 
se expõe a perder o ultimo pneimiatico 
que lhe resta. Os passageiros, porém, 
lhe impõem o proseguimento. Difficul- 
dades, hesitações tudo vae de vencida. 
Só reina xmi desejo incontido: esqua- 
drinhar aquella obra d'arte, ignorada, 
perdida n'umi triste rincão suburbano. 

Por fim, o Icndaulet deslisa nas ala- 
medas primitivas da propriedade rural 
m chega ás portas do monumento. 



Curioso contraste: ao emvez do si- 
lencio em que jazem todas aquellas re- 
dondezas, alli, no castello magico, tudo 
é trabalho e movimento. É uma colmeia 
humana installada nas magnificencias de 
lun palacio. Desde o porão do edificio, 
onde rangem usinas eléctricas e appâ- 
relhos complicados; desde as cavallariças 
luxuosas, onde relincham numerosos ani- 
maes nutridos,— tudo, ati' aos andares 
superiores onde palpita intensa vid:>in. 
tellectual, tudo contrasta cora a mono- 
tonia dos paúes visinhos e a placidez 
do mar que vem morrer em salsugemi 
no longiquo recôncavo. 

Tudo isso pasma e confunde os ob- 
servadores. 

Cautelosos, delicados, miram ainda 
á certa distancia e explendor da con»- 
trucção. Lê-se-lhes nos olhos o suave 
prazer que só sabem fruir as almas do- 
tadas de natural pendor artístico ou edu- 
cadas no requinte das velhas civilizações. 

Ao pessoal da casa já não passa des- 
percebida a chegada dos curiosos. Preci- 
samente aquella hora, vae partir unï 
carrinho rustico, cheio de rapazes alegres 
e palradores. Um destes é chamado com 
urgencia e logo de relance reconhece 
entre as visitas um nome bemquisto na 
politica internacional do A B C. 

Os recemvindos sobem com todaa^ 
as honras as escadarias do Instituto 
« Oswaldo Cruz ». 



Do selecto grupo distingue-se uma 
singular figura de mulher, que ora ca- 
minha na vanguarda a colher novas emo-* 
ções, ora se detém enlevada a perquirid 
pormenores architectonicos. 

— C'est du style mauresque très purt 
affirma ella embevecida. 

Era mna alma de artista. Com na- 
turalidade deixou descerrar-se um véo 
de modestia que mal lhe podia velar o 
espirito scintillante. Faltava correcta- 
mente francez e hespanhol, além da sua 
' lingua patria-a romena; não desconhecia 



26 



o inglez; e revelou conhecimentos de 
allemão, ao lhe ser apresentado um pro- 
fessor ledesco que se achava em Mangui- 
uhos. Tinha-se a impressão de que ao 
seu entendimento nada era vedado. E, 
finalmente, para coroar tudo isso, um 
typo de belleza clássica. Não desses typos 
que alguns homens olham com maus 
olhos. Ao contrario; a educação, os or- 
namentos espirituaes, o respeito de si 
mesma e até a propria perfeição plástica 
Li erguiam n'um pedestral não attingido 
j)clos assomos dos ousados. Emfim, si 
não lhe bastasse esse raro conjuncto de 
predicados, teria ella ainda a resguardal- 
a umas lindas madeixas brancas que lhe 
cingiam a fronte pensadora. 



A visita está a findar no pavmaento 
superior. No terraço todos se debruçam 
melhor gozar o bellissimo horizonte que 
se descortina em todos os quadrantes. 

O dia vae morrendo. Uma sombra 
doce e tranquilla pervaga lentamente pe- 
los campos e morros silenciosos; e além, 
agonizante, o explendoroso sol brasileiro 
a se desvanecer na orgia polychromica 
do seu estupendo funeral. 

O quadro é realmente empolgante. 

Mas já agora os dignos estrangeiros 
não teem apenas a gabar a nossa de- 
cantada naturaleza. Alongando vista, en- 
treveem a cidade bella, palpitante, sa- 
neada. A seus pés, o grande Instituto na- 
cional. 

Dous sonhos realisados, a um só 
tempo, pelo mesmo homem! 

Por isso, dos labios dessa dama sin- 
gular, vinda de longes terras, d'essa mys- 
teriosa figura feminina— lun tanto de deu- 
sa antiga e outro tanto de mulher— pare- 
ce partir lun beijo immaterial e puro, 
desses que glorificam para todo o sem- 
a vida de um heroe. 

XIV— Depois da Tormenta. 

Do obituario havia desapparecido a 



quota com que a febre amarclla se habi- 
tuara a contribuir. 

Após o trabalho do dia, aproveitan- 
do mn momento de bom humor, con- 
versam a sós dous homens que tinham 
pelejado rudemente durante a refrega. 

— Aqui, entre nós, agora que está 
tudo acabado e que a victoria é sua: 
Você foi de uma temeridade inaudita! 

— Porque? 

— Pois Você. logo de começo, tendo 
contra si a imprensa, a politica, a opi- 
nião publica; sem a solidariedade da 
classe medica, nem a convicção dos seus 
auxiliares; tratando-se, emfim, de uma 
doutrina muito nova, mal conhecida, 
Você, inteiramente só, assumir um com- 
promisso daquella ordem e, ainda por 
cima, com o prazo improrogavel de 3 
annos! . . . 

— E que tem isso? 

— Você se arriscou muito. 

— Ora, meu caro, si a doutrina fos- 
se errónea, nem em 3, nem em 30, nemí 
em 300 annos daria resultado. Mas eu 
tinha certeza da victoria. 

— Perfeitamente. No emtanto, como 
tudo neste mundo é fallivel, si Você per- 
desse a partida? 

— Então, PEDROSO, Você accrédi- 
ta que eu seria capaz de sobreviver a 
tal fracasso ? 

XV— Trabalho e Justiça. 

Quando verificou que a sua campa- 
nha prophylatica estava em caminho da 
victoria, OSWALDO pensou n'mna gran- 
de remodelação sanitaria que abranges- 
se todo o paiz, especialmente os portos 
do nosso extenso litoral, quasi sempre á 
mercê de invasões epidémicas. Tratou, 
pois, de colligir os dados para esse gran- 
dioso trabalho, emprehendendo xmia via- 
gem exhaustiva e incommoda ao longo 
toda a costa brasileira e dos principaes 
rios navegáveis, embarcando para isso, 
em companhia do Dr. J. PEDROSO, no 
« Republica », vaporzinho de pequeno ca- 



27 



lado, pouco maior do que um reboca- 
dor. 

Foi uma excursão penosíssima para 
quem, como Elle, enjoava até vomitar 
sangue, conforme o grau de agitação 
do navio. Não obstante, seguiu o seu ro- 
teiro, sem supprimir uma só parte do 
itinerario previamente traçado. 

Para o cabal comprimento da sua 
missão levou comsigo tudo que lhe pa- 
recia necessário, inclusivamente um com- 
pleto laboratorio ambulante. 

Esqueceu-lhe, porém, uma cousa; os 
discursos. E por sua desdita rara foi a 
capital que não o mimoseou com um 
banquete obrigado a brindes de circums- 
tancia. Isso para Elle consistia em duro 
sacrificio, porque ninguém mais refrac- 
tario á arte oratoria. Emfim, cvunpria 
resignadamente o seu fadário, agradecen- 
do no intimo a sinceridade das homena- 
gens, apreciando a eloquência dos bons 
tribimos. Mas quando lhe tocava a vez 
de « deitar o verbo », quando maior era 
a anciedade dos convivas por ouvir a 
palavra do sabio, este se erguia da ca- 
deira, proferindo singelamente, invaria- 
velmente, a seguinte oração: 

— Meus senhores, agradeço-lhes sin- 
ceramente a homenagem que acabam de 
me prestar. 

E sentava-se. 

Quando, porém, se fazia mister enun- 
ciar uma idéa de real utilidade, sabia 
achar meios de apresental-a, a despeito 
do seu costumado laconismo. 

Um exemplo disso foi o seu discurso 
de posse na Directoria de Saúde Publica, 
no qual resvuniu em duas palavras um 
bello programma administrativo : < Tra- 
balho e Justiça », 

Effectivamente, quasi toda a vida 
publica d'esse homem parece que se fir- 
mara n'essas duas coliminas. 



Outras peças oratorias, muito fugi- 
ram á sua sobriedade verbal. 



Está n'esse caso o discurso na Aca- 
demia Brasileira de Letras, no qual se 
lhe azou ensejo de entoar um hymno á 
justiça humana encarnada na pessoa do 
«bôm juiz» que era ò poeta RAYMUNDO 
COR/ÎEA. E uma pagina de encantador 
e forte optimismo, em que, procurando 
realçar o caracter peregrino e a delica- 
díssima sensibilidade do seu antecessor 
no referido areópago, o Mestre, sem o 
querer subconscientemente, foi decal- 
cando a sua propria alma, irmã gémea 
da do excelso cantor das t Symphonias ». 

Abramos alas, respeitosamente a um 
dos mais profundos trechos do nobre 
pensador: 

« Foi para RAYMUNDO CORREA 
enorme tortura quando certa reforma 
judiciaria veiu estabelecer o julgamento 
de algims crimes pelos juizes singulares. 
Teria, por si só, de resolver da sorte e 
da liberdade de individuos, visto que 
fora investido das funcções de pretor, 
a quem competiam julgamentos tais. O 
menor pleito judiciário era para elle 
verdadeiro caso de consiencia. Pesava 
todas as circumstancias, procurando sem- 
pre se apagar aquellas que fossem ate- 
nuantes, quando não podia encontral-as 
dirimentes. Sabia pelo estudo da histo- 
ria da criminologia, que as provas ma- 
teriais, mesmo as que parecem mais 
nítidas, mais eloquentes, podem não va- 
ler cousa alguma. Sciente estava que 
seu julgamento podia, sinão destruir a 
vida, ao menos aniquilar a honra de um 
individuo, ou, o que é mais, de luna 
família. Quando tinha de se pronunciar 
de modo categórico, o nosso bom juiz 
soffria, torturava-se e sempre que pos- 
sível era, absolvia o reu. Naturalmente, 
isi assim o fazia, é que, mesmo nos casos 
patentes de crime, se tinha podido ape- 
gar a uma dessas nugas que a pragmáti- 
ca forense exige, e cuja não observan- 
cia pode tornar nulo o processo ou insu- 
bsistente a acção judicial. As ajitações 
intimas que se desencadeiavam no ce- 
rebro e coração de RAYMUNDO COR- 



28 



REA eram verdadeiras prccellas. Mui- 
tas vezes, a razão votava condemnando, 
mas o coração absolvia e nesta difficili- 
ma conjectura, em que espirites menos 
perfeitos vacillaram em se resolver ou 
pelo cerebro ou pelo coração, o nosso 
Juiz encontrou a formula verdadeira- 
Kncnte milagrosa, ditada pelo coração com 
pleno assentimento da razão e que deve 
servir de norma, de roteiro para aquel- 
los que têm de exercer o difficilimo 
mister de julgar e punir. RAYMUNDO 
CORREA, com sua inteligencia primoro- 
sa com sua cultura jurídica perfeita, sa- 
bendo a fundo o valor das leis, o por- 
quê e para que foram ellas feitas, pen- 
sou—e pensou muito bem— que o juiz 
não deve ser mn autómato, que se nfío 
deve cingir exclusivamente ao texto es- 
cripto, senão interpretar e applicar, com 
ânleligencia e bondade ao caso concreto 
as disposições legais correlatas. 

Assim, pensava que o castigo, a pu- 
nição e o publico vexame só valiam 
como tais. Para certos espiritos, essas 
medidas eram contraproducentes; obri- 
gavam a seguir sempre pelo caminho do 
mal, individuos que, dotados de bôm 
temperamento, foram victimas de reflexo 
de momento, que fez com que incidissem 
em penalidades dos códigos, tornando-os 
eventualmente delituosos. Ora, observou 
RAYMUNDO CORREA, conhecedor como 
como era da psychologia himiana, que 
jpara tais pessoas mais valia que se lhes 
reconhecendo o crime, não se lhes des- 
se o publico castigo, a que tinham feito 
Jús, segundo a lei escripta. Absolvia. 
Com mn appello em regra aos bons sen- 
timentos que restavam, e, por vezes, 
sobravam, entregava o criminoso de no- 
vo á sociedade, cobrindo-o com o veu 
protector da bondade. Com o estimulo 
que fazia aos bons sentimentos, des- 
pertava-os e, assim acariciado, e preso 
pela gratidão, fazia bõm e util tal indi- 
viduo, que num desvario de momento se 
tornara criminoso, ou tal outro, que mal 
orientado na vida, sem o apoio de pala- 



vra ou conselho amigo se constituirá, 
quasi incientemente culpado, ou ainda 
aquelle que, victima da injustiça himaa- 
no, se fazia criminoso por vindita contra 
uma sociedada toda cheia de falhas e que 
se arvora em puritana para torturar os 
infelizes que. por desgraça momentânea 
ou pelo mau entender do que seja a mo- 
ral social, se tornaram criminosos. Em 
casos tais, RAYMUNDO CORREA absol- 
via ainda. Dada, porém, a liberdade em 
publico e para o publico, chamava em 
particular o delinquente a seu gabinete 
e, portas a dentro, a sós, com os ferro- 
lhos corridos, sem testemunhas, expro- 
bava forte e dolorosamente o criminoso, 
moslrava-lhe as bases fundadas que ti- 
nha para condemnal-o e, com a lojica 
acolchoada de bondade, com a sua pala- 
vra meiga, com seu espirito de poeta, 
fazia um pedido, solicitava, implorava 
ao infeliz que abandonasse o máu trilho 
em que se metera. Dizia que lhe dera a 
liberdade em troca da promessa formal, 
que estava certo de obter, de que não 
j reincidiria na culpa e que se tornaria 
cidadão prestavel. Acabava sempre soli- 
I citando que não consentisse que a socíe- 
j dade o acoimasse, a elle, de juiz injus> 
! lo e máu, que abria as prisões para 
I soltar no seio da sociedade os crimino- 
' SOS, quais outras feras destinadas a des- 
j truil-a. E os argumentos calavam fun- 
I do e, não raro, as lagrimas que corriam 
I aos pares dos quatro olhos que se fita- 
1 vam eram o selo do pacto que tacita- 
i mente se firmava. . . e a sociedade lu- 
crava um elemento são que a ella de no- 
I vo se assimilava como quantidade util 
e productiva, e o jvdz sentia o indizí- 
vel prazer do dever cumprido, satisfa- 
zendo plenamente sua conciencia, ao pas- 
so que o' coração se dilatava concio 
de ter effectuado obra meritoria. 

E assim eram os julgamentos d« 
RAYMUNDO CORREA. 

É indubitável que não faltam espí- 
ritos irredutíveis que julgam que a es- 
pada de Themis deve ser massiça, p»-* 



29 



zada e inflexível, que não pode ter a 
maleabilidade do florete, que é preciso 
ferir sempre fimdo no coração e não 
pode provocar arranhadura compatível 
com a conciliação. Espirites ha que pen- 
sam que o crime, quando crime existe, 
só encontra remedio nos formularios dos 
códigos e que só estes são capazes de 
trazer a cura para essa molestia social. 
Se assim fosse, não havia mister de 
juizes. Bastava que se encominendasse 
ao inexgotavel genio inventivo dos Ame- 
ricanos do Norte certa machina, desti- 
nada a fazer julgamentos, e em que se 
entrasse com o facto erguido de crimi- 
noso e os artigos do código. Qualquer 
operario boçal daria á manivela e a 
pena seria distribuída pelas entrosas do 
machinismo. 

Não é lessa a fimcção do Juiz e nem 
ha código possível que pretenda encarar 
todas as faces do problema, tão multifa- 
ria é a psj^chologia humana. Os .-.odigos 
são somente instrumentos grosseiros pa- 
ra avaliar os phenomenos psychologicos. 
Devem conseguir as ocillações maxima 
e minima a que pôde ser levado o espi- 
rito do Juiz, mas não devem constituir 
apparelho de precisão para medir delitos 
e distribuir justiça. Os remedios que 
aconselham, por mais anodinos que pa- 
reçam, são por vezes recursos últimos 
e ainda muito grosseiros e de que os Jui- 
res só devem lançar mão como medidas 
supremas e que, praticameute, devem 
dormir na gaveta dos que julgam. A 
persuasão, as boas palavras, a convic- 
ção, a tolerancia bem entendida e ampla, 
o exemplo e a justiça que na balança 
de julgamento use como peso a bondade 
e a clemencia, coUocando-se sempre, no 
julgar, o Juiz na posição do réu, eis as 
boas normas que devem seguir aquelles 
a quem é confiada a dificilima taref;i 
de julgar, e a mais dificil ainda de 
punir. 

Esse modo de encarai* a justiça no 
julgamento das culpas, quando abando- 
nado, deu por vezes lugar a resultados 



verdadeiramente desastrosos. Se folher- 
mos a collet anea criminológica, vemos 
que muitos dos criminosos celebres se 
tornarem tais como represalia á injustiça 
de que foram victimas por occasião da 
primeira culpa. Muitas vezes era esta 
perfeitamente justificável e sobre ella 
bem se poderia deixar cair o esqueci- 
mento. Assim, menos criminosos e mais 
homens proveitosos haveria na sociedade. 
O typo do « Plumitas » o bandido cele- 
bre, temor da Hespanha, tão bem estu- 
dado por Blasco Ibañez em seu livro 
Sangre y Arena, é um desses monstros 
sociaes, filhos da injustiça hmnana. O 
genial VICTOR HUGO encarna na figu- 
ra sj^mpatica do tão bôm quão infeliz 
JEAN VALGEAN a victima dos juizes 
que só julgam pela razão. Essa maneira 
de interpretar a Justiça concretizou HU- 
GO ainda na figura mesquinha, de hori- 
zontes limitados, do impoluto executor 
da Justiça humana, JAVERT, que prefe- 
riu a morte a analysar á luz serena da 
bondade e decisão dos Tribunais que 
condemnou ao cárcere agnelle que furtou 
um pão. 

De monstros, filhos da maneira ilo- 
jica de distribuir a Justiça, estiveram e 
estão ainda cheios os sertões de nosso 
paiz. 

Os sertanejos honestos, de hontem, 
hoje cangaceiros criminosos, por vin- 
gança, acham por ignorancia de nossa 
moral social, que castigar o individuo 
que os injuriou é acto meritorio, não 
passivel de pena. Pimidos, preferem rom- 
per com a sociedade e se tornarem ban- 
didos. Assim surjiram o JESUINO BRI- 
LHANTE e o famijerado JOSÉ ANTO- 
NIO, do Fechado, no Ceará, e o terror 
actual dos nortistas, ANTONIO SILVI- 
NO, que ainda hoje rega de sangue os 
sertões adustos dos resequidos Estados 
do Norte do Brasil. O ponto de partida 
da vida ensanguentada dos cangaceiros 
foi quasi sempre um desses rigores mal 
interpretados na applicaçâo da justiça 
em crime inicial, passivel de tratamento» 



30 



que entre nós instituiu o juiz-poeta, que 
foi RAYMUNDO CORREA, que tão bem 
soube aliar os dictâmes da razão aos 
do coração, sem subordinar um ao outro. 
Com a pratica desses sãos princi- 
pios as penilenciarias teriam menos ha- 
bitantes e a sociedade lucraria outros 
tantos elementos de utilidade. . . Quan- 
do muito, haveria mister de mais alguns 
logares nos manicomios:— são os casos 
incuráveis. 

As ideas directrizes dessas conside- 
rações já impressionaram certos paizes, 
como a França, que fez incluir nas suas 
leis a denominada lei Béranger, que só 
dá a condemnaçãoo moral sem exigir o 
cumprimento da pena aos que, gozando 
de bons antecedentes, commetteram a 
primeira falta. É o reconhecimento, de 
imi lado, da falibilidade da Justiça hu- 
mana, e de outro lado, da confiança no 
estimulo ás forças de rejeneração de 
caracter dos culpados. 

As consequências praticas desta be- 
néfica lei não têm ainda o alcance con- 
siderável da solução que ao problema 
deu entre nós RAYMUNDO CORREA, 
que absolvia publicamente e condemna- 
va em segredo e juntava, assim, no seu 
condemnado todos os sentimentos Ínti- 
mos e esparsos que formam o brio e 
obtinha a cura do seu doente moral. 

Naturalmente, o systema de thera- 
peutica juridica de RAYMUNDO COR- 
REA não pôde ser consubstanciado em 
lei, é uma acção personalíssima: o re- 
medio é o Juiz. Seria necessário que 
desapparecesse: lo o julgamento pelas 
celectividades como o jury »— theorica- 
mente instituição admirável, na pratica 
péssima; 2° que todos os julgamentos 
fossem feitos por juizes singulares que 
deviam pautar seu proceder pelo do 
inovidavel Juiz que foi RAYMUNDO 
CORREA, o medico leigo dos espíritos, 
que mais fez, absolvendo, que os outros 
condemnando ». 



Também a OSWALDO, por entre as 
formidáveis luctas da sua vida publica, 
se antolhava sempre opportunidade de 
e.\ercer as funcções de « bôm juiz ». 

Cada companheiro, cada subordina- 
do, cada servente encontrava no Chefe 
o espirito de justiça que Elle instincti va- 
mente soube descobrir em RAYMUNDO 
CORREA, embora nunca o tivesse co- 
nhecido pessoalmente. Estão vivos, fe- 
lizmente, quasi todos os seus collabo- 
radores, altos e humildes, que podem 
ainda rememorar com saudades a acção 
justa e meiga, os conselhos paternaes 
do censor discreto e amigo que em toda 
a sua carreira administrativa só uma 
vez se viu forçado a demittir a bem 
do serviço publico um infeliz funcciona- 
rio pievaricador contra quera se accu- 
mularam provas e documentos insophis- 
maveis. E foi esse um dos seus dias mais 
tristes, porque, com toda acjuella appa- 
rencia de Director severo, no intimo 
não passava de vun coração profunda- 
mente hiunano, que acreditava na re- 
generação dos maus e tinha sempre o 
perdão fácil para as creaturas indito- 
sas. 

Em Manguinhos é bastante conheci- 
do o caso de mn serventuário que fora 
outr'ora um ebrio quasi desclassificado, 
um typo turbulento e perigoso, sempre 
armado e aggressivo, a ameaçar a paz 
da visinhança. OSWALDO, contra o con- 
senso geral, chamou-o para perto de si, 
deu-lhe commissões de confiança, ex- 
hortando-o com palavras bondosas ao 
cumprimento dos deveres de homem de 
bem. 

Jamais se viu transformação maior. 
O que o chanfalho policial, os termos 
de bem viver, os processos judiciaes 
nimca conseguiram em muitos annos, 
alcançou-o em poucos mezes o coração 
do Mestre. E esse rapaz obscuro, mas 
intelligentissimo, é actualmente um digna 
chefe de familia, funccionario irrepre- 



31 



hensivel e até pequeno proprietário. 
Deixou para sempre o vicio e as armas 
prohibida. Estas só em uma única liypo- 
these teria sido capaz de retomal-as: 
em defeza do seu bemfeitor. 

Quem estiver ao par da historia 
de Manguinlios e da Directoria da Sa- 
úde Publica poderá relatar não um, mas 
diversos episodios comprobantes dessa 
extraordinaria capacidade de restaurar 
caracteres, a qual era talvez a virtude 
dignificante do Mestre. 

No emtanto, um homem d'esses, que 
contava com tantas e tão extremadas 
abnegações e ao mesmo tempo tinha a 
vida constantemente ameaçada, esse clie- 
fe só achava uma difficuldade por parte 
de certos amigos: convencel-os de que a 
cabeça de seus inimigos, por mais ignó- 
beis que fossem, era ainda mais sagra- 
da do que a d'ElIe próprio. 



N'uma esphera mais elevada, entre 
os chamados intellectuaes, não era me- 
nor a sua influencia bemfazeja. Bohe- 
mios incorrigiveis, doutores ignorantões, 
jovens apathicos, emfim, uma serie de 
vencidos, fadados á obscuridade e talvez 
ao mal, receberam a acção galvanizante 
d'esse magico, tornando-se scientistas, 
administradores, profissionaes de com- 
provada habilidade, cidadãos prestan- 
tes. Por isso, um espirito finamente ob- 
servador impressionado com a radical 
metamorphose de alguns moços mangui- 
nhenses, costumava dizer que o Insti- 
tuto não era apenas uma casa de scien- 
cia, senão também uma escola correc- 
cional. 

De facto: para as sentenças magnâ- 
nimas de RAYMUNDO CORREA só mes- 
mo a caroavel penitenciaria de OSWAL- 
DO CRUZ. 



Ninguém poderá negar que uma das 
cousas mais sublimes d'esté mundo é o 



sentimento de justiça, que tão raramen- 
te e xorna um ou outro ser predestinado. 

Agora imagine-se que qualificativos 
devem ser conferidos a esse mesmo sen- 
timento, quando a justiça é severamente 
applicada ao próprio individuo que a 
possue, isto é, ao juiz de si mesmo. . . 

Exemplifiquemos : 

Estava fundado o Instituto Oswaldo 
Cruz; jaziam por terra a febre amarella 
e a pesie; já o Congresso de Hygiene 
de Berlim havia pronmiciado o inappel- 
lavel vercdictiim que outorgava ao Mes- 
tre o titulo de primeiro hygienista do 
seu tempo; e até a mesma imprensa 
carioca, outr'ora tão furibunda, só tinha 
blandicias para o nome do grande sanea- 
dor. 

Senão quando uma voz dissonante 
surgiu a quebrar a monotonia d'essa 
unanimidade louvaminheira. 

Em vez de seguir os processos de 
DIDEROT, o creador « de la critique des 
beautés, qu'il substitua à celle des dé- 
fauts », conforme refere SAINTE-BEU- 
VE, em vez disso, alguém houve que, es- 
cabichando a cultura do sabio, topou 
uma falha gravíssima: OSWALDO não 
sabia portuguez. 

Outro qualquer, por muito menos, 
faria como o celebre arce-bispo de Gra- 
nada com o pobre do Gil Braz de Santi- 
Ihana. O Mestre não. Quando essa noticia 
lhe chegou ao conhecimento. Elle por 
instantes ficou perplexo. Mas logo após, 
recolhendo serenamente á sua torre de 
justiça, analysando a subtanea objurga- 
toria, consultando a propria consciência, 
sopesando os elementos de accusação 
e os de defeza, despojando-se dos seus 
louros immarcessiveis, sentando-se no 
banco dos réus ao mesmo tempo que se 
revestia das insignias de juiz concluiu 
de si para comsigo que, na verdade, não 
sabia sufficientemente a sua lingua. 

Poderia, si quizesse, recorrer ás at- 
ténuantes, que as tinha em profusão, 
porque o tempo consagrado á sciencia, 



32 



ás línguas extrangeiras e, sobretudo, ao 
bem do proximo não lhe sobejara para 
as caturrices philologlcas. Não, nadada 
atténuantes para si. Sua condemnação 
havia de ser formal, rigorosa, com tra- 
balhos forçados: condemnou-se a estudar 
porluguez. E desde esse dia não teve 
descanco emquanto não saneou os seus 
conhecimentos de vernáculo. 

XVÏ— Oswaldo e Balzac. 

Foi o creador da « Engenie Grandet » 
íjuem, talvez, melhor definiu a gloria. 
Propriamente, não a definiu, mas exem- 
plificou, o que é preferível e quasi sem- 
pre mais acertado. 

— La gloire (dizia elle) a qui en 
parlez-vous? Je l'ai connue, je l'ai vue. 

E narrava com especial sabor que, 
viajando na Russia elle e alguns com- 
patriotas, surprehendidos pela noite, re- 
solveram pedir hospitalidade n'um cas- 
tello, onde foram todos acolhidos com 
a sympathia que outr'ora os russos pro- 
digalizavam aos francezes. 

íramediatamente, uma das fidalgas 
foi em pessoa ao interior do palacio bus- 
car alguma cousa para matar a sede aos 
viandantes. 

Entrementes, os recem-vindos dão-se 
aconhecer e palestram com animação, 
quando a amável dama reapparcce tra- 
zendo em suas lindas mãos patricias 
luna bandeja com tudo que havia de 
melhor na adega. Mas precisamente nesse 
momento ella ouve a castellã dirigir-se 
a um dos forasteiros: 

— Eh bien! Monsieur de Balzac, 
vous pensez donc. . . 

Tal a surpreza, tal a emoção da 
aristrocrata que ella deixa cahir e que- 
brar-se a rica bandeja com os finos 
crystaes e tudo que n'esta se continha. 

— N'est-ce pas la gloire?— concirna 
sorrindo o psychologo de « La femme 
ée trente ans». 



Também OSWALDO, n'uraa excursão 
pelo interior de Minas, ao passar por 
uma fazenda, resolve pedir uma hora de 
sombra e repouso. 

Recebem-n'o cordialmente. E, como 
é de praxe, servem-lhe o bòm café, sym- 
bolo da hospitalidade sertaneja. Mas não 
consta que alguém tenha deixado cair a 
salva das chicaras, como faria qualquer 
archiduqueza russa. É certo, porém, que 
a dona da casa, ao saber que tem 
Sob o seu tecto o grande brasileiro, corre 
aos seus aposentos trazendo um nédio 
e bochechudo pimpolho, apresentando-o, 
cheia de orgulho e felicidade: 

— Meu filho. Chama-se OSWALDO. . . 
por sua causa. . . 

N'est-ce pas la gloire? 

XVII-O Artista. 

''Dasciencia, que investíga •» 
homem e a natureza, não é dlfñcll 
a transição para a arte, que reall/a 
no mundo sensível e exterior o 
conceito subjectivo do bcUo', 
I<atíno Coelho, 

DARWIN confessou com extraordi- 
naria franqueza que, depois de ter tido 
na juventude certo gosto pelas artes, 
acabou por perdel-o totalmente, a ponto 
de seu cerebro se transformar n'uma 
especie de machina para extrahir leis 
geraes de um bloco enorme de factos. 
E disse que, si tivesse de recomeçar a 
vida, assumiria comsigo mesmo o com- 
promisso de luna vez por semana 1er um 
poema qualquer, ou ouvir um pouco de 
musica, por acreditar que esses praze- 
res constituem uma felicidade e a sua 
perda prejudica provavelmente a intel- 
ligencia, o caracter e a capacidade emo- 
cional da natureza humana. 

Parece que não são muito raros os 
indivíduos que se caracterizam por um 
exaggerado exclusivismo intellectual, por- 
que é sabido que a liypertrophia de 
certas zonas cerebraes muito trabalhadas 
se faz acompanhar, frequentemente, da 



33 



atrophia de outras que não o são, em 
conformidade com um principio geral de 
physiologia. 

A biologia com todas as suas espe- 
cialidades, a mathematica, em fim, todas 
as sciencias e também as artes costu- 
mam ter cultores que vivem hermetica- 
mente fechados no circulo dos seus pen- 
samentos, das suas ideas fixas. Quasi 
sempre são homens de valor, dentro das 
profissões, mas, fora d'ahi, para elles 
o mimdo não existe; tornam-se por isso 
creaturas antipathicas, sem amigos sin- 
ceros, isolados em plena communhão so- 
cial. 

Ê, portanto, significativa e commo- 
vente a confissão do immortal sabio 
inglez, cuja franqueza tão pura quanto 
o seu genio soube traduzir fielmente o 
arrependimento do ancião que viu mor- 
rerem dentro de si, vun a um, todos os 
sentimentos artísticos, as sensações sua- 
ves que amenizam a existencia dignifi- 
cando a alma. 

Que a advertencia partida de tão 
alto aproveite a alguns jovens especia- 
listas que estão sempre a olhar com 
desdém as lucubrações alheias e por isso 
sempre a confirmar a deliciosa Ironia 
d'aquelle philosopho para quem cada um 
de nós, por mais pequenino que seja, se 
julga no intimo uma especie de centro 
de systema planetario. . . 



Felizmente, no largo espirito de 
OSWALDO havia logar para tudo. 

N'Elle se casavam á maravilha as 
cogitações scientificas e os anhelos de 
arte. Como LEONARDO DA VINCI, sa- 
bia associar « l'audace da rêve à la pre- 
cision de la science, la fantaisie la plus 
merveilleuse à la raison pure ». 

Comtudo, para sermos exacto, deve- 
mos dizer que não lhe era accentuado o 
senso musical, o que aliás se verifica 
mais ou menos na sua descendencia, por- 
quanto os seus filhos, na maioria, não 



teem ouvido nem manifestam gosto para 
a musica, apezar dos apreciáveis dotes 
musicaes que poderiam herdar pelo lado 
materno. Entretanto, já é notável o pen- 
dor que alguns d'elles apresentam para 
as artes plásticas, destacando-se n'uma 
de suas filhas, eximia retratista, cujo 
talento era vun dos orgulhos do Pae e 
já mereceu elogios de mestres como 
HENRIQUE BERNARDELLI e J. BAP- 
TISTA DA COSTA. 

Parece-nos que taes factos teem uma 
relevancia incontestável: 1°— porque es- 
tá estabelecido pelos melhores observa- 
dores que os sentidos são, de regra, 
transmittidos pela herança, mormente o 
o do ouvido, conforme o celebre exem- 
plo de BACH, que contava 57 músicos 
eminentes em sua familia; 2°— porque, 
ao lado do mau ouvido da familia CRUZ, 
sobresahe o gosto pelas artes plásticas, 
que se relacionam com a vista, o mais 
nobre de todos os sentidos e também 
passível de transmissão hereditaria. 

Por consegvunte, si «Ze semblable 
produit le semblable », o Mestre possuia 
virtualmente um dom artístico que, por 
falta de technica e em virtude do riuno 
que tomou a sua vida, não poude con- 
cretizar-se em obras, mas logrou passar 
a alguns dos herdeiros, particulannente 
aquella filha em que se reflectem mui- 
tas das ricas prendas paternas. 

Não temos, pois, duvida em affirmar 
que Elle era pintor, esculptor e archi- 
tecto. Ninguém o sabia, mas era-o. Na- 
turalmente, no mundo corriqueiro dos 
que vivem para as cousas concretas, 
tal homem nunca seria artista do pincel 
ou do escopro, simplesmente porque não 
sabia manejal-os. Mas, si admiltirmos uma 
arte subjectiva que palpita na imaginação 
de certos espirites previlegiados, essa OS- 
WALDO a teve de modo inconcusso, tal- 
vez muito mais amplamente do que al- 
guns dos chamados críticos da arte, os 
os quaes, exceptuados mn DIDEROT, 
um JOHN RUSKIN e outros de grande 
visão esthetica, não costumam passar 



u 



dos contornos, da perspectiva, dos colo- 
ridos, em summa, da face puramente 
ttchnica e material. 

Para a observação de urna tela, uma 
estatua ou um monumento architecto- 
flico julgamos que o Mestre dispunha de 
«n processo personalíssimo: um mixto 
de analyse artística e scíentifica, culmi- 
nada por uma synthèse onde fulgurava 
o seu admirável senso de proporção e 
harmonia e a mais admirável ainda in- 
terpretação psychologica. Com aquello 
equilíbrio perfeito, que foi um dos se- 
gredos e uma das maravilhas da sua 
vida espiritual, punha o rigor da sci- 
encia ao serviço da arte, mas por fim 
áÉ^ava-se arrebatar nos transportes do 
poeta, que só tem olhos para o bello. 



Sentia-se que no seu viver intensa- 
mente agitado ainda lhe faltava qualquer 
sousa. Não que algum dia o dissesse, 
pois, não era attreito a confidencia; mas 
quem o observasse attentaraente havia 
de lobrigar-lhe um vago anceío, que 
talvez nem Elle mesmo soubesse definir 
õ que era inexplicável na sua vida glo- 
riosa, cheias de ideaes realizados. 

É que não lhe sobrara tempo para 
expandir a sua alma de estheta, desen- 
volvendo-se no tirocinio de luna das 
artes plásticas. 

Nos seus raros momentos de ceio, 
ou quando se via coagido a ouvir narra- 
tivas enfadonhas, como acontecia muitas 
vezes nas audiencias que na Directoria 
de Saúde Publica tinha de conceder a 
pessoas desinteressantes, curvava-se so- 
bre lun papel e com lapis de cores ia 
traçando figurinhas e outros desenhos, 
onde por entre a confusão dos rabiscos 
se percebiam traços e linhas delicadas. 

Era o seu entretenimento predilecto. 

Aos domingos, consagrados inteira- 
mente ao lar, dedicava-se também á 
photographia, em que se tornou perito, 
como que a procurar uma sorte de 



succedaneo nessa tristonha arte scíenti- 
fica. Mais tarde (não sabemos ao certo 
qual o motivo) talvez após uma excursão 
pelos príncipaes paízes europeus, talvez 
depois que conheceu a Italia, deixou 
de gozar o mesmo encanto que outr'ora 
achava na sua * KODAK >. 

Não consta que lhe sahisse dos la- 
bios tal confissão. Todavia, é provável 
que, depois que seus olhos fitaram as 
grandiosas obras legadas á posteridade 
pela arte italiana, jamais lhe fugissem 
da retina as impressões que o prostra- 
ram em extase deante de tantas cousas 
divlnaes. 



Mas onde a sua esthetica attingíu 
ao auge foi na architectura. 

Era natural que assim fosse, pois 
essa é a maior de todas as artes, na 
opinião de J. RUSKIN, que exige para 
todo o architecto digno desse no- 
me as qualidades de grande pintor e 
grande esculptor. 

Aqui, porém, o senso artístico de 
OSWALDO não se quedou em platonis- 
mo. Aqui, mau grado a ausencia de tech- 
nica com que teve sempre de haver, 
conseguiu idear e erigir um monumento 
que constitue uma das glorias archtec- 
tonícas do Rio de Janeiro. 

Para isso, tomou de lun moço obs- 
curo, sondou-lhe a ínlelligencia, que era 
portentosa; e, graças á sua invejável 
capacidade de orientador, rapidamente 
transmudou-o n'um profissional perfeito, 
armando-o cavalleiro para as pugnas da 
arte, fazendo-o também completo espe- 
cialista em construcções de hospítaes e 
laboratorios. 

Ahí está como se levantou da aban- 
donada restinga de Manguinhos esse ma- 
gestoso palacio que é, em synthèse, imi 
ideal scientifico engastado n'um deva- 
neio esthetico. 

Como tudo em OSWALDO tinha a 
sua razão de ser e obedecía sempre a 



35 



lógica inflexível, temos meditado muitas 
vezes sobre os motivos que o levaram a 
eleger, dentre tantas escolas imponentes, 
o tão desprezado estj'lo mourisco. 

Debalde foram resolvidos os archi- 
vos do Mestre, bem como consultadas 
opiniões valiosas. Tudo em vão. Também 
a exigua bibliographia compulsada só 
nos apontava a superioridade da civiliza- 
ção greco-romanu, ao lado da pobreza 
de inspiração e da falta de originalida- 
de da arte arabe. No emtanto, esses mes- 
mos auctores, quando se referem ao 
Alhambra, deixam fugir da penna since- 
ros adjectivos encomiásticos que bem 
delatam o enlevo produzido pelo extra- 
ordinario castello que os sarracenos dei- 
xaram em Granada como o expoente 
máximo da sua concepção artística. 

Talvez falasse ao coração do Mestre 
essa desdenhosa injustiça com que os 
dignatarios da esthetica dominante cos- 
tvunam tratar a arte musulmana, sem- 
pre tão subtil, tão caprichosa, tão viva 
e tão attrahente que apezar de todos os 
preconceitos arrebata os que a contem- 
plam desprevenidamente, sem o grilhão 
dos dogmas doutrinários. 

Porque tudo n'ella é innegavelmente 
encantador. Porque ella faz lembrar uma 
roupagem finíssima com que a delicadeza 
humana recobre a superficie nua dos edifí- 
cios; porque semelha as rendilhadas vestes 
das mulheres, notadamente as mantilhas 
com que as sevilhanas resguardam suas 
formas graciosas; porque emfíni, si EÇA 
DE QUEIROZ tivesse de talhar material- 
mente o seu entresonhado « veu diapha- 
no da fantasia », talvez o fizesse de ara- 
bescos. . . 

Talvez por isso, um dia, surprehen- 
dendo-o a olhar embevecido o seu pala- 
cio, alguém não se conteve, perguntando- 
Ihe ex-abrupto: 

—■ Qual o motivo que o levou a 
proferir o estylo mourisco? 

— Porque é o mais bonito, respon- 
deu n'aquelle tom simples, característico 
das verdades sem refolhos. 



E voltou a mirar enamorado a sua 
obra. 

XVIII — Gonçalves Cruz. 

Le culte des ancêtres est 1» 
racine de toute rellgioa. 

A alguém que o felicitava por ter 
o governo dado o nome de OSWALD© 
CRUZ ao antigo Instituto de Manguinhos, 
respondeu o Mestre, entre serio e riso- 
nho, que nada tinha a ver com essa 
homenagem, 

— Como assim? 

— Porque esse não é o meu nome. 

Realmente, quem rebuscar os archi- 
vos á procura de papeis por Elle assíg- 
nados, difficílmente encontrará firma- 
dos por seu punho esses dous nomes. 
Ofíicialmente assignava-se— GONÇALVES 
CRUZ, ou então, abreviadamente, com© 
rubrica— GLZ CRUZ. Nas cartas íntimas, 
o simples preñóme: OSWALDO. Em es- 
cripturas, actos solemnes: Dr. OSWAL- 
DO GONÇALVES CRUZ. 

No emtanto, o Brasil inteiro • 
conhecia por OSWALDO CRUZ. 



Ha bastante tempo, em Bello Hori- 
zonte, o Presidente recebera um tel«- 
gramma assignado— GONÇALVES CRUZ. 
Debalde os officiaes de gabinete e ou- 
tros funccionarios foram consultados a 
respeito dessa firma desconhecida. Nin- 
guém decifrava a incognita. Só no dia 
seguinte, depois de muitas voltas, foi 
despacho parar ás mãos de um assisten- 
te de Manguinhos, que lhe deu o deseja- 
do esclarecimento. 

Facto análogo consta que se passou 
no Estado do Pará e provavelmente «lût 
outros lugares. 

De uma feita, Elle quiz apresentar 
um discípulo ao Dr. BARBOSA ROMEU, 
em cujo serviço hospitalar havia ma 
interessante caso de leucemia. Escreveu 
ao eminente medico uma carta muito 
attenciosa, cheia d'aquelle aífectuoso res- 



36 



peito que Elle como ninguém sabia tri- 
butar ás pessoas idosas e aos homens de 
valor. O destinatario leu-a, releu-a, exa- 
minou diversas vezes a assignatura, per- 
guntando por fim ao portador: 

— Quem escreveu esta carta? 

Assim, todos extranhavam que o pos- 
suidor de um nome tão glorioso pre- 
ferisse para sua firma individual aquella 
especie de pseudonymo. Alguns Íntimos 
chegaram mesmo a lhe insinuar a conve- 
niencia de deixar esse habito antigo, 
que já não tinha razão de ser, uma vez 
que a sociedade inteira o acclamava sob 
o nome que o pi*oprio governo escolhera 
para dar ao seu querido Instituto. 

O Mestre poderia, como o philoso- 
pho, responder que o nomfe é a exterio- 
ridade. Preferia, porém, encolher os 
hombros e continuar o seu caminho. 

Mas, porque esta obstinação? 

Por um motivo muito simples : desde 
que lhe morrera o Pae, adoptara a assig- 
natura deste, a qual, em nenhimia hypo- 
thèse, seria capaz de abandonar. E assim 
foi até aos derradeiros dias de existen- 
cia. 



Ainda outra modalidade do culto á 
memoria paterna. 

Morto o Dr BENTO GONÇALVES 
CRUZ, o filho veiu a substituil-o nas 
funcções de medico da fabrica de teci- 
dos « Corcovado ». Nem com os encar- 
gos de Director da Saúde Publica, nem 
no auge das campanhas sanitarias e sci- 
entificas, deixava de cumprir os deveres 
de facultativo dessa companhia, onde 
fundara uma creche, talvez a primeira 
do Brasil, e onde Elle em pessoa, muitas 
vezes, fiscalisava o banho e a alimenta- 
ção das creanças. 

Os escribas e fanáticos, que tão le- 
vianamente o anathematizavam com os 
epítetos de despota, tyranno, etc., de- 
viam ter ido ver esses actos de philan- 
tropia, representados occultamente, 3 



vezes por semana, pela manhã, no con- 
sultorio do dito estabelecimento fabril, 
onde humildes operarios adoravam o 
seu bemfeitor, e as creancinhas pobres 
encontravam o melhor dos seus amigos, 
o qual, por entre caricias e esmolas 
discretas, também as vaccinava com as 
suas proprias mãos, certo de que era 
este o maior beneficio que lhes podia 
prestar. 

Mas, um dia, por solidariedade com 
alguém que lhe merecia fraternal ami- 
zade, deixou para sempre o seu amado 
cargo, a sua querida clientela, que tam- 
bém fora antigamente de seu estremecido 
Pae. 

Foi esse, com certeza, mn dos gran- 
des desgostos de sua yida. 



Sua presença no cemitério eraconi- 
tante: no minimo, duas vezes por sema- 
na, lá ia contemplar o tumulo venerado, 
ornamental-o com as mais lindas flores 
do seu jardim. 

Ao partir para vmia viagem, a sua 
ultima visita, após o abraço á sua velha 
Mãe, era á nécropole de S. João Baptis- 
ta. Ao regressar, não se sentia bem em- 
quanto não revia o mesmo campo santo. 

As vezes, quando qualquer questão 
séria o absorvia, era ao lado da sepul- 
tura paterna que preferia meditar e re- 
solver os graves problemas de sua vida 
publica. 

Que linda pagina de mysticismo não 
escreveria MATERLINCH si conhecesse 
o nosso sabio espiritualista! 

XIX— Um traço. 

Durante uma viagem de OSWALDO, 
alguns dos seus amigos abriram uma 
subscripção para offerecer-lhe uma lem- 
brança duradoura. Não faltaram donati- 
vos, que em poucos dias encheram as 
listas, aliás discretamente distribuidas. 

Regressando, porém, mal soube do 
occorrido, tratou de tomar providencias 



37 



tadicaes afim de que nño fosse avante 
a referida idea, que era, si não nos falha 
a memoria, a compra de xuaa casa para 
sua residencia. 

Encerrando a mencionada subscrip- 
ção, que importaria em sacrifico para 
muitos funccionarios pobres, apurou o 
producto obtido e com mil cautelas e 
delicadezas fel-o chegar ás mãos da dig- 
na viuva de um companheiro valoroso 
que tombara em meio da jornada, dei- 
xando a familia em precarias condi- 
ções. 

XX— O Académico. 

Diversas vezes agitaram a sua can- 
didatura á Academia Brasileira de Letras. 
Sempre, porém, que lhe tocavam no 
assumpto, repellia-o delicadamente, mas 
com firmeza, allegando que nunca bus- 
cara posições eminentes na sua classe, (*) 
portanto, muito menos as disputaria fora 
d'ella. 

Sem embargo d'essa tenaz e longa 
resistencia, um grupo forte de « immor- 
íaes » não cessava de incital-o a pleitear 
uma cadeira no appetecido cenáculo. 

Sua opposição, todavia, era inflexí- 
vel. Debalde lhe expunham uma serie de 
argumentos, cada qual mais convincente 
e seductor. Vinha sempre á balha o 
paradigma da Academia Franceza, que o 
cardeal de Richelieu desejara, não um 
centro exclusivo de letrados, mas um 
« salão de notabilidades », onde f tugissem 
alguns dos grandeg vultos da França— 
homens de sciencia, doutores da igreja, 
cabos de guerra, etc.— ao lado de poetas 
8 prosadores. 

A tudo o Mestre resistia. 

Mas houve quem, afinal, se mostrasse 
molestado com tantas negativas, che- 



(*)— Como exemplo, podemos citar o facto de ter 
recusado a presidencia da Academia Nacional de Medi- 
cina, o que foi recentemente divulgado pelo eloquente 
discurso do Dr. E. SALLES GUERRA, no dia 5 de 
JVgosto de 1922, no cemitério de São João Baptista. 



gando a insinuar que o sabio collocava 
a sua gloria muito acima da investidura 
académica. 

Tanto bastou para que, embora cons- 
trangido, consentisse na apresentação do 
seu nome, conforme podem attestar di- 
versos académicos vivos. 

Quando todos os outros meios falha- 
ram, vencera imi simples ataque ao seu 
reducto de sensibilidade e delicadeza. 



Effectivamente, OSWALDO não ti- 
nha preoccupações literarias. Nem mes- 
mo consta que houvesse commettido os 
quasi infalliveis versos da juventude bra- 
sileira, não obstante ter sido sempre 
tira espirito genialmente poético. 

Porque si ha uma poesia que não 
se traduz em palavras metrificadas; si 
ha trovadores que guardam apenas para 
si as canções que lhes tange o alaúde 
d'alma; si ha bardos que, vivendo em 
contacto com a natureza, sabem amal-a 
com vera paixão, em tudo que ella tem 
de bello, nobre e «mavel, então OS- 
WALDO foi poeta no mais alto sentido 
do vocábulo. 

Mas era-lhe tão viva a sensibili- 
dade, tão profundas as paixões, tão re- 
quintada a sua esthetica, tantos e tão 
variados os seus modos de viver, pensar 
e agir, que lhe seria impossível vasar 
na disciplina dos metros o tumulto de 
sensações que o empolgavam. O livro 
devia ser ridiculamente pequeno parm 
conter esse immenso mimdo invisível. 
E como se fazia mister expandil-o, tor- 
nou-se um realizador de sonhos. 

Foi, portanto, como poeta que luctou 
contra os inimigos da vida e do bello; 
que erigiu a sua escola, cercando-se de 
discípulos, como Christo, para augmen- 
tar e diffundir a centelha do seu genio. 

Também foi nessa caracter que a 
Academia o consagrou, definindo-o pela 
voz do Sr. AFRANIO PEIXOTO. 

« Vós sois como os grandes poetas 
que não fazem versos: nem sempre estes 



38 



lêm poesia e ella sobeja na vossa vida 
6 na vossa obra ». 

XXI— Um discípulo. 

Na impossibilidade de retratar espi- 
ritualmente cada mn dos discípulos que 
mereceram a estima do Mestre, sej a-nos 
ao menos licito apresentar em breves 
linhas um perfil d'aquelle que foi sem- 
pre o mais amado de todos elles e é ho- 
je o seu digno successor no Instituto 
por Elle creado e no campo de lucta 
onde se travaram as memoráveis cam- 
panhas sanitarias que tanto engrande- 
ceram o nome do Brasil. 

Si outros motivos de consciência 
nao nos impuzessem o dever de perso- 
nificar em CARLOS CHAGAS a herança 
moral e scicntifica do Chefe da nossa 
escola, bastar-nos-ia relembrar a belleza 
do seu gesto cavalheiresco, fazendo re- 
verter em proveito da estatua de OS- 
WALDO CRUZ o premio pecuniario (50 
contos de réis) que por seus estudos 
originalissimos soubera merecer do alto 
espirito de justiça do governo brasileiro. 

Que os nossos condiscípulos nos per- 
doem a expansão de intimo reconheci- 
menlo a esse singular altruista, jaque 
lhe coube a opportunidade— a nenhum 
de nós outros concedida— de n'uma qua- 
dra de immoderadas ambições materiaes 
privar-se de um quinhão de ouro para 
transformal-o no bronze do venerável 
monumento. 



CARLOS RIBEIRO JUSTINIANO 
DAS CHAGAS foi sempre um espirito 
de notável originalidade. 

Formado, em 1903, pela Faculdade 
de Medicina do Rio de Janeiro, ahi 
deixou uma tradição de talento, coroa- 
da pela sua these inaugural — « Estudos 
hematológicos no impaludismo » — mna 
das mais brilhantes publicações elabo- 
radas nos primeiros tempos de ilangm- 
nhos. Releva notar que n'essa monogra- 



phia, talvez hoje clássica si fosse escrip- 
ta em lingua mais vulgarisadora do que- 
a nossa, n'esse interessante ensaio já m 
auctor deixou esboçada a sua feição ca- 
racterística: a perfeita harmonia entre 
o clinico e o homem de laboratorio. 

Logo após, seduzido pelos problemas 
de hygiene rural, dirigiu com pleno êxito 
a primeira e celebre campanha anti- 
paludica levada a ef feito no nosso paiz. 
Data d'esse época (1906) o opúsculo— 
€ Prophylaxia do impaludismo »— no qual 
se condensam ideas e factos bastante 
curiosos á cerca d'esse assumpto de mag- 
na importancia para tantas e tão ricas 
regiões do globo. N'esse artigo avento* 
o conceito que attribue papel prepon- 
derante aos mosquitos albeigados nos 
domicilios, onde podem ser facilmente 
eliminados por processos conhecidos, tor- 
nando assim mais simples a referida 
prophylaxia. 

Simultaneamente, teve occasião de 
estudar os culicideos brasileiros mor- 
mente as anophelinas transmissoras de 
hematozoarios, dando a lume, em 1907, 
os seguintes trabalhos: 

— « O novo genero Myzorrhgnchella 
de Theobald— Duas novas anophelinas 
brasileiras pertencentes a este genero: 
M. parva e M. nigritarsis; 

— t Novas especies de culicideos bra- 
sileiros » ; 

— « Uma nova especie do genero 
Taeniorrhynchas ». 

Além disso, cumpre-nos assignalar 
que o Dr. CHAGAS é uma das maiores 
auctoridades mundiaes em Pathologia 
exotica, mercê de conscienciosos estu- 
dos de demoradas viagens pelos sertões 
e mattas brasileiras (Minas Geraes, S. 
Paido, Amazonas, Pará). A prova de 
tal nomeada foi a serie de conferencias 
por elle realizadas em universidades nor- 
te-americanas, a convite da Rockefeller 
Foundation. 



Mas a sua personalidade dispensa 



39 



«ncomios. Nem siquer seria possível ana- 
lysar em poucas linhas a totalidade de 
suas producçOes. Entretanto, vale a pena 
rememorarmos, ainda que pallida e sum- 
mariameníe, as condições em que elabo- 
rou a sua obra prima. 

Estava o joven medico empenhado em 
«ma das suas luctas anti-malaricas quan- 
do, no complicado meio nosologico que é 
o sertão norte-mineiro, teve conheci- 
mento de um insecto extraordinariamen- 
te hematophago — « Triatoma megis- 
toí» — (*) vulgarmente chamado « bar- 
beiro » ou « chupão », que se acoita nas 
toscas habitações campestres, occultan- 
do-se em pequenas frestas e outros es- 
conderijos, de onde sahem á noite cau- 
tamente para sugar o sangue do homem, 
sua victima predilecta. 

CHAGAS, n'mn relance, teve a ante- 
visão exacta de tudo que o facto podia 
comportar; e para logo estudou o men- 
cionado hemiptero, desvendou-lhe os há- 
bitos mysteriosos, encontrando-lhe, por 
fim, no interior do apparelho digestivo 
nm protozoário interessantíssimo, sob a 
forma de criihidia. 

Ora, quem como elle se affizera á 
observação das doenças tropicaes, che- 
gando á intuição de considerar o mos- 
quito caseiro como o transmissor prin- 
cipal dos plasmodios de Laveran, não 
devia hesitar deante do precioso acha- 
do. D'ahi a certeza com que concebeu e 
executou todo o programma do seu tra- 
balho, que na opinião de OSWALDO 
CRUZ », constitue o mais bello exem- 
plo do poder da lógica a serviço da sci- 
«ncia. 

Já agora, dir-se-ia, nada mais fadl 
que rematar o raciocinio clarividente, 
buscando na economia humana o fecho 
do cyclo pathologico que o sabio com 
tanto brilho prefigurara. 



(•)— Outras especies do mesmo genero teem idénti- 
cas propriedades. 



Mero engano. O scientista leve de 
medir-se com um adversario subtil, uma 
especie de phantasma infinitamente pe- 
queno que investe subrepticiamente con- 
tra a sua victima, abandonando presto a 
torrente circulatoria para ir engastar-se 
na intimidade recóndita dos tecidos. Tra- 
vou-se então mna peleja porfiada entre 
o microbiologista e o microbio, da qual 
sahiu vencedora a fé scientifica, a ra- 
zão antevidente do biólogo. E o estudo 
completo do t Trypanosoma cruzi » (no- 
me dado em honra ao Mestre) é um at- 
testado do valor de CHAGAS como pro- 
tistologista, que teve a ventura de rece- 
ber um veredictiim irrevogável, laurel 
máximo a que poderia aspirar: o «Premio 
SCHAUDIN » , outorgado por juizes que 
se chamam ROUX, LAVERAN, PROWA- 
ZECK, KITASATO, OSWALDO CRUZ e 
outros profissionaes de renome universal. 

No pastoriano, porém, vibrava ao 
mesmo tempo uma admirável arganiza- 
ção de clinico, que logrou appréhender 
toda a vastidão da sua descoberta. 

Sem duvida, a tarefa se af figura va 
demasiadamente grande para qualquer 
outro obreiro; mas a envergadura deste 
era tal que de suas proprias forças havia 
de surgir á luz esse bloco inteiriço, sem 
jaca: a nova entidade mórbida, actual- 
mente consagrada por órgãos de aucto- 
ridade irrecusável como, entre outros. 
C. MENSE, que confiou ao nosso patricio 
a redacção do respectivo capitulo no 
seu celebre tratado. 

Nem se diga que a physionomia cli- 
nica d'essa doença é relativamente sim- 
ples como a da «molestia do somno», 
sua congenere. Ao contrario, no mal de 
CHAGAS a variedade de aspectos mór- 
bidos, devida ás différentes localizaçOes 
do germe, dá-lhe um cunho de polymor- 
phismo talvez só comparável ao da sy- 
philis. 

De facto, vencida a phase aguda, 
sempre fugaz e quasi sempre despre- 
«entida, o trypanosoma deixa ai corren- 



40 



te sanguínea e vae embutir-se nos teci- 
dos, onde soffre modificações profun- 
das para adaptar-se á vida de histo- 
parasita, sua verdadeira funcção no hos- 
pedeiro vertebrado. Alii começa por per- 
der o flagello, immobilisando-se á ma- 
neira das leishmanias; depois enkysta-se; 
niultiplica-se; e jamais abandona a sua 
presa, quer seja esta o myocardio, o 
encephalo, as glandiUas de secreção in- 
terna, etc. D'onde as modalidades cli- 
nicas, porque se manifesta esse morbus 
multifario: a forma cardíaca, a nervosa, 
a pseudo-myxedematosa, as syndromes, 
etc. Quasi um tratado de pathologíal 

Não obstante, CHAGAS conseguiu la- 
vral-o com mãos de mestre, conferindo- 
Ihe a singeleza das verdades eternas. 
E ao passo que, para o conhecimento 
talvez ainda incompleto da trypanoso- 
raiase africana, se fez mister uma pha- 
lange de profissionaes da estatui-a de 
CASTELLANI, R. KOCH e outros tantos 
sabios e commissões de varias naciona- 
lidades— francezes, ínglezes, allemães, ita- 
lianos, portuguezes~ao passo que até 
hoje a sciencia cosmopolita ainda se 
congrega para esclarecer parcellada- 
mente, especializadamente, a molestia do 
somno, emquanto isso, CHAGAS, isolado 
n'iun recanto inhóspito, sem o mínimo 
conforto, a perto de 200 leguas do lito- 
ral sul-americano, ergue de uma só ar- 
rancada esse complexo e perenne mo- 
numento de saber. 



Não é só isso. 

Não se restringe ao campo da me- 
dicina o alcance da sua obra sem par. 
Ha em toda ella um aspecto social que 
requer uma pequena menção. 

É que essa doença maldita, desde 
tempos immemoriaes, acampou em con- 
sideráveis zonas do Novo mundo, asso- 
lando diversos estados do nosso paiz, 
das republicas do Equador, do Perú, da 
America Central e provavelmente da Ar- 



gentina e do Uruguay, ameaçando o fu- 
turo d'essas nações jovens e opulentas, 
que precisamente agora offerecem o 
máximo de possibilidades e attractivos 
aos povos europeus empobrecidos pela 
guerra. 

Será possivel que se não veja no 
esforço do scientista brasileiro um in- 
teresse rigorosamente internacional, além 
de humanitario? 

Não é só isso. 

Deante de phénomènes tão requinta- 
damente scientifícos, CHAGAS poderia 
extasiar-se á imitação d'aquelle philoso- 
pho que considerava as molestia como 
« les formes nescessaires de la vie », as 
quaes escondem « sous un desordre appa- 
rent, des harmonies profondes ». 

Mas CHAGAS tem sentimentos. 
Nunca poude habituar-se contemplação 
d'esses miopragicos, papudos, aparva- 
lhados, miseráveis, vencidos, que arras- 
tam uma existencia digna de dó, á es- 
pera somente da morte única salvação 
possivel para esse estado de marasmo 
collectivo em que languesce a immensa 
legião de parias, que vegetam á margem 
da civilização, abandonados por aquelles 
que se dizem seus semelhantes, seus 
irmãos. 

Pois foi CHAGAS quem revelou no 
século XX esse quadro horripilante; foi 
elle quem estabeleceu as bases para a 
preservação dos ainda não acommetti- 
dos, entremostrando também aos pobres 
inválidos um raio bemfazejo de espe- 
rança. Fel-o, porém, com a sua alma 
compassiva, vivendo longo tempo a mes- 
ma vida d'esses desherdados da sorte, 
identificando-se com elles pelo coração, 
diminuindo-lhes os soffrimentos, ampa- 
rando-os material e moralmente, fazen- 
do de missionário antigo. 

Por conseguinte, si é possivel entre- 
laçar n'uma só pagina um alto feito 
scientifico e vana obra resplandecente de 
piedade humana, ninguém entre os vivos 
o fez como CARLOS CHAGAS, que beníí 



41 



merece a sympathia, a admiração, os 
applauses de todos os homens justos. 

XX II— Isso é tão raro. 

Quando em 1902 o incipiente Insti- 
tuto soffreu a primeira crise moral e 
administrativa, em virtude da qual o 
Mestre abandonou altivamente o seu car- 
go, houve mn pobre servente, lavador 
de vidros, que correu ao altar da Vir- 
gem e lá depoz um cirio acceso, até 
que se operasse o milagre de tornar a 
Manguinhos o querido chefe demissioná- 
rio. 

— Eu tenho fé, dizia elle com os 
olhos marejados de lagrimas, eu tenho 
fé que o nosso patrão ha de voltar. 
Elle é tão bom. . . 

— E o velho MUNIZ não teve soce- 
go emquanto não viu de novo em seu 
posto. 

Voltou, felizmente : mas voltou ainda 
mais dignificado e forte. 

Depois, ao saber d'aquella promessa 

fervorosa, OSWALDO, em cuja alma o 
sentimento de gratidão pairava tão alto, 
ficou de tal modo commovido que nunca 
mais esqueceu o humilde servidor, de 
quem se fez amigo dedicado. 

Por isso, o velho MUNIZ, octogena- 
rio e curvo, era ainda a pouco umas das 
tradições vivas da casa, sempre firme 
nas suas obscuras funcções, cercado 
sempre da amizade respeitosa de todos. 
E como elle era paupérrimo e tinha uma 
familia honrada e numerosa, a adminis- 
tração de Manguinhos vem ha muito 
acolhendo os filhos, os netos e provavel- 
mente fará o mesmo aos bisnetos do 
digno servente. 



Assim que o novo predio ficou em 
condições de funccionar, embora par- 
cialmente, o Director fez a distribuição 
dos laboratorios, salas e dependencias 
por todo o pessoal technico, administra- 
tivo e subalterno, cabendo ao antigo lava- 



dor de vidros imi lugar ao lado do seu fi- 
lho mais velho, homem já maduro, hábil 
preparador de meios de cultura. Este, 
porém, contra a expectativa geral, res- 
mungou contra tal designação, allegan- 
do que não lhe convinha a companhia 
do Pae. 

O caso foi levado ao conhecimento 
do Mestre que, extranhando o procedi- 
mento de quem sempre fora bom filho, 
não poude deixar de interpellal-o. O 
ANTONIO, porém, muito vexado e cons- 
trangido, explicou-se : 

— Porque não posso fumar á vista 
de meu Pae. 

A physionomia até então fechada 
do Chefe desfez-se n'mn sorriso de feli- 
cidade. Acto continuo, deu todas as pro- 
videncias para que fosse attendido o 
desejo do filho respeitoso. 

E muito tempo depois, narrando o 
facto a um dos seus discípulos, emquan- 
to o seu automóvel perlongava as cal- 
çadas da Avenida, repletas de irreve- 
rentes casquilhos de todas as idades, 
Elle concluía pensativo, talvez com mna 
sombra de tristeza: 

— Isso hoje é tão raro. . . 

XXm— Patriotismo. 

— « Cada vez que venho da Europa, 
mais me convenço das qualidades extra- 
ordinarias dos brasileiros ». 

E justificava o conceito, affirmando 
que a medida intellectual dos nossos 
patrícios é maior que a de qualquer 
outro povo. Que ninguém com mais faci- 
lidade de assimilação do que nós. O 
que nos tem faltado de mn modo lamen- 
tável é o ensino, mas o ensino farto e 
bom, para acabar de vez com essa outra 
escravidão que nos opprime. Em smnma, 
apologista da instrucção primaria obri- 
gatória, anhelava pelo advento da futu- 
ra lei áurea que hade um dia libertar 
das masmorras da ignorancia os últi- 
mos captivos do Brasil. 



42 



No tocante ao ensino superior, exem- 
plificava: 

— Conhecem medicos, engenheiros, 
advogados, emfim, profissionaes mais 
li abeis do que os nossos? Que nos falta 
para attingirmos ao mesmo grau de adi- 
antamento de certos paizes? Somente 
meios de estudo, laboratorios, installa- 
ções adequadas, orientarão pratica, regu- 
laridade e rigor nos cursos e nos exames. 

Entretanto, o seu orgulho patriótico 
não ia ao ponto de negar valor ás outras 
gentes. Ao contrario, recorria, sempre 
que era preciso, aos mestres estran- 
geiros, que trouxeram ao Instituto as 
luzes de seu saber. Ahi estão os exem- 
plos de PROWAZECK, HARTMAN, GI- 
ENSA (e posteriormente, já sob a direc- 
ção do Dr. C. CHAGAS, o Dr. B. CRO- 
WELL). Aqui, graças á orientação, ao 
criterio, ao lato descortino e. sobretudo, 
ao patriotismo do Mestre, esses profes- 
sores fizeram escolas, elaboraram tra- 
balhos de alta monta em collaboração 
com seus jovens alumnos, alguns dos 
quaes tão grandes como elles. 

Mas, ai dos sabichões de sciencia 
infusa, sob a custodia de sete chaves; 
ai dos presumidos super— homens ido- 
latras da mythica superioridade das ra- 
ças; ai dos que ousassem duvidar da 
capacidade do Brasileiro! Para esses ti- 
nha, como soube ter em certa occasião, 
a serena energia, o opportimo castigo 
moral, a repressão fina e justa que valia 
por imia vergastada nas faces. 

OSWALDO conhecia todos os Esta- 
dos do Brasil, menos o de Goyaz. De 
volta das suas excursões trazia sempre 
muitas lembranças photographicas que 
constituem luna collecção copiosa e in- 
teressante, a qual, em casa, aos domin- 
gos. Elle revia no seu verascopio. 

No antigo salão da directoria do 
Instituto— actualmente « Museu de recor- 
dações de OSWALDO CRUZ .-encontra- 
se por toda parte uma serie de cousas 
que dizem respeito ao nosso paiz : map- 
pas muraes, livros de viagens, monogra- 



pliias diversas, em synthèse, o esboço d& 
uma excellente bibliotheca brasiliana, 
que era seu intento completar. 

Na sua residencia, a mesme cousa 
e mais uma porção de objectos brasi- 
leiros, inclusive- arcos e flexas de indios 
e até esqueletos de animaes curiosos 
da nossa fauna marítima. Na meza de 
estudos estava, até ha pouco tempo, um 
grosso caderno em que ia annotando a 
contribuição para o futuro diccionario 
de brasileirismos, organizado pela Aca- 
demia de Letras. 

Admirava os nobres vultos do pas- 
sado, conhecendo bem os principaes epi- 
sodios da nossa Historia, nomeadamente 
os da guerra do Paraguay, alguns do« 
quaes, ouvidos de seu Pae. 

Assim, em OSWALDO, o patriotismo 
se revestia do aspecto de outra religião. 

Por mais grave que fosse a crise 
económica, financeira e politica; péssi- 
mos que fossem os governantes do mo- 
mento, jamais deixou de crer firmemente 
nos destinos da Patria, 

Sempre calado e observador, muitas 
vezes as discussões se travavam anima- 
das, cerca de si, a proposito de mil ques- 
tões. De regra, limitava-se a ouvir; não 
raro, sorria; mas si alguém erguesse a 
voz contra o paiz, apostrophando-o com 
um d'esses anathemas tão próprios dos 
mocinhos pessimistas, ingenuamente bla- 
sés, então Elle emergia do habitual si- 
lencio para defender a sua terra. E ante 
os olhos dos scepticos desdobrava o 
formoso painel em que a sua alma so- 
nhadora antevia o grande Brasil de 
amanhã. 

XXIV— Na intimidade espiritual. 

OSWALDO teve a seu favor dous 
elementos que encerram a força de duas 
grandes leis biológicas: a hereditariedade 
e a influencia do meio. 

Em virtude da primeira. Elle houve 
dos seus genitores mn embryão espiri- 
tual tão puro e elevado quanto é possi-« 



43 



vel n'esta humanidade imperfeitissima. 
Graças, á segunda, coube-lhe a ventura 
de encont'-ar ura educador predestinado. 
Qual dos dous factores lhe teria sido 
mais propicio á formação do espirito? 

Para os adptos das doutrinas de TH. 
RI BOT, estaria tudo explicado como imi 
caso clássico de herança directa e imme- 
diata, com predominancia paterna. Além 
d'isso, sahendo-se que os Paes do Mestre 
eram primos-germanos, com pronunciada 
homogeneidade de sentimentos e intel- 
ligencia, nada mais seria preciso para 
que se interpretasse o presente caso como 
um d'aquelles raros em que a consan- 
guinidade constitue um factor de aper- 
feiçoamento mental, realisando, portanto, 
um dos anhelos dos idealistas e confir- 
mando mais uma vez a crystallina ver- 
dade que DARWIN resumia na concisão 
de uma sentença : < a hereditariedade é 
a lei ». 

No caso em questão, bastaria um 
rápido confronto para verificarmos 
também a semelhança physica entre Pae 
e Filho aos quarenta annos: a mesma 
estatura, o mesmo embonpoint, a mes- 
ma pallidez, a mesma abundancia e im- 
plantação dos cabellos precocemente en- 
canecidos, os mesmos traços physioni- 
micos, largos, sympathicos e expressi- 
vos, e até a mesma arterio-esclerose 
que os victimou— o primeiro aos 47, o 
segundo aos 44 annos de idade— compro- 
vando assim a lei da herança homóchro- 
na de HAECKEL. No tocante ao carac- 
ter, não era menor a analogia, pois, de 
fado, o Dr. BENTO GONÇALVES CRUZ 
foi um espirito de eleição que passou 
despercebido no seu tempo e no seu 
meio, por muitos e différentes motivos, 
entre os quaes a formidável lucta pela 
vida que desde cedo tivera de sustentar. 

Mas si quizessemos considerar o 
nosso caso como de « herança cruzada », 
tal como, entre outros, o de METCHNI- 
KOFF, que attribuia seus dotes espiri- 
tuaes ao lado materno, não heverian'is- 



so difficuldades, visto que D. AMALIA 
DE BULHÕES CRUZ era luna senhora 
de valor intellectual e moral, para 
quem nunca houve o peso da velhice, 
porque sabia deparar nos bons livros, 
principalmente nos francezes, o melhor 
lenitivo para os seus males corporaes e 
para as suas infindas saudades. 

Entretanto, si fossemos confiar mii- 
camente á fatalidade da herança a sorte 
da humanidade, chegaríamos ao extremo 
quasi criminoso de TH. RI BOT, a quem 
não repugnara esboçar um vago desdém 
pela educação, cuja orbita de efficien- 
cia, para elle, não iria além dos limites 
da mediocridade. 

Em que pese á admiração que vota- 
mos ao brilhante psychologo, parece-nos 
que devia merecer enérgico protesto dos 
pedagogos esse libello tão injusto quão 
irreverente contra mna das mais caras 
esperanças dos philantropos, contra o 
mais perfeito dos instrumentos de civili- 
zação, ao qual, por bem dizer, está 
entregue o futuro da especie humana, 
conforme affirmaram pensadores da al- 
tura de KANT, LEIBNITZ, SPENCER 
e outros. 

Por consequência, sem negar á here- 
ditariedade o relevante papel represn- 
tado na formação psychica de OSWAL- 
DO CRUZ, antes enaltecendo-o, pensa- 
mos, posto que debaixo das reservas e 
restricções devidas á nossa lamentável 
incompetencia, pensamos .que, além da 
referida lei, mais algiuna cousa houve 
que concorreu para aprimorar desde o 
nascedouro esse já tão bello espirito. 
Verdade é que o elemento a que quere- 
mos nos referir é ainda o próprio casal 
que lhe deu o ser. Acreditamos, todavia, 
que, outros fossem os educadores, com- 
tanto que a educação fosse a mesma, 
o resultado não seria diverso, porque 
a ninguém é licito recusar a essa arma 
poderosíssima a força victoriosa que 
ella contém. 

A prova d'isso está nos innúmeros 



44 



exemplos que cada um conhece e dos 
quaes a sociedade está cheia: bons cor- 
rompidos pelos maus; maus ennobre- 
cidos pelos bons. 

A prova d'isso está na influencia 
(}ue os grandes espíritos exercem sobre 
a sua roda, a ponto de refazer a entro- 
sagem intellectual dos tacanhos, que no 
fim de algum tempo, á custa de uma 
ítymnastica cerebral lenta e gradativa, 
conseguem ás vezes acompanhar o vôo 
altaneiro dos seus guias, copiando e ad- 
quirindo muitas e valiosas faculdades. 

A prova d'isso está n'uma especie 
de contagio espiritual, n'essa influencia 
nefasta que alguns cerebros rudes lêem 
sobre moços intelligentes, mas dotados 
de pouca energia, os quaes se deixam 
atrophiar mentalmente, tornando-se ás 
vezes tão apoucados quanto os seus men- 
tores, justificando assim um faceto pro- 
loquio: burrice pega. 

A prova d'isso, finalmente, está na 
propria pessoa do Mestre, cuja irradia- 
ção intellectual e moral era um facto 
incontestável e é o mais bello exemplo 
da these que modesta e sinceramente 
procuramos defender. 



OSWALDO foi o que commumente 
se chama um menino de bôa indole; mas 
isso talvez não > bastasse para tornal-o 
lun homem tão prodigamente dotado para 
as victorias da vida. O facto é que, sem 
embargo da sua natural meiguice, não 
deixou de manifestar algumas das más 
tendencias proprias das creanças. 

Elle mesmo contava, na intimidade, 
que, viajando uma vez n'um bonde, apro- 
veitou a distracção de luna pobre mulher 
para picar-lhe á tesourinha um bom pe- 
daço do vestido novo. Horas depois, apre- 
-sentava-se a victima em casa do Dr. 
BENTO CRUZ, narrando-lhe tudo, entre 
chorosa e indignada. Este ouvi-a com 
toda attenção, promettendo-lhe mna pro- 
videncia satisfactoria. Regressando á ca- 



sa, ia á velhota imaginando a tremendat 
sova que o fedelho devia apanhar, quan- 
do foi surprehendida pela chegada do 
mesmo ao casebre onde ella morava, pe- 
dindo o favor de lhe confiar o facto 
para que sua Mãe o concertasse. Feitos 
os reparos com toda a pericia, tornou 
o menino a choupana para restituir a 
roupa á proprietária e ao mesmo tempo 
apresentar-lhe desculpas, accrescentan- 
do que não lhe trazia outro vestuario 
novo porque seu Pae, no momento, não 
podia arcar com tal despeza. 

Este e outros episodios, alguns dos 
quaes já relatados, revelam o nivel de 
perfeição do melhodo educativo que o 
bondoso clinico instituiu em seu lar. 

Já vimos que esse methodo consistiu 
em conquistar a amizade confiante do 
filho insinuando-lhe persuasivamnete to- 
das as noções tendentes ao aperfeiçoa- 
mento do caracter e da intelligencia, 
sem abusar da auctoridade paterna que, 
quando muito, se limitava a um pequeno 
código penal, cujo grau máximo não ia 
além da suppressão dos carinhos, se- 
gundo os preceitos spencerianos, que o 
magistral educador pratico adoptava in- 
tuitivamente. Depois, com admirável pre- 
noção dos principios psychologicos que 
regem a moderna pedagogia, incutir-lhe 
diversos hábitos úteis, como o da hora 
certa dos trabalhos, das recreações, etc., 
o estudo methodico, em summa, esta- 
belecendo uma incomparável disciplina 
moral e intellectual, culminada pela er- 
radicação dos vicies e maus instinctos. 

Dir-se-ia que ainda ahi elle levava 
á pratica os excellentes conselhos de 
WILLIAM JAMES, quando este diz que 
« em educação o grande problema é fa- 
zer do systema nervoso mn alliado-, e 
não imi inimigo, é capitalizar as acqui- 
sições e viver folgadamente com os ju- 
ros. Para isto devemos tornar automáti- 
cos e habituaes, tanto quanto pudermos 
o maior numero possível de acções utei» 
e fugir com grande cuidado a tudo quês 
puder engendrar hábitos nocivos ». 



45 



Foi por estas e outras razões que 
OSWALDO veiu a ser lun individuo sem 
par no seu raeio e na sua epoca. 

D'entre as qualidades que se lhe 
accentuaram sob esse regime espiritual, 
devemos destacar o methodo. Sem essa 
virtude— que deve ser uma modalidade 
da paciencia e portanto comparável ao 
genio, si merece fé o conceito de Buf fon— 
sem isso, não lograria Elle multiplicar 
quasi indefinidamente os esforços preci- 
sos para attingir aos seus ideaes. 

Nas mais pequeninas cousas o Mes- 
tre denotava esse predicado. 

Depois do jantar, emquanto em vol- 
ta á meza as pessoas da familia conver- 
savam, pairando as crianças com a na- 
tural tagarelice, OSWALDO ia catalo- 
gando e archivando documentos, cartas, 
telegramas, etc., que lhe pejavam dia- 
riamente a pasta, de modo que em qual- 
quer emergencia tinha sempre á mão 
um papel valioso, sem o auxilio de nin- 
guém, pois nunca teve secretario parti- 
cular senão nos últimos tempos, em que 
sua primogénita, por expontânea vonta- 
de, se impoz a si mesma o dever de lhe 
prestar alguns serviços. 

Na organisação do Instituto, o mesmo 
methodo também figurou avultadamente. 
Desde as installações materiaes ate á 
divisão do trabalho intellectual, tudo de- 
monstra que ahi está um modelo de 
methodo e também de previdencia, vir- 
tude esta que goza dos foros de superio- 
ridade mental. 

Para citar um exemplo, temos esse 
das sessões semanaes dos resimios. 

Convencido de que é difficillimo 
(para não dizer quasi impossível) a voo. 
só homem 1er e guardar tudo quanto se 
escreve nas varias centenas de jornaes 
scientificos do mundo civilisado, Elle 
estabeleceu a seguinte regra: o Director 
distribue de accordo com o jendor de 
cada um os artigos mais interessantes 
das revistas que Manguinhos recebe; 
esses trabalhos são resumidos pelos res- 



pectivos encarregados, que para isso se 
reimem todas as quartas feiras, sob a 
presidencia do dito chefe. Conseguiu as- 
sim realizar vmi ideal de coramunismo 
scientifico, pois é esse o caso de « um 
por todos e todos por um ». Mas não 
é só isso. Terminadas as sessões, co- 
meça o serviço de classificação das fi- 
chas, pelo mesmo leitor, sendo adoptado 
o processo decimal do Instituto Biblio- 
gráfico de Bruxellas— o mais intelligente 
e completo, no genero. Depois o biblio- 
thecario toma cada ficha de per si e a 
reproduz tantas vezes quantas forem in- 
dicadas pelo respectivo classificador, isto 
é, conforme o desdobramento de as- 
sumptos que a mesma comporta. 

N'essas condições, o nosso Instituto 
tem uma enorme e preciosa collecção 
classificada de artigos que versam a 
biologia com todas as suas especialida- 
des, as sciencias physico-chimicas, etc., 
já não falando na catalogação das suas 
obras, a qual obedece ao mesmo criterio. 



OSWALDO não lia sem um lapis na 
mão. Annotava tudo que lhe parecia im- 
portante. E em certos livros clássicos, 
que demandavam maior esforço de atten- 
ção, raciocinio e memoria, ahi é que o 
seu melhodo era infallivel. 

De uma feita, um dos seus discípu- 
los, então em plena juventude, leu luna 
dessas obras exhaustivas (suppomos que 
sobre immunidade). Passados poucos 
mezes, o joven entrou a conversar com 
o Mestre sobre o assumpto, e qual não 
foi o seu espanto quando verificou que 
no seu espirito mais novo, após uma 
leitura muito mais recente, ficara um 
sedimento mais pobre do que o que re- 
brilhava na mente de OSWALDO. Desa- 
pontado e ao mesmo tempo curioso, o 
moço, manifestou desejo de saber o se- 
gredo d'aquelle paradoxo, uma vez que 
não fora por falta de comprehensão 
que deixara de reter os referidos conhe- 



- 46 — 



cimentos. O Mestre com aquella attitude 
encânladoiàrãente simples e boa que os 
seus amigos jamais olvidarão, caminhou 
para a estante, tirou precisamente o 
volume desejado e, saccando de dentro da 
capa mu caderninho, mostrou ao inex- 
periente o resumo de toda a obra, por 
Elle feito havia bastante tempo. 

N'esse episodio apparentemente in- 
significante se nota que OSWALDO— 
sempre com a mesma intuição clarivi- 
dente que é privilegio dos espíritos su- 
periores—punha em pratica, a um só 
tempo, os dous reputados methodos pre- 
conisados para o aperfeiçoamento da 
memoria : o racional, que « organisa, sys- 
tématisa, classifica e analysa tudo, de 
accordo com a lógica », e o mechanico, 
que consiste em « intensificar, prolon- 
gar e repetir a impressão a reter ». Não 
consta, entretanto, que se utilisasse dos 
methodos artificiaes ou memotechnicos, 
mesmo porque a sua retentiva era as- 
sombrosa para factos, doutrinas e ex- 
periencias, embora restricta para os nú- 
meros. 

Em meio ás suas emprezas hercúleas, 
implacavelmente alvejado por uma oppo- 
sição solerte e multifaria, sabia o no- 
me de todos os medicos (eram mais de 
100) dos numerosos estudantes— auxilia- 
res e de muitos funccionarios subalter- 
nos que trabalhavam sob as suas ordens. 
Não só conhecia a natureza e o valor 
do serviço de todos, como também for- 
mava imi juizo exacto a respeito de cada 
um. Para tudo isso, muito raramente 
tomava mna nota, bastando-lhe confe- 
renciar uma vez por semana com os 
sub-chefes e fazer, de quando em quando, 
uma das suas inopinadas inspecções. 

Na direcção do seu Instituto, não 
menos apreciável era a applicação d'esse 
precioso dom. Mesmo em assumptos que 
não o seduziram ou preoccupavam, quem 
quem quer que o consultasse obteria 
mua indicação util; e o que tornava 
ainda mais proveitosa a consulta era a 



svnthese cem que geralmente remata- 
va a sua palestra cordial. 

Seria ocioso ennumerarmos a serie 
de exemplos em que revelava essa es- 
tupenda faculdade tão malsinada pelos 
que não sabem ou não podem allial-a 
ao raciocinio. Felizmente, ja se lhe vae 
fazendo justiça, havendo até quem a 
reconheça como attributo primacial dos 
homens celebres. Ainda agora nos vêm 
á mente as palavras de um insigne pen- 
i sador, as quaes parecem ter sido medi- 
tadas para explicar, pelo menos 
em parte, a vida trimnphal de 
que nos vamos occupando : «sans une mé- 
moire physiologique extraordinaire, on 
peut encore prétendre à devenir un spé- 
cialiste; mais il faut renoncer au rôle 
et à l'influence des grands encyclopédistes 
et des tant puissants manieurs d'hom- 
mes ». 



Como si não bastassem tamanhas 
prendas intellectuaes, ainda lhe sobra- 
vam muitas outras não menos primoro- 
sas. 

O poder de observação era uma 
d'estas. 

OSWALDO era um observador im- 
penitente. Embora não o quizesse havia 
de observar insensivelmente tudo quan- 
to lhe passasse ao alcance dos sentidos, 
que os tinha todos apuradissimos. Po- 
de-se dizer sem receio de erro qu o 
seu cerebro funccionava constantemente 
como lun possante machnismo de obser- 
var e raciocinar, parando somente du- 
rante as horas do somno. 

Nada lhe escepava á observação; 
desde os phenomenos altamente scienti- 
ficos até as cousas apparentemente in- 
significantes. N'um passeio, n'uma visita 
e até nas horas que deviam ser de re- 
pouso mental, os seus meios de percep- 
ção estavam sempre a trabalhar. E em 
tudo a observação se fazia acompanhar 
de uma analyse profunda, confirmando. 



47 



assim o pensamento de ALEX BAIN, 
que considera o talento analytico como 
um dom natural, peculiar ao observador 
e que indica lun espirito scientifico. 

Mas o que lhe dava ainda maior 
cunho scientifico ao espirito eram os 
seus dotes de experimentador, desde 
muito cedo revelados. 

Recem-chegado a Paris, conseguira 
um modesto lugar de aprendiz no Labo- 
ratorio de Toxicologia, onde parece que, 
a principio, não lhe dispensavam muita 
hospitalidade, como acontece mais ou 
menos de regra em taes casos. Emfim, 
sempre lhe ensinavam alguma cousa qua- 
si sempre banalidades por Elle acata- 
das apparentemente como si fossem h- 
ções magislraes. No emtanto, um bello 
dia, ou porque lhe desejassem pregar 
imia peça, ou porque já havia conquista- 
do a confiança dos technicos, o facto é 
que lhe apresentaram um serio proble- 
ma a resolver: o cadaver de um indivi- 
duo accidentalmente intoxicado n'um 
quarto de dormir. Tratava-se de saber 
si o envenenamento fora produzido pelo 
gaz de illuminação ou pelo de carvão 
vegetal usado para aquecimento domi- 
ciliario. Na primeira hypothèse, os her- 
deiros teriam direito a uma indemnisa- 
ção; na segunda, nada haveria a recla- 
mar. Só o exame pericial poderia orien- 
tar a justiça. 

OSWALDO dedicou-se ao problema 
de corpo e alma, estudando-o sob todos 
os aspectos. Chegando, porém, a con- 
clusões negativas, emprehendeu resol- 
vel-a á luz de sua intelligencia : primei- 
ramente, fez diversos ensaios in vitro, 
e depois submetteu différentes animaes, 
especialmente coelhos, á intoxicação por 
um e outro gaz, analysando-lhes meticulo- 
samente o sangue, chegando, emfim, a 
estabelecer padrões definitivos não só 
para esses como para outros casos. 

Assim, imi joven de vinte e poucos 
annos adopta com imia clarividencia ad- 
mirável, o rigor e a lógica do methodo 



experimental, que lhe vem¡ a dar a chave 
de um enigma scientifico. Valeu-lhe isso 
a admiração de seus mestres (VI BERT 
e OGIER, entre outros) e de eminentes 
medicos legistas de varias nacionalida 
des, dos quaes recebeu demonstrações 
de significativo apreço, taes como um 
convite para ir á Allemanha travar rela- 
ções pessoaes com um dos magnatas da 
especialidade. E annos depois, já no Bra- 
sil, ainda lhe chegava ás mãos, com ex- 
pressiva dedicatoria, a obra de um auc- 
tor russo em que apenas se percebia o 
nome do nosso patricio, frequentemente 
citado por entre as rebarbativas expres- 
sões da lingua de TOLSTOI. 

Esse episodio é uma especie de mi- 
niatura intellectual do homem. Ahi se 
acha confirmado o conceito, de A. BAIN, 
uma das grandes auctoridades da scien- 
tia scientiamm, quando este diz que 
< nada se deve affirmar sem a garantia 
da experiencia >. Ahi se pode acompa- 
nhar o desdobramento lógico de um es- 
pirito, desde a analyse rigorosa, o ra- 
ciocinio irrefragavel, até a volição deci- 
dida do scientista capaz de enfeixar na 
clareza de uma synthèse perfeita as con- 
clusões indestructiveis que a sagacidade 
do experimentador soube desentranhar 
de mn assumpto até então trevoso. (*) 



Outra faculdade muito apreciável era 
a attenção. 

Ninguém ignora que é esse um dos 
esforços intellectuaes mais fatigantes. 
Citam-se como dignos de nota e apon- 
tam-se como peculiares ás poderosas ce- 
rebrações alguns exemplos de indivi- 
duos com capacidade para se concenti'a- 
rem n'um só assumpto, por muito tem- 
po, ininterruptamente. O próprio AU- 
GUSTO COMTE refere que, após 24 ho- 



(*)— Etudes sur la recherclie des l'empohonnemenf 
par le gaz d'éclairage— knnaXts d'Hygiène publique et 
Medicine legale-1398. 



48 



ras de meditação continua, concebeu «a 
systematização total da philosophia po- 
sitiva ». 

Pois quem quer que tenha convivido 
com OSWALDO sabe de quanto era ca- 
paz a sua atlenção. 

N'iuna celebre reunião de delegados 
de saúde, prolongada até ao raiar do 
dia, fora Elle o mais resistente, não 
perdendo um só dos pontos capitães 
do regulamento sanitario (o famigerado 
código de torturas) que então se discu- 
tiu e se ultimou. 

Nas primeiras sessões de resvunos 
de revistas, quando ainda o pessoal não 
tinha a pratica de condensar em poucas 
palavras o resultado das suas leituras, 
os relatórios arrastavam-se lentamente 
até tarde da noite, ás vezes até ás 4 
horas da madrugada (tendo começado ás 
8 da noite) com indizivel sacrificio por 
parte dos moços, que só á custa de 
muito café mal se mantinham acorda- 
dos, mas quasi todos desatientos. En- 
tretanto, no Mestre o grau de attenção 
permanecia o mesmo, sendo por isso o 
único a quem não escapava nenhum dos 
artigos resumidos, nem mesmo quan- 
do o assumpto e o relator se caracte- 
risassem por uma inaturavel displi- 
cencia. 

Por conseguinte, si devemos acom- 
panhar o eminente psychologo cuja obra 
nos tem orientado n'esta imperfeita dis- 
secção espiritual; si attribuirmos á at- 
tenção um papel preponderante nos 
actos volitivos, temos que essa invejá- 
vel faculdade, em OSWALDO, represen- 
tava um dos pontos de apoio de sua von- 
tade forte, que é a virtude por excellen- 
cia dos grandes caracteres, dos vence- 
dores da vida. 

Effectivamente, o Mestre parece ha- 
ver nascido para mandar e commandar. 
Tivesse vindo ao mundo n'aquelles tem- 
pos heroicos, em que a vida se limitava 
a preoccupações guerreiras, teria sido 
general e dos mais celebres nos fastos 



da historia. Como, porém, lhe pulsava 
um coração feito de nobres e generosos 
sentimentos, ao surgir na Patria armado 
cavalleiro do bem, declarou guerra de 
morte á Morte, subjugando-a e vencen- 
do-a em combates singulares, adextr an- 
do os lidadores que deviam succedel-o 
na arena das luctas, tornando-se, emfim, 
o maior bemfeitor do Brasil, no sentido 
realmente philantropico do vocábulo. 

E si ha um fluido mysterioso que 
promana da vontade dos fortes e se 
communica a todos os que o cercam, 
sem duvida Elle o teve no mais alto 
grau, dislinguindo-se dos seus semelhan- 
tes por esse condão talvez inexplicável 
que se chama força moral, prestigio 
etc. 

Sem o amparo de nenhuma corren- 
te partidaria, sem o dom da palavra im- 
provisada, sem a catadura ameaçadora 
dos farrabrazes, sem a petulancia dos 
mandões, aquelle homem esquivo, sobrio, 
delicado, era vun poder entre os pode- 
res da nação. Sentado á sua meza de 
trabalho, cabisbaixo, ora com o lapis a 
garatujar bonecos, ora com os dedos 
a espalhar em forma de leque os fios 
do bigode, exercia uma auctoridade su- 
perior á de muitos ministros e potenta- 
dos, ante a qual se curvavam graúdos 
funccionarios protegidos, políticos pode- 
rosos, et caterva. 

O Senador PINHEIRO MACHADO, 
sempre tão cioso da sua magestade re- 
publicana, ao ouvir uma vez a lenga- 
lenga de um correligionario que se jul- 
gava of fendido por luna das negativas 
moralizadoras do Mestre e contra este 
reclamava represalias e picuinhas por par- 
te do Congresso Nacional, o temeroso 
general gaucho teve uma phrase bas- 
tante significativa: 

— N'essas questões do OSWALDO 
eu não me metto. 

Assim, vivia Elle intransigente onde 
tudo são injuneções e transigencias. Por 
isso mesmo o respeitavam como um 



49 



ente excepcional e intangível. Seus ini- 
migos, na maioria, o eram por traz das 
cortinas: em sua presença, todos melli- 
fluos e cheios de zúmbalas; pelas costas, 
heroes da maledicencia e da hypocrisia. 



Como complemento da força de von- 
tade ha ainda a assignalar o poder de 
inhibição, essa virtude tão cara aosbri- 
tannicos e tão apreciável na alma latina 
do marechal JOFFRE. 

Entre os attributos espirituaes do 
Mestre, o dominio de si mesmo não 
era dos maiores. 

Citemos apenas um facto que pude- 
mos observar com nitidez. 

No Maranhão, quando se despedia 
do mundo official, dos collegas e admi- 
radores que foram leval-o a bordo, en- 
tregaram-lhe á ultima hora um telegram- 
ma urgente em que se narrava com 
cores pessimistas o incendio do almoxa- 
rifado da Prophylaxia da Febre amarella, 
a dependencia mais importante da re- 
partição sanitaria do paiz. Terminada a 
leitura, guardou o despacho e, voltan- 
do-se para o governador do Estado e 
outros circumstantes, retomou o fio da 
palestra como si nada houvesse occorri- 
do. 

E d'esse modo todas as formidáveis 
tormentas da sua vida eram dominadas 
por um forte apparelho contensor. As 
hediondas cartas anonymas, em tal nu- 
mero que já não sabia como occultar 
aos olhos apprehensivos da familia; as 
reiteradas ameaças de morte, com que 
em nome do « amor por principio, a 
ordem por base e o progresso por fim », 
procuravam acovardal-o alguns arautos 
da revolta contra a lei da vaccina obri- 
gatória; em summa, todas as luctas mo- 
Vaes em que se achou envolvido para 
a defeza dos seus objectivos humani 
tarios e patrióticos, tudo isso raramente 
passava além da orbita da sua cons 
ciencia 



Haveria ainda muito a estudar n'es- 
se riquíssimo escrínio. Mas faltam-nos 
tempo e competencia. Competencia, 
sobretudo, porque já não é pequena a 
ousadia do leigo que, embora a medo, 
intenta analysar uma das mais opulen- 
tas organizações mentaes que ainda per- 
luslrou o scenario da vida publica no 
Brasil. 

Vamos, portanto, terminar este li- 
geiro ensaio psychoíogico. Não o fare- 
mos, coratudo, sem uma rápida menção 
aó predicado mais bello, mais nobre, 
mais alto de todos aquelles que exorna- 
vam a alma do Mestre. 

Referimo-nos ao ideal, centelha divi- 
na que eleva alguns homens acima do 
nivel commum da humanidade. Porque 
foi esse raio de luz eterna que lhe illu- 
minou a rota gloriosa por onde o seu 
espirito de eleito passou luctando e ven- 
cendo 

XXV— Um sonho níío reaHsado. 

Era amicíssimo das crianças. Como 
Christo, amava todos os pequeninos, quer 
fossem bellos, feios, pobres, ricos, ou 
doentes. Ninguém como Elle sabia en- 
treter lun recem-nascido ou conversar 
com os pirralhos de 3 annos para cima, 
contando-lhes historia, que as sabia ade- 
quadas á idade de cada um. 

Paraphraseando aquelle celebre mi- 
santhropo, que quanto mais conhecia 
o homem mais gostava dos cães. Elle po- 
deria dizer que quanto mais desvendava 
a alma humana mais adorava as crian- 
cinhas. 

Agora imagine-se que thezouros de 
affectos lhe transbordavam do coração 
paterno. . . 

Foi, portanto, com especial conten- 
tamento que uma vez em Bello Hori- 
zonte, recebeu um convite ptra visitar 
uma casa de instrucção primaria. 



50 



Levaram-n'o a um dos grupos esco- 
lares mais frequeiilados d'aquclla época. 
Percorreu-o, examinando tudo attenta- 
mente. Deteve-se os momentos da prag- 
mática em cada classe; ouviu com alegria 
os cánticos infantis; mas não se mostrou 
satisfeito com as formalidades do pro- 
tocollo mais ou menos adoptado em 
taes casos. Quiz assistir a mna aula que 
Elle mesmo indicou: do 1° anno. Sentou- 
se ao lado da professora e deixou-se ficar 
cm silencio todo o tempo, vendo e ou- 
vindo com religiosa attenção. 

Quem o deparasse em tal attitude 
poderia dizer que o sabio se havia trans- 
portado espiritualmente para uma grande 
capital europea onde se deliciava com 
uma conferencia de desusado valor scien- 
tifico. 

No emtanlo, era luna das primeiras 
lições do chamado « methodo da pala- 
vração >, que se ia iniciando cheio de 
preconicios nos nossos centros didác- 
ticos. OSWALDO procurou informar-se 
a respeito d'esses assumptos, Elle que 
vinha ainda da soletração, ou quando 
muito, da syllabação. Finalmente, diri- 
giu palavras de agradecimento e para- 
béns á professora, af firmando que nun- 
ca lhe fora dado observar nada mais edi- 
ficante do que aquella sessão de esculp- 
tura intellectual, em que a mestra, qual 
artista incomparável, ia transformando 
e embellecendo, a um só tempo, algumas 
dezenas de almas embryonarias. 

E ao tornar á casa, n'um passeio 
pelo parque municipal, ora pensativo, 
ora a indagar da percentagem de anal- 
phabetos, ora a aventar outras questões 
concernentes ao magno problema nacio- 
nal, infelizmente ainda não resolvido, 
o grande politico (na exacta e nobre 
accepção da palavra) sustendo o passo, 
de olhos fitos nas serranias do horizonte, 
já então esmaecido em lindos e indis- 
criptiveis tons violáceos deixou fugir 
vima idéa que lhe aflorou sorrindo aos 
labios: 



— Ahi está um serviço que eu seria 
capaz de prestar ao Brasil. 

XXVI— As duas ultimas glorificações. 

ALPHONSE DAUDET tem um conto 
lindamente suggestivo: tLa legende de 
l'homme à la cervelle dor.* 

Trata-se de um joven que nascera 
com a cabeça de ouro e, quando vem a 
descobrir que é senhor de tal riqueza, 
sahe pelo mundo a esbanjal-a. 

Um dia casa-se com uma creaturi- 
nha adorável e exigente, a quem libera- 
liza conforto e luxo principescos até que 
se exgota a curiosa mina. Entretanto, 
morre-lhe a imulher, e o infeliz mancebo, 
no auge de uma paixão delirante, sup- 
pondo ainda servir aos caprichos de 
sua amada, dilacera com as unhas o 
cráneo carcomido e, semi-morto, arran- 
ca as ultimas esquirolas douradas, cheias 
de sangue. . . 

Fora do mundo da fantasia, não 
haverá homens assim? 



Desde longa data o Mestre soffria 
de uma nephrite chronica. Mas só Elle 
conhecia o seu estado, que tratava de 
occultar cuidadosamente a todos, mor- 
mente a familia. 

Assim, aquelle organismo desfalca- 
do de forças physicas tinha sobre si 
responsabilidades tremendas, que sus- 
tentava impavidamente, como si fora o 
individuo mais robusto que houvesse so- 
bre a Terra. 

De repente, porém, n'uma noite de 
Novembro de 1908, sobre veiu-lhe uma 
crise agudíssima que revelou aos olhos 
dos medicos amigos — Drs. SALLES 
GUERRA e CARLOS CHAGAS — o verda- 
deiro grau de adiantamento da molestia. 
Foi lun ataque de uremia. 

Cedendo então aos rogos de tantas 
possoas queridas, consentiu em adoptar 
o regime dietético adequado, que, comei 
é sabido, consiste em supprimir total- 



51 



mente o sal dos alimentos. Urna vez 
resolvido a esse secrificio, acceitou-o 
com a sua habitual força de vontade, 
adaptando-se sem relutância ás intra- 
gáveis comidas insulsas. Note-se, com- 
tudo, que para isso devia ter concorrido 
a sua natural frugalidade, pois n'esse 
particulai* só lhe conhecêramos uma pre- 
dilecção: pelos doces. Por bem dizer, 
era o assucar, que o alimentava. As 
refeições, comia multo pouco; mas che- 
gando á sobremeza, acceitava todas as 
veriedades de doces que lhe offereciam. 
E até na sua meza de trabalho, por en- 
tre livros, papeis e os inseparáveis va- 
sos de flores escolhidas, encontrava-se 
também uma artística bonbonière, oude 
nunca faltavam confeitos exquisitos que 
o original gourmet ia saboreando em- 
quanto meditava as suas obras gloriosas. 



Depois da mencionada crise, equili- 
brou-se-lhe relativamente a saúde, de 
sorte que ainda lhe foi possivel a con- 
clusão de varios emprehendimentos de 
valor, taes como a campanha anti- 
amarillica do Pará, a representação bra- 
sileira no Congresso da Hygiene de Dres- 
de, a installação definitiva do Instituto 
Oswaldo Cruz, fundando a sua escola 
scientifica de modo definitivo — moral, 
intellectual e materialmente. 

Mas não foi longo o período de 
treguas concedido pelo mal. 

Em principios de Agosto de 1906 
sobreveiu-lhe um edema pulmonar. E 
nimca mais se restabeleceu o equilibrio 
n'aqpielle organismo talado pela doença 
c consummido pelo trabalho. Emmagre- 
ceu, a tez tornou-se-lhe engelhada, côr 
de cera; angustiava-o uma dyspnea fre- 
quente; o coração sempre a baquear; 
o brilho dos olhos a pouco e pouco de- 
sapparecendo; emfim, aquella complei- 
ção apparentemente vigorosa entrou a 
decahir, desfigurando-o a ponto de não 
parecer o mesmo homem. 



Sem embargo do grave estado de 
cachexia cardiorenal, o grande perdulá- 
rios, á maneira do moço à Ia cervelle dor ^ 
no seu extremado amor á Patria, acceita 
ainda o convite do governo flimiinense 
para assumir a direcção da Prefeitura 
de Petrópolis. 

Por um milagre de energia moral, 
o que lhe falta em vigor physico é 
sobejamente compensado pela fortaleza 
de espirito. Immediatamente, toma como 
secretario o Dr. J. PEDROSO, seu antigo 
companheiro na Saúde Publica; delinea 
e inicia em parte um plano de remode- 
lação e embellezamento da pitoresca ci- 
dade; estabelece normas de economia e 
moralidade administrativas, expungindo 
a praga da politicagem, actuando com 
a mesma clarividencia, o mesmo animo 
do luctador de outros tempos. 

Tanto basta que para certos elemen- 
tos de um partido local, particularmen- 
vulnerado por taes medidas, desenvolva 
contra o Prefeito a mais deshumana das 
campanhas opposicionistas que jamais 
se poude conceber. Para isso, mercê da 
chamada liberdade de imprensa, que des- 
graçadamente prospera á sombra das 
nossas leis, o referido grupinlio monta 
um jornaleco e todos os dias se deleita 
a conspurcar os louros de mn sabio 
benemérito. 

A despeito de tudo, o administrador 
caminha desassombradamente e idéalisa 
lun programma que por nossa desdita 
desappareceu com a mente que o archi- 
tecta, mas que deveria ser uma especie 
de código municipal, um perfeito para- 
digma para todas as edilidades nacio- 
naes e até extrangeiras. 

Infelizmente o morbus ia em fatal 
progressão que Elle cada vez mais dissi- 
mulava no seio da familia, procurando 
sempre poupar-lhe os soffrimentos mo- 
raes que lhe causaria o seu irremediável 
padecer. 

Mas um dia, ao limpar os óculos 
desgraciosos que passara a usar e que 



52 



tanto lhe desfiguravam o bello semblan- 
te varonil, disse a CARLOS CHAGAS, 
n'um minuto de excepcional e dolorosa 
confidencia: 

— Está ludo perdido. Agora é o des- 
collamento da retina. . . 

Sem que ninguém soubesse, o Mes- 
tre estava cego de \im dos olhos! E para 
subtrahir mais essa dôr aos seus, conse- 
guiu occultar-lhes o triste facto até ao 
fim, com imia cautela e uma serenidade 
nunca vista. 

No emtanto, a morte approximava-se 
com todo o seu cortejo de torturas, das 
quaes as que o martyrisavam mais cru- 
elmente eram os longos accessos, de 
soluços, que o prostravam insomne e 
exhausto. Entrementes, a cachexia accen- 
tuava-se. A respiração e o pulso perdiam 
completam.ente o compasso. Por fim, o 
gigante tomba no leito para não mais se 
erguer. Não obstante, ainda lhe restam 
as derradeiras energias para cumprir os 
deveres do seu cargo, e lá lhe vae ter ás 
mãos, todos os dias, o expediente que 
Elle assigna graças a um esforço que a 
qualquer outro seria impossiveí. 

Mas como tudo tem um limite, e o 
af fecto sempre foi uma das poucas ar- 
mas efficazes contra aquelle espirito In- 
transigente^ conseguem os infatigáveis 
medicos que o doente passe o exercício 
ao substituto legal. 



Acabam de soar as noves badaladas 
no convento dos Franciscanos. 

N'um tranquillo recanto da rua 
Montecaseros, com frente para a collina 
onde se acha o cemitério, demora ura 
solar antigo situado n'um jardim florido 
de hortencias. Um lustre encarnado, ao 
alto da vai-anda cingida de trepadeiras 
rubras, illumina suavemente as escada- 
rias. No salão de visitas, também ver- 
melho, tudo é silencio e escuriddão. Na 
sala de jantar algmnas pessoas cabis- 
baixas falam á surdina, pisando na pon- 



ta dos pés. Ao lado, n'um quarto, á luz 
mortiça de um abat-jour, jaz extendido 
ao leito o vulto offegante de um homem. 
Subito, ao longe reboa um alarido 
confuso. O doente entreabre os olhos, 
ergue a cabeça como quem procura dis- 
tinguir melhor a algazarra. O cansaço, 
porém, fal-o tornar á primitiva posição. 
Mas, a atoarda recomeça mais forte, 
chegando distinctamente ao aposento, 
apezar dos esforços da familia, que corre 
a fechar todas as portas e janellas, com 
o intuito de sustar aquella invasão de 
sons estridentes e desordenados. O en- 
fermo, todavia, mais uma vez alça a 
fronte, aguça o ouvido e indaga: 

— Que barulho é esse? 

E logo um coração amigo Informa- 
Ihe sorrindo: 

— É o carnaval : um cordão que passa 
a tocar o Zé-pereira. 

O Mestre retruca apenai com um 
ar de incredulidade. 

N'esse mesmo momento, sobe n'um 
crescendo a extranha musica de panca- 
daria. Escutam-se perfeitamente gros- 
seiros eslridulos que repercutem com 
vehemencia. O doente reprime a custo a 
dyspnea e, n'um olhar em que revive por 
instantes a chamma de outr'ora, diz aos 
circumslantes : 

--É uma manifestação... 

Era-o, de facto; mas as latas de 
kerozene e gritos da ralé, que n'um 
offertorio de gentilezas proprias de. hye- 
nas excitadas vinha trazer ao ex-Prefeito 
o testemunho do seu regosijo pela pro- 
vável restituição do governo municipal a 
camarilha que o explorava. Era a politica 
de campanario em toda a sua hediondez 
macabra, n'mn esganiçar de abutre im- 
paciente. Era o tropel dos estercorarios 
que avançavam pressurosos com o adu- 
bo moral para a vivificação da Arvore 
da Immortalidade que em breve havia 
de emergir da sepultura de um heroe. 

Dias depois, n'aquelle mesmo silen- 



53 



cio triste da rua Montecaseros, ouvem-se 
as nove badaladas nocturnas do conven- 
to dos Franciscanos. 

Na ante-sala, conchegados como um 
grupo de aves tímidas ao presentir imia 
tormenta, estão SALLES GUERRA, CHA- 
GAS, PEDROSO, BELISARIO PENNA e 
membros da familia. Conversam sobre a 
crueldade da agonia que se estira n'um 
longo estado comatoso; rememoram-se 
beneficios recebidos d'aquelle discreto co- 
ração; recapitulam-se todos os valores 
da vida prestes a extinguir-se; lamenta- 
se a grande desgraça que vae abater o 
Brasil. E como que a resumir todos os 
conceitos, n'uma concisão admirável, sa- 
lientava-se xmia phrase commovida de 
SALLES GUERRA: 

— Foi o homem mais perfeito que 
até hoje tenho conhecido. 

Era a voz da Posteridade que se 
antecipava na sua real e nobre glorifica- 
ção. 

Dez minutos depois expirava OS- 
WALDO CRUZ. 

XXVII— Um pouco de genealogia. 

Não sendo commum, entre nós bra- 
sileiros, o uso dos archivos de familia, 
não nos foi possível investigar com- 
pletamente, por falta de tempo, a forma- 
ção do grande tronco genealógico de 
onde proveiu OSWALDO CRUZ. O pou- 
co, que conseguimos, devemos á obsequio- 
sidade de varias pessoas da mesma familia 
c aos esforços do Sr. WALDEMIRODE 
ANDRADE, thezoureiro do Instituto, con- 
terrâneo do Mestre, a cuja memoria vota 
acendrado culto de gratidão. — 



Só nos foi possível chegar até aos 
Avós, que pelo lado paterno são: o Sr. 
BENTO GONÇALVES CRUZ, negocian- 
te de fazendas, á rua do Senado, no Rio 



de .laneiro, e D. (*) GUILHERMINA RI- 
BEIRO FEIJÓ. 

Eram relativamente abastados, para 
aquelle tempo, pois tendo ambos falle- 
cido jovens deixaram cerca de 80 contos 
aos seus únicos filhos: BENTO: (Pae 
de OSWALDO) e Emilia, que ficaram 
orphãos em tenra idade. Esta mais tarde 
casou-se e foi morar na província, onde 
morreu logo após, sem deixar descen- 
dencia. 

Os dois menores foram creados pe- 
lo tio materno, Sr. JOSÉ PINTO DE 
MAGALHÃES, também negociante de fa- 
zendas, á mesma rua, e sua Esposa D. 
GERTRUDES MARIA GOMES DE MA- 
GALHÃES, os quaes não tinham filhos. 
Infelizmente, o tutor não teve sorte no 
commercio, perdendo não só os seus 
haveres como a propria fortuna dos tu- 
telados. Entretanto, na consideração que 
o Dr. B. CRUZ dispensava aos seus 
Paes adoptivos, chegando a convidal-os 
para padrinhos do seu primogénito; no 
carinho que o Mestre e todos os seus 
prodigalizavam á Viuva MAGALHÃES es- 
tá a melhor prova de que a bôa senhora 
soube ser um modelo de segunda Mãe. 

Comtudo, não foi sorridente a vida 
dos dous irmãosinhos. A orphandade e 
a pobreza se ajuntaram para tornal-a 
amargurada, especialmente a do Dr. 
BENTO, que tinha a vencer obstáculos 
innumeraveis para attingir á posição que 
conquitou, mercê dos seus exclusivos es- 
forços. 

O Dr. BENTO GONÇALVES CRUZ 
nasceu na cidade do Rio de Janeiro, á 
rua do Senado, aos 30 de Janeiro de 
1845. Ainda estudante de medicina, of- 



(*) — Foi esse o nome que encontramos na certidão 
de casamento do Dr. BENTO GONÇALVES CRUZ. 
Mas este, na sua these inaugural, dá differentemente r> 
nome sua Mãe : D. GUILHERMINA PINTO GONÇAL- 
VES CRUZ. É quasi certo que a verdade esteja deste 
lado, não só parque merece toda fé a palavra do Dr. 
B. CRUZ, como também porque se chamav» JOSÉ 
PINTO DE MAGALHÃES o irmão da mesma senhora. 



54 



fereccu seus serviços á Patria, por occa- 
sião da guerra contra o tyran- 
no LOPES. Acceitou-os S. M. o 
Imperador, nomeando-o «alumno pensio- 
íiisla do Exercito em operações contra 
<i governo do Paraguay » e designando- 
Ihe dia de erabaríjuc. A hora da partida, 
porém, lá nao appareceu o moço volun- 
tario, o que muito contristou os seus 
rollegas OSCAU I3ULI10ES e FURQUIM 
WEPNIXK, que laml)em lionraram o 
nome brasileiro. Convencidos de que o 
«eu companheiro faltara ao cumprimento 
<\o dever, os ditos estudantes permane- 
<!iam quedos ao p6 da amurada, quando 
de subito divisaram ao longe um escaler 
a todo o panno, cora um passageiro a 
fazer angustiosos signaes para bordo, 
.assestados os binóculos, reconheceram 
o seu condis(;ipulo faltoso. Immediala- 
mente procuraiam o commandante, pu- 
/.eram-n'o ao par da oceurencia, e den- 
tro em pouco o retardatario chegava 
ao pórtalo subindo por uma escada de 
cordas. Soube se entilo que o joven offi- 
«ial do corpo de saúde custara a vencer 
as derradeiras resistencias da familia, 
que elle nüo (¡uiz deixar sem tranquilli- 
üar affectuosamente. 

Depois foi BENTO CRUZ, ainda es- 
tudante, transferido para a "Marinha de 
guerra, no posto de « 2" cirurgião con- 
tractado da Armada Imperial », rece- 
bendo por fim uma condecoração pelos 
relevantes serviços prestados: a meda- 
lha da campanha do Paraguay. 

Aos 30 de Novembro de 1870 susten- 
tou these perante a Faculdade de Medi- 
cina, tendo dissertado sobre « Diagnos- 
tico differencial das molestias do cora- 
ção », com proposições sobre « topogra- 
pliia e climatologia da cidade do Rio 
de Janeiro (cadeira de hygiene) », so- 
l)re i urethrotomia (cadeira de opera- 
vOes) » e « estudo cliimico das aguas 
potáveis (cadeira de chimica mineral) ». 
Entre as diversas dedicatorias se conta- 
vam uma especial ao Prof. TORRES 



I HOMEM, de quem fora discípulo e amigo». 
Terminado o curso, após tantos e 
tão différentes trabalhos e luctas, pensou 
1 o Dr. CRUZ em iniciar a clinica no in- 
j terior de uma das províncias próximas 
! da Corte. Sabedor d'isso, o seu amigo e 
collega Dr. CANDIDO JOSÉ RODRIGUES 
DE ANDRADE convidou-o para irem 
juntos a S. Luiz do Parahy tinga, onde 
exercia as funcções de juiz municipal 
o seu irmão Dr. JOÃO CANDIDO RO- 
GUES DE ANDRADE, austero magis- 
trado e magnânimo cidadão, em cuja 
casa se hospedaram. Após 3 mezes de 
experiencia, voltou o novel clinico ao 
Rio, onde se casou com sua prima-irmã 
D. AMALIA TABORDA DE BULHÕES, 
aos 7 de Outubro de 1871, na matriz de 
S. Antonio. 

Sua Esposa era filha legitima dos 
professores públicos, Sr. PEDRO COR- 
REA TABORDA DE BULHÕES e D. ZE- 
FERINA JOSEPHA PINTO DE BU- 
LHÕES, ambos residentes em Petrópolis, 
onde nascera D. AMALIA, aos 13 de No- 
vembro de 1851. Realizado o casamento, 
inslallou-se o casal em S. Luiz, reco- 
meçando o Dr. CRUZ a sua vida afano- 
sa, já agora edulcorada pela presença 
de um anjo domestico, pois D. AMALIA 
foi verdadeiramente prototypo da he- 
roina do lar e da companheira amantís- 
sima. 

D'esse feliz consorcio, nasceram, 
ainda em S. Luiz: OSWALDO, aos 5 de 
Agosto de 1872; EUGENIA, fallecida em 
tenra idade; AMALIA, que mais tarde 
veiu a se casar com o Dr. JOAQUIM 
CANDIDO DE ANDRADE, eximio gyne- 
cologista, amigo inseparável de OSWAL- 
DO e já fallecido. Depois, no Rio de 
Janeiro, vieram á luz: ALICE, hoje viuva 
do Sr. SAMUEL FERREIRA DOS SAN- 
TOS, distincto chefe da contabilidade 
da Prefeitura; NOEMI, casada com • 
grande pintor J. BAPTISTA DA COSTA, 
director da Escola Nacional de Bellas 
Artes; HORTENCIA, já fallecida, que 



55 



loi esposa do honrado negociante Sr. 
FRANCISCO RUSSO. Todas as irmãs do 
Mestre teem descendencia. 



Do povoado do Parahytinga, que 
desde o tempo dos bandeirantes se fun- 
dara á margem esquerda do rio do mes- 
mo nome, originou-se a cidade de S. 
Luiz do Parahytinga, elevada á cate- 
goria de sede de municipio por ordem re- 
gia de 31 de Março de 1773. Suas terras 
confinam com as dos municipios de 
Taubaté, Lagoinha, Cunha, Parahytinga, 
Natividade e Ubatuha. Dotada de clima 
delicioso, produz café, fumo, algodão, 
eanna de assucar, mandioca, feijão, etc. 
Nas suas mattas se encontram excellen- 
tes madeiras de construcção e muitas 
plantas medicinaes, aromáticas, etc. A 
população do municipio era, até 1916, 
calculada em 17.800 habitantes, segun- 
do o almanack de LAEMMERT, de onde 
tiramos esses dados. 

O predio onde nasceu o Mestre fica 
na parte alta da cidade, na rua que tem 
o nome de OSWALDO CRUZ. Ê uma 
construcção terrea bem antiga, sem es- 
tylo nem gosto, como a maioria das 
moradas que os portuguezes edificavam 
nos tempos coloniaes. 

S. Luiz apresenta o mesmo aspecto 
somnolento das cidades antigas do in- 
terior do Brasil: todas as casas com lun 
feitio mais ou menos uniforme, caiadi- 
nhas de branco, cobertas por velhas 
e ennegrecidas telhas, romanas, sem pla- 
tibandas, com janellas pesadas do typo 
« guilhotina », sempre ermas e tristo- 
nhas, no remanso de uma paz silenciosa. 

Não conhecemos, infelizmente, a ci- 
dadezinha onde nasceu OSWALDO. Mas 
tudo nos leva a crer que ella tem o 
mesmo encanto suave, languido e poé- 
tico das outras pobresinhas, suas irmãs 
nossas conhecidas, que procuram en- 
cender a decadencia do presente nas 
saudades das giandezas perdidas do pas- 



sado. N'um estylo inconfundivelmente 
primoroso, já MONTEIRO LOBATO as 
pintou todas— as queridas < cidades mor- 
tas »— sem se esquecer de as malferir 
com a sarça-ardente da sua ironia scin- 
tillante. Tudo também nos leva a crer 
que a celebrada « onda verde » por ahi 
passou, talvez, ha bastante annos, le- 
gando ao municipio as ásperas terras 
resequidas, e ao villarejo alguns sobra- 
dos vasios, para acampar mais ao sul, 
sempre na faina da sua opulencia transi- 
toria e destruidora. 

Sim, o Mestre, como o Nazareno, 
nasceu humilde para esparzir pelo mun- 
do as munificencias do seu espirito. E 
é justamente por isso que os seus fieis 
amigos e discípulos vão agora levar á 
soledade do seu torrão natal aquelle 
mesmo carinho que os bons filhos tri- 
butam ás mãesinhas velhas e pobres, res- 
taurando-lhes as forças ao calor do con- 
forto moral que ás vezes opera milagres 
imprevistos. 



Em S. Luiz morou o Dr. CRUZ até 
1877, anno em que se transferiu para o 
Rio, tendo ido clinicar no bairro do 
Jardim Botânico. 

Aos 26 de Janeiro de 1886 foi no- 
meado, por D. PEDRO II, Membro da 
Junta Central de Hygiene Publica; aos 
5 de Fevereiro de 1890 o governo pro- 
visorio nomeou-o para o lugar de Aju- 
dante do Inspetor Geral de Hygiene; 
emfim, aos 12 de Janeiro de 1892, foi 
promovido a Inspetor Geral, (*) cargc 
em que falleceu, no dia 8 de Novembro 
do mesmo anno. 

Para dar imia idéa da sua persona- 
lidade, transcrevemos alguns trechos do» 
necrológio publicado por um dos jor- 
naes da época ( t O Figaro » ) : 



(•)— Esse cargo correspondia ao de Director geral 
de Saúde Publica. E essa coincidencia era muito grata 
ao coração do Mestre. 



56 



« Enlutou-se hontem a sociedade flu- 
minense com o fallecimento do caritati- 
vo e venerando medico que ultimamente 
presidia a repartição de Hygiene Pu- 
blica. 

Não foi essa uma perda vulgar pa- 
ra a sciencia e para a sociedade. 

O Dr. CRUZ, á custa dos esforços 
próprios e devido ao teu valor individual, 
conseguiu a ultima posição que occupa- 
va. No pouco tempo que geriu a Inspec- 
íoria de Hygiene captivou em torno de 
si a sympathia geral de quantos se cer- 
caram de sua pessoa e iam ao seu gabi- 
nete buscar ordens e conselhos. 

Dotado de um coração bondoso em 
extremo, de uma affabilidade natural em 
todos os seu» actos e palavras, peccan- 
do antes por nimia complacencia que 
por natiu*al rigor, o Dr. BENTO GON- 
ÇALVES CRUZ recebia com especial ca- 
rinho "OS moços, animando-os a prose- 
guir, si estudavam e cumpriam seus de- 
A^eres; incitando-os, si descuravam um 
pouco de suas obrigações. 

Era para elle um prazer ineffavel 
conversar alguns minutos com os me- 
dicos da nova geração. A sua organisa- 
ção gasta e depauperada pela lucta da 
vida encerrava entretanto uma alma jo- 
ven. 

Palpitava-lhe o coração, illiuninava- 
. se-lhe brilhantemente o olhar, quando 
se deixava arrebatar na descripçuo das 
modernas descobertas scientificas. As 
suas cans respeitáveis não o inhibiam 
íle estudar sempre e acompanhar o pro- 
gresso moderno com verdadeiro enthu- 
siasmo. 

Tal era o homem a quem OS WAL- 
DO deveu o ser. 

Parece-nos, portanto, que esse va- 
rão de raro valor não foi devidamente 
comprehendido pelos seus contemporâ- 
neos. Mas, em parte, isso se explica 
pela modestia, que lhe era incorrigível; 
em parte, pela incessante lucta que teve 
de sustentar contra a adversidade, desde 



que na infância se viu orphão de pae e 
mãe. 

E tantos esforços, tantos trabalhos, 
tantas privações para chegar á meta dos 
seus sonhos, no mesmo anno em que 
devia morrer. (*) 

Agora, sim, podemos comprehender 
integralmente um trecho tão delicada 
quão suggestive de mna carta intima 
da primogénita do Mestre: 

« Quando eramos muito creanças, 
BENTO e eu, pedíamos a Papae para 
nos contar historias tristes, e era sempre 
um episodio da vida de Vovô que Elle noa 
contava ». 

OSWALDO aprendeu as primeiras 
letras com sua Mãe, e aos 5 annos já 
lia correntemente; depois estudou no 
Collegio LAURE e em seguida matricu- 
lou-se no Collegio S. PEDRO DE AL- 
CANTARA, onde teve por professores 
ZEFERINO CANDIDO, JOÃO CHAVES© 
outros. Fez todos os preparatorios, par- 
celladamente, no Externato D. PEDRO 
II, e venceu o curso medico em 4 annos, 
collando grau aos 24 de Dezembro de 
1892, no mesmo anno da morte de sea 
Pae. 

Aos 5 de Janeiro de 1893 casou-se 
com D. EMILIA DA FONSECA, filha do 
fallecido Commendador MANOEL JOSÉ 
DA FONSECA e D. ELISA DA CUNHA 
FONSECA, que lhe sobrevive. 

Privado de lun Pae como ha poucos, 
OSWALDO teve cm compensação a bon- 
dade generosa dos Sogros, que lhe facili- 
taram os estudos na Europa e o inicio 
da carreira profissional, já não falando 
no grande affecto que sempre lhe pro- 
digalizaram e a que Elle sabia tão no- 
bremente corresponder. 

Do seu consorcio o Mestre houve 6 
filhos: ELISA, casada com o Dr. JOA- 
QUIM VIDAL LEITE RIBEIRO, medico; 
Dr. BENTO OSWALDO CRUZ, medico 



^)— Sua Esposa falleceu aos 16 de Dezembro de 
1921, isto é, 29 annos depois. 




Dr. Bento Gonçalves Cruz 




D. Amalia Taborda de Bulhões Cruz 




Berço que serviu ao Dr. Oswaldo Cruz. 



Dr. Oswaldo Cruz com um arino de idade. 



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Dr. Oswaldo Cruz com 12 annos de idade 



Dr. Oswaldo Cruz com 3 annos de idade. 





Dr. Oswaldo Cruz com 18 annos de idade. 



Dr. Oswaldo Cruz com 20 annos de idade. 





Dr. Oswaldo Cruz com 25 anuos de idade. Photographia tirada em 
Paris com o seu filho Bento. 



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Dr. Oswaldo Cruz com 29 annos de idade. 




Dr. Oswaldo Cruz com 44 annos de idade 



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Tumulo de Oswaldo Cruz. Cemitério S. João Baptista— Capital Federal. 



57 



e industrial; HERCILIA, nascida em Pa- 
ris, mas registada no Consulado Brasi- 
leiro; OS WALDO, 30 annista de medi- 
ana; ZAHRA, fallecida com cerca de 2 
annos de idade; WALTHER, estudante 
de preparatorios. 

Elle não teve a alegria de conhe- 
cer os netinlios: OSWALDO, filho do 
Dr. J. VIDAL, e HELOISA, do Dr. BEN- 
TO OSWALDO, que é casado com D. 
MARIA LUÍZA PROENÇA CRUZ. 

XXVI II— Ultimas vontades (*). 

« Desejo com sinceridade que se não 
cerque a minha morte dos atavios con- 
vencionaes com que a sociedade reves- 
tiu o acto da nossa retirada do scenario 
da vida. Pelo respeito que voto ao pen- 
sar alheio não quero capitular de ridi- 
culos esses actos : julgo-os para mim com- 
pletamente dispensáveis e espero que a 
Familia que tanto quero, se conforme 
com esses inoffensivos desejos que nas- 
ceram da maneira pela qual encaro a 
morle, phenomeno physiologic© natura- 
líssimo ao qual nada escapa. Tão geral, 
tão normal, tão banal é que julgo abso- 
lutamente dispensável de frisal-a com 
ceremonias especiaes. Por isso deseja- 
ria que se poupasse aos meus a scena 
da vestimenta do corpo que bem pode 
ser envolvido em simples lençol. Nada 
de convites ou communicações para en- 
terro, nem missa de sétimo dia. Nem 
luto tão pouco. Este traz-se no coração 
e não nas roupas. Peço encarecidamente 
aos meus que não prolonguem o natu- 
ral sentimento que trará minha morte. 
Que se divirtam, que passeiem, que aju- 
dem o Tempo na bemfazeja obra de 
fazer esquecer. Não ha vantagem algu- 



(V— Muito de proposito, ahí fica sem commentarios 
esse pequenino código de amor, honra e altruismo, dei- 
xado pelo Mestre em notas ainda informes, incompletas 
rabiscadas a lapis. Mesmo no original, cheios de traços 
incertos e nervosos, observa-se a emoção que n'essa hora 
suprema conseguiu senhorear aquelle espirito forte e 
superior, ao pensamos entes caríssimos. 



ma de amargurar com lagrimas prolon- 
gadas os tão cm-tos dias de nossa exis- 
tencia. Portanto, que não usem roupas 
negras que além de tudo são anti-hygie- 
nicas em nosso clima; que procurem 
diversões, thealros, festas, viagens, afim 
de que desfarçam essa pequena nuvem 
que veiu empanar a normalidade do 
viver de todos os dias. É preciso que 
nos conformemos com os dictâmes da 
natureza. 

A meus filhos peço que se não 
afastem do caminho da honra, do tra- 
balho e do dever, e que empunhem 
como fanal e o elevem bem alto o nome 
puro e honrado e immaculado que her- 
dei como o melhor patrimonio da Fa- 
milia, e que a elles lego como o maior 
bem que possuo. 

A minha Esposa querida, tão sensí- 
vel, tão hnpressionavel, tão difficilde 
se conformar com as dores da nossa 
vida, peço que não encare a minha mor- 
te como desgraça irreparável; peço que 
se console com rapidez e não deixe 
annuviado pela dor esse espirito vivaz, 
intelligente, espirituoso, que constituía a 
alegria do nosso lar e o lenitivo promp- 
to para os soffrimentos que por vezes 
deparávamos. Ahi ficam nossos filhos,, 
outros tantos rebentos em que vamos re- 
viver, garantias seguras da nossa immor- 
talídade— que se encarregarão de levar 
atravez do espaço e do tempo as por- 
ções de nosso corpo e de nosso espirito 
de que os fizemos depositarios, quan- 
do ao mundo vieram. 

Quanto aos bens de fortuna que 
deixo, espero que sejam divididos por 
minha Esposa entre os filhos. Espero e 
rogo que nunca a questão de bens mate- 
riaes venha trazer a menor discordia 
entre os meus: seria para mim a mais 
dolorosa das contingencias. Peço aos 
meus filhos que acatem sem discussão 
a divisão que d'elles fizer minha Es- 
posa ». 



Noticia histórica 

Sobre o preparo da vaccina anti-pestosa por OSWALDO CRUZ, 
no Instituto de Manguinhos 

pelo 
DR^. FIGUEIREDO DE VASCOIVCELLOS. 



Ha longo tempo tenho em mente es- 
crever capítulos referentes á historia de 
factos scientificos que se passaram no 
Instituto de Manguinhos. Mas, a oportu- 
nidade nunca se apresentava, e, locubra- 
ções outras faziam com que retardas- 
se este meu intento. Julgo agora, porem, 
asada a occasião. 

O Instituto Oswaldo Cruz vae publi- 
car um volume especial de suas € Memo- 
rias » para commemorar o centenario da 
Independencia de nossa Patria, collabo- 
rando n'elle todos os seus membros. 

Resolvi, portanto, trazer como con 
tigente este trabalho, no qual assignala- 
rei todos os factos e peripecias que se 
passaram durante o periodo em que OS- 
WALDO CRUZ preparou a vaccina an- 
li-pestosa, primeiro producto bacterioló- 
gico feito segundo todas as prescripções 
da technica, no Brazil. Data d'ahi, indis- 
cutivelmente, o inicio da bacteriologia 
scientifica na nossa Terra. E' verdade 



que, anteriormente, já outros se tinham 
occupado de tal assumpto, mas não pos- 
suíam a verdadeira technica bacterioló- 
gica, rigorosa como é, e, tanto assim que, 
antes desta data, a nossa sciencia não re- 
gistra um único trabalho de mérito real. 

Com a publicação que ora faço, 
o meu principal fito é tornar conhecidos 
os factos que se passaram no inicio do 
Instituto, e bem assim o esforço, a te- 
nacidade e a enorme força de vontade 
dispendidas por OSWALDO CRUZ, para 
a obtenção desse producto biológico, 
n'um meio como o nosso. 

A figura de OSWALDO CRUZ, infe- 
lizmente, vai-se apagando, segundo a lei 
natural do tempo, concorrendo porem, 
grandemente para isto o que se observa 
entre nós — o rápido esquecimento de 
todos e de tudo — mesmo d'aquelles que 
mais fizeram, e por quem deveríamos 
conservar uma eterna gratidão. 

Acompanhei como discípulo e auxi- 



59 



liai* dedicado toda a rutilante carreira 
de OSWALDO CRUZ, quer como scien- 
tista quer como administrador, e foi por 
este motivo, que escolhi, justamente, es- 
ta phase de sua vida para delle occupar- 
me, porque a considero a mais brilhante 
de todas. Foi passada no silencio, entre 
as paredes do laboratorio, neste palco li- 
mitado onde apenas ha por assistência 
os auxiliares, onde nascem e morrera 
grandes esperanças, de envolta com as 
desillusões, onde o melhor da vida do 
individuo é dado em holocausto á scien- 
cia; todo o seu tempo é consumido ten- 
tando desvendar os misterios da natureza 
e tudo é praticado com o intuito de be- 
niticiar a humanidade! Palco que a mui- 
tos não agrada porque n'elle não existe 
a galeria. . . 

OSWALDO, durante o tempo em que 
montava e preparava os laboratorios, 
estudava os différentes processos, até 
então apresentados, para o preparo da 
vaccina anti-pestosa. 

A vaccina mais usada, a que gran- 
geara maior fama era a de HAFFKINE. 
Para a sua obtenção semeiava este scien- 
tista bacillos da peste em caldo, no qual 
eram coUocados algumas gottas de man- 
teiga de cacáo, para que os germens a 
ella adherissem mantendo-se sempre na 
superficie do meio. Os balões de caldo 
eram collocados na estufa a 35°, duran- 
te um mez, sendo agitados de quando 
em vez. 

Findo este prazo é o caldo esterilisa- 
tio a 70" durante uma hora. E' o próprio 
caldo que é empregado como vaccina na 
dosé de 3 a 3,5 cc. para adulto. 

Esta vaccina já tinha sido usada em 
larga escala, principalmente na índia, 
apresentando, indiscutivelmente, bons 
resultados. ^ 

Pelo modo de preparal-a, como aca- 
bamos de referir, comprehende-se, facil- 
mente, que esta vaccina não pôde ser 
constante na sua riqueza microbiana, de- 
pendendo isto de différentes factores, de 
ânodo que não se pode garantir, em abso- 



luto, o numero de germens injectados. 
Accrescendo que se inoculava alem dos 
corpos microbianos caldo, que contem 
varios productos, muitos dos quaes irri- 
tantes e pyretogenicos. As fortes reac- 
ções produzidas por tal vaccina são attri- 
buidas antes á inoculação do caldo do 
que aos próprios germens. 

Varias foram as modificações pro- 
postas para substituir a vaccina de HAF- 
FKINE, e foi do estudo d'ellas de que 
se occupou OSWALDO, em tempo rela- 
tivamente curto, pois havia urgencia no 
fornecimento de vaccina para a immu- 
nisação da população do Rio de Janeiro, 
que estava, com toda a razão, alarmadís- 
sima com o incremento da peste, em vis- 
ta de ser mais demorado o preparo do 
soro anti-pestoso e os Institutos de bac- 
teriologia europeus não poderem forne- 
cer soro e vaccina. 

OSWALDO CRUZ publicou, em 1901, 
no « Brazil— Medico » sob o titulo a 
« Vaccin ação anti-pestosa », um trabalho 
a esse respeito. Faremos aqui uma rápi- 
da synthèse do que diz, de modo a bem 
se poder aprehender como resolveu o 
problema que lhe era proposto. 

Existiam, registrada em sciencia, 4 
modificações para o preparo da vacina 
anti-pestosa. í 

la — A da Commissão allemã, envia- 
da á índia para o estudo da peste, cons- 
tituida pelos Profs. GAFFKY, PFEIFER, 
STICKER e DIEUDONÉ. 

Propuzeram como vaccina a emulsão 
de bacillos da peste em agua physiologi- 
ca, mortos a 65o, durante uma hora, ad- 
diccionada de acido phenico a 0,5 o/o. A 
dose, indicada para o adulto, é a dos cor- 
pos microbianos desenvolvidos em um 
tubo de gélose. 

2a-LUSTlG e GALLEOTI resolve- 
ram empregar como substancia immuni- 
sante, não os corpos microbianos, mas a 
toxina d'elles extrahida. Os bacillos d;? 
peste, cultivados em gélose, são tratados 
por uma solução du potassa a 1 o/o. Esta 



60 



solução é, posteriormente, precipitada por 
acido chlorhydrico ou acético diluido. 
O precipitado) é lavado e secco no vacuo. 
O corpo resultante é a toxina, que cons- 
iitue a substancia immunisante, sendo 
injectada, dissolvida em solução de car- 
bonato de sodio, na dose de 3 milligs. 
para o adulto. 

3a — CALMETTE cultiva o bacillo da 
peste em gélose. Emulsiona a cultura 
obtida em pequena quantidade de agua 
physiologica, que filtra em panno e de- 
pois em papel de filtro. Retoma os bá- 
culos, adhérentes ao papel em pequena 
quantidade d'agua e esteriliza-os a 70°, 
durante uma hora, depois do que secca- 
os no vacuo. Uma certa quantidade dos 
corpos bacillares seceos, suspensos em 
agua physiologica, é injectada como 
vaccina. 

4a — A ultima modificação é a pro- 
posta por TERNI e BANDl. 

Estes autores inoculam na cavidade 
peritoneal de um animal (cobaya, coelho 
ou macaco) uma certa quantidade de cul- 
tura de peste, com o fim de produzir uma 
péritonite pestosa. Logo após a morte do 
animal, recolhem o exsudato peritoneal, 
que é diluido em agua physiologica, de- 
pendendo a quantidade de agua a juntar 
da espessura do exsudato. é esterilisado 
a 50— 52o, durante 2 dias. Addiciona-se, 
então, ao liquido acido-phenico a 0,5 o/o, 
assim como uma mistura das soluções 
de carbonato de sodio a 0,25 o/o e chlo- 
rureto de sodio a 0,75 o/o. A dosagem da 
vaccina é feita de modo que cada centí- 
metro cubico da diluição do exsudato 
contenha um milligr. de substancias so- 
lidas, o que é de difficil obtenção. 

Esta vaccina fez época entre nós, 
porque o Prof. TERNI aqui se achava e 
além disto era a única que existia. 

O curioso é que, sem grande ana- 
lyse, foi muito bem acceita pela classe 
medica. Alguns medicos vangloriavam- 
se de se terem vaccinado, dizendo: fui 
vaccinado e com vaccina de macaco. 



OSWALDO, com um sorriso enigma- 
tico que lhe aflorava os labios em certas 
occasiões, tudo ouvia com muita calma, 
e, fixando o interlocutor com o olhar pe- 
netrante e bom, deixava-o fallar. . . 

Estudando estes différentes metlio- 
dos de preparo de vaccina, verificou os 
inconvenientes que cada um apresentava 
sobrelevando a todos a falta de uma do- 
sagem rigorosa. A dose para o adulto, 
que os autores indicam nos seus respec- 
tivos methodos, varia muito, e não se 
pode ter certeza da quantidade de ger- 
mens que se inocula. 

Do aprofundado estudo feito da 
analyse rigorosa dos différentes proces- 
sos, pezando os prós e os contras, que 
cada imi apresentava, resolveu OSWAL- 
DO preparar a vaccina apresentada pela 
Commissão allemã, que lhe pareceu a 
mais simples e a mais inocua. Mas, como 
n'ella, igualmente, não era indicado uma 
dosagem segura, concebeu fazer a dosa- 
gem da vaccina anti-pestosa por methodo 
ponderal que offerece segurança absolu- 
ta na quantidade de germens a injectar. 
Foi a primeira vez que em bacteriologia 
empregou-se a balança para tal mister. 

Foi nessa occasião que OSWALDO 
CRUZ iniciou o preparo de producto 
biológico até então quasi desconhecido, 
para o qual não havia technica bem de- 
terminada e processo seguro de dosagem, 
tendo ainda de lutar com o já estabeleci- 
do—a vaccina anti-pestosa — preparada 
pelo Prof. TERNI, extrangeiro illustre, 
scientista com grande renome, e já ac- 
ceita sem discussão por nossas autorida- 
des sanitarias e pela classe medica. 

Bem firmado, portanto, no que resol- 
vera e tendo terminado a installação dos 
laboratorios, começou OSWALDO a tra- 
balhar no preparo da vaccina anti-pes- 
tosa. 

A primeira difficuldade que encon- 
trou foi a falta de cultura virulenta de 
peste. É verdade que o veterinario CAR- 
RÉ, contractado para prestar serviços aoi 



61 



Instituto, tinha trazido culturas de peste 
do Instituto Pasteur, de Paris. Mas, devi- 
do ao tempo em que estiveram sem se- 
rem transplantadas e principalmente ino- 
culadas, estavam completamente aviru- 
lentas, o que se verificou quando, com 
ellas, foram inoculadas cobayas que não 
morreram. 

Não me furto ao desejo de aqui refe- 
tir o que se passou por occasião da ino- 
culação da primeira cobaya. 

Resolvida essa inoculação, OSWAL- 
DO teve que acompanhar, ensinando, o 
preparo do crystalisador onde permane- 
ceria o animal, assim como a adaptação 
da tela de cobre, de malhas finas, que o 
deveria cobrir, para evitar a entrada de 
insectos sugadores. 

Ha de parecer extranho que fosse o 
próprio OSWALDO, quem preparasse es- 
ta parte, em geral, comettida a serventes, 
mas é preciso saber que, n'essa occasião, 
elle só tinha 3 auxiliares — eu, medico 
e 2 estudantes de medicina ANTONIO 
FONTES e EZEQUIEL DIAS, sendo para 
nós inteiramente desconhecida a bacte- 
riologia. OSWALDO fez questão que seus 
auxiliares possuíssem esta bôa qualida- 
de, como dizia elle, pois que assim edu- 
car-nos-hia e nos prepararia á sua von- 
tade e a seu geito. 

Estando prompto o crystalisador, 
foi coUocado o animal no seu interior 
e levado para a sala onde ia ser feita a 
inoculação. 

Apanhei, então, o apparelho de con- 
tensão e levei-o commigo. 

Ao ver-me perguntou-me OSWALDO : 
para que isto? 

Para prender a cobaya, respondi. 

Mas não é necessário, a cobaya vae 
ser segura com as mãos. 

Com as mãos? e por quem? interpe- 
lei. 

Por você. 

Por mim? 

Sim, mas caso você não queira eu 
seguro e você injecta, retrucou, filándo- 
me fixamente. 



Mostre-me como se segura o animal 
e estou prompto, disse-lhe eu, embora 
sentisse, confesso, um certo receio. . . 

Realmente, OSWALDO indicou-me 
como se mantinha o animal; fiz o que me 
ensinava e elle apanhando a seringa já 
cheia de cultura, injectou-a. 

Ambos estávamos commovidos, eu 
principalmente; as nossas respirações 
eram curtas e apressadas. Quando soltei 
o animal dentro do crystalisador, respi- 
rei profundamente, acabava de retirar ma 
grande pezo de cima de mim. Olhei para 
o OSWALDO, que se ria, estando, porém' 
com o rosto coberto de suor, o que tam- 
bém me succedia. . . perguntou-me, então 
se o medo já tinha passado. . . 

Muitas e muitas vezes quando conver- 
sávamos sobre os primordios do Institu- 
to, recordando o passado, referiamo-nos 
sempre a este facto de cuja sensação e 
detalhes nunca nos esquecemos, o que 
nos fazia rir gostosamente. 

Tendo verificado a virulencia das 
culturas trazidas por CARRÉ, soccorreu- 
se OSWALDO da cultura de peste, que 
isolara em Santos, quando ahi esteve pa- 
ra fazer o diagnostico da epidemia rei- 
nante. Esta, porem, estava também avi- 
rulenta. 

Começou, então, a empregar os dif- 
férentes meios, aconselhados em sciencia 
para tornar virulentas os germens patho- 
gènes avirulentos. O que melhor resulta- 
do deu foi a inoculação de acido-lactico 
na cavidade peritoneal de um animal e, 
algum tempo depois, a inoculação de cul- 
tura. Com este processo conseguiu pro- 
vocar a morte de uma cobaya por péri- 
tonite pestosa. O exhudato colhido foi in- 
jectado immediatamente no peritoneo de 
uma pequena cobaya de 4 dias, que suc- 
cumbira rapidamente. Foram feitas assim 
re-inoculações em serie, obtendo-se em 
pouco tempo um germem altamente viru- 
lento. 

Até a obtenção d'esté resultado era 
grande a preoccupação de OSWALDO na 
incerteza de poder conseguir um virus, 



62 



que se prestasse á realisação do seu de- 
sideratum. 

Por occasião da autopsia da primei- 
ra cobaya morta de peste, deu-se um ac- 
cidente verdadeiramente dramático. 

Tendo OSWALDO verificado sabl)a- 
bado, á tarde, que o animal inoculado es- 
tava bastante doente, combinou commi- 
go virmos no dia seguinte, domingo, ao 
Instituto, afim de autopsiar o mesmo. 
Com effeito, ás 7 horas da manhã ahi es- 
távamos. 

A cobaya ainda eslava viva, porém, 
moribunda, motivo pelo qual foi resolvi- 
do matal-a com chloroformio, pois assim 
haveria certeza da obtenção de culturas 
puras de seus órgãos. 

Havia no antigo bioterio, hoje des- 
truido, um pequeno forno para incinera- 
ção de animaes, cujo corpo ficava dentro 
do bioterio abrindo-se a porta, porém, 
para o lado de fora. A chaminé de ferro 
corria por dentro da sala, atravessando 
o telhado por entre os caibros de madei- 
ra. 

O forno foi logo acceso para que se 
incinerasse o cadaver do animal logo após 
a autopsia. 

No interior do laboratorio, hermeti- 
mente fechado, só estávamos o OSWAL- 
DOi e eu, com longas blusas e botas de 
borracha; os serventes espiavam atravez 
janella. A emoção de que todos estáva- 
mos possuidos era grande. 

Tomadas as precauções necessárias, 
que, aliás, foram exageradas, como é de 
prever, começou OSWALDO a autopsia. 

Pouco depois sentia-se um forte chei- 
ro de madeira queimado, o que era attri- 
buido ao forno. 

Aberto já o animal quando o OS- 
WALDO dispunha-se a fazer a colheita 
dos órgãos, olhei casualmente para cima 
e verifiquei que os caibros, em contacto 
com a chaminé, estavam pegando fogo. 
Chamei a attenção de OSWALDO, que, 
olhando calmamente disse-me: temos tem- 
po de terminar a autopsia e depois apa- 
garemos o fogo. 



Fez com maestria consummada a co- 
lheita e sementeira do material, empre- 
gando os mínimos detalhes da autopsia. 
Terminada a autopsia e protegida a co- 
baya com folhas de papel de filtro, em- 
bebidas de solução antiséptica, foi collo- 
cada a mesma em lugar afastado. 

Tratamos então de apagar o incen- 
dio, que já estava tomando proporções 
maiores. 

OSWALDO fez-se subir para cima do 
forno, cujo fogo fora retirado, externa- 
mente, pelos serventes, e elle, em pessoa, 
ia a porta buscar baldes cheios d'agua 
que os empregados lhe traziam. Assim 
procedia porque estes não estavam pro- 
tegidos com as blusas nem calçados, não 
querendo, portanto, que assim penetras- 
sem no bioterio. Com alguns baldes de 
agua, felizmente, foi extincto o fogo. De- 
vido a este accidente foi temporariamen- 
te condemnado o forno, que só se utili- 
sou novamente depois da chaminé de 
ferro 1er sido revestida de tij olios. 

Os animaes autopsiados, durante es- 
te interregno, eram collocados no auto- 
clave, para serem devidamente esterilisa- 
dos e após queimados. 

Foi assim obtida, partindo-se de uma 
raça avirulenta do bacillo da peste, por 
passagens successivas em cobayas, uma 
raça altamente virulenta, que se poderia 
dizer quasi fixa, porque matava os ani- 
maes, em geral, em 5 dias. 

Estava assim OSWALDO de posse 
do indispensável para o preparo da vac- 
cina. 

Conforme dissemos, OSWALDO li- 
nha resolvido preparar a vaccina segun- 
do o methodo apresentado pela Commis- 
são allemã. O único ponto fraco que elle 
encontrava era a dosagem, porque a Com- 
missão recommendava como dose para 
o adulto a inoculação dos germens, de- 
senvolvidos em um tubo de gélose. Con- 
cluía dahi com todo a razão, que varian- 
do igualmente e muito a maneira de se- 
meial-os, não poderia haver um criterio 



63 



seguro na adoptação de tal indicação co- 
mo dose. Resolveu, por este motivo fa- 
zer a dosagem ponderal, verificando qual 
o pezo dos corpos microbianos desenvol- 
vidos em um tubo de gélose. Assim man- 
tinha a dosagem indicada pela Commis- 
são allemã, mas de um modo seguro e ri- 
goroso. 

Para chegar a este resultado mandou 
preparar gélose pelo FONTES e EZE- 
QUIEL, estudantes de medicina, incum- 
bidos nessa época, do preparo dos meios 
de cultura, e com ella foram preparados 
varias centenas de tubos de gélose, de 
modo que elles variasse não só a quanti- 
dade de gélose como também a superfi- 
cie de iaclinação. Os tubos de gélose 
apresentam sempre no fundo, uma certa 
quantidade de liquido, proveniente da 
agua de condensação. Como porém, o 
OSWALDO necessitasse que a gélose esti- 
tivesse secca, retirou dos tubos que iam 
servir para o ensaio, a agua, aspirando- 
a, com uma paciencia admirável, por 
meio de uma pipeta de bola. Conservón- 
os ainda intactos durante 2 dias, não só 
para que a gélose seccasse bem pela eva- 
poração como também para verificar si 
os tubos de gélose não se contaminaram 
durante a operação. 

Foram, então semeiados por OS- 
WALDO e por mim, um grande numero 
de tubos, variando o modo de espalhar 
a semente, de maneira que se obtivesse 
um desenvolvimento sinão muito variá- 
vel ao menos não muito uniforme de- 
pois do que foram postos na estufa a 35° 
durante 48 horas. Findo este prazo collo- 
cou OSWALDO uma certa quantidade de 
agua physiologica dentro de cada tubo, 
com o fim de destacar a cultura emulsio- 
nando-a. Recolheu, então, a emulsão de 
lodos os tubos por meio de uma pipeta 
de bóia, reunindo-as em um balão Pas- 
teur. Esta emulsão foi esterilisada a 65", 
durante 1 hora, em estufa. O reservató- 
rio do thermometro, que ia marcar a tem- 
peratura interna da estufa, estava mer- 
gulhado em agua physiologica, contida 



em ura balão, idêntico ao que continha 
a emulsão bacillar, de modo a se ter a 
temperatura real do liquido. 

Com a agua physiologica, que servi- 
ra para retirar os corpos microbianos, 
continha além destes chloreto de sodio e 
productos solúveis da gélose, foram tra- 
tados, do mesmo modo que os tubos se- 
meiados com peste, numero igual de tu- 
bos de gélose da mesma partida. 

A agua que serviu para a lavagem 
d'estes tubos foi, igualmente, recolhida 
por meio de uma pipeta de bóia e reuni- 
das em um mesmo balão. 

OSWALDO, tendo resolvido fazer a 
dosagem da vaccina por pesada, e como 
o Instituto não possuísse uma balança de 
precisão, fez vir para o Instituto uma de 
sua propriedade, de longos braços e sen- 
sível ao 1/10 de milligr. e que oscilava. . . 
um tempo infinito, antes de parar. Real- 
mente era um martyrio pesar em tal ba- 
lança, principalmente, porque era exigi- 
da por OSWALDO a dupla pesada. 

Quando OSWALDO fatiava em pesar, 
o FONTES e o EZEQUIEL ficavam ató- 
nitos e aprehensivos até que fosse indi- 
cada a victima, que seguia heroicamente 
para o martyrio sem a mais leve recrimi- 
nação. Com effeito, durante 1 hora, no 
minimo, ficava-se sentado defronte da 
balança que oscillava eternamente. . . A 
pesada só era acceita depois de verifi- 
cada por OSWALDO, quando era cousa 
de maior responsabilidade. N'esta época 
o grande mestre era de uma exigencia 
desmesurada. Pois foi nesta balança que 
se fez a dosagem da vaccina. 

Em capsula de platina, previamente 
tarada foi evaporada, em banho maria, 
toda a emulsão baccilar. Finda a evapo- 
ração foi a capsula collocada em um dis- 
secador, em presença de acido-sulphurico 
onde permaneceu durante 24 horas. Foi, 
então, pesada, tendo-se obtido o peso dos 
corpos microbianos, mais chlorito de so- 
dio e productos solúveis da gélose, reti- 
rada, bem entendido, a tara da capsula. 



64 



A agua de lavagem dos tubos da gélo- 
se, não semeiados, foi tratada pelo mes- 
mo processo, obtendo-se, assim o peso 
das substancias n'ella contidas. 

Retirando este peso do da emulsão, 
obteve OSWALDO o peso dos corpos mi- 
crobianos, que dividido pelo numero de 
tubos usados, deu o peso dos corpos mi- 
crobianos contidos em um tubo de gélo- 
se, dose aconselhada para adulto pela 
Commissão allemã. 

O peso obtido foi de 2,5 milligs. por 
tubo de gélose. 

Preparou então OSWALDO, a vac- 
cina, isto é, suspensão de corpos micro- 
bianos em agua physiologica, phenicada 
a 0,5 o/o em que cada 2 cc. continha 2,5 
milligs. de germens mortos. 

A principio eram preparadas peque- 
nas partidas, pois ellas iam apenas servir 
para a experimentação animal. 

O animal de escolha foi a cobaya. 

Eram sempre constituidos lotes, ca- 
da um de 12 animaes, que eram inocula- 
dos com différentes doses de vaccina em 
série crescente, até a dose maxima. 

Para que não houvesse confusão en- 
tre os animaes, inoculados, eram descrip- 
tos pelas cores, manchas e respectivas 
localisações. Isto constituía um trabalho 
enfadonho, para o qual OSWALDO exi- 
gia grande rigor. Além disto, para que 
os animaes fossem mais facilmente re- 
conhecidos, eram marcados com différen- 
tes cores, em pai'tes diversas do corpo. 
Excuso dizer que estas descripções eram 
feitas por nós. 

Tomava-se o peso e a temperatura 
dos animaes antes da inoculação, e o 
mesmo era feito, diariamente, depois. 

O primeiro animal doente foi para 
OSWALDO um verdadeiro tormento, 
manologando com o olhar perdido— será 
peste! ? O animal foi immediatamente 
isolado em crystalisador, tomando-se to- 
das as precauções, como se realmente o 
fosse. 

A cobaya, quando prestes a morrer, 
foi sacrificada. Todos os seus órgãos se- 



meiados e délies foram feitos esfregaços, 
que immediatamente foram corados e 
examinados, não tendo o exame micros- 
cópico mostrando um único germen. 

Quando no dia seguinte iamos para 
o Instituto, OSWALDO, de quando em 
vez, dizia-me: VASCONCELLOS as cul- 
turas estarão estéreis? Notava-se perfei- 
tamente, que a ideia o perseguia. Assim 
chegemos ao Instituto, dirigiu-se, mesmo 
sem mudar de roupa e vestir a blusa, 
para a estufa. Abriu-a e ao ver os tubos 
de caldo perfeitamente estéreis riu se, a 
sua physionomia expandiu-se, nella re- 
flectia-se o prazer de que se achava pos- 
suido, todo elle vibrava e com um riso 
alegre e bom mostrava-me as culturas, 
apresentando um ar de triumphador. Na 
verdade, acabava de conquistar a mais 
bella das victorias: a victoria da scien- 
cia. 

A vaccina foi experimentada em va- 
rios lotes de animaes e como por esses 
ensaios ficasse convencido de que a dose 
immunisante estava bem determinada, 
chegou a conclusão de que poderia ser 
inoculada no homem. 

Um dia, ao terminar os trabalhos, 
chamou-me e disse-me: vamos ensair a 
vaccina no homem, vamos-nos inocular 
íBu e você. Confesso que a ideia não me 
agradou muito, mas desde que o Mestre 
queria. . . 

De facto encheu uma pequena se- 
ringa de ROUX com 2 cc. de vaccina e 
entregando-m'a, disse-me: injecta-me. Fiz 
a antisepcia da pelle do flanco e inocu- 
lei-lhe a vaccina. 

Depois elle vaccinou-me. 

Ficou combinado, então que nos 
observaríamos cuidadosamente e que to- 
maríamos a temperatura de 2 em 2 horas. 

A noite, como estivesse perfeitamen- 
te bem, apenas sentindo um pouco de dôr 
no ponto da inoculação, fui visital-o. OS- 
WALDO teve um verdadeiro prazer em 
ver-me; abraço u-me e no seu abraço ami- 
go comprehendi toda a ventura que lhe 
ia n'aima, a emoção da victoria o arre- 



65 



balava ao mesmo tempo que o sensibili- 
sava, mas estes sentimentos que procu- 
rava occultar, conforme o seu habito, 
transpareciam claramente. Estava em seu 
gabinete de estudo e fez-me collocar o 
thermometro para verificar que ainda 
não apresentava reacção thermica. 

OSWALDO apenas teve ligeira eleva- 
ção de temperatura e dòr no ponto de 
inoculação. 

No dia seguinte, á hora habitual, to- 
mávamos o trem com destino a Mangui- 
nhos. 

A tarde d'esté dia, pouco antes de 
sahirmos, foram inoculados o FONTES 
e o EZEQUIEL; era o segundo lote de co- 
bayas bipèdes... na phrase de OSW.\L- 
DO. Estes também só apresentaram li- 
geira reacção thermica e pequena dôr no 
ponto da injecção, o que não os inhibiu 
de, no dia seguinte, comparecerem ao 
Instituto. 

Foram, igualmente, inoculados os ser- 
\ entes: o velho MUNIZ, o ANTONIO, seu 
filho, o ARTHUR LEITE e o MANOEL 
CALDEIRA. Estes sentiram dôr no pon- 
to e apresentaram, também, elevação de 
temperatura, a excepção do MANOEL 
CALDEIRA. 

O velho MUNIZ e o seu filho ANTO- 
NIO já falleceram. Aqui deixo, aprovei- 
tando a oportunidade, registradas as sau- 
dades que sinto, destes companheiros 
do inicio do Instituto. Foram bravos tra- 
balhadores e muito concorreram para a 
grandeza da obra de OSWALDO CRUZ; 
embora modestas fossem as coUocações 
que nelle exerceram. 

Estava assim a vaccina perfeitamen- 
te ensaiada e foi resolvido o seu forne- 
cimento 

Por esta rápida descripção podem os 
leitores, caso os tenha, apanhar a psy- 
chologia do grande OSWALDO CRUZ. 
Adquiriu bem os elementos de certeza de 
de que a vaccina era inocua e só depois 
de convencer-se de que perigo algum 
poderia correr quem com ella se injec- 
tasse, é que forneceu-a. . . si lhe restas- 



se a minima duvida seria incapaz de o 
fazer. Com o seu proceder manifestava- 
se o verdadeiro homem de sciencia que 
era. 

Para distribuir a vaccina teve OS- 
WALDO que ideiar um apparelho, que até 
hoje é usado no Instituto. 

A principio era elle próprio quem 
distribuía e eu ao lado fechava as empolas 
á lampada. Quando estávamos cançados 
nos revesavamos. Isto depois era feito 
pelo FONTES e EZEQUIEL. O appare- 
lho esteve sempre prompto, de modo que 
quando havia serviço urgente, OSWAL- 
DO designava dois que deviam occupar- 
se de tal mister, para descançar, confor- 
me dizia. . . mas a verdade é que, no fim 
de algum tempo, o cansaço era grande e 
as costas doiam pela posição curvada e 
forçada em que se ficava. 

As empolas eram, depois de cheias, 
immersas em agua, dentro de um grande 
calice. D'ahi eram retiradas, enxutas e 
collocadas dentro de alcool, donde depois 
de enxutas e perfeitamente limpas, eram 
rotuladas. Collado o rotulo, como ficesse 
aempre o excesso de gomma, eram no- 
vamente lavadas as extremidades. Só en- 
tão, eram embrulhadas em grupo de cin- 
co, nas bulias, para serem acondiciona- 
das entre pastas de algodão, nas caixas 
de madeira, que continha, cada uma 100 
doses. 

Tudo, desde o preparo da vaccina, 
distribuição até o acondicionamento, era 
feito por seis pessoas: OSWALDO, FON- 
TES, EZEQUIEL, os serventes ANTONIO 
e ARTHUR e por quem escreve estas li- 
nhas. Ás vezes, porém, quando havia ur- 
gencia, entravam também na funeção o 
velho MUNIZ e o MANOEL. 

Muitas e muitas vezes sentávamos 
todos, em torno de uma meza, no centro 
do laboratorio, na labuta da vaccina. Rei- 
nava, admirem os formalistas, a mais 
franca camaradagem e alegria. OSWAL- 
DO, o director, pilheriava e todos, inclu- 
sive os serventes riam-se gostosamente. 
Estes intervinham ás vezes com apartes 



66 



que eram bem recebidos e tinham a me- 
recida retribuição. 

Uma vez, o FONTES, que não tinha 
grande habilidade manual para a rotula- 
e empacotamento da vaccina, impacien- 
tou-se e disse : não sei para que tanto cui- 
dado, acho isto exagerado. Ao que retru- 
cou OSWALDO: Bem FONTES, de hoje 
em diante, vamos embrulhar a vaccina 
em pedaços de jornal velho, e assim será 
melhor. Hoiive uma gargalhada geral; o 
FONTES a principio, desconcertou, mas 
também não se poude conter e acompa- 
nhou o terço, rindo-se alegremente com 
todos. 

Felizes tempos! 

Apezar da liberdade concedida, OS- 
WALDO era absolutamente respeitado e 
qalquer de nós seria incapaz do mais li- 
geiro abuso. Não era imi director, mas 
sim um amigo, que tudo obtinha de seus 
auxiliares, desde o mais graduado até o 
mais humilde, pelo seu modo de tratar e 
pela sua bondade. Infelizmente, parece, 
levou o seu segredo para o tumulo. . . 

E era assim que se trabalhava em 
iíanguinhos. . . 

O que acabo de referir é pouco co- 
nhecido, ou antes, só mesmo nós que fa- 



zíamos parte do Instituto, em seu inicio, 
é que guardamos estas recordações com 
carinho. 

Ao escrever estas linhas, despertan- 
do-se-me no cerebro factos que pela im- 
pressão produzida nunca se apagaram, 
só tive em mira tornar publica, segim- 
do penso, a mais bella pagina da vida de 
OSWALDO CRUZ. 

Eis a razão de ser do meu trabalho, 
quero que no meio das festas commemo- 
rativas do centenario da nossa cara Pa- 
tria, não seja esquecido OSWALDO CRUZ, 
o grande mestre, que tanto a amava e que 
tanto concorreu para o seu engrandeci- 
mento e prosperidade, com a creação do 
Instituto, que guarda o seu nome, e com 
a extinção da febre amarella. 

Elle ahi está. . . é lun marco muito 
modesto que aproveito a oportunidade 
para elevar ao meu inesquecível Mestre 
e amigo e cujo único fito é assignalar a 
fundação, pelo mesmo da bacteriologia 
no Brazil. A mim serviu para avivar 
aquelles tempos felizes, de que sempre me 
recordo com infinitas saudades. 

Instituto Oswaldo Cruz, Julho de 1922 



Descoberta do Tripanozoma Cruzi e verificação 
da Tripanozomiase Americana 

RETROSPECTO HISTÓRICO 



pelo 
DRÍ. CAFÓLOS CHAOAS 

Director do Instituto Oswaldo Cruz. 



Na descoberta da trypanozomiase 
americana, e principalmente nas indi- 
cações de raciocinio que ahi nos valeram 
resultados definitivos, encontramos nova 
directriz para pesqtiizas experimentaes 
similares, destinadas a esclarecer pro- 
blemas obscuros de pathologia humana. 

Foi essa uma verificação biológica 
realizada sob moldes inteiramente diver- 
sos daquelles que, de regra, conduzem 
ao reconhecimento etio-pathogenico das 
doenças, ou augmentam a nozologia de 
novas entidades mórbidas. E porque as- 
sim é, luna vez que nessa descoberta ve- 
rificam-se aspectos interessantes e inci- 
dentes aproveitáveis á orientação dos 
pesquizadores, vimos referir os factos 
de modo minudente e exacto, délies sa- 
lientando os pontos de maior valia. 

A verificação da doença precedeu 
aqui a descoberta do parazito que a oc- 
casiona, e quando no sangue peripherico 



de uma creança febricitante, observamos 
o flagellado pathogenico, de sua biologia 
já possuíamos noção completa, adquirida 
em demorados estudos anteriores. 

Mais vale, para maior clareza e elu- 
cidação deciziva do assumpto, referir os 
factos em sua sequencia ininterrupta: 

A occurrencia de grande epidemia 
de malaria em operarios do Governo, 
nos Trabalhos de construcção da Estra- 
da de Ferro Central do Brasil, no valle 
do Rio das Velhas, fez com que fosse so- 
licitada, pelo Ministro MIGUEL CAL- 
MON, providencias a OSWALDO CRUZ. 
Este attendeu pressuroso á solicitação 
e, empenhado em proseguir nas campa- 
nhas anti-paludicas, com êxito executa- 
das em outras regiões do paiz, resol- 
veu confiar-me o encargo das medidas 
sanitarias. 

Em companhia do Dr. BELISARIO 
PENNA, por mim convidado para aiixl- 



68 



liar da missão, segui para os sertões 
mineiros e lá nos installamos nas mar- 
gens do Rio Bicudo, onde permaneciam, 
retardados pela intensa epidemia, os tra- 
balhos da via-ferrea. Iniciamos ahi a 
prophylaxia da malaria e delia conse- 
guimos resultados dos mais propicios, 
o que permittiu o proseguimento regu- 
lar dos serviços de construcçao. 

Mais de um anno permanecemos na- 
quella zona, sem que houvéssemos sabi- 
do da existencia alli, nas choupanas dos 
regionaes, de um insecto hematophago, 
denominado vulgarmente barbeiro, chu- 
pão ou chupança. Já nessa epocha tive- 
mos opportunidade de realizar vasta ob- 
servação clinica, e de estudar numero- 
sos casos mórbidos nos habitantes da 
região, tanto naquelles sujeitos á infec- 
ção palúdica, porque residiam em val- 
les de grandes e pequenos rios, quanto 
ainda em outros, que habitando zonas 
mais ou menos elevadas e montanhosas, 
nenhum signal apresentavam de malaria. 
E desde então foi-nos penosa a ab- 
soluta impossibilidade de classificar, no 
quadro nozologico conhecido, muitos 
dos casos mórbidos que se offereciam a 
nosso estudo. Nem valiam, para elucida- 
ção do diagnostico, os recursos experi- 
mentaes do laboratorio, e nem decidiam 
os elementos da semiótica mais segura 
e meditada. Alguma cousa de novo, 
• nos dominios da pathologia, ahi perdu- 
rava desconhecida, e se impunha a nos- 
sa curiosidade. 

Numa viagem a Pirapora, e quando 
pernoilavamos, o Dr. BELISARIO I^EN- 
NA e eu, no acampamento de enge- 
nheiros, encarregados dos estudos da 
linha férrea, conhecemos o barbeiro, qne 
nos foi mostrado pelo Dr. CANTARINO 
MOTTA, chefe da commissão de enge- 
nheiros. 

Referidos, que nos foram os hábitos 
domiciliarios do insecto, sua hematopha- 
gia e abundante proliferação em todas 
as habitações humanas da região, fica- 



mos desde logo interessados em conhecer 
o barbeiro na sua biologia exacta, e 
principalmente em verificar a hypothèse, 
surgida immediatamente, de ser elle, aca- 
so, o transmissor de algum parasito ao 
homem, ou a outro vertebrado. 

O papel de diversos hematophagos 
na trasmissão de doenças humanas, e 
na de algumas trypanozomiases de mam- 
miferos, orientou agora meu raciocinio e 
levou-me a conseguir novos exemplares 
do insecto, afim de pesquizar no tubo 
digestivo délies, ou nas glândulas saliva- 
res, qualquer parasito, do qual fosse o 
barbeiro o hospedador intermediario. 
Dissecando os insectos, no intestino 
posterior de cada um encontrei numero- 
sos flagellados, que apresentavam as ca- 
racterísticas morphologicas de crithidias. 
EvSta verificação conduziu-me a duas 
hypotheses: Ou seria o flagellado obser- 
vado parazito natural do insecto, sem 
qualquer acção pathogenica, ou repre- 
sentaria estadio evolutivo de mn hemo- 
flagellado de vertebrado, quiçá do pró- 
prio homem. 

Anteriormente havia eu encontrado 
nova especie de trypanozoma nos maca- 
cos do genero callithrix (callithrix pen- 
nicilata); e dada a frequência da infec- 
ção dos saguis pelo trypanozoma mina- 
sensi, especie por mim descripta de 
modo minucioso, suspeitei fossem as cri- 
thidias, observadas no intestino poste- 
rior do barbeiro, phase evolutiva des- 
se trypanozoma, que seria então trans- 
mittido pelo insecto. E como na região 
todos os macacos se mostrassem parasi- 
tados, as experiencias da transmissão, 
visando a hypothèse formulada, não po- 
deriam ser realizadas, em virtude de 
uma causa de erro inevitável. Foi essa 
a razão de haverem sido enviados por 
mim diversos insectos ao meu inolvidá- 
vel mestre OSWALDO CRUZ, afim de 
que fossem elles alhnentados em maca- 
cos do genero callithrix, e que estives- 
sem livres de infecção pelo trypanozo- 



69 



ma minasensi. Deccorridos 20 ou 30 dias, 
quando de regresso a Mauguinhos, exa- 
minei o sangue de um dos macacos, que 
estivera em contacto com os barbeiros, 
e no sangue peripherico delle verifiquei 
a presença de um frjjpanozoma, suppos- 
to, no primeiro momento, e antes da 
caracterização morphologica pelos me- 
thodos de technica, ser o trypanozoma 
minasensi. Immediatamente após a veri- 
ficação do flagellado no estado de vida, 
pelo exame do sangue entre lamina e 
laminula, fiz preparações microscópicas 
fixadas e coradas, no intuito de reco- 
nhecer a especie ou de caracterizal-a 
como nova. E dest'arte verifiquei que õ 
trypanozoma observado apresentava as- 
pecto morphologico diverso do observa- 
do no trypanozoma minasensi, e não 
mostrava semelhança com qualquer 
outra especie do mesmo genero. Trata- 
va-se, sem duvida, de um trypanozoma 
novo, caracterizado principalmente pelo 
ttmianho de seu blepharoplasto, o mais 
volumoso de quantos eu conhecia, situa- 
do na extremidade posterior do flagella- 
do (lado opposto ao do flagello livre) 
Depois de haver estudado a morplio- 
logia do novo parasito, iniciei pesquizas 
relativas a sua biologia. Em experien- 
cias repetidas, consegui novas infecções 
de laboratorio, não só em macacos do 
genero callithrix, quanto ainda em co- 
bayas, coelhos e pequenos cães. Taes 
infecções, algumas vezes obtidas pelas 
picadas do insecto, sobretudo o foram 
pela inoculação dos flagelados encontra- 
dos no intestino. Assim, e em demoradas 
pesquizas, caracterizei definitivamente o 
trypanozoma como especie nova e esta- 
beleci, em experiencias irrecusáveis, o 
papel transmissor do barbeiro. Por outro 
lado, reconheci as propriedades patho- 
genicas do trj^panozoma, que occasio- 
nava a morte, em tempo variável, dos 
pequenos animaes de laboratorio, as 
mais das vezes por septicemia, sem que 
CS parazitos desapparecessem do san- 



gue peripherico. Outras pesquizas rea- 
lizei sobre o assumpto, concernentes ao 
duplo cyclo evolutivo do trypanozoma, 
nos vertebrados e no insecto transmis- 
sor, ás formas evolutivas no intestino 
do barbeiro, á cultura artificial do pro- 
tozoário, etc. 

F. foi depois disso, depois de adqui- 
rido amplo conhecimento do trypanozo- 
ma, na sua morphologia, na sua biolo- 
gia geral, na sua acção pathogenica, que 
iniciei a segunda parte de minhas pes- 
quizas, aquella de resultados mais sali- 
entes no que respeita á pathologia hu- 
mana. 

A nova especie de trypanozoma foi 
por mim denominada trypanozoma cruzi, 
em homenagem ao Mestre, de inapaga- 
vel recordação, a quem tudo devo na 
carreira scientifica, e que neses estudos 
me foi o orientador de largas vistas, 
o conselheiro de todos os momentos, o 
espií'ilo de luz e de bondade, sempre 
pressuroso em dispensar-me os benefi- 
cios de seu saber e em abrigar-me na 
grandeza de seu affecto. É mais delle 
do que meu o pequeno patrimonio da 
minha vida profissional, e nesses tra- 
balhos quanto exista de proveitoso, eu 
attribuo, com ufania e sinceridade, á 
valia de seus ensinamentos ao exemplo 
de sua fé, á influencia decisiva de seu 
animo forte e de sua alma abnegada 
sobre quantos tivemos a bôa ventura de 
encontral-o na vida e delle receber o 
influxo bemfazcjo, que decidiu de nossos 
destinos. 

Eis a verdade exacta, no que res- 
peita á descoberta do trypanozoma cruzi 
conhecido até aqui apenas como trypa- 
nozoma de vertebrado, de especie des- 
conhecida, e transmittido pela picada 
de um insecto. Este foi reconhecido co- 
mo triatoma megista Burm. pelo Dr. 
ARTHUR NEIVA, que delle esclareceu, 
em demorados trabalhos, toda a biolo- 
gia. 

Nesta primeira phase de nossos tra- 



70 



io alhos, ha que salientar, como de maior 
interesse, o reconhecimento, pela pri- 
meira vez, do papel de uxa hemiptero na 
transmissão de parasitas. Foi essa mna 
verificação do mais alto alcance para 
a biologia geral, e por si constituía já 
acquisição scientifica de real importan- 
cia. 

Passo agora a referir a descoberta 
do trypanozoma cruzi no homem, e a 
verificação da nova doença. 

Voltando ás regiões infestadas pelo 
ti-iatoma, era meu intuito reconhecer o 
hospedador vertebrado do trypanozoma 
cruzi, porquanto o macaco, inicialmente 
infectado pelo insecto, e os auimaes de 
laboratorio nos quaes eu havia realisa- 
do pesquizas, todos elles representavam 
infecções experimentaes, que não deter- 
minavam o hospede habitual do para- 
zito. 

A difficuldade no interpretar os ca- 
sos clínicos da região, e a suspeita, 
fundamentada em cuidadosa observação 
e em demoradas pesquizas de laborato- 
rio, da existencia de um estado mórbi- 
do que escapava á identificação com 
qualquer doença do quadro nozologico 
conhecido, esses factos, sobre os quaes 
vinha eu de longe raciocinando, e que 
me levaram a hypothèse de um factor 
etio-pathogenico ignorado, constituíram o 
ponto de partida das pesquizas realiza- 
das. Accrescia a circimstancia primordial 
de ser o triatoma megista xim insecto 
domiciliario, cujo habitat é constituido, 
talvez de modo exclusivo, pelas residen- 
cias humanas, e cuja alimentação é rea- 
lizada de preferencia no homem, du- 
rante o repouso nocturno. Sendo assim, 
« raciocinando com elementos forneci- 
dos pela biologia dos hemo-parazitos, 
era de admittir que o flagellado do tubo 
digestivo do hematophago, cuja alimen- 
tação principal é o sangue humano, fos- 
se experimentando lenta e progressiva 
adaptação ao meio sangvdneo, e nimi 
dado momento de sua evolução philo- 



genetica pudesse tornar-se parazito do* 
homem. Até aqui lidava eu em pleno 
dominio de hypotheses, fimdamentadas 
sem duvida, em razões biológicas exac- 
tas, mas, que exigiam confirmação de- 
cisiva. Faltava-me então o conhecimento 
valioso, posteriormente adquirido, da fre- 
quente enfecção de tatus (tatusia novem- 
cincta) mesmo em regiões deshabitadas, 
pelo trj'panozoma cruzi. Esta verificaçfio, 
completada pelo achado do triatoma ge- 
niculata, infectado pelo trypanozoma nos 
buracos de tatu, levou-me a convicção, 
justificada em argumentos varios, deque 
o hospedador natural e ancestral do 
parazita é realmente o tatú, represen- 
tando a infecção humana o resultado de 
uma adptação posterior. 

De accordo com este ponto de vista, 
difficilmente combativel, porque mili- 
tam em favor delle não só factos de 
observação positiva, quanto ainda argu- 
mentos irrecusáveis de ordem biológica, 
ficaria explicada a existencia de triato- 
mas infectadas, em regiões onde a do- 
ença é desconhecida. Alguns observado- 
res allegam, de facto, no intuito cui'io- 
sissimo de recusar acção pathogenica 
ao trypanozoma cruzi, que o barbeiro 
tem sido observado em algumas zonas 
do Brasil, e em outros paizes, com fla- 
gellados no tubo digestivo inoculáveis 
era pequenos animaes de laboratorio, c 
que apezar disso, a doença não foi veri- 
ficada me taes regiões. 

Em primeiro lugar, seria de bom 
aviso, referir as pesquizas clinicas e ex- 
perimentaes, que demonstram a inexis- 
tencia da doença, cujo diagnostico para- 
zitario, nas formas chronicas apresenta 
difficuldadse reaes, e, as mais das vezes, 
só poderá ser realizada post-mortem. 
E quanto aos casos agudos, para sur- 
prehendel-os, tornar-se-hia necessário al- 
guma permanencia nas regiões citadas. 
Mais valeria ahi, para excluir a existen- 
cia da try pano zomiase, realizar obser-^ 
vaçOes clinicas minuciosas, baseadas enfe 



71 



conhecimentos exactos dos signaes se- 
mióticos, que caracterizam a doença nas 
suas principaes modalidades. Só depois 
disso poder-se-ia affirmar que nesta ou 
naquella zona, neste ou naquelle paiz, 
existe o triatoma infectado, com para- 
zitos inoculáveis em pequenos animaes 
de laboratorio, sem que a infecção hu- 
mana seja verificada. 

Admitíamos, porém, que seja de lo- 
do ponto verdadeira a observação dos 
oppositores e desaffectos da trypanozo- 
miase americana; nessa hypothèse ame- 
nos que se pretenda chegar ao absurdo 
de insistir em que a doença é mn my- 
tho, apezar do acervo immenso de ob- 
servações cliíiicas, de verificações de ne- 
cropsias e de dados experimentaes que 
demonstram, de sobra, seu interesse 
scientifico e sue importancia social, a 
menos que assim seja, devemos interpre- 
tar o facto referido e apparentemente 
contradictorio de minhas conclusões, ad- 
mittindo que em tacs regiões não se 
verificou ainda a adaptação do trypa- 
nozoma ao homem, e que as raças do 
parazita ahi observadas no organismo do 
hematophago, não apresentam virulencia 
para a especie humana. Seja como fôr, é 
essa luna questão a esclarecer, e jamais 
poder-se-á, de bôa fé, e dentro dos limi- 
tes da lógica e da razão scienlifica, 
ahi encontrar argumento demolidor de 
factos positivos, adquiridos pela obser- 
vação e pela experiencia. 

Assim orientado, iniciei, a nova pha- 
se de meus trabalhos pela pesquiza do 
trj-panozoma naquelles individuos, cuja 
condição mórbida obscura escapava a 
minha interpretação. Quantas tentativas 
de principio realizei, visando encontrar 
o trypanozoma, foram sempre negativas, 
facto posteriormente explicado pela 
ausencia do parazita, do sangue peri- 
pherico, e sua localização exclusiva na 
intimidade dos tecidos, em taes doentes. 
As minhas obervações foram realizadas 
cm residencias humanas, abundantemen- 



te infestadas de triatomas e numa delias 
quando insistia na pesquiza do proto- 
zoário, encontrei um gato, evidentemente 
doente, em cujo sangue verifiquei a pre- 
sença do trypanozoma cruzi. Nenhuma 
conclusão definitiva, porém, autorizava 
esse achado, porquanto, sendo o gato 
um animal domesticco que pernoita nas 
residencias humanas, deveria ser tam- 
bém sugado pelos insectos e não poderia 
constituir maior surpreza sua infecção. 
E, aliás, em pesquizas posteriores, re- 
peti múltiplas vezes a mesma verifica- 
ção, o que me levou a considerar aquel- 
le animal um reservatório do parazito. 
e por isso mesmo um elemento epide- 
miológico da doença. 

Insistindo em meus trabalhos, e deva 
affirmar que o fazia com fundamentada 
segurança de êxito, tive opportunidade 
de surprehender febricitante uma crean- 
ça, residente na casa onde eu havia 
verificado a infecção de um gato. É 
de referir que talvez 15 ou 20 dias antes, 
pernoitara eu na habitação daquella do- 
entinha, e ahi tive ensejo de observar 
grande numero de insectos picando os 
habitantes, inclusive a creança agora fe- 
bril, é que então se apresentava abso- 
lutamente hygida. 

Entre os principaes signaes clínicos, 
apresentados pela creança, cuja febre 
tivera inicio 8 ou 10 dias antes de meu 
exame, figuravam como de maior sali- 
ência, os seguintes: Temp. a.xillar 40°; 
baço augmentado de volume e apalpa- 
rei so!) o rebordo costal; figado tam- 
bém augmentado; plêiades ganglionares .- 
periphericas engurgitadas, etc. Era so- 
bretudo de apreciar na doentinha uma 
infiltração generalizada, mais accentua- 
da na face, que não apresentava os 
caracteres de edema renal, porém antes 
se impunha como infiltração mixedema- 
tosa. Este ultimo signal, que mais tarde 
veiu a constituir uma das melhores ca- 
racteristicas da doença na phase aguda^ 
denunciava, desde logo, qualquer altera- 



72 



ção funccional da glândula thyreoide, 
acaso attingida pela acção pathogenica 
do parazito. 

O exame do sangue entre lamina e 
lamínala, revelou a presença de flagella- 
dos, em numero regular e a coloração 
de frottis, após fixação, tornou possível 
caracterizar o parazita, na sua morpho- 
logia e identifical-o como trypanozoma 
cruzi, primeiro observado, sob a forma 
de crithidias, no intestino do triatoma, 
transmittido, pela picada do insecto e 
pelas inoculações dos flagellados do tu- 
bo digestivo, primeiro ao sagui (callithrix 
pennicilata) e em seguida a diversos 
dos pequenos animacs de laboratorio. 

Estava assim verificada a existencia 
de uma nova try pano zo miase humana, 
a segunda conhecida, e cujo parazito 
apresentava caracteres morphologicos e 
biológicos bem definidos, e inteiramente 
diversos dos conhecidos nas outras espe- 
cies do mesmo genero. Era transmissor 
da nova doença, de accordo com as ex- 
periencias irrecusáveis de laboratorio, 
um heteroptero, do genero triatoma— o 
Triatoma Megista. 

Restava agora proseguir em estudos 
demorados, que viessem esclarecer a pa- 
thogenia, a sjonptomatologia, a epide- 
miologia e a distribuição geographica da 
doença, que eu havia verificado sob a 
ynodalidade clinica de infecção aguda. 
Seria sempre assim, ou apresentaria a 
doença formas chronicas bem caracte- 
rizadas?. Já pelo raciocinio clinico e 
principalmente pelo conhecimento da 
condição mórbida extranha dos habitan- 
tes regionaes, era eu levado a admittir 
na trypanozomiase, além da forma agu- 
da verificada, modalidades chronicas, a 
reconhecer e a caracterizar. 

Só algims mezes decorridos da veri- 
ficação inicial foi-me possível, reencetar 
meus trabalhos, visando agora o pro- 
blema clinico e epidemiológico da doen- 
ça, até então quasi inteiramente obscuro. 
Ainda aqui muito me valeu a observa- 
ção anterior da nozologia regional, na 



qual havia eu surprehendido incognitas 
indecifráveis. E voltando a estudar me- 
lhor os doentes, agora sob nova orien- 
tação, procurei systhematisar os factos, 
afim de encontrar fundamento para ge- 
neralisações posssiveis. Na symptomato- 
I logia então verificada o que mais fundo 
1 me impressionou foi a frequência das 
' alterações do rythmo cardiaco nos ha- 
j hitantes da região, especialmente na- 
quelles de casas infestadas pelo triatoma. 
Era esse um signal de extrema frequên- 
cia, e que se traduzia as mais das vezes 
em extrasystoles, e não raro em pulso 
lento. Devemos referir que, em virtud» 
da frequência com que eram observa- 
das alterações anatómicas da glândula 
thyreoide da região, alterações expressas 
em grande hypertrophia ou em augmen- 
tos apenas apreciáveis do órgão, accre- 
ditei, no primeiro momento, que as per- 
tubações cardiacas seriam attribuiveis ao 
bocio. Entretanto, desde logo verifiquei 
não serem raros os doentes que apre- 
sentavam arythmia do coração, cuja thy- 
reoide se mostrava normal, observação 
contraria a primeira hypothèse formula- 
da. Assim raciocinava sobre os elemen- 
tos colhidos na semiótica physica, quan- 
do tive ensejo de praticar a necropsia 
de uma creança na qual havia verificado, 
pela presença do parazito no sangue 
peripheric©, a forma aguda da doença. 
O material das autopsias, enviado ao 
Instituto Oswaldo Cruz, ahi minuciosa- 
mente examinado pelo nosso saudoso 
companheiro GASPAR VIANNA, cuja alta 
capacidade technica e especial compe- 
tencia em anatomia pathologica nos fo- 
ram da maior valia. 

GASPAR VIANNA verificara, no 
myocardio da creança, formas parazi- 
tarias muito curiosas, locaUzadas den- 
tro das fibras cardiacas, que se mos- 
travam em grande nvmiero, transforma- 
das em verdadeiros kystos. Aspectos 
idênticos do parazita foram observados 
em outros órgãos. 

Houve então, segundo pae informoit 



73 



OSWALDO CRUZ, alguma duvida no 
interpretar as formas parazitarias obser- 
vadas, opinando VIANNA em que repre- 
sentavam de facto, estadios especiaes do 
Ti'j'panozoma Cruzi. E toda indecisão 
desappareceu quando, em Lassance, o 
meu grande mestre OSWALDO CRUZ, 
mostrou-me cortes e frottis do myocar- 
dio, nos quaes reconheci, immediatamen- 
te, formas parasitarias idênticas as por 
mim obtidas nas culturas artificiaes do 
trypanozoma. Nenhuma duvida portanto, 
poderia mais substituir relativamente á 
observação de VÍANNA, na qual ficava 
demonstrada a localisação do parazita, 
sob formas especiaes, no myocardio, den- 
tro das fibras cardiacas. E dahi surgia, 
desde logo a interpretação possível de 
um dos signaes clínicos mais frequentes 
da doença, qual o constituido pelas 
arythraias. De tal modo interessantes fo- 
ram os resultados das pesquizas histo- 
pathologicas desta primeira autopsia, que 
OSWALDO CRUZ resolveu conhecer de 
perto meus trabalhos, e para tanto rea- 
lizou penoza viagem aos sertões minei- 
ros, onde permaneceu 6 ou S dias, na 
apreciação enthusiastica de casos clíni- 
cos e de factos experimentaes, que vi- 
nham abrir novo capitulo na pathologia 
humana. 

Cabe-me aqui referir uma causa de 
erro nas pesquizas iniciaes de labora- 
torio, destinadas ao diagnostico parazi- 
lario da doença. 

Nos primeiros estudos sobre a bio- 
logia do trypanozoma cruzi, havia eu 
ligado ao cyclo evolutivo, no organismo 
dos vertebrados, formas parazitarias es- 
peciaes, encontradas com extrema fre- 
quência no pulmão de cobayos infecta- 
dos. Foi mesmo dessa interpretação, na 
qual tivemos o assentimento de PRO- 
WAZEK e de MAX HARTMANN, que 
resultou a creação do genero schizotry- 
panum, para nelle incluir a nova especie 
de flagellado. Em virtude desta verifi- 
ícaçao, aproveitei durante algum tempo, 



como elemento de diagnostico parazita- 
rio, a presença das formas referidas no 
pulmão dos cobayos que haviam sido 
inoculados com sangue de doentes, sup- 
postos infectados. Entretanto, posterior- 
mente foi verificado, primeiro pelo Prof. 
CAR INI e por DELANOË e depois por 
alguns pesquizadores de Manguinhos, que 
as formas parazitarias dos pulmões de 
cobayos nada tinham a ver com o trypa- 
nozoma cruzi, e sim representam um outro 
parazito, o pneiunocistis. Pelo que os 
diagnósticos parazitarios assim realiza- 
dos, ficaram de todo ponto invalidados, 
e havia mister fundamentar de outro 
modo as nossas conclusões, no que res- 
peita ás formas chronicas da doença. 
E foi o que fizemos em grande numero 
de autopsias, nas quaes as localizações 
do parazito em diversos órgãos, e as 
lesões por elle occas'onadas, amplamen- 
te justificaram o diagnostico clinico das 
principaes modalidades da trypanozo- 
miase. e estabeleceram, de modo defini- 
tivo e irrecusável, a ligação entre a 
causa c o effeito inevitável. Referirei 
os factos com maiores minucias: Das 
formas agudas da doença, caracteriza- 
das pela presença, facilmente verificá- 
vel, do trypanozoma no sangue periphe- 
rico, consegui, dentro de curto prazo, 
diversas observações clinicas, sobre as 
quaes nenhuma objecção será admissível. 
No que resta as formas chronicas 
não foram menos decisivas as nossas 
conclusões, fondamentadas no resultado 
de grande nimiero de autopsias, com a 
verificcação parazitaria e o estudo histo- 
pathologico correlato. Dos casos clínicos 
em que predominavam signaes cardia- 
cos, obtive, muito depressa, elevado nu- 
mero de observações e também diversas 
autopsias. Nestas, pela uniformidade das 
lesões do myocardio e pela constancia 
ahi do parazita, verificado em casos 
chronicos, demoradamente estudados du- 
rante a vida, ps signaes da semiótica 
encontrai'am definitiva e irrecusável base 



74 



anatómica, e passaram a constituir uma 
das características clinicas da nova do- 
ença. Cimipre referir que, de accordo 
com as recentes verificações de GRO- 
WELL as lesões do myocardlo na try- 
panozomlase americana, podem ser reco- 
nhecidas, independente mesmo da pre- 
sença do parazita e constituem proces- 
so especifico bem caracterizado. 

Devemos salientar, de passagem, e 
para contrariar a affirmativa de que 
apenas conhecemos raros casos da Iry- 
panozomlase, que imi doente com signaes 
cardiacos predominantes, é, num concei- 
to geral da doença, um infectado pelo 
trypanozoma cruzi. no qual ao lado das 
alterações do rythmo, outras são verifi- 
cáveis denunciantes de processos mór- 
bidos para o lado de outros apparelhos 
e systhemas orgânicos. E avaliado o 
censo pelo numero de casos de forma 
cardiaca, seguramente os contraditores 
de nossos estudos haveriam os reconhe- 
cer que nada exageramos, apreciando 
elevadisslmo, como apreciam o indice 
endémico da doença. i 

O reconhecimento da forma nervosa 
baseou-se igualmente em factos de ob- 
servação clinica e verificação post-mor- 
tem de valor decisivo. Os casos numero- 
sos de diplegia cerebral, de idiotia orgâ- 
nica, de monoplegias, de aphasias, etc., 
observados nas zonas de nossos trabalhos, 
desde muito causavam funda impressão. 
A hj^pothese inicial de syphilis, factor 
etio-pathogenico a que, de algum modo, 
poderiam ser referidas aquellas condi- 
ções mórbidas, foi bem depressa exclu- 
ida, por todos os methodos de diagnos- 
tico, tanto clínicos, quantos experimen- 
taes, da lues. E aliás, a syphilis ao con- 
trario da falsa tradição, constitue occur- 
rencia de extrema caridade entre os re- 
gionaes do interior do paiz, onde só é 
levado pelos recem-vindos de zonas mais 
civilisadas e contaminadas. Desse as- 
sumpto cuidamos em outra publicação, 
na qual referimos, com segurança e larga 



experiencia, ser a lues desconhecida enf 
certas zonas remotas do nosso hinter- 
land, para onde é levada, de regra, pelas 
vias férreas de penetração. 

Seriam os phenomenos nervosos ob- 
servados attribuiveis ao cretinismo en- 
démico, conceito posteriormente emitti- 
do por KRAUS ? De certo que não, por- 
que muito se distanciavam elles, para 
quem os observasse como pathologista 
e sob o criterio de exactas doutrinas 
semiológicas, das manifestações nervo- 
sas clássicas, consideradas por diversos 
observadores como determinações do cre- 
tinismo. É nem hypotheses poderiam ahi 
decidir, senão elementos seguros de ve- 
rificação anatomo-pathologica. Esta foi 
realizada, inicialmente, nirni caso de di- 
plegia cerebral, datando de 22 annos. 
Tratava-se de uma doente paralytica des- 
de os 3 annos de idade, segundo referen- 
cias da familia, e que apresentava tam- 
bém idiotia orgânica, com phases de 
excitações. O accidente de uma queima- 
dura determinou a morte, e pela autop- 
sia foi vere ficada a presença do parazita 
e também lesões cerebraes em foco, bem 
caracterizáveis. Os estudos histo-patho- 
loglcos, realizados pelo saudoso GAS- 
PAR Vi ANNA, não deixaram duvida a 
respeito do factor etio-pathogenico dos 
phenomenos nervosos estudados. Em se- 
guida a esta, outras autopsias foram rea- 
lizadas e entre ellas a de casos de me- 
ningo-encephalite aguda, nos quaes as 
localizações do parazita no cerebro, e 
as lesões por elle produzidas ampla- 
mente fundamentaram o reconhecimento 
da forma nervosa da trypanozomiase, e 
vieram esclarecer aspectos obscuros da 
nozologia regional. 

Não havia, dahi, em conceito scien- 
tifico bem baseado, como recusar a exis- 
tencia de perturbações nervosas da do- 
ença, pertubações attingindo a motili- 
dade, a intelligencia, a palavra, etc., e 
o grande numero de casos de paralysia, 
de idiotia orgânica, de aphasia, obser- 



75 



vados nas regiões infestadas pelo triato- 
ma, casos nos quaes se reproduziam 
s\Tnplomas de outros similares autopsia- 
dos, deveriam, logicamente, ser inter- 
pretados de accordo com as verificações 
realizadas e ser attribuidas ao mesmo 
factor etio-pathogenico. E, para maior 
fundamento de nosso conceito vciu de- 
pois a experimentação em animaes, na 
qual foram produzidas, em experiencias 
e estudos de EURICO VILLELA e de 
MAGARÎNOS TORRES, paralysias em 
cães c macacos, com a verificação do 
parazito e de lesões no systema nervoso 
central. 

A infecção pelo trypanozoma cruzi, 
e como elementos residuaes de infecção 
adquirida nas primeiras idades, senão 
com toda probabilidade, como conse- 
quências de infecção hereditaria, liga- 
mos o infantilismo e outras dystrophias, 
frequentemente observadas nas regiões 
onde é endémica a doença. Faltam-nos 
aqui elementos de convicção decisiva? 
Mas como ligar á syphilis o infantilismo, 
a não ser pela illação lógica dos factos 
e pelo raciocinio bem dirigido ? E, além 
d'isso, possuímos a verificação parasita- 
ria em casos de dystrophia occasiona- 
dos pela trypanozomiase. 

O trypanozoma cruzi, quanto o ger- 
men da syphilis, apresenta localizações 
bem verificadas em diversos órgãos do 
grande systhema endocrinico, cuja inter- 
ferencia nos phenomenos geraes do de- 
senvolvimento não mais se contesta. As- 
sim é que nas capsulas supra-renaes, do 
homem e dos animaes de experiencias, 
as localizações do parazito e as lesões 
por elle occasionadas, foram de sobra 
demonstradas. Assim também nos testí- 
culos, ovarios e glândula thyreoide. E, 
si taes órgãos reagem, como se verifica, 
á aggressão parazitaria, lógico é admittir 
as consequências phyzio-pathologicas de 
taes alterações anatómicas. Ainda aqui, 
em recentes experiencias, vão sendo de 
alta valia as pesquizas de EURICO VIL- 
LELA, que demonstram factos de encé- 



phalite hereditaria, com a presença dó 
parazita, em cães recem-nascidos, de ca- 
dellas infectadas. 

Deste assiunpto, que requer larga 
explanação, não poderemos aqui tratar, 
senão referir os fimdamentos essenciaes 
de nossa convicção relativa á etio-patho- 
genic do infantilismo e de outras dys- 
trophias, nas regiões da trypanozomiase 
endémica. 

Na primeira phase de nossos tra- 
balhos admitíimos relação de causa e 
effeito entre a trypanozomiase america- 
na e o bocio endémico nas regiões onde 
grassa a doença. Foram diversos os ele- 
mentos de convicção que a tanto nos 
levaram, alguns de ordem pathogenica, 
e outros baseados na epidemiologia e 
na distribuição geographica da trypano- 
zomiase. Inicialmente foi a nossa atten- 
ção dispertada pela frequência do bocio, 
ou de simples alterações da glândula 
thyreoide com hypertrophia parcial de 
alguns dos seus lobos, em doentes com 
outros symptonias. E logo nos impres- 
sionou a infiltração observada em todos 
os casos agudos, infiltração caracteriza- 
vel como mixedema, e que constitue 
signal constante de todos õs doentes, na 
primeira phase da infecção. Tratava-se, 
portanto, de uma infiltração mixedema- 
tosa peculiar á trypanozomiase, na qual 
se traduzia a participação da glândula 
thyreoide no processo pathogenico. Exa- 
mes posteriores, em casos agudos, de- 
monstraram a localização do prarazita 
na glândula, dentro mesmo das cellulas 
vesiculares, e mostraram ainda proces- 
sos reaccionarios iniciaes, caracterís- 
ticos de formação do struma. E, mais 
ainda, a observação demorada de algxms 
doentes, desde a phase aguda, permittiu 
acompanhar o desenvolvimento pro- 
gressivo do bocio, que em alguns indiví- 
duos attinge grandes proporções, e em 
outros fica limitado a simples hypertro- 
phia, totaes ou parciaes, da thyreoide. 
Por outro lado, a ausencia absoluta do 
bocio, nos casos agudos, com a presença 



76 



délies, em crcanças da mesma idade, e 
qiie teriam sido infectadas em epocha 
anterior, constiluia ainda outro argu- 
mento, de grande valia, para estabelecer 
relação de causa e effeito entre o bocio 
e a trypanozomiase. Não só esses, e 
ainda outros argumentos de ordem pa- 
thogenica e epidemiológica, orientaram 
ahi conclusões. No que respeita a dis- 
tribuição geographica do bocio e da ti-y- 
panozomiase, verificamos, não só de ob- 
servação pessoal, quanto pelas referen- 
cias de outros pesquizadores, ser cons- 
tante a presença do bocio nas regiões 
infestadas pelo barbeiro e sua ausencia 
naquelles onde não existe o insecto. E 
nas zonas onde estudamos, foram em 
grande niunero os individuos, entre elles 
creanças, livres de hj-pertrophia da thy- 
reoide, porque residiam em casas onde 
não é encontrado o triatoma. Ao contra- 
rio, todos os habitantes das residencias 
infestadas mostram o bocio ou apresen- 
tam signaes de alteração thyreoidiana. 
E de impressionar, no interior do paiz, 
o indice elevado do bocio nas choupa- 
nas ruraes, mesmo naquellas situadas 
«m torno das cidades, e a auencia de 
lesões das glândulas, nas pessoas resi- 
dentes em casas confortáveis das cida- 
des ou povoados, casas que não offere- 
cem condições propicias, á proliferação 
do barbeiro. Os factores mais vezes res- 
ponsabilizados pelas endemias do bocio, 
e entre elles a agua, ficavam excluidos, 
na nossa observação ,de qualquer acção 
no processo. Da mesma agua usavam 
os individuos com bocio, principalmen- 
te creanças, e outros em condições de 
vida absolutamente semelhantes, alimen- 
lando-se de modo idêntico, e que resi- 
dindo em casas livres do triatoma não 
mostravam alterações da thyreoide. Es- 
tes factos e outros muitos, cuja refe- 
rencia não é aqui opportuna, levaram- 
me a considerar o bocio nas regiões de 



trypanozomiase, como um elemento mais 
da doença. E até agora, porque nenhu- 
ma prova definitiva veiu modificar nosso 
ponto de vista permanecemos conven- 
cidos de que o bocio, das regiões onde 
grassa a trypanozomiase, constitue um 
elemento mais da doença. Entretanto, na 
impossibilidade de trazer ao assumpto 
a mesma demonstração positiva, que de- 
cidiu de outros aspectos de trypanozo- 
miase, desde 1916, quando synthetizamos 
os processos pathogenicos da doença, 
consideramos o bocio questão a parte, 
sobre a qual poderia exercitar-se a ' di- 
vergencia entre os pesquizadores. E nes- 
tes termos consideramos ainda hoje o 
discutido ponto, aguardando pesquizas 
que invalidem nosso conceito ou que 
o tornem definitivo. 

Ë de salientar aqui a actual tenden- 
cia dos pesquizadores modernos para 
admittir a natureza infectuosa do bocio 
c a hypothèse de ser elle occasionado 
pela acção de um germen filtravel. E 
devemos ainda emittir nosso conceito 
contrario ao absurdo de se querer consi- 
derar como único o facto etio-pathoge- 
nico do bocio, observado em diversas 
regiões do mundo, apezar da diversidade 
evidente de suas consequências physio- 
pathologicas. 

Ainda sobre o bocio, sobre as ques- 
tões de doutrinas concernentes a sua 
etio-pathogenia, e principalmente sobre 
as relações, que consideramos existen- 
tes, de causa e effeito, entre elle a try- 
panozomiase americana, poderíamos aqui 
expender argumentos mais demorados 
baseados na epidemiologia e na distri- 
buição geographica, e baseados ainda 
nos aspectos physio-pathogenicos do bó- 
cio endémico, nas regiões em que o 
estudamos. Este assumpto, porém, será 
objecto de novas contribuições poste-^ 
riores. 



Sôro contra o epîihelioiîia ou dîphierîa das aves 



pelo 



Lidando ha muito mais de imi de- 
cennio com varias molestias produzidas 
por germes filtráveis, que interessam es- 
pecialmente á veterinaria, adquiri a con- 
vicção de que taes germes formam um 
grupo bem homogéneo, cujos caracte- 
res importantes se encontram nas rela- 
ções de parasitismo, e que taes caracte- 
res podem ser assim synthetisados : 

1°. Todos os filtráveis são parasitas 
obrigatórios, isto é, só manifestam sua 
actividade vital no interior de um hos- 
pedeiro, embora 5e possam conservar 
cm estado de vida latente, fora do orga- 
nismo. As culturas, que ás vezes se con- 
seguem em meios especiais são de cur- 
ta duração e não figuram nas collecções 
dos melhores Institutos, por mais com- 
pletas que sejam. 

2° São muito exigentes quanto ao 
hospedeiro: a peste dos porcos é exclu- 
siva dos suinos, a febre aphtosa só pode 
ser facilmete reproduzida em artiodac- 
tilos, o epitelioma contagioso das aves 
mostra difficuldades de transmissão mes- 
mo entre as diversas especies de aves, etc. 

3o Nos casos em que a exigencia é 
menos acceutuada (raiva, variola etc.) 



taes germes prestam-se facilmente a mu- 
tações: virus fixo, vaccina, etc. A raça 
assim obtida é vaccinante, e não se co- 
nhece outro meio seguro de se obter 
vaccina com filtráveis, porque os pro- 
cessos de attenuação applicaveis ás bac- 
terias são aqui, de regra, muito falhos. 

4o As manifestações mórbidas, que 
provocam, são muitas vezes aggravadas 
pela associação com bacterias, em geral 
de fraca acção pathogenica: as.sim um 
paratyphico ou uma pasteureíla inter- 
vêm na forma intestinal ou pulmonar 
da peste dos porcos (Hog-cholera e swi- 
ne plague); na variola um estreptoccocOf 
e no epitelioma das avas lun estafiloc- 
coco. e assim por deante. 

50. O ataque ao organismo quando 
não é mortal, provoca immunidade, ás 
vezes de grande duração, como se dá 
na variola, no epitelioma das aves. na 
febre amarella, etc., e outras vezes de 
praso curto, como na febre aphtosa. 

6». As especies animais sensíveis ao 
germe produzem, contra este, sôro de va- 
lor real. como meio preventivo: assim 
sôro activo contra a febre aphtosa só 
pode ser obtido nos bovinos e suinos; 



78 



soro contra a peste dos porcos só em 
porcos; soro contra a variola dos carnei- 
ros só em ovinos, etc. 

Este ultimo caracter é dos que na 
1 literatura medica e veterinaria se en- 
contrara com algumas falhas; assim é 
e que para o epitelioma contagioso das 
aves as conclusões são categóricas ne- 
gando-se ao soro qualquer valor cura- 
tivo c preventivo. Para apoiar a ultima 
affirmação: "que as especies sensiveis 
produzem soro preventivo", impunha-se 
era primeiro lugar a verilicação com 
esta molestia, repetindo-se as experien- 
cias já feitas por outros pesquisadores 
e evitando-se as causas do erro que po- 
deriam ter dado margem aos resultados 
negativos. Ahi a razão do presente Ira- 
bHÍho. 

Os estudos realizados no i^osto vie- 
ram mostrar que aqui, v^.orao em, outros 
casos, esses erros são de duas naturezas: 
a insufficiencia de dose e uma pseudo 
superimmunização. 

a) A insufficiencia de dose. Temos 
em geral um.a certa tendencia para fa- 
zer as verificações dos soros com doses 
insufficientes, o que nos leva frequen- 
temente a negar valor mesmo a soros 
antibacterianos e antitoxicos de grande 
poder curativo, como o da peste bubó- 
nica, o do tétano, etc. Nos filtráveis, 
Moussu, preparando soro contra a febre 
aphtosa com injecções de sangue viru- 
lento, obteve soro seguramente de valor, 
mas experimentou o seu effeito com 
50 cra.3 o que no caso delle deveria cor- 
responder ao terço da dose efficaz. Mas, 
quando os experimentadores usam doses 
importantes, os resultados são positivos 
quer na febre aphtosa, quer nas outras 
molestias por filtráveis, a não ser que 
intervenha outra causa de erro. Assim: 

Na vaccina, Raynaud, entre outros, 
conseguiu immunizar bezerros com 250 
cm3. de soro de convalescente; e Strauss, 
Chambón e Ménard, com cerca de um 
litro (E' possível que uma superimmuni- 
zação intensa reduza esta ultima dose 



a cerca de um decimo; em outra publi- 
cação voltarei ao assumpto). Kunio Sato 
verificou a formação de anticorpos nos 
coelhos inoculados quer na pelle quer na 
cornea. 

Na variola dos carneiros, Duclerc 
immunizou-os com 190 cra.^ de soro de 
carneiro curado, e Borrei chegou mesmo 
a conseguir em carneiros soro de valor 
pratico, pois immuniza na dose de 15 a 
20 cm-'. 

Na febre aphtosa, varios pesquisa- 
dores verificaram que o soro dos ani- 
maes restabelecidos immunisava na dose 
de 1 litro e, Loeffer super-immunisando 
bovinos, baixou a dose preventiva a 100 
e 150 cm"^., dose que pode ainda ser re- 
duzida a menos de 80, sem concentração. 

Na peste bovina, algumas centenas 
de centímetros cúbicos de soro de ani- 
mal convalescente já podem proteger, 
mas Kolle e Turner, Nicolle e Adil Bey 
e outros, pela superimmunisação, redu 
ziram a dósc á cerca de 20 cm^. 

Na pesie dos porcos, o soro forne- 
cido pelos porcos superimraunisados é 
dos mais poderosos, pois já protege con- 
tra a infecção em doses inferiores a 
10 cm. 3 mas, como todos os outros soros 
contra filtráveis, a sua acção curativa é 
quasi nulla e somente apreciável em 
doses enormes e no inicio da molestia. 

Na peste aviaria JUAN e STAUB 
conseguiram immunisar gallinhas com 
menos de 1 cm.^ de soro preparado em 
gallinhas. 

Na raiva, BABES conseguiu proteger 
sempre os cães, quando empregava so- 
ro preparado em cães; MAGALHÃES 
conseguiu proteger bois com soro pre- 
parado em bovinos (trabalho inédito rea- 
lizado no Posto Experimentai de B. Ho- 
rizonte). Os soros homólogos são, como 
LOEFFLER e outros já verificaram, sem- 
pre mais poderosos do que os heterolo- 
gos. 

Nas molestias e.xclusivas do homem 
a verificação é mais difficil porque seria 



79 



necessário superimmunisar convalescen- 
tes, entretanto : 

Na polymijelitis acuta, FLEXNER 
e LEWIS, LEVADITI e LANDSTEÍNER 
curaram macacos com soro de convales- 
centes e de macacos superimmunisados; 
NETTER, GENDRON e TOURRAINE. 
NOLECOURÏ e DARRE', FLEXNER e 
ARROS conseguiram bons resultados na 
molestia humana empregando grandes 
doses de soro de convalescentes; 

Na variola PROWAZECK e ARA- 
GÃO verificaram no soro colhido no de- 
cimo segundo dia um certo poder viri- 
cida; a superimmunisação daria segura- 
mente resultados mais positivos. 

Na febre amarella, MARCHOUX, SA- 
LIMBENI e SIMOND verificaram que o 
soro dos convalescentes é dotado de pro- 
priedades preventivas muito nitidas e tal- 
vez mesmo de algum poder therapeutico. 

Na escarlatina EMIL REISS, além de 
outros, obteve bons resultados com soro 
de convalescentes, injectando, antes do 
4» dia de molestia, 100 cm.^ na veia 
e isso mesmo em casos graves. 

b) A pseudo-superimmunisaçào, isto 
é, a colheita do soro em individuos 
ainda doentes. Os portadores de virus 
ou melhor os eliminadores (virus auss' 
cheider) parece que são sempre doentes, 
ainda que de manifestações chronicas 
insignificantes. Este facto, que tem sido 
verificado de varios lados na peste bo- 
vina, é fácil de ser observado no epite- 
lioma das aves. Uma gallinha apparente- 
mente restabelecida, nutrindo-se bem, ef- 
fectuando posturas, é considerada como 
inteiramente restabelecida; entretanto, si 
attentarmos bem, notaremos que, de 
quando era quando, ella sacode brusca- 
mente a cabeça. Essa gallinha soffre de 
um ligeiro corysa chronico, e quer o li- 
quido, quer o sangue são infectantes. 
Nessas condições pensa-se em uma im- 
munitas non sterilisans, porque se ob- 
tém nm soro infectante. 

Com o fim de verificar as falhas 
apontadas, foram emprehendidos no Pos- 



to varios trabalhos. Os resultados obtidos 
com o epithelioma ou diphteria das aves, 
de mais fácil experimentação, podem já 
ser publicados. 



Quando se lida com mn grande nu- 
mero de pintos e gallinhas inoculados 
com epithelioma, não se pode ter duvidas 
sobre a identidade desta molestia com 
a diphteria das aves. Não só todos os 
pintos no periodo que precede a morte 
apresentam symptomas mais ou menos 
accentuados de diphteria, como tambein 
é frequente o apparecimento de placas 
diphtericas no decurso da bouba; além 
disso, não é de todo raro o apparecimen- 
to de casos em que as inoculações pro- 
vocam exclusivamente diphteria. Nas gal- 
linhas as inoculações de fortes doses de 
epithelioma, feitas sob a pelle ou no peri- 
toneo, provocam, de regra, diphteria. 

Além dessa prova por inoculação, 
que já foi anteriormente estudada prin- 
cipalmente por S. VON RATZ e por UH- 
LENHUÏ e MANTEUFEL (1910), as pro- 
vas serologicas, que publicarei mais tarde, 
são confirmadoras dessa affirmação, em- 
bora MANTEUFEL inoculando 5 cm,, 
de soros de aves immunes não verificas- 
se propriedades therapeuticas, o que não 
é de extranhar. 

O preparo do soro antiepitheliomato- 
so está sendo feito actualmente só com 
material de epithelioma triturado em gral 
de pedra, coado em panno e finalmente 
filtrado em papel, technica semelhante 
á que já usamos no preparo do soro 
antiaphtoso e outros ainda em estudos. 
Evitei, nesse caso, contrariamente ao que 
fazemos na febre aphtosa, a via intrave- 
nosa, embora a considere a melhor via 
para superimmunisações, porque no caso 
das gallinhas a sua difficuldade tira-lhe 
o valor pratico; preferi por isso as ino- 
culações intraperitoneaes. 

Para fugir aos eliminadores de virus, 
resolvi tomar sempre grandes lotes de 



80 



gallos ou gallinhas, não muito novos, e 
fazer nelles uma primeira inoculação de 
prova. Apezar de se tratar de aves que 
pela idade já tiveram probabilidade de 
se infectar anteriormente, sou constante- 
mente forçado a eliminar cerca de 50 o/o, 
porque alguns adquirem diph teria franca 
e outros manifestam a corysa chronico a 
que me referi. 

As aves, que durante uma semana 
de observação cuidadosa não apresentam 
signaes de molestia, a não ser uma ligei- 
ra diarrhea vei-de, são separadas para a 
superimmunisação. Esta é feita de accor- 
do com a technica geral que adoptamos 
na pratica corrente para o preparo do 
soro contra os filtráveis, com as modifi- 
cações de dose e via de inoculação neces- 
sárias no caso a saber: 

l*». (Inoculação de prova) InJ. liy- 
podermica de 0,1 gr. de bouba tri- 
turada e diluida em sol. physiolo- 
gica, filtrada em panno e papel. 
2a. Inoculação, no peritoneo, de 0,5 
gr. de boubas convenientemente 
trituradas, diluidas e filtradas. 
3«. Inoculação intraperilonei\l de 1 



4a. Inoculação intraperitoneal de 2 
gr. do material referido. 

5a. Inoculação intraperitoneal de 4 
gr. do material referido. 

As aves superimmunisadas são sa- 
crificadas no decimo dia depois da 5». 
inoculação. O soro obtido deve ser em- 
pregado no mesmo dia, porque a conser- 
vação com acido phenico provoca con- 
vulsões nos pintos novos, ás vezes mor- 
taes e produz uma grande irritação no 
ponto de inoculação. O ajudaute-chimico 
do Posto, BAETA VIANNA, pretende cor- 
rigir esse defeito, substituindo essa subs- 
tancia conservadora e alem disso effec- 
tuando a concentração pela reducção do 
volume do soro. 

Os pintos escolhidos devem ser mui- 
to novos, para evitar os animaes que já 
se immmiisaram por ataque anterior. 

Os pintos de idade superior a tres 
mezes já resistem melhor á infecção, e 
mais ainda os frangos e aves adultas; 
eslas curam-se sem tratamento. 

Depois de varias tentativas cheguei 
a verificar que a dose de 2,5 cm^., já pro- 
tege quando inoculada previamente e ás 
vezes, ainda, quando injectada pouco de- 
pois do virus 



gr. do material referido. 

Segiiem-se alguns resumos das experiencias mais recentes. 

I Serie 
Pintos de mu mez inoculados com 2,5 cm^. de soro antiepitheliomatoso. 

l-Inj. 5' depois do virus (esfregado na cabeça) Nada soffreu 

2- « 10' < « t (morte) 

3- « Î5' - ^ « t 

4- « 20' ' « « t 

5- « 25' « * t 

6- Inoculado somente com bouba t 

Só o pinto injectado 5 minutos depois do virus nada soffreu, todos os ou- 
tros morreram dentro de 33 dias. Os pintos 4 e 5 tiveram boubas enormes, os 
outros boubas menores. 

II Serie 

Pintos de mn mez inoculados com 3 cm^. de soro antiepitheliomatoso e 
extracto de baço. 

7-Inj. 15' antes do virus (esfregado na cabeça) Nada 

8- Idem Nada 



81 

9-Inj. 15' depois do virus Nada 

10- Idem t 

11 -Inj. 1 h. depois do vims t 

12-Idem t 

13- Inj. de extr. de baço 1 h. depois t 

14- Idem t 

1 5 - Inoculado somente com virus t 

16- Idem t 

Os pintos que soffreram a injecção de soro antes da inoculação do vírus 
(por attrito na cabeça) não se infectaram, já a injecção feita 1/4 de fora de- 
pois do virus, só protegeu lun dos dois inoculados, dahi por deante o efeito 
protector foi nullo. Os pontos 11 e 14 só apresentaram placas diphtericas, os 
outros boubas. 

lU Serie 

Pintos de cerca de dois mezes inoculados com 2,4 e 6 cm^. de soro antie- 
pilheliomatoso ou de soro normal. 

17 -Inj. 2 h. antes (2 cm3) e 1 h. antes (mais 2 cm^) Nada 

18-Idem Nada 

19 — Idem com soro de gallinha normal Bouba 

20 - Idem idem Bouba 

21 -Inoc. somente com virus (esfregado na cabeça) Bouba 

Nesta experiencia ainda o soro se mostrou de valor preventivo absoluto. 

IV Serie 

Pintos de pouco mais de dois mezes inoculados com 2,4 e 6 cm,, de soro an* 
ti ou de s. normal. 

Injecções preventivas (s4ro anti) 

22- Inj. 2 cm3 24 h. antes do virus (inj. hypod.) Bouba 

23 - Idem Nada 

24 - Inj. 2 cm3 24 h, e 21 h. antes do virus j Nada 

25 - Idem total 4 cm^ j Nada 

26 - Idem j Nada 

27 - Idem | Nada 

28 - Inj. 2 cm3 24 h. 21 h. e 18 h. antes do virus [ Nada 

29-Idem total 6 cm3 | Nada 

30- Idem { Nada 

31 - Idem ( Nada 

lajecções preventivas (s6ro normal) 

32 -Inj. 2 cmí soro norm. 24 h. antes do virus Bouba f 

33 -Inj. 2 cms 24 h. e 2 cm3 21 h. antes do virus total 4 cm' / Bouba 

34 - Idem l Bouba 

35 -Inj. 2 cm3 24 h. 21 h. e 18 h. antes do virus total 6 cm3 í Bouba 

36- Idem » Bouba 



■ 82 

Injecções curativas (soro anti) 

37- Inj. 2 cni3 jogo depois da inj. hypod. de virus Nodulos 

38- Idem Bouba 

30- Inj. 2 cm3 mais 2 cm' depois da inj. de vírus í Nodulos 

40- Idem *o^^' ^ ^"^^ { Nodulos 

41 - Idem ! Nodulos 

42- Idem. l Nodulos 

43 -Inj. 2 cm3 mais 2 depois da inj. virus í Nodulos 

44 - Idem total 6 cm' j Nodulos 

45- Idem í Nodulos 

46-ldem i Nodulos 

Injecções curativas (sAro normal) 

47- Inj. de 2 'cm' logo depois da inj. de virus Bouba 

48 -Inj. 2 cm' mais 2 depois da inj. virus total 4 cm' ( Bouba t 

49 -Idem i Bouba t 

50- Inj. 2 cm' mais 2 e mais 2 depois do virus total 6 cm' | Bouba (sacrif. 

51 - Idem ^ Bouba f 

Testeninnhas 

52 - Inoculado somente com vírus Bouba f 

53- Idem Bouba 

54 - Idem. Bouba 

55 - Idem Bouba 

56- Idem Bo"''^ 

Os pintos não supportam injecções de mais d,e 2 a 3 cçn'. por isso nesta se- 
rie as injecções de 4 e 6 cm,, foram feitas em duas e tres vezes com intervallos 
approximados de tres horas. 

Os nodulos que se observara no ab- j 2o que se verifique o poder do soro 

domen (ponto de injecção do soro) dos j immunisante com doses elevadas 

pintos de números 38 a 46 parecem de- j gm relação ao peso do animal 

vidos ao acido plienico necessário á con- ! q^^ gg pretende proteger contra a 

servação do soro, isso não se observou j infecção, 

nos de números inferiores, que foram j 

injectados com soro fresco, nem nas ¡ 

testemunhas de soro normal, também | 

j. ¡A simples passa.^em do material vi- 

^"^ ^Aqui mais uma vez, o valor pre- rulento atravez de panno e papel de fil- 

ventivo do soro foi completo, quando a tro poderá parecer, á primeira vista, que 

dose de soro era de 4 a 6 cm'. prejudica a experimentação, mas nao pre- 

l^odcmos portanto concluir auc é fa- tendi, de forma alguma, demonstrar a 

cil a obtenção de soro contra o epithelio- filtrabilidade do £(erme da diptiteria das 

ma das aves, desde que: aves. isso já está brilhantemente feito 

lo as aves em superimmunisação sup- ■ por grandes pesquisadores; o meu mtuito 

portem as inoculações sem mani- foi mostrar que as gallinhas superimmu- 

festações mórbidas, ainda que li- i nisadas com material virulento forne- 

ceiras (coryza chronico, por exem- i cem soro contra uma molestia de germe 

, plQ^ ■ filtravel que parecia fugir ao principio 



83 



;gcral: Os germes filtráveis produzem, 
de regra, soro preventivo, quando ino- 
culados de modo conveniente nos ani- 



maes sensíveis á molestia de que são 
causa. 

Bello Horizonte. 21— Maio— 1922 



Contribuição ao estudo das Gregarinas (*) 



por 

(Com as estampas 1—6). 



Introdução. 

O presente trabalho representa o 
resultado de pesquizas que encetámos 
em Setembro de 1917, sob a orientação 
dos DRS. OLYMPIO DA FONSECA FI- 
LHO e ARISTIDES MARQUES DA CU- 
NHA, Assistentes do Instituto Oswaldo 
Cruz. 

Em doze Notas-prévias que publica- 
mos no BRASIL-MEDICO durante o ano 
de 1918, descrevemos 16 especies novas 
de gregarinas além de termos estabele- 
cido dois géneros novos. Num deles in- 
cluimos uma especie dentre as novas 
formas que descrevemos, estabelecendo 
outro para uma gregarina já anterior- 
mente conhecida. Das gregarinas conhe- 
cidas damos a redescrição de duas delas 
por havermos observado alguns detalhes 
não referidos pelos autores que as des- 
creveram. 

Os artrópodes por nós e.Kaminados 
atingiram o numero de 471, todos eles 
colhidos no Rio de Janeiro (Leme e Man- 



guinhos), em diferentes épocas do ano. 
Dos miriapodes colhidos e examinados 
pelo DR. OLYMPIO DA FONSECA FI- 
LHO quando em viagem scientifica pelo 
rio PARANA' (Estado de São Paulo), 
verificámos somente duas especies de 
gregarinas já conhecidas: STENOPHO- 
RA JULI e STENOPHORA COCKEREL- 
LAE. 

Só conseguimos verificar o ciclo evo- 
lutivo de vima gregarina depois de dez 
mezes de pesquisas, pois os esporos des- 
tes protozoários eram sempre raríssimos, 
embora tivéssemos examinado artrópodes 
em todas as estações do ano. O único 
animal que apresentou grande numero 
de esporos foi um oligoqueto (GLOSSOS- 
COLEX WIENGREENI) apanhado pelo 
DR. O. DA FONSECA FILHO nos arredo- 
res do Rio de Janeiro (GÁVEA); apro- 
veitando então o grande numero de es- 
poros do MONOCYSTIS PERFOR\NS 
Pinio. 1918 existente no tecido parasitado 
(testículo) cavidade geral e nas fezes. 



(1) Trabalho laureado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro com o premio 
*'Gunning" de Historia Natural (1919). 



85 



resolvemos observar a formação dos es- 
porozoitos in vitro, o que consesjuimos 
com relativa facilidade. 

Histórico brasileiro. 

Sobre o assunto presente só conhe- 
cemos um trabalho brasileiro, do Pro- 
fessor DR. PEDRO SEVERIANO DE 
MAGALHÃES, publicado nos «Archives 
de Parasitologie» de Paris, em 1900. 
Actualmente o Professor DR. GUSTAVO 
HASSELMANN, da Escola de Agricul- 
tura, publicou em o BRASIL-MEDIGO 
cinco notas-previas sobre esporozoarios 
e descreveu algumas especies novas de 
gregarinas além de ter estudado muito 
bem o ciclo evolutivo destes protozoá- 
rios. 

Técnica. 

OBTENÇÃO DE MATERIAL PARA 
ESTUDOS. — Entre os invertebrados que 
mais frequentemente são parasitados 
pelas gregarinas, estão os artrópodes, 
anelídeos, moluscos, equinodermes etc. 
Dos artrópodes, o mais fácil de obtenção 
é a barata STYLOPYGA AMERICANA 
que entre nós é parasitada pelas seguin- 
tes especies: GREGARINA BLATTARUM 
von Siebold, PROTOMAGALHAENSIA 
SERPENTULA (MAGALHÃES, 1900) e 
GREGARINA LEGERI Pinto, 1918. 

Uma vez morto o artrópode, molus- 
co etc. pelo clorofórmio ou éter retira-se 
o intestino <^ue deve ser aberto longi- 
tudinalmente por meio de uma pequena 
tezoura que possua as extremidades bem 
ponteagudas. Feito isto, podemos muitas 
vezes observar a olho nú, pequenos bas- 
tonetes de côr branca; com uma pipeta 
aspira-se o conteúdo intestinal juntamen- 
te com os pequenos bastonetes brancos 
e examina-se ao microscopio com pe- 
queno aumento (Obj. A. ZELSS). Verifi- 
cada a presença de gregarinas no intes- 
tino do animal morto, faz-se a fixação 
do órgão parasitado para ulteriormente 
inclui-lo em parafina afim de praticarem- 



se cortes histológicos. Nestes cortes en- 
tão,, iremos procurar as formas endoce- 
lulares das gregarinas. 

Preparados. 

Os preparados podem ser a fresco 
ou corados. Os preparados corados fi- 
zemo-los pelo método de HEIDENHAIN, 
hematoxilina de DELAFILD ou hema- 
toxilina de HANSEN. Os cotes de intes- 
tino contendo formas endocelulares fo- 
ram igualmente coloridos pelo método 
de HEIDENHAIN que sempre deu bons 
resultados. 

Para os estudos de sistemática será 
melhor desenhar o protozoário quando 
vivo. pois com a fixação e coloração 
muitas vezes as gregarinas se fragmen- 
tam devido as dimensões exageradas que 
elas apresentam. 

Estudo dos géneros e especies brasi- 
leiras. 

Durante nossas pesquisas sobre es- 
porozoarios do Brasil verificámos a exis- 
tencia de seis géneros de gregarinas, sen- 
do que dois deles foram por nós estabe- 
lecidos. No estudo sistemático de algu- 
mas especies, encontrámos certas difi- 
culdades para coloca-las em géneros já 
conhecidos, e como não possuisemos ba- 
se scientifica para crear novos géneros 
colocámos provisoriamente algumas es- 
pecies no genero G/?/iGA7?/ A^A, DU FOUR 
até que estudos posteriores elucidem me- 
lhor a classificação daquelas especies. 

Gregarinas polscisttdes (Cefalinas). 

L Fam. STENOPHORIDAE (LÉGER 
et DUBOSCQ, 1904.) PINTO, 
1918. 

a) Genero STENOPHORA LABBE'. 

1899. 

b) Genero FONSECAIA PINTO, 1918. 
II. Fam. GREGARINIDAE LABBE', 

1899. 
a) Genero GREGARINA DUFOUR» 
1828. 



86 



b) Genero PROTOMAGALHAENSIA 
PINTO, 1918. 

III. Fam. ACT I NOCEPH ALI DAE LÉ- 
GER, 1892. 

a) Genero BOTHRIOPSIS SCHNEI- 
DER. 1875. 

Oregarinas monocistides (Acefalinas). 

I. Fam. MONOCYSTIDAE BUTS- 

CHLI, 1822. 
a) Genero MONOCYSTIS STEIN. 

1848 



Genero Fonsecaîa PINTO, 1918. 

Diagnose do genero.— Gregarina po- 
licislide com desenvolvimento intra ce- 
lular, não formando sizigia. Esporocistos 
lisos em forma de elipse alongada sem 
linha equatorial, não reunidos em cadeia 
e desprovidos de endo-esporocisto. Epi- 
merito muito redusido e desprovido de 
endoplasraa. Gregarina parasita de dipló- 
pode. Cistos, desconhecidos. 

Este genero é incluido na familia 
das STENOPRORIDAE LEGER et DU- 
BOSCQ, 1904, cuja diagnose modificá- 
mos, nela incluindo especies com espo- 
rocistos desprovidos de linha equatorial 
c sem endo-esporocisto. 

Especie typo |do genero: Fonsecaîa 
polymorpha PINTO, !9!8. 

(Est. 1 Flg». 1-17). 

Dimensões dos exemplares.- Forma 
redonda (Figs. 2 e 3). Comprimento total 
30 micra; comprimento do protomerito 
8 micra; largura do mesmo 11 micra; 
idem do deutomcrito 24 micra. 

Forma intermediaria (Figs. 4 — 9). 
Comprimento total 100 micra; idem do 
protomerito 10 micra; largura do mes- 
mo 14 micra; idem do deutomerito 48 
micra. 

Esporonte (tig. 17 ). Comprimento 
total 170 micra; idem do protomerito 
15 micra; largura do mesmo 18 micra; 



idem do deutomerito 80 micra. Nucle» 
com 10 micra; cariosoma com 3 micra. 

Dimensões do esporo. — (Fig. 1). 
Comprimento 18 micra por 8 micra de 
largura. Relações entre as dimensões do 
esporonte (Fig. 17); relação entre o 
comprimento do protomerito e o compri- 
mento total da gregarina 1:11,3. Rela- 
ção entre a largura do protomerito e a 
do deutomerito 1 :4,4. Relação entre a 
largura do protomerito para o compri- 
mento do mesmo 1:1,2. 

Descrição. — A Fonsecaia polijmorpha 
se apresenta sob duas formas distinctas, 
entre as quais existem tipos intermedia- 
rios. São elas: forma redonda (Figs. 2 
e 3) aparentemente desprovida de epi- 
merito, e forma longa (Figs. 4-17) com 
epimerito quasi constante, mas algumas 
vezes rudimentar. 

Forma redonda.— (Figs. 2 e 3). Gre- 
garina com 30 micra de diâmetro apre- 
sentando um protomerito hemisférico 
com 8 micra de comprii.:ento por 11 
micra de largura. Deutomerito quasi 
sempre completamente esférico com epi- 
cito bastante desenvolvido; mede o deu- 
tomerito cerca de 24 micra de diâmetro. 
O septo é plano. 

Forma longa. — (Figs. 4—17). Epi- 
merito rudimentar em alguns exemplares 
e, além disso, faltando algumas vezes; 
esta parte da gregarina é sempre despro- 
vida de endoplasma. O protomerito tem 
a forma de cilindro achatado ou, ainda, 
piriforme. O septo é ás vezes invisivel. 
Deutomerito de morfologia bastante va- 
riável nas formas longas do parasito. 
Em alguns exemplares é cilindrico, po- 
dendo terminar numa ponta que é sem- 
pre romba. Em outros exemplares á 
parte media do deutomerito corresponde 
uma dilatação que se vae atenuando 
para as duas extremidades; essa dilata- 
ção algumas vezes em lugar de se locali- 
sar na parle média do deutomerito, se 
desloca em direção a uma das extremi- 
dades, ficando nesses casos imia das por- 
ções estreitadas mais alongada .que % 



87 



outra, de modo a simular o parasito 
um vaso provido de gargalo (Est. 1 
Fig. 12). 

Além dessas variações individuais da 
forma do deutomerito, pôde um mesmo 
exemplar de gregarina, em virtude de 
uma contração anular dos mionemas, 
apresentar luna especie de cintura que 
se desloca ora num, ora noutro sentido 
(Est. 1 Fig. 7). Nos esporontes que obser- 
vámos, o deutomerito se apresentava com 
forma ovoide (Est. 1 Fig. 17). Vimos um 
esporonte com essa forma que gradati- 
vamente foi se contraindo até tomar a 
forma de uma pera (Est. 1 Fig. 11) dei- 
xando ver na base, o protomerito de ta- 
manho muito reduzido. 

Epicito bastante espesso em quazi 
todos os exemplares. Fibrilas de mionema 
ora invisiveis nas partes anterior e média 
do deutomerito. em toda a extensão dele. 
Endocito de coloração castanha ou ama- 
relada, provido de granulações sempre 
mais condensadas no deutomerito. Em 
um exemplar notámos nítido afastamento 
dessas granulações da parte média do 
deutomerito. na qual se formava uma 
zona equatorial em que eram apenas vi- 
síveis as fibrilas de mionema (Est. ' 1 
Fig. 17). As granulações do deutomerito 
podem se aglomerar na parte central dele. 
deixando assim um espaço hialino nas 
imediações do epicito (Est. 1 Fig. 9 A). 

Núcleo. Esta parte do protozoário 
também aparece sob diversos aspétos. 
Em algumas gregarinas o núcleo é invi- 
sível a fresco. Em outras se pôde apre- 
sentar redondo, mostrando ou não, ca- 
riosoma esférico e de tamanho variável, 
visível a fresco. O núcleo é as vezes alon- 
gado, em forma de rosacea (Est. 1 Fíg. 
13) ou de pera (Est. 1 Fíg. 14). 

Movimentos.— Nas formas redondas 
e nos esporontes não observámos movi- 
mentos; não se dando o mesmo nas gre- 
garinas de tamanho médio, onde notá- 
mos movimentos ora lentos, ora exagera- 
dos. A gregarina se move sempre em 
direção paralela ao seu eixo longitudinal. 



fazendo geralmente um pequeno percur- 
so para diante e logo em seguida outro 
para traz. Nas formas de tamanho média 
e que possuem mionemas, notámos que 
a gregarina se dobrava ao meio e se des- 
íocava para um e outro lado. Tais movi- 
mentos nunca observámos nos esporontes 
que eram quasi imóveis. 

Cistos.— Não conseguimos observa-los 
apezar de termos examinado grande nu- 
mero de diplópodes. 

Esporocistos. — Já descritos. 

Procedencia do hospedador: Hospi- 
tal Central do Exercito. Jockey-Club. Rio. 

Época: Abril de 1918. 

Hospedador: ORTHOMORPHA GRA- 
CILIS C. Koch, 1847. 

Habitat: intestino. 

Stenophora cunhai PINTO, 1918. 

(Est. 6 Figs. 87 e 88). 

Dimensões da gregarina: comprimen- 
to total 250 micra; idem do protomerito 
50 micra; largura do mesmo 40 micra; 
idem do deutomerito 30 micra. 

Núcleo com 20 micra e cariosoma 
10 micra. 

Relações entre essas dimensões: re- 
lação entre o comprimento do protomeri- 
to para o comprimento do mesmo 1:1,2. 

Protomerito apresentando uma parte 
anterior globulosa seguida de lun estrei- 
tamento anular. Para traz desse estreita- 
mento existe uma nova porção dilatada 
seguida de novo estreitamento que cor- 
responde ao septo que o separa do deu- 
tomerito. Ñaparte anterior do protomeri- 
to existe uma serie de denticulações. 

Deutomerito cilindro-curvo, apresen- 
tando na parte anterior uma dilatação 
semelhante á que se encontra na parte 
posterior do protomerito. Epicito de es- 
pessura uniforme. Fibrilas de mionema 
muito desenvolvidas, formando mna es- 
triação longitudinal facilmente visível. 
Endocito claro, hialino com poucas gra- 
nulações nas extremidades anterior e pos- 
terior. 

Núcleo redondo apresentando lun 



88 



grande cariosomo central e tendo na 
superficie uraa massa de cromatina com 
a forma semi-lunar. 

Hospedador: RHINOCRICUS PUGIO 
Brõlemann, 1902. (Cóngolo). 

Habitat: intestino. 

Procedencia do hospedador: Rio de 
Janeiro (Léme). 

Época: novembro de 1917. 

Stenophora lutzi PINTO, 1918. 

(Ests. 2, 5 e 6 Figi. 32—30, 82-85^ 

Dimensões do protozoário.— Oscrvá- 
mos exemplares livres na cavidade intes- 
tinal do hospedador que mediam desde 
15 miera até 210 miera. Comprimento 
total do esporonte 210 miera; idem do 
protomerito, 28 miera; largura do pro- 
tomerito na parte posterior 28 miera; 
idem do dcutomerito 35 miera; compri- 
mento do epimerito 5 miera; largura do 
mesmo 8 micra. 

Relações entre tais dimensões.— Re- 
lação entre o comprimento do protome- 
rito e o comprimento total da gregarina 
1:7,5. Relação entre a largura do deuto- 
mérito e a do protomerito 1:1,2. Relação 
entre a largura do protomerito e o com- 
primento do mesmo 1:1. 

Epimerito hemisférico, constante nas 
formas intermediarias e ausente na mor 
parte dos esporontes. 

Protomerito cilindrico, possuindo sem- 
pre uma cintura na parte média; ás 
vezes nota-se na parte anterior lun ves- 
tigio do epimerito que se destacou. 

Deutomerito cilindrico, terminando 
em ponta romba. Epicito flexível e de 
espessura uniforme. Endocito de cor par- 
da, granuloso no protomerito e no deu- 
tomerito; aqui ás vezes ele é mais escuro 
na parte anterior. 

Núcleo redondo, quasi sempre colo- 
cado na parte posterior do protista, pos- 
suindo um cariosoma redondo e central. 
Esporos e cistos desconhecidos. 

Diagnose diferencial. A presente gre- 
garina assemelha-se á STENOPHORA 
DAUPHINIA WATSON, dela se distin- 



guindo por não possuir poro e papilas na 
parte anterior do protomerito. WATSON 
não se refere á existencia do epimerito 
na gregarina ácima citada, o que se ob- 
serva em exemplares de STENOPHORA 
LUTZI. 

Hospedador: Rhinocricus (sp.). 

Habitat: intestino. 

Procedencia: Rio de Janeiro (Léme). 

Época: Novembro de 1917. 

Stenophora cruzi PINTO, Î918. 

(Est. 6 Figs. 89.) 

Comprimento total da gregarina 400 
micra; idem do protomerito 30 micra; 
largura do protomerito 40 micra; do deu- 
tomerito 80 micra. Núcleo com 10 micra. 

Relações entre essas dimensões: re- 
lação entre o comprimento do protome- 
rito e o comprimento total 1:13; relação 
entre a largura do deutomerito para o 
comprimento do mesmo 1:1,3. 

Protomerito com a forma de cone 
truncado. Deutomerito cilindrico em a 
parte anterior estreitando-se na parte 
posterior para terminar em ponta romba. 
Esta gregarina apresenta sempre o deuto- 
merito recurvado, Epicito de espessura 
uniforme deixando transparecer nítidas 
fibrilas de mionema. Em alguns pontos 
existem dobras de tamanho variável, 
dando assim a impressão de sulcos. En- 
docito claro hialino, cheio de pequenas 
granulações. Nos lados e na extremidade 
posterior o endocito apresenta-se com 
a forma vacuolar bastante pronunciada. 
No protomerito existem granulações, não 
havendo entretanto fibrilas de mionema. 
Núcleo pequeno e redondo. 

Habitat: intestino de Rhinocricus 
(sp.). 

Procedencia: Rio de Janeiro. (Léme). 

Época: Dezembro de 1917. 

Stenophora viannai PINTO, Î918. 

íTst. 6 Figs. 90-92.; 

Comprimento total do portista 900 
micra a 1.000 micra; idem do : otomerita 
GO micra; largura do protomeuLO 70 mi-* 



89 



ira; idem do deutomerito 150 micra; epi- 
merito 10 micra por 30 micra. Núcleo 
30 micra. 

Relações entre tais dimensões: rela- 
ção entre o comprimento do prolomerito 
e o comprimento total 1:16,6; relação 
entre a largura do deutomerito e a do 
protomerito 1:2,1; relação entre a largura 
do protomerito para o comprimento do 
mesmo 1:1.1. 

Epimerito. Na parte anterior do pro- 
hjraerito existe o epimerito que tern a 
fómaa de uma saliência mais ou menos 
cilindrica com um poro central. Proto- 
merito heisferico com septo bastante ni- 
lido. Deutomerito cilindrico terminando 
em ponta romba. Esta gregarina tem um 
polimorfismo bastante pronunciado. Em 
alguns exemplares o deutomerito afina-se 
no terço superior; não se dando o mes- 
mo com o protomerito que conserva 
quasi sempre a mesma morfologia. Nú- 
cleo. Esta parte do protista chama logo 
a atenção do observador quer pela sua 
morfologia quer peía situação. Ele é sem- 
pre de forma alongada, colocado trans- 
versalmente na maior parte das vezes 
junto ou nas imediações do deutomerito. 
Epicito de espessura variável. Nos bor- 
dos do septo é de espessura bastante 
pronunciada e mais ainda nos bordos do 
poro do epimerito. Endocito granuloso, 
de cor parda no deutomerito e sempre 
claro no protomerito. 

Hospedador: Rhinocricus (sp.). 

Habitat: intestino. 

Procedencia: Rio de Janeiro (Leme). 

Época: Fevereiro de 1918. 

Stenophora polydesmi (LANKESTER, 
1863) WATSON, 1916. 

(Est. 3 Fig. 49/ 

Sinonímia : 

Gregarina polydesmi virginiensis LEI- 

DY. 1853. 
Gregarina polydesmi LANKASTER. 

1863. 
Amphoroides polydesmi LABBE', 

1889. 



Gregarina polydesmivirginiensis CRA- 
WLEY, 1903. 

Amphoroides polydesmivirginiensis 
ELLIS, 1913. 

WATSON redescreveu esta especie 
de Stenophora em 1916 e dá para os es- 
porontes 400-900 micra de comprimento. 
Dimensões dadas por nós: comprimento 
total 370 micra: largura do deutomerito 
40 micra; idem do protomerito 30 micra; 
comprimento do mesmo 40 micra. Nú- 
cleo com 10 micra de diâmetro. 

Nas estampas dadas por WATSON 
não se vem bem certos detalhes sobre 
a constituição desta gregarina, por isso 
resolvem.os dar uma figura desenhada 
ad naturalis. 

A Stenophora polydesmi (Lank.) 
WAT., possue um epimerito disposto em 
forma de calote, sem constituição granu- 
losa. O protomerito é granuloso e possue 
mionemas dirigidos no sentido longitu- 
dinal do protozoário, sendo de notar que 
nesta parte do protista não vimos nunca 
mionemas transversais. O septo é claro 
e um pouco concavo, estanílo a concavi- 
dade voltada para a extremidade anterior. 
O deutomerito que é bnstaiite longo, pos- 
sue granulações de c;i- parda em toda 
a sua extensão. Tam!)em no deutomerito 
existem mionemas que se dirigem no 
sentido longitudinal. O epicito desta 5fe- 
nophora possue nitidos mionemas que 
se dirigem no sentido transversal. Estas 
formações, porém, são vistas somente 
na periferia do protista. 

Hospedador: Rhinocricus (sp.) 

Habitat: intestino. 

Procedencia: Rio de Janeiro. (Leme). 

Época: Novembro de 1917. 

Stenophora umbilicata PINTO, 1918. 

fEst. 5 Figs. 79 e 80;. 

Comprimento total do esporonte, 320 
micra; comprimento do protomerito, 25 
micra; largura do deutomerito, 150 micra; 
idem do protomerito, 40 micra; núcleo 
com 40 micra, cariosoma com 10 micra. 

Epimerito rudimentar. Protomerito 



90 



muilü pequeno c fortemente achatado. 
Dcutomerito muilissimo largo era rela- 
ção ao prolomerilo, de contorno eliptico. 

O conjunto formado pelo epimerito 
e protoracritü, fortemente achatados, dá 
á estremidade anterior da gregarina um 
aspéto umbilicado. Epicilo não diferen- 
ciado em algun.s esporoutes, em outros 
ele se esboça na parte anterior do dcu- 
tomerito. Núcleo muito grande, de for- 
ma arredondada, possuindo no interior 
um grande cariosoraa esférico e central- 
mente colocado. 

Hospedador: lihinocricus (sp.) 

Habitat: intestino. 

Procedencia: Rio de Janeiro. (Leme). 

Época: Dezembro de 1917. 

Stenophora tenuicollis PINTO, 1918. 

(Est. 5 Fig. 81.) 

Comprimento total do esporontc, 400 
micra; idem do protomerito, 20 micra; 
largura do mesmo, 20 micra; idem do 
deutomerito na parte mais dilatada, 50 
micra; idem na parte mais estreita, 18 
micra. Núcleo com 10 micra de diâmetro. 
Protomerito em forma de cone. Deutome- 
rito recurvado e apresentando diâmetro 
variável em toda a sua extensão. Na 
extremidade anterior ele apresenta uma 
forte dilatação que dá á esta parte do 
corpo a forma de um balão; para traz 
o deutomerito se continua por uma parte 
estreitada que se vae gradualmente alon- 
gando até a extremidade posterior dila- 
tada em forma de clava. Entre as duas 
extremidades dilatadas do deutomerito, 
a parte estreitada tem um aspéto de gar- 
galo fino e alongado. O endocito é claro 
no protomerito e no deutomerito. Esta 
gregarina possue mionemas altamente de- 
senvolvidos no protomerito e na parte 
média do deutomerito. 

Hospedador: Rhinocriciis (sp.) 

Habitat: intestino. 

Época: Setembro de 1917. 

Procedencia: Manguinhos. Rio de Ja- 
neiro. 



Genero Protomagalhaensîa PINTO, 
1918. 

Diagnose do genero: esporos em for- 
ma de barril com lun espinho em cada 
angulo. Evolução das gregarinas sempre 
inlra-celnlar. Cistos desconhecidos. For- 
mas em evolução sempre alongadas. Si- 
zigia: protomerito do satélite comprimin- 
do á maneira de uma tenaz o deutomeri- 
to do primito. Epimerito desconhecido. 
Este genero é incluido na familia Grega- 
rinídae l..\BBE', 1889. 

Apresentamos um quadro demonstra- 
tivo dos caracteres diferenciais entre o 
presente genero e o genero Gregarina 
DUFOUR. 1828. 

Genero Gregarina DUFOUR, 1828. 
Esporo: em f(3rma de barril ou ci- 
lindrico. 
Evolução: intra-celnlar. 
Cistos : com espóro-ductos. 
Formas cm evolução: alongadas e 

arredondadas. 
Epimerito: globidar ou cilindrico. 
Sizigia: protomerito do satélite sim- 
plesmente aderente ao deutome- 
rito do primito. 
Genero Protnmagalhaensia PINTO, 

1918. 
Esporo: cm forma de barril com imï 

espinho em cada angulo. 
Evolução intra-celular. 
Cistos : desconhecidos. 
Formas em evolução: sempre alon- 
gadas. 
Epimerito: desconhecido. 
Sizigia: protomerito do satélite com- 
primindo á maneira de uma te- 
naz o deutomerito do primito. 

Especie tipo do geneo: Protoraa- 

galhaensi serpentula (MAGALHÃES, 

1900) PINTO, I9I8. 

(Ests. 3 c 6 rigrs. 48 e 93) 

Sinonimia: 

Gregarina serpentula MAGALHÃES, 
1900. 



91 



Dimensões dadas pelo Pi"of essor MA- 
GALHÃES; exemplares de l,2mm de com- 
primento i)or 0,18mm de largura, ordi- 
nariamenle medem eics ().77mm a 0,80 
mm de comprimento por 0,06mm de lar- 
^ra. 

O protomerito lem 50 micra de 
comprimento. 

A Profomaf/alhaensia srrpcntiila (MA- 
GALHÃES. 1900 ) apresenta sempre a lór- 
ma cilindrica e bastante alongada possu- 
indo mionemas muito nilidos em quasi 
todos os exemplares por nos examinados; 
tais formações são vistas no protomíMÍto 
e no denlomerito do protista, dirigindo-se 
elas no sentido longitudinal da gregari- 
ua. Não observámos nunca mionemas 
transversais no cpicito desta gregarina. 

Em alguns exemplares notámos uma 
pequena mancha parda e de f<írraa oval, 
localisada no protomerito dos esporoníes. 
Também no ])rotomcrito deste protista 
observa-se em sua parte média uma pe- 
quena cintura motivada pelos movimen- 
tos que a parte anterior do proioraerito 
efélua para um lado e outro do animal. 
As si/.igjas podem ser em Y ou forquilha; 
sendo de notar que neste estado, os saté- 
lites tem modo diverso de se prenderem 
ao primito. O satélite verdadeiro pren- 
4ie-se ao primito comprimindo-o em sua 
parle posterior á maneira de uma tenaz 
(Fig. 48); o falso satélite tem modo de 
apreensão diferente do primeiro, isto é, 
prcndc-se ao primito como o satélite da 
Gre()aiina arar/àoi l^IXÏO, 1918. 

Hospedador: Slijlopi/f/a americana {a. 
barata). 

Habitat: intestino. 

Procedencia: Rio (Leme). 

Gregarina magalhãesi PÍNTO, 1918. 

(Ests. I e 2 Figs. 18-29.) 

Dimensões da forma joven do pi-o- 
tista: comprimento total 80 micra; com- 
primento do protomerito 20 micra; lar- 
gura do mesmo 20 micra; idem do deu- 
tomerito 25 micra; comprimento do epi- 



nierito 10 micra; largura do mesmo 8 
micra. Nucieo 10 micra. Dimensões do 
esporonle: comprimento total 300 micra; 
idem do protomerito 65 micra; largura 
do mesmo 60 micra; idem do rleutonieri- 
to 70 micra. 

Epimerito. (i-igrs. 18-22 e 21). Esta 
parte da Gregarina magalhãesi é bastan- 
te movei, dando lugar assim a diversas 
formas de epimerito. Quando em repou- 
so, ele tem a forma de um cone. (I'"ig. 
19) c é sem])re desprovido de granula- 
ções. 

Protomerito ai)resenlando um i)leo- 
raorfisrao bastante notável; nas formas 
joveris do protozoário (Fig. 21) ele pos- 
sue a forma cilindro-conica, outras ve- 
zes o protomerito se nos apresenta acha- 
tado no sentido antero posterior (l^ig. 
23); em alguns exemplares observámos 
protomerilos também achatados e com" 
saliências e reintrancias, ora na parte 
anterior ^iMg. 25) ora nos bordos íFig. 
26). Esta mudança de forma do proiome- 
rito é devida a movimentos efetuados 
pela gregarina, deslocaiido-se o protome- 
rito para ura lado e ontro. Senlo plano 
ou recurvado ligeiramente, podendo tam- 
bém deixar de ser visto algumas vezes. 

Deutomerito cilindrico, terminando 
em ponta romba nas gregarinas jovens; 
nas formas intermediarias (Fig. 29) o 
denlomerito apresenta mais ou menos a 
íórma de um S. Quando a gregarina se 
desloca para a frente, o deutomerito vae 
se dobrando aos poucos e toma então 
a forma de um S. achatado. 

Epicito podendo ser invisível em aã- 
guns exemplares (Fig. 26 e 28), outras 
vezes ele é espesso e forma dobras em 
grande numero e de tamanho variáveis, 
no deutomerito (Fig. 29). Algumas vezes 
o epicito peneira em dois terços do deu- 
tomerito, dando deste modo a impressão 
de sulcos (Fig. 29). Endocito claro com 
granulações no protomerito; no deutome- 
rito ele é bastante escuro, apresentando 
lambem numerosas granulações. Núcleo 



92 



de tamanho variável e de morfologia di- 
versa. 

Cistos ovoides. 

Hospedador: Scolopendra (sp.) 

Habitat: intestino. 

Procedencia: Rio de Janeiro. 

Época: Novembro de 1917. 

Ao nosso colega Sr. ALVIM TEIXEI- 
RA DE AGUIAR, e ARTHUR PAULO DE 
SOUZA MARTINS que nos forneceram 
o material para o estudo deste protista, 
sinceros agradecimentos. 

Oregarina brasiliensis PINTO, 1918. 

(Est. 2 Figi>. 30 e 31). 

i:omprimento total do proto/ío.irio 
92 micra; idem do protomerito 38 micra; 
largura do mesmo 30 micra; idem do 
deutomerito 35 micra; comprimento do 
núcleo 20 micra; largura do mesmo IC 
micra, cariosoma 4 micra. 

Relações entre tais dimensões, rela- 
ção entre o comprimento do protomerito 
e o comprimento total da gregarina 1:2,4; 
relação entre a largura do deutomerito 
e a do protomerito 1:1,1; relação entre 
a largura do protomerito e o comprimen- 
to do mesmo 1:1,2. 

Protomerito ovo-cilindrico, geralmen- 
te incurvado, a maior parte das vezes 
obliquamente implantado na extremidade 
anterior do deutomerito (Fig. 31). Deu- 
tomerito piriTorme. Epicito de espessura 
bastante pronunciada quer no protome- 
rito quer no deutomerito. Endocito de 
constituição granulosa tanto no protome- 
rito como no deutomerito. Cistos e espo- 
ros não observámos. Núcleo, oval com 
cariosoma de morfologia diversa. No nú- 
cleo observam-se granulações de croma- 
tina de varios tamanhos e irregularmen- 
te dispostas. 

Movimento. Quando se observa esta 
gregarina, nota-se logo um movimento 
bastante pronunciado. O deslocar do pro- 
tista se faz sempre em um só sentido, 
isto é, para frente. 

Diagnostico difereudal. Esta grcg:i- 



rina assemelha-se com a Gregarina grí- 
sea ELLIS, e com a Actinocephalus stel- 
liformis Ai ME' SCHNEIDER. Da primei- 
ra se distingue por possuir nitida cons- 
tricção do septo e não formar sizigia, 
e também pela disposição da extremi- 
dade posterior do protomerito. 

Da Actinocephalus stelliformis A. 
Sch., se diferencia por possuir esta gre- 
garina um cpimerito que se conserva por 
muito tempo, e, ainda pela disposição 
do septo que na referida gregarina 6 
sempre plano. 

A Gregarina brasiliensis conserva 
sempre a mesma forma do deutomerito. 
o que não se observa na Actinocephalus 
stelliformis A. Sch., que pela disposição 
do deutomerito apresenta tres variedades; 
piriforme, longa e sub-esferica. 

Hospedador: Scolopendra (sp.) 

Habitat: intestino. 

Procedencia: Rio de Janeiro. 

Época: Outubro de 1917. 

Ao Dr. SEVERINO LESSA, que gen- 
tilmente nos forneceu o material para o 
estudo desta gregarina, aqui deixamos 
os nossos agradecimentos. 

Gregarina elegans PINTO, 1918. 

rEst. 2 Fig. 37). 

Dimensões do protozoário e as sua« 
partes componentes: comprimento total 
75 micra; idem do protomerito 10 micra; 
largura do mesmo 24 micra; idem do 
deutomerito 32 micra; comprimento do 
núcleo 12 micra; largura do mesmo i 
micra; cariosoma 2 micra. 

Relações entre essas dimensões: re- 
lação entre o comprimento do protome- 
rito e o comprimento total da gregaria» 
1:7.5; relação entre a largura do deuto- 
merito e a do protomerito 1 f,2; rela- 
ção entre a largura do protomerito para 
o couipriniento do mesmo 1:2.4. 

Prolonrcrito curto achatado no sen- 
tido avj'cro -po.slerior, possuindo no cen- 
tro U'iia fu.mação oval cu}o maior diâ- 
metro 6 disposto no sentido transversal* 



93 - 



Não podemos identificar esta formação 
a um núcleo por isso que não apresenta 
estrutura peculiar á deste órgão. Na ex- 
tremidade anterior do protomerito existe 
uma serie de filamentos. 

Deutomerito piriforme. Epicito bas- 
tante espesso no deutomerito, fino em o 
protomerito. Endocito de constituição 
granulosa e de côr parda no protomeri- 
to; no deutomerito ele também possue 
idêntica estrutura, sendo entretanto, de 
côr mais escura. Núcleo. Em preparados 
fixados pelo sublimado alcool de SCHAU- 
DINN e corados pela hematoxilina 
férrea, secundo HEIDENHAIN, observá- 
mos melhor a estrutura desta parte do 
protista. O núcleo apresenta a forma :; 
uma pera, possuindo cariomembrana bas- 
tante pronunciada e de espessura desi- 
gual. No interior dele e na parte anterior 
existe um cariosoma de forma um tanto 
oval. Não conseguimos ver centriolo no 
interior ou fora do cariosoma. Linina 
irregularmente disposta no interior do 
núcleo. 

Movimentos. Esta gregarina possue 
mobilidade, deslocando-se sempre para 
a frente e não possuindo movimentos de 
retorno como se observam na Gregarina 
aragãoi. 

Cistos e si7.igias não conseguimos 
observar. 

Hospedador. Scolopendra (sp.) 

Habitat: intestino. 

Procedencia: Kio de Janeiro. 

Época: Setembro de 1917. 

Gregarina watsoni PINTO, 1918. 
(Est. 2 e 3 Figs 39-43). 

Dimensões dos exemplares por nós 
observados: formas em evolução desde 
54 micra de comprimento até esporontes 
medindo 350 micra de extensão. 

Dimensões de ura exemplar possuin- 
do ainda o epimerito (Fig. 41): compri- 
mento total 130 micra; idem do epimeri- 
to 12 micra; largura do mesmo 20 micra; 
comprimento do protomerito 25 micra; 



largura do mesmo 38 micra; largura do 
deutomerito 40 micra. Núcleo com 10 mi- 
cra de diâmetro, cariosoma com 4 micra. 
Dimensões do esporonte: comprimen- 
to total 350 micra; idem do protomerito 
52 micra; largura do mesmo 104 micra; 
idem do deutomerito 152 micra. Núcleo 
com um. diâmetro de 30 micra, carioso- 
ma com 10 micra. 

Dimensões da sizigia 570 micra; com- 
primento do primito 300 micra; idem do 
saleilfe 270 micra. 

Epimerito globular, não possuindo 
movimentos apreciáveis. Protomerito com 
pequenas variações de estrutura, confor- 
me SC considerar um protozoário ainda 
joven, em evolução ou já no estado de 
esporonte. Nas formas jovens, esta parte 
do protista se apresenta mais ou menos 
cilindro-conica e possue pequena cons- 
tricção na parte média. Nos estadios in- 
termediarios (possuindo epimerito) o pro- 
tomerito apresenta a forma um tanto pi- 
ramidal, ob.servando-so constantemente 
umi constricção em sua parte média. 
Nos protomerilos dos esporontes, porém 
já não é observado este caracter, apre- 
I sentándose eles apenas com uma porção 
i semi-g!obu!osa de plasma. Os esporontes 
I possuem um protomerito muito menor e 
não tem epimerito. O septo é mais ou 
I menos piano em as formas jovens e in- 
j termediarias, e faltando nos esporontes. 

i Deutomerito piriforme nas gregari- 

nas jovens; cilindrico, terminando em 
ponta romba nas formas intermediarias. 
Nos esporontes eie é completamente ci- 
líndrico. Movimentos. A gregarina move- 
se em linha recta com certa rapidez, ás 
vezes porém ela estaciona por alguns se- 
gundos e, então, a parte posterior do 
deutomerito curvando-se sobre sua parte 
anterior, eielua movimentos de curvatu- 
ra para a direita e para a esquerda, 
apresentando neste caso o deutomerito 
a forma de um V. (Fig. 43). 

Epicito bastante apreciável uos cc, 
poronles e ause.ite nas formas joveiio u 



94 



intermediarias. Eudocilo de cor parda e 
de constiluição f^ranulosa no protomerito 
e no dculomerito, sendo mais claro na 
parte anterior do epimerilo e no proto- 
nierilo do e.sp()ronlc. Núcleo com a for- 
ma redonda, possnindo ura grande ca- 
riosoma. Si/.iii;ia. Observámos alguns 
exemplares. 

Ao Dr. ADOLPHO LUTZ que teve a 
gentileza de classiiicar o hospedador 
desie gregarina, e ao Dr. MAiiAIllNOS 
T0R1ŒS que nos forneceu o material 
para esle estudo, os nossos agradecimen- 
tos. 

Hospedador: Omo])Jitta normulis 
Germ, ((.oleoplero). 

Habitai: intestino. 

Procedencia : Nictlieroy. 

Época: Abril de 1918. 

Gregarina chagasi PíNTO, I9>8. 

(Ests. 2 e 4 Figs. 38 e 56-60). 

Dimensões do protozoário: compri- 
mento total 130 micra; idem do proto- 
merito 35 micra; lai-gura do mesmo 50 
micra; idem do deutonierilo 50 micra. 
Nncleo 10 micra. Relações entre essas 
dimensões: relação enlre o comprimento 
do protomerilo e o comprimento total 
1:3,6; relação entre a largura do proto- 
merito c a do deutomerito 1:1,5; relação 
entre a largura do protomerito para o 
comprimento do mesmo 1:1,5. 

Protomerito de forma sub-globnlar, 
açbalado no sentido antcro-posterior, con- 
scrvando-se com esta morTologia desde os 
estadios jovens da gregarina. Deutome- 
rito com a forma cilíndrica. Em os esta- 
dios jovens do protozoário, se estreita 
na parte posterior. A' medida que a gre- 
garina évolue para esporonte, o deuto- 
merito sofre alteração na sua morfologia 
e apresenta então, igual largura era to- 
da a sua extensão. Nos estadios interme- 
diarios o deutomerito apresenta-se com 
a forma cilindrica, quasi sub-globnlar; 
depois, islo é, (piando esporonte ele to- 
ma uma forma alongada com achatamen- 
to na parte posterior. 



Epicito com espessura uiiilorme, bas- 
tante flexivel. Em estadios jovens desta 
gregarina notámos na parte posterior do 
deutomerlLo, mionemas bem visivcis (Fig. 
57). Endocito de còr amarela com gra- 
nulações esparsas no protomerito e no 
deutomerito. Em alguns espécimens no- 
támos uma faixa hialiiia na parte ante- 
rior do deutomerito (Fig. 58). 

Núcleo redondo com memi)rana nu- 
clear ás ve/.es beiu nilida e apresentando 
em alguns exemplares \\m cariosoma re- 
dondo e um pouco excêntrico (Fig. 58). 

(listos. Observámos cisios c[ue tem a 
forma o\oide c com dimensões muito pe- 
quenas (b"ig. 59 c 60). Esporos não con- 
seguimos observar. 

Movimentos. Gregaiina com deuto- 
merito flexivel no terço anterior, dando 
lugar a que a parle anterior do protista 
isto é, protomerito e pequena porção do 
deutomerito se dobre para a direita e 
para a es({uerda (Fig. 56). Depois do pro- 
tozoário efetuar tais movimentos, avança 
pequena porção em linha recta c esta- 
ciona por alguns scguiidos, havendo 
eximpiarcs que se movem pai-a diante 
e para traz. 

Hospedador : Conoccplialiis f ral cr 
Fiedt. Gafanhoto'. 

llabiíat: intestino. 

Procedencia : Manguinhos. 

Época: Dezembro de 1917. 

Ao Professor Dr. A. DA COSTA Ll- 
MA, da Escola de Agricultura, os nossos 
agradecimentos por haver classificado o 
hospedador desta especie de gregarina. 

Gregarina aragãoi PINTO, 1918. 

(Ests. 3, 4, 5 Figs. 44-47, 50 -55, 61, 62. 72-78). 

Dimensões da gregarina: comprimen- 
to total 170 micra; largura do deutome- 
rito 70 micra; comprimento do protome- 
rito 30 micra; largura do mesmo 40 mi- 
cra; comprimento do epiraerito 10 micra; 
largura do mesmo 10 micra. Sizigia: 
comprimento do primito 160 micra; lar- 
gura do mesmo 160 micra; comprimen- 
to do satélite 150 micra; largura do mes- 



95 



mo 1 10 micra; núcleo 12 micra de diâme- 
tro; cariosoma 8 micra. Epimerito de 
jfórma cilindrica cora a extremidade ar- 
redondada, pouco movei, ás vezes dcs- 
locando-se para a direita ou para a es- 
querda. 

Prolomerito de morfolotfia variável 
conforme o estado de evolução da gre- 
garina, ou apresenta a forma (fuasi he- 
misférica, (o que se nola nos estadios jo- 
vens do prolista) ou se nos apresenta 
com a forma cilindrica, arredondada na 
extremidade anterior. 

Deulomerilo de forma oval, mais ou 
menos aloni^ada. Epicito de espessura 
\iniforme e bastante flexivcl. Endocito 
claro hialino em alguns exemplares, tor- 
nando muitas vezes quasi invisível a gre- 
garina. Em outros exemplares o eadoci- 
cito é de còr parda claro, tornando desl' 
arte bem visivel o protozoário. Em pre- 
parados corados peia hematoxiliaa fér- 
rea (método de HEIDENHAIN) o endo- 
cito apresenta uma estruutura alveolar. 
Núcleo iFig. 78, redondo com mem- 
brana nuclear bem visivel. A maior parte 
das ve/es o núcleo é ceiítral, entretanto 
vimo-lo na parte anterior do deutomerito 
e excentricamente. Em cortes de intestino 
fixados pelo suljjimado alcool de SCHVU- 
DINN e coloridos pela bemaloxilina de 
HANSEN, pudemos observar melhor a 
estrutura do núcleo. Esíe apresenta um 
.grande cariosoma. Comumeute notámos 
um ííraiiulo cromatico em a zona do suco 
nuclear, quasi sempre muito proximo e 
ligado ao cariosoma por um delgucio fi- 
lamento ou véo de cromatina. ASTRO- 
GILDO MACHADO observou tais granu- 
les no Schizocifstis spiniqeri MACHADO. 
HARTMANN, PROVVAZEK e MACHA- 
DO consideram estes granulos cromati- 
<ros como sendo centriol :)s saidos do ca- 
riosoma. O núcleo quasi sempre possue 
granulos volumosos de cromatina. 

A forma do cariosoma é quasi sem- 
pre redonda. Sizigias observámos algu- 
mas vezes (Fig. 61 e 62). A fig. 61 repre- 
senta uma forma de pre encistamento 



das gregarinas. Esporos não consegui- 
mos observar. 

Movimentos e mudança de forma. 
—Alguns exemplares tem movimentos rá- 
pidos para a frente, outros, para a di- 
reita ou para a esquerda. Nestes últimos 
m.ovimenlos o protozoário dobra-se so- 
bre si mesmo., e o endocito se condensa 
de tal maneira que a forma da gregari- 
na é bem diversa da normal (Fig. 51). 
Observámos espécimens desta gregarina 
que tomavam a forma um tanto arredon- 
dada e moviam-se á maneira de mn ci- 
liado (Fig. 50), após alguns segundos a 
gregarina lomava uma forma um tanto 
alongada e continuava a se deslocar para 
diante ou para os lados. 

Ciclo evolutivo. Só conseguimos ob- 
servar uma parte do ciclo evolutivo da 
Gregarina aragãoi embora tivéssemos 
examinado grande numero de coleópteros 
hospedadores deste esporozoario. -Não 
conseguimos ver os esporos nem os cis- 
tos em diversos gráos de maturidade, 
impedindo-nos deste modo a observação 
dos gamelos, sua conjugação, copula, for- 
mação de zigoto, esporos e esporozoitos. 
Apezar de possuir o bospedador um 
intestino extremamente fino, fiscmos a 
fixação em sublimado alcool de SCHAU- 
DINN, incluimo-lo em parafina e prati- 
cámos coles seriados em toda a extensão 
dele, coiorindo-os pela bemaloxilina fér- 
rea de IJEIDENHAIN. 

O esporo/oito de forma along.ida 
afasta os cilios da célula epitelial nela 
pcjutrando (I"ig. 73); uma vez dentro 
da célula epitelial o esporozoito afasta 
o nucko da célula parasitada e toma a 
forma oval (Fig. 72\ Em estado mais 
adiantado de evolução, o joven parasito 
apresenta dois segmentos (Fig. 75 ou 
os 1res flig. 74) localisando-se o seu nú- 
cleo no deutomerito. Depois de parasi- 
tar c de se desenvolver á custa da célu- 
la ejíilelial a gregarina abandona-a (í'ig. 
75), ficando por algum tempo pre.so a ela 
pelo epimerito ^Fig. 76). Muitas vezes as 
gregarinas permanecem por algum tem- 



96 



po assim presas e em se destacando da 
célula parasitada deixam o epiraerito ú 
ela apenso, ou então o protozoário se 
destaca e conserva-o por muito tempo. 

Hospedador: Sijstena (sp.) pequeno 
coleóptero. 

Habitat: intestino. 

Procedencia: Manguinhos. 

Oregarina légeri PINTO, 1918. 

^Est. õ ri£. 86). 

Dimensões do protozoário: compri- 
mento total 290 micra; idem do protome- 
rito 60 micra; largura do protomorito 
na parte anterior 70 micra; idem na 
parle posterior 50 micra; largura do deu- 
tomcrilo 60 micra; idem do deutomerito 
na parte dilatada 80 micra. Núcleo õO 
micra por 30 micra. 

Relações entre essas dimensões: re- 
lação entre o comprimento do protome- 
rito e o comprimento total 1:1,8; relação 
entre a largura do protomerito e a do 
deutomerito 1:1; relação entre a largura 
do protomerito para o comprimento do 
mesmo 1:1. 

Protomerito curto, cilindrico e mais 
largo na parte anterior; aí esta parte da 
gregarina apresenta vestigios do epime- 
rito que se destacou. 

Deutomerito cilindrico, terminando 
na parle posterior por uma porção dila/a- 
da em esfera, o que torna a Gregarina 
Itgeri fácil de se distinguir de todas as 
outras. 

Epicito de duplo contorno, não apre- 
sentando estriação a¡jarente. Endocito 
granuloso de côr parda no protomerito e 
no deutomerito. Núcleo de forma oval e 
situada na parle posterior dilatada do 
deutomerito. Cistos c esporos não conse- 
guimos observar. 

Esta especie de gregarina só encon- 
trámos uma vez parazitando Stylopyga 
americana. 

Hospedador : Stylopgga americana. 

(Barata). 

Habitat: cavidade intestinal. 



Procedencia: Rio de Janeiro. Leme. 

Época: Dezembro de 1917. 

Ao Dr. ABELARDO MELLO que nos 
forneceu material para o estudo desta 
gregarina, os nossos agradecimentos 

Botriopsís daviformis PINTO, 19Í8. 

Est. 4 Figs. 63-67 

Dimensões. Observámos exemplares 
que mediam de 100 a 200 micra de com- 
primento. Largura do deutomerito 50 mi- 
cra; comprimento do protomerito 35 mi- 
cra; largura do mesmo 70 micra. 

Epicito bem desenvolvido. Protome- 
rito achatado no sentido antero-posteri- 
or, sempre muito mais largo que o deu- 
tomerito, formando com este um conjun- 
to claviforme. Na maior parte dos exem- 
plares notamos na parte anterior do pro- 
tomerito uma zona clara desprovida de 
granulações. 

Deutomerito mais largo na parte an- 
terior, terminando posteriormente sem- 
pre por uma extremidade romba. Nesta 
parle da gregarina existem em quasi to- 
dos os exemplares, manchas de formas 
diversas. Estas manchas são de constitui- 
ção granulosa, sempre porém, mais cla- 
ras que o resto do endocito do deutome- 
rito. 

No protomerito nunca notámos tais 
manchas. O septo é sempre concavo e 
penetra no protomerito á maneira de 
uma cunha. O núcleo pôde ser redondo, 
oval ou em formas de alteres. Cistos des- 
conhecidos. 

Hospedador Larva de Aeschnida 

(Odonata). 

Habitat: intestino. 

Procedencia: Manguinhos. 

Época: Julho de 1918. 

Ao Dr. ADOLPHO LUTZ que nos 
forneceu material para o estudo deste 
protista os nossos agradecimentos. 

Monocystis perforans PINTO, 1918. 

(EsU. 4, 5 e 6 Figs. 68—71, 94—100). 

rORMAÇ7.0 DOS ESPOROZOITOS 
OBSERVADA IN VITRO.— Como a pre- 



97 



sente monocistidea apresentasse grande 
quantidade de esporos, resolvemos obser- 
var a formação dos esporozoitos, o que 
conseguimos com relativa facilidade. Pa- 
ra apreciarmos tal fenómeno tomámos 
cistos contendo somente esporos em di- 
versos gráos de maturidade e mistura- 
mo-los com solução fiziologica a 8,5o/o", 
depois colocámos a mistura em uma ca- 
mará húmida na temperatura de 21o. 
Meia hora depois de havermos observado 
o esporo, lentamente formou-se o primei- 
ro esporozoito; no fim de uma hora ha- 
viam se formado seis esporozoitos com 
espaço de tempo mais ou menos igual 
para cada um deles. Não podemos contar 
os outros dois esporozoitos por estarmos 
trabalhando com material era estado fres- 
co, porém, em preparações ulteriormente 
coradas pelo método de HEIDENHaIN 
ou pelo hemalume-eosina, verificámos 
possuir o referido esporo, oito esporozoi- 
tos. 

Esporo. O Monocifstis perforans pos- 
sue esporos biconicos providos de uma 
parede resistente com poios semelhantes, 
regulares e lisos (angioespóro). Endoes- 
poro de forma oval com oilo esporozoitos 
em forma de crescente, tendo cada um 
deles lun núcleo centralmente colocado. 
Os esporozoitos medem cinco micra de 
comprimento por um micron de largura. 
O esporo mede 24 micra de extensão 



por 7.5 micra de largura. O cndoesporo 
tem 14 micra de comprimento por 6,5 
micra de largura. Na parte média do es- 
poro observámos a fresco e em prepara- 
ções coradas, uma pequena formação re- 
donda contornada por sete outras, for- 
mando dest'arte o conjunto uma figura 
de rosacea. Esta figura de rosacea repre- 
senta o reliquat do esporo. 

O corpo do Monocijstis perforans 
apresenta-se com formas diversas, pre- 
dominando entre elas a cilindrica. As 
gregarinas podem ser observadas iso- 
ladas ou em sizigias. Os esporontes são 
vistos a olho nú e medem 1.200 micra 
por 800 micra de largura. Os núcleos dos 
esporontes que medimos tinham 150 mi- 
cra de comprimento por 50 micra de lar- 
gura; cariosoma de forma arredondada 
e irregularmente disposto no interior do 
núcleo. O protoplasma desta gregarina é 
grandemente vacuolado em toda a exten- 
são do protista. 

Agradecemos ao Professor CARLOS 
MOREIRA, do Museu Nacional a finesa 
de haver classificado o obligoqueto hos- 
pedador do Monocystis perforans. 

Hospedador: Glossoscolex w^iengreeni 
Mchlsn. (Michocuçú). 

Habitat: testiculo. 

Procedencia: Río de Janeiro (Gávea), 

Época: Julho de 1918. 



98 



Explicação das figuras. 

Fig. 1 Esporo da Fonsecaia poly- 
morpha PINTO, 1918 

Fig. 2 Forma redonda da Fonsecaia 
polifmorpha. 

Fig. 3 Forma redonda da Fonsecaia 
polijmorpha vista de cima para 
baixo. 

Figs. 4—10 Formas em evolução da 
mesma gregarina. Na fig. 7 os 
mionemas são visíveis somente 
na metade anterior do deutome- 
rito. 

Fig. 11 O me.smo exemplar da fig. 17 
(esporonte) que se contraio e 
tomou a forma da fig. 11. 

Fig. 12 Fonsecaia polymorpha em 
forma de vaso; na parte anterior 
do deutomerito vem-se os mio- 
nemas. 

Figs. 13—16 Fonsecaias evoluindo 
para esporontes. 

Fig. 17 Esporontes de Fonsecaia po- 
limorpha. O protoraerito é peque- 
no em relação ao deutomerito. 
O epimerito não possue granu- 
lações. Na parte média do espo- 
ronte existe uma faixa clara de- 
vido ao afastamento das granu- 
lações do endocito. Mionemas 
muito nitidos colocados na par- 
te média do esporonte. Núcleo 
em forma de rosacea contendo 
um carisoma. 

Figs. 18—24 Formas jovens da Gre- 
garina maqalhãesi PINTO, 1918. 
O epimerito é bem visivel em 
todos os exemplares, com excep- 
ção do da fig. 23 que não pos- 
sue tal formação. Nas figuras 20- 
22 o epimerito é ameboide e 
como tal muda de aspéto con- 
forme os movimentos efetuados 
pelo protomerito. 

Figs. 25—28 Formas da mesma gre- 
garina evoluindo para esporonte. 

Fig. 29 Esporonte da Gregarina ma- 
galhãesi. Núcleo invisível. O epi- 



cito forma dobras e penetra em" 
vim terço do endocito. 

Figs. 30 e 31 Gregarina brasiliensis 
PINTO, 1918. Coloração pelahe- 
matoxilina férrea (método de 
HEIDENHAIN). A fig. 30 repre- 
senta uma gregarina em repouso 
e a fig. 31 um exemplar em mo- 
vimento. Núcleo de forma oval 
na fig. 31 e liptico em a fig. 30. 
Dentro do núcleo vêra-se massas 
de cromatina de tamanhos e 
formas diversas, fortemente co- 
loridas pela hemaloxilina férrea. 
Linina era forma de granulos. 

Fig. 37. Gregarina eleqans PINTO, 
1918. 

Fig. 32—36 Stenophora lutzi PINTO, 
1918. O exemplar da fig. 32 per- 
deu o epimerito, os demais pos- 
suem'no. Todos os exemplares 
são nucleados, o da fig. 36 mos- 
tra um cariosoma redondo. 

Figrs. 38, 56—60 Gregarina chagasi 
PINTO, 1918. As figuras 57 e 
58 são formas jovens da grega- 
rina; a fig. 38 representa uma 
forma em evolução, o septo é 
invisível. A fig. 56 representa o 
esporonte. Fig. 59 e 60 cistos 
desta gregarina. Na fig. 57 vêm- 
se mionemas na parte terminal 
do deutomerito. Na fig. 58 ve-se 
uma faixa hialina colocada na 
parte anterior do deutomerito. 

Fig. 39—43 Gregarina watsoni PIN- 
TO, 1918. Fig. 39 forma joven 
da gregarina. Na parte anterior 
do protomerito existe uma man- 
cha escura. A fig. 40 representa 
vuna forma em movimento, ven- 
do-se o epimerito e o protome- 
rito dobrados sobre o deutome- 
rito. Fig. 42 sizigia da gregarina. 
A fig. 41 mostra o epimerito, o 
protomerito e o deutomerito da 
Gregarina watsoni. 

Fig. 43 Esporonte da Gregarina wa- 



99 



tsoni. O deulomeritü está recur- 
vado para um dos lados. 

Fig. 49 Stenophora polydesmi (Lak) 
WATSON. 

Figrs. 44—47, 50—55. 61 e 62. Grega- 
rina aragãoi PINTO, 1918. A fig. 
55 representa um exemplar mui- 
to pequeno desta gregarina visto 
com grande aumento, o protista 
possue os tres segmentos. Fig. 
45 e 46 exemplares em evolução 
possuindo epimerito. A fig. 50 
representa vun exemplar de Gre- 
garina aragãoi visto de cima pa- 
ra baixo, nesta posição o proto- 
zoário roda para a direita e de- 
pois para a esquerda como be 
fosse um ciliado. A fig. 51 repre- 
senta um exemplar visto em po- 
sição obliqua e dirigindo-se para 
a mesma posição do exemplar 
da fig. 50. 

Figrs. 52 e 53 Exemplares desta gre- 
garina evoluindo para esporonte. 

Fig. 54 Esporonte da Gregarina ara- 
gãoi (exemplo tipico de uma 
gregarina.) 

Figs. 61 e 62. A fig. 62 representa 
uma sizigia desta gregarina e 
a Fig. 61 outra em estado de 
pre-encistamento; o satélite da 
fig. 61 está com o protorocrito 
achatado. 

Figs. 63—66 Bothriopsis claviformis 
PINTO, 1918. 

Fig. 67 Cistos de Bothriopsis clavi- 
formis. 

Fig. 68 Cisto de Monocgstis perfo- 

rans PINTO, 1918. com gametos. 
Fig. 69 Cisto da mesma gregarina 

com esporos. 
Fig. 70 Exemplar de Monocgstis per- 

forans. 
Fig. 71 Sizigia de Monocgstis perfo- 

rans. 
Figs. 72—76 Formas endocelulares 

da Gregarina aragãoi. 



Fig. 73 Esporozoito da Gregarina 
aragãoi penetrando em uma cé- 
lula epitelial. 

Fig. 72 Esporozoito evoluindo para 
a formação de uma gregarina. 

Fig. 74 Gregarina aragãoi já forma- 
da e parasitando uma célula epi- 
telial. 

Fig. 75 Gregarina aragãoi saindo de 
uma célula epitelial. 

Fig. 77 Cisto da Gregarina aragãoi. 

Fig. 78 Núcleo da Gregarina aragãoi 
desenhado com oc. 3 e obj. im. 
1/12. 

Junto do núcleo vê-se o centriolo 
contornado por uma zona clara. 

Figs. 79—80 Stenophora umbilicafa 
PINTO, 1918. 

Fig. 81 Stenophora tenuicolis PIN- 
TO, 1918. 

Figs. 82-85 Stenophora lutzi PIN- 
TO, 1918. 

Fig. 84 Exemplar muito jovon de 
Stenophora lutzi. 

Fig. 86 Gregarina légeri PINTO, 1918. 

Fig. 87 Forma joven de Stenophora 
cunhai PINTO, 1918. 

Fig. 88 Esporonte de Stenophora ca- 
nhai. 

Fig. 89 Esporonte de Stenophora cru- 
zi PINTO, 191S. 

Fig. 90—92 Stenophora viannai PIN- 
TO, 1918. A fig. 92 representa o 
protomerito e o deutomerito com 
uma papila. 

Fig. 93 Núcleo de Protomagalhaensia 
serpenfula (MAGALHÃES, 1900) 
desenhado com oc. 6 comp. e 
obj. 1,8. A fig. 48 representa luna 
sizigia desta gregarina. 

Fig. 94—100 Esporos de Monocgstis 
perforans PINTO, 1918. desenha- 
dos com oc. 4 e obj. im. 1/12, 
No cenlro do esporo vê-se a fi- 
gura de uma rosacea constituída; 
pelo reliquat do esporo. Da fig. 
95 em diante vêm-se os esporo- 
zoitos denlro do esporo. 



100 

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Gregarina ovata. In Arch. f. Protist. lena. Vol. 4 pp. 
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Tenebrio molitor. In Arch. f. Protist. lena. Vol. pp. 
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On the Life History of the Sporozoa of Spatangoids, with 
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Das System der Protozoa. In Arch. f. Protist. lena. Vol. 30 
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Questions relatives aux cellules musculaires. In Arch. zool. exp* 
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Zur Entwicklung der Gregarinen. In Arch. f. Prot. lena. Vol. E 
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Sobre as eugregarinas parasitas dos atrópodes brasileiros. Segun- 
da nota-prévia. In BRASIL-MEDICO. N. 8 de 23—2—918. 

Sobre as eugregarinas parasitas dos atrópodes brasileiros. Ter- 
ceira nota-prévia. In BRASIL-MEDICO. N. 9 de 2-3-918. 

Sobre as eugregarinas parasitas dos atrópodes brasileiros. Quar- 
ta nota-prévia. In BRASIL-MEDICO. N. 12 de 23-3-918. 

Sobre as eugregarinas parasitas dos atrópodes brasileiros. Quin- 
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Sobre as eugregarinas parasitas dos atrópodes brasileiros. Sextdl 
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M. E. 1918 



Sobre as relações entre precipitinas e 
precîpîtînogeno 

pelo 
Dr. J. r>A COSTTA CI^UZ 



A existencia concomitante de preci- 
pitinas e precipitinogeno em circulação 
no sangue de animaes vaccinados com so- 
ros de especies afastadas é um facto 
mencionado de longa data e que pela 
sua significação apparentemente contra- 
ditória attrahiu desde logo a attenção de 
numerosos autores. 

LINOSSIER e LEMOINE parece te- 
rem sido os primeiros a verificar o fe- 
nómeno. EISENBERG estudou-o detalha- 
damente e tentou explicá-lo por lun es- 
tado de equilibrio chimico regulado pela 
lei de acção das massas. VON DUNGERN 
em 1904, em niunerosas precipitações 
demonstrou que esta reacção está fora 
da alçada dessa lei e entrando minucio- 
samente na analyse do phenomeno con- 
cluiu por acreditar que nos soros antigeni- 
cos, não existia um único precipitinogeno, 
mas múltiplos, os quaes despertavam nos 
animaes immunisados, precipitinas, não 
uma só, mas varias, com affinidade 
apenas para o precipitinogeno correspon- 



dente, de modo que a presença simulta- 
nea de antigeno e anticorpo em circula- 
ção, se podia bem comprehender, sem ad- 
mittir que por isso necessariamente a 
precipitação se effectuasse. 

Comtiido, por outro lado, foram mui- 
to discordantes os resultados obtidos por 
grande numero de autores que se preo- 
cuparam em demonstrar a especificida- 
de de precipitinas para determinadas 
proteínas. 

Assim, LEBLANC, immimizando coe- 
lhos com albmnina e pseudo-globulina de 
soro de bôi obteve precipitinas que só 
precipitavam com os antigenos que ti- 
nham servido para a immunização. OBER- 
MAYER e PICK, ROSTOSKI, UMBER, 
LANDSTEINER e CALVO, acham que 
pelo contrario uma tal especificidade não 
se verifica. OBERMAYER e PICK em- 
pregaram como antigeno nas suas expe- 
riencias différentes substancias extrahidas 
da clara do ôvo : quatro globulinas chi- 
micaraente distinctas, uma albumina cris- 



lio 



tallizavel e outra uño cristallizavel. LAN- 
DSTEINER e CALVO immunizüram ani- 
maescom différentes fracções de soro de 
cavallo obtidas pelos processos usuaes de 
precipitação. UMBER usou albuminóides 
da clara do ôvo, uma albumina e uma 
globulina sob formas cristallinas. ASCO- 
LI, poude entretanto por meio da absor- 
pção electiva demonstrar que os immuni- 
sôros obtidos pelo tratamento de coelhos 
com as différentes fracções de soro de 
cavalio não eram inteiramente idênticas. 
A propriedade precipitante é total- 
mente retirada do soro se elle for tratado 
pelo antiíjeno correspondente era dose 
sufficiente, ao passo que uma outra fra- 
cção de soro de cavallo, dá imia reacção 
parcial que permilte posteriormente ainaa 
uma precipitação com a reacção que ser- 
viu para immunizar o animal. Numerosos 
autores se preocuparam ainda com esta 
face do problema, mas os seus resultados 
não forneceram uma conclusão mais se- 
gura que a dos precedentemente indica- 
dos. (BERTARELLI, SACCONAGHI. 
FRANCESCHELLI.) Pensa UHLENÍÍUT 
que os processos chimicos de preparação 
e purificação destes anligenos não são 
sufficientemenle perfeitos para fazer pen- 
der a opinião neste ounaquelle sentido, 
porque a reacção de precipitação é muito 
mais sensivel do que as que podem dar 
os reagentes chimicos. 

E esta também a maneira de ver da 
maioria dos autores que contribuíram pa- 
ra estes trabalhos. Recentemente autores 
ha que pretendem explicar a existencia 
lado a lado de precipitina e precipitino- 
geno tomando como base a analogia que 
este phenomeno apresenta com certos 
equilibrios coloidaes, mantidos por co- 
loides protectores (ZINSSER, YOUNG). 
Entre numerosos argumentos, um dos 
que mais convence é o da precipitação 
lenta, expontânea «autoprecipitação» que 
.se dá nos soros precipitantes conserva- 
dos. E' sabido, não obstante, que a mes- 
jma precipitação se dá nos soros nonnaes 



guardados nas melhores condições (Uh- 
lenhut). Este ponto de vista, aliaz, foi 
combatido por WEIL que voltou á velha 
concepção de V. DUNGERN, depois de nu- 
merosas precipitações executadas com al- 
bumina cristallisada de ovo. WEIL (§> 
afirma que se uma proteína pura como al- 
bumina de ôvo fôr usada para immimiza- 
ção, nunca anti^jeno e anticorpo se encon- 
tram em circulação conjuntamente. (§) 
WEIL citado por ZINSSER. Infection and 
resislence 1918 pag. 271. 

A questão, porém não terminou ain- 
da e espera uma solução definitiva. 

Os resultados que obtivemos nos nos- 
sos ensaios não parecem ser totalmente 
desprovidos de interesse. Pensamos que 
a prevalecer a opinião de V. DUNGERN, 
experimentalmente, um caminho poderia 
ainda ser explorado, e era aquelle que 
levando em conta o periodo de incuba- 
ção das precipilinas para as différentes 
fracções do soro antigenico usado, pudesse 
indicar que realmente cada fracção deter- 
minaria um periodo de incubação diffé- 
rente e proximamente especifico na mes- 
ma especie animal. 

Comquanto sejam conhecidas gran- 
des oscillações individuaes dentro de uma 
mesma especie na capacidade de produ- 
ção dos anticorpos que nos interessam, 
iniciamos o estudo de uma serie de ani- 
maes resolvidos a questão sob este ponto 
de vista. Como as injecções múltiplas 
encurtam o periodo de incubação ao 
mesmo tempo que reduzem o tempo de 
permanencia do precipitinogeno na cir- 
culação, só aproveitamos para as nossas 
series os animaes que nos forneciam 
precipilinas submettidos a uma só inocu- 
lação. Como é provável também que 
os différentes precipitinogeuos não se con- 
servem nos soros de animaes da mesma 
especie, na mesma proporção, emprega- 
mos sempre como antigeno uma partida 
de soro de cavallo, proveniente de uma 



so sangria. 



Ill 



ta Serie de experiências: 

Quatro coelhos de peso proximamen- 
te egual, foram inoculados, com 10 cc. 
de soro normal de cavallo e sangrados 
no 4o, 5°, 9o, 16", dia depois da inocula- 
ção. Separados os quatro soros, foram 
dosados no seu valor precipitante, não 
só por diluição do precipitinogeno, como 
por diluição do próprio soro precipitante 
em presença de imia diluição a 1/100 de 
precipitinogeno. 



Soro de 4 dias éra precipitante até 
1/1.000 e precipitava diluido a 1/2. 

Soro de 5 dias éra precipitante até 
1/10.000 e precipitava diluido a 1/2. 

Soro de 9 dias éra precipitante até 
1/10.000 e precipitava diluido a l/S. 

Soro de 16 dias éra precipitante até 
1/10.000 e precipitava diluido a 1/32. 

Os soros precipitantes eram usados 
em natureza na dose de 0,5, e precipiti- 
nogeno em doses decrescentes de me- 
tade até 1/64. 



la Serie soro prec. 16 dias 0,5+0,5 cc. de 1/2, 1/4, 1/8 etc. 1/64. Soro de 4 dias anel 
até 1/64. 

2a Serie soro prec. 16 dias 0,5-^0,5 cc. de 1/2, 1/4, 1/8 etc. 1/64. Soro de 5 dias 1/64. 



3a 

5a 

fia 

7a 

8a 

9a 

10a 

lia 

12a 



0,5—0,5 « 



* 9 


« 


1/32. 


« 4 


« 


1/16. 


« 5 


« 


1/16. 


« 16 


« 


1/2. d- 


« 4 


« 


1/2.9 


- 9 


« 


1/4. d» 


. 16 


« 


1/16. d- 


« 5 


« 





« 9 


« 


1/4. d" 


« 16 


« 


1/16, d* 



2a Serie de experiencias : 



Tres coelhos de peso proximamente 
egual, foram inoculados com 15 cc. de 
sOro normal de cavallo subcutáneamente 
e sangrados no 4°, 10o e 16o dia 

Soro de 16 dias éra precipitante até 
1/10.000 e precipitava diluido até 1/32. 

la Serie: Soro prec. de 16 dias 0,5—0,5 

2a « « « ««« t 

3a « O « • 10 ♦ « 

4a« « € ««c « 

5a < « c »4« * 

5a « « « « « « « 

3a Serie de experiencias: 

Quatro coelhos foram inoculados 
com 15 cc. de soro normal de cavallo e 
respectivamente sangrados no 6o, 10», 
16o e 21o dias. 



Soro de 10 dias éra precipitante até 
1/10.000 e precipitava diluido até 1/16. 
Com 1/100 de antigeno. 

Soro de 4 dias éra precipitante até 
( ( ? ) e diluido não dava precipitado. 

O soro de 10 dias foi conservado no 
frigorifico por mais de seis dias, antes dft 
execução das series abaixo. 



de 1/2. etc. 1/128 soro de 4 dias 

« « < « « « 10 « 

«««« « «4« 

« « « « « « 16 « 

« « * « « « 10 « 

« « » « c «16* 



1/128 
1/64 
1/64 
1/16 d 
1/16 d" 
1/32 -o 

Soro de 21 dias precipitado até 
1/10.000 e diluido precipitado até 1/32. 

Soro de 16 dias precipitado até 
1/10.000 e diluido precipitado até 1/32 
Com 1/100 de antigeno. 



112 



Soro de 10 dias precipitado até 
1/10.000 e diluido precipitado até 1 16. 

Soro de 6 dias precipitado até 
1/1.000 e diluido precipitado até 1/ 4. 



O precipitado com soro de 10 dias 
no tubo a 1/100 de precipitinogeno, foi 
ligeiramente menor que com soro de 16 
e sensivelmente mais abundante que com 
soro de 21 dias. 



la Serie soro prec. de 21 dias 0,5—0,5 soro de 16 dias (diluições até 1/256) 1/64 



2a 

3a 

4a 

5a 

6a 

7a 

8a 

Qa 

10a 

lia 

12a 



16 



10 



soro de 10 dias 1/118 


« « 6 


« 


1/256 


« V 21 


« 


1/8 d* 


» 10 


<■: 


1/64 


< < 6 


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1/256 


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1/16 cT 


» 16 


« 


1/16 cT 


« « 6 


« 


1/128 


* « 21 


« 


1/32 d 


. « 16 


c 


1/32 d" 


€ « 10 


« 


1/16 cT 



Destes resultados infere-se que: 

a) O precipitinogeno em circulação 
no soro dos animaes tratados, só é de- 
monstrável, por soros precipitantes com 
data da sangria posterior. 

b) que quando se toma nas mistura 
de dois soros precipitantes, para soro 
precipitante o que contem precipitinas 
mais recentes, a precipitação nunca ex- 
cede o tubo, em que diluido o soro de 
data posterior é capaz de precipitar so- 
ro de cavallo a 1/00. (Nas tabellas acima 
as flexas indicam o sentido em que se 
tende a dar a precipitação que se di- 
funde pelo soro que na reação age como 
precipitante, todas as vezes que se res- 
peitem certas precauções de technica e 
que o pi-ecipitado não seja muito espesso 
o que é quasi sempre o caso. 

c) que a precipitação de precipitino- 
geno num mesmo soro é demonstrável 
até uma diluição tanto maior quanto 
mais longo fôr o intervallo de sangria 
entre os dois soros, (dentro de certos li- 
mites). 

4a Serie de experiencias: 

Um coelho inoculado com 15 c.c. de 
soro normal de cavallo foi sangrado ao 



fim de 26 dias e forneceu soro precipi- 
tante até 1/1000.000. 

Um coelho (soro no 1) foi inoculado 
com õ C.C. de soro normal de cavallo, e 
sangrado seis dias depois o seu soro era 
precipitante até 1/1000. 

Soro no. 1 0,5—0,5 de 1/2 etc. 1/256 
soro no 2 não precipitado. 

Soro no 2 0,5-0,5 de 1/2 etc. 1/256 
soro no 1 não precipitado. 

Soro de 26 dias 0,5—0,5 de 1/2 etc. 
1/256 soro no 1 precipitado até 1/61. 

Soro de 26 dias 0,5—0,5 de 1/2 etc. 
1/256 soro no 2 precipitado até 1/256. 

Um coelho foi inoculado em: 

12/2/920 com 15 c. c. de soro normal 
de cavallo. 

14/2/920 com 10 c. c. de soro normal 
de cavallo. 

16/2/92U com 10 c. c. de soro normal 
de cavallo. 

e sangrado em 20,2/920, isto é 8 dias de- 
pois da priraei:"a injecção. 

O soro éra precipitante até 1/100.000. 

Um coelho foi inoculado cora 15 c.c^ 



113 



4e soro normal de cavallo e oito dias de- 
pois sangrado. 

A mistura destes dois soros, obede- 
cendo ao mesmo criterio dos ensaios 
anteriores não deu nenhum precipitado. 

Dois coelhos receberam subcutánea- 
mente 15 c.c. de soro normal de cavallo 
lo e 10° dias depois foram sangrados. 
Um dos soros precipitava até 1/1.000, 
o outro ligeiramente heraolizado não ia 
além de 1/1.000. 

A mistura em series, destes dois so- 
ros também não deu precipitado, mesmo 
usando os soros em natureza. 

Assim conclue-se que: 

a) Os soros precipitantes com o mes- 
mo periodo de sangria, embora possuam 
o mesmo titulo precipitante e grandes 
differenças na quantidade de precipitino- 
geno, não dão em geral precipitação 
quando postos em contacto. 

b) Soros precipitantes com o mesmo 
tempo de sangria, com titulos precipi- 
tantes différentes embora com quantida- 
des proximamente eguaes de precipitino- 
geno, também não deram a formação 
de anel. 

Devemos entretanto accrescentar que 
algumas vezes posteriormente, obtivemos 
pela junção de soros precipitantes com 
o mesmo tempo de sangria (10° dia, 16o 
dia) a formação lenta de um anel dif fuso, 
sem duvida nenhuma dependente de um 
phenomeno de precipitação. 

Essas relações eram entretanto mui- 
to fracas em comparação com as que 
obtivemos nas series acima mencionadas 
com os soros de datas différentes. Somos 
levados a crer por isso que os periodos 
de incubação das diversas precipitinas 
na especcie de animaes empregados, são 
apenas proximamente idênticos e que 
o caracter de nitidez que apresentam os 
nossos ensaios, deriva dos intervallos de 
tempo aproveitados sufficientemente lar- 
gos para excederem ás oscillações indivi- 
duaes. 



5» Serie de experiencias: 

Um coelho foi inoculado com 15 c.c. 
de soro normal de cavallo e sangrado 
com 21 dias, deu precipitinas até 1/10.000 

Este soro misturado com o de 16 
dias, já usado anteriormente e de titulo 
precipitante egual a l/.OOO.OOO, não mos- 
trou formação de precipitado em nenhum 
tubo. 

Dois coelhos de peso proximamente 
egual foram inoculados com 15 c.c. de 
soro normal de cavallo e quatro dias de- 
pois cora mais 10 c.c. Sete dias depois 
da ultima inoculação um dos coelhos 
(no 1) foi sangrado em 50 c.c. de sangue 
o outro (no 2) só em 10 c.c. 

O poder dos dois soros em precipiti- 
nas não iam além de 1/10.000 e a mis- 
tura dos dois soros em qualquer propor- 
ção não dava occasião ao apparecimento 
do anel. Cinco dias mais tarde, foram 
estes animaes novamente sangrado.s. O 
soro no 1 precipitava só até 1/1.000 o 
no 2 ainda até 1/10.000. 

la Ser. soro no 1 (2asangr.) 0,5—0,5 
1/2 etc. soro no 1 da 1» sang. 0. 

2a Ser. soro no 1 (2asangr.) 0,5—0,5 
1/2 etc. soro no 2 da la sang. 0. 

3a Ser. soro no 2 (2a sangr..) 0,5—0,5 
1/2 etc. soro no 1 da la sang. 1/16. 

4a Ser. soro no 2 (2a sangr..) 0,5—0,5 
1/2 etc. soro no 2 da la sang. 1/8 

Destes resultados pode-se talvez con- 
cluir que: 

O precipitinogeno já não se conserva 
em circulação no coelho em quantida- 
des demonstráveis, quando se injectam 
15 c.c. de soro de cavallo, no 21 dia. 

Quando se sangra um animal vacci- 
nado, duas vezes, com um intervallo de 
tempo regular, o soro de data posterior, 
posto que não tenha aimientado o titulo 
precipitante, adquire a propriedade de 
demonstrar o precipitinogeno do de data 
de sangria anterior. Se porém, a quanti- 
dade de sangue tirado na la sangria fôr 
sufficientemente forte, o soro desse outro 



114 



animal não só baka visivelmente de 
titulo, mas não adquire a propriedade de 
precipitar o de data anterior. Parece por- 
tanto, que neste caso a sangria não só 
retira as precipitinas já existentes em 
grande parte, mas também retira o pre- 
cipinogeno, em circulação no sangue, pre- 
cipitinogeno que se deve por isso consi- 
derar como necessário para a formação 
das precipitinas que precitam o preci- 
pitinogeno da 1» sangria. Tudo se passa 
pois, no processo de vaccinação. como se 
as diversas fracções do soro fossem reti- 
radas da circulação á medida que vão 
aparecendo no sangue os anticorpos, que 
as precipitam, anticorpos que se vão 
sommando em qualidade até o dia ?ío, 
ou mesmo talvez até mais tarde. 

Para o assumpto de que nos vimos 
ocupando, outro facto entretanto, nos 
poderia servir para orientação. E' sabido 
que muitos anticorpos funcionam, se não 
como precipitinogenos, como substancias 
extremamente próximas destes corpos. 
(KRAUS e PRIBRAM). DEHNE e HAM- 
BURGER verificaram em 1904 que os 
soros precipitantes para cavallo (coelho), 
eram capazes de fazer cair juntamente 
com o precipitado, a antitoxina tetânica 
dos soros de cavallos iramunisados activa- 
mente, contra essa toxina. Que essa rea- 
ção era absolutamente esp>ecifica e não 
corria por conta de um phenomeno physi- 
co ficou exuberantemente provado além 
do desses autores pelos trabalhos de 
KRAUS e PRIBRAM e de V. EISLER e 
TSURU'. 

Começamos por determinar até que 
intervallo de tempo, a antoxina tetânica 
podia ser encontrada na circulação de 
coelhos inoculados em quantidade sufi- 
ciente, e os nossos resultados aproxi- 
mam-se dos autores que estudaram esse 
ponto. (DENNE e HAMBURGER TIZ- 
ZONI, etc.) 

Tres coelhos de tamanho regular, fo- 
ram inoculados em intervallos de cinco 
dias, com 3, 5, 7, c.c. de soro antiteta- 
Xiico representando um total de 15.000 



U. A. O soro dos coelhos tinha-se mos- 
trado previamente indifférente em face 
da antitoxina como cuidadosamente veri- 
ficamos. 

Ao fim de 13 dias depois da ultima 
inoculação, restavam-nos dois aniraaes 
que sangrados forneceram soro para. 
exarae. 

Reacção das precipitinas presente. 

U Cobaia— 1/2.000 s. ant.— 2 cc. ag. 
fis. Test. dose. Pal. tet. no 5(> dia. 

2a Cobaia— 1/1.000 s. ant.— 2 cc. ag.. 
fis. Test. dose. Sobreviveu. 

3a Cobaia— 1/2.000 s. ant.— 2 cc. s. 
coelho no 1 Test. dose. Fal. tet. no 8» dia^ 

4a Cobaia -1/1.000 s. ant.— 2 ce. s^ 
coelho n" 1 Test. dose. Sobreviveu. 

5a Cobaia- 1 2.000 s. ant.— 2 ce. s. 
coelho no 2 Tes. dose. Eal. tet. no 7° dia. 

6a Cobaia- 1 1.000 s. ant.— 2 cc. s, 
coelho w 2 Tes. dose. Sobreviveu. 

7^» Cobaia— 2 cc. sôro coelho no 
1- 0.002Õ tox tet. Sobreviveu. 

8^ Cobaia— 2 cc. sôro coelho n». 
2-0,0025 tox. tet. Sobreviveu. 

9a Cobaia — 0,0005 tox. tet. FaJleceu^ 
do 4" para o 5" dia. 

Os soros dos coelhos foram colloca- 
dos com as diluições de sôro antitoxico, 
durante luna hora na estufa, ao fim da 
qual se juntava a testemunha dose da 
toxina que se deixava mais uma hora Á 
temperatura ambiente. A antitoxina usa- 
da foi sempre a mesma e as dosagens, 
foram sempre executadas segundo o mé- 
todo de ROSENAU ANDERSON. 

Vê-se assim que á distancia de treze 
dias da ultima inoculação, existia ainda 
em quantidade muito apreciável antito- 
xina de cavallo em circulação, embora, 
existissem já precipitinas em abundancia. 

Oito dias mais tarde, por nos ter fal- 
lecido um dos animaes, foi sangrado ou^ 
tra vez o restante e examinado o sôro. 

Reacção das precipitinas presente. 

la Cobaya- 1/2.000 s. ant.— 2 cc. ag. 



115 



fis. Test. dose. TeL local no 3o dia, fal. 4° 

2a Cobaya— 1/2.000 s. ant.— 2 ce. ag. 
fis. Test. dose. Tet. dose. Bôa saude. So- 
iîreviveu. 

3a Cobaya— 1/2.000 s. ant —2 ce. ag. 
sôro coelho no 1— Test. dose. Tet. dia- 
phragmatico. Fallecen no 2o dia á tarde. 

4a Cobaya— 1/1.000 s. ant. — 2 ce. 
sôro coelho no 1-Test. dose. Tet. local 
nitido no lo dia. Amanheceu morta no 2o. 

Como se vê dessa vez a antitoxina 
foi inteiramente subtrahida do sôro anti- 
toxico. Pudemos observar nitidamente que 
a inactivação a 56o, meia hora, não altera 
em nada o poder inactivante para a an- 
titoxina, e assim também como DENNE 
e HAMBURGER, conseguimos facilmente 
regenerar a propriedade antitoxica dis- 
solvendo o precipitado em excesso de 
precipitinogeno (sôro normal de cavallo). 
Parece que a não se tratar aqui de um 
papel precipitinogenico da antitoxina, a 
interpretação do phenomeno fica muito 
obscura, visto que uma vez ligada á to- 
xina correspondente como pudemos asse- 
gurar-nos, o sôro precipitante é incapaz 
de libertar a to.xina do seu anticorpo: 

U Cobaya— 1/1.000 s. ant.— 2 ce. Sôro 
precipitado.— Test. dose. 

2» Cobaya— 1/1.000 s. ant.— Test dose 
— 2 ce. sôro precipitado. 

3a Cobaya— 1/1.000 s. ant.— 2 ce. ag. 
physiol— Test. dose. 

Na 2a cobaya a toxina depois de uraa 
hora de contacto com a antitoxina, loi 
deixada mais uma hora na estufa com 
sôro precipitante. 

A la cob aya morreu de tétano em 
xiois dias. As outras duas sobreviveram 
quarenta e mn dias depois da ultima 
inoculação, o sôro deste mesmo animal, 
outra vez sangrado, conservava ainda ni- 
tidamente a propriedade de inactivar a 
antitoxina. 

Cinco coelhos foram inoculados sub- 
cutáneamente com 15 C.C. de sôro nor- 
.mal de cavallo e sangrado no 6o, 10o, 16°, 
21o e 26o dias. 



(Soros empregados a pags. III). 

la Cobaya— 1/1.000 s. ant.— 2 ce. s* 
pre. 6o dia— Test. dose. 

2a Cobaya— 1/1.000 s. ant— 2 ce. s. 
pre. lOo dia— Test. dose. 

3a Cobaya— 1/1.000 s. ant.— 2 ce. s. 
pre. 16o dia— Test. dose. 

4a Cobaya— 1/1.000 s. ant.— 2 ce. s. 
pre. 21 o dia— Test. dose. 

5a Cobaya— 1/1.000 s. ant.— 2 ce. s. 
pre. 26o dia— Test. dose. 

6a Cobaya— 1/1.000 s. ant— 2 ce. s. 
ag. physiol. dia— Test. dose. 

No segundo dia depois da inoculação 
falleceram de tétano a 3a, 4^ e 5a cobayas; 
as outras tres permaneceram em bom 
estado sempre. D'aqui resulta que as 
precipitinas capazes de arrastar a antito- 
xina só apparecem na visinhança do 16« 
dia depois da inoculação, independente- 
mente do titulo precipitante do sôro ou 
da quantidade do precipitado que se for- 
me. 

Um coelho recebeu tres inoculações 
subcutâneas de sôro normal de cavallo 
na seguinte ordem : 

Em 10/1/1920—15 c. c. 

Em 12/1/1920-10 c c. 

Em 15/1/1920—10 c. c. 

Sangrado em 21 deu precipitinas até 
1/100.000 cora precipitado muito abun- 
dante até a diluição de 1/1.000 de preci- 
pitinogeno. 

Em 23/1/1920. 

la Cobaya— 1/1.000 s. ant— 2 ce. s. 
pre. Test dose. 

2a Cobaya- 1/2.000 s. ant.— 2 ce. s. 
pre. Tes. dose. 

3a Cobaya— 1/1.000 s. ant— 2 ce. s. 
ag. fis. Tes. dose. 

4a Cobaya- 1/2.000 s. ant— 2 ec. ag. 
fis. Tes. dose. 

A quarta cobaya morreu em 60 ho- 
ras; a segimda em 72 horas. As duas so- 
breviveram. 



116 



Um coelho vaccinado com soro con- 
centrado antitetanico (estalão america- 
no), por meio de tres inoculações es- 
paçadas de cinco em cinco dias, foi san- 
grado 21 dias, depois da ultima injecção 
e o seu soro precipitava a antitoxina Ião 
bem quanto os outros anteriormente usa- 
dos. 

Com a antitoxina diphterica nunca pu- 
demos, porem, apezar de todos os esfor- 
ços verificar a desapparição da antito- 
xina pelo emprego de soros precipitantes, 
bem que tivéssemos usado soros antito- 
xicos da proveniência différente e d ti- 
tulo sufficientemenle alto para os poder- 
mos empregar nas dosagens em diluições 
eguaes as que eram usadas para a anti- 
toxina tetânica: e bem que todos os soros 
precipitantes tivessem sido previamente 
verificados activos para a antitoxina te- j 
tánicas. 

Cobayas de 250 grs. | 

la Cobaya— 1/700 s. ant. dift. 2 ce. I 
s. prec. 21 dias— Test. dose. 

2a Cobaya— 1/1.000 s. ant. dift. 2 ce. | 
s. prec. 21 dias— Test dose. 

3a Cobaya— 1/700 s. ant. dift. 2 ce. 
ag. physiol.— Test. dose. 

4a Cobaya— 1/1.000 s. ant. dift. 2 ce. 
ag. physiol.— Test. dose. 

Destas cobayas a ultima morreu do 
quarto para o quinto dia, assim como 
a segunda cinco boras depois, ambas 
Com congestão das capsulas suprarenaes, 
e infiltrações hemhorragicas do ponto de 
inoculação. 

Cobayas de 250 grs. Soro precipitan- 
te de 36 dias. 

la Cobaya— 0,1 soro ant. estalão— 2 cc. 
s. prec— 0,7 toxina (tes. dose) 

2a Cobaya— 0,1 soro ant. estalão— 3 cc. 
s. prec— 0,7 toxina (tes.dóse). 

3a Cobaya— 0,1 soro ant. estalão— T cit. 
ag. physiol.— 0,1 toxina (test. dose). 

Estas cobayas morreram com inter- 
vallo de horas do quarto para o quinto 
dia. 



Soro precipitante de 30 dias. 

lo Pombo— 1/800 s. ant— dift.— 2 cc. 
s. prec— test. dose. 

2o Pombo— 1;1.C00 s. ant.— dift— 2 cc. 
s. prec— test. dose. 

3o Pombo— 1/800 s. ant-dift— 2 cc 
ag. physiol.— test dose. 

4o Pombo-1/l.OOQ s. ant,-dift.— 2 cc 
ag. physiol.— te.st dose. 

Todos os animaes sobreviveram ex- 
cepto o ultimo que falleceu no 6» dia 

Não obstante a nossa diligencia em 
obter as melhores condições para se en- 
contrarem resultados positivos, foi-nos 
sempre impossível retirar a antitoxina 
diphterica por meio de soro coelho-anti- 
cavallo. 

Ü resultado desses ensaios explica 
porem porque razão discordam inteira- 
mente das de DEHNE e HAMBURGER 
as experiencias de KRAUS e PRIBRAM, 
sobre a precipitação de antitoxinas em 
«vivo» é que emquanto os primeiros tra- 
balhavam com antitoxina tetânica os ou- 
tros serviam-se para suas indagações de 
antitoxica diphterica. As conclusões de 
KRAUS e PRIBRAM sobre esse ponto, 
não têm por isso um valor inquestioná- 
vel. 

Mas não só com antitoxina diphterica 
deixamos de ter resultados positivos, os 
ensaios com antitoxina botropica leva- 
ram-no a resultados análogos. Estes en- 
saios entretanto são mais passíveis de 
critica visto que para as dosagens do 
soro não se podem fazer grandes dilui- 
ções do precipitinogeno, condição segim- 
do KRAUS e PRIBRAM essencial para 
que se obtenham resultados seguros. Para 
obviar esse inconveniente, empregamos 
quantidades excessivas de soro precipi- 
tante que tinha sido como nos casos de 
diphteria previamente provado com anti- 
toxina tetânica. 

O soro antitoxico empregado, provi- 
nha de I. S. B. de S. Paulo e trazia co- 
mo indicação de dosagem, 1 c c. de 
soro para 1,6 de veneno de LACHESIS 



117 



"LANCEOLATUS. O nosso veneno pro- 
vinha de Bello Horizonte. Todas as dosa- 
gens foram feitas pelo processo de 
VITAL BRASIL. Antes de juntar o vene- 
no, deixavam-se os tubos com soro anti- 
toxico e soro precipitante, 2 horas na 
estufa a 37o. Depois da adição do vene- 
no demoravam ainda uma hora a 37o 
antes da injecção que era feita na veia 
axillar do pombo. 

lo Pombo— 1 ce. soro botr. 3 cc. s. 
prec— 1,6 venen. L. lanceolatus. 

2o Pombo — 1 cc. soro botr. 2 cc. s. 
sprec— 1,0 venen. L. lanceolatus. 

3o Pombo— 1 cc. soro botr. 1 cc. s. 
prec— 1,6 venen. L. lanceolatus. 

4o Pombo— 1 cc. soro botr. 2 cc. ag. 
dis.— 1,6 venen. L. lanceolatus. 

5o Pombo— 1,6 de veneno de L. lan- 
ceolatus. 

Todos os pombos se conservaram 
em bom estado depois da inoculação e 
sobreviveram, excepto o ultimo que teve 
morte immediata. 

2a Serie: 

lo Pombo— 1 10. de soro botr. 2 cc. 
s. prec. 0,i6 ven. L. lanceolatus. 

2o Pombo— 1 10 de soro l)otr. 1,5 
s. prec. 0,16 ven. L. lanceolatus. 

3"J Pombo— 1 10 de soro botr. 1 cc. 
s. prec. 0,16 ven. L. lanceolatus. 

4o Pombo— 1/10 de soro botr. 2 cc. 
ag. fis. 0,16 ven. L. lanceolatus 

5o Pombo— 1,16 veneno de L. lanceo- 
latus. 

Todos os animaes resistiram sem al- 
teração do estado de saúde, com excep- 
ção do ultimo que morreu antes de cinco 
minutos. 

A carencia do soro no mercado im- 
pediu-nos de executar outros ensaios e 
de determinar dosagens com soro anti- 
crotalico. O soro precipitante aqui em- 
pregado era de 24 dias. 

Mais interessantes ainda foram os 
resultados achados para antitoxina teta- 



nica, com sùro precipitante hiuuano anti- 
cavallo. 

A. S. recebeu em dois dias 300 c. c. 
de sôro anti-pestoso em tres injeções, 
duas na veia e uma debaixo da pele. Ul- 
tima injeção em 11-11-1919. 

Em 19-11-1919, foi sangrado e o sôro 
demonstrou: 

Presença de precipitinogeno até a 
diluição de 1/10. 

Presença de precipitinas até á uma 
diluição superior a 1/1000. 

Ausencia de precipitina para a anti- 
toxina tetânica. 

Em 26-11-1919, outra vez sangrado 
o sôro mostrou: 

Presença de precipitinogeno até 1/10. 

Presença de precipitinas até 1/1000. 

Ausencia completa de precipitinas 
para a antitoxina tetânica. 

Em 24-12-1919, pela ultima vez san- 
grado a analise do sôro demonstrou: 

Presença de precipitinogeno até 1/2. 

Presença de precipitinas até 1 '10.000, 

.\u.sencia de precipitina para a anti- 
toxina tetânica. 

C. R. Recebeu 320 cc. de sôro anti- 
pesto.so em tres inoculações endoveno- 
sas, a ultima datando de 11-11-1919. 

Em 22-11-1919, sangrado o sôro exa- 
minado mostrou: 

Presença de precipitinogeno até 1/10. 

Presença de precipitinas até 1/1000. 

Ausencia de precipitina para a anti- 
toxina tetânica. 

Em 5-12-1919: 

Presença de precipitinogeno até 1/2. 

Presença de precipitinas até 1/1000, 

Ausencia de qualquer acção sobre a 
antitoxina tetânica. 

Em 29-12-1919: 

Ausencia de precipitinogeno. 

Presença de precipitinas até 1/10.000. 

Ausencia de quaquer efeito nocivo 
sobre a antitoxina tetânica. O precipiti- 
nogeno foi pesquizado com sôro preci- 
pitante de coelho para cavallo, de 17 dias, 
As dosagens da antitoxina foram execu- 



118 



tadas tão proximo do litulo antitoxico 
do sôro, que se obteve nas cobayas teta- 
no local nítido. 

Posteriormente tivemos ainda ocasião 
de examinar mais tres individuos, mas 
eximimo-nos de mencionar detalhada- 
mente os resultados por que não diferem 
nada dos mencionados. Era nenhum caso 
pudemos obter um resultado que pudesse 
ser considerado duvidoso. 

Demonstra isso portante que o pre- 
cipitinogenos para determinadas especies 
animaes, podem deixar de selo para ou- 
tras, bem que essas outras possam res- 
ponder com precipitinas a outras fracções 
de sôro empregado. 

Estudando no coelho, com antito- 
xina disentérica, obtivemos resultados 
completamente diferentes. 

Technica : 

Collocados 0,1 de sôro anti-Shiga 
concentrado 6 vezes, durante duas horas 
a 37» em presença de sôro precipitante 
de 16 dias, de 4 dias, e de sôro normal 
de coelho. Inoculada a mistura na veia 
marginal da orelha, depois de centrifu- 
gação e decantação, deixou-se passar 
meia hora e então na veia da orelha 
oposta, inocularani-se 0,4 de extracto Shi- 
ga. 

lo Coelho— 1 c. c. de sôro de 16 dias 
—0,1 Shiga— 0,4 ext. Shiga. 

2" Coelho— 1 c. c. de sôro de 4 dias 
—0,1 Shiga— 0,4 ext. Shiga. 

3° Coelho— 1 c. c. de sôro normal de 
coelho-0,1 S. Shiga-0,4 ext. Shiga. 

4o Coelho-0,1 S. Shiga— 0,4 ext. Shi- 
«a. 

O primeiro coelho morreu em tres 
dias com paralisia generalizada, o se- 
gundo que desde o segundo dia se mos- 
trou quasi totalmente paralitico resistiu 
até o 9o dia. Os outros dois animaes não 
mostraram alteração do estado de saúde. 

A repetição deste ensaio, levou-nos 
a resultados análogos. O 10° coelho mor- 
reu no 3" dia, o segundo faleceu no 7° 



com paralisias iuiciaes no 2°. O sôro pre- 
cipitante do 4o dia aqui empregado ti- 
nha-se mostrado inteiramente incapaz de 
retirar a antitoxina tetânica do sôro anti- 
toxico. Estendendo as nossas investiga- 
vões ás aglutininas, empregamos não só a 
técnica de KRAUS e PRIBRAM, partindo 
para as diluições de precipitações mães, 
mas também usando para cada diluição 
a juntar gei-mens, 0,5 de sôro precipi- 
tante. 

Technica: 

A cada tubo contendo, 0,5 de sôro 
precipitante foram juntados 0,5 de dilui- 
ções a 1/25, 1/125, 1/250, 1/500, l/lOOO, 
1/2000, 1/4000 de sôro agglutinante disen- 
térico e depois de duas horas na estufa a 
37», retiraram-se os precipitados forma- 
dos por centrifugação e decantação. Addi- 
cionado 1 c,c. de uma emulsão de b. 
Shiga em cada tubo, levou-se a mistura á 
estufa por mais duas horas e procedeu-se 
a leitura. 

Fizemos varias series para as preci- 
pitinas que possuímos, 4, 10, 16, 21 e 26 
dias. 

A aglutinação deu positiva até 
1/16.000 (ultimo tubo) na serie em que se 
trabalhava com precipitinas do 4" dia e 
completamente negativa em todas as ou- 
tras, desde o primeiro tubo, bem que a 
diluição do sôro empregado, não exce- 
desse 1/25. 

Uma serie testemunha, demonstrou 
que o sôro agglutinante até 1/500. 

A agglutínação até 1/lGOOO na serie 
das precipitinas do 4o dia, corria por 
conta do sôro de coelho empregado. 

Para as agglutininas typhicas o sôro 
empregado era agglutinante para a amos- 
tra que usamos até 1/10.000. 

Como precedentemente para os ba- 
cilos disentéricos a agglutínação foi ne- 
gativa com precipitinas do 10o, i6o, 21o 
e 26o dias e positiva na do quarto dia. 
Além da technica empregada acima, fize- 
mos series de diluições de sôro aggluti- 
nante a 1/500 e 1/1000 em 0,5 c. c, que 



119 



juntamos a 0,5 dos soros precipitantes. 
Depois da demora indicada na estufa, e 
de retirado o precipitado, partimos do 
liquido, sobrenadante para diluições que 
addicionadas á emulsão de B. typhicos 
nos permittissem títulos a 1/1000, 1/2000, 
1/3000, 1/8000, 1/16.000, 1/32.000. t/G4.0oo. 

A leitura permittiu ainda aqui com as 
precipitinas do quarto dia, agglutinação 
positiva até 1/32.000 que provavelmente 
provinha do soro de coelho. 

Estes dados indicam que os dilfcren- 
tes anticorpos se encontram em circula- 
ção fazendo parte de precipiliaogenos 
différentes, que se podem em parte distin- 
guir pela demora por que no organismo 
do coelho se processa a produção de 
precipitinas. Assim a antitoxina disente- 
terica, já é parcialmente precipitada por 
precipitinas do quarto dia, ao passo que 
as agglutininas para o mesmo germen só 
são precipitadas por soros do 10^> dia e 
que a antitoxina tetânica só ainda com 
soros mais tardios é retirada do soro an- 
titoxico (16" dia). 

Para as duas agglutininas que investi- 
gamos a precipitação começava em soro 
da mesma data, emquanto para a antito- 
xina diphterícae l)otrüpica, foi-nos sem- 
pre impossível obter resultados positivos, 
apesar de todos os cuidados com que se 
examinou a questão. Assim chegamos á 
conclusão que os diversos anticorpos se 
encontram presos a precipitinogenos dif- 
férentes, alguns dos quaes se podem ni- 
tidamente differençar, e outros em que 
essa differenciação é prejudicada pelo 
Tacto de provocarem no coelho um pe- 
riodo de inoculação proximamente cgual. 
KRAUS e PRIBRAM, por algumas pre- 
cipitinas retirarem agglutininas para um 
mesmo germen de determinados soros, 
em certa quantidade e necessitarem de 
muito mais soro precipitante para pro- 
duzirem o mesmo effeito em agglutininas 
de outros animaes da mesma especie, 
acham até que o mesmo anticorpo possa 
estar ligado a precipitinogenos differeu- 
Ics nesses animaes (cavallos). Essa con- 



clusão nos parece excessiva e cremos que 
se trate aí antes de uma relação quan- 
titativa entre o precipitinogeno a que 
está ligada a agglutinina e a parte desse 
mesmo precipitinogeno sem grupos agglu- 
tinantes, que circula certamente ao lado, 
e que é precipitada pela mesma especie 
de i)recipitinas. 

Como estava imediatamente indicado, 
depois disso, encetamos o estudo das 
relações entre precipitinas e outros anti- 
corpos (agglutininas e antitoxinas). 

Um coelho marcado de acido picrico, 
foi inoculado em: 

24— 1—1920— com 10 c. c. de uma emul- 
são de bacillos de môrmo mortos a 70o 
28— 1—920— durante duas horas e simul- 
taneamente com 10 c. c. de soro normal 
2-2-920-de cavallo. 

Sangrado em 9—2—920, forneceu so- 
ro precipitante até 1/100.000 e aggluti- 
nante até 1/1.600. 
Technica : 

A 0,5 de soro de coelho foram adici- 
onadas quantidades decrescentes de soro 
de cavallo a 1/10, 1/100, 1/1000, 1/10.000 
e 1/100.000. Depois de duas horas na es- 
tufa a 37o e 21 horas no frigorifico, re- 
tiraram-se os precipitados formados por 
centrifugação e decantação e diluiram-se 
os líquidos sobrenadantes de modo a se 
obterem diluições de soro a 1/200, 1/400, 
etc. até 1/6.400, depois de juntar a todos 
os tubos 1 c. c. de uma emulsão de ger- 
mens. A tubos testemunhas submettidoi 
a tratamento idêntico substitui-se o so- 
ro precipitinogenico de cavallo por aguai 
physiologica. A leitura foi feita com 24 
horas de estufa a 37°. Em todos os tubos 
e mesmo no primeiro em que o precipi- 
tado foi muito abundante o liquido so- 
sobrenadante agglutinou os germens até 
1/1600. como nos tubos testemunhas. 

Conclue-se d'aqui, que as precipitinas 
não estão ligadas no soro á mesma frac- 
ção a que pertencem as agglutininas e 
que a retirada dessa fracção não dá ás 
agglutininas, nem maior affinidade neraí 



120 



maior actividade para os germens espe- 
cíficos. 

Com as antitoxinas fomos levado a 
resultados idênticos : 

Um cavallo foi inoculado em: 

17—9—919 com 100 cc. de toxoides 
tetânicos. 

25—9—919 com 250 cc. de toxoides 
tetânicos. 

6—10—919 com 250 cc. de toxoides 
tetânicos. 

17—10—919 com 300 cc. de toxoides 
tetânicos. 

29—10—919 com 400 cc. de toxoides 
tetânicos. 

9—11—919 com 400 cc de toxoides 
tetânicos. 

19—11—919 com 450 cc. de toxoides 
tetânicos. 

27—11—919 com 100 cc. de toxina 
e formol (3 dias de contacto). 

10—12—919 com 150 cc. de toxina 

18-12—919 com 200 cc. de toxina. 

19—12—919 com 500 cc. de soro 
normal de carneiro. 

30—12—919 com 250 cc. de toxina. 

31—12—919 com 250 cc. de soro 
normal de carneiro. 

Sangrado em 9—1—970, forneceu so- 
ro antitoxico com 500 u. a. por centi- 
metro cubico e precipitante até 1/100. 

Em 15—1—920, a 0,5 de soro desse 
càvallo, foi juntado soro de carneiro di- 
luido a 1/10. Depois de duas horas a 37° 
e 24 horas no frigorifico foi centrifuga- 
do e o liquido proveniente da decanta- 
ção foi de tal forma diluido que o soro 
antitoxico ficou a 1/1000, 1/2000 e 1/5000. 
Testemunhas acompanharam o tratamen- 
to com agua physiologica em vez de soro 
de carneiro. A cada diluição juntou-se a 
test, dose de toxina, e decorrida uma 
hora foram feitas as inoculações em 
cobayas de 350 grs. 

lo— cobaya— 1/1000 s. ant. precipita- 
do — 2 cc. ag. physiol.— Test. — dose. 



2o- cobaya— 1/2000 s. ant. precipita- 
do — 2 cc. ag. physiol.— Test. — dose. 

3o— cobaya— 1/500 s. ant. precipita- 
do — 2 cc. ag. physiol— Test. — dose. 

4o— cobaya— 1/1.000 s. ant. não prec. 

— 2 cc. ag. phj^siol. — Test.— dose. 

5o— cobaya— 1/2.000 s. ant. não prec. 

— 2 cc. ag. physiol. — Test.— dose. 

6o— cobaya— 1/5.000 s. ant. não prec. 

— 2 cc. ag. physiol. — Test.— dose. 

A terceira e a sexta cobayas fallece- 
ram de tétano em 20—1—920; as outra» 
quatro sobreviveram. 

Um bode foi inoculado em: 
28—10—919 com 50 cc. de toxoides 
7—11—919 com 100 cc. de toxoides 
17—11—919 com lOOcc. de toxoides 
27—11—919 com 150 cc. de toxoides 
10—12—919 com 150 cc. de toxoides 
20—12—919 com 20 cc. de toxina 
30—12—920 com 40 cc. de toxina 
9—1—920 com 50 cc. de toxina 
19—1—920 com 50 cc. de toxina 
20- 1—920 com 100 cc. de soro nor- 
mal de cavallo. 

29—1—920 com 50 cc. de toxina 
30—1—920 com 100 cc. de soro nor- 
mal de cavallo. 

Em 13—2—920, o animal foi san- 
grado; e o soro dava 50 u. a. por centí- 
metro cubico e era precipitante até 
1/1000. 

A technica aqui empregada foi exacta- 
mente egual á precedente, o soro foi 
precipitado por uma diluição a 1/10, 
tubo em que o precipitado foi mais 
abundante. 

lo cobaya— 1/500 s. ant. precipita- 
do— 2 cc. de ag. physiol.— Test.— dose. 

2o cobaya— 1/1.000 s. ant. precipita- 
do— 2 cc. de ag. physiol.— Test.— dose. 

3o cobaya— 1/500 s. ant. não prec— 
2 ce. de ag. physiol.— Test.— dose. 

4o cobaya— 1/1.000 s. ant. não prec.—* 
2 cc. de ag. physiol.— Test.— dose. 



121 



A segunda e a quarta cobayas falle- 
ceram de tétano durante o curso do se- 
£(nndo dia, a terceira durante a tarde do 
quarto dia e a primeira appareceu morta 
na manhã do quinto dia. 

Vê-se pois também d'aqui que a re- 
tirada da fracção do soro que n'elles cons- 
titue a parle precipitante, é inteiramente 



independente da parte que forma a an- 
titoxina tetânica em animaes de variada 
especie. A retirada dessa parte não dá acü 
soro melhores propriedades antitoxicas 
nem maior affinidade para a tozini. 

Rio, 12 de Março de 1920. 



Sobre uma amoeba do genero VAHLKAMPFIA encontrada no 

homem 

por 
CESAR F»IIVTO, D. ]VI. 

(Com a. estampa 7). 



O genero Vahlkampfia CHATTON 
ct BONNAIRE, 1912 foi estabelecido para 
as amoebas de vida livre conhecidas 
pelo nome de amoebas Umax e compre- 
hende rhizopodes corn 5—30 micra de 
comprimento, formação de pseudopodes 
lobados (lobopodes) geralmente único e 
disposto em uma só direção, vacuolo 
presente ou não, estructura nuclear sim- 
ples, cariocinese (promitose de NAE- 
GLER) e finalmente cystos uninucleados. 

ÂLEXEIEFF afirma que as Vahl- 
kampfia nunca são parasitas e que os 
seus cystos podem atravessar o tubo di- 
digestivo de diferentes animaes, porém 
as amoebas só saem dos cystos nas ex- 
creções receitadas. 

A afirmação de ÂLEXEIEFF não 
tem fundamento diante das observações 
de CHATTON e BONNAIRE, WHITMO- 
MORE, HARTMANN, HOGUE e nossas. 
Os dois primeiros pesquisadores acha- 
ram formas vegetativas de Vahlkampfia 
pas fezes do homem; WHITMORE cul- 



tivou a Vahlkampfia whitmorei HART.* 
em pus de mn abcesso do figado e treze 
vezes em fezes de dizentericos; HOGUE 
observou exemplares do genero em ques- 
tão nas ostras. 

Em um caso de disenteria com nu- 
merosas Giardia infestinalis (LAMBL) 
nas fezes constatamos a Vahlkampfia ma- 
cronucleaía. bem como em outro de di- 
senteria amoebiana C£n/. histolytica Sck.,) 



Genero Vahlkampfia CHATTON et 
BONNAIRE, 1912. 

Syn. Naegleria ÂLEXEIEFF, 1912. 

Diagnose: «Amoebas de pequeno ta- 
manho, locomovendo-se geralmente por 
meio de um largo pseudopode lobado; 
algmnas vezes entretanto podem se for- 
mar muitos pseudopodes. Vacuolo pul- 
sátil. 

Um só núcleo com cariosoB>a volu- 
moso, denso e chromophilo pobre em 
chromatina peripherica (protocaryon).» 



123 - 



Divisão nuclear caracterisada pelos cor- 
pos polares volumosos, deriva'^os ¿o ca- 
ryosoma, a placa equatoreal é formada 
principalente á custa da chromatina pe- 
ripherica. Cystos uninucleados com cor- 
púsculos chroraatoides que desaparecem 
nos cystos antigos. Estado flagelar com 
dois flagelos.» 

F. DOFLEIN coloca as amoebas do 
fjenero Vahlkampfia em uma familia que 
chama de Bisíadiidae DOFLEIN. De ac- 
côrdo com as regras de nomenclatura 
zoológica o nome de uma familia deve 
ser tirado do genero typo e assim sendo 
a designação que deverá prevalecer será 
antes a de Trimasligamoebidae porque 
o genero Trimastigamoeba WHITMORE 
foi creado primeiro. 

Diagnose da familia. Rhizopodes ca- 
racterizados por possuírem alternativa- 
mente luna phase com flagelo, e outra 
sem flagelo, neste xdtimo estadio os pro- 
tozoários têm movimentos amoeboides, 
com labopodes e nutrem-se conforme a 
especie de amoeba. Parece que existem 
formas com mn, dois e tres flagelos. Di- 
visão so se conhece em estado de amoe- 
ba. As formas são uninucleadas e têm 
um núcleo com caryosoma vesiculoso. 
Cystos uninucleados.» 

Genero typo: Trimastigamoeba WHI- 
ÍTMORE. 

Vahlkampfia macronucleata PINTO, 
1921. 

(Est. 7). 

Bibliographia; C. PINTO, 1921. In 



Brasil-Medico Acno 35, vo!. Î N° 18. pp. 
222—3. 

Comprimento máximo: 14,4 micra; 
largura 8 micra. A figura 1 da est. 7i 
representa o maior exemplar encontrado. 
Não existe diíferenciação entre o 
ectoplasma e o endoplasma, sendo este 
de constituição alveolar typo RUTSCHLI, 
não possuindo vacuolo nem inclusões. 
O núcleo nos estadios vegetativos 
chama logo a attenção pelo grande de- 
senvolvimento, pois occupa a metade da 
largura do rhizopode tornando-o muito 
caracteristico, medindo 4 micra de diâ- 
metro. Não existe membrana nuclear dis- 
tincta (Est 7 figrs 1—5). 

A zona do sueco nuclear (Est. 7 fig. 
1—5) não possue chromatina, observan- 

! do-se nitidamente trabéculas de lininaí 

j que saem do caryosoma e se dirigem pa- 
ra a peripheria do núcleo. 

Caryosoma grande e redondo (Est. 

i 7 fig. 1 ) medindo 3,2 micra de diâmetro. 

I A fig. 4 est. 7 mostra o menor; 

! exemplar desta Vahlkampfia cujo nií- 

j cleo também apresenta grandes dimen- 

I soes com uma zona do sueco nucleaí 
pobre em chromatina. 

I Formas pre-cysticas (Est. 7 figrs. 

6—9) arredondadas com 9 micra de dia-* 

j melro; em uma delias vê-se (fig. 7 est. 
7) o núcleo em divisão. 

Habitat: amoeba de vida livre en- 

; contrada no homem. 

Aos DRS. ALVARO LOBO, COSTA 
CRUZ e JULIO MUNIZ os nossos agr». 
decimentos pelo material fornecido. 



124 



Explicação das figuras. 

Todos os desenhos foram feitos de 
esfregaços de fezes humana fi- 
xados pelo sublimado alcool de 
SCHAUDINN e coloridos pelo 
methodo clássico de HEIDENH- 
AIN. 

As figuras 1, 4, 5, 7, 8, e 9 foram de- 
senhadas com camará clara á 
altura da meza, occular 5 obj. 
imm. 1/12. Microscopio ZEISS. 

As figuras 2 e 3 foram desenhadas 
com occular 12 compensadora 
e objectiva de immersão 1/12. 
A fig. 6 foi desenhada com occu- 
lar 4 e objectiva de immersão 
1/12. 



Fig. 1 representa a forma vegeta- 
tiva notando-se a formação ini- 
cial de um pseudopode na parte 
anterior do rhizopode. Núcleo 
grande com caryosoma redoculo, 
zona do sueco nuclear pobre em 
chromatina e trabéculas de li- 
nina que sahem do caryosoma 
para a peripheria do núcleo. Au- 
sencia de inclusões e de vacuole. 

Flgrs. 2, 3, 4 e 5 lormas menores da 
Vahllcampfia macronucleaía, na 
figura 2 nota-se uma depressão» 
do caryosoma. 

Figrs. 6, 7. 8 e 9 formas pre-cysticas 
do protozoário, na figiu"á 7 a 
núcleo está em divisão. 



125 



1. ALEXEIEFF, A. 1912. 



2. ARAGÃO. H. B. 1909. 



3. AWERINTZEW, S. 1906. 

VON. 

4. BRUG, S. L. 1921. 



5. CASTELLANI and 
CHALMERS. 



Î. CRAIG, C. F. 



1908. 



7. CRAIG, C. F. 1914. 

8. CHATERJEE, G. C. 1920. 

e. CHATTON, E. 1912. 

10. CHATTON, E. 1910. 



il. CHATTON et 19i:¿. 
BONNAIRE. 



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NOTAS ENTOMOLÓGICAS 
II 

Estudo sobre a anatomía do genero TRIATOMA. 

Apparelho salivar 

pelo 

OFt. ANTONIO LUIS DE ^. iBAR^FÍETO 

(Adj. de assistente do Instituto Oswaido Cruz) 
(Com as estampas 8-12.) 



No estudo do apparelho salivar dos 
representantes do genero Trlatoma em- 
pregamos em primeiro lugar a technica 
ae dissecção do hemiptero mergulhado 
em meio liquido, a qual nos permittm 
considerar in situ a disposição das dif- 
ierentes partes que o compõe e nos con- 
sentiu acompanhar em todo o trajecto 
os delgados canais excretores ligando 
os diversos departamentos desse appa- 
relho. Torna-se desnecessário lembrar o 
quanto de paciencia e cuidado requer a 
preparação de órgãos de tamanha deli- 
cadeza e fragilidade. 

O processo de cortes corados, forne- 
cidos pelo bloco thoraxico incluido em 
celloidina, após a indispensável fixação 
em formol a 10 o/o, informou-nos sobre 
as varias posições occupadas pelas divei- 



sas partes do apparelho salivar em rela- 
ção ao tubo digestivo. 

A inclusão das différentes glândulas, 
isoladamente, era paraffina e celloidina. 
depois de .soffrerem a acção do subli- 
mado-alcool, como liquido fixador, for- 
neceu corte» que, depois de corados pe- 
la hemaloxylinaeosina, nos orientaram 
sobre a respectiva histologia. 

Situado a altura da porção inicial 
do tubo digestivo, não excedendo a par- 
te denominada de proventriculo, mos- 
tra-se o apparelho salivar dos hemipte- 
ros do genero Triatoma, constituido por 
3 pares de glândulas, symetricamente 
dispostas, dislinctas na forma e situação, 
ligadas entre si por um systema de con- 
ductos excretores, abrindo-se em peque- 
no órgão, designado bomba salivar, des- 



128 



tinado á expulsão do liquido u'cllas ela- 
borado. 

Na descripçâo que vamos proceder 
consideraremos urna das metades do ap- 
parelho salivar, isto é, descreveremos as 
glándulas e canais alojados á direita do 
tubo digestivo, occupando-nos depois do 
orgfto impar (bomba salivai-) encarrega- 
do de expellir a saliva. 

Glándula accessoria 

A glándula mais posterior, cspheroi- 
de, de paredes muito delgadas e trans- 
parentes, acha-se intimamente unida á 
parede do proventriculo por meio de ra- 
mos tracheaes. O isolamento é facilitado 
quando se lança mão do artificio 
de decapitar o insecto no dia anterior 
ao da disecção, porque o liquido araa- 
rello-citrino nella accumulado provocan- 
do forte distençao de suas paredes tor- 
nam-na mais visivel e saliente. 

Nos exemplares adultos da especie 
Triatoma megista possue as seguintes di- 
mensões: 



{comp. : lmm,35 
largura : lmm,2 



(comp.: lmm,4 
llargiu-a: lnMn,3 



Histológicamente c constituida por 
delgada membrana basal e uma camada 
de cellulas chatas, pavimentosas. 

E' considerada simples reservatório 
de saliva, donde a designação de glán- 
dula salivar accessoria. 

Do pólo antero-externo desta glán- 
dula parte o canal excretor, denominado 
canal accessorio, o qual correndo paral- 
lelamente ao esophago, penetra na ca- 
vidade cephalica, recurva-se em alçu, 
volta em sentido opposto e se vai abrir 
na glándula media ou supplementar. 
Mostra o canal accessorio as seguintes 
dimensões : 



comp. 



largura 



comp. : 



largura. : 



ítolal: 6mm,0 

I até a alça: 3mm,50 

Iporçao reflectida: 2mm,50 

(maxima: Omm,l 
^minima: Omm,045 

1 total: 7mm,50 
até a alça: 4mm,0 
parte: reflectida 3mm,50 

I maxima: Omm,12 
minimaa: 0mm,050 



Glándula supplementar 

A glándula media que designamos 
de supplementar, acha-se collocada um 
pouco acima da anterior, ao lado da 
porção inicial do proventriculo. Mostra- 
se de tal forma ligada á glándula princi- 
pal, que tem sido considerada por al- 
guns observadores como diverticulo desta. 

De aspecto piriforme, tem as seguin- 
tes dimensões: 

(comp.: lmm,12 
\largura: Omm,62 

p ícomp. : lram,20 
I largura: 0mm,64 

A sua estructura é idéntica á da 
glándula accessoria, isto é, luna camada 
de cellulas pavimentosas repousando so- 
bre membrana basai. Esta igualdade de 
constituição histológica leva-nos a con- 
sideral-as apenas um reservatório de sa- 
liva. 

A' sua parte media vem ter a outra 
extremidade do canal accessorio. 

Glándula principal 

Fortemente imida á glándula supple- 
mentar, occupa a glándula principal, 
com relação a esta, uma posição antero- 
externa. E' facilmente destinguida das 
outras, claras e transparentes, pela côr 
amarello-sujo e notável opacidade. 

De aspecto reniforme, possue as st- 
guiules dimensões : 



129 



ícomp. : lmm,25 
^ llargura: lmm,0 

ícomp.: lmm,37 
Uargura: lmm,08 

Histológicamente diffère muito das 
anteriores. Aqui sobre membrana basal 
hyalina repousam cellulas glandulares, 
altas, polyedricas, não raro abertas para 
a cavidade da glândula, de protoplasma 
granuloso e núcleo de aspecto typico, de 
chromatina destribuida em chromoso- 
mos. Como se vê possue estructura glan- 
dular característica. 

Constitue por excellencia o departa- 
mento elaborador da saliva. 

Da parte mais estreita, isto é, do 
hilo, em relação intima com o ponto 
da glândula supplementar onde vem ter 
o canal accessorio, nasce o canal princi- 
pal, o qual, parallelamente disposto ao 
anterior, entra na cavidade cephalica in- 
do abrir-se na bomba salivar, ora isola- 
damente, ora anastomosado ao seu ho- 
monyme do lado opposto, constituindo 
um canal único. Suas dimensões são 
as seguintes : 

icomp. : 5mm,30 

Uargura: 0mm,60 

ícomp. : 6mm,40 
Uargura: 0mm,65 

Bomba salivar 

O órgão impar do apparelho sali- 
var do barbeiro, o receptáculo saliuar 
ou bomba salivar, é constituido por uma 
camará de forma cónica, de paredes for- 
temente chitinisadas, no interior da qual 
move-se um embolo ou piston de as- 
pecto muito caracteristico. 

Collocado no interior da cavidade 
cephalica, por baixo do pharyngé, so- 
bre a face ventral do insecto, somente 
pôde ser este órgão observado em seus 
menores detalhes quando se destaca, por 
duas incisões lateraes, a metade superior 
da cabeça do hemiptero, depois de sof- 



frer esta a acção demorada (8 a 10 dias) 
de soluto de soda ou potassa a 40 o/o. 

Abrindo-se adiante, por meio de ca- 
nal alongado, no ponto onde se põem 
em contacto as mandíbulas, é fechada 
posteriormente a bomba salivar, por 
delgada membrana flexivel. Um systeraa 
de músculos oblíquos, antagonistas, pro- 
tractorcs e refractores, accionam o em- 
bolo, occasionando a aspiração da sali- 
va para o interior do estojo chitinoso 
e a sua expulsão atravez do canal sali- 
var, existente na probocida do hemipte- 
ro, o qual, como sabemos, resulta da 
adaptação, uma contra a outra, das 
mandíbulas (i). 

Physíologia 

Conhecida a morphologia e histolo- 
gia das diversas partes do apparelho sa- 
livar do barbeiro, comprehende se facil- 
mente o seu funccionamento. 

Elaborada exclusivamente pela glân- 
dula principal, única mostrando consti- 
tuição glandular typica, escôa-se a sali- 
va pelo canal principal até a bomba sa- 
livar, d'onde é expellida atravez do canal 
salivar, encerrado na proboscida. Quanto 
ao papel desenpenhado pelas glândulas, 
accessoria e supplementar, acreditamos 
seja elle de simples reservatório de sali- 
va, onde vae ter o excesso de producção 
da glândula principal. Quando a porção 
de saliva contida na glândula principal 
não fôr sufficienle para satisfazer as 
necessidades do insecto, recorrerá elle 
ao stock accumulado nas outras duas 
glândulas, o qual se escoará atravez da 
glândula principal, graças á communica- 
ção existente no ponto de emergencia 
do canal principal, entre este e o canal 
accessorio. 

Manguinhos, 4 de Novembro de 1920. 



(1) — Vid. Barreto— A. L. B.— Notas entomológicas. I 
Estudos sobre a anatomia do genero Tríatoma, Probos- 
cida e tubo digestivo. Brasil-Medico. Anno 33-1919 n. 21 
pag. 161. 



Explicação das estampas. 


V 


Estompa 10. 


Estampa 8. 


Fig. 1. 


—Bomba salivar. 


Fig. 1.-- Pharyngé. 




Estampa 11. 


Fig. 2.— Esophago. 






Fig. 3.— Proventriculo. 


Fig. 1. 


—Bomba salivar. 


Fig. 4.— Intestino e tubos de Malpighi. 




Estampa 12. 


Fig. 5.— Ceco. 






Fig. 6.— Recto. 


Fig. 1. 


A.— glándula principal. 
B.— corte longitudinal. 


Estampa 9. 




C— proventriculo. 


Fig. 1.— Olandula accc3soria. 




D.— corte transverso do cana 


Fig. 2.— Glándula suplementar. 




principal. 


Pig. 3.— Glándula suplementar. 


Fig. 2. 


AA.— glándulas principaes. 


Fig. 4.— Canal accessorio. 




BB.— glándulas supplementares. 


Fig. 5. -Canal principal. 




C— proventriculo. 


Fig, 6.— Bomba salivar. 




DD.— glándulas accessorias. 



Um cazo de mola complicado de corio-carcinoma 

pelo 
Dl-. OSÍWIJVO ALVARES F»JSIVIVA. 

(Com as estampas 13—16.) 
(Seeção de Anatomia Patolojica do Instituto Oswaido Crin.) 



A prezente observação nao vem 
abrir propriamente novos horizontes ao 
estudo dos corio-carcinomas; apenas nos 
oferece a oportunidade feliz de acompa- 
nhai- um desses tumores em varias fazes 
de sua evolução, graças á gentileza do 
DR. GAMILLO BICALHO 

A observação clinica feita pelo nosso 
colega é assim descrita: 

«A. F., branca, portugueza, 27 annos 
de idade, casada, constituição forte. 

Antecedentes: hereditarios, bons. 

Pessoaes : Temperamento, altamente 
nervoso. Nunca teve molestia graw 
Queixa-se de máu estomago. Teve 2 fi- 
lhos, imi dos quaes— o primeiro— tirado 
a forceps, tem hoje 5 annos de idade; 
o segundo, nascido naturalmerte, fa- 
leceu aos 2 annos e teria hoje quasi 4. 
As suas gravidezes foram penosar, com 
accidentes nervosos, soffrendo principal- 
mente do estomago, com vómitos perti- 
nazes. Nunca teve aborto. 

Examinada pela primeira vez em 



15 de Janeiro de 1920. Julga-se gravida 
ha 2 mezes, e desde Novembro não é 
menstruada; durante esse tempo tem 
passado mal do estomago. Ha cerca 
de 5 dias está em tratamento com o 
Dr. PAES BARRETO, porque vomita tu- 
do o que ingere, mesmo a agua, e tem 
tido pequenas hemorrhagias uterinas, 
sem dores. Não tolera no estomago me- 
dicamento algum. 

O exame local revela utero mediano, 
de consistencia molle, muito grande para 
2 mezes, com o collo normalmente amol- 
lecido e fechado. Não tem febre; pulso 
pequeno (media de 90 a 100 por minu- 
to). 

Impossível qualquer medicação in- 
terna, que não tolera; appliquei gelo 
sobre o estomago, o que trouxe ligeiro 
allivio aos vómitos; injecções de oleo 
camphorado, e irrigações vaginaes. As 
hemorrhagias e os vómitos continuaram 
com alternativas de melhoras c peioras, 
pequenas aquellas, com intervallos de 



132 



2 e 3 dias sem sangue. Injecções dia- 
rias de soro hormo-gravidico não dão 
rezultado, mas a adrenalina injectada 
diariamente traz algmnas melhoras aos 
vómitos. Pouco a pouco todas as coisas 
melhoram, parecendo que tudo entra na 
ordem. Suspendi \as minhas visitas no 
dia 24 de Janeiro. 

A 13 de Fevereiro sou novamente 
chamado porque todos aquelles sympto- 
mas tinham reappareeido. Confesso u-me 
que até esta data nunca passou bem 
do estomago, mas que as hemorrhagias 
haviam cessado, só reapparecendo nes- 
se dia, coincidindo com vómitos nova- 
mente rebeldes. A doente perdera as 
suas bonitas cores, estava emmagrecida 
e sentia-se fraca. O utero cresceu des- 
medidamente—parece uma gravidez de 
6 ou 7 mezes; é de consistencia molle 
e pastosa, dolorosa ao exame; não se 
ouve ruido cardiaco nem sopro placen- 
tario; collo moUe e fechado. Ü contacto 
do dedo no collo do utero provoca vó- 
mitos immediatos, causando-lhe mau es- 
tar e peiorando o seu estado. Pulso 
variando entre 100 e 120, sem febre. 
As urinas exam,inadas, eram normaes. 
Si bem que sem diagnostico preciso, 
mas impressionado pela evolução anó- 
mala da pseuda-gravidez e pelo estudo 
geral da doente, sempre aggravado pe- 
los vómitos, proponho interveação para 
esvasiameato do utero, que é recusada. 
Nó dia seguinte insisto novamente pela 
operação, mas a doente se declara mui- 
to melhor (melhora que não existia) 
e recusa novamente o que lhe era pro- 
posto, pelo que foram de novo suspen- 
sas as minhas visitas. 

No dia 25 de Fevereiro sou chama- 
do de madrugada. Encontro a doente 
notavelmente magra, anemiada e sem 
forças; pulso de 140, apyretica. Utero 
talvez maior do que um de 9 mezes. 
Declaro que nada mais faria senão a 
operação, já então perigosa e urgente, 
quando, 2 ou 3 horas depois, a doente 



expelle, rapidamente, uma mola hydati- 
forme, com cerca de 4 kilos. No meio 
das hydatides, dos coágulos e do li- 
quido nada foi encontrado que se pa- 
recesse com o embryão. A temperatura 
vae a 37.8 e o pulso a lôO. Injecções 
de soro physiologico etc. E' péssimo o 
seu estado geral. Pelo toque digital sen- 
te-se que ainda existe qualquer coisa 
no utero. 

Tem dores no ventre, especialmente 
no ovario direito. Impressionada pelo 
aspecto das massas expellidas, a familia 
permitte a curetagem uterina, que é feita 
no dia 26 de manhã, em mau estado 
geral. 

Depois de feita a curetagem instru- 
mental, examinado o ventre, notase o 
utero, pequeno e globoso, acima do pu- 
bis, e encontram-se nitidamente 3 outros 
tumores, independentes entre si e inde- 
pendentes do utero, todos bastante do- 
lorosos: um do tamanho de uma tan- 
gerina, no ovário direito; outro, pou- 
co maior e pouco menos doloroso, no 
ovario esquerdo; e um terceiro, de volu- 
me 3 vezes maaior do que este, movei, 
bem delimitado, mais ou menos liso, 
alongado no sentido longitudinal do cor- 
po, como que repousando sobre a aorta, 
um pouco á esquerda da linha mediana 
e pouco acima do umbigo, muito dolo- 
roso. 

Do diario da casa de saúde extrahi 
os seguintes dados: 

• Dia 26 — Continua mal — passou 
mal; pulso 160, vómitos frequentes — 
deliquios. 

Dia 27 — Continua mal — curativo 
pela manhã: lavagem e drenagem ute- 
rina (gaze iodoformada) — depois do 
curativo peiorou notavelmente, princi- 
palmente dos vómitos — retirei á tarde 
a gaze do utero o que lhe trouxe al- 
gum allivio. 

Dia 28 — Mal; injecções de adrena- 
lina, cafeina, oleo camphorado e sôro; 
continua o gelo sobre o estomago; lava- 



133 — 



gcan uterina, sem drenagem (depois do 
curativo ha peiora passageira). 

Dia 29 — Tudo na mesma — In- 
jecção de lantol pela manhã e a tarde, 
com bom resultado (V. quadro de tem- 
peratura) — vómitos tendem a melhorar 
—lavagem vaginal simples — ha pouco 
corrimento, ligeiramente sanguíneo. 

Dia 1 de Abril — As melhoras se 
accentuam — poucos vómitos já. 

Continuou-se durante alguns dias 
com as lavagens vaginaes simples, as 
injecções de lantol e oleo camphorado 

No dia 6 de Abril a doente saliiu da 
casa de saúde. Perdeu talvez 2/5 de seu 
peso, e não se consegue ter nas pernas. 
Anemia notável. Alimenta-üe regular- 
mente. A temperatura é normal, com 
o pulso entre 90 e 100. U ventre é flá- 
cido, com dois tumores apenas, pois 
que o do ovario direito desappareceu; 
os outros 2, porém, parecem augmenta- 
dos de volimie, si bem que menos dolo- 
rosos. 

Em casa elia ficou entregue aos 
cuidados do seu medico assistente, para 
restaurar-lhe as forças, afim de poder 
supportar a operação que julgo neces- 
saaria — tiysterectomia e (si possível) 
extirpação dos 2 tumores, cuja natureza 
nâo posso precisar, mas que supponho 
serem metastases do chorio-epithelioma 
uterino. 

Examinei novamente a doente em 
11 de Maio. O estado geral é satisfató- 
rio; alirp.enta-se bem, vae ganhando co- 
res e peso. Foi menstruaada 2 vezes, 
regularmente, perdendo pouco sangue, 
com pequenas dores. 

O toque vaginal revelou um utero 
indolor quasi, de tamanho e consisten- 
ciaa normaes. O exame do ventre não 
deixa perceber tumor de especie algu- 
ma (!). A região dos ovarios está perfei- 
tamente flácida e indolor ; no ponto 
em que havia o tiunor maior ha ape- 
jias um empastamento duvidoso, cora 



I ligeira sensibilidade, que não sei si po- 
derá ser attribuida áquelle tumor. 

Estes tumores, tão nitidos, que fo- 
ram percebidos pela enfermeira sem que 
eu os mostrasse, foram também consta- 
tados pelos Drs. C.\RLOS WERNECE 
e PAES BARRETO, e por mim ainda 
sentidos cerca de um mez depois de 
sua sabida da Casa de Saúde. 

A doente não quer ouvir falar em 
operação. 

A 25 de Setembro, novo chamado, 
A doente reconquistou quasi o seu peso 
normal, e tem boas cores. Passara ad- 
miravelmente bem até cerca de 2 meze» 
antes. A menstruação, que deveria ter 
vindo a 20 de Julho, faltou. Julga-se 
gravida desde então, hypotbese que con- 
firma pelas indisposições gástricas que 
vera soffrendo. Desde a véspera (24 de 
Setembro; recomeçara a vomitar repe- 
tidamente e tivera pequenas perdas san- 
guíneas. O exame revelou utero não do- 
loroso, grande para 2 mezes de gravidez, 
com o collo amollecido e fechado. O 
toque digital causava-lhe nauseas. Pulso 
de 100, apyretica. 

Declarei que não tomaria conta da 
doente sem o compromisso de deixarem- 
na operar dentro de 2 ou 3 dias. 

No dia 26 pela madrugada a do- 
ente tem, repentinamente, abundantíssi- 
ma hemorrhagia. Encontro-a deitada n& 
meio de grandes coalhos, exangue qua- 
si, com pulso imperceptível e collapsos 
repetidos. Faço um forte tamponamento 
vaginal, injecções cardiotonicas, ergoti- 
na e soro gelatinado em abundancia, em> 
quanto se cuida de leval-a para a casa 
de saúde. 

Foi nesta mesma manhã operada. 
sob anesthesia pelo ether; hysterecto- 
mia total, cora ablação dos annexos es- 
querdos. No ovário d'esté lado havia um 
pequeno abcesso, com cerca de 5 c. c. de 
pús amareílo claro. Sutura da vagina,, 
sem drenagem. 

Com o ventre aberto pesquizei, ení 



134 



vão, os antigos tumores sentidos. A não 
ser o pequeno abcesso do ovario es- 
querdo (que o exame previo não dera 
a perceber), nada mais foi encontrado 
de suspeito. Não podiam esses nodu- 
los ser fecalomas, pela sua grande sen- 
sibiliidade e por não se terem desfeito 
cora mais de um purgativo tomado pela 
doente. Metastazes que regredissem? 

Sequencias operatorias, óptimas; re- 
tirada dos agrafps no 8" dia. Não tivera 
nenhuma elevação thermica e o pulso 
melhorara gradativamente, achando-se, 
«ntão, nas visinhanças de 90 por minuto. 

No 9° dia a doente quci.\a-se de 
pontadas no hemithorax esquerdo e lera 
Á tarde, pequena elevação de terapera- 
tura. No 10° dia, a pontada continuava 
« a febre subia a 38° e havia escarros 
iigeiraraente heraoptoicos. Chamado o 
seu medico assistente, constatava ura foco 
congestivo do pulmão e estabelece o ne- 
cesario tratamento (medicação interna, 
•ventosas, injecções de oleo campho-ado 
<e lantol). O receio rauito fundado de 
uma métastase pulmonar pareceu pou- 
co a pouco afastado, pela evolução 
d'esse foco congestivo para ura foco 
de pneumonia franca, a não ser que a 
métastase se prestasse a esta confusão 
« regredisse muito rapidamente. 

Essa complicação intercorrente évo- 
lue sera maior gravidade, e, com 20 
dias de estadia, a doente sahe da Casa 
de Saúde, curada. 

De então para cá, os seus progres- 
sos tem sido rápidos. Parece curada da 
sua antiga dyspepsia, alimentase bem, 
iganhando cores e peso. O ventre é com- 
pletamente insensivel e a cicatriz va- 
ginal bôa, assim como a da pelle do 
ventre. 

Rio, Outubro 30, 1920.» 



No dia seguinte á expulsão da mo- 
la, procurámos o material em caza da 
doente e o encontramos em uma bacia 



com agua corrente. O material constava 
de veziculas de dimensões, variando en- 
tre as de uma uva grande e veziculas 
microscópicas, umas tensas, outras mur- 
chas, algumas rotas, além de coágulos 
vermelho-claro, descorados naturalmen- 
te pela agua, que era fortemente tinjida 
em vermelho. Tudo pezava cerca de 4 
quilos. Procurámos cora tenacidade, e 
muita vontade de achar, o embrião, mas 
fomos mal succedidos e dele não encon- 
trámos nem vestigios. A côr das hida- 
tides era de um pardo claro. 

A fig. 1 reprezenta a fotografia do 
exemplar conservado em liquido de Jo- 
res no Museu do Instituto Oswaldo 
Cruz cora a rubrica P, C. 1144. 

Tomámos muitas dessas hidatides, 
de preterencia as menores, que, inclui- 
das cm parafina, foram cortadas e co- 
radas pela hematoxilina-eozina. Ao exa- 
me das preparações, verificámos logo 
que os núcleos das células de Langhans 
e dos sincitios, não se haviam tinjido 
de modo peculiar e eletivo pelo coran- 
te bazico da mistura, o que prezumimos 
correr por conta da maceração lon- 
ga em agua corrente antes da fixação. 

Histolojicamente os cortes das hida- 
tides e.Kaminadas, mostravam com lijei- 
ras variantes, a mesma estrutura : 
na porção central um tecido fibro-mu- 
cozo muito frouxo, em certos pontos pa- 
recendo ederaaciado, tal era a distensão 
de suas malhas. Envolvendo essa for- 
mação, imia especie de merabrana vítrea, 
constituida por tecido fibrozo, pare- 
cendo que as fibras conjuntivas das 
malhas se haviam condensado para con- 
stituir uma capsula que as sustentasse. 
Dispostas verticalmente sobre esta vi- 
trea, células epiteliais altas, e sobre essa 
camada celular, massas protoplasmicas 
de dimensões variáveis, muito separadas 
umas das outras, com muitos núcleos; 
as primeiras eram células de Langhans 
e as segundas massas sincitios. O estudo 
dessas células não poude ser feito deta- 
lhadamente por isso que a maceraç&o 



135 



lhes havia alterado a estrutura histo- 
lojica. 

Este aspeto é o indispensável pa- 
ra se fazer o diagnostico microscópico 
de mola, e para saber porquê, vejamos 
o que é histolojicamente a mola. 

A mola é ura blasloaia henigno, 
estruturalmente mixto, rczultanie da hi- 
perplazia lipica das vilozida.ies do co- 
pión, sem novo-formação dos vazos um- 
bilicais. Normalmente a vilozidade é 
constituida por tecido fibro-mucozo, ten 
do na parte central um ramo da arteria 
umbilical; este tecido mucozo é cir- 
ciimscrilo por uma camada delgada de 
tecido fibrozo condensado, de onde par- 
lem para o interior da vilozidade fibras 
izoladas ou reunidas, formando traves 
que, se cruzando em varios sentidos, 
constituem as malhas, nas quais se 
mantém o tecido mucozo da vilozidade, 
em tudo semelhante á gelatina de 'Whar- 
ton do cordão. Externamente se ajustam 
sobre esse tecido conjuntivo condensa- 
do, que constitui uma verdadeira capsu- 
la para a vilozidade, células epiteliais 
com a forma, na sua maior parte, po- 
liédrica e cilindrica, muito apertadas 
umas contras as outras e adaptadas ver- 
ticalmente á membrana conjuntiva, co- 
mo si essa fosse uma membrana vitrea. 
Estas células são as células de han- 
ghans. Sobre* estas encontram- se mas- 
sas protoplasmicas não contiguas, sem 
formar uma camada continua era torno 
da vilozidade, mas separadas por espa- 
ços maiores ou menores. Essas massas 
protoplasmicas mostram sempre nume- 
rozos núcleos e são chamados sincitios 
pelos alemães e plasmodios por DUVAL 
Pois bem, a mola é a hiperplazia total 
des.se conjunto, havendo porem uma 
hipcrplaazia relativa das células epite- 
liais da vilozidade; assim é que aumen- 
tam as células de Langhans e os sinci- 
tios. 

Em que difere uma vilozidade co- 
rial de uma hidatide da mola? No 
seguinte : 



1°) Em geral toda vilozidade mos- 
tra um corte de arteriola, outro de 
vénula, ramúsculos da arteria e veia 
umbilicais; era geral a hidatide não mos- 
tra corte de vazos. 

2") Na hidatide ha sempre uma 
hiperplazia limitada, ordenada das ce- 
lulas de Langhans e dos sincitios 

No nosso cazo foi a falta de vaso» 
nos cortes das diversas hidatides, que 
nos permitiu o diagnostico histolojic© 
de mola, o que se pode verificar na mi- 
crofotografia dos cortes de algiunas hi- 
datides focalizadas em fraco aumenta 
e reproduzidas na Fig. 2. 

Está hoje perfeitamente estabelecida 
que a mola é um tumor, porque rezul- 
ta da hiperplazia autónoma de determi- 
nadas células do organismo. VIRCHOW 
denominou-a cmixoma chorii». LAN- 
GHANS contestou, mostrando que senãa 
pode caracterizar o tecido mucozo, nem 
histolojicamente, nem pelas reações mi- 
croquimicas. 

No modo de ver de LANGHANS, 
ORTH e FRANQUE' trata-se de um stato 
edematoso das vilozidades do corion. 
MARCHAND e FRAENKEL, concordara 
que na mola são da maior importancia 
característica as alterações do epitelio 
da vilozidade e a proliferação irregu- 
lar, principalmente do estrato celular 
de LANGHANS. 

DURANTE chama á mola adenoma- 
vilozo. Ultimamente WERTH (Die Ex- 
trauterinsch Wangerschaft Handb. der 
Geburt 1904) volta a falar era degene- 
ração hidrópica a propozito dos diag- 
gnosticos de mola extra-uterina nos ca- 
zos de prenhez tubaria, em que se tem 
visto inúmeras vezes, formação de mo- 
la, e VYERTH chama dejeneração hi- 
drópica, com maceração do epitelio co- 
rial. Entretanto, a dejeneração hidrópi- 
ca ou a hidropsia das vilozidades ocorre 
quando estas se destacam de seus pedí- 
culos ou nos cazos de obstáculo á cir- 
culação venoza umbilical, no aborto* 



136 



por exemplo, e uãu se confunde com a ■ 
mola, o que foi demonstrado por WIL- 
LIAM MEYER, do Carnegie Institution j 
de Washington. | 

A mola é um tumor benigno, por ¡ 
isso que a hiperplazia que a condiciona, 
reproduz sempre tipicamente a mesma 
estrutura histolojica já existente no or- i 
ganismo, a vilozidade; além disso não j 
tem tendencia a invadir os tecidos vi- ; 
zinhos e não faz metastazes a distan- | 
cia. E foi conhecendo essa condição 
da mola, que logo pensámos, no nosso j 
cazo, em mola seguida de corio-carcino- ; 
ma, pela descrição na historia clinica ! 
de metastazes. 

Tiunor estruturalmente mixto, a mo- , 
la, porque se forma á custa da hiper- \ 
plazia, ao mesmo tempo, de tecido mu- 
<cozo e epitelial sem que se subenten- 
da na acepção de tumor mixto tera- 
toide, pois a mola não é conjenita, 
deve ser incluida na classe dos tumores 
mixtos conjunlivo-epiteliais de ASCHOFF 
« BORST. 

Conforme a sua estrutura histolo- 
jica merece a denominação de corio- 
tnixo-adenoma. Corio determina a sede, 
mixoma traduz a hiperplazia de tecido 
mucozo e adenoma porque dela par- 
ticipam as células de Langhans e os 
«incitios. 

As células de Langhans e os sin- 
citios devem ser conside^'ados como ce- 
lulas epiteliais altas, sobretudo as cé- 
lulas de Langhans ás vezes, mesmo 
icom forma cilindrica. Além disso, é 
atravez ou por estas células que se 
processam as trocas nutritivas entre o 
sangue materno e o fetal. Como já é 
hoje sabido, a camada formada por estas 
duas ordens de células, não se compor- 
ta como simples dializador: ao contra- 
rio elas preenchem funções de secreção 
« excreção, selecionando entre os ele- 
mentos nutritivos do sangue materno 
os aproveitáveis ao embrião. Desem- 
penham papel de células glandulares; 
dali, para nós, a denominação de ade- 



noma ao tumor em questão. Atendendo 
á sua orijem eclodermica, essas célu- 
las tem sido consideradas como epite- 
liais chatas e, por isso, a denominação 
de corio-epitelioma. Mas, já é atual- 
menle noção adquirida que o ectoderma 
dá orijem a células epiteliais altas, mes- 
mo cilindricas, como por exemplo as 
das fossas nazals e foi assim que fra- 
cassou a classificação dos epitelios ent 
função de sua orijem blastodermica. 

Mas si considerarmos estas células 
epiteliais como glandulares, deveremos 
talvez fazer da vilozidade um acino 
glandulai- invertido, em que as células 
epiieliais ao envez de se mostrarem 
voltadas para a luz glandular, se ajustas- 
sem pelo lado exterior da vitrea. E 
nesse cazo a mola seria simplesmente 
um adenoma e não um tumor con- 
juntivo-epitelial, sem levar em conta o 
tecido conjuntivo da mola, assim como 
não se considera o tecido conjuntivo 
das vitreas dos acinos glandulares noro- 
formados no adenoma, como parte inte- 
grante do tumor. De fato, é sabido 
hoje que o tecido conjuntivo que for- 
ma o esqueleto, o sustentáculo dos tu- 
mores epiteliais, não goza das mesmas 
propriedades de elemento formador do 
tumor, como as células epiteliais. Isso 
foi verificado experimentalmente, nos tu- 
mores epiteUais enxertáveis. Quando se 
enxertam apenas células epiteliais do 
tumor de um animal em outro animal, 
forma-se um neoplasma á custa dessas 
células epiteliais do primeiro portador 
no segundo hospede; porém, o tecido 
conjuntivo que sustenta as células epi- 
teliais pertence ao animal enxertado. 
Quando, por outro lado, dmn tiunor 
epitelial enxertavel, se retiram por pro- 
cessos especiaes as células epiteliai* 
e se enxerta só o tecido conjuntivo, 
não se reproduz o tiunor. 

Parece, á primeira vista, que, tendo 
em mente essas considerações, devía- 
mos fazer da mola um adenoma simple». 



137 



Blas é prccizo pensar que a hidatide 
não é um acino glandular e também 
que o tecido conjuntivo da mola é 
reprezentado por grande quantidade de 
tecido mucozo hipei'plaziado, que não 
tem papel de sustentáculo das células 
epileliais, emquanto no acino glandular 
novo-formado do adenoma, o tecido 
conjuntivo é reprezentado apenas por 
tecido fibrozo, cujo único fim é servir 
de esqueleto para as células epiteliais. 

No nosso cazo particular, o Dr. GA- 
MILLO BiCALHO, assim como nós, não 
encontrou vestijio de embrião; parece, 
entretanto, a regra na mola em gravi- 
dez de dois mezes, que, por isso mesmo, 
se costuma chamar mola estéril. 

Não ouzariamos propor a denomina- 
ção longa de corio-mixo-adenoma para 
substituir a de mola; esta é insubstitui- 
vel e com razão. Mola corresponde pa- 
ra toda a gente a um aspecto macroscó- 
pico analomo-paíolojico muito caracte- 
rislico e seria absurdo substituil-a por 
uma denominação, que corresponde aos 
■caraclerisUcos microscópicos, visios re- 
lativamente por pouca gente; o mesmo 
não acontece com a denominação de 
ccrio-epiíelioma como vamos ver. 

Mola originou-se de i/^vh], nç, que 
significa falso germen, e de fato, clini- 
camente, a mola simula gravidez; e o 
qualificativo hidaliforme completa a sua 
determinação pelo aspeto macroscópico. 
Quando muito, o nome de corio-mixo- 
adenoma servirá para definir a mola. 

Algum tempo depois do estudo da 
mola, recebemos do Dr. CAMtLLO BI- 
CALHO a peça anatómica obtida por 
histcrectoraia total e ovariectoraia pra- 
ticada por esse cirurgião, na mesma 
doente. 

Pelo exame macroscópico, a peça con- 
sta de todo o utero (corpo e colo), ova- 
rio e trompa esquerdos. O ovario aug- 
mentado de volume ,roto em uma das 
suas faces, mostra-se constituido por 
uma cavidade de 3 centímetros no maior 
diâmetro, medindo a parede cerca de 



0cm,5. A superfície exterior, liza, luzidia; 
a superficie interior da cavidade, rugosa, 
vermelha escura, contendo ainda resto* 
de um liquido espesso, escuro sanguino- 
lento. Contra uma das paredes da cavi- 
dade, vê-se uma massa amarelada, bem 
limitada, de consistencia firme, prova- 
velmente cicatriz do corpo amarelo. 

A trompa não parece alterada. 

A porção uterina da peça mede llx 
10x0 cms. Quando chegou ao laborato- 
rio, poaco tempo apóz a intervençãa 
já vinha aberta na parte media anterior. 
A parede do utero mede 3 cms. junto 
ao fundo, e 2 cms. nas proximidades 
do colo. 

A cavidade uterina dilatada, larga- 
mente aberta pela incizão, está total- 
mente ocupada por uma massa com dois 
aspectos macroscópicos bem diferentes 
e era volume quasi iguais. A porção 
maior, mais próxima ao fundo do utero 
é constituida por cachos de hidalides 
muito pequenas, de côr amarelo-palido, 
de dimensão média de um grão de mi- 
lho e, entre eles, pequenos coágulos 
vermelhos. A porção menor do conteúdo 
uterino, mais próxima ao colo é formada 
por um grande coagulo vermelho, de 
contorno mais ou menos esférico, regu- 
lar, bem limitado por sua superficie ex- 
rior e fortemente aderente á parede 
posterior do utero; dentro do coagulo 
foram encontradas hidatides pequenas, 
esparsas. Todo o conteúdo mede cer- 
ca de 8x5x3 cms. 

Examinando o miomctrio na íncí- 
¿ão da parede, percebe-se seu colorido 
esbranquiçado e, á palpação, a consis- 
tencia é muito dura; de longe em lonje 
destinguem-se cortes de vazos. Em exa- 
me atenciozo, veem-se bridas mais ou 
menos espessas, irradiando da cavidade 
uterina em direção ao perimetrio, mas 
que se perdem nos tecidos do miomctrio, 
antes de o atinjirem. O endometrio 
não foi examinado com detalhe para não 
prejudicar a bôa conservação do exem- 
plar, sem maior vantajem para o esr- 



138 



tudo da peça. Esta se acha conservada 
no Muzcu do Instituto e foi reprezen- 
tada na Fig. 3 vista de frente e na Fig. 
4 de períil, distinguindo-se, nesta ul- 
tima, os pontos de onde foram retira- 
dos os fragmentos para o estudo liisto- 
íojico. O perimetrio, lizo, não mostra 
alterações macroscópicas. 

P'oi pelos cortes histolojicos que 
chegámos ao diagnostico de corio-car- 
cinoma. Quais foram os elementos que 
/IOS permitiram esse resultado? Pelo exa- 
me das laminas percebemos que com 
aumento fraco a eslrulura do miometrio 
se mostrava seriamente alterada e gran- 
des hemorrajias se haviam processa- 
do em plena musculatura. A alteração 
principal era a sejiaração das fibras lizas 
do musculo uterino, por células intei- 
ramente extranhas á sua histolojia nor- 
mal: células epileliais de forma muito 
variável, ora poliédrica, ora cilindrica, 
algumas vacuoladas. Como se vé na 
Fig. 5, destas, algumas de protoplasma 
abundante, fortemente corado pela eozi- 
na, outras, de protoplasma mais redu- 
zido e descorado. O que principalmente 
caracteriza essas células é o alto pleo- 
morfismo de seu protoplasma e núcleo. 
Elas se intrometem entre as fibras li- 
zas e as separam fortemente, pertur- 
bando-lhes a nutrição, a ponto de le- 
val-as á dejeneração hialina, como se 
vê em d Fig. 6. Ainda estas células ade- 
rem aos vazos e seios venozos do mio- 
metrio, atravessam a parede, o endote- 
iio, determinando hemorrajias, que inun- 
dam de sangue largas zonas do miome- 
írio e as cellulas tumorals enchem a 
luz dos seios venosos. Em muitos pontos 
verificam-se formações cariocincticas; 
com observação apurada em forte au- 
mento, pode-se em pontos mais limitados 
íazer diagnostico de cariocizene multi- 
polar. Estas formações são o rezultado 
de hiperplazia atípica das células de 
Langhans. 

A fig .5, microfotografia de uma la- 
mina focalizada com fraco aumento, dei- 



xa ver em uma larga zona do mioraetrio, 
em a. numerozas células de Langhans 
com seu pleomorfismo peculiar, quan- 
do nos tumores dessa natureza. 

Na fig. 7, de;<enho de zona limitada, 
em um corte corado pela hematoxilina- 
eosina. vemos muitos aspetos de tumor; 
a— célula de Langhans; b— sincitios; c — 
fibras musculares lizas separadas pelasf 
células de Langhans; d— fibras muscula- 
res lizas em dejeneração hialina. 

Ao exame demorado encontramos, 
entre as fibras do miometrio, raros sin- 
citios. Embora pareça isto bizarro, é, 
entretanto, um fato, explicável talvez, 
a nosso ver. pela malignidade do tumor. 

E' precizo acentuar bem que essas 
células se espalham, intrometem, inva- 
dem o miometrio e muito se aproximam 
do perimetrio; entretanto, nos nossos 
cortes não vimos nenhuma célula tu- 
moral atinjir essa porção de parede ute- 
rina. 

Essa descrição se refere exclusiva- 
mente ao que se vê nos cortes da pare- 
de uterina propriamente. Mas, é preci- 
so lembrar, ao recebermos a segunda 
peça da doente do Dr. GAMILLO BI- 
CALHO, descrevemos o utero e seu con- 
teúdo de hidatides, pequenas e algumas 
tão aderentes á parede uterina que fo- 
ram comprendidas nos cortes des^a ul- 
tima. O exame microscópico destas hi- 
datides mostra seu estroma fibro-rau- 
cozo em tudo semelhante ao da mola, 
apenas modificados os elementos epi- 
teliais; com efeito, houve uma hiper- 
plazia atipica, dezordenada das células 
de Langhans e dos sincitios, principal- 
mente dd.s primeiras, que formam gru- 
pos de células muito parecidos com aque- 
les descritos na parede uterina; e esses 
grumos, massas de células, desprendem-se 
da superficie de uma hidatide e se intro- 
metem dezordenadamente entre as de 
mais hidatides. Esse aspeto pode-se ver 
bem na Fig. 7 e 8, dezenho com fraco 
aumento da hidatide: a hiperplazia dos 
sincitios em a e da massa de celiüaa 



139 



de Langhans em b. Assim descrito e di- 
agnosticado nosso cazo particular veja- 
mos qual a definição mais exata de 
corio-carcinoma. 

Corio-carcinoma é um blastoma de- 
terminado pela hiperplazia atípica das 
células epiteliais das vilozidades co 
riais, que se dezenvolve no organismo 
materno. 

Na definição acima, para compre- 
ender todo o definido e só o definido, 
juntamos «que se desenvolve no organis- 
mo watcrnoy>, com o fim propozitada- 
mente, de excluir as formações no ho- 
mem derivadas das vilozidades coriais. 
Destas não pretendemos tratar aqui 
pois o fato de serem con jen i tas, as 
inclui entre os teratomas. Tratando da 
estrutura hislolojica do tumor, é pre- 
cizo saber qual dos dois elementos epi- 
leliais predomina na formação dos co- 
rio-carcinomas, si as células de Lan- 
ghans, si os sincitios. No nosso ca- 
so a predominancia das células áe Lan- 
ghans é simplesmente enorme em re- 
lação aos sincilios. E assim acontece 
nos demais cazos descritos, com lijeiras 
variantes, sempre porém as células de 
LanghanS em numero muito maior. Por 
outro lado, é sabido que, mesmo no de- 
curso de gestação normal, os sincitios 
podem deixar a superficie da vilozida- 
de e penetrar na mucoza e até mesmo 
na parede uterina e quando essas mas- 
sas celulares invadem em grande nu- 
mero a muco/a, ocazionam a chamada 
mctrite sincllial; porém, quer num quer 
noutro cazo, essa migração de sincitios 
não forma tumor. 

As massas celulares podem atinjir 
o pulmão e o fígado. Ultimamente SCH- 
MOitl., quiz mesmo explicar a eclampsia 
eomo síndrome toxica, determinada pe 
la pre/ença dos sincitios no fígado. Com 
eleito encontram-se estas células nas ne- 
cropsias em cazos de eclampsias, sem 
que, entretanto, se possa estabelecer 
com segurança, uma relação de cauza 



e efeito entre os sincitios e aquela sín- 
drome. 

Ao contrario do que acontece com 
os sincitios na maioria dos cazos, sem- 
pre que as células Langhans deixam as 
vilozidades, para invadir os parenquimas^ 
ha formação tumoral. 

O corio-carcinoma nem sempre é 
precedido da mola; nesse particular a 
melhor estatística é de Brique!, publi- 
cada no Surgery Gynecology and Ob.s- 
tetrics: de 112 cazos, estudados por esse 
ginecólogo, 21 sucederam a partos a 
a termo (18, 4o/o), 34 consequentes a 
aborto (30, 3'';o), 54 ocorreram depois 
de mola (48, lo/o) e 3 foram precedidos 
por prenhez tubaria (2, 6o'o). 

Tem-se confundido, mesmo ultima- 
mente, corio-carcínoma com a mola hí- 
datilorme. Esta confusão não se justi- 
fica, pois são dois tumores estrutural- 
mente diversos. Muitas vezes o corio- 
carcinoma é precedido pela mola; esta 
dá lugar àquele; mas isto não consti- 
tui motivo para ídentifical-os. Frequen- 
temente, o fibro-adenoma da mama na 
mulher, dá lugar á formação de carci- 
noma e, entretanto, são dois tumores 
diversos em sua anatomia microscópica, 
em sua estrutura e na evolução, embo- 
ra as unidades histológicas, as células, 
que os constituem sejam idênticas. Pois 
bem; e ^Ire os corio-carcinoma e a mo- 
la ha es.sa mesma diferença e mais a 
conslit. íc;ão hislologii-a diversa; emqiian- 
to o corio-carcinoma é formado apenas 
de células epileliais, a mola é o rezul- 
taado da hiperplazia de epitelio e tecido 
conjuntivo. 

Além disto, já vimos que pôde ha- 
ver mola sem corio-epitelioma e vice- 
versa. 

Vejamos em resumo quais as dife- 
renças entre a mola e o corio-carcino- 
ma. 

A mola: 

1°) é um tumor estruturalmente 
mixto de tecido epitelial e conjuntivo;. 



140 



2°) é um tumor benigno, não produz 
imelaslazes senão raramcnle. 

O corio-carcinoma: 

lo é um tumor exclusivamente epi- 
Selial; 

2°) 6 um tumor maligno, compli- 
cando-se geralmente de metaslazcs gra- 
sres. 

No tumor mola, a vilozidadc corial 
dá lugar, por hipcrplazia típica, regu- 
lar, á formarão de mullas hidalides cm 
ludo semellianles á vilozidadc; emquan- 
to no tumor corio-carcinoma apenas as 
camadas celulares cpiteMais, abandonan- 
do sua sede se hiperplu/.iam átijjica e de- 
sordenadamente, invadem os vazos, os 
parenquimas e não reproduzem mais 
as vilozidades. 

J em-se dito que não é possível fa- 
^er mîcroscopicameale o dîagnoslico en- 
tre tecido da mola, do corio-carcinoma 
ffi do corion normal; entretanto, scgimdo 
WILLIAM MEYER, já mostramos que é 
quasi sempre possível fazer pelo menos 
o diagnoslico entre vezicula corial ehi- 
dalide da mola. 

PICK e SCHLAGENHAUFER estu- 
dando uma mclaslaze vajlnal de corio- 
«pilelioma, chegam á conclusão de que 
lia duas modalidades deste tumor, e 
GRAVES, em seu livro Gynecology, a 
esse propozito assim escreve: «when the 
fact became known that the disease mi- 
ght be either benign or malignant, eve- 
ry effort was made by pathologists to 
discover some distinguishing histologic 
mark by which the two forms might be 
diffcrenlialed. These efforts have been 
wnsuccessful. MARCHAND, ASCHOIF, 
KISSEL, v. FRANQUEE, ALBRECHT, 
HORMANN, and others agree that we 
have absolutely no histologic criterion 
for delermining the malignancy of the- 
se tumors.» 

Apezar das autoridades de vulto Ião 
considerável citadas em favor desta opi- 
nião, permilimo-nos objetar, que nos re- 
pugna a divisão de corio-epilelioma cm 
benigno e maligno. Epitelioma tbcniguo» 



traz uma verdadeira dezordem nas cou- 
zas, que, com tanto cuidado e apuro, 
tem os hislolojistas modernos, de acor- 
do com os falos, procurados sistema- 
tizar. 

Vejamos o que se pode entender 
por corio-carciona benigno e maligno. 
Admitir que um tumor, diagnosticado 
corio-carcinoma histológicamente, coma 
o fizemos e definimos anteriormente, 
possa ter duas modalidades, uma be- 
nigna e outra maligna, parece muito 
arriscado para o doenle e inteiramente 
em dezacordo com o que se sabe hoje 
de carcinoma. Além disso, lípiteüuuia 
e carcinoma são sempre tumores ma- 
lignos. Assim, pensamos de preferencia 
que, quando se lê na maior parte dos 
livros modernos, que é impossível fazer 
o diagnostico hislolojico entre corio- 
cpilelioma benigno e maligno, o autor 
se refere á dificuldade que existe ou 
mesmo a impossibilidade de saber, si 
uma mola será ou não complicada de 
corio-carcinoma pelo exame histoloji- 
co das hidatides. E então trata-se de 
uma confuzão entre mola e corio-car- 
cinoma que já procurámos desfazer. 
Com essa dificuldade de diagnostico es- 
tamos completamente de acordo. 

Ainda se lê frequentemente que, si 
o cirurjião em cazos especiais de abor- 
to ou mola, remete o material de ras- 
pajem uterina ao anatomo-patolojista^ 
para saber si se trata de possivcl com- 
plicação de corio-carcinoma, este não 
lhe pôde dar opinião deciziva, e con- 
clui que os tecidos da mola, do corio- 
epilelioma e do corion normal sejam 
idênticos porque não se pôde, entre cies 
fazer diagnoslico histolojico. 

A primeira parle da afirmaçSo é 
verdadeira sô cm cazos muito espe- 
ciais se pôde fazer, era material de 
raspajem uterina, o diagnoslico entre 
mola, corion normal e corio ei)itelioma. 
Mas não é porque os tecidos dessas for- 
mações sejam idênticos, c sim porque 
o material colhido desta forma, mostra- 



141 



se histolojicamente modificado ou in- 
suficiente para o diagnostico. Nao se 
pode nele mais csLiidar a estrutura, a 
organização, a arquilctura celular, as re- 
lações que as células guardam entre si, 
unica característica indispensável para 
saber em cada cazo, si essas células es- 
tão constituindo uma das trez formações 
citadas. O que se pode reconhecer com 
segurança, cm um material assim co- 
lhido, são as células de Lanqhans; mas 
estas entram indiíerentemenle na for- 
mação da mola, do corion normal e do 
corio-cpilelioma. Para distinguir em um 
cazo particular se constituem uma des- 
sas formações, é precizo que se exami- 
nem as relações que elas guardam entre 
si e com os tecidos vizinhos no caso em 
questão, e é esse elemento que o mate- 
rial de raspajera não fornece ao ana- 
tomo- patolojista. 

A maior parte das células de Lan- 
ghans;dc lun corio «arcinoma são intei- 
ramente idênticas ás células de Lanr/lians 
da mola ou do corion normal; do mes- 
mo modo que a maior parle das células 
de um adeno-carinoma são idênticas ás 
células epileliais de um adenoma ou 
ás da glândula á custa das quais se for- 
ma um ou outro tumor. 

Estes fatos, lonje de subtraírem a 
mola e o corio-arcinoma ás regras ge- 
rais hoje aceitas na classificação dos tu- 
mores, ao contrario, mostram que aquel- 
les tumores obedecem a essas regras. 

Modernamente, cada vez menos se 
pretende fazer o diagnostico dife.-enci- 
al dos tumores pela célula tumoral, pe- 
la unidade histolojica da formação, e 
cada vez mais se procuram estabelecer 
as leis que rejem as relações das células 
enlre si nos tumores e nos tecidos nor- 
mais. No maior numero de cazos a 
célula timioral é idêntica á célula nor- 
mal. 

O que se passa com esses tumores 
placcntarios é o que acontece com os 
demais tumores. Com efeito, si se reme- 
ter ao anatomo-patologista um aciao 



glandular ou algumas células de uma" 
formação para que emita sua opinião 
afim de saber si é um tumor, ele res- 
ponderá que se lhe mande mais tecido, 
para poder estudar a relação que as 
células e acinos guardam entre si e cora 
os tecidos vizinhos. Assim acontece cora 
os tumores em questão; si em vez de 
material de raspajem, se envia ao ana- 
lomo-paloiojista um bom fragmento de 
tecido por biopsia do uíero, ele dirá 
com seguranção, si se trata de mola, co- 
rion normal ou corio-arcinoma. 

Depois do que ficou acima expos- 
to, prclendiamos mostrar, de acoidocom 
os dados anafomo-palolojicos e clinicos^ 
como deve proceder um ginecolojista ¡ja- 
ra ter maiores probabilidades de acer- 
tar, cm prezença de ura cazo de mola 
hidalilorme. Vejamos os dois áspelos 
mais comuns com que se aprczeiítam 
estes cazos: 

Uma mulher, que se supõe gravida 
sangra com certa abundancia e frequên- 
cia: ou o parteiro a medica e neste tem- 
po ela expele expontaneamente uma mo- 
la, ou rczolvc esvaziar o ulero e encon- 
tra a mola. 

Nesle cazo parece-nos que a primei- 
ra couza a saber é a idade da doen- 
te; si sua idade orça pelos 4t anos ou 
mais e ela não se opõe á extirpação 
do utero, o melhor que o parteiro tem 
a fazer é propor-lhe a extirpação total 
do orgam. Quando a docnle mostra sig- 
nais de meiastazes, antes de querer sa- 
ber a idade, 6 precizo, sem perda de 
tempo, fazer a hislerectomia, sem que- 
rer saber si ha corio-epilelioraa benigno 
e maligno e si a mola produz ou não 
mctastazcs, considerações estas que po- 
dem fazer a doente correr serios riscos 
de perder a vida. 

Si porém não ha signais de metas- 
tazcs, nem sim tomas gerais graves (al- 
buminuria, anemia profunda, vómitos, 
etc.), nem ha hemorrajias profuzas e 
a doente está entre os 18 e 40 anos, j¿ 
ha uma certa dificuldade em escolher a 



142 



terapéutica mais proveUoza, principal- 
menle tendo em vista que na Kiel Kli- 
nik, em 20 cazos de mola, apenas dois 
foram complicados de corio-carcinoma. 

KEHREH acompanha a historia de 
50 cazos e nenhum deles foi acompa- 
nhado de corio-carcinoma; SENAR- 
CLENS, citado por POLLOSSON e VI- 
OI>E'i', ohservou 42 cazos de mola, em 
que só 3 foram seguidos de corio-carci- 
noma, etc. 

Como se vê, depois da mola é possí- 
vel á doente conservar o utero integro, 
e são comuns as observações de mola 
seguidas por parto a termo inteiramente 
normal. Deve-sc nesses ca/.os, remeter 
ao anatomo-patolojista o material ex- 
tirpado ou expelido espontaneamente. 
Quando o cirurjião faz curcla;em, de- 
ve-se procurar examinar, histolojicamen- 
le de preierencia, os teciJos raspados 
da parede do ulero. Si se obtém no ma- 
terial de raspajem, um fragmento que 
corresponda ao que se obtém por bio- 
psia, o diagnostico se torna natural- 
mente facii; mas isso deve acontecer 
raramente, porque, em geral, o cirur- 
jião raspa muiío moderadamente um 
utero com mola, e e!e sabe bem porque 
assim procede Mas, mesmo e itre as hi- 
datides, sobieíudo as menores, é pre- 
cizo estudar cuidariozamente as cama- 
das de células epileliais e si encontra 
o anatomo-patolojista os sincitios e, so- 
bretudo, as células de Lanqhan^ exaje- 
radamenle hiperplaziadas em torno de 
uma vilo. idaiie, algumas vces abando- 
nando a vilo idade para formar ilhotas 
esparsas de células epileüais e estas 
sem guardarem suas relayões normais 
(qualquer cou /.a assim corno se vê na 
Fig. 8), pensamos que o ¡)alolojista tem 
o direito, sinão de fa^er o diagnostico 
de corio-carciaoma, pelo menos, de acon- 
selhar a pan-hislerectomia. 

Assim é que o parteiro só pôde es- 
perar do laboratorio uma das duas se- 
guintes res¡)oslas: 

1) faça-se a histerectomia, 2) não 



se pôde saber pelo exame do raaterialj 
si ha ou não probabilidades de compli- 
cação da mola pelo corio-carcinoma. In- 
felizme:ite esta ultima resposta é a mais 
frequente e nesses cazos o cirurgião 
fica á mercê apenas dos sintomas clí- 
nicos. 

Para rezolver este ultimo cazo, de 
resto o mois comum, tomamos a liber- 
dade de transcrever aqui o criterio de 
VINEBERG, conforme se lè em seu ar- 
tigo «Clinicai data on chorio-epilelioraa 
with end-results of operative treatment». 
Neste artigo ele estuda 8 cazos de mola 
seguidos (le corio-carcinoma e o mate- 
rial anatomo-patolojico é muito bem 
descii'o por MVNDLEBAUM, anatomo- 
palolo'isfa do Mt. Sinai-Hospital. 

VLXERERG aconselha, no ultimo ca- 
zo por nós figurado, fazer uma colpo- 
tomia, seguida de histerolomia anterior, 
e assim retirar toda a mola da cavida- 
de u!eína e ao mesmo tempo examinar 
a cavidade, afim de verificar si ha al- 
gum si lal de corio-carcinoma. Vejamos 
a descrição resumida de um de seus 
cazos, para que os cirurjiões possam 
melhor ajui/ar; 

'Uma doente de 26 anos, havia 
abortado 6 semanas antes de ser por 
ele examinada: por ocazião do aborto 
fora cureíada. Alguns dias depois conti- 
nuou a sangrar, pelo que foi novamente 
cureíada e o material examinado pelo 
anatomo-patolojista, que respondeu Ira- 
tar-se de um cazo suspeito de corio epi- 
telioma, .sem que podesse aíirmar, por- 
que no material examinado não havia 
miomclrio. Entretanto, a doente conti- 
nuava a sangrar, pelo que consultara 
VINEBERG. .\tendendo sua idade, o ci- 
rurjião fez-l!ie a hislerotomia. esvaziou 
o utero e como não constatasse sinal 
macroscópico de corio-eoilelioma, sutu- 
rou a ferida. A doente, observada 3 me- 
zcs apôz, mostrava magnifico estado de 
saúde, tendo sido menstruada normal- 
mente.'' 

HiTSCHMANN e CRISTOFOLETTÎ. 



143 



concordam com o modo de proceder de 
VINEBERG, apenas preferem a via ab- 
dominal para a histerolomia, por mo- 
tivos que não nos importa relatar aqui. 

Queríamos aventar, e ao mesmo lem- 
po perguntar: sendo essa pratica de VI- 
NEBERG aceitável, sobre o que não nos 
compele opiniar, si não seria possivel, 
no momento da histerolomia, fazer uma 
biopsia da parede uterina'' «^ analomo- 
píilolüjista teria então material nas me- 
lhores condiçõc; para responder com se- 
gurança si se tratava de corio-carcinoma. 

Entrt-tanlo, VINEBERG não recorre 
sempre á histerolomia para tratar amo- 
la. Nos últimos oito cazos de mola des- 
crílos no artigo acima citado, fez sis- 
tematicamente a raspajem ulerina, e si 
a doente apóz essa intervenção voltava 
a sangrar, praticava então a hislerecto- 
mia. Em lodos os cazos houve um inter- 
valo de tempo entre as duas interven- 
ções em que as doentes passaram bem; 
em todas houve, porém, sempre novas 
hemorrajias e foi, por isso, praticada 
a pan-histerectomia. Essas doentes, VI- 
NEBERG curou-as todas. Parece que a 
raspajem não tendo curado nenhuma de 
suas doentes, VINEBERG deveria agora 
aconselhar sempre a histerectomia nos 
cazos de mola. Entretanto, assim não 
o faz, tendo em vista naturalmente a 
percentajcm, relativamente considerável 
na literatura, de cazos de mola que não 
foram complicados de corio-carcinoma 



Durante todo o decorrer d'estas li- 
|eiras considerações viemos repetindo a 
expressão corio-carcinoma para dcsg- 
nar estes tumores, sem justificar essa 
esco'ha, que nos parece a mais lejiti- 
ma. 

Cono indica a localização da no- 
va-formaçâo, e carcinoma traduz apro- 
ximadamente a sua estrutura e evolu- 
ção; portanto são duas palavras bem 
significativas. Carcinoma é moderna- 
mente a rubrica sob a qual estão com- 



preendidos todos os tumores epile'iaîs 
malignos. Os carcinomas se dividem em 
epileliomas, tumores de células epite- 
liais chalas e carcinomas propriamente 
ditos, de células epiteliais altas. Assim 
parece inteiramente justa e cabível a 
expressão carcinoma para especifi?ar os 
tumores constituidos á custa das células 
epiteliais das vilozidades coriais. Mes- 
mo não querendo considerar essas cé- 
lulas como epileuo alto, deve-se ainda 
denominar essas nova-formaç.ões carci- 
nomas, pois, como já dissemos, esse é o 
termo genérico para indicar todos os 
tumores malignos epiteliais. A expressão 
epitelioma compreende apenas os tumo- 
res formados á custa de epitelio chato 
pavimenlozo, que não é o cazo do epi- 
telio corial. 

Vejamos os termos menos uzados 
de que se têm servido alguns autores 
para dezignar o corio-carcinoma. 

SAENGER, 1888, introduziu a ex- 
pressão decidiioma. Pensava esse au- 
tor que o corio-carcinoma rezultava da 
hiperplazia das células deciduals da pla- 
centa. Mas estas células são de nature- 
za conjuntiva e por isso foi esse termo 
posto á marjem e limitado aos raros 
cazos de neoplasma de células deciduals 
da placenta materna, emquanto o co- 
rio-carcinoma se forma á custa das ce- 
lulas epiteliais da placenta fetal. Tro- 
foblastoma. é expressão mais restrita 
que a anterior, pois só compreende os 
tumores de trofoblastos (sincilios e ce- 
lulas de Lanrjhans), entretanto não con- 
tém em sua significação nem a forma 
das unidades histolojicas, nem a evo- 
lução provável da neoplazia. O termo 
sincitioma sobre ser muito restrito, pre- 
supõe uma noção que não é verdadeira, 
a formação do tumor pelos sincilios 
quando nele sobrepujam as células de 
Langhans. 

Por fim corio-epitelioma maligno, 
por MARCHAND, cujos defeitos já apon- 
támos. 

A expressão corio-carcinoma foi pe- 



144 



îa primeira vex, ao que parece, uzado 
por EWING, no seu tralado «Neoplastic 
Desease», sem justificar sua preferencia 
pretendendo apenas especificar melhor 
o que ele chama corio-adenoma. 

P'oram estes os motivos que nos pa- 
receram suficientes para lejitimar esta 
«scolha. Não é intento nosso, com a 
prezcnle justificativa, levantar, ao lado 
de assuntos tão mais importantes, uma 
questão bizantina de lerminolojia, mas 
sim procurar adotar uma denominação 
que contenha os caracteres do tumor, 
conforme o criterio da classificação mo- 
derna dos blaslomas, o que é indispen- 
vel para a bôa e completa interpretação 
clinica das indicações analomo-patolo- 
Jícas. 

Para terminar as considerações re- 
lativas á prczeiite observação, preten- 
díamos nos referir, ainda que lijeira- 
mente, ás metaslazes e á malignidade 
dos corio-carcinomas. 

E' sabido que os corio-carcinomas 
se complicam de metastazes a distancia, 
o que não é de cxlranhar como carcino- 
mas que são. Essas metastazes aparecem 
jio figado, no rim, no baço, no coração 
(BUSSE) e até mesmo no cerebro (KRE- 
WER); mas, de preferencia, se assestara 
no pulmão e na vajina. 

As metastases seguem a via venosa 
e não a linfática, como nos demais car- 
cinomas. As células do corio-carcinoma 
têm a faculdade especial de destruir a 
parede das veias e penetrar até á luz 
do vazo; aí se destacam células que en- 
contram caminho fácil, atravez o sis 
tema venoso, até o coração direito e, 
pela pequena circulação, atinjem o pul- 
mão, onde são retidas pela peneira ca- 
pilar dos alveolos e então dezenvolvem 
a metastaze. Para chegar á vajina as 
células tumorals tomam o caminho re- 
trogado da veia vajinal. 

As metastazes se constituem e crés 
cem rapidamente, como não acontece era 
nenhum outro tumor maligno, ameaçan- 
do seriamente a vida do portador, que 



pode vir a falecer em alguns dias, si não 
se tomam providencias terapêuticas cner- 
jicas. São conhecidas as hemoptizcs gra- 
ves nos cazos de metastazes pulmonares. 
Portanto, são as metastazes tumorals 
mais graves que se conhecem, no que 
diz respeito á precipitação com que se 
formam e por levarem o doente em 
poucos dias á eminencia da morte. 

Nos demais tumores, a gravidade das 
metastazes está, principalmente, na sua 
localização, provocando mecanicamente 
perturbações. Além disso, formam ura 
outro tumor que com o primitivo mais 
rapidamente levam o doente á caquexia. 

No cori>carcinoma, a metastaze é 
grave porque faz sangrar o parenquima 
onde se assesta e provoca sintomas 
agudos de intoxicação: vómitos, delirio, 
dispnéa, febre, albuminuria, etc. 

Até antes de falar cm metastaze, 
conseguimos manter uma analojia quasi 
perfeita entre o corio-carcinoma e os 
demais tumores epitcliais malignos; daqui 
por diante, entretanto, no estudo de sua 
evolução, dilereriças os separam nitida- 
mente, embora a estrutura guarde a 
mesma semelhança. Mesmo antes do apa- 
recimento das metastazes, o próprio co- 
rio-carcinoma já por si só provoca os 
mesmos sintomas descritos para as me- 
tastazes. 

Estas metastazes, assim tão mais 
graves que qualquer outra por sua evo- 
lução rápida e pelos sintomas gerais 
que as acompanham, são as que mais 
fácil e comunmente regridem a ponto de 
dezaparecerem, como não acontece a ne- 
nhuma outra metastaze tumural. 

Com efeito, tem sido observado inu 
meras vezes que, apóz a hislerectomia 
em cazo de corio-carcinoma com me- 
tastazes, estas dezaparecem totalmente^ 
E' um falo confirmado por inúmeros 
observadores: ROCKAFELLOW, VQN 
ELEiCHMAN, NEUMANN, KELLY, TE- 
ACHER, RISEL, ÉDEN, LOCKYER e 
mesmo MARCHAND. De todos, o cazo 
mais interessante é o de HÍTSCHAM- 



145 



ANN e CRISTOFOLETTI, em que as 
jnetastazes do corio-carcinoma haviam 
tomado grande parle da vajina, da be- 
xiga e parede pelviana; depois da pan- 
histerectomia as metastazes regridiram 
havendo reconstituição ad integrum dos 
tecidos atinjidos. Essa doente foi ob- 
servada durante 7 anos, sem que se po- 
desse perceber o menor sinal de tumor. 

Assim, cada vez mais, no que diz 
respeito á evolução, os corio-carcino- 
mas se diferenciam dos carcinomas em 
geral. Para estes últimos tumores, a pre- 
zença de metastazes acentua a maligni- 
dade do tumor, obscurece o prognostico 
e contra-indica a intervenção cirur- 
Jica. Nos corio-carcinomas a prezença 
de metastazes indica sempre pan-his- 
terectomia imediata. 

Como já vimos, o corio-carcinoma 
apezar de ser imi tumor epitelial, suas 
metastazes se fazem por via veno/a. 

No cazo do Dr. GAMILLO BICA- 
LHO é interessante que a regressão das 
metastazes, (que assim pareciam ser pe- 
lo menos clinicamente) ocorreu depois 
da raspajem; isso parece mostrar 
que não é precizo remover todo o tu- 
mor primilivo, basta aliviar o organismo 
de grande parte dele para que desapare- 
çam, talvez era parte, as metastazes. 

Pelo estudo da forma particular, da 
malignidade e do modo de compor- 
tar das metastazes nos corio-carcinomas, 
estão hoje estabelecidas certas conclu- 
sões para a clinica ginecolojica. 

De acordo com os melhores autores, 
têm-sc como deliuitivas as seguintes con- 
clusões : 

lo) a pi-ezença de metastazes indica 
pan-histerectomia imediata, sem inter- 
venção sobre as proprias metastazes; 

2o) toda vez que depois da mola, 
passados dias ou mezes, uma doente 
volta novamente a sangrar sem explica- 
ção fácil, deve-se fazer a pan-histerecto- 
mia. 



3o) não SC deve faxer o VJertheént 
por isso que as metastazes não se fa- 
zem pela via linfática. 

Emquanto as metastazes dos corio- 
carcinomas, na mulher, regridem facil- 
mente apóz a extirpação do tumor pri- 
mitivo, as metastazes do corio-carcino- 
ma no homem, (teratomas coriais), não 
têm a menor tendencia a regredir nas 
mesmas condições. 

Estas ultimas se comportam como 
as demais metastazes dos carcinomas 
era geral, e se dezenvolvem de modo 
autónomo sem depender em nada do 
tumor primitivo. Com efeito, EWAL 
FRITZE estuda, em seu trabalho "Bei- 
trage zur Kenntnis der Chorion epi- 
theliome ber Mãnnern, Zeitschrift fur 
Krebsforschung" 30 cazos de corio-carci- 
noma no homem e mostra o insuccesso 
das intervenções e a independencia com 
que se dezenvolvem as metastazes. A 
diversidade da sorte destas metastazes 
no homem e na mulher chama natural- 
mente atenção por ser, até certo pon- 
to, parodoxal. 

Por outro lado, é precizo pensar 
que o corio-carcinoma materno é o imi- 
co tumor formado á custa de células 
que não pertencem propriamente ao por- 
tador da nova-formação. Com efeito o 
corion faz parte da placenta fetal. Por- 
tanto, as células do corion que consti- 
tuem o tumor pertencem ao novo or- 
ganismo. Em face deste modo de consti- 
siderar, ocorre logo a ponderação que 
o novo organismo é em tudo idêntico 
ao organismo materno, pois é á ciista 
deste que aquele se forma. A cé- 
lula materna é o ovulo, que pela fecun- 
dação se transforma no ovo sofrendo 
assim modificações radicais na sua es- 
tática e dinâmica. Parece, á primei- 
ra vista, que as modificações devam 
ser muito lijeiras pois o embrião se nu- 
tre á custa do organismo materno. Mas 
quando se pensa na influencia pezada 
da herança paterna nos novos seres 
concebidos no organismo materno, tem^^ 



146 



se como fora da duvida que o embrião 
é, na mesma especie, um novo indivi- 
duo já de constituição diferente. 

Assim parece que no corio-carcino- 
ma da mulher, ha introdução de células 
extranhas ao organismo. Si estas células 
não são totalmente diversas, são o su- 
ficiente, em face da especificidade ce 
íular, para determinar a formação m 
novo organismo de anticorpos, fermen 
los. V. nesse fato ter-se-ia a explicação 
fácil da regressão das metastazes dos 
corio-carcinomas na mulher. Por que as 
metastazes só são dezintegradas pelos fer- 
mentos depois da extirpação do tumor 
primitivo, não faltam interpretações lo 
jicas. Entretanto é melhor não conti- 
nuar a enjendrar hipotezes que não 
constituem elementos de demonstração 
para os fatos biolojicos. As hipotezes 
lojicas em biolojia servem apenas para 



justificar experiencias que as verifi- 
quem. 

Uma vez demonstrado que as célu- 
las coriais introduzidas no organisme 
materno, quando constituido os corio- 
carcinomas, delerminam a formação de 
fermentos, percebe-se-ia logo o mo- 
tivo porque as metastazes desses tu- 
mores epiteliais malignos não conseguem 
se desenvolver, apezar de gozarem das 
mesmas propriedades dos demais tumo- 
res dessa natureza. E como nos corio- 
carcinomas do homem as células do 
tumor pertencem ao próprio portador, 
uão ha formação de anticorpos e poi 
isso, as metasla/.es perduram e se dczen- 
volvcm apezar da extirpação do tumoi 
primitivo. 

Rio, 25 de Julho de 1921 

Alvares Penna. 



147 



Explicação das estampas. 

Estampa 13 

Fig. 1— Aspeto macroscópico das vilo- 
sidades coriaes na mola. 

Estampa 14 

Fig. 2— Aspeto microscópico das vilo- 
sidades coriaes na mola. 

Fig. 3 -Ulero com corio-carcinoma 
visto de frente. 

Fig. 4— A mesma peça da Fig. 3 
vista de perfil. 

Estampa 15 

Fig. 5— Vc-se nessa microfotografia 
a estrutura microscópica do 



corio-carcinoma com hiperplasia 
e alteração das células de Lan- 
ghans fóra da vilosidade. 
Fig. 6— Fibras musculares do miome- 
trio com degeneração hialina 
em A. 

Estampa 16 

Fig. 7— Corte do miometrio visto 
com forte aumento: a células de 
Langhans; b sincitios; c fÜJras 
musculares normaes; d fibras 
musculares degeiie adas. 

Fig. 8— Corte de vilosidade corial 
visto com forte aumento: a sin- 
citios em liiperplasia; b células 
de Langhans hiperplasiadas. 



Alterações l7Ístopatí)ologicas òo meòulla óssea na im- 
munisaçõo para obtenção òe agglutininas. 



por 
C IVIAOAI-CINOS TORRES 

I— Introducção e histórico 

li—Material e metliodos de pesquiza. 

Ill— Estado tiistopatliologico da medalla óssea. 

IV— Conclusões. 

(Com as estampas 17—22). 



Resulta de traljalhos realizados nes- 
tes últimos anuos, que a sede de produc- 
ção dos aaticoipos deve ser localisada 
nos orgàos henjatopoéticos. medulla ós- 
sea, baço e ganglios lympliaticos. 

Assim a curva de producção de va- 
rios anticorpos é alterada quando, no 
aaimai em via de iiamunisação, são pro- 
vocadas lesões desses órgãos, pela appli- 
caçâo dos raios X, do benzol, do thorio 
X, etc. Por outro lado, substancias que 
estimulam os órgãos hematopoélicos, 
como a arsacetina, o salvarsan, determi- 
nam xun augmento notável da concen- 
tração de anticorpos no soro, sem intro- 
ducção de nova quantidade de antigeno. 
Também fragmentos de baço e medulla 
óssea, cultivados fora do organismo, mos- 
tram-se capazes de elaborar anticorpos. 



Parece que, cada anticorpo em espe- 
cial, é produzido por um determinado 
órgão hematopoético; assim, as aggluti- 
ninas são produzidas principalmente pela 
medulla óssea, a qual, porém, não é o 
órgão destinado á elaboração das hemo- 
lysinas. 

E' impossível decidir, por emquanto, 
qual o papel que outros órgãos, particu- 
larmente o ligado e as glândulas de se- 
creção interna, deserapenliam na elabo- 
ração dos anticorpos, tão contraditórios 
os resultados das pesquizas a respeito. 
E' provável que as glândulas de secre- 
ção interna (em especial as glândulas thy- 
reoide e parathyreoide) não sejam ór- 
gãos propriamente productores de anti- 
corpos, mas que e.xerçam apenas uma. 
influencia indirecta ou reguladora sobre 
a concentração dos anticorpos no soro. 



149 



Quasi todos os trabalhos são miiilo 
pobies de ¡nlormações sobre as altera- 
ções bislopalbologicas dos órgãos hema- 
topoólicos, prcoccupando-se exclusiva- 
menle com o lado physiologico, por as- 
sim dizer, da cpieslão. A aclividade da 
medulla óssea, expressa na capacidade 
de produzir anticorpos, é a parle estu- 
dada. 

A natureza complexa da questão da 
origem dos anticorpos só pôde justificar 
o interesse de pesqui/.as hislopathologi- 
cas, as quaes poderão constituir uma 
base solida para argumentação. 

São poucos os trabalhos que na rica 
literatura sobre immunidade, encontra- 
mos tratando directamcate da questão. 

Gl EKRINI (1ÇC3). iirmiinisando rates cem culturas 
era caldo de B. miinsepticiis, verificou que as alterações 
histológicas vistas nos pulmões, coração, rins e systlie 
ma nervoso algumas horas após as injecções da substan 
cia immunisante, nad.i apresentam de característico 
sendo idênticas ás observadas em todas as intoxicações 
as lesões das capsulas suprarenaes, figado, baço e mC' 
du la óssea, porém, mostram, além disso, outras altera^ 
ções, a saber : nas capsulas suprarenaes e no fitcado 
furgescencia dos núcleos e desagregação da cliromatina 
no baço e na medulla óssea, numerosas cellulas grandes 
de núcleo polymorplio. 

OAY e RUbK (¡913 immunisaram coelhos por meio 
de repetidas injecções intravenosas de glóbulos de co- 
baya lavados, os quaes, após um repouso de duas ou 
mais semanas, eram novamente injectados com glóbulos 
lavados recentes. Fizeram um estudo histológico cuida- 
doso dos órgãos dos animaes sacriíicados successivamen- 
te após 1, 4 e 24 horas e 4 e 6 dias de inoculação, pro- 
curando demonstrar uma evidencia de act-vidad^ func- 
cional cm determinadas cellulas que seriam as encarre- 
gad s da íormação de anticorpos. A única alteração que 
constataram, sobre cuja significação, aliás, permanecem 
em duvida, íjí um augmento notável de glycogenio no 
fígado do animal de 24 horas. 

METALNIKOW e GASCHEN (1922) estudaram os 
phénomènes de immunidade nos invertebrados (larvs 
de Gallería) e principalmente as modificações do sangue; 
existe, a principio, uma reacção dos différentes 'euco- 
cytos e phagocytes em seguida, uma reacção phagocy- 
taria; vem em terceiro lugar, unia leucolyse e pliag.Iyse 
que põe em liberdade fermentos intracellulares e anti- 
corpos; um pouco mais tarde, ha uma reacção das cel- 
lulas espherulosas que parecem desempeihar papel im- 
portante na immunidade; finalmente obscrva-se a forma- 
ção de cellulas gigantes e de capsulas. Pensam que a 
immunidade e o resultado de uma reacção muito compli- 
cada de différentes cellulas do organismo, reacções es- 
pecificais para cada microbio injectado. 



SESTINI (1922) notou uma hyperfuncção da glands 
la thyreoide nas cobayas immunisadas (B. tvphico), a- 
qual morphologicamente se tradu'. não só por um aug- 
mento de lipoid s, de granulos fuchsinopliilos e modifi- 
cações da substancia colloide, como também por modi- 
ficações das cellulas do epithelio thyrecideo vesicular e 
intervesicular: um verdadeiro estado de struma hyper- 
plastico teleangectoide. 

Informações indirectas, porém, so- 
bre as alterações hislopathologicas dos 
órgãos hematopoéticos na immunidade 
nos fornecem os trabalhos de FOA 
(.1S8D), DOM!NICI (1930), LEXGEMANI^ 
(ir.Ol), MUIR (inOl), LONGCOPE (1D1Õ), 
EVANS (1Ü16), etc., que se occupam rom 
as alterações daciuelles órgãos nas diver- 
sas ¡nlecçõcs e com a producção de leu- 
cocitos na leucocytose. 

Histórico. 

As hypotheses sobre a origem dos an- 
ticorpos podem ser resumidas nas seguin- 
tes pi-oposições que encerram as ideias 
dominaitcs dos diversos pcsquizadores: 

1") Todas as cellulas do organismo 
tomam parte na formação dos anticor- 
pos; o protoplasma cellular é a sede de 
producção dos anticorpos. Como coroila- 
rio, lemos a opinião segando a qual mui- 
tos tecidos podem produzir, localmente, 
anticorpos. 

E' por demais conhecida a hypothèse fundamental 
de KHRLICH, segundo a qual todas as cellulas do or- 
ganismo tomariam parte na formação dos anticorpos. A 
producção local de anticorpos constitue uma questão 
que os primeiros pesquizadorês í'RO.VíEK, v. DUNQERN,. 
WASSERrtANN e CITRON^ resolveram pela affirmati- 
va, mas que trabalhos posteriores vieram abalar forte- 
mente e indicar uma solução justamente opposta. Assim 
HEKTOtN (HJlDeffectuou exiDeriencias cujos resultados 
não faliam a favor de uma producção local de anticorpos 
específicos em cães injectados com hematías de rato e 
cabra, pelo menos no que diz respeito aos seguintes te- 
cidos : camará anteiror do olho, tecido pleural e tecida 
cellular suiicutaneo. A injecção de glóbulos verme, lios 
de rato ou cabra na camará anterior do olho de c;ies é 
seguida pelo apparecimento de anticorpos específicos no- 
sangue e commumente no humor aquoso. A concentra- 
ção de anticorpos é maior no humor aquoso do olho in- 
jectado, mas, em ambos os olhos, muito menor que na 
sangue ; os anticorpos não apparecem primeiramente no 
humor aquoso e sim no sangue. A injecção de hematías 
de rato ou cabra na cavidade pleural ce cães é seguid» 



150 



pelo apparecimento de anticorpos específicos no sangue 
c no exsudato pleural provocado pela injecção de aleu- 
Tonato; a concentração no exsudato pleural não é maior 
que no sangue, e, muitas vezes é menor, sendo a con- 
centração no sangue um pouco menor aqui do que após 
ji injecção intravenosa da mesma quantidade de antige- 
Mo; não ha differença na relação entre o conteúdo de 
anticorpos do sangue e do exsudato pleural em cães re- 
cebendo o antigeno na cavidade pleural e em cães rece- 
bendo o antigeno por via intravenosa. Cães inoculados 
por via subcutânea ao nivel da perna anterior com he- 
matías de rato e cabra, cujo membro inoculado foi am- 
putado nas primeiras phases de producção de anticorpos, 
Tião mostram um conteúdo do sangue em anticorpos in- 
ferior ao de outros cães nos quaes esses tecidos não 
foram retirados. Também se os anticorpos fossem pro- 
duzidos localmente no sitio da injecção do antigeno no 
4ecido cellular subcutâneo, seria razoável esperar que 
injecções subcutâneas do antigeno em muitos lugares 
«ugraentassem a producção de anticorpos, o que não fo 
verificado por experiencias dirigidas nesse sent'do. 

ZINSSER (1918) parece inclinado a admittir que a 
formação de anticorpos não é funcção de órgãos espe- 
«iaes, muitas cellulas do corpo podendo tomar parte no 
processo; essa opinião é, sobretudo, baseada nas expe- 
riencias de immunidade local de WASSERMANN, CI- 
TRON e RÔMER, as quaes, como vimos, foram poste- 
jiormente contestadas. 

Recentemente OSHIKAWA (1921) conseguiu pela 
transplantação da pelle de coelhos activamente immuni- 
sados para coelhos normaes, verificar nestes últimos, a 
iormação de anticorpos. Os protocoUos de suas expe- 
riencias mostram que essa formação de anticorpos é 
jBtuito pouco pronunciada; assim, em duas experiencias, 
•o titulo do soro agglutinante nos coelhos onde fez a 
Implantação da pelle, não foi além de 1/10, ao passo 
•que, em uma delias, o titulo do soro do coelho que for- 
neceu os fragmentos de pelle era igual a 1 :640 (immu- 
nisado com B. Pamtyphico B) ; eiu outras experiencias, 
o soro do coelho que recebeu os fragmentos de pelle 
apresentou o titulo de 1 : 160 no fim de 9 dias (immuni- 
«ação com o Proteus). Achamos que a concentração de 
agglutininas obtida no soro dos coelhos era que fez a 
transplantação da pelle é muito fraca para permittir afíir- 
ntações categóricas; é preciso não esquecer que os or- 
f^ãos heraatopoéticos, particularmente a medulla óssea 
Ao coelho, são muito sensíveis a alterações pathologicas, 
sendo muito plausível que a operação de transplantação 
da pelle tenha influído, só por si, sobre o conteúdo de 
anticorpos do sangue; a operação teria exercido uma 
acção semelhante á da injecção de peptona ou de uma 
substancia irritante da medulla óssea. 

2o) Os anticorpos são produzidos es- 
pecialmente por algumas cellulas do or- 
ganismo, particularmente pelos leucocy- 
tos do sangue. 

METCHNIKOFF (1887) eraittio a ideia de que as 
«obstancias bactericidas do soro poderiam ser de origem 
^eucocytaría. 



BORDET (189Ô), seguindo essa orientação, verificou 
que o soro possue um valor preventivo maior que o 
plasma (o qual é pobre de leucocytos), concluindo que os 
leucocytes desempenham parte importante na producção 
das substancias protectoras. 

ORUBER (1897) suggeriu que ospolymorphonuclea- 
res formam as agglutininas, o que é demonstrado falso 
pelas experiencias de ACHARO e BENSAUDE e WIDAL 
e SICARD, PASTiCH e KRaUS e SCHIFFMANN. 

No caso das antitoxinas, pensou-se que as cellula» 
particularmente atacadas pela toxina eram justamente as 
productoras do anticorpo; exemplo disso, as ideias de 
WASSERMANN e TAKAKl sobre a formação da i.nti- 
toxina tetânica pelas cellulas nervosas, logo reconhecidas 
falsas por METCHNIKOFF e MARIE. 

V. DUNOERN (1902) achou que as cellulas do sangue 
tomam parte na formação das precipitínas. 

KRAUS e LEVADITI (1904) dosando as precipítinas 
nos órgãos de anímaes immunisados, verificaram que, 
ide todos os órgãos estudados, só o epiploon fornece ex- 
tractos capazes de precipitar de modo intenso, o soro 
de cavallo, isso em um momento em que o soro do ani- 
mal preparado não é absolutamente precipitante; como 
o epiploon é a sede de ura accumulo notável de glóbu- 
los brancos, concluem que estas cellulas são a principal 
fonte de origem desses anticorpos. 

KRAUS e SCHIFFMANN (1906) constataram que 
coelhos que soffreram a splenectoinia produzem tão bem 
soros precipitantes como os anímaes normaes ; acham que 
as precipítinas não se formam nos órgãos, mas no systema 
vascular, sendo que, além do epiploon, nenhum outro 
órgão nos anímaes immunisados, contem, antes do soro, 
substancias precipitantes. 

Os mesmos auctores (190ú) verificaram que as agglu- 
tininas podem apparecer em proporção apreciável no 
soro sem existirem simultaneamente nos extractos de 
órgãos ; quando nelles existem, tem concentração sensi- 
velmente inferior á do sangue ; a medulla óssea encerra 
quantidade maior de agglutininas que o baço e ganglios 
lyraphaticos. 

STENSTRÕM (1911) inoculando leucocytos polymor- 
phcnucleares juntamente com o antigeno (B. typhico) 
observou uma baixa na formação de agglutininas; basea- 
do nesse facto conclue que os leucocytos podem ser con- 
siderados ou como formadores de agglutininas ou como 
favorecendo o processo de modo indirecto. 

FONSECA 0912) acha que aos lymphocytes cabe o 
papel principal na reacção geradora dos anticorpos, fun- 
damentando a sua hypothèse no facto de que "os orga- 
nismos atacados por infecções que conferem ura grau 
mais ou menos elevado de immunidade, manifestam, ge- 
ralmente, na contagem especifica uma porcentagem accen- 
tuada de lymphocytos." 

BACHMANN (1918-1919) mostrou que os leucocy- 
tos- dos anímaes immunisados adquirem uma proprieda- 
de especifica importante que permitte proteger a cobaya 
quando inoculados no peritoneo juntamente com B. ty- 
phico, conseguindo o auctor isolar dos leucocytos os pro- 
ductos que lhes conferem essa propriedade. 

Os resultados das experiencias de LEVADITI e 
BANU (1920) são contrarios á formação local de aggln- 



151 — - 



tüiinas no tecido cel'ular subcutáneo ; assim o processo 
inflaminatorio e edematoso que constitue a iesão local 
quand o se injecta uma emulsão de B. typhico corn gela 
tina e mercurio colloidal não influencia de modo favora- 

mas sim prejudica a formação de anticorpos agglu- 
tinantes. 

TISCORNIA (1921) verificou que extractos de leuco- 
cytos de cobayas immunisadas contra o B typhUo ino- 
culados no peritoneo de cobayas juntamente cem uma 
dose mortal minima de cultura de B. typhico, tinham 
uma acção protectora nítida. Conclue de suas experien- 
cias que durante uma phase da immunisaçâo os leucocy- 
tes, e, especialmente os neutropliilos, intervém na pro- 
ducção ou na modificação de substancias cellulares es- 
peciaes com propriedades immunisantes especificas. Essas 
substancias são bem demonstradas quando libertadas dos 
Icucocytos de um modo brusco e violento, mas prova- 
velmente no sangue circulante, são secretadas em uma 
certa quantidade. Deduz-se que durante uma reacção 
immunitaria, uma leucocyfose significa augmento de pro- 
ducção dessas substancias leucocyfarias especiaes immu- 
nisantes, e, a sua apparição é mais rápida e intensa na 
circulação devido á leucolyse consequente a toda leuco- 
cytose. 

METALNIKOW e GA SCHEN (1922) attribuem papel 
importante na formpção dos anticorpos nos ii.verlebra 
dos (larvas de C aliena) a diversas cellulas do sangue 
do insecto. 

ROBERT'^ON e ROUS (1Ç22) asseverara a existencia 
de aggiutininas intracelhilares nos gtobulos vermelhos 
do coelho, sendo ellas facilmente demonstráveis nos ex- 
tractos aquosos de glóbulos seceos. 

4°) Os anticorpos são formados pelos 
órgãos hemalopoéticos. 

PFFEIFER e MARX (1898), dosando simultaneamen- 
te os anticorpos bactericidas no soro e em extractes de 
leucocytes, demonstraram que nenhum excesso de anti- 
corpos encerravam os extractos de leucocytes compara- 
dos cem o soro, e verificaram, ao mesmo tempo, um 
notável accumule de anticorpos em determinados órgãos 
do coelho (baço, mrdulla essea, ganglios lymphaticos, 
c, em menor escala, o pulmão) durante os primeiros dias 
de immunisação. O baço encerrava, já no decurso do 
2° dia de immunisação, uma quantidade apreci vel de 
substancias protectoras contra o cholera, embora o san- 
gue não nostrasse indicie algum de uma alteração espe- 
cifica. Acharam que es órgãos hematopoéticos constituem 
o ponto de origem dos anticorpos, representando o ex- 
cesso de anticoipos concentrado naquelles órgãos, sim- 
plesmente um excesso de producçâo, o qual não é acom- 
panhado de uma eliminação igualmente rápida para o 
sangue. 

DEinSCH (1899) verificou que a splenectomia pre- 
cedendo a injecção in munisante, não impede a forma- 
ção de agglut ninas ; feita 3-5 dias após a injecção, im- 
pede nitidamente a formação dos anticorpos. 

v. E.MDEN (1899). immunisando coelhos cem B. ae- 
rogenes e pesquizando aggiutininas no soro e em extra- 



ctos de diversos órgãos, verificou que os extractos de 
baço possuem, ás vezes, um titulo agglutinante maior 
que o do sangue ; a producçâo de aggiutininas é preju» 
dicada pela splenectomia, mas, apezar disso, se effectuai 
assim sendo, admitte que, além do baço, outros órgãos, 
particularmente os órgãos iymphoides, são capazes de 
elaborar aggiutininas. 

WASSERMANN (1899) estudou a acção do soro c 
de extractos de diversos órgãos de coelhos immunisãdosr 
com pneumocccccs virulentos sobre a marcha da infec- 
ção pneumococcica experimental. Os extractos de medul- 
la óssea apresentaram um conteúdo de anticorpos maior 
que o de qualquer outro órgão, e, nos estadios inicíaes 
de immunisação, o poder protector dos extractos de me- 
dulla óssea e dos órgãos hematopoéticos excedia o d» 
soro. Acha que a medulla óssea representa o sitio de 
producçâo dos anticorpos e que, os ganglios lymphati- 
cos, o thymo e o baço, são apenas rerervatorios dos 
mesmos. 

JATTA (1900) verificou que o titulo agglutinante (B^ 
typhico) dos extractos de baço, entre o 2o e o 4o dia de 
immunisação, é notavelmente maior que o do sangue, 
sendo igual a este no fim do 4o dia, e consideravelme»- 
te inferior no fira de 8 dias. 

HEKTOEN (1909-10) assignala que a assymetria das 
-curvas de producçâo dos diversos anticorpos no mesmtt 
animal, suggère que se trate de substancias distinctas^ 
cuja producçâo depende de um mechanismo semelhante^ 
mas não idêntico. 

LIPPMANN (1911), após immunisar coelhos por 
meio de inoculações repetidas de culturas mortas de 
B. typhico, deixou-os em repouso pelo espaço de 4 me» 
zes, durante os quaes o título agglutinante do soro 
baixou progressivamente até um titulo médio constante; 
injectou-os então, por via subcutânea, com Ogr.l de ar- 
sacetlna, substancia cuja influencia estimulante sobre os 
órgãos hemapoéticos é bem conhecida e aproveitada n» 
tratamento da anemia. Verificou uma elevação rápida do 
título de agglutíninas após essa injecção, a qual a^tingio 
o seu máximo no fim de 6-9 dias. 

HEKTOcN (1916) verificou uraa reducção da forma» 
ção de anticorpos nos animaes intoxicados pelo benzol 
associada a graves lesões da medulla óssea, a leucope- 
nia e outras alterações características da intoxicação pela 
benzol, havendo também reducção do poder phagocy- 
tario dos leucocytes. No cão, pequenas doses de benzol, 
as quaes produzem leuco ytose, augmentara a producçâo 
de lysinas para os glóbulos vermelhos da cabra. 

O benzol actua sobre os elementos que elaboram os 
anticorpos e os centros leucocytogenicos participam desta, 
elaboração. Isso é demonstrado, no coelho, pela reduc- 
ção da quantidade dos anticorpos e do numero dos leu- 
cocytes, a qual não occorre quando o benzol é adminis- 
trado no momento em que a producçâo de anticorpos 
está proximo do seu máximo; no cão, pelo augment© 
da formação de lysinas, o qual é acompanhado de uma. 
leucocytese. 

CARREL e INGEBRIQTSEN (1912) verificaram que 
fragmentos de medulla óssea e ganglios lymphaticos 
cultivados fora do organismo, são capazes de produzir 
anticorpos (hemolysinas). 



152 



LÜDKE (1912) verificou a produeçio de agghitiniiias 
e heniolysinas na medulla ossea e tVagmentos de baço 
Tetirados de coelhos e cobayas 24, 48 e 60 horas após 
3l injecção intravenosa de culturas mortas de B. iyphico 
e dvsentenco, e co servados asépticamente em agua phy- 
siologica, solucção de »■ inger e soro normal de coelho 
e cobaya, a 37^—40". No 5o dia de cultura, a emulsão 
¿e baço agglutina até 1 :160 e a de medulla ossea té 
1 ;320. Inoculando directamente a medulla ossea, sacrifi- 
cando o animal no fim de 36—48 horas, amputando o 
femur e cultivaiido-o nos meios meneio udos, constatou, 
jgualraente, a existencia de anticorpos bactericidas e 
agglutininas na enmlsão de medulla ossea. 

TSUaUv I e KOHDA 0013) chegai am á conclusão 
<de que o baço conslit.ite o lugar mais impoi tante de 
producção dos anticorpos que demandam complemento 
encerrando-os já no fim da 20" hora de immumsaçào ; 
a pioducção na medulKi ossea e ganglios lyraphaticos 
tiâo é tão pronunciada como no baço, e, mais tarde, a 
'f]uaníid.ide produzida permanece inferior á encontrada 
neste órgão. 

LIPFMANN (1914) estudou a influencia do thorio X 
e de compostos arseiiicais sobre a curva de producção 
dos anticorpos. Verificou, em animaes previamente im- 
ãnunisados e deixados em repouso durante um n:ez, uma 
■elevação das a^glutiainas (B. t^phico) no soro, ultrapas- 
sando o máximo anteriormente attmgido, após applica- 
íão de uma dose de thorio X (cerca de 1 '/2 unidade 
íílektrostatica por kilogrammo de p-jso , elevação que 
attribue a uma influencia estimulante do thorio sobre a 
medulla ossea. Pesquizas inteiramente anaiogas, feitas 
com anticorpos da natureza dos amboceptores (hemolysi- 
jias) deram resultado negativo; quer pelo emprego do 
líhorio X em doses diversas, quer pelo emprego do sal- 
varsAu, que possue, igualmente, uma acção estimulante 
bem verificada sobre a medulla ossea, não obteve altera- 
í;ão da curva de producção das hemolysinas. Animaes 
.(camondongos) i-jectados com sulòtincias que estimulam 
a medulla ossea (salvarsan e thorio X) resistem a uma in- 
jecção (culturas de pneumococco) mortal para as tcste- 
ítiunhas. 

SIMONDS e |ONES (1915; pesquisaram a influença 
ido benzol sobre a producção dos anticorpos ; essa subs- 
tancia exerce uma influencia nociva accentuada sobre os 
•orgãDS heT-.itopoéticos, particularmente sobre a medulla 
¡ossea. Tornou-se evidente uma depressão nas curvas de 
producção de hemolysinas, '■gglutininas e opsoninas com- 
rparadas a testemunhas; a depressão foi mais accentuada 
310 Caso das hemolysinas e menos no das opsoni as. 

SIMONDS e JONES 1915 estudaram as alteracções 
da producção dos anticorpos, de um lado, em coelhos 
sugeitos á acção dos raios X, que exerce uma acção 
«destruidora especifica sob e o tecido lymphadenoide, e, 
At outro lado, em animaes inoculados com benzol, que 
exerce uma acção destruidora especifica sobre a medul- 
la ossea. A acção dos raios X não é tão especifica como 
se pensava, pois HEINEKE mostrou que lesa igualmen- 
te a medulla ossea. devendo-se levar esse facto em con- 
sideração ao 1er os resultados das experieucias de SI- 
MONDS e jO.NES, que sào os seguintes: a^ a formação 



de aggiutininas nos animaes expostos aos raios X é di- 
minuída de modo apreciável embora nãc tanto tomo nos 
coelhos inoculados com benzol; b; parece que a produc- 
ção de bacteriolysinas nao é muito prejudicada pela ex- 
posição aos raios X ; cl não ha alteração apreciável do 
conteúdo do soro em opsoninas e o poder de fixação 
do complemento, nos coelhos expostos aos raios X. 

HEKTOEN (1918», que defende a ideia de que os 
anticorpos são produzidos pelos órgãos hematopoéticos, 
verificou que a exposição dos animaes aos raios X pre- 
judicava de modo notável, e, ás vezes, completamente, 
a producção de anticorpos, quando era feiti na occasião 
em que recebiam o antigeno, nãJ tendo, ao contrario, 
influencia alguma quando feita na occasião em que a 
producção de anticorpos havia attmgido ao seu máximo; 
uma resistencia análoga mostraram os animaes inoculados 
com benzol no periodo de activa produc;rio de anticor- 
pos. 

Experiencias de HEKTOEN (1920Í parecem indicar 
claramente que, depois que o processo de producção de 
anicotpos se acha em anda;nento. a splenectomia tem 
pouca ou nenhu na influencia sobre o conteúdo do soro 
em anti:orpos, se bem que, ás vezes, o seu effeito seja 
variável e incerto; assim, no coelho, após a injecção de 
uma dose grande de sangue de carneiro, a splenectomia 
tem pouco ou nenhum effeito sobre a producção de 
anticorpos; ao contrario disso, feita no mesmo animal, 
embora com muitas seminas de antecedencia, intervém 
na formação de precipitinas 

IVIO."? SCHI, MORE5CHI e VOFKY e HOWELL 
(1920), verificaram a ausência de formação de agglutini- 
nas e opsoninas (HOWELL) em doentes de leucemia, 
onde são intensas as alterações da medulla oss ?.. 

Um argumento a favor da formação de aggiutininas 
pelos órgãos liematDpoéticos e partiiulirmente pela me- 
dulla ossea, consiste em que a regeneração do sangue 
provocada em anim es immunisados, por sangrias repe- 
tidas, é acompanhada de uma producção aujmenlada de 
anticorpos. Este phénomène foi estabelecido por HAHN 
e LANGER; os auctores que repetiram sua technica, não 
o confirmaram. Parece, porém, que o resultado depende 
d:i opportunidade da sangria, pois JÔTTEN (1920>, que 
nada conseguio usando da technica de HAHN e LAN- 
O ER, obteve até um augmento de 40 ou de 100 vezes 
(conforme a leitura do resultado era feita no fim de t 
ou de 24 hor>ts) do titulo do soro em aggiutininas {B, 
typhico), effectuando nos coelhos, a partir do segundo 
dia de inoculação, sangrias de 5 ou de 20 c. c. 

Injecções endovenosas de chlorureto de manganez, 
de nickel, de cobalto e de zinco provocam um augmento 
considerável e rápido da concentração de aggiutininas e 
antitoxina diphterica (WALBUM, 1921). 

5°) Outros orgilos que não os hcraa- 
lopoélicos, exercem igualmcnlc iníliíeii- 
cia sobre a producção dos anticorpos. 

M' GOWAN (1909), estudando as alterações histoló- 
gicas das visceras de coelhos inoculados com glóbulos 
vermelhos de gallinha, notou um accumulo desses glo- 



153 



l>uIos injectados, nos sinusoïdes do fígado, o qual era 
nuito maior do que em qualquer outra viscera e persis- 
tia por maior prazo de tempo; achou que esse accumulo 
no figado, juntamente com a conhecida actividade pha- 
gocytaria das cellulas hepáticas, a sua acção reconhecida 
sobre os productos de digestão, dão força á ideia de 
que o figado é a sede de formação dos anticorpos. São 
factos bem frágeis, como vimos, para supportar uma tal 
asserção. 

NOLF e MÜLLER (1911) são de opinião que as cy- 
tolysinas naturaes (alexinas e amboceptores normaes) se 
originam ao nivel do figado. As suas experiencias prin- 
cipaes procuram demonstrar o desapparecimento prompto 
do complemento e dos amboceptores naturaes após a 
supressão da circulação hepática, a sua persistencia após 
os traumatismos os mais formidáveis, como a extirpação 
de todos os órgãos abdominaes cora excepção do figa- 
do, contanto que este permaneça physiologicamente in- 
tacto, a possibilidade de augmentar o poder alexico e 
sensibilisador do sangue fazendo-o circular em figados 
isolados e vivos. 

HOUSSAY e SORDELLI /1921) constataram que 
coelhos, cães e cavallos cuja glândula thyreoide foi reti- 
Tada, forneciam maior quantidade de hemolysinas, agglu- 
tininas e antitoxinas que os testemunhas. 

ECKER e GOLDBLATT (1921) mostraram a necessi- 
dade de um conhecimento anatómico exacto nas experien- 
cias de ablação das glândulas thyreoide e paratliyreoide, 
« verificaram que a thyreoidectomia com paratliyreoide- 
ctomia parcial não inhibe a producção de anticorpos 
(hemolysinas), ao passo que nos poucos animaes que 
sobrevivem a uma thyro-parathyreoidectomia completa, 
a producção de hemolysinas é reduzida a um quinto do 
normal. 

SESTINI (1922) affirma que a glândula thyreoide da 
cobaya soffre, durante a immunisação contra o B. typhi- 
€a, um processo de hyperplasia, e mostra phenomenos 
morphologicos intensos de hypersecreção cellular. 

Aí experiancias de CUTLER (1922) mostram que a 
hypophyse não exerce directa ou indirectamente, influen- 
cia importante sobre a producção e a persistenc a no 
sangre, de agglutininas e hemolysinas, a menos que a 
porção de hypophyse que é imprescindível deixar no 
animal para manter-lhe a vida, não exerça a mesma in- 
fluencia que toda a glândula. 

6°) ÜS anticorpos são preexistentes no 
sangue e tecidos liquidos do organismo. 

Ideias novas são defendidas recentemente por SAH- 
LI (\ -210). 

SAHLI discorda de EHRLICH, no pensar que o 
protoplasma cellular não é a sede de producção dos an- 
ticorpos. A origem dessas substancias é o próprio san- 
gue (que, segundo SAHLI, é uma secreção) e tecidos li- 
quidos; as cellulas produzem os anticorpos physiologi- 
camente, era resposta a excitações do sangue e tecidos 
liquidos. 

Os diversos anticorpos são preexistentes no sangue; 
pela introducção do antigeno (iramunisaçâo) obtem-se 



um enriquecimento artificial o qual depende da lei benr 
conhecida segundo a qual a secreção é augmentada afim 
de cobrir um déficit, e vae além do limite necessário. 

A producção de anticorpos seria apenas uma moda- 
lidade de regeneraçãt. do sangue, regeneração levada 
ao excesso. Essa regeneração effectua-se em virtude d» 
seguinte: O antigeno e o anticorpo unem-se em uma 
combinação colloidal, em virtude da qual cessa a func- 
ção que o anticorpo desempenhava no sangue. O orga- 
nismo reage a essa perda de anticorpo, que funccionavt, 
por meio de uma secreção augmentada, afim de produ- 
zir nova e maior quantidade de anticorpos. 

II— Material e rnethodos de pesquiza. 

Examinamos a medulla óssea de 54 
coelhos, alguns em condições normaes, 
a maioria (40) em diversos estadios de 
immunisação para a obtenção de aggluti- 
ninas. 

Os animaes, sacrificados opportuna- 
mente, foram necropsiados logo após; 
aquelles que morreram no decurso das 
experiencias só foram aproveitados quan- 
do a necropsia poude ser feita sem de- 
mora. 

Em todos os animaes examinamos 
systhematicamente a medulla óssea do 
femur de ambos os lados. 

Libertado o femur das partes molles 
que o recobrem, era seccionado por meio 
de um costotomo o mais perto possível 
das epiphyses. Em uma das extremidades 
do canal ósseo dávamos, com uma tesoura 
afiada, dois golpes, e, por meio de trac- 
ções cuidadosas, esses cortes eram pro- 
longados por fractura longitudinal do 
tubo ósseo, até a extremidade opposta. 

Quasi sempre obtinhamos então, em 
uma das metades do corpo do femur, um 
cylindro perfeito que comprehendia a 
medulla óssea. Nos casos em que havia 
diminuição de consistencia da medulla 
óssea, essa operação dava resultados me- 
nos satisfatórios. 

O fragmento do femur ao qual adhe- 
ría a medulla óssea era collocado no fi- 
xador ou então, tocando de leve com a 
pinça, destacávamos o cylindro que cons- 
tituía a medulla óssea e deixávamos ca- 
hir pequenos fragmentos cortados cons 



154 



tesoura, successivamente em sublimado- 
alcool c em ZENKER-formol (sem acido 
acético), que foram os fixadores usados 

A inclusão foi feita em parafina e os 
«T-órles foram corados pelo methodo de 
GIEMSA a húmido (fixação em sublima- 
do-alcool) e pela hematoxilina-eosina (ti- 
xaçâo em ZENKI£R-formol). 

Em alguns casos o material foi fixa 
do unicamente em ZENKER-formol, sen- 
do que, então, as preparações pelo GIEM- 
SA a húmido não eram tão favoráveis ao 
«sludo quanto as coradas pela hemato- 
xilina-eosina. Noutros casos, o fixador 
■exclusivo foi o sublimado-alcool; aqui, 
a par de bellas preparações pelo GIEMSA 
a húmido, obtivemos bons preparados 
pela hematoxilina-eosina; o tempo de co- 
loração na hematoxilina de HANSEN não 
diluida, não deve então, exceder de um 
minuto. 

Notamos que a retracção dos tecido* 
<é mais pronunciada no material fixado 
«m sublimado-alcool que no fixado em 
ZENKER-formol. 

E' portanto muito vantajoso o em- 
prego conjuncto dos 2 fixadores e proces- 
sos de coloração, sendo dos mais instruc- 
tivos o estudo comparativo das prepara- 
<çOes assim obtidas. 

Empregamos também, em determi- 
nadas condições (pesquiza de fibrina, 
identificação das cellulas do retículo) va- 
rios methodos geraes (methodos de M.\L- 
LORY pelo azul de anilina e hematoxi- 
lina — acido phosphotungstico, V. GIE- 
SON etc). 

A maioria dos animaes foi immunisa- 
da por via endovenosa; imi pequeno 
numero por via intraperitoneal e sub- 
cutânea. 

Em um grupo, os animaes foram ino- 
culados em um mesmo dia, com uma 
mesma emulsão de uma mesma cultura 
de 24 horas de B. paratyphico A. 

A emulsão foi assim feita: 

Emulsão A. — Preparamos 10 tubos 
de ensaio, cada lun contendo 2 cc. de 



agua physioogica: en cada tubo enulslo- 
nainos uma alça calibrada de 0.UÜ2 grs. 
de uma cuítura de 24 horas de B. Para- 
Lyphico A; o conteúdo dos 10 tubos foi 
reunido em 1 balão e esíe collocado no 
banho-Maria a 60o durante 1 hora; agi- 
tada a mistura, foi distribuida na pro- 
porção de 2 cc. para cada tubo de en- 
saio; foram inoculados na veia margi- 
nal da orelha na mesma occasião, 10 
coelhos, cada um délies com o conteúdo 
de um tubo. 

Em um outro grupo mais numeroso, 
inoculamos isoladamente cada coelho do 
peso de 950—1500 grs. por via endove- 
nosa, subcutânea e intraperitoneal com 
uma emulsão em agua physiologica de 
uma cultura em agar de 2t horas, de B. 
Paratyphico A (1 alça de 0,002 grs.-f 
2 c. c. de agua physiologica, morta pelo 
aquecimento durante 1 hora no banho- 
Maria a G5o). 

A contagem dos glóbulos brancos foi 
feita no liemalimelro com camará de 
LEVY ( Ame!Í:a:i Standard Haemacyto- 
meler With LEVY Coimting Chamber). 

Fizemos habitualmente nesse appa- 
relho, 4 contagens simultaneas dos gló- 
bulos brancos, occasionalmente 3 ou 2, 
aproveitando as médias das determina- 
ções. 

A cifra normal de glóbulos brancos 
no coelho é avaliada em 5-14.000 
(GRUBER), cerca de 9.000 (HEINEKE), 
9-12.(;0l) (PROSCllER), 8-13.000 (TAL- 
LQVIST). Receatemente PENTIMALLI, 
examinando 10 coelhos normaes, ve- 
rificou varia. ões individuaes do numero 
de glóbulos bra ¿cos indo de 4.520 a 10.300 
por mm.3 razão pela qual acha que deve 
haver muita prudencia no attribuir uma 
signiricação a oscillações leves; o nume- 
i-o 6.876 representa a média das suas de- 
terminações. 

As nossas pesquizas, que foram con- 
troladas pelo e^ame histológico da me- 
dulla óssea, deram o seguinte resultado: 



— 155 



No do animal 



í^ixa-íflro I 



Peso 



No de gl. brancos por iiim= 



Coelho 2ñ8. 
b76. 
300. 
269. 



1.500 grs 16.000 

970 grs 10.697 (média de 4 diasX 

1.060 gis 10.600 

1.500 grs 7.400 

11.174 (média). 



Qua-ciro II. 



Animal Peso 


Numero de gL- 
buíGs brancos em 
1 mm3 de sangue. 


Sacrificado a 


Observações 


Estudo microscópico da 
medulla óssea. 


Coe'ho 127 
Coelho 128 
Coelho 130 

Coelho 271 

Coelho 26S 
Coelho 269 
Coellio 275 

Coelho 300 


800 grs. 

1.500 gis. 
1.500 grs. 

l.OóO grs. 


5.400 
34.400 
12.200 

(14 hs. 55' de 

3/6/920)- 16.0Ü0 

(14 hs. 45' de 
17/7/920-16.000 
(15 hs 20' de 
1 7/7/920)-7.400 

(14 hs. de 
3/9/y20)-10.ò00 






Congestão e ligeiro ede- 
ma do retículo. 

A medulla óssea apresen- 
ta aspecto normal. 

Ligeiro edema do retícu- 
lo; diminuição do numero 
de cellulas do parenchyma. 

A medulla óssea mostr» 
pronunciado edema do retí- 
culo, atrophia das cellulas 
gordurosas e focos de multi- 
plicação de myeloblastos. 

A medulla óssea apresen- 
ta aspecto normal. 

A medulla óssea apresen- 
ta aspecto normal. 

Nota-se pronunciado ede- 
ma do retículo, congestão, 
atrophia das cellulas gordu- 
rosas, alterações regressiva» 
das cellulas do parenchyma, 
abundancia de cellulas pig- 
mentadas (heraosidesina). 

A medulla óssea apresen- 
ta aspecto normal. 










15 hs. 10' de 
3/6/920 

15 hs. 30' de 
17/7/920 

15 hs. 35' de 
17/7/920 

7/8/920, ago- 
nisanie. 

3/9/920 


Morto por 
anesthesia vio- 
lenta (chiorofor- 
mio). 

Id. id. 

Id. id. 

Id. id. Per- 
maneceu durante 
alguns dias no 
laboraforio, ten- 
do eramagrecido 
rapidamente. 

Morto por 
anesthesia vio- 
lenta (chlorofor- 
mio.. 



Após algum lempo de trabalho apre- 
ciamos devidamente a importancia da 
recommendayâo de SELLING, de obser- 
var duranle o praso de 3 dias consecu- 
tivos a cifra de glóbulos brancos do 
coelho, só empregando acuelles em que, 
durante eise tempo, se tenha observado 
uma cifra normal, e despresando os que 



apresentarem variações diarias (1) con- 
sideráveis ou uma cifra anormal. 



(1) tssBS variações excedem raramente um limite de 
3 — 4000 gl bulos brancos era 1 mm 3 de sangue. O se- 
guinte animal pôde sêr considerado como exemplifican- 
do bem as variações diarias em um coelho normal: 

Coelho 376. 

Dia 16/2/921— gl,brancos=9. 733 por mm.3 (média de 
3 contagens;. 

Dia l//^/92i— gl brancos=n.533 média) Dia 18/2/ 
921—12.266 (média) Dia 19/2/921 9.256 (média. 



156 




157 



Com effeito, as seguintes observa- 
ções, que fizemos, nos mostraram quão 
sensivel é a medulla óssea a condições 
pathologicas, apresentando então altera- 
ções morphologicas notáveis que viriam 
falsear totalmente a interpretação das 
experiencias tentadas naquellas condições. 

Procedemos do seguinte modo. 

De um lado estudamos a morpholo- 
gia da medulla óssea em coelhos vin- 
dos directamente do bioterio do Instituto 
para o nosso laboratorio e sacrificados 
in-continente, sendo apenas annotado o 
numero de glóbulos brancos momentos 
antes de sacrifical-o. 

No quadro II aeha-se consignado o 
resultado a que chegamos. 

Vê-se pelo quadro junto que, 50 o/o 
dos coelhos examinados nas condições 
referidas apresentam alterações morpho- 
logicas ás vezes importantes da medulla 
óssea, sendo absolutamente improprios 
para uma experiencia criteriosa. 

De outro lado estudamos a morpho- 
logia da medulla óssea em coelhos que 
foram mantidos em observação no nosso 
laboratorio durante 3 dias consecutivos; 
examinando o Quadro III verifica-se que 
os animaes que apresentaram alterações 
da medulla óssea são justamente os que, 
no periodo de observação, mostraram 
imia cifra anormal de leucocytos. 

Como somente após algum tempo 
de trabalho começamos a submeter rigo- 
rosamente os animaes á observação du- 



rante o praso referido, tivemos de sepa- 
rar o nosso material em grupos diverso* 
de valor demonstrativo desigual. 

Temos assim lun grupo / de ani- 
maes com numero de glóbulos brancoí 
normal durante o tempo de observa- 
ção e que foram sacrificados sem soffre- 
rem inoculação; um grupo //, o mais im- 
portante, que comprehende animaes nas 
condições do grupo / e sacrificados ou 
mortos em diversos periodos de iramuni- 
sação. 

llm grupo /// é constituido por ani- 
maes que apresentaram numero anormal 
de glóbulos brancos durante o periodo 
de observação. 

Em mn grupo IV incluimos, final- 
mente, todos os animaes que não fo- 
ram submettidos á observação durante 
3 dias antes de usados em experien- 
cias. 

Desse modo cada grupo serve de tes- 
temunha de outros, constituindo precioso 
material de comparação. 

Este ponto tem muita importancia 
tratando-se de animaes muito sensivei» 
a más condições de alojamento e alimen- 
tação e sujeitos a varias doenças, c, 
ainda mais, quando se tem por objectivo 
observar a morphologia de lun tecido 
como a medulla óssea, que verificamos 
apresentar alterações importantes em ani- 
maes considerados normaes a um exame 
superficial. 



158 



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160 



III— Estudo hístcpathologíco. 

4 horas de immunisação. 

Coelho 368— Peio 1.050 grs. 

Inoculado a 28—1-921 ás 12 hs. 55' na vda 
■marginal da orelha com 1 c c. de agua physiologica 
lendo em suspensão uma alça calibrada (2 railligrs,> de 
ama cultura em agar de 24 hs. de B. Paratyphico A 
morta pelo aquecimento durante uma hora no banho- 
naria a 65o. 

Glóbulos brancos ^sangue retirado ás 13 hs. 5'— 8.800 
(média) por mm' 

Glóbulos brancos ^sangue retirado ás 13 hs. 42'>=- 
15.800 fraédia^ por mm'. 

Foi sacrificado (anesthesia brusca pelo chloroformiez 
âs 16 hs. e 44*. 

.iufops/a— Medulla óssea de côr ver- 
meiha, com areas mais esbranquiçadas; 
aspecto brilhante. Consistencia firme, imi 
pouco diminuida. Veia central moderada- 
mente túrgida. 

Estudo histológico— \ disposição das 
cellulas do parenchyma em grupos que 
occupam os intersticios das cellulas gor- 
durosas é modificada; as cellulas são de- 
sordenadas e menos numerosas que no 
estado normal. As cellulas mais numero- 
sas são os leucocytos polymorphonu- 
cleares; estes, ás vezes, dispõe-se em 
torno de uma cellula gordurosa á manei- 
ra de uma coroa (Fig. 1, Est. 17). Vê-se 
ainda grupos de leucocytos polymorpho- 
nucleares occupando a area de uma cellu- 
la gordurosa (Fig. 2, Est. 17), figuras 
que fazem suppor um chimiotactismo 
pronunciado da cellula gordurosa para 
os leucocytos polymorphonucleares. 

Os espaços sanguíneos são mn pouco 
dilatados, existindo também discreto ede- 
ma do retículo. 

As cellulas gordurosas conservam o 
seu volmne normal. 

Coelho 369-Peso 1.200 gr». 

Inoculado ás 13 hs. de ¿8/1/921 na veia marginal da 
orelha com 1 c. c de agua physiologica tendo em sus- 
pensão uma alça calibrada (2 railligrs.; de uma cultura 
em agar inclinado, de 24 hs. , de B Paratyphico A mor- 
ta pelo aquecimento durante uma hora no banho-maria 
regulado a 65o. 



Numero de glóbulos brancos (exame feito ás 13 hi. 
13')=5.000 (média) por mm'. 

Morto pela anesthesia brusca (chloroformio) ás Ifr 
tas. 57' (3 hs. 57' após o inicio da immunisação). 

Autopsia— A. medulla óssea apresenta 
aproximadamente o mesmo aspecto as- 
signalado para o coelho 368: talvez a 
sua consistencia seja um pouco mais fir- 
me. 

Exame microscópico— O aspecto é 
sensivelmente o mesmo que foi descrip- 
to para o coelho 368: leve congestão, 
discreto edema de retículo, cellulas gor- 
durosas de volume normal, desarranjo 
dos elementos do parenchyma e abun- 
dancia de leucocytos polymorphonuclea- 
res, disposição era corOa desses elemen- 
tos em torno das cellulas gordurosas; 
estas apresentam o núcleo bem conser- 
vado e algumas são inteiramente reco- 
bertas por leucocytos polymorphonuclea- 
res os quaes parecem adhérentes á sua 
superficie ^chimiotactismo) (Fig. 2. Est. 
17). 

Os elementos da serie que encerra 
hemoglobina são mais abundantes aqui 
que no coelho 368. 

Ao cabo das quatro primeiras horas 
de immunisação, observa-se na medulla 
óssea dos Coelhos 308 e 369 congestão 
pouco intensa, edema discreto do reticu- 
lo e uma alteração (desordem) do ar- 
ranjo normal das cellulas do parenchg- 
ma as quaes são menos numerosas que 
no estado normal, e sobretudo uma trans- 
formação intensa dos myelocgtos em leu- 
cocytos polymorphonucleares. Estas ul- 
timas cellulas dispõe-se á maneira de 
uma coroa em torno de algumas cellu- 
las gordurosas: outras vezes, mais nu- 
merosas, constituem um pequeno fòco 
ao nivel da cellula gordurosa. Os aspec- 
tos observados snggerem um chimiotac- 
tismo pronunciado das cellulas gordu- 
rosas para os leucocytos polymorphona- 
clearcs nesta phase inicial. 



161 



17 horas de ímmunisação. 

Cielho 210— Peso 1.300 grs. 

Inoculado ás 13 hs. 30' de 7/4/920 na veia marginal 
da orelha com 1 c. c. de uma emulsão de B Paraíyphtco 
A morta (Emulsão A) 

Morreu durante a noite, antes de 9 hs. de 8/4/920. 

AutopsÍT—A medulla óssea ^Temur. tem col ¡ração 
geral vermelha-clara, aspecto brilhante e consistencia 
normal 

Estudo histológico. 

Com fraco augmento o corte mos- 
tra um fuiiflo corado de modo mais ou 
menos uniforme cm roseo pela cosina 
(edema do rcticulo) no qual apparcccm 
pequenas arcas circulares c'a -as, que cor- 
respondem ás celluias gordurosas: as cel- 
lulas do parcncliyma são coiisifieravei- 
menle diminuidas de numero (aplasia). 
Os capiiiares são enormemente dilata- 
dos e cheios de hematías, mas de modo 
discontinuo. 

Com forte augmento torna-se logo 
apparente a raridade, quasi dcsappare- 
cimcnto completo dos leucocytos poly- 
morphonuclcares. 

Us myelocylos, que são notavclmen- 
Ic menos numerosos que na medulla ós- 
sea normal, apresentam alterações re- 
gressivas pronunciadas; o núcleo de mui- 
tos aclia-se em pycnosc. 

Alguns myelo ylos formam grupos 
isolados, cons. itiii Jos por 3—4 myclo- 
cytos amphophilos; são pequenos focos 
de multiplicação desses elementos. Es- 
tes grupos são vistos raramente. As al- 
terações regressivas dos myelocytossão 
as predominantes. 

E' notada abundancia relativa de ele- 
mentos cellulaies pcciucnos com a mor- 
phologia de lymphocytos. 

Algumas ceilnlas gordurosas tem di- 
mensões normacs; quasi todas, porem, 
são diminuidas de volume; o núcleo é 
tumefacto e sua fina estructura mais 
apparente que de ordinario, corando-se 
bem pela liemalo.\ilina. No protoplasmu 
é notado o apparecimento de uma zona 
onde a estructura é nitidamente reti- 



I culada. Esta zona acha-.se situada im- 
medialamente em torno do núcleo, o 
qual occupa nestas celluias uma posição 
muito mais cenli'ai que nas celluias gor- 
duro.sas da medulla óssea normal. 

Os mcgakaryocytos encontrados são 
sede de pronunciadas alterações regres- 
sivas (plasma corado em roseo mais ou 
menos intenso pela eosina, núcleo em 
karyolysc). 

Em torno dos mcgakaryocytos altera- 
dos são vislas. ás vc/.e>, celluias com a 
moi-plio!ogia dos lymphocytos, não abun- 
dantes; no plasma dos mcgakaryocytos, 
restos de celluias phagocytadas. 

Na medulla óssea do coelho 210, que 
morreu 17 horas incompletas após o co- 
meço da Ímmunisação, as alterações en- 
contradas são, em resumo: 

Allerações dos vasos: conr/csfão pro- 
nunciada dos espaços sanguíneos. 

Alterações do reliculo: edema accen- 
tuado. 

Alterações das celluias do parenchy- 
ma: 

1) diminuição notável do numero 
de celluias da medulla óssea (aplasia). 

2) d sapparecinicnlo. quasi completo, 
de leucocijlos poli¡morj)honuclcares. 

3) a le.açòes reí/rcssiuas pronuncia' 
das dos nvje'oc'jtos c mc(¡a'.ari¡ocf¡tos. 

4) mu t pticaçào de mijclocijtos am- 
pliophilos que conflituem pequenos fo- 
cos de 3 — ^1 elemc las; os focos são es- 
parsos e uislos com relaUva raridade. 

5) diminuição de uo'ume das cellu- 
ias gordurosas, as quaes mostram um nú- 
cleo com os finos detalhes de estructura 
mais apparentes que em condições nor- 
mães. Este núcleo é deslocado para o 
centro da cellula e o protoplasma, em 
torno, t-m uma estructura reticular mui- 
to apparente. 

6' abundancia relativa de celluias 
morpholog'camente idénticas aos Itjm- 
phocgtos do sangue circulante (infillra- 
çào lymphocgtaria diffusa.) 



162 



24 horas de imniunisação. 

Coelho 212— Peso 1.300 grs. 

Inoculado ás 15 hs 30' de 7/4/920 na veia marginal 
da orelha com 1 c. c. de uma emulsão de B. Parafyphico 
A morta (Emulsão A). Morreu depois das 9 horas de 
8/4/920. Autopsiado ás 13 hs. desse mesmo dia. 

Autopsia — A medulla o.ssea tem côr 
vermelha escura, sendo vistos era sua 
espessura, pequenos pontos de côr ver- 
melha mais escura. 

A consistencia acha-se um pouco di- 
minuída. O aspecto é brilhante. 

A veia central é volumosa, túrgida, 
apparecendo como um cordão de côr ver- 
melha, separável facilmente do parenchy- 
ma medullar. 

Estudo histológico. 

Os cortes da medulla óssea examina- 
dos com fraco augmento, mostram desde 
logo, uma reducção evidente do numero 
de cellulas do parenchyma (Fig. 3, Est. 
19). 

O retículo é sede de um edema accen- 
tiiado, generalisado (Fig. 4, Est. 19). 

Os vasos capinares acham-se dilata- 
dos e cheios de hematías (Fig. 3, Est. 19) 
entre as quaes são ainda visto normo- 
blaslos e raros myelocytes e leucocytos. 

O estudo das cellulas do parenchyma 
feito com forte augmento, revelou as 
alterações seguintes: 

E' notada grande escassez, quasi de- 
sapparecimeuto completo dos leucocytos 
polymorphonucleares. 

Cellulas com a morphologia typica 
de lymphocytos são particularmente 
abundantes (Fig. 4, Est. 19); estes ele- 
mentos apparecem isolados, nunca for- 
mando aglomerados de mais de 2—3 cel- 
lulas. 

Além dos lymphocytos que, em cer- 
tos campos, são o elemento cellular pre- 
dominante, são vistos myelocytos. 

Uns myelocytos mostram um núcleo 
bem corado pela hematoxilina, o qual 
muitas vezes tem a forma bilobada. 

Alguns myelocytos possuem 2 núcleos 



esphericos de tamanho desigual; não são 
raros agglomerados de 4 e mais elemen- 
tos; cada elemento mostra, então, um nú- 
cleo bilobado, ou possue 2 núcleos esphe- 
ricos, quasi sempre de tamanho desigual 
(formas de divisão dos myelocytos). 

Ao lado dos myelocytos acima des- 
criptos são vistos outros, não raros, que 
mostram alterações diversas. Em alguns, 
o núcleo apparece fracamente corado, de 
modo diffuso (como um sombreado do 
núcleo normal, karyolyse); noutros o nú- 
cleo acha-se reduzido a imia massa con- 
densada corada em negro, ou a pequenas 
massas esphericas (3 a 5) de tamanhos 
desiguaes, fortemente coradas (kargor- 
rhesis e pycnose). 

O volume de quasi todas as cellulas 
gordurosas é menor que o de um ele- 
mento da medulla óssea normal (Fig. 3, 
Est. 19). 

O núcleo occupa uma posição muito 
mais visinha do centro da cellula que o 
de uma cellula gordurosa normal (Fig. 
4, Est. 68); nunca é perfetamenfe central 
sendo sempre levemente excêntrico; é 
mais volumoso que o de uma cellula gor- 
durosa normal, tem forma ovoide, é po- 
bre de chromatina. Occupa uma zona de 
plasma, a qual tem estructura nitida- 
mente reticulada. Nas malhas do retículo, 
em torno do núcleo, são vistos peqm^ios 
vacuolos. Na porção peripherica do plas- 
ma os vacuolos são maiores, separados 
por finos septos do retículo. 

Na circumvisinhança immediata da 
cellula gordurosa, é vista uma substan- 
cia uniformemente corada em rosco nos 
preparados pe'a hemalo iina-eosina 
(transudacto-liquido do elema). 

Não é possível encontrar um mega- 
karyocyte com a.spe(to no -mal; e sas cel- 
lulas são diminuídas de numero e offere- 
cem diversos aspectos. 

Em um délies, o volume é mais ou 
menos o de um megakaryocyto normal, 
O núcleo mostra a configuração carac- 
terística. Córa-se porem, muito mal pela 



163 



tieînatoxilina, apparecendo como um 
sombreado de cor azul-escura, mais vo- 
lumoso que o núcleo normal e nelle não 
são vistos detalhes finos de estructura; 
a massa tem, ao contrario, um aspecto 
hemogeneo e uniforme. 

O plasma é constituido por granu- 
lações muito pequenas, densamente agru- 
padas, de tamanho uniforme, fracamen- 
te coradas em roseo nos preparados pe- 
la hematoxilina-eosina e em azul claro 
nos preparados pelo GlEMSA a hmnido. 

Em outro aspecto, o volume da cel- 
lula é enormemente reduzido, ás vezes 
a mais de metade do volume normal. O 
megakarj'ocyto tem então, as dimensões 
de imi myelocyto (Fig. 5, Est. 19). 

núcleo apresenta-se como uma 
massa condensada, fortemente corada em 
azul muito escuro; não mostra detalhes 
finos de estructura. 

O plasma granuloso íj.ma em torno 
do núcleo assim condensado uma orla 
mais ou menos estreita; mostra o mes- 
mo aspecto granuloso atraz assignalado. 

As alterações da medulla óssea 24 
horas após o inicio da imm misação são 
portanto : 

Alterações vasculares; co:\^ estão pro- 
nunciada dos espaços sanguíneos. 

Alterações do retículo: edema pro- 
nunciado. 

Alterações das cellulas do parenchy-' 
ma: 

1) aplasia (diminuição do numero de 
cellulas). 

2) abundancia relativa de cellulas 
com a morphologia de lymphocijtos as 
quaes se acham ora accumuladas no in- 
ferior dos espaços sanguíneos, ora no re- 
tículo onde apparecem como elementos 
isolados. 

3) diminuição, quasi amencia de leu- 
cocytos polymorphonucleares. 

4) alterações regressivas nos myelo- 
cytos, megakaryocytos e cellulas gordu- 
rosas. 

5) proliferação dos myelocyfos não 



sendo raros focos esparsos, constituidos 
por í ou mais desses elementos. 

Interpretações prováveis. 

As alterações vistas na medulla óssea 
dos coelhos 210 e 212, mortos no fim de 
17 e 24 horas de immunisação, são da 
mesma natureza. 

Notamos apenas, pequenas variações 
na intensidade das lesões. 

Assim, no coelho 210, o edema do re- 
tículo é mais accentuado que em 212. 
No coelho 212 as cellulas com a morpho- 
logia de lymphocytos são ainda mais n*' 
merosas e diffusamente distribuidas que 
no coelho 210. 

As lesões reconhecem, provavelmen- 
te, a seguinte pathogenia. 

O notável empobrecimento em leu- 
cocytos é explicável, naturalmente, pela 
leucocytose observada nesta phase da 
immunisação. 

Dessa me.sma leucocytose depende a 
multiplicação ou regeneração dos myelo- 
cytos. 

A congestão dos capillares e edema 
do retículo dependem directamente da 
introdução na circulação do antigeno 
(bacterias mortas, seguramente acarre- 
tando toxinas (endotoxinas). A conges- 
tão deve preceder o edema, o qual é apa- 
ñas a consequência de imia congestão 
intensa e duradoura. Tivemos, aliás, occa- 
sião de observar a facilidade com que 
se produz o edema do retículo da me- 
dulla óssea em varias condições pa- 
thologicas, o que é explicado pela estruc- 
tura especial dos capillares da medulla 
óssea. 

Quanto ás alterações regressivas vis- 
tas nos myelocytos, megakaryocytos e 
cellulas gordurosas, achamos que as le- 
sões vasculares (edema e congestão), 
acarretando alterações do metabolismo 
cellular, são sufficientes para as explicar; 
não é possível, porém, excluir também, 
aqui, uma acção do antigeno. 

Offerece difficuldade a explicação da 



164 



abundancia de cellulas com a morpholo- 
gia do lymphocytos; já o mesmo plicao- 
raeno foi observado por SELLING na 
phase de regeneração da medulla ossca 
em coelhos i.iloxicados pelo ben/.ol; o 
mais provável é que se trale de uma 
humigra/ào dessas lelluhis doscapillares 
da medulla óssea, em cujo iiitcflor po- 
dem ser vislos lamijem nos corles (Fig. 
4, Est. 19). 

36 horas de ímmunisação. 
Coelho 213— Peso J. 300 grs. 

Inoculado na veia martíinal da orelha com 1 c. c. de 
uma emulsão de B. Paratyphico A morta (Emulsão A), 
ás 15 hs. 30' de 7/4/Ç20. 

Morreu depois das 9 hot as de 8/4/920. Autopsiado 
ás 13 horas desse mesmo dia. 

Autopsia — A medulla os^ea tem côi 
vermelha ciara. A consislencia é diminuí- 
da, o órgão facilmenle dilaceravel dei- 
xando fragmentos adherenles ao osso na 
occasião de ser retirado. Os vasos cen- 
traos não são muito appareitcs. 

Estudo histológico — .\s le .ões da me- 
dulla ossca no coelho 213, morto na 3Ja 
hora de immunisação, são da mesma na- 
tureza das vistas no coellio 212. 

As differenças são: 

lo) A congcslão é menos acccntuada. 

2") A proUicração de myelocylos é 
mais pronunciada, sendo fre^iueates fi- 
guras de divisão indirecta. 

3o) Cellulas com pigmento são en- 
contradas em maior numero. 

2o dia de immunisação. 

Coelho 214 -Peso 1.200 grs. 

Inoculado na veia marginal da orelha com 1 c. c. de 
nma emulsão' de B. Paratyphico A morta (Emulsão A), 
ás 15 hs. 30' de 7/4/920. 

Foi sacrificado ás 12 hs. de 9/4/920 (46 horas e 30' 
após a inoculação). 

A autopsia foi feita immediatamente. 

Autopsia. — A. medulla óssea (femur) 
tem coloração geral vermelha. O aspecto 
é brilhante. A consislencia é normal. 

Estudo microscópico — Cortes de ma- 



terial fixado em Z. F., corados pela H. 
E. e GíEMS.\ a húmido. 

Com fraco augmento nota-se pro- 
nunciada congestão dos pequenos vasos 
(ca|)illares). e.lema do retiL-ulo e diminui- 
ção do volume e numero das cellulas 
gordurosas. 

Ü paicnchyma me Iu!lar parece mais 
pobre de cellulas que o normal; este em- 
pobrecimento, contudo, nã3 é accentuado. 

Não são vistas areas de necrose. 

Com forte augmento nota-se que as 
cellulas mais abundantes são myclocytos 
amphophüos e leucocytos polymorplio- 
nuclcares, existindo ainda entre ellas, á 
maneira de uma infiltrarão diffusa, cel- 
lulas pequenas, de núcleo muito rico de 
chi-omatina, com a morphologia seme- 
lhante á dos lymphocytos do sangue. 

ÜS megalíaryocytos não são diminuí- 
dos de numero, o seu núcleo mostra-se 
bem corado e com estructura normal. 

Muitos dos m.egakaryocytos encon- 
trados encerram em seu plasma, um ou 
mais leucocytos. 

.\s cellulas gordurosas acham se re- 
duzidas de volume; o vacuolo que cor- 
responde ao material gorduroso armaze- 
nado no protoplasma da cellula é, em 
todas as cellulas, sempre menor que o 
o de um elemento da medulla óssea nor- 
mal; essa diminuição corresponde, em 
muitas cellulas, á metade oa a um lerço 
do volume normal, e, em outras, não ra- 
ras, a um decimo do volume normal. 

Nas cellulas cujo vacuolo é reduzi- 
do á metade ou a um terço, o núcleo se 
conserva á periphcria da cellula, tendo 
o aspecto que normalmente apresenta. 
Nas cellulas reduzidas a um decimo do 
seu volume, o núcleo é mais apparente, 
tornando-se túmido e vesiculoso; não se 
vc pycnose ou outro aspecto que indique 
um processo regressivo nesla especie cel- 
lular. 

Só raramente, na medulla óssea d'es- 
té coelho, verificamos o aspecto da cel- 
lula gorduro.sa descripto para os coelhos 
212 e 210 (núcleo volumoso, com lea- 



165 - 



dencîa a deixar a sua posição excéntrica, 
cercado de uma zona de protoplasma de 
estructura nitidamente reliculada). 

As alterações encontradas na medul- 
la óssea do coelho 214, sacrificado 46 
lis. 30' após o inicio da immunisação, 
são, em resumo, ás seguintes: 

1») congestão e edema do reticnlo. 

2°) diminuição lineira do numero 
de cellulas do parenchifma medullar, ha- 
vendo predominancia de mi]docv,ios am- 
phophilos e íeucocijtos pobjworphonu- 
cf cares; o numero destes u' timos é sen- 
sirelmente o mesmo que no parenchyma 
medullar normal dmdo, comtudo. aqui, 
em virtude do empobrecimento cellular, 
a impressão de um a^créscimo. 

3o) infiltração difusa do parenchy- 
ma por cellulas com morphologia de 
lymphocytos do sangue. 

4o) mega'.aryo'ytos com aspecto nor- 
mal, não diminuidos de numero, muitos 
com um ou mais leucocytes polymorpho- 
nucleares em seu plasma. 

5") cell u' as gordurosas menos nume- 
rosas e menores que as da medulla óssea 
normal, o seu núcleo tendo porém, as- 
pecto idêntico; Oitras muito menores (um 
decimo e menos do volume primitivo). 

O aspecto das cellulas gordurosas in- 
lerprelamos como phase de recomposi- 
ção ou reconstituição da cellula gorduro- 
sa. Após a perda do conteúdo de gordu- 
ra vislo nas primeiras 24 horas de immu- 
nisação, a qual se traduz morphologi- 
camenle por um aspecto especial da cel- 
lula (v. descripção coeho 212), este ele- 
mento vae recuperando aos poucos o 
conteúdo gorduroso. 

3o dia de immunisação. 

Coelho 130-Peso 1.150 gra. 

Morto com 60 horas de inoculação. 

Dia 25/2/920— Glóbulos brancos (12 hs. 15') =8.000 
por mraí. 

Foi inoculado ás 16 hs. na veia marginal da orelha 
com 1 c. c. de agua physiologica tendo em suspensão uma 
alça '2 milligrs.) de i cultura em agar de 24 horas de 
BaciUo Paraty¡:hico A. A suspensão foi morta pelo aque- 
cimento no banho- maria a 60o durante I b. e 30'. 



Dia 26/2/920— Glóbulos brancos (11 hs.)»=-33 «O por 
mm. 3. 

Dia 27/2/920— Glóbulos brancos (15 hs. 30')=34.80O 
por mm3. 

Dia 28/2/920. 

Amanheceu morto. 

Autopsiado em boas condições de conservação. 

Autopsia — Medulla os ea de consis- 
tencia molle, diffluente, de côr verme- 
lha e.scura; em sua parte central, corres- 
pondendo ao seu maior diâmetro lon- 
gitudinal, c distinguido um cordão, de 
côr vcrmelha-negra, resistente, que se 
dissocia do parenchyma da medulla, 
(vasos centraes da medulla). 

Estudo m croscopco. — (fortes do ma- 
terial fixado em Z. F. corados pela H. E. 
e CilEMSA a hiimido, 

A meJulla os ej mos'ra um conteúdo 
cellular visinho do normal. 

Persiste a congestão capillar, que é 
muito accenluada (I'"ig. 9, Est. 21). 

Ha resorpção do e:lema, o qual é 
vislo apenas aq li e alli, de modo discreto. 

As cellulas mais abundantes são my- 
elocytos amphophilos e leucoc\ los po- 
lymorphonucleares (Fig. 11, Est! 21); 
alguns myelocytos mostram figuras de 
mitose e affectam a disposição ou aggru- 
pamento em focos. 

Tornam-se conspicuos focos de mul- 
tiplicação de er\ throblaslos (norniobius- 
tos); uns focos são vistos não só cm |)Ie- 
no parenchyma, mas sobretudo em tor- 
no dos vasos de médio calibre e preca- 
pillares (I-ig. 10, Est. 21). 

A infiltração diffusa do parenchyma 
por cellulas com a morphologia de lym- 
phocytos é appurente (Fig 9. Est. 21). 

As cellulas gordurosas apresentam o 
mesmo aspecto dcscripto para o coelha 
214. 

Quasi todos os megakaryocytos en- 
cerram em seu plasma alguns leucocy- 
los polymorphoiuicica.es; alguns mega- 
karyocNlos ap.ee Iam aliei ações regres- 
siva. 

As differenças e relações entre a» 
alterações vistas aqui (S» dia de immuni- 



166 



sacão) e as precedentemente assignala- 
das, são as seguintes. 

Inicia-se a resorpção do edema do 
reticalo. 

Persirle a congestão capillar. 

A medulla óssea é quasi tão rica de 
cellulas quanto no estado normal; essas 
cellulas são sobretudo, myelocytos e Icu- 
cocytos polymorplionucleares. 

Começam a apparecer focos de rege- 
neração dos elementos encerrando he- 
moglobina (focos perivasculares de ery- 
throblastos (normoblastos). 

Prosegue a reconstituição ou rege- 
neração do conteúdo gorduroso das cel- 
lulas gordurosas. 

Os lymphocytes tornam-se mais ra- 
ros, desappareccndo o caracter de infil- 
tração diffusa que apresentavam. 

Os megakaryocytos apresentam pro- 
nunciada actividade phagocytaria e sof- 
Jírem phenomenos de desintegração. 

3o dia de immunisação. 

Coelho 216. 
Peso 1.300 grs. 

Inoculado na veia marginal da orelha com 1 c. c. de 
uma emulsão de B. Paratyphico A morta (Emulsão A) 
ás 15 hs. 30' de 7/4/920. 

Foi sacrificado ás 12 hs. 50* de 10/4/920 (72 horas e 
vinte minutos após a inoculação). 

A autopsia foi feita immediatamente. 

Autopsia.— \ medulla óssea (femur) 
tem consistencia molle e cor vermelha 
intensa. São vistas, esparsos, pontos de 
coloração esbranquiçada. 

Estudo microscópico. — Cortes de ma- 
terial fixado em Z. F. corados pela H. E. 
e GIEMSA a húmido. 

Com fraco augmento nota-se conges- 
tão dos capinares, edema do retículo, em- 
pobrecimento do parenchyma em cellu- 
las, focos cellulares esparsos, desap- 
parecimento das cellulas gordurosas e 
augmento do numero de cellulas fixas 
do tecido conjunclivo (Fig. 10, Est. 20), 
esta ultima alteração sendo discreta. 

Com forte augmento, nota-se que as 
€»llulas dominantes são myelocytos e leu- 



cocytos, havendo ainda uma infiltração 
diffusa, mas pouco intensa, por cellulas 
com a morphologia de lymphocytos. 

Os myelocytos apresentam-se fre- 
quentemente sob a forma de pequenos 
agglomerados de 2, 3, 4 ou 6 elementos 
sendo raros os de maior numero; os gru- 
pos de 4 são os mais frequentes (Fig. 8, 
Est. 20). 

A medalla mostra um conteúdo cel- 
lular visivelmente abaixo do normal. 

As cellulas existentes procurara a vi- 
sinhança immediata dos capillares. 

Essa dlslribiiição periuascular das 
cellulas medullares (aqui leucocytos po- 
lymorphonuclcares e myelocytos) é bem 
exemplificada neste coelho. 

As cellulas gordurosas são pouco ap- 
parentes; em seu plasma, nenhum vá- 
cuolo correspondente a um conteúdo gor- 
duroso, é visível; os limites do protoplas- 
ma são indistinctos e confundem-se come 
o liquido do edema do retículo. Estas cel- 
lulas só podem sêr identificadas pela es- 
tructura de seu núcleo e por comparação 
com o aspecto visto em outros coelhos, 
onde formas de transição eram presen- 
tes entre este aspecto e cellulas gorduro- 
sas typícas. Devemos assignalar a seme- 
lhança do núcleo da cellula gordurosa 
assim atrophiada e do de uma cellula fi- 
xa do tecido conjunctivo. 

O núcleo da cellula gordurosa con- 
serva uma estructura typica apesar das 
mais notáveis modificações de aspectc» 
de seu protoplasma: assim, após a perda 
total do conteúdo gorduroso do plasma, 
o núcleo é apenas um pouco mais tú- 
mido e arredondado e deixando a sua 
posição peripherica, vêm occupar o cen- 
tro da cellula. O arranjo e disposição da 
chromalina nuclear é muito semelhante 
ao da cellula gordurosa na medulla óssea 
normal. Dir-se-hia que as modificações 
importantes do conteúdo gorduroso são 
alteiações physíologicas e não patholo- 



gicas. 



Na medulla óssea deste coelho é ob- 



167 



servado o augmento do numero de cellu- 
las fixas do tecido conjunctivo; em cer- 
tos pontos (Fig. 10, Est. 20) o parenchyma 
medullar é constituido por 10—15 cellulas 
collocadaü lado a lado e em seguimento 
umas ás outras. A estructura do núcleo 
destas cellulas é a do fibroblasto; as 
fibrillas conjunctivas podem ser distin- 
guidas claramente. 

Estes pontos, porém, onde muitos 
fibroblastos se collocam lado a lado, não 
são abundantes; quasi sempre os fibro- 
blastos, com as suas características moF' 
phologicas bem accentuadas, são vistas 
de mistura com outros elementos cellu- 
lares da medulla. Aos que tiveram occa- 
sião de estudar a medulla óssea, não pre- 
cisamos assignalar aqui a difficuldade 
que offerece, em condições normaes, o 
reconhecimento das cellulas fixas do te- 
cido conjunctivo. 

Alem dos pequenos focos cellulares 
que são focos de multiplicação dos mye- 
íocytos e dos elementos encerrando he- 
moglobina (megaloblastos e normoblas- 
tos), esta medulla nos mostra outros fo- 
cos mais extensos e que são constituidos 
por elementos numerosos e densamente 
agrupados e fazem um contraste notá- 
vel com o parenchyma medullar circun- 
visinho (Fig. 9, Est. 20). 

Com forte augmento vê-se que as cel- 
lulas que constituem o agrupamento den- 
so são numeros.os leucocytos polyraor- 
phonucleares; muitos destes em lun mes- 
mo ponto, sobrepostos uns aos outros, 
mostram um núcleo pycnotico e outros 
acham-se em completa desintegração. Es- 
te ponto dá a impressão de xmx pequeno 
infarcto (Fig. 9, Est. 20). 

Entre as cellulas densamente agru- 
padas que acima assignalamos, podem 
sêr reconhecidos os elementos próprios 
do parenchyma medullar. 

Resmnindo, a medulla ossea deste 
animal, sacrificado 72 horas e 20 minu- 
tos após o inicio da immunisação, offe- 
^ece os seguintes pontos interessantes: 

1°) A regeneração de polymorpho- 



nucleares (multiplicação intensa de my~ 
elocytos) constitue o phenomena domi- 
nante. 

2o) — E' observado desapparecimenio, 
completo do conteúdo gorduroso das cel- 
lulas gordurosas. 

3o)— A infiltração lymphoci¡taria,tao 
notável nos coelhos 212 e 2H offerece 
aqui pequena intensidade. 

4o)— E' notada, pela primeira vez em 
nossa serie, a hyperplasia das cellulas 
fixas do tecido conjunctivo. 

5°)— São vistos focos cellulares diffé- 
rentes dos focos de regeneração dos ele- 
mentos encerrando hemoglobina (focos 
perivasculares de megaloblastos e nor- 
moblastos). 

6o)— O processo acha-se em eviden- 
te atrazo se o compararmos com o visto 
no coelho 150, morto 60 horas após o 
inicio da immunisação. 

6o dia de immunisação. 

Coelbo 407— Peso 1030 grammas. 

Dia 28/4/921 —13 hs. 35' -glóbulos braiicos=16.750 

(média.) 
Dia 29/4/621— 13 hs. 30'-giobnlos brancos=10.250 

por mm', (média) de 4 contagens. 
Dia 4/5/921-14 hs.— glóbulos brancos=15.800 por 

mm. 3 (média de 4 contagens). 
Dia 5/5/ <21— 13 hs. 40'— glóbulos brancos=14.250 por 

mm3. (média de 4 contagens). 
Dia 6/5/921—12 hs. 55'— glóbulos brancos=14.350 por 

mm. 3 (média de 4 contagens). 
A 6/5/921 recebeu por via subcutânea (13 hs. 45') l 
alça calibrada de 2 miliigrammos de uma cultura em 
^gar (24 hs.) de B. Paratyphico A em suspensão em agua 
physiologica, morta no banho-raaria a 65o durante l 
hora. 

Dia 12/5/921— O coelho foi sacrificado ás 14 hs. 20' 
pela anesthesia brusca pelo chloroformio (a morta occor- 
reu em r20"). 

Estudo histológico — Com fraco aug- 
mento vê-se que a medulla ossea é rica 
de cellulas, um pouco menos, porém, 
que em condições normaes; uota-se que 
os vácuolos regularmente espaçados que 
na medulla ossea normal correspondem 
ao corpo das cellulas gordurosas, pare- 
cem faltar aqui inteiramente. 

Com forte augmento verifica-se que 



168 



as cellulas gordurosas são diminuidas de 
volume e cm parte desapparecidas; aqui 
e alli vc'-se uraa cellula gordurosa de vo- 
lume notavelmente reduzido e o núcleo 
emigrado para o centro; quasi sempre 
a porção do retículo que a circumda to- 
ma fortemente a coloração pela eosina. 

Não existe congestão. 

O edema do retículo é menos accen- 
tuado que nos coelhos precedentes; adia- 
se limitado a certas porções do retículo, 
as quaes se coram intensamente pela 
eosina. 

Das cellulas do parenchyma, as mais 
abundantes são os leucocytos polymor- 
phonucleares que mascaram os outros 
elementos do parenchyma. 

São apparentes grupos erytlirogene- 
ticos. 

Megakaryocytes com disposição e Es- 
pecio normaes. 

E.\aminando diversos blocos, nota- 
mos leves modiricações do aspecto acima 
descripto; em alí7uns pontos o edema era 
mais acrentiiado e o parenchyma menos 
rico de cellulas. 

7o dia de immunisação. 

Coelho 218— Peso 1.300 grs. 

Inoculado na veia marginal da orelha com 1 c. c. de 
lama suspensão de B. Paratyphico A (liquido A) ás 15 
hs. e 30' de 7/4/920. 

Amanheceu morto a 14/4/920. Necropsiado em bom 
estado de conservação. 

Autopsia.— A medulla óssea (femur" 
de ambos os lados) mostra consisten- 
cia firme e aspecto brilhante; a colora- 
ção é vermelha côr de tijolo,, distinguin- 
do-se em sua massa finas granulações 
brancas, relringen'.es. 

Ec>ludo histológico. — Com fraco aug- 
mento o aspecto da medulla óssea é in- 
teiramente diverso do normal. 

Os capinares são dilatados e cheios 
de hematías (Fig. 13, Est. 22). 

As cellulas do parenchyma, abun- 
dantes, tem grande tendencia a se agru- 
parem ao longo das paredes dos capilla- 
res (Fig. 13. Est. 22). 



Com forte augmento verifica se uma 
predominancia acceatuada de myelocy- 
tes sobre as demais cellulas. Não só a 
maioria das cellulas com disposição pe- 
rivascular são myelocytes amphophilos, 
como estes formam grupos de 4, 6 ele- 
mentos os quaes occupam a espessura do 
parenchyma, entre os capillares, sobre- 
pondo-se ás cellulas gordurosas que são 
assim, em parle, mascaradas (vide a, 
Fíg. 3, Est. 17); o aspecto é, então, o 
de um grupo de cellulas (myelocytes) 
cercado por ura halo claro (corpo da 
cellula gordurosa.). 

Outras cellulas gordurosas tem di- 
mensões quasi normaes (¿>, Fíg. 3, Est 
17). 

São raros os leucocytos pohTnorpho- 
nucleares. Os lymphocytes não são nu- 
merosos, existindo sobretudo em torno 
das arteríolas. 

Os elementos da série que encerra 
hemoglobina affeclam a disposição em 
grupos; as ceuuias que es formam não 
são numerosas, os grupos erythrogene- 
ticos sendo muito menos conspiciios que 
os elementos da série myeloíde; não é 
dífiÍLÍl encontrar erythroblastos com ka- 
ryorrtiexis. 

Myelocytes são tão numerosos como 
no órgão normal, muitos encerrando gra- 
nulocytes phagecytades. 

Com frequência vê-se nos cortes, 
foces constituídos per grandes cellulas 
de núcleo alongado, ás vezes estreitado 
na parte média (em forma de 8 de cifra), 
pobre de chromalina, as quaes identifica- 
mos as cellulas do tecido conjunctivo; 
esses foces só occasienalmente encerram, 
outros elementos cellulares alem das cel- 
lulas conjunctivas, era um granulocyte, 
ora cellulas menonecleares não granulo- 
sas. 

Coelho 373— Peso 1.400 gra. 

Dia 4/2/921— Glóbulos brancos (13 hs. 25'Hl 6-550 
por mm.3 (média). 

Inoculado ás 14 hs. 20' do mesmo dia com 1 c. c. de 
agua physiologica tendo em suspensão uma alça calibrada 
(2 miliigrs.) de uma cultura em agar, de 24 hs. de B. 



169 



Parmtjphico A, morta. A injecção correu sem incidentes. 
Dia 11/2/921— Ás 14 hs. o coelho morreu. Foi auto- 
ptudo logo após. 

Autopsia: — Animal mui'o cmma^reci- 
do. Os órgãos internos— pulmões, figado, 
baço, coração e rins, têm aspecto nor- 
mal. Não ha pneumonia, lesões de coc- 
cidiosc, nem myxoma 

Medulla óssea de consistencia mais 
ou menos firme; a sua coloração é pal- 
lida em territorios mal limitados, ver- 
melha-pardacenla era outros; o aspecto 
é antes opaco. 

Estudo fiistologico — As alterações 
da medulla óssea são da mesma nature- 
za das do Coelho 218, havendo pequenas 
differenças que correm por conta de 
variações individuaos. 

As cellulas do parenchyma são me- 
nos abundantes que no Coelho 218, ha- 
vendo activa hyperplasia dós elementos 
da série myeloide que affectam disposi- 
ção perivascular e constituem focos na 
espessura do parenchyma. 

Os leucocytos polymorphonucleares, 
ao contrario do que vimos na outra me- 
dulla óssea, são muito abundantes, tão 
niunerosos como os myelocytos. 

As cellulas gordurosas têm dimensões 
sensivelmente inferiores ás do elemento 
normal. Os grupos erythrogencticos não 
são conspicuos. 

As alterações na medulla ossca no 
7o dia de immnnisação são principalmen- 
te uma hyperplasia ou proliferação in- 
tensa de myelocytos, os quaes assumem 
uma disposição periuasclar bem nítida; 
a evolução de myelocytos para leucocy- 
tos polymorphonucleares ejfectua-se de 
modo activo, apresentando variações in- 
dividuaes a proporção reciproca dos 2 
elementos cellulares. 

Persiste a congestão capillar, sendo 
discreto o edema do retículo. 

As cellulas gordurosas são diminui- 
das de volume; algumas, porém, já rea- 
quiriram as suas dimensões; outras são 
mascaradas pelos myelocytos em hyper- 
plasta. 



Elementos da série que encerra he- 
moglobina são encontrados, mas muito 
menos conspicuos que os da série mye- 
loide. 

Pequenos focos de fibrose (prolifera' 
ção de cellulas conjunctivas) são nume- 
rosos, representando, provavelmente, a 
organisação de pequenos focos hemor- 
rhagicos. 

10o dia de immunisaçSo. 

Coelho 405 (v. nota)— Peso 950 gra. 

Dia 11/4/921— Glc bulos brancos— 14.400 por mtn.S 

(média). 
Dia 13!4/021-(16 hs. 20') Glóbulos brancos=16.500 

por mm. 3 (média). 
Dia 14/4/921— (16 hs 10') Glóbulos brancos=l 8.450 

por mm 3 (média). 
Dia 15/4/921—112 hs. 40'^ Globnlos brancos=19.550 

por mm. 3 (média). 
Dia 16/5/921 — (12 hs. 35') Glóbulos brancos=l 5.333 

por mm. 3 (média). 
Foi inoculado por via intraperitoneal, ¿s 12 hs. 52* 
de 16/4/921 com 1 alça de 2 miliigrs. de 1 cultura de 24 
hs. em agar inclinado, de B. Paratyphico A morta no 
banho-maria a 65" durante 1 hora. 

Dia 26/4/921— Morto pela anesthesia brusca peío chIo> 
roformio ás 14 hs. 15'. 

A morte occorreu em 1' e 15'. 
Autopsia— k medulla óssea não apresenta alterações 
macroscópicas. 

Coelho 408— Peso 1.140 grs- 

Dia 28/4/921— (13 hs. 40')— Glóbulos brancos=.I0.950 

por mm.3 (12-800—11.600—10.600—8.800). 
Dia 4/5/921— (13 hs. 30';— Glóbulos brancos=«15.95§ 

por mra.3 (16.800—14 800—14.600—13.600;. 
Dia 5/5/921— fl4 hs. 5')— Glóbulos brancos=19,40i 

por mm 3. 
Dia 6/5/921— (13 hs).— Gtobulos brancos=12.850— 

(13.000—12.400—11.600—10.400) 
Foi inoculado por via subcutânea, ás 14 hs. 45' de 
6/5/921 com 1 alça de 2 miliigrs. de 1 cultura em agar 
(24 hs). de B. Parutyphko A em su'spensao em agua phy* 
siologica, morta no banho-maria a 65o durante 1 hora. 
Dia 16/5/921=0 coelho foi sacrificado pela anesthe» 
sia brusca pelo chioroformio {\b hs.i. 



A/i?to-Este coelho (405), que apresentou uma cifra 
anormal de leucocytos nos dias que precederam á im- 
munisação, foi aproveitado no nosso estudo porque at 
alterações que apresentava a medulla ossca eram oerfeita- 
mente análogas ás que verificamos nos coalhos abaixo 
assignalados que apresentaram cifra normal de glóbulo* 
rances. 



170 



Coelho 409-He3D Iî39. grs. 

Dia 5/5/921 —(14 hs.) Glóbulos brancos-'10.550 por 
mm.3 Í11.600— 11.200-10.000— 9.400). 

Dia 6/5/921— (13 hs. 15') Glóbulos brancos=12 800 
por mni.3. (14.800—13 400-11.809-11.201). 

Dia 6/5/921 -A's 13 hs. 45' foi inoculado por via 
subcutânea com 1 alça de 2mill¡íírs de 1 cultu- 
ra em agar de B. Paratyphico A em suspensão 
«m agua physiologica, morta no banho-maria a 
ôS» durante 1 hora. 

Dia 16/5/921— A's 16 hs. o coelho foi sacrificado 
pela anesthesia violenta pelo chlorofcrmio. 

Uma única descripção dá conta do 
aspecto da medulla os.sea nestes 3 ani- 
maes, tão análogas são as alterações exis- 
tentes. 

Apenas na medulla óssea de 405 e 
408 só com dificuldade é possível en- 
contrar cellulas encerrando pigmento, as 
quaes, ao contrario, não são raras em 409. 

Estudo histológico.— Com fraco aug- 
mento as cellulas gordurosas são diminui- 
das de volume e as porções do retículo 
que as circundara tomam fortcmcnnte 
a eosina. Nos preparados pelo M.\LLO- 
RY (azul de anilina) estas porções co- 
ram-se de modo uniforme em vermelho 
alaranjado dando o aspecto de uma subs- 
tancia hyalina, ao passo que a porção 
restante do reliculo se cora em azul (li- 
quido do edema). 

As cellulas do parenchyma são sen- 
sivelmente tão numerosas como no ani- 
mal normal. 

A existencia de myelocytos em pe- 
quenas ilhotas isoladas de 3, 4, 6 ou 
10 é mais elementos ao lado de outros 
grupos distintlos deelemenloscujo plas- 
ma encerra hemoglobina (grupos onde 
existe regeneração das cellulas da série 
myeloide e grupos erythrogeneticos) é 
uma feição bem evidente nesta medulla 
óssea concordando com o que BUNTING 
€ SELLING referem a respeito deste 
órgão em regeneração. 

Os leucocytos polymorphonucleares 
são egualmenle abundantes e os mega- 
karyocytos bem con.servados. 

Occasionalmenle são vistas areas on- 



de existe discreta congestão dos capilla^ 
res. 

O aspecto das alterações não é uni- 
forme; em alguns fragmentos o edema 
do reliculo é mais pronunciado e as cel- 
lulas gordurosas menos volumosas; as 
cellulas do parenchyma, embora menos 
numerosas, mostram a disposição em gru- 
pos distinctos de elementos da série my- 
eloide e erythrogeneticos. 

A medulla óssea no 10° dia de immu- 
nisação mostra, portanto, uma activa re- 
generação das cellulas do parenchyma, 
tanto das cellulas da série mijeloidr como 
dos elementos encerrando hemoglobina; 
aquellas, porém, mais numerosas que es- 
tas. 

A congestão dos capillares só existe 
em raros pontos e o edema do retícu- 
lo acha-se em reabsorpção; na visinhan- 
ça immediala das cellulas gordurosas é 
encontrada uma substancia homogénea^ 
corando-se em vermelho alaranjado pelo 
methodo de MALLORY (azul de anilina) 
e tomando fortemente a eosina (substan- 
cia hy atina f). 

14o dia de immunisação. 
Coelho 133A— Peio 1.750 grs. 

Dias. 

19_1 _920— Glóbulos brancos: 13.290 por mm3. 

20— 1—920— Glóbulos brancos (16 hs.): 6 600 por 
mm3. Foi inoculado no peritoneo (16 bs. 
20') com 1,5 c. c. de uma mistura de 2 
c. c* de agua physiologica mais 1 c. c, 
de uma cultura em caldo (24 hs.) de B. 
Paratyphico A 

2i_i— 920— Glóbulos brancos (14 hs.): 18.800 por 
mm3. 

22— 1—920— Globuios brancos (12 hs. 30'): 11.808 
por mm3. 

24-1— 920 -Inoculado no peritoneo (13 hs. 30') com 
3 c. c. de agua physiologica tendo em 
suspensão 2 alças de uma cultura eai 
agar de 24 hs. de B. Paratyphico A. 

3-2— 920 -Glóbulos brancos (11 hs.): 13.000. 
Foi sacrifi:ado ás 11 hs. 30'. 

Estudo histológico:— Com pequeno 
augmento nota-se que a medulla ossca 
é mais rica de cellulas que o órgão nor- 
mal. Os espaços claros que, neste, cor- 



171 



respondem ás cellulas gordurosas, aqui 
não são reconhecíveis; em lugar délies 
vê-se as numerosas cellulas do parenchy- 
ma diffusamente disseminadas. 

Os capillares sanguíneos não são di- 
latados sendo reconhecíveis (fraco aug- 
ínento) com diffículdade entre as abun- 
dantes cellulas do parenchyma. 

Com forte augmento reconhece-se 
que as cellulas mais numerosas são my~ 
elocytos e Icucocytos polymorphonucle- 
ares; é commum ver-se focos de myelo- 
cytos e, em suas margens, numerosos leu- 
cocytes polymorphonucleares. Entre es- 
tas cellulas são facilmente encontrados 
megakarj'ocytos, quasi todos encerrando 
em seu plasma 1 a 2 leucocytos phagocy- 
tados; são tambera encontradas cellulas 
da série que encerra hemoglobina. 

O facto, porém, mais notável nesta 
medulla óssea em pronunciada hyper- 
plasia é a existencia de focos de proli- 
feração das cellulas do retículo, que for- 
mam estructuras, á primeira vista, se- 
melhantes a folliculos lymphoídes (Fig. 
17, Est. 72). 

Os referidos focos são bastante cons- 
pícuos, já com pequeno augmento, de- 
vido, á ausencia, nelles, de granulocy- 
tes; são formados por cellulas grandes, 
de núcleo redondo ou oval, pobre de 
chromatina mostrando 1, 2 a 3 nucléo- 
los, plasma levemente basophilo (cellu- 
las do retículo); a coloração pelo azul 
de anilina (MALLORY) mostra que es- 
sas cellulas não encerram fibrilas con- 
junctivas; em certos campos favoráveis 
vê-se que o protoplasma dessas gran- 
des cellulas possue prolongamentos fi- 
nos que caminham ao encontro de ou- 
tros vindos de cellulas semelhantes. Es- 
tas cellulas gozam de actividade phago- 
cytaría, encerrando o seu plasma, ás 
vezes, leucocytos granulosos em via de 
desintegração, granulos redondos corados 
■pela eosina e, ás vezes, pigmento ama- 
rello-claro. Entre estas cellulas, nos fo- 
cos, occorrem outros elementos, de nu- 
«eleo redondo, com abundante chromatina 



e plasma sem granulações; alguns t€m 
a morphologia de lymphocytos. 

Quando o foco attinge dimensOes 
mais consideráveis, as grandes cellulas 
occupam a parte central, semelhando o 
centro germinativo de um follículo lym- 
phoide com os respectivos lymphoblas- 
tos; as cellulas mononucleadas não gra- 
nulosas e lymphocytos, tornando-se nu- 
merosos, occupam a zona marginal; o 
aspecto lembra um follículo lymphoid© 
(vide Fig. 4, Est. 17). 

Não são ainda definitivos os conhe- 
cimentos que temos sobre as cellulas 
do retículo dos órgãos hematopoéticos, 
Auctores, como DOWNEY e WEIDEN 
REICH, admittem a formação de leuco- 
cytos mononucleares e lymphocytos á 
custa de cellulas do retículo dos órgãos 
lymphoídes. 

Não queremos affirmar, de modo 
categórico, que os focos que descreve- 
mos são folliculos lymphoídes; isso será 
objecto de outra pesquisa. O que que- 
remos deixar bem evidente é a differença 
entre esses focos, que talvez sejam fol- 
liculos lymphoídes, e os focos de pro- 
liferação das cellulas conjunctivas (fibro- 
se) que foram constatação banal na nos- 
sa serie de coelhos a partir do 6» dia, 
e que representam pequenos focos he- 
morrhagícos no período de organisação. 

ASKANAZY acha que era condições 
normaes a medulla óssea da creança 
encerra folliculos lymphoídes, facto esse 
negado por SCHRIDDE, o qual é de 
opinião que, somente em condições pa- 
thologicas, tal se verifica. Os folliculos 
lymphoídes assignalados por ASKANAZY 
não mostravam centro germinativo. 

Caso se trate, no nosso coelho, de 
verdadeiros folliculos lymphoídes, o qu« 
achamos muito provável, o phenomeno 
teria um interesse especial, pois demons- 
traria a possibilidade de occorrerem, na 
medulla óssea, folliculos lymphoídes com 
um centro germinativo bem evidente 
(Fig. 4, Est. 17). 

Nos coelhos normaes, só occasioual- 



172- 



mcnlc encontramos lymphocylos, os 
quaes eram sempre elementos isolados. 
A cxislcncia de follículos lymphoides na 
medulla óssea do coelho adulto c, para 
nós, uma condição palliologica. Seria, 
acjui, cahivcl a designarão de ^metaplasia 
Ujmjthoide* da medulla óssea? 

IV— Conclusões. 

í: commum veriTicar allerarOes his- 
^opalhologitas da medulla óssea em coe- 
lhos apparcnlemenle sadios; em laLsanl- 
niaes, porém, a cifra de glóbulos bran- 
cos c (piasi sempre anormal. Moslrou-se 
de grande utilidade a recommenda/ão 
de SELLING, de observar durante o i)ra- 
so de 3 dias consecutivo a cifra de gló- 
bulos brancos, dcsj)resando os coei lios 
que apresentarem, durante esse tempo, 
variaçnes diarias consideráveis ou uma 
cifra anormal. 

lizcmos o estudo histopatliologico 
da medulla óssea de 40 coelhos imnui- 
iiisados para a oblençio de agglulininas 
(D. J'aratijphico A ). 

Verificámos a existencia de altera- 
ções, as quaes se succcdcm com grande 
constancia e regularidade, podendo o 
processo ser dividido, sob um ponto de 
vislo morphologico, nas seguintes pha- 
ses: 

4 horas de immnnisação. Congcslüo 
pouco intensa, edema discreto Co retí- 
culo e uma alleraçAo (desordem) do ar- 
ranjo normal das ccllulas do parenciíy- 
ma as quaes são menos numerosas (pie 
no estado normal, c sobretudo uma trans 
formação extensa dos myelocylos cm leu- 
cocytos polymorphonucleares. Estas ul- 
timas cellulas dispondo-se á maneira de 
uma coroa cm torno de algumas cellu- 
las gordurosas, constituem um pe(iueno 
foco ao nivel da cellula gordurosa (v. 
1'igs. 1 c 2, Est. 17). Os aspectos ob- 
servados sugerem ura chimiotaclismo 
pronunciado das ccllulas gordurosas paru 
os leucocylos polymorphonucleares. 

17 a 36 horas. Congestão pronuncia- 
da c edema accenluado do retículo (v. 



lig. 3, Est. 19). Duninuiao notarei do 
numero de cellulas do parenchyma (apla- 
sia i fv. Eigs. 3 e 4, EsL li)), havendo de- 
sai)i)urecinienlo quasi completo dos leu- 
cotyttjs polymorphonucleares. Alterações 
regre.~.sivas pronunciadas dos myelocytes 
e meg;iUar>ocylos (l-ig. 5, Esl.lD). Multi- 
plicação de myelocytos amphophilos, a 
qual se acha cm inicio, constituindo pe- 
((uenos focos de 3—4 elementos, raros, 
esparsos. Diminuição de volume das cel- 
luLis jií»rdur()Siis (v. Fig. 3, Est. 19), cu- 
|o núcleo, mosl.-ando bem os finos déta- 
illes de estructura, é levemente tumefacto 
e deslocado para o centro da cellula (v. 
1 ijí 4. Esl. Ill), u i)iolopliisma, cm torno 
tem uma eslruclin-a reticular muito appa- 
renle. l-'inalmenle, uma infiltração lym- 
pliocylaria tliffusa (v. Eig. 4, Est. 19). 

2" dia. Persistem a congestão, ede- 
ma do leticulo e infiltração lyraphocy- 
laria tliffusa. Ha regeneração dos leuco- 
cylus polymorphonucleares, e, talvez, U- 
gciío e\ce^so dessas ccllulas. Inicia-se o 
processo de recomposição ou reconsti- 
lidção do conteúdo gorduroso das cel- 
lulas gordurosas. 

3" dia. Iniciase a rcsorpção do ede- 
ma do reliculo. Persiste a congestão ca- 
pillar (Eig. 9, Est. 21). As cellulas do 
parenchyma, tão abundantes como no es- 
tado normal, são principalmente, myelo- 
cytos dispostos cm pcíiuenos focos de 2,4 
e mais elementos (Fig. 8, Est. 20), e leu- 
cocylos polymorphonucleares. Começam 
a apparecer focos de regeneração dos ele- 
mentos encerrando hemoglobina (focos 
pciivasculaici de orylhroblastos (normo- 
blaslos) (v. Fig. 10, lùst. 21). 

l^rosegne a reconstituição do con- 
teúdo gorduro.so das cellulas gordurosas 
,v. ligs. 9, 10 c n, EsL 21). Os lyra- 
phocvtos tornani-se mais raros, desappa- 
reccndo o caracter de infiltração diffu- 
(pie apresentavam, megakaiyocylos em 
pronunciada acUvidadc phagocylaria. Hy- 
perplasia discreta das cellulas fixas do 
tecido conjuaclivo (fibrose) (v. Fig. 10. 
EsL 2Ü). 



173 



5o 6o e 7o dias. A congestão capillar 
tende a desapparecer e o edemu do re- 
tículo acha-sc em absorpção. Exislc uma 
hyperplasia ou proliferação intensa de 
myelocytos, os quaes assumem uma dis- 
posição perivascular bem nilida (v. Ki}». 
13, Est. 22 6 Fig. 3, Est. 17); a evolução 
de myelocytos para leucocylos polvmor- 
pbonucleares effelua-se de modo activo, 
apresentando variações Individuae.s, a 
proporção reciproca dos dois elenienlos 
cellulares. As cellulas gordurosas são di- 
minuidas de volucie; algumas, porém, 
já readquiriram as suas primilivas di- 
mensões (v. Fig. 12, Esl. 22); ouïras são 
mascaradas pelos myelocytos em hyper- 
plasia (v. Fig. 3, Est. 17). Peciucnos To- 
cos de fibrose (proliferação de cclliilas 
conjunctivas) são numerosos, represen- 
tando, provavelmente, a organ ¡sacão de 
pequenos focos hcmorrhagicos (v. Fig. 
9, Est. 20) 

10o dia. A congestão dos capillares 
só existe em raros pontos e o edema do 
reliculo acha-se em reabsorpção; em tor- 
no das cellulas gordurosas acha-sc depo- 
sitada uma substancia com os caracte- 
res da substancia hyalina. O parenchyma 
mostra uma activa regeneração de cellu- 
las, tanto das cellulas da série myeloidc 
como dos elementos encerrando hemo- 
globina, aquellas mais numerosas que 
€Stas. 

í4o dia. A medulla óssea acha-sc 
em notável hyperplasia sendo as cellu- 
las mais numerosas os myelocytos e leu- 
cocytos polymorphonuclcares. Devido á 
hyperplasia de cellulas de série myeloide, 
as cellulas gordurosas não são conspi- 
cuas. Nota-se ainda, facto digno de in- 
teresse especial, a existencia de focos 
com a estructura de folliculos lymphoi- 
des providos de um centro germinativo 
(v. Fig. 4, Est. 17). Meiíakaryocylos cm 
pronunciada actividade phogocytaria. 

Resumindo, diremos que, no decurso 
da immunisação para a . oblcnçào de ag- 
glutininas (B. Paratijphico A), a medulla 
óssea soffre, logo nas primeiras horas, 



um notável empobrecimento em elemen- 
tos cellulares, havendo congestão inten- 
sa e edema do retículo e alterações re- 
gressivas das cellulas do parenchyma. 
Um phenomeno, então, digno de nota, é 
a rápida e pronunciada perda do con- 
»"ú(lo gorduroso das cellulas gorduros.i.s, 
precedida de uma disposição de leuco- 
cylos polymorphonuclcares em torno des- 
ses elementos á maneira de umu coroa; 
a diminuição de volume da celluia gor- 
durosa parece ser um phenomeno com- 
muni em diversos estados pathologicos 
do órgão; é, porém, facto ainda não as- 
signalado o chimiolaclisnio evidciíle e 
precoce dos leucocytos polymorphonucle- 
ares para com a cellula gordurosa, e, .só 
pesquizas complemenlares podirão elu- 
cidar se se trata ou não de um pheno- 
meno peculiar das alterações do órgão 
na immunisação. 

Após esse periodo inicial, os elemen- 
tos cellulares são pouco a pouco rege- 
nerados; anles disso, a medulla óssea é 
sede de uma infiltração por elementos 
cellulares com todos os caracteres dos 
lymphocytos do sang e, essa in\a.>à.> pre- 
cede a phase de regeneração dos myelo- 
cytos e elementos da série encerrando 
hemoglobina, facto curioso, que podei'á 
1er uma grande importancia theorica. 

O conteúdo gorduroso das cellulas 
gordurosas, é, aos poucos, reconstituido. 

Mais tarde, no 6» dia de immu- 
nisação, a modificação histológica mais 
evidente, é uma intensa hyperplasia dos 
elementos do parenchyma medullar; as 
figuras de divisão indirecta dos mye- 
locytos sao mullo abundantes. Esta liy- 
perplasia torna-se nolavel no 10 > c 1 1» 
dias; as cellulas gordurosas são, então, 
mascaradas pelas cellulas do parenchy- 
ma. Occorre, em menor escala, urna rc- 
geneiação das cellulas da série que en- 
cerra hemoglobina. Nc>se p riodo, ura 
facto inleressanle sob um ponto de vista 
gei-al, é a occorência de formações mor- 
phologicamente semelhantes a foll¡culo^ 



174 



lymphoides providos de um centro ger- 
minativo. 

E' interessante comparar a curra de 
producção de agglulininas com as al- 
terações da medulla ossea. Sabemos que 
essa curva attinge o seu máximo (TSU- 
KAHARA) no 60—8° dias de immunisação, 
coincidindo assim com uma notável hy- 
perplasia das cellulas da série myeloide 
e com a regeneração do conteúdo gor- 
duroso das cellulas gordurosas da me- 
dulla ossea. 

E' fóra de duvida que as lesões que 
observamos acham-se intimamente liga- 
das ás alterações do sangue desde longa 
data assignaladas no decurso da immu- 
nisação. 

Achamos que a acção do antigeno, 
a leucocytose e a producção de anti- 
corpos, são phenomenos intimamente li- 



gados entre si, e que todos concorrem 
para a producção das alterações da me- 
dulla ossea no decurso da immunisação. 

Não é isso uma supposição gratuita, 
pois as experiencias de HEKTOEN mos- 
traram que os ^centros leucocytogenicos» 
participam da elaboração dos anticorpos 
e TISCORNIA, empregando uma tcchni- 
ca especial, isolou dos leucocytos de ani- 
maos immunisados, substancias com po- 
der immunisante. 

Levando em conta que pesquizas Im- 
monologicas recentes e experiencias comí 
agentes physicos taes como os raios X, 
radio e thorio X, tendem a estabelecer 
que a medulla ossea é o lugar de pro- 
ducção de alguns anticorpos (agglulini- 
nas), podemos concluir que os dados 
morphologicos que apresentamos rcfor^ 
çam essa hypothèse. 



175 



Explicação das Estampas. 

AS Figs, das Estampas 18 — 22, 
sAo microphotographias de preparações 
microscópicas (cortes) de medulla ossea 
de coelho, coradas pela hematoxylina-eo- 
sina. 

As Figs. 1 e 2, Est. 17, s3o dese- 
nhos de preparações microscópicas (cor- 
tes) de medulla ossea, corados pela he- 
maloxiliiia-eosina e desenhados com Oc. 
comp. 4 de ZEISS e Obj. imra. homog. 
Vi»; a Fig. 3 é desenhada com Oc. 2 de 
ZEISS e Obj. imm. homog. i/u- A Fig. 
4, Est. 17, é desenhada de mn corte de 
medulla ossea corado pelo melhodo de 
XjIEMSA a húmido, examinado com Oc. 
^mp. 6 de ZEISS e Obj. DD, ZEISS. 

Estampa 17. 

Fig. 1— Medulla ossea na 4» hora 
de immunisação (coelho 36S). 

Leucocytos dispostos em torno de 
uma cellula gordurosa á manei- 
ra de luna coroa (chimiotactis- 
mo da cellula gordurosa sobre 
os leucocytos). 

Fig. 2— Medulla ossea na ia hora 
de immunisação (coelho 369). 

Os leucocytos dispostos em torno da 
cellula gordurosa (chimiotactis- 
mo) são mais numerosos que na 
Fig. 1, sobrepondo-se a cellula 
gordurosa. 

Fig. 3— Medulla ossea no fim do 7° 
dia de immunisação (coelho 218). 
mostrando activa proliferação de 
myelocijtos. 

Notar a predominancia desta especie 
cellular sobre as demais cellu- 
las do parenchyma e a sua dis- 
posição perivascular. 

Capillares sanguíneos dilatados, um 
pouco menos que nos primeiros 
dias de immunisação. Algumas 
cellulas gordurosas tem dimen- 
sões visinhas do normal ("í?;; ou- 
tras são mascaradas pelos gru- 
pos de myelocytes, dando á pri- 



meira vista, a impressão deque» 
as cellulas gordurosas foram in- 
vadidas por myelocylos (a). 

Fig. i—Medulla ossea no fim do l^o 
dia de immunisação (coelho 
133- A), 

Foco cellular que deve ser identifi- 
cado a um folliculo lymphoide 
com o respectivo centro germi- 
nativo. 

A porção central (centro germinati- 
vo) é occupada por grandes cel- 
lulas de cytoplasma levemente 
basophilo, núcleo oval, pobre de 
chromatina, com 1—2 nucléolos 
(cellulas do retículo). 

Na peripheria. são numerosas as cel- 
lulas cora a morphologia de lym- 
phocytos, entre as quaes nota- 
se também, elementos do paren- 
chyma medullar (myelocytos e 
leucocytos). 

Nesses focos cellulares não são vis- 
tos erythroblastos. 

Eitampa 18. 

Fig. 1 — MeduVa ossea de um coelha 
normal (vista com fraco aug- 
mento). 

Os espaços claros correspondem ás 
cellulas gordurosas; entre ellas, 
acham-se dispostas as cellulas 
do parenchyma. Os vasos san- 
guii^eos não são appaienles. 

Fig. 2— Medid a ossea de um coelha 
normal (vista com forte aug- 
mento). 

Estampa 19. 

Fig. 3— Medida ossea no fim de 24- 
hs de immunisação (coelho 212), 

Congestão pronunciada e edema do 
retículo (compare com a Fig. 1, 
Est. 18). Heducção do numero 
de cellulas do parenchyma Cop/a- 
sia). Cellulas gordurosas dimi- 
nuidas de volume. 

Fig. i— Medulla ossea no fim de 24 



176 



hs.dc immunisação (coelho 212). 
(Compare com a Fig. 2, Est. 18). 
Reducção do numero de cellulas 
do parenchyma (aplasia). Abun- 
dancia de cellulas com a mor- 
phologia de lymphocytos. Con- 
gestão e edema do retículo. Al- 
terações das cellulas gordurosas 
(vide a descripção no texto). 

F\g. 5 — Medulla óssea no fim de 24 
hs. de immunisação (coelho 212). 

Megakaryocyto com alterações re- 
gressivas (v. o texto). 

Estampa 20. 

Fig. S— Medulla óssea no fim do S'' 
d:a de immunisação (coelho 215). 

Multiplicação intensa de myelocytes, 
os quaes formam pequenos ag- 
glomerados de 3—4 elementos. 
Infiltração diffusa por lympho- 
cytes. Desapparecimento com- 
pleto do conteúdo gorduroso das 
cellulas gordurosas. 

Fig. 9— Medulla ossca no fim do 3° 
dia de immunisação (coelho 216). 

Focos conslituidos por leucocytes po- 
lymorphonucleares; muitos des- 
tes, em um mesmo ponto, sobre- 
postos uns aos outros, mostram 
um núcleo pycnetice e outros 
acham-se em completa desinte- 
gração (pequeno tinf arete»). 

Fig. 10— Medulla óssea no fim do 3° 
dia de immunisação (coelho 216). 

Augmente do numero de cellulas fixas 
do tecido conjunctive, as quaes, 
em numero de 10—15 se coUo- 
cam lado a ladc e em seguimen- 
to umas ás outras. 



Estampa 21. 

Fig. 9— Medulla óssea no fim do J» 
dia de immunisação (coelho 
150). 

Accentuada congestão (compare com 
a r-ig. 1, Est. 18). 

As cellulas de parenchyma, menos 
abundantes que no órgão nor- 
mal, são porém, mais numero- 
sas que nas primeiras 21 hs. de 
immunisação (compare cem a 
Fig. 3, Est. 19). 

Fig. 10— Medulla óssea no fim do 3» 
dia de immunisação (coelho 150). 

Focos de regeneração dos elementos 
encerrando hemoglobina (foces 
perivascula es de erythreblastes 
(nermoblaslos). 

Fig. 11—0 mesmo corte representa' 
do na Fig. 9, visto com forte 
augmento. 

As cellulas do parenchyma mais 
abundantes são myelocytes. 

Estampa 22. 

Fig. 12 — Med III 'a óssea no fim do 5» 
d.a de immunisação (coelho 367). 

Hyperplasia das cellulas do paren- 
chyma, das quaes as mais abun- 
dantes são leucocytes polymor- 
phonucleares. As cellulas gordu- 
rosas mostram a reconstituição 
do seu cenleúde gorduroso. O 
edema do reticule acha-se era 
grande parle reab.servido. 

Fig. 13— Medulla óssea no fim do ?• 
d:a de immunisa ão (coelho 218). 

Congestão pronunciada e disposiçãa 
perivascular das cellulas do pa- 
renchyma. 



177 



ACHARO et BENSAUDE 

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BACHMANN, A. 

8ACHMANN, A. 

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JATTA, M. 

JOTTEN, K. W. 

KRAUS, R. u. LEVADITI, C. 
KRAUS, u. SCHIFFMANN 
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I.IPPMANN 



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180 



SESTINI, C. 



SIMÓNOS J. P. and 
JONES H. M. 

SIMÓNOS, J. P. and 
JONES, H. M. 

STENSTROM, O. 



TISCORNIA, G. 
TSUKAHARA, J. 



TSURUMI, M. u. 
KOHOA, K. 

WALBUM, L. E. 



WASSERMANN, M. 

WASSERMANN. u. 
CITRON 



ZINSSER, H. 



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u. inimunisierler Tiere. Zeilsch. f. Immuuitãlsf. 
Orig. Bd. 32, no. 5. p. 410. 

-Ueber die l^udungsslâtle des komplcmentbindendon An- 
tikõrpers. 7eils. f, Immunilãtforsch. Grig., Bd. 10, 
p. 519, 1913. 

-Action exercée par le chlorure de manganèse et d'au- 
tres se!s métalliques sur la formalion de l'anti- 
toxine dipbléiique et l'agglutinine du B. coli. 
Bull. Inst. Pasteur, 1922, T. 20, n». 4, p. 165. 

-Pneumococfenschulzsloffe. Deuls. Med. Woch., 1899, n. 
9, p. 141. 

-Ueber die iJi dungsslâtîen der Typhus immunkõrper. 
Eia Beilrag z. Frage der lok. Immunilãt der 
Gcwebe. Zlsch. Ilyg. u. Infektionkr., 1905, 50, p. 
331. 

-Infeclio 1 a id Hesislance. Second Ed. Rev. The Mac- 
millian Co., 1918. 



Sobre a perda da acido-resistencia e a desagregação granular nos 
báculos de KOCH em cuHuras antigas 



pelo 
DR. A. FRONTES 

Chefe de Serviço 



A observação das culturas do bacíllo 
da tixberculose em meios líquidos nos 
mostra que á proporção que as cultu- 
ras envelhecem os corpos microbianos 
se depositam no fundo do vaso onde 
se procede a cultura. 

Por observação microscópica esses 
corpos microbianos se apresentam al- 
terados com aspecto mais granuloso que 
Qas culturas em boas condições de des- 
envolvimento, ao lado de numerosas 
granulações livres, o que deixa presumir 
a autolyse microbiana no meio cultural. 

Este phenomeno que é constante 
comporta diversas interpretações: 

lo)— Serão os corpos microbianos al- 
terados á custa do phenomeno «autoly- 
se cadavérica» ? 

2o)— Serão os corpos microbianos al- 
terados á custa de fermentos elabora- 
dos in vivo pelo microbio? 

3o)— Serão os corpos microbianos al- 
terados por acto chimico não fermenta- 
tivo, derivado, porém, de substancias ela- 
i>oradas pelo virus? 



ío)_Exercerá a composição chimica 
do meio acção manifesta sobre esse phe- 
nomeno de pseudo-autolyse? 

5")— A alteração morphologica dos 
bacillos e consequente desagregação gra- 
nular estarão ligadas ás condições de 
vitalidade do virus? 

lo)— A autolyse cadavérica é pheno- 
meno de ordem geral que, considerado 
como consequente á acção fermentativa 
intimamente ligada ao estado physico 
da materia organisada, tem sido estuda- 
do na independencia de causas exteriores 
que por elle possam ser responsabili- 
sadas. 

A autolyse aséptica dos órgãos mos- 
tra que os fermentos que organ isara a 
vida como os fermentos que derivam da 
morte reproduzem no microcosmo cellu- 
lar a actividade da materia consubstan- 
ciada na energia bio-chimica. 

Com os elementos bacterianos, entre- 
tanto, a observação parece demonstrar 
que na ausencia de causas estranhas o 



182 



plienomeno da autolyse é excessivamente 
lento. 

A observação de culturas abandona- 
das em estufa ou mesmo no meio am- 
biente, desde que se conservem sem con- 
taminação, nos mostra que os germens, 
ainda que alterados em sua forma, por 
vezes mesmo não reconheciveis morpho- 
logicamente, ainda se deixam tingir pelos 
corantes de anilina, indicando que, se 
de facto se iniciou a desagregação da 
materia organisada, ella não foi com- 
pleta. 

O que se observa de um modo 
geral com o cummum das baclerias nuds 
resalla no caso particular do bacillo de 
KOCH. 

As culturas do bacillo da tuberculose 
em meios solidos, ainda que mortas pela 
acção do tempo, deixam quando exami. 
nadas no microscopio que se verifique a 
integridade da grande maioria dos ger- 
mens, ás vezes com formas involutivas, 
mais granulosas que nas culturas em ple- 
no viço mas sempre reconheciveis, na 
unidade corpo microbiano. Ao lado des- 
sas formas as granulações isoladas são 
muito mais numerosas que nas culturas 
cm desenvolvimento. 

Nas culturas antigas em meios lí- 
quidos a desagregação granular e a al- 
teração dos germens é mais notável. 

Não se pôde entretanto considerar 
esse phenomeno como uma lise perfei- 
ta do corpo microbiano por isso que as 
granulações são sempre reconheciveis cm 
sua forma, mesmo em culturas antigas 
de mais de 2 annos. 

Observa-se a alteração da forma dos 
bacillos, verifica-se a libertação das gra 
nulações mas não se conslata de modo 
inconcusso a diluição e o desaparecimen- 
to das substancias preteinicas que cons- 
tróem o corpo da granulação. 

Uma longa observação me permittc 
concluir que *Na independencia de causas 
extranhas que para esse fim intervenham 
as granulações do bacillo de KOCH não 
se diluem por autolyse cadavérica. 



2» — A pesquiza de fermentos ela- 
borados pelas culturas da tuberculose 
tem resultado quasi improficuo. 

BAUDR.\N (1) reconheceu a existen- 
cia de uma anaeroxydase, revelável pela 
agua gayacolada operando com o alcool 
absoluto sobre bacillos vivos. 

CARRIERE (2) encontrou uma li- 
pase análoga ou idêntica á lipase estu- 
dada por HENRIOT, reconhecível por 
decompor a monobutyrina. 

As investigações que em 1911 orien- 
tei, (FONTES (3) ) usada a technica de 
M.\LF1TAN0 (4) foram inteiramente ne- 
gativas em relação á existencia de fer- 
mentos proteolyticos, zymases e o.xyda- 
ses. 

E de facto, a experimentação feita 
acha-se de accordo com o que se obser- 
va nas culturas antigas. Se o envelheci- 
mento das culturas torna mais abun- 
dantes as granulações isoladas, corrobo- 
ra essa observação a idéa de ausencia de 
fermentos capazes de as digerir. Também 
não se pode admittir que a desagrega- 
ção das granulações e a alteração dos 
bacillos se d} nas culturas em virtude da 
acção da lipase encontrada por CAIUÉ- 
RE. 

Sendo a producção da lipase um acto 
vital do germen deveria esse fermenta 
exercer sua acção in vivo e, por conse- 
quência os germens não conservariam a 
sua integridade morphologica nas lesões. 
Ora, sabemos que ahi só a acção da 
lipase cellular especifica é capaz de alte- 
rar a morphologia do bacillo (FONTES) 
(5) FIESSINGER e MARIE (6). 

Um outro argumento deriva do se- 
guinte facto. No periodo mais pujante do 
desenvolvimento da cultura, o acmé da 
vitalidade é representado pela maior ri- 
queza, nos caldos das culturas, dos pro- 
ductos elaborados pelo germen e entre- 
tanto nesse periodo os corpos bacillares 
se apresentam bem constituidos, sendo 
relativamente escasso o numero de gra- 
nulações desagregadas. 



183 



«O contrario deveria succéder se es- 
sa desagregação dependesse de um fer- 
mento, elaborado pelo corpo microbiano» 

3" — A terceira hypothèse até certo 
ponto elucida os phenomenos em ques- 
tão. 

A composição chimica do bacillo da 
tuberculose nos demonstra ser esse or- 
ganismo rico em aleóos superiores, áci- 
dos graxos não saturados e phosphatides 
diversos. 

In vitro pode-se demonstrar a acção 
clivante e mesmo litica de algumas des- 
sas substancias. 

A cholesterina, a lecithina e as ba- 
ses quaternárias ammoniacaes são subs- 
tancias que quando, em condições par- 
ticulares, postas em contacto com cul- 
turas de tuberculose, manifestam sua ac- 
ção dissolvente, sobre os corpos micro- 
bianos. 

A observação de DEYCKE e MUCH 
(7) nesse sentido tem sido corroborada 
por investigações posteriores unanimes. 
Assim nas culturas da tuberculose a li- 
bertação desses principios que, ainda que 
lentamente, se diffundera no meio liqui- 
do, permitte a dissolução dos lipoides 
microbianos e consequente libertação das 
granulações. E, de facto, é propriedade 
geral dos lipoides se dissolverem mu- 
tuamente (IVAR BANG (8)). 

Os phosphatides e as gorduras teem 
essa propriedade accentuada e os ácidos 
graxos não saturados, assim como, seus 
sabões solúveis são fortemente activos. 
Ainda que a tendencia actual seja 
para approximar essas reacções bio-chi- 
micas das reacções por fermentos solu 
veis, devemos antes consideral-as como 
reacções de saponificação ou hydrolyse 
chimica não fermentativa, por isso que 
são acceleradas cora a elevação de tem- 
peratura incompatível com a acção dos 
fermentos. 

E' o que se conclue da acção da bile de 
boi e de lipoides diversos do oleo de fí- 
gado de bacalhau que exercem acção de- 
sagregante e algum tanto litica sobre os 



bacillo de KOCH em temperatura próxi- 
mas á de lOOf C. 

Assim pois, a ^constituição chimica 
do bacillo de KOCH, sua riqueza em al- 
eóos superiores, gorduras e phosphati- 
tides e a dif fusão desses lipoides nos me- 
ios de cultura explicam a alteração mor- 
phologica dos bacillos e a libertação das 
granulações na independencia de acção 
fermentativa». 

4o— As culturas de tuberculose se 
desenvolvem em meios nutritivos das 
mais diversas origens e variada compo- 
.sição chimica. 

Meios de origem animal, meios ve- 
getaes ou mesmo chimicaraente delini- 
dos, permiltem o desenvolvimento de 
culturps em que os bacillos guardam as 
suas principaes características: a acido- 
resistencia e a estructura granular. 

Não quer isso dizer que se não pos- 
sa obter modificação da forma e da 
estructura do bacillo desde que a compo- 
sição chimica do meio nutritivo possa 
alterar as modificações biológicas do ger- 
mera, como succède com os meios forte- 
mente glycerinados ou com aquellos era 
que se addicionam lipoides de varias ori- 
gens. Mas, nesses casos, as culturas que 
se desenvolvera, profundamente alte- 
radas em suas condições biológicas, não 
podem ser considaradas como culturas 
normaes. Mesmo assira, era algumas del- 
ias, como succède com as culturas ho- 
mogéneas, desde que cesse de agir a cau- 
sa perturbadora do desenvolvimento nor- 
mal da cultura, volta esta ao typo origi- 
nario, permittindo que sejam observadas 
as formas microbianas com as suas ca- 
racteristicas peculiares. 

Nas culturas homoge: 9 o abandono 
da cultura e a parada da agitação diaria 
permitte a formação de pelle constituida 
por bacillos que readquirem a sua acido 
resistencia e estructura granular. 

A variabilidade da reacção chimica 
do meio cultural que segundo decorre 
da observação de TH. SMITH (9) em 
culturas do typo bovino é correlata ao 



184 



prazo de desenvolvimento da cultura, 
não exerce acção apreciável sobre os 
phenomenos era questão, pois que as 
culturas de seis semanas, achando-se em 
plena maturidade, tendo soffrido duas 
vezes a inversão da reacção chimica 
do meio apresentara as formas micro- 
bianas em perfeito estado de integridade 
estructural. 

Assim «quando a cultura de tubercu- 
lose é collocada em condições normaos 
de desenvolvimento, nem a composição 
chimica do meio nem a alteração da re- 
acção parecem ter influencia manifesta 
na producção da alteração morphologica 
do bacillo e na desagregação das granu- 
lações. 

5o_.Do estudo das culturas de tuber- 
culose em meios arlificiaes é muito diffi- 
cil se poder concluir que a alteração 
morphologica dos bacillos e a desagrega- 
ção granular dependem exclusivamente 
das condições proprias a vitalidade do 
virus. 

De facto nas proprias culturas ho- 
mogéneas, em que assislimoos ás profun- 
das modificações da forma e da virulen- 
cia do bacillo de KOCH o desenvolvi- 
mento da cultura é facilitado pelas tans- 
plantações successivas. Entretanto, em 
condições normaes de desenvolvimento 
em meios artiliciaes, o envelhecimento 
das culturas determina o aparecimento 
de maior numero de formas alteradas que 
o existente nas culturas em pleno viço. 

E' o que é notável, seja qual fòr o 
prazo de envelhecimento desde que a cul- 
tura permaneça viva, ainda que se possa 
constatar mn certo gráo de atlenuação 
do virus, não perde elle o seu poder in- 
fectante. 

Da observação da infecção tubercu- 
losa resalta, entretanto, que a variabili- 
dade morphologica do virus obedece até 
certo ponto, a resistencia que o organis- 
mo oppõe ao seu desenvolvimento. 

Na infecção tuberculosa pulmonar 
chronica a forma granular é observada 



cora maior frequência que nos casos de 
evolução aguda ou sub-aguda, e essa ve- 
rificação é mais facil nos cavitarios an- 
tigos. 

A constatação da forma granular no 
pus de origem tuberculosa, a presença 
dessa forma nos casos de lupus, a varie- 
dade das formas acido-resistentes nessas 
lesões são factos accordes era indicar 
certa relação de causa e effeito, permit- 
tindo presumir ser a forma granular a 
forma de resistencia do virus, que o re- 
presenta na sua forma residual infectan- 
te. 

A acido-resistencia é caracter adqui- 
rido com o cyclo de desenvolvimento vi- 
tal do germen. Nas culturas recentes como 
nas antigas falha tal caracterislica sem 
que por tanto deixem ellas de ser infec- 
tantes. 

As granulações existem sempre nes- 
sas culturas. Se acaso nas culturas recen- 
tes as granulações apresentam uma es- 
tructura menos condensada, parece adiar- 
se isso ligado a reproducção do ba- 
cillo com a producção de granulos me- 
nores que derivam dos outros. 

O estudo da cytologia do bacillo mos- 
tra que a funcção que a granulação exer- 
ce na reproducção bacillar é essencial 
(FONTESj (1) ). Ora sendo a granula- 
ção o ponto de origem da organisação 
do corpo bacillar, sendo ella eliminada 
do corpo microbiano constituindo no- 
vos centros de desenvolvimento cul- 
tural, não sendo ella destruida pe- 
las causas communs de destruição 
inherentes aos meios de cultura taes 
como exgoUamento do meio, acção 
de fermentos eloborados pela cultura, al- 
teração das condições physico-chimicas 
do meio nutrilivo, é lógico admiltir que 
« o augmento e libertação das granula- 
ções do bacillo da tuberculose, nas cul- 
turas antigas, representa o esforço de re- 
sistencia que o virus oppõe ás causas 
perturbadoras de sua vitalidade». 



185 



lo)_BANDRAN, M. 
2o)— CARRIERE 
3o)_ FONTES, A 

40)— MALFITANO G. 
50)— FONTES A. 
6o)-FIESSENGER N. 

70)— DEYCKE imd 

MUCH 
80)— BANG, IVAR 
90)— TH. SMITH 
10o)_FONTES, A. ^ 



BIBJL>IOGRAF»HIA 

— Compt. rend. acad. d. sci. T. 142. pag. 657— 659— íí>05. 

— Corapt. rend. soc. biol. 1901— n» 11 

—Mem. do Inst. Osw. Cruz— T. HI. Fase. II. pags. 

195-219-1911. 
— Annaes de I'Inst. Pasteur. T. XLV. 2e. Mémoire— 1900. 
—op. c. pg. 207. 
— N.-et Marie-Pierre Louis-Les ferments digestifs des 

leucocytes— 1910. 
—Munch. Med. Woch. 1910. Berld. Klin. Woeh. 1910-no 

421. 
— Chemie und Biochemie der lipoide— 1911. 
— Journ. med. research.-VoI. 13 n» 3. 1905. 
—Mem. do Inst. Osw. Cruz. T. II. Fase. II. pags. 

186-206-1910. 



Estudos sobre Protozoários do mar 

pelos 

Drs. J. GOMES DE FARIA, A. M. DA CUNHA e CESAR PINTO. 

(Est. 23-25). 



introdução. 

O primeiro trabalho sobre proto- 
zoários de agua doce do Brasil data de 
1841 e deve-se a EHRENBERG que as- 
signalou as tres especies seguintes: Ccn- 
tropyxis aculcala, Eiighjpha alueolata e 
Trinema enchelys. 

D.\DAY (1905) descreveu duas espe- 
cies novas de protozoários de agua doce 
provenientes do estado de Malto Grosso. 

Em 1910 S. von PROW AZ EK estu- 
dou noventa e uma especies provenientes 
dos arredores do Instituto Oswaldo Cruz 
(Manguinhos) e de algumas localidades 
do eslado de São Paulo. 

ARAGÃO, HARTMANN e CHAGAS 
(1909—1910) descreveram especies novas 
e esludarara a citologia de rhizopodes 
e flagellados de agua doce do Rio de Ja- 
neiro. 

WAILES (1912) assignala trinta e 
oito especies de protozoários de vida 
livre do Brasil. 



A. M. DA CUNHA em 1913 classificoii 
duzentas e vinte especies das quaes doze 
ainda inéditas. 

GOMES DE FARIA, CUNHA e O. 
DA FONSECA estudaram protozoários 
da agua do mar da bahia do Rio de Ja- 
neiro e do Oceano Atlântico até Mar 
dei Plata, registando especies novas para 
o Plankton sul-americano. 

O presente estudo foi feito de mate- 
rial preveniente da agua do mar da bahia 
do Rio de Janeiro e imediações da Ilha 
Grande. 

Os protozoários estudados são princi- 
palmente aquelles encontrados na agua 
ao mar pelo exame directo ou que se de- 
senvolviam quando a agua era conserva- 
da em cryslalisadores mantidos no la- 
boratorio. Não figuram aqui os protozo- 
ários planktonicos já assignalados em. 
trabalho anterior. 

Classe: Sarcodina Hertw., et Lesser. 
Sub-Classe: Rhizopoda von Siebold. 



187 



Ordem: Amoebina Ehrenberg. 
Familia: Paramoebidae Doflein. 

1. Paramoeba schaudinni nov. , sp. 

(Est. 23 e 24, Figrs. 1-11). 

Em um dos nossos pequenos aquá- 
rios de agua do mar contendo numerosos 
flagel lados e quando estes começavam a 
rarear, encontramos uma Paramoeba que 
descrevemos como especie ainda não co- 
nliecida. 

Este rhizopode semeiado no meio 
que passamos a descrever, cultivou-se 
facilmente conservando-se a cultura do 
protozoário durante mezes. 

O meio empregado era constituido 
por uma infuzão de folhas de couve em 
agua do mar filtrada, á qual se addi- 
cionava 0,5 o/o de agar, esterelisada e dis- 
tribuida em placas de Drygalski onde 
«ram feitas as culturas. 

O estudo da Paramoeba foi feito a fres- 
co e em preparados fixados pelo sublima- 
do alcool de SCHAUDINN e corados 
pelo melhodo clássico de HEIDE- 
NHAIN. 

Em estado vivo (Est. 23, Fig. 1) o 
rhizopode apresenta forma muito variá- 
vel, disUnguindo-se facilmente um ecto- 
plasma hyalino e réfringente, e um en- 
doplasma granuloso e vacuolisado. Em 
repouso o ectoplasma forma uma cama- 
da de espessura mais ou menos unifor- 
me em torno do endoplasma, quando 
em movimento^ o ectoplasma que cons- 
titue principalmente os pseudopodes fica 
reduzido nos outros pontos do corpo a 
uma zona muito limitada. 

Os vacudos do endoplasma são de 
tamanho variável e de disposição irre- 
gular. Aqui não é possível distinguir no 
endoplasma como acontece na Paramoe- 
ba eilhardi SCH., duas zonas, luna cen- 
tral de vacuo! os grandes e outra periphe- 
rica de vacuolos pequenos. 

Vacuolo pulsátil não foi observado 
como acontece também com a Paramoeba 
^Ihardi SCH., facto este que occorecom- 



miunente entre os protozoários mari- 
nhos. 

Os pseudopodes formam-se lenta- 
mente e irregularmente em qualquer pon- 
to da superficie do corpo sendo muito 
variáveis em forma e aspecto; ora são 
curtos e dão ao animal um aspecto ma- 
me'onado, ora são longos prolongamen- 
tos digitiformes, ás vezes tão extensos 
como o restante do corpo, dando ao 
rhizopode uma figura irregularmente es- 
trelada. 

O núcleo, visivel mesmo durante a 
vida da Paramoeba fica situado no endo- 
plasma, geralmente proximo do centro 
do corpo do protozoário (Est. 23, Fig. 
1). Apresenta-se sob a forma de vesícu- 
la clara, redonda, medindo cerca de tres 
a quatro micra de diâmetro, no centro 
do qual observase o caryosoma tambení 
redondo e que occupa a maior parte do 
núcleo. Junto deste observa-se uma for- 
mação para a qual propomos o nome 
de paranudeo (Nebenkõrper de SCHAU- 
DINN) que apparece a fresco sob a for- 
ma de um corpúsculo réfringente cerca^ 
do de halo claro (Est. 23, Fig. 1). 

Em preparados corados pela hema- 
toxilina férrica de HEIDENHAIN, a dis- 
tinção entre endoplasma e ectoplasma 
torna-se menos ni tida sendo comtudo 
apreciável em alguns exemplares (Est 
23, Fig. 2). A estructura do plasma é 
idéntica á descripta no animal vivo po- 
rém mais accentuada. 

O núcleo apresenta um gi-ande ca- 
ryosoma redondo que occupa a maior 
parte delle. Em redor do caryosoma, se- 
parando este da membrana nuclear exis- 
te um halo claro que constitue a zona 
do sueco nuclear. 

Partindo do caryosoma, observam- 
se muitas vezes trabéculas de lininaqu© 
vão ter á peripheria do núcleo (Est. 23, 
Figrs. 2 e 3). 

O paranucleo (Nebenkõrper) é elip- 
soide, alongado e acha-se colocado jxm- 
to ao núcleo principal, apresentando-se 



188 



sob dois aspectos différentes. Em al- 
guns individuos apresenta uma parte me- 
dia, intensamente corada pela hematoxi- 
lina férrica, em forma de faixa transver- 
sal. De cada lado dessa parte media exis- 
tem duas callotes fracamente coradas 
nas quaes se observam duas granula- 
ções intensamente coradas (centrosomas) 
ligadas muitas vezes por um filamento 
(centrodesmose) que atravessam a par- 
te mediana. Em alguns individuos ob- 
servamos em lugar de uma granulação, 
duas granulações de cada lado ligadas 
ás granulações do lado opposto por dois 
filamentos (Est. 23, Fig. 3). Em outros 
casos o paranucleo appresenta uma par- 
te media e maior achromatica, sendo 
que a parte chromatica é representada 
por duas faixas que se dispõem nos po- 
ios do paranucleo (Ests. 23 e 24, Figrs. 
6, 7 e 8). Nestes casos não se observam 
granulações. Acreditamos que esta forma 
esteja ligada ao processo de divisão do 
paranucleo. 

A multiplicação do protozoário se 
dá por divisão binaria e não foi possi- 
vel observar de modo a não deixar du- 
vida qualquer outro processo de multi- 
plicação. A divisão do plasma é sempre 
precedida da divisão do núcleo e do pa- 
ranucleo como demonstram as figuras 
i6 e 7 das Ests. 23 e 24 onde se observam 
exemplares indivisos do rhizopode com 
dois núcleos e dois paranucleos. 

As divisões do núcleo e do paranu- 
cleo SC fazem quasi sempre simultanea- 
mente, entretanto observamos exempla- 
res como o representado na Fig. 8 Est. 
24 com um núcleo único e dois paranu- 
cleos, e que mostra a divisão precoce 
desta organella. 

A divisão do núcleo bem como a do 
paranucleo se faz independentemente. 

Conseguimos somente observar dois 
estadios da divisão nuclear. 

Em lun, representado na Fig. 4, Est. 
23 vè-se uma placa equatorial constitui- 
da de cerca de oito chromosomas em for- 



ma de granulações. Esta placa acha-se 
situada em um espaço claro sem que se 
possa observar a existencia de mn fuso. 
Em oulro exemplar (Est. 23, Fig. 5) vê- 
se nilidainente um fuso achromatico 
com cenlriolos nos poios. A chromatina 
acha-se distribuida em duas placas po- 
lares constituidas de cerca de oito chro- 
mosomas cada uma, tendo estes a for- 
ma de pequenos granulos. 

Sobre o processo de divisão do pa- 
ranucleo muito pouco pudemos obser- 
var. O paranucleo divide-se em geral si- 
multaneamente e independentemente do 
núcleo, podendo em alguns casos se di- 
vidir antes do núcleo como já ficou dito 
ácima. O contrario isto é, divisão do nú- 
cleo antecipando á divisão do paranucleo, 
nunca foi observado. 

Nos exemplares em que observamos 
phases de divisão do núcleo, o paranu- 
cleo se apresenta alongado, tendo em 
cada extremidade uma serie de granula- 
ções chroraophilas, ligadas por uma par- 
te achromatica de estructura fibrilar 
lembrando lun fuzo (Est. 23, Flgrs. 4 
e 5). 

Nas culturas de Paramoeba schau- 
dinni, encontramos muitas vezes, ao la- 
do de exemplares grandes como os que 
descrevemos ácima, outros com morpho- 
logia semelhante, porém muito menores 
(Est. 24 Fig. 9). Assim ao passo que os 
grandes individuos apresentam diâme- 
tro de mais de 15 micra, os pequenos 
medenu 6 a 7 micra de diâmetro. Esses 
exemplares pequenos apresentam-se em 
geral grupados (Est. 24, Fig. 9) e pare- 
cem provir da multiplicação intensa do 
rhizopode. Em favor dessa opinião fala 
o aspecto do paranucleo que se apresenta 
sempre com placas chromaticas pola- 
res, estadio que como já vimos parece 
ligado á divisão dessa organella. 

Não conseguimos esclarecer a natu- 
reza dessas formas, si se tratam de ga- 
metos ou de individuos destinados a se 
transformarem em formas flagellada& 



189 



Observamos uma vez um individuo 
representado na (Est. 24, Fig. 10) em 
que se vê um aspecto lembrando uma 
fusão de dois núcleos ou de um núcleo 
cora o paranucleo. Comludo não foi pos- 
sivel observar outros estadios que con- 
firmassem a interpretação desse phe- 
nomeno como um processo de caryoga- 
mia. 

Nas culturas em que abundavam as 
formas pequenas da Paramoeba muitas 
vezes observamos um individuo grande 
tendo no interior uma ou mais formas 
pequenas com tres micra" por quatro 
de diâmetro, isto é os menores exempla- 
res constatados. 

Na (Fig. 11 da Est. 24) representa- 
mos voa. desses exemplares com núcleo 
e paranucleus, tendo no interior quatro 
pequenas Paramoebas. A nosso ver esse 
phenomeno só pôde ser interpretado de 
duas maneiras: ou as peque.ias Paramoe- 
»>a5 se formam a custa da grande em cujo 
interior são encontradas, por pro- 
cesso de gemulação interna; ou ellas 
são ingeridas pelo individuo gran- 
de em falta de outro alimento mais apro- 
priado (Canibalismo). Realmente as Pa- 
ramoebas são muito vorazes e em seu 
interior se encontram frequentemente 
pequenos flagellados quando estes exis- 
tem nas culturas. Em favor dessa ulti- 
ma hipoteze fala o facto de se encontrar 
numero variável de pequenas Paramoebas 
no interior das grandes e de se verificar 
como aconteceu uma vez ao lado das 
pequenas Paramoebas um individuo de 
uma especie de Gijmnodinium que appa- 
recia ás vezes nas culturas do rhizopo- 
de. 

Em nossas pesquizas, embora tives- 
Bimos dedicado especial attenção a este 
ponto, nunca nos foi dado observar for- 
ma flagellada que pudesse ser interpre- 
tada como fazendo parte do cyclo evo- 
lutivo do rhizopode. Por vezes, flagella- 
dos appareciam nas culturas, mas o es< 
tudo dessas formas em preparados co- 



rados nunca revelou a presença de pa- 
ranucleo, caracter que permittiria inter- 
prelal-as como estadios da evolução d* 
Paramoeba. 

Também nunca observamos formas 
de enkystamento do referido rhizopode. 

Sobre a funcção que desenpenha o 
paranucleo na vida do protozoário, não 
foi possível constatar novos factos que 
pudes.sem esclarecer o papel até hoje 
ainda obscuro dessa interessante orga- 
nella. 

SCHAUDINN considera o paranu- 
cleo (iVebenkorper) como homologo do 
centrosoma desempenhando o papel de 
componenle locomotor na divisão da 
forma f!a:,'e!lada da Paramoeba eilhardi 
SCHAUDINN. 

Uma opinião semelhante é sustenta- 
da por CIIATTON. 

JANICKE que estudou detalhadamen- 
te duas especies de Paramoeba (P. pig- 
mentifera GRASSI e P. chaetognati GRAS- 
Sl) encontradas parasitando chaetogna- 
thas, considera o paranucleo que elle de 
nomina de núcleo secundas, como um 
segundo núcleo modificado talvez por 
processo de degeneração. Para JANICKE 
a parte media do paranucleo (Mittets- 
tueck) que segundo suas pesquizas possue 
membrana propria constitue por si só um 
núcleo; as partes lateraes são para elle 
calotas de archoplasma tendo no seu in- 
terior os centrosomas. 

Nas nossas pesquizas não verifica- 
mos nenhum facto que nos auc- 
torisasse a considerar o paranucleo 
como centrosoma e acreditamos mais 
que esta organella represente um segun- 
do núcleo como quer JANICKE, em es- 
tado de divisão permanente; somente 
pomos em duvida o carater degenera- 
vo que JANICKI atribue ás modificações 
do paranucleo. 

Existe até agora uma única especie 
de Paramoeba de vida livre que é a es- 
pecie typo do genero (Paramoeba eilhardi 



190 



SCH)., vivendo na agua do mar como a 
nossa. 

A especie aqvii estudada diffère da 
descripla por SCÍIAUDINN, pelo nú- 
cleo cujo caryosoma muito grande reúne 
em si quasi toda a chromatina, ao pas- 
so que na Paramoeba eilhardl esta é bem 
despiivolvida e representada por innú- 
meros granulos na zona do sueco nu- 
clear. Além disso, a nossa especie nunca 
attinge as dimensões máximas dadas por 
SCH AUDI NN para a Paramoeba eilhardi 
e não se encontra no endoplasma duas 
zonas differenciadas pelas dimensões dos 
vacilólos. 

Classe: Mastigophnra DIESíNG. 
Sub-classe Flagellata CLAUS. 
Ordem: Rhizomastigina BUTSCHLI. 

Familia: Ciliophnjidae POCHE, 1913. 
FARIA, CUNHA et PINTO, emend. 1922. 

Syn. : IleHoflagellidae DOFLEIN 1916. 
In LEHRB. d. Protoz. 1916. pp. 711—2. 

POCHE em 1913 creou esta familia 
que incluiu entre os Heliozoarios com- 
prehendendo nella somente o genero Ci- 
liophrys CINK. 

DOFLEIN em 1916 constituiu com 
os géneros Dimorpha GRUBER., Cilio- 
phrys ClNli., Actinomonas KENT e 
Pteridomonas PENARD., uma familia 
que denominou Helioflagellidae DO- 
FLEIN., 1916. 

Pensamos que DOFLEIN tem razão 
incluindo os géneros ácima referidos em 
urna única familia; somente a denomi- 
nação Helioflagellidae empregada por 
DOFLEIN não pode prevalecer por não 
ser derivada de nenhum nome de gene- 
ro de flagellado. Assim adoptamos a 
designação Ciliophryidae proposta por 
POCHE derivada do genero mais antigo 
da familia, e damos á ella uma diagnose 
mais ampla do que a d3 POCHE, de mo- 
ído a podermos incluir nella todos os ge 
neros referidos por DOFLEIN. 

Embora não tenhamos adquirido factos 
310V0S para resolver definitivamente a 



questão da posição systematica desta fa- 
milia, conservamol-a entre os flagella- 
dos e não entre os heliozoarios como 
fizeram POCHE e DOFLEIN. 

Diagnose: Rhyzomasliginas que apre- 
sentam pseudopodes finos, rígidos, dis- 
postos radialmente com filamento, axial 
ou não e correntes de granulos. 

Genero typo: Ciliophrgs CIENKO- 
WSKY, 1876. 

Diagnose: fiagellados possuindo dois 
estadios; um de heliozoario, aflagellado, 
sem diferenciação clara em ectoplasma 
e endoplasma, com pseudopodes finos, 
rijos, radiados, mostrando as corrente» 
de granulos communs nos Heliozoa, va^ 
cuolo contráctil presente. Segundo esta- 
dio ou forma flagellada sem pseudopo- 
des com um flagello anterior. Núcleo 
com caryosoma central e uma zona an- 
nular de chromatina peripherica. 

Multiplicarão por divi.são binaria no 
estadio de Heliozoa. 

Nutrição animal oligo e meso-sapro- 
bio. 

2. Ciliophrys marina CAULLERY, 1909. 

Descripção: Cellulas em estadio de 
Heliozoa de forma espherica, irregular 
sem differenciação nitida em endoplas- 
ma e ectoplasma, este na sua zona mais 
externa com numerosos vacuolos nutriti- 
vos. O plasma mostra também inúmeros 
corpúsculos réfringentes, pequenos, inco- 
lores. 

Núcleo com caryosoma central e uma 
zona de chromatina peripherica ás vezes 
de forma estrellada ou irradiando para o 
plasma. 

Vacuolo \cretor presente. Da super- 
ficie do corpo, irradiam em todas as di- 
recções nur-erosos pseudopodes rígidos, 
fino.í, mostrando correntes de granulos; 
filamente axial ausente. Dimensões va- 
riando de sete a dez micra. 

Cellulas em estadio flagellado, ovoi- 
des com a extremidade posterior afilada 
cl anterior provida de um flagelio pouco 



191 



mais longo que o corpo. Núcleo com a 
mesma eslructura descripta anteriormen- 
te, collocado na extremidade anterior, 
proximo á base do flagello. 

Protozoário um tanto raro na agua 
do mar da bahia do Rio de Janeiro, ap- 
parecendo em maior abundancia quando 
conservada a agua em crystalisadores. 

Ordem: Protomonadina (BLOCH- 
MANN, 1895) HART., emend. 

3. Monas guttula EHRENBERQ, 1830. 

Esta especie foi encontrada em agua 
do mar da Bahia do Rio de Janeiro, con- 
servada no laboratorio. 

4. Pseudobodo tremulans CRIES- 

SMAN>í. 

Encontrado em agua do mar da 
Bahia do Rio de Janeiro, pouco abun- 
dante. 

Cruzella nov. gen. 

Diagnose; Protomonadina de vida li- 
vre, apresentando um flagello anterior 
e outro posterior, originándose cada 
um del les de um corpúsculo basal. Pro- 
tozoário uni-nucleado. 

5. Cruzella marina nov., sp. 

(Est. 24, Figrs. 12—14.) 

Protozoário apresentando variabili- 
dade na forma do corpo, sendo este fu- 
siforme ou ovoide e pouco achatado, 
metabólico. 

Extremidade posterior mais ou me- 
nos afilada, ás vezes arredondada e a 
anterior recurvada, formando um pro- 
longamento em forma de trompa ou 
rostro. Superficie do corpo revestida de 
periplasta fino, permittindo movimen- 
tos metabólicos. 

Plasma com estructura finamente al- 
veolar, mais notável nas preparações fi- 
xada.s. Na parte posterior do corpo ob- 
servam se em geral pequenssimos vacuo- 
ios contendo partículas alimentares (ás 



vezes negras), a parte anterior é sem- 
pre mais hyalina e raramente provida det 
vacuolos. 

Vacuolo' contráctil não foi constata- 
do, assim como a aprehensão de alimen- 
tos. 

Cruzella marina é provida de dois 
flagellos, um anterior e outro posterior. 
O anterior é mais curto e parte da ex- 
tremidade anterior da trompa ou rostro, 
o flagello posterior nasce abaixo da base 
da trompa e do lado da concavidade. 

Flagello anterior approximadamente 
do comprimento do corpo, o posterior 
quasi duas vezes mais longo que o pro- 
tozoário. 

O núcleo situado mais ou menos na 
parte media do corpo ou um pouco para 
diante, é vesiculoso contendo um grande 
caryosoma em geral muito compacto, 
no interior do qual só raramente pôde 
ser visto o centriolo collocado na zona 
central mais clara. 

Na zona do sueco nuclear não existe 
chromatina peripherica. Membrana nu- 
clear pouco clara, porém presente. 

Não foi possível seguir em todas as 
phases o processo de divisão nuclear 
neste protozoário, entretanto observa- 
mos em nossos preparados algumas pha- 
ses dessa divisão que representamos nas 
figuras 13 e 14 da estampa 24. 

Na figura 13 observa-se uma das fa- 
zes da divisão em que se vê um fuso 
com duas placas polares, não tendo de- 
sapparecido ainda a cario-membrana. O 
apparelho flagellar neste estadio de divi- 
são do núcleo conservase ainda sem sig- 
nal de divisão. 

Na figura 14 os dois núcleos filhos 
já completamente constituidos conser- 
vam-se ainda ligados por centrodesmo.se. 

Neste estadio (Fig. 14) o aparelho 
flagellar apparece constituido por quatro 
flagellos que partem de quatro corpús- 
culos basaes ligados dois a dois por meio 
de rhizoplastos. A' cada par de corpús- 
culos basaes correspondem, um flagello 
anterior e um recorrente. 



192 



O protozoário apresenta então inicio 
<de divisão do plasma tomando forma 
diversa da vegetativa. 

Habitat: Vivi na agua do mar. da 
Bahia do Rio de Janeiro. 

Oenero; Colponema STEIN, 1873. 

Diagnose: Corpo nú, não metabóli- 
co, forma ovoide ou em S. (BUTSCHLI) 
regularmente achatado. 

Face ventral provida de profundo 
sulco de bordos curvilíneos, dilatando-se 
nas extremidades anterior e posterior do 
corpo. Dois flagelles, anterior e poste- 
rior, este sempre mais longo, ambos in- 
serindo-se na extremidade anterior do 

sulco. 

Vacuolo contráctil, um ou dois na 
parte anterior ou meio do corpo. Alimen- 
tação e reproducção não conhecidas. 

Modificamos ligeiramente a diagnose 
do genero em questão como dada por 
BUTSCHLI, KLEBS e outros para nella 
incluirmos a especie abaixo que tendo 
todos os caracteres mais importantes des- 
te genero diffère da especie typo na for- 
ma geral. 

6. Colponema globosum nov. tp. 

(Est. 24, Fig. 15.) 

Corpo oval, muito largo, quasi cir- 
cular bastante achatado; extremidade an- 
terior pouco mais estreitada que a pos- 
terior. Sulco ventral profundo, largo de 
bordos curvilineos salientes estreitando- 
se na parte media e dilatando-se para as 
extremidades, sobretudo na extremidade 
posterior. 

Dimensões: 15 micra de comprimen- 
to por 13 a 14 de largura. 

Flagellos inserindo-se no quinto an- 
terior do corpo ao nivel do sulco ventral. 
Flagello anterior menor que o compri- 
mento do corpo. 

Flagello posterior duas vezes o com- 
primento do corpo. 

Vacuolo contráctil grande na meta- 
de anterior do corpo. 



Plasma com pequenos corpúsculos 
fortemente réfringentes. 

Não foi possivel observar este fla- 
gellado em preparados corados com o 
fim de estudarmos a citologia, principal- 
mente a insersão dos flagellos afim de 
decidir sua verdadeira posição systema- 
tica e, só provisoriamente incluimo-lo 
entre as Protomonadinas. 

Habitai: raramente observado na 
agua do mar p.'-o veniente da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

Ordera : Binucleata. 

7. Rhinchomonas nasuta. 

Eucortado ás vezes com certa abun- 
dancia em agua do mar da Bahia do Rio 
de Janeiro. 

Ordem : Euglenoidea. 

8. Eutreptiella marina CUNHA, 1913. 

(Eit. 24, Flg, 16.) 

Encontrado frequentemente em agua 
do mar ás vezes em abundancia. Bahia 
do Rio de Janeiro. 

9. Calycomonas gracillts LE H MANN. 

Encontrado ¡aramente no nanoplan- 



kton. 



10. Anisonema grande. 



Constatado na agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro. 

11. Pleotia vitrea. 

Encontrado na agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro. 

12. Marsupiogaster picta, nov. »p. 

(Est. 25, Flg. 17.) 

Corpo achatado no sentido dorso- 
ventral, mais largo na parte media, es- 
treitando-se gradualmente para as duas 
extremidades, sendo a anterior mais lar- 
ga e arredondada; a posterior é mais afi- 
lada não terminando em ponta aguda. 
A membrana apresenta finas estrias dis- 



193 



postas em espiral e dirigidas no sentido 
longitudinal do flagellado. O corpo do 
protozoário apresenta cor uniforme ala- 
ranjada. Esta coloração não está ligada 
á presença de chromatophoros, .parece 
ser divida a impregnação do plasma por 
urna substancia corada. O plasma apre- 
senta grandes granulos esphericos mais 
ou menos regulares (lig. 17) dispostos 
sobretudo na parte posterior do proto- 
zoário. Na parte anterior observa-se a 
bocea em forma de abertura oval con- 
tinuando-se por urna excavação sacci- 
forme; do fundo desta excavação partem 
dois flagellos muito espessos e de tama- 
nho desigual. O maior délies que tem 
cerca de tres vezes o comprimento do 
corpo, dirige-se para diante terminando 
em ponta fina. O outro flagello, menor 
que o corpo dirige-se para traz e termi- 
na como o procedente. 

Habitat: Vive em agua do mar con- 
servada em cultura apparecendo rara- 
mente. Bahia do Rio de Janeiro, 

Ordem ; Chromomonadina. 

13. Wysotzkia sp. 

(Est. 25, Fig. 18.) 

Na agua do mar da Bahia do Rio de 
Janeiro encontramos uma Wysotzkia que 
não podemos identificar devido a falta 
de bibliographia. 

Ordem : Phytomonadina. 

14. Cartería sp. 

Encontramos frequentemente no na- 
noplankton da Bahia do Rio de Janeiro 
imia Cartería semelhante á representada 
no trabalho de LOHMAN. Além disso en- 
contramos formas como representamos 
na Fig. 19 com a extremidade posterior 
terminada era ponta, differindo somente 
neste caracter da precedente. 

15. Cartería minima (DANGEARD, 1888) 
DILL. 

(Est. 25, Figrs. 20 e 21.) 

Esta Cartería apresenta as seguintes 
dimensões: 10 mica de comprimento por 



7 micra de largura. Na Fig. 21 represen- 
tamos uma forma de divisão semelhante 
á dada por DANGEARD. 

Ordem: Peridinea, 

Neste trabalho só assignalamos as 
especies ainda não verificadas no PlanAr- 
ton e referidas no trabalho sobre Plank- 
ton da Bahia do Rio de Janeiro. 

16 Exuviella Iima(EHRB., 1895) 
BUTSCHlI emend. 

Verificada na agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro. 

17. Exuvieila sp. 

(Est. 25, Figrs. 22 e 23.) 

Verificada na agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro. 

18. Prorocentrum sp. 

(Est. 25, Fig. 24.) 

As vezes abundantes constituindo 
mesmo plankton monótono. 

Vive na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

19. Oxyrrhis marína DUJARDIN. 

20. Oxyrrhis phaeocysticola SCHERFF. 

Estas duas especies foram observa- 
das na agua do mar da Bahia do Rio de 
Janeiro. 

21. Spirodinium spirale (BERGH, 1881) 

SCHUTT emend. 

As vezes abundantes na agua do 
mar conservada no laboratorio. Bailia 
do Rio de Janeiro. 

Classe: Infusoria O. F. MULLER. 
Sub-Classe: Cliata PERTY. 
Ordem: Holoírlcha SÏEIN. 

22. Chaenea teres DUJARDIN, 1841. 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 



194 



23. Lagynus laevîs QUENN., 1867. 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

24. Trachelocerca phoenicopterus 
COHN, 1865. 

Frequente na agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro. Também constatado 
nas immediacies da Ilha Grande. 

25. Didînium balbianii 6UTSCHLI, 

1887-89. 

Encontrado uma vez com relativa 
abundancia na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

26. Mesodínium pulex CLAP., et 
LACH., 1858-61. 

Frequente na agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro. 

27. Mesodínium acarus STEIN, 1862. 

Forma de agua doce encontrada ás 
vezes na agua do mar da Bahia do Rio 
de Janeiro. 

28. Lionotus cygnus O. F. MULLER, 

1786. 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

29. Lionotus fasciola O. F. MULLER, 

1786. 

Forma de agua doce, encontrada ás 
vezes na agua do mar da Baliia do Rio 
de Janeiro. 

30. Loxophylum setigerum QUENN., 

1867. 

Raramente constatado na agu.» do 
mar da Bahia do Rio de Janeiro. 

31. Chlamidodon mnemosync EHRB., 

1838. 

Observado com relativa frequência 
em agua do mar da Bahia do Rio de Ja- 
laeiro e das proximidades da Ilha Grande. 



32. Aegytia oliva Cl., et LACH., 1858* 

Constatada na aguado mar da Bahia 
do Rio de Janeiro. 

33. Trochiba sygmoides DUJ., 1841. 

(Est. 25, Figrs. 27—32). 

Esta especie apezar de ser abundan- 
te na agua do mar, é até agora pouco 
conhecida. Assim HAMBURGER e BUD- 
DEN BROCK, nos ciliados do Nordiches 
Plankton, dão uma descripção muito re- 
sumida desse ciüado e reproduzem de- 
senhos de DUJARDIN e CLAPAREDEe 
LACHM.\NN. 

BUDDENBP.OCK, reentemerte (1920) 
redescreveu e figurou esta especie que 
elle denomina Eruilia sigmoides DUJ. 

A descripção de BUDDENBROCK po- 
rém, embora regular em muitos pontos 
é em outros insufficienle pelo que jul- 
gamos acertado» incluirmos neste tra- 
balho a rede.scripção dessa especie de 
accordo com o que nos foi dado obser- 
var. 

Pensamos tambera que a denomina- 
ção Ervilia sigmoides empregada para 
esta especie por BUDDENBROCK não 
pode prevalecer por ser este ciliado a 
especie typo do genero Trochilia. 

Corpo de forma mais ou menos oval 
tendo cerca de 2Ü micra de comprimen- 
to por 12 de largura com a extremidade 
anterior recurvada para a direita. 

O corpo é achatado no sentido dor- 
so-ventral sendo a face ventral plana e 
a dorsal convexa e com uma serie de 
saliências longitudinaes (cerca de seis) 
ligeiramente incurvadas. A ciliação, re- 
duzida á face ventral, é constituida por 
quatro linhas longitudinaes de cilios que 
partindo da base do prolongamento cau- 
dal correm parallelamente, ás bordas 
esquerda e anterior do corpo do ciliado, 
a pequena distancia deste, terminando 
no ponto de imião das bordas anterior 
e direita. 

Além desses cilios existem duas pe- 
quenas linhas de cilios dispostas parai- 



195 



lelamente que partindo da extremidade 
anlerior e dlreila se dirigem para traz 
e para a esquerda terminando nas im- 
mediações da abertura buccal. Esta é 
de forma oval continuando-se para traz 
e para a esquerda por um longo pha- 
ringe de forma cónica, desprovido de 
basLonelcs. Na extremidade posterior exis- 
te um prolongamento caudal em forma de 
espinho, articulado e movei. Os vacuolos 
conlracleis são em numero de dois si- 
tuados na linha mediana, junto á face 
dorsal. O núcleo elliptico, fica situado 
na parle media do corpo, mais proximo 
da borda direita. 

Em preparados corados pelo raetho- 
do de HEIDEXHAIN, vê-se que o nú- 
cleo é constituido por uma parte chro- 
mophila apresentando muitas vezes pe- 
quenos granulos de chromatina mais in- 
tensamente corados (Est. 25, Figrs. 29, 
31 e 32) e de uma parte que se cora fraca- 
mente e de modo uniforme. A parte chro- 
mophila nos casos mais communs, fica 
situada numa das extremidades sendo a 
outra extremidade occupada pela parte 
achromalica (Est. 25, Fig. 20). Em al- 
guns casos a parte fortemente chromo- 
phila se dispõe em faixa na parte media 
do núcleo (Est. 25, Fig. 30). 

O micronucleo está situado junto do 
macronucleo e numa das extremidades 
(Est. 25, Fig. 29). Parece que a phase 
inicial da divisão do núcleo (Est. 25, 
Fig. 30) seja constituida por uma faixa 
fortemente chromophila com disposição 
central; em phase mais adiantada da 
divisão M esta faixa chromophila divi- 
de-se em duas, separando-se completa- 
tamente (Est. 25, Fig. 31). Na phase ter- 
minal da divisão observa-se o estrangu- 
lamento do núcleo (Est. 25, Fig. 32) 
tendo cada núcleo proveniente da di- 
visão um micronucleo disposto na ex- 
ti-emidade (Est. 25, Fig. 32). 

O corpo do ciliado também apre- 
senta divisão do plasma com as respecti- 
vas linhas de inserção dos cilios (Est 
25, Fig. 32). 



Habitat: encontrado em abundancia 
na agua do mar da Bahia do Rio de Ja- 
neiro. 

34. Dysteria monostylla EHRG., 1838. 

Encontrado freiuentemente na agua 
do mar da Bahia do Rio de Janeiro e 
proximidades da Ilha Grande. 

35. Dysteria compressa GOURT et 
RO ES ER, 18S8. 

(Est. 25, Fig. 20.) 

Durante nossas pesquizas encontra- 
mos uma e-specie de D/stcria que se ap- 
proxima muito da Dijdcria compressa de 
GOURET et ROESER, e que pensamos 
não errar identificando-a á especie des- 
cripta por esscs auctores. 

Corpo com 45 micra de comprimen- 
to por 28 micra de largura de forma 
quadrangular achatado no sentido dor- 
so-ventral, apresentando na extremida- 
de posterior proximo á borda direita 
um pequeno prolongamento ponteagudo. 
Proloplasma granuloso. 

Cilios dispostos em linhas longitu- 
dinaes juntos á borda esquerda e ante- 
rior. 

Os cilios são longos e finos, nas 
extremidades do prolongamento candal, 
existindo alguns délies mais longos e 
espessos. 

Appendice caudal de forma trian- 
gular, ligeiramente curvo e disposto na 
borda esquerda, proximo a extremidade 
posterior do ciliado. 

Bocea oval situada proximo ao pon- 
to de união da borda esquerda e anterior 
«Jo corpo, continuando-se para traz e 
para a direita por um longo pharinge 
em forma de tubo cónico que se prolon- 
ga até proximo da extremidade posterior. 

Núcleo oval alongado e coliocada 
»>bliquamente na parte media do corpo. 
Os vacuolos conlracleis em numero de 
dois ou tres ^stão situados proximo á 
borda esquerda do corpo. 

Habitat: encontrada raramente na 
agua do mar da Bahia do Rio de Janeiro. 



196 



36. Dysteria brasfliensis nov. , sp. 

(Est 25, Fig 25) 

Comprimento cerca de 150 micra, 
largura 60 micra mais ou menos. 

Corpo achatado no sentido dorso- 
venlral, mais ou menos triangular, com 
a extremidade anterior mais larga. Bor- 
da direita quasi rectilinea. 

Borda anterior ligeiramente convexa 
e obliqua. Borda direita convexa termi- 
nando na parte posterior em ponta recur- 
vada para a esquerda. Protoplasma hia- 
lino com grandes vacuolos. Ciliação re- 
duzida a uma faixa de cerca de um terço 
da largura do corpo e constituida por 
linhas de ciios longos e finos que correm 
parallelamenle ás bordas esquerda e an- 
terior do corpo. Proximo da extremida- 
de posterior existe um pequeno appen- 
dice caudal em forma de lamina triangu- 
lar. 

Bocea oval situada proximo ao pon- 
to de união da borda esquerda e ante- 
rior prolongando-se por um pharinge 
relativamente pequeno indo até ao meio 
do corpo. O pharinge tem a forma de 
um tubo cónico com um estrangulamen- 
to no ponto de união do terço anterior 
com o terço medio. Na bocea existe 
uma membrana ondulante que ainda não 
foi assignalada nas outras e.specles de 
Dysteria. 

Núcleo cylindrico com as extremida- 
des arredondadas collocado proximo á 
borda esquerda e parallelamcnte á ella. 

Vacuolos contracteis em numero de 
dois, situados próximos á borda esquer- 
da, adiante e aíraz do núcleo. 

Hal?itat: encontrado raramente na 
agua do mar da Bahia do Rio de Janeiro. 

37. Ciclidium glaucoma O. F. MULLER, 

1786. 

Frequente na agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro. 

38. Pleuronema crysalis EHRBO., 1838. 
Raro na agua do mar da Bahia do 



Rio de Janeiro e proximidades da Ilha 
Grande. 

39. Lembus pusillus QUENN., 1869. 

Frequente na agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro. 

40. Lembus infusíonum COLK. 

Frequente na agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro. 

41. Plagiopyla nasuta STEIN, 1860. 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

Protocruzia nov. gen. 

COHN em 1866 descreveu com o 
nome de Colpoda pigérrima COHN, imi 
ciliado encontrado em agua do mar con- 
servada em aquário. 

HAMBURGER e BUDDENBROCK 
(Nordisches Plankton Ciliatapp. 64) in- 
cluem este ciliado no genero Blepliaros- 
toma SCHEW, 1893. 

Durante nossas pesquisas tivemos 
occasião de verificar na agua do mar 
da Bahia do Rio de Janeiro um ciliado 
que apresenta as caracleristicas da forma 
descripta por COHN. Pensamos que o 
referido ciliado não pôde ser incluido 
no genero Colpoda nem no Blepharosto- 
ma e mesmo em nenhum outro genero 
conhecido o que motivou a creação de 
um novo genero que denominamos 7Yo- 
focruzia (1). 

Diagnose: ciliado de corpo achatado 
com cilios finos e longos dispostos em 
linhas longitudinaes. Peristoma em for- 
ma de sulco partindo da extremidade 
anterior até mais ou menos ao meio 
do corpo, apresentando em sua borda 
uma serie de cilios mais longos e espes- 
sos do que os que revestem o corpo. 

(1) Genero dedicada á memoria de OswaJdo Cnii. 



197 



42. Protocruzia pegerrima (COHN, 1866. 
NOBIS, 1922. 

Syn.: Colpoda pigérrima COHN, 
1866. 

Blepharostoma pigérrima (COHN, 1666) 
SCHW. 

Est. 25, Fig. 33.) 

Com OS caracteres do genero. 

Dimensões: Cerca de 20 micra de 
comprimento por 10 micra de largura. 

Habitat: encontrado com relativa 
frequência em agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro, conservada no labo- 
ratorio. 

43. Blepharisma claríssima ANIGST., 

Encontrado em agua do mar nas 
immediações da Ilha Grande. 

44. Spirostomum lanceolatum GRUBER, 
1884. 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

45. Condylostoma patens (O. F. M., 

1786). 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

46. Stentor polymorphus (O. F. M. , 

1786.) 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

47. Strombidiutn tipicum RAY LANK., 

1874. 

Na agua do mar da Bahia do Rio 
de Janeiro. 

48. Stronibidium shlcatum CALP., et 
LACH., 1858-61. 

Na agua do mar da Bahia do Rio 
He Janeiro. 



Ordem: HYPOTRICHA STEIN, 
49. Perîstomus emmoe STEIN, 1862. 

Raro na agua do mar da Bahia do 

Rio de Janeiro. 

50. Amphista crassa CL. et LACH., 1858. 

Frequente na agua do mar conserva- 
da no laboratorio. Bahia do Rio de Ja- 
neiro. 

51. Amphista diademata REES, 1884. 

Frequente na agua do mar da Bahia 
do Rio de Janeiro, conservada no labo- 
ratorio. 

52. Stíchochaeta pedicuiiformis COHN, 
1866. 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

53. Actinotricha saltans COHN, 1866. 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

54. Euplotes charen (O. F. M., 1786). 
55. Euplotes harpa STEIN, 1859. 

Estas duas especies são abundan- 
tes na agua do mar da Bahia do Rio de 
Janeiro e proliferam grandemente quan- 
do conservadas no laboratorio. 

56. Diophrys appendiculatus (STEIN, 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

57. Uronychía transfuga (O. F. M., 1777). 

Raro na agua do mar da Bahia do 
Rio de Janeiro. 

58. Aspidisca lynceus (O. F. M., 1786. 

Na agua do mar da Bahia do Rio 
de Janeiro. 

Ordem: Peritricha STEIN. 



198 



59. Linophora auerbachi (COHN, 1866.) 
Encontrado uma vez na agua do mar 

da Bahia do Rio de Janeiro. 

60. Zoothamnium elegans D'UDEKEM, 

1864. 
Na agua do mar da Bahia do Rio de 
Janeiro. 



Sub'Classe: SUCTORIA CLAPARÉDE 
tT LACHMANN 

61. Acineta tuberosa EHRB., 1838. 

Raro na agua do mar da Bahia do; 
Rio de Janeiro. 



199 



Explicação das estampas 23—25. 

Fig. 1—Paramoeba schaudinni nov. 
sp. vista á fresco. Núcleo e pa- 
ranucleo (Nebenkoerper) visí- 
veis; grandes vacuolos no endo- 
plasma. Dimensões do rhizopo- 
de: 15 micra por 12 micra. 

Vig. 2 — Paramoeba schaudinni collo- 
rida pelo methodo de HEÍDE- 
NHAIN. Núcleo em repouso e 
paranucleo em divisão. Dimen- 
sões do protozoário: 22 micra 
por 10 micra. Núcleo 3,5 mi- 
cra, caryosoma 2,5. Paranucleo 
4 micra por 2 micra. 

Mg. 3— Divisão do paranucleo de 
Paramoeba schaudinni. Dimen- 
sões: 17 micra por 12,5 micra. 
Núcleo com 4,5 micra; paranu- 
cleo: 3 micra. 

?ig. 4 — Paramoeba schaudinni, divi- 
são nuclear, placa equatorial. 
Dimensões: 17 micra por 14. 

Fig. 5— Divisão nuclear do rhizopo- 
de, fuso com duas placas pola- 
res. Paranucleo em divisão. Di- 
mensão: 15 micra. 

Fig. 6— Dois núcleos em repouso e 
dois paranucleos em divisão. 

Fig. 7— ídem, idem mais afastados. 
Dimensões 15 micra. 

'^ig. 8— Um núcleo em repouso e 
dois paranucleos. Divisão pre- 
coce dos paranucleos. Dimensão: 
10 micra. 

^íg. 9— Pequenas formas de P. schau- 
dinni com 6 a 7,5 micra de diâ- 
metro. Em todos estes exempla^ 
res nota-se o nudeo em repou- 
.so e o paranucleo em divisão. 

Fig. 10— Caryogamia? ou degenera- 
ção? de Paramoeba schaudinni 

Fig. 11— P. schaudinni com quatro 
exemplares pequenos da mesma 
Paramoeba no interior. Gemula- 
ção interna? ou canibalismo? 

O exemplar grande mede 17,5 micra 
por 12 micra de diâmetro. 



Fig. 12— Cruzella marina nov., gen., 
et sp. nov. Forma vegetativa do 
flagellado; coloração pelo HEI- 
DENHAIN. 

Fig. 13— Divisão nuclear de Cruzella 
marina, colorida pelo HEIDE- 
NHAIN. 

Fig. 14— Cruzella marina. Divisão 
nuclear. Telophase. Corpúscu- 
los basaes já divididos e ligados 
por centrodesmose. Cada cor- 
púsculo basal dá nascimento á 
um flagello. 

Os desenhos das Figrs. 12, 13 e 14 
foram feitos com oc. 12 e obj. 
de imer. 1,5. 

Fig. Iñ—Colponema globosum nov., 
sp. desenhado á fresco com oc. 

4 Leitz e obj. de imers. 1,5 de 
Zeiss. 

Fig. Í6—Eutreptiella marina CUNHA, 

1913 desenhada á fresco com oc. 

1 e obj. imer. 1,8 mm. 
Fig. 17— Marsupiogaster picia nov., 

sp. desenhado á fresco. 
Fig. l?>—Wissotzkia sp. desenhada á 

fresco com oc. 4 e obj. de im. 

1/12. 
Fig. IQ— Cartería sp. desenhada á 

fresco. 
Fig. 2Ü— Cartería sp. desenhada á 

fresco. Dimensões: 10 micra por 

7. 

Fig. 21— Caríería sp., multiplicação 
dentro de kysto. Desenho á fres- 
co. Dimensão do kysto: 14 mi- 
cra por 10. 

Fig. 22— Exuviella sp., vista de fa- 
ce; desenho á fresco oc. 5 eobj. 
de imers. 1,8. 

Fig. 23— Exuviella sp., vista de per- 
fil, desenho á fresco com oc. 

5 e obj. de imer. 1,8. 

Fig. 2i—Prorocentrum sp., desenha- 
do á fresco. 

Fig. 25— Dgstería brasiliensis nov. 
sp., desenhada á fresco com oc^ 
4 e obj. 4 mm. 



200 



Fig. 26—Dijsteria compressa GOUR. 
et ROESER, 1888. desenhada á 
fresco com oc. 4 e obj. 1,5 mm. 

Fig. 27— Trochilia sigmoides DUJ., 
1841. Face ventral. Dimensões: 
21 micra por 14., bocea 12 micra, 
appendice caudal com 4 micra. 
Desenho á fresco. 

Fig, 28— Trochilia sigmoides DUJ., 



1841. Face dorsal. Comprimento: 
17 micra por 11. 

Figrs. 29-32— Trochilia sigmoides 
DUJ., 1841. Preparados corados 
pelo HEIDENHAIN. As figrs. 31 
e 32 estão era divisão. 

Fig. 33 — Protocruzia pigérrima 
(COHN, 1866) FAR., C. et P., 
1922. Desenho á fresco. Dimen- 
sões: 21 micra por 11. 



201 



BIBLIC OR A F»HIA. 

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Sobre a Amoeba diplomitotica n. sp. Mem. Inst. Osw. 
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tislk, Bd. 26 pp. 413—19. Fig. 1. 

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Ueber zwei neue marine Ciliaten, /nArchiv. f Protistenk 
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Nomina conservanda. Protozoa, pp. 121—123. In Sitzimg»- 
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B. 

Bau und Vermehrung von Prowazekia josephi n. sp In 
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Protozoenstudien. In Archiv. f. Protistenk., Bd. 36 dd 
13-51. Taf. 2-4. ' ^^' 

Beobachtungen u. einige neue oder wenig bekannte ma- 
rine Infus. In Archiv. f. Protistenk., Bd. 41. dd. 
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Studien ueber Ciliaten des Nordatlantischen Ozeans u. 
Schwarzen Meers. In Archiv. f. Protistenk., Ed. 
42. pp. 364—379. 

PROTOZOA. In Bronn's Klassen u. Ord. des Thierreichs. 
III. Infusoria und System der Radiolarien. 

PROTOZOA In Bronn's Klassen u. Ord. des Thierreichs. 
I. Abt. Sarkodina und Sporozoa. 

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Die pelagischen Protozoen u. Rotatorien Helgolands. In 
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Untersuchungen zur Feststellung des vellstandigen Ge- 
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66. LEMMER- 
MANN, E. 



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N. 



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107. SCHMIDT, W. J. 1919-20 Sphaerobacfrum warduoe ein /Tettenbildender Ciliat. In 

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110. TRÉGOUBOFF, G. 1915 Sur quelques protistes parasites recontrés à Vill-franche- 

sur mer. In Archiv. de Zool. exper. et genel. t. 
55. No. 3 pp. 35—44. Notes et Revue. 

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In The Jour, of The Linn. Soc. Vol. XXXII. No. 
216 pp. 201—218. 



A Reacção de Wassermann na Leishmaniose 

pelo 
Dr*. Antonio Eugenio de Aféa. Leão. 



A leishmaniose americana passa 
como uma das molestias onde, com fre- 
quência, se encontram reacções de WAS- 
SERMANN positivas. Isso parece, entre- 
tanto, sêr o frueto de imia observação 
errada, onde a syphilis existindo prova- 
velmente nos individuos examinados, pas- 
sou despercebida ou não foi bem pro- 
curada. O mesmo também, talvez se dê 
com muitas outras molestias, impaludis- 
mo, sarampo, escarlatina, etc., onde 
também têm sido encontradas reacções 
de WASSERMANN positivas. Destas ulti- 
mas trataremos em trabalhos ulteriores, 
mas de presente podemos affirmar, em- 
bora ainda seja pequena a nossa estatís- 
tica, que ainda não encontramos rea- 
cções de WASSERMANN positivas em 
individuos com escarlatina, sarampo ou 
impaludismo e quando aquella se tem 
mostrado positiva os pacientes são porta- 
dores de syphilis. Pretendemos mais tar- 
de com provas e argxunentos tratar da 
questão. 

A syphilis é as vezes de um diag- 
nostico difficil, e o próprio doente tudo 
nega quando interrogado. Mas diante de 
luna reacção positiva, quando esta foi 



escrupulosamente feita, deve-se procu- 
rar a syphilis por todos os outros meios 
possíveis. 

A reacção de WASSERMANN embora 
não seja uma reacção especifica, é na 
syphilis e só nella que se a observa com; 
uma frequência enorme. São alterações 
que a molestia imprime ao organismo 
contaminado e reveladas pela reacção; 
o tratamento especifico bem administra- 
do fa-la, mais cedo ou mais tarde, desap- 
parecer. Por tudo isso, embora lhe não 
conheçamos a causa intima, guarda a 
reacção de WASSERMANN uma certa 
especificidade para a syphilis. 

Quantos casos, onde clinicamente 
não era possível descobrir a syphilis, a 
reacção de WASSERMANN vem esclare- 
cer o diagnostico e adoptado o tratamen- 
to especifico o doente melhora conside- 
ravelmente? Sendo uma reacção muito 
complexa, onde entram numerosos ele- 
mentos, necessário se faz que todos el- 
les sejam perfeitamente dosados: assim 
se poderá confiar nos seus resultados. 

A differença encontrada entre auto- 
res é certamente devido a technica dif 
ferente usada por cada lun Praticada a 



210 



reacção nas mesmas condições, com a 
mesma technica, poderá variar o opera- 
dor, mas os resultados serão sempre os 
mesmos. 

O emprego de mais de mn antige- 
no na reacção, no mínimo 1res, perfei- 
tamente dosados e conhecidos quanto ao 
seu poder fixador, é de uma necessidade 
imperiosa; não se deve nunca praticar 
a reacção de WASSERMANN com um 
só antigeno, porque isso poderá accar- 
retar grandes erros. Os antigenos cho- 
lesterinisados deverão ser usados com 
prudencia e a choleslerinisação, deve ser 
feita mediante dosagem previa com soros 
conliecidos e comparativamente com an- 
tigenos já experimentados; assim se che- 
gará a um óptimo de cholesterina a se 
Juntar a uma quantidade determinada 
de antigeno. A dosagem do antigeno é 
demorada e só depois de bem verificado, 
com numerosos soros conliecidos e com- 
parado a antigenos já experimentados, 
deverá ser empregado correntemente. 



Examinámos o soro sanguíneo de 
60 doentes de Leishmaniose americana, 
todos elles internados na 19a. Enferma- 
ria da Santa Casa de Misericordia do 
Rio de Janeiro, a cargo do Professor 
Dr. FERNANDO TERRA, a quem agra- 
decemos todas as facilidades que nos 
concedeu para a realisação deste traba- 
lho. 

Em todos os doentes procurávamos 
cuidadosamente a syphilis, para assim 
podermos tirar conclusões acertadas. 

O diagnostico clinico da leishmaniose 
presta-se a confusão com as lesões simi- 
Ihantes occasionadas pela syphilis, mor- 
mente na forma mucosa daquella moles- 
tia; embora aqui se tenha o facto capi- 
tal da syphilis atacar as partes ósseas 
o que se não dá com a leishmaniose, 
limitando-se esta ultima doença a des- 
truição dos tecidos e cartilagens, mas 
nunca os ossos. 



A historia clinica de cada caso tem 
muita importancia para affastar ou des- 
cobrir concumitantemente a syphilis. O 
exame sorologico presta, acreditamos, va- 
liosos esclarecimentos, pois dos 60 ca- 
sos por nós observados, nem um só de 
leishmaniose pura, isento de syphilis des- 
viou o complemento em presença dos 
antigenos usados na reacção de WAS- 
SERMANN. 

Passamos agora a descrever a tech- 
nica que usamos na pratica destas rea- 
cções. 

Antigenos: — Os antigenos usados na 
reacção foram em numero de seis: figa- 
do de feto heredo-syphilitico (extracto 
alcoólico); coração humano (extracto al- 
coólico cholesterinisado); coração de boi 
(extracto alcoólico cholesterinisado); an- 
tigenos de lipoides insolúveis na aceto- 
na, preparado segundo a technica de 
NOGUCHI; antigeno de BORDET eRUE- 
LENS (usado no Instituto Pasteur de 
Bruxellas, sendo unia modificação do 
processo de NOGUCHI para extrahir os 
lipoides insolúveis na acetona); antige- 
na de LESSER (extracto elhereo de co- 
ração de boi). Os lipoides insolúveis na 
acetona, quer pelo processo de NOGU- 
CHI ou o de BORDET e RUELENS fo- 
ram extrahidos do coração de boi. 

Todos estes antigenos eram perfei- 
tamente conhecidos, já tendo sido expe- 
rimentados com numerosos soros de in- 
dividuos seguramente syphiliticos e soros 
normaes. Apezar disso e para mais segu- 
rança do material usado, eram todos 
elles dosados novamente, no mesmo dia 
da reacção, quanto ao seu poder impe- 
diente e experimentados com soros posi- 
tivos e negativos conhecidos. No primei- 
ro caso, isto é, verificando o seu poder 
impediente, empregávamos a dose du- 
pla e tripla da que ia ser usada na rea- 
cção, com uma dose de complemento fixa 
e glóbulos de carneiro sensibilisados com 
duas a 1res unidades hemolyticas. 

Complemento:— Usamos o soro de 



211 



cobaya, sangrada no mesmo dia da rea- 
cção; e para termos mn complemento 
mais homogéneo retirávamos o soro de 
cito á dez cobayas. O complemento era 
dosado em presença de uma dose fixa de 
hemolysinas e da dose de antigeno a ser 
usada na reacção. 

Sy sterna hemolytico: — Soro de coe- 
lho para os glóbulos vermelhos de car- 
neiro, verificando-se sempre o poder do 
soro para os glóbulos usados no dia. 

Ainda procedíamos a verificação de 
todos os elmentos, complemento, hemo- 
lysinas, antigenos e agua physiologica, 
tomados isoladamente e postos em pre- 
sença dos glóbulos de carneiro; para ver 
se por si só occasionavam a hémolyse. 

Feitas todas estas provas, comple- 
mentares e indispensáveis, para nos as- 
segurarmos do bom funccionamento de 
todos os elementos empregados na rea- 
cção, procedíamos o exame dos soros 
dos doentes de leishmaniose. Estes soros 
eram colhidos e no mesmo dia separa- 
dos do coagulo e inactivados em banho- 
maria á 56oC., durante meia hora, guar- 
dados depois no gelo e no dia seguinte 
era praticada a reacção. 

A quantidade de soro usada na rea- 
cção era de 0,2 e distribuida em sete tu- 
bos, em seguida juntavam se 0,2 de cada 
antigeno, figurando assim cada tubo com 
um antigeno, exceptuando-se o ultimo 
(sétimo tubo), que não recebia antigeno 
e ficava como testemunho do soro. Jun- 
távamos em seguida a quantidade de 
complemento determinada pelas dosa- 
gens previas, e completávamos em to- 
dos os tubos o volume de 2 cc. com 
agua physiologica á 8,5 p. 1000. 

Feito isso os tubos eram levados 
ao banho-maria á 37oC., e ahi soffriam 
a primeira incubação pelo espaço de 1 
hora. No fim deste tempo juntávamos 
os glóbulos de carneiro (emulsão á 5 o/o 
em agua physiologica) sensibilisados 
com duas á tres unidades hemolyticas. 
A leitm-a da reacção era feita no fim 
de 1 hora quando todos os testemunhos 



dos soros examinados estavam completa- 
mente hemolysados. 

Com esta technica nunca nos foi 
dado encontrar reacções de WASSER- 
MANN positivas no soro sanguíneo de 
doentes que soffriam só de leishmaniose, 
tendo o exame clinico cuidadoso affasta- 
do a syphilis. 

Em todas as nossas observações on- 
de a reacção de WASSERMANN foi posi- 
tiva a syphilis era clinicamente encon- 
trada e o tratamente especifico vinha 
comprovar a nossa observação. Nestes 
casos a administração uníca do tártaro 
emético, pelo processo de GASPAR 
VIAN NA não era sufficiente para curar 
completamente o paciente e administra- 
da a medicação especifica da syphilis 
ella vinha apressar e completar o tra- 
tamento. Era pois a prova therapeutica 
confirmando a clinica e o resultado da 
reacção de WASSERMANN. O tártaro 
emético embora seja tido como cicatri- 
sante enérgico, não tem acção curativa 
nas lesões syphiliticas, nem também a 
medicação especifica da syphilis, o mer- 
curio ou os arsenicaes, curam a leishma- 
niose. Não faltam na litteratm*a medica 
observações de casos de leishmaniose 
curados ou melhorados com o 914 e mes- 
mo nos tratados de pathologia se en- 
contra commumente acconselhado no tra- 
tamento desta molestia o 914. Na leish- 
maniose americana nunca vimos um ca- 
so curado ou melhorado com este medi- 
camento; só delle aproveitavam e com 
vantagem os doentes que soffriam tam- 
bém de syphilis. 

Dos doentes por nós observados \aa 
vmx teve êxito letal, o da observação 
no. 27; como tem interesse no caso essa 
observação pois trata-se de mn doente 
com leishmaniose tegumentar mixta e 
syphilis terciaria, tendo sido a reacção 
de WASSERMANN fortemente positiva, 
com os seis antigenos usados, havendo 
com todos elles ausencia de hémolyse 
completa, vamos descrever o caso clinico» 
e o resultado da autopsia feita na secção 



212 



î3e Anatomia Pathologica do Instituto 
Oswaldo Cruz pelo assistente Dr. CEZAR 
GUERREIRO, a quem somos muito grato 
por todos os esclarecimentos que nos 
deu. 

Obs. XXVII.— C. F.— Individuo decôr 
preta, apresentando luna grande ulcera 
no nariz, que se estendia de ambos os 
lados, destruindo as azas do mesmo; 
septo cartilaginoso destruido e a porção 
óssea do nariz compromettida. Do nariz 
a ulceração se estendia ao labio supe- 
rior, que bastante edemaciado, apresen- 
tava uma ulceração circular de cerca de 
quatro centímetro de diâmetro, arredon- 
dada e de bordos salientes: Na cavidade 
buccal notava-se ulceração das amygda- 
las; a epiglolte em parte destruida; cor- 
das vocaes totalmente ulceradas e des- 
truidas; o doente era quasi aphonico, mal 
se percebendo as palavras que articulava. 
O pharyngé era coberto por uma ulcera- 
ção grande, de bordos irregulares, fun- 
do anfractuoso e purulento. Esophago 
compromettido nas suas visinhanças com 
o pharyngé. Nos membros superiores e 
inferiores encontravam-se ulcerações de 
tamanho variável desde tres á dez centíme- 
tros de diâmetro. Eram ulcerações ge- 
ralmente arredondadas e cobertas de uma 
crosta amarella escura e bem adhérente 
a ferida. Retirada a crosta via-se o fun- 
do da ulcera, anfractuoso e coberto de 
uma seccreção purulenta. As ulcerações 
sangravam com facilidade, logo retirada 
a crosta e o doente nellas accusava for- 
tes dores. Ganglios inguino-crurais e epi- 
trochleanos presentes e augmentados de 
volume. 

Na glande se encontrava luna cica- 
triz esbranqvdçada, bem visivel vestigio 
de um cancro, que o doente accusava na 
sua historia. 

Os esfregaços feitos com fragmentos 
das ulceras e corados pelo GIEMSA, re- 
velaram a presença de numerosas leisli- 
manias, ora isoladas no campo micros- 
cópico, ou em grande numero parasitan- 
do os grandes mononucleares e araon- 



tuadas no plasma destes glóbulos, mais 
deixando perfeitamente visíveis a sua 
massa nuclear intensamente corada e o 
seu plasma com contornos bem nítidos. 

A.lém das leishmanias notava-se tam- 
bém no campo microscópico a symbiose 
fuso-espirillar, espirillos e bacillos fusi- 
formes, em abundancia se distribuíam no 
campo microscópico. A presença da sym- 
bio.se fuso-espirillar em lesões outras, 
que não a angina e a ulcera tropical, nó» 
já a temos visto muitas vezes, ora em 
epitheliomas ulcerados, blastomycose, 
cancros syphiliticos ou simples (cancro 
molle), etc. 

Tratase provavelmente de um factor 
de contaminação, que agrava por demais 
a ulceração, dando-lhe logo um caracter 
phagedenico, e auxilia-se muito o trata- 
mento affastando-se esta cgusa com a 
applicação de antisépticos locaes. 

Praticámos no doente uma biopsia 
da ulceração do nariz, e o pequeno frag- 
mento retirado foi fixado no sublimado- 
alcool de SCHAUDINN e seguida a tech- 
nica commum da inclusão. Os cortes 
corados pelo GIEMSA, hematoxylina- 
eosina, e pelo metliodo de VAN GIE.SON, 
mostravam numerosas leishmanias, ora 
isoladas entre as cellulas do tecido e os 
elementos do sangue emigrados, ou, o 
que era mais commum, parasitando os 
grandes mononucleares. 

O doente veio a fallecer ainda quan- 
do em tratamento, e no inicio deste. 
Viclimou-o um processo de tuberculose 
miliar aguda, que o protocollo de autop- 
sia, mais adiante transcripto, nos diz. 
Aliáz seja dito, de passagem embora, a 
leishmaniose na sua forma mucosa, a 
mais grave e mais rebelde ao tratamento 
dando com facilidade reincidencias fre- 
quentes, destruindo as cartilagens do na- 
riz e occasionando a obstruicção das fos- 
sas nasaes, resultando assim um prejuízo 
para a respiração normal, que passa en- 
tão a se fazer pela bocea, attacando os 
órgãos todos localisados no fundo da 
bocea (araygdalas etc.), e que consti- 



- 213 



luem a defeza do organismO; cria uma 
situação de inferioridade para este, fa- 
cilitando desta sorte a invasão fácil por 
outras molestias, cujos germens causa- 
dores, vivem como saprophytas commun- 
mente na bocea, taes o da tuberculose e 
da pneumonia, etc. 

A leishmaniose não é mna molestia 
que produza a morte por si só; quasi 
sempre são casos que passam a chronici- 
dade, e quando têm aquelle desfeixo, é 
muitas vezes a tuberculose que encon- 
trando terreno propicio ahi se desenvol- 
ve insidiosamente, occasionando amorte 
do paciente. 



Autopsia: — Diagnostico : Tuberculosis 
miliaris acuta pulmonum; hepatis et lie- 
nis. Lymphadenites tuberculosa mesarai- 
ca. Enteritis tuberculosa ulcerativa. Pha- 
ryngitis ulcerativa. Laryngitis ulcerativa. 
Oesophagitis ulcerativa. Tracheitis ulce- 
rativa. Syphilis. Cicatrix penis. Perisple- 
nitis chronica. Pleuritis adhesiva sub- 
acula. Hypertrophia ventriculi utriusque. 
Aortitis. Clades soepli nasis. Ulcus alae 
sinislrae nasis (Leishmaniosis). Granulo- 
ma nasis (Leishmaniosis), Ulcus labii 
superioris (Leishmaniosis). Atrophia re- 
num. Ankylostomyasis. 

Cadaver do sexo masculino bastante 
emmagrecido. Tegmnentos cutáneos de 
cor negra. Nos membros inferiores ne- 
nhum edema. Distribuição dos pellos re- 
gular. Cicatriz pouco profunda do sulco 
balano-prepucial. Ganglios inguino-cru- 
rais augmentados de volume, correndo 
sob o dedo pela palpação. 

Abdomen pouco tenso. Espaços inter- 
costaes deprimidos. Labio superior apre- 
sentando-se com uma perda de substancia, 
attingindo todo o labio perda esta de 
pouca profundidade, com fundo granu- 
loso. Nariz também apresentando-se des- 
truido em sua parte cartilaginosa de se- 
pai-ação, estando a parte óssea também 
^Bm parte destruida. A aza do nariz do 



lado esquerdo apresentando formações 
vegetantes, mais ou menos do volume 
de uma avelã. .\za direita do nariz coM 
uma ulceração que a cobre por comple- 
to. Ambas as fossas nasaes extremamente 
estreitas. Corneas transparentes, pupil- 
las igualmente dilatadas. Ao corte ca- 
mada gordurosa bastante reduzida me- 
dindo na parede abdominal 2 mm., ca- 
mada muscular 7 mm. Músculos de côr 
parda, poucos húmidos. Nas partes pro- 
fundas do abdomen nenhum liquido. Fí- 
gado excedendo o appendice xyphoide 
6 cm., completamente coberto pelo re- 
bordo costal na linha mammillar. Posi- 
ção do diaphragma 6» costella de ambo» 
os lados. Pericardio descoberto numa ex- 
tensão de 9 cm. No sacco do pericar- 
dio cerca de 30 cc. de liquido seroso ama- 
rellado. Mucosa da base da lingua ligeira- 
mente envermelhecida, com as granula- 
ções bem visíveis. No pharyngé existe 
uma ulceração que o cobre por comple- 
to. Epiglotte com o bordo destruido ent 
parte, apresentando-se a plica arytheno- 
epiglottica cora a mucosa granulosa, es- 
pessada, ejstando a plica muito dimi- 
nuida de largura. Destruição completa 
das cordas vocaes, existindo ahi uma ul- 
ceração de fundo muito granuloso. Amyg- 
dalas também ulceradas, com quasi per- 
da total do seu tecido. Esophago na sua 
porção inicial com a mucosa completa- 
mente destruida. O terço superior da tra- 
chea com os vasos túrgidos, apresen- 
tando-se a parte mais superior tiunida e 
com a mucosa destruida. Pulmão esquer- 
do adherindo a pleura costal em toda a 
extensão, por bridas fibrosas pouco re- 
sistentes. Pulmão direito livre, cavi- 
dade pleural vasia. Pulmão esquerdo aug- 
mentado de volume, com a consistencia 
também muito augmentada. Ao corte 
quantidade de ar quasi totalmente abo- 
lida; o órgão apresentando-se semeado 
de nodulos esbranquiçados, maiores que 
a cabeça de um alfinete, disseminados 
em todo o tecido e a parte intercalar 



214 



desses nodulos com cor vermelha e con- 
sislencia gelatinosa. Pleura coberta por 
espessamento fibroso com aspecto gela- 
tinoso. Ganglios lymplialicos peri bron- 
chicos augmentados de volume, de te- 
cido de côr escura. Bordos inferiores 
do pulmão com a quantidade de ar um 
pouco conservada e crepitação bastante 
diminuida. Pulmão direito pleura lisa, 
percebcndo-se por sob ella, no tecido 
pulmonar, diversos nodulos esbranquiça- 
dos, de tamanho variável, apresentan- 
do-se os tres lobos adhérentes entre si 
por bridas fibrosas. Ao corte todo tecido 
pulmonar apresenta nodulos gimilhan- 
tes aos do lado esquerdo, sendo aqui 
mais espaçados, existindo conservação de 
uma relativa quantidade de ar no paren- 
chyma. 

O tecido intercalar também com as- 
pecto e consistencia gelatinosa. Coração 
não augmentado de volume, relativamen- 
te a estatura do cadaver. Folha pleural 
do pericardio lisa. Gordura sub-epicar- 
dial bastante reduzida. Ventrículo direi- 
to endocardio liso; espessura do ventrí- 
culo 3 mm., musculatura de côr parda- 
centa. Auricula direita endocardio liso; 
válvulas da mitral sem espessamento. 
Baço fortemente adhérente ao dia- 
phragma e aos órgãos circiun-visinhos 
por bridas fibrosas; medindo sobre a 
convexidade 14-|-10-}-4. Ao corte polpa 
esplénica de côr escura, não se perce- 
bendo o apparelho follicular. Apparelho 
de sustentação bastante visível, perce- 
bendo-se, semeados na polpa, nodulos 
esbranquiçados maiores que a cabeça 
de mn alfinete, perfeitamente limitados 
no tecido. Fígado com adherencias fi- 
brosas fortes ao diaphragma; o órgão 
apresentando-se com diversas chantra- 
duras verticaes. Ao corte desenho lobu- 
lar apagado, o órgão com a quantidade 
de sangue conservada, existindo em pon- 
tos isolados, diversos nodulos esbranqui- 
çados, pouco mais ou menos do tama- 
nho da cabeça de mn alfinete, perfeita- 
mente limitados no tecido. 

Vesícula biliar de paredes delgadas 
com alguns cc. de bile ligeiramente es- 



verdiada e fluida. Capsulas suprarenaes 
de ambos os lados apresentando-se com 
camada medullar bastante escura e uns 
pontos esbranquiçados, mal limitados 
nessa camada. Ambos os rins um pouco 
reduzidos de volume; capsula fibrosa 
destacando-se com certa facilidade. Ao 
corte camada cortical pouco reduzida, 
não havendo separação nitida das duas 
camadas. Contorno das pyramides um 
pouco injectado. Bacinete estreito; ure- 
thér permeável. Bexiga contrahida, com 
alguns cc. de urina turva. Prostata pe- 
quena de coloração esbranquiçada. Ve- 
sículas seminaes de paredes delgadas, 
dando, pela expressão, sabida a um liqui- 
do turvo, mucoso. Testículos de ambos 
os lados não augmentados de volume, 
com tecido de côr pardacenta; canalícu- 
los pouco isoláveis. Aorta abdominal 
com a intima lisa e brilhante. Gan- 
glios mesenlericos e mesocolícos aug- 
mentados de volume, apresentando-se al- 
guns com tecido em franca casei ficação. 
Pela abertura do intestino verifíca-se que 
toda mucosa acha-se diffusamente en- 
vermelhecida, existindo alguns exempla- 
res de ankylostomos, e na altura do je- 
juno uma perda de substancia de Icm. 
de largura sobre 4cm. de extensão, com 
bordos salientes e fundo anfractuoso No 
ílleo também existem duas perdas de 
substancia, próximas uma da outra, de 
forma arredondada, de cerca de Icm. 
de diâmetro cada uma, de bordos salien- 
tes e fundo anfractuoso. Estomago com 
a mucosa diffusamente envermelhecida 
sem perda de substancia. Calote crania- 
na assymetrica, de paredes regularmen- 
te espessas. Dura-matter igualmente ten- 
sa de ambos os lados. Meninges, tanto 
na base como na convexidade, apresen- 
tando-se ligeiramente leitosa, porém sem 
granulações. Pelos cortes frontaes ou lon- 
gítudinaes nada de anormal no cerebro, 
cerebello e protuberancia. 

O exame microscópico dos órgãos 
e das ulcerações encontradas no intesti- 
no, revelavam lesões da syphilis c tu- 
berculose. 



215 



Observações 

Obs. I.— J. M.— Solteiro, 58 annos, 
morador á rua da Republica, Districto 
Federal. Leishmaniose tegumentar cuta- 
nea. Reacção de WASSERMANN: Nega- 
tiva. 

Obs. IL— C. G. S.— Brasileiro, bran- 
co, 42 annos, solteiro, residente em S. 
João Marcos, Estado do Rio de Janeiro. 
Leishmaniose tegumentar cutanea. Reac- 
ção de WASSERMANN: Negativa. 

Obs. IIL— J. P. S.— Brasileiro, bran- 
co, lavrador, 4í annos, casado, residente 
em Itaperuna, Estado de Minas Geraes. 
Leishmaniose tegumentar cutanea. Reac- 
ção de WASSERMANN: Negativa. 

Obs. IV.— J. S. J.— Brasileiro, pardo, 
52 annos, solteiro, residente em Itaocára, 
Estado do Rio de Janeiro. Leishmaniose 
tegumentar mixta. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. V.— C. P.— Grego, branco traba- 
lhador, 43 annos, casado, sem residencia, 
Leishmaniose tegumentar mixta. Reac- 
ção de WASSERMANN: Negativa. 

Obs. VI.— O. A. S.— Brasileiro, bran- 
co, 34 annos, solteiro, residente em Es- 
tação do Livramento, Estado de Minas 
Geraes. Leishmaniose cutanea. Reacção 
de WASSERMANN: Negativa. 

VIL— A. M.— Portuguez, branco, 60 
annos, casado, pedreiro, residente em 
Campo Grande. Leishmaniose tegumen- 
tar mixta Reacção de WASSERMANN: 
Negativa. 

Obs. VIIL— A. M.— Brasileiro, preto, 
solteiro, 26 annos, pedreiro, residente á 
rua Conselheiro Octaviano, Districto Fe- 
deral. Leishmaniose tegumentar mixta. 
Reacção de WASSERMANN: Negativa. 

Obs. IX.— O. A. S.— Brasileiro, bran- 
co, 34 annos, solteiro, lavrador, residen- 
te em Estação do Livramento, Estado 
de Minas Geraes. Leishmaniose tegu- 
mentar mixta. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. X.— M. B. O.— Brasileiro, bran- 
í», 60 annos, lavrador, solteiro, residen- 



te era Lençóes do Rio Verde, Estado de 
Minas Geraes. Leishmaniose tegumentar 
cutanea: syphilis terciaria. Reacção de 
WASSERMANN: Positiva. 

Obs. XL— !\L A. L.— Brasileiro, bran- 
co, 32 annos, casado, lavrador, residen- 
te á rua Paysandú, 18, Districto FederaL 
Leishmaniose tegumentar mixta; syphi- 
lis terciaria. Reacção de WASSERMANN: 
Positiva. 

Obs. XIL— J. F. A.— Brasileiro, par- 
do, 35 annos, casado, lavrador, residen- 
te em Santa Isabel. Leishmanioose tegu- 
mentar mixta. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. XIIL— A. M.— Turco, branco, 35 
annos, solteiro, tendeiro, residente árua 
Buenos-Ayres, 348, Districto Federal. 
Leishmaniose tegumentar mixta. Reac- 
ção de WASSERMANN: Negativa. 

Obs. XIV.— A. F.— Brasileiro, branco» 
19 annos, casado, sapateiro, residente 
á Rua Tavares, 276, Districto FederaL 
Leishmaniose tegumentar cutanea. Reac- 
ção de WASSERMANN: Negatipa. 

Obs XV.— A. B. O.— Brasileiro, bran- 
co, 30 annos, solteiro, sem residencia. 
Leishmaniose tegumentar mucosa; syphi- 
lis terciaria. Reacção de WASSERMANN: 
Positiva. 

Obs. XVI.— L. L.— Portuguez, bran- 
co, 42 annos, casado, trabalhador resi- 
dente era Campinas, Estado de S. Pau- 
lo. Leishmaniose tegumentar cutanea; sy- 
philis. Reacção de WASSERMANN: Posi- 
tiva. 

Obs. XVIL— Brasileiro, preto, 45 an- 
nos, solteiro, trabalhador, residente em 
Triagem, Districto Federal. Leishma- 
niose tegumentar mixta; syphilis Reac- 
ção de WASSERMANN: Positiva. 

Obs. XVIIL-A. M. G.-Portuguez, 
branco, 63 annos, solteiro, trabalhador^ 
residente á rua Theophilo Ottoni, Dis- 
tricto Federal. Leishmaniose tegiunen- 
tar cutanea. Reacção de WASSERMANN: 
Negativa. 

Obs. XIX.-A. R. L.- Brasileiro, par- 



216 



^o, 22 annos, solteiro, lavrador, residen- 
te em Estação Lagão, Estado de Minas 
Geraes. Leishmaniose tegumentar mixta. 
Reacção de WASSERMANN: Negativa. 

Obs. XX.— M. A. L.— Brasileiro, bran- 
co, 32 annos, casado, residente em The- 
rezina, Estado do Piauhy. Leishmaniose 
tegumentar mixta; syphilis terciaria. 
Reacção de WASSERMANN: Positiva. 

Ob. XXL— O. S. A.— Brasileiro, bran- 
co, 35 annos, casado, residente em S. Fi- 
delis. Estado do Rio de Janeiro. Leish- 
maniose tegumentar mixta. Reacção de 
WASSERMANN : Negativa. 

Obs. XXíL— M. S.— Brasileiro, preto,- 
35 annos, solteiro, residente em Itabo- 
rahy. Leishmaniose mixta. Reacção de 
WASSERMANN: Negativa. 

Obs. XXIIL— C. J. S.— Brasileiro, par- 
do, 56 annos, solteiro, residente em Sa- 
quarema, Estado do Rio de Janeiro. 
Leishmaniose tegumentar mixta; syphi- 
lis terciaria. Reacção de WASSERMANN : 
Positiva. 

Obs. XXIV.— A. F.— Brasileiro, bran- 
co, 22 annos, solteiro, residente no Es- 
tado do Rio de Janeiro. Leishmaniose 
tegumentar cutanea. Reacção de WAS- 
SERMANN: Negativa. 

Obs. XXV.— J. F. A —Brasileiro, bran- 
co, 32 annos, solteiro, residente no Es- 
tado do Rio de Janeiro. Leishmaniose 
tegxmieatar mixta. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. XXVI.-A. M. G.— Portuguez, 
branco, 60 annos, solteiro, trabalhador, 
residente em Bauru, Estado de S. Paulo. 
Leishmaniose tegumentar cutanea. Reac- 
ção de WASSERMANN: Negativa. 

Obs. XXVIL— C. F.— Brasileiro, pre- 
to, 50 annos, solteiro, trabalhador, resi- 
dente no Estado de Minas Geraes. Leish- 
maniose tegumentar mixta; syphilis ter- 
ciaria: tuberculose miliar aguda. Reac- 
ção de WASSERMANN: Positiva. , 

Obs. XXVIII.-J. C.-Bra.sileiro, pre- 
to, 38 annos, solteiro lavrador, residen- 
te no Estado de Minas Geraes. Leishma- 



niose tegumentar mixta. Reacção de 
WASSERMANN : Negativa. 

Obs XXIX.— J. F. S.- Brasileiro bran- 
co, 20 annos, solteiro, serrador, residen- 
te no Estado do Rio de Janeiro. Leish- 
maniose tegumentar cutanea. Reacção de 
WASSERMANN: Neagtiva. 

Obs. XXX.— J. S.— Turco, branco, SS 
anno.s, casado, residente no Districto Fe- 
deral. Leishmaniose tegumentar mixta. 
Reacção de WASSERMANN: Negativa. 

Obs. XXXI.— J. G. S.— Brasileiro» 
prelo, 25 annos, solteiro, residente no 
Estado do Rio de Janeiro. Leishmaniose 
tegumentar cutanea, Reacção de WAS- 
SERMANN: Negativa. 

Obs. XXXlí.— C. J.— Brasileiro, bran- 
co, 27 annos, solteiro, residente no Es- 
tado de Minas Geraes. Leishmaniose tegu- 
mentar cutanea. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. XXXIIL— M. P. — Brasileiro, 
branco, 32 annos, casado, residente no 
Districto Federal. Leishmaniose tegr*- 
menlar mixta. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. xiíXIV.— M. L.— Brasileiro, pre- 
to, 24 annos, solteiro, residente no Esta- 
do do Rio de Janeiro. Leishmaniose tegu- 
mentar mixta. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. XXXV.— F. I.— Brasileiro, bran- 
co, 35 annos, solteiro, residente no Esta- 
do de Minas Geraes. Leishmaniose tegiï- 
menlar cutanea. Reacção de WASSER- 
MANN Negativa. 

Obs. XXXVL — J. C. — Brasileiro, 
branco, 39 annos, solteiro, residente no 
Estado de S. Paulo. Leishmaniose tegu- 
mentar mixta; syphilis terciaria. Reac- 
ção de WASSERMANN: Positiva. 

Obs. XXXVIL— A. C. M.— Portugueí, 
branco, 45 annos, casado, residente n» 
Districto Federal. Leishmaniose tegumen- 
tar mixta; syphilis terciaria. Reacção de 
WASSERMANN : Positiva. 

Obs. XXXVIIL-A. F. F. - Brasl- 
leiro, branco, 24 annos, solteiro, residen- 



217 



te no Estado do Rio de Janeiro. Leish- 
maniose tegnmentar cutanea. Reacção de 
WASSERMANN: Negativa. 

Obs. XXXîX.~A. N. O.— Portuguez, 
branco, 32 annos, solteiro, residente no 
Districto Federal. Leishmaniose tegn- 
mentar mixta. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. XL.— B, R.— Brasileiro, branco, 
19 annos, solteiro, residente no Estado 
do Rio de Janeiro. Leishmaniose tegn- 
mentar mixta; syphilis hereditaria. Reac- 
ção de WASSERMANN: Positiva. 

Ob. XLL— C. J. G.— Italiano, branco, 
27 annos, casado, residente no Estado 
de S. Paulo. Leishmaniose tegumeiitar 
mixta; syphilis terciaria. Reacção de 
WASSERMANN : Positiva. 

Obs. XLIL~J. Z.— Italiano, branco, 
34 annos, casado, residente no Estado 
do Rio de Janeiro. Leishmaniose tegu- 
menlar mixta. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. XLIIL— J. M— Brasileiro, .pre- 
to, 28 annos, solteiro, residente no Dis- 
tricto Federal. Leishmaniose tegumentar 
mixta. Reacção de WASSERMANN: Ne- 
gativa. 

Obs. XLIV.— G. N. 0.-Brasi!eiro, 
branco, 48 annos, solteiro, residente no 
Estado do Rio de Janeiro. Leishmaniose 
tegumentar mixta. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. XLV.— A. C— Portuguez, bran- 
co, 50 annos, solteiro, residente no Dis- 
tricto Federal. Leishmaniose tegumen- 
tar mixta. Reacção de WASSERMANN: 
Negativa. 

Obs. XLVL— A. J. C. — Portuguez, 
branco, 42 annos, solteiro, residente no 
Districto Federal. Leishmaniose tegu- 
mentar cutanea. Reacção de WiVSSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. XLVIL— M. G. G.— Brasileiro, 
preto, 29 annos, solteiro, residente no 
Estado de Minas Geraes. Leishmaniose 
tegumentar mixta; syphilis terciaria, 
ííeacção de WASSERMANN: Positiva. 



Obs. XLVIIL— S. P.— Brasileiro, bran- 
co, 36 annos, solteiro, residente no Es- 
tado do Rio de Janeiro. Leishmaniose te- 
gumentar cutanea. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 

Obs. XLIX.— G. N. O.— Brasileiro, 
branco, 50 annos, casado, residente no 
Estado do Rio de Janeiro. Leishmaniose 
tegumentar mixta; syphilis terciari» 
Reacção de WASSERMANN: Positiva. 

Obs. L.— P. A.— Portuguez, branco, 
26 annos, solteiro, residente no Dis- 
tricto Federal, Leislimaniose tegumentar 
cutanea. Reacção de WASSERMANN: Ne: 
gativa. 

Obs. LL— A. G.— Brasileiro, branco, 
34 annos, solteiro, residente no Districto 
Federal. Leishmaniose tegumentar mix- 
ta. Reacção de WASSERMANN : Negativa. 

Obs. LIL— M. F. P.— Portuguez, 
40 annos, solteiro, residente no Estado 
do Rio de Janeiro. Leishmaniose tegu- 
mentar mixta; syphilis terciaria. Reac- 
ção de WASSERMANN: Positiva. 

Obs. LÎIL— P. A. C— Brasileiro, pre- 
to, 36 annos, casado, residente no Esta- 
do da Parahyba. Leishmaniose, tegumen- 
tar mixta; syphilis terciaria. Reacção de 
WASSERMANN : Positiva. 

Obs. LIV.— A. P. M.— Portuguez, 
branco, 40 annos, solteiro, residente no 
Estado de S. Paulo. Leishmaniose tegu- 
mentar mixta; syphilis terciaria. Reac- 
de WASSERMANN: Positiva. 

Obs. LV.— J. G.— Brasileiro, preto, 36 
annos, solteiro, residente no Estado d» 
Espirito Santo. Leishmaniose tegumon- 
tar cutanea. Reacção de WASSERMANN: 
Negativa. 

Obs. LVL— M. N.— Brasileiro, preto, 
24 annos, solteiro, residente no Estado 
do Paraná. Leishmaniose tegumentar 
cutanea. Reacção de WASSERMANN : iVc- 
gativa. 

Obs. LVIL— A. W. M.— Americano, 
branco, 38 annos, solteiro, sem residen- 
cia. Leishmaniose tegumentar cutanea^ 
Reacção de WASSERMANN: Negativa. 



218 



Obs. LVIIL— F. S. T.— Brasileiro, 
branco casado, residente no Estado da 
Bahia. Leishmaniose tegumentar cuta- 
nea. Syphilis. Reacção de WASSERM.\NN: 
Positiva. 

Obs. LIX.— P. A. O.— Brasileiro, pre- 
to, 34 annos, solteiro, residente no Es- 
tado de Matto Grosso. Leishmaniose te- 



gixmentar mixta; syphilis terciaria. Reac- 
ção de WASSERMANN: Positiva. 

Obs. LX.— M. E. F.— Brasileiro, pre- 
to, 31 annos, casado, residente no Esta* 
do de Minas Geraes. Leishmaniose tegit- 
mentar cutanea. Reacção de WASSER- 
MANN: Negativa. 



219 



Conclasões. 

O sôro sanguíneo de doentes de 
leishmaniose americana, sob qualquer 
das suas formas clinicas, cutanea, mu- 
cosa ou mista, não desvia o complemen- 
to em presença dos antigenos usualmente 
cnpregados na reacção de WASSER- 
MANN. 



Nos casos onde se encontram reac- 
ções de WASSERMANN positivas no so- 
ro sanguineo de doentes daquella moles- 
tia, existe a syphilis comciunitantemen- 
te. 



Contribuições para o conhecimento òa fauna l)elmmtolo« 

jica brasileira. XVII 

Gorgoderidae brasileiras 

por 
LAURO TRAVASSOS 

(Com as estampas 26—30) 



Em trabalho que apresentamos a 
Sociedade Brasileira de Scicncias, em 
Junho de 1920, passamos em revista as 
especies brasileiras da familia Gorgoderi- 
dae. 

Este trabalho, porém, não poude ser 
ilustrado e só em Janeiro de 1922 foi 
publicado no Brasil-Medico. 

Posteriormente a apresentação do 
referido trabalho obtivemos mais mate- 
rial e recebemos por gentileza do Dr. 
V. CLEAVE o trabalho de LINTON no 
qual este autor estabelece o genero Xys- 
tretum. Assim o trabalho que apresenta- 
mos agora é o anterior mais desenvolvi- 
do e completado além de bem ilustrado. 

A familia Gorgoderidae LOOSS, 1901, 
se caralerisa principalmente pelos vitcli- 
nos quasi sempre reunidos em duas mas- 
sas glandulares geralmente arredondadas, 
lobadas ou ramificadas e mais raramente 



em acnes; geralmente intra cecal, rara- 
mente cecal ou e\tra cecal. Os testiculos 
são em geral inlra-cecais, podendo ser 
cecais ou extra-cecais, podem ser cons- 
tituidos por duas massas glandulares re- 
dondas ou ramificadas ou por ura gran- 
de numero de glândulas dispostas enï 
cachos ou em série. O ovario redonda 
ou lobado é sempre pré-teslicular e pos- 
acelabular. A bolsa do cirrus ou nã» 
e.Kisle ou é rudimentar havendo rara- 
mente um cirrus protatil. 

O poro genital é mediano, pré-ace- 
tabular, bifurcai ou pós-bifurcal. 

Os cecuns sílo geralmente largos, 
longos ou curtos; o farinje é ausente 
ou rudimentar. O aparelho excretor co- 
nhecido em poucas especies é geralmen- 
te constituido por uma grande vesícula 
mais ou menos irregular, onde vém te 
abrir as lacunas coletoras. 



221 



Habitam a vesícula biliar ou urina- 



ria. 



Esta familia é constituida por 3 
sub-familias: Gorgoderinae, Anaporrhuti- 
nae e CaÜodistominae, destas aproxima- 
mos uma quarla Isoparorchinae, eni nos- 
so primeiro trabalho; verificamos mais 
tarde que esta ultima sub-familia deve 
fazer parte dos Hcmiuridae. 

Este grupo se aproxima de algum 
modo dos Zoogonidae, dos quais tem o 
aspeto geral e mesmo se aproxima mui- 
to por alguns géneros como o Lecithosia- 
philiim (fig. 17). 

Esta familia é até agora represen- 
tada no Brasil apenas por 4 especies, 
urna mencionada por DIESING, urna por 
BRAUN e duas por nós. É evidente po- 
rém, que pesquizas continuadas aumen- 
tarão muito esta lista. 

Nesle trabalho nosso seguiremos a 
orientação do antorior sobre o mesmo 
assunto: faremos uma chave geral de 
sub-farailias e géneros, daremos em se- 
guidas uma lista de especies cora a des- 
crição das especies brasileiras. 

A chave será elucidada por um es- 
quema demonstrativo dos diversos géne- 
ros e também dos géneros Isoparorchis 
(fig. 16) e Lecilhoslaphilum (fig. 17). 

Chave das sub-familius e géneros. 

1 — Vitelinos lobados ou redondos; 
tesliculos na area intracecal: 
Gorgoderinae. 
A — Corpo cilíndrico. 
B — 9 testículos: 

Gorgodera (Fíg. 10) 
B* — 2 testículos: 

Gorgoderina (Fíg. 11) 
A* — Corpo chato : 

C — Cecuns fusionados posterior- 
mente: 

Macia (Fig. 8) 
C — Cecum?, face abdominal com 
um disco saliente estriado: 
Xysíretum (Fig. 9) 



C" — Cecuns não fusionados poste- 
riormente: 

D — Vitelinos na zona ovariaua ou 
pós-ovariana : 

Catroptoides (Fíg. 7) 

D' — Vitelinos pré-ovarianos : 

Phyllodistomum (Fig. 6) 

II — Vitelinos ramificados ou enï 
cacho ; testicules intra ou extra- 
cecais: 

a — Tesliculos ramificados ou des- 
dobrados : 

Anaporrhutinae 
b — Testículos ramificados, na area 
cecal : 

Plesîochorus (Fig. .5)) 
b' — Testículos numerosos, na arca 

cecal ou extra-cecal: 
c. Vitelinos extra-cecais: 

Proboliírcma (Fig. 4) 
c'— Vitelinos intra-cccaís : 
d — Testículos na area cecal, intra 
e extra-cecal : 

Anaporrhufum (Fíg. 1) 
d' — Tesliculos na area extra-cecal: 
e — Testículos grandes, dois a tres 
de cada lado: 

Petalodistomum (Fíg.3) 
e' — Testículos pequenos, muito nu- 
merosos: 

Staphylorclüs (Fíg. 2) 
a* — Dois testículos redondos: 

Callodistominae. 
aa — Tesliculos extra-cecais : 

Callodistomum (Fíg. 12) 
aa' — Testículos intra-cecais : 
bb — Cecuns curtos; extremidade ce- 
fálica com conformação peca- 
liar : 
Thaumatocotyle (Fíg. 14) 
bb' — Cecuns longos, extremidade ce- 
fálica normal: 
ce — Corpo exlreito; vitelinos com 
poucos acnes: 

Cholepotes (Fig. 15) 
ce* — Corpo largo; vitelinos de nu- 
merosos acnes: 
Prosthenhystera (Fig. 13) 



222 



Lista das especies. 
Oorgoridae LOOSS, 1901. 
Gorgorinae LOOSS, 1899. 
Gorgoridera LOOSS, 1899. 



Gorgodera cygnoides (ZEDER, 1800) 

tipo. 
Gorgodera 
Gorgodera 
Gorgodera 

1905 
Gorgodera 

1905 
Gorgodera 

1912 
Gorgodera 
Gorgodera 



amplicava LOOSS, 1899. 
loossi SSINITZIN, 1905. 
pagenstecheri SSINITZIN, 

varsoviensis SSINITZIN, 

australiensis JOHNSTON, 

minima CORT, 1912. 
circaua GUBERLET, 1920. 



Gorgoriderina LOOSS, 1902 

Gorgoderina simplex (LOOSS, 1899) 

tipo. 
Gorgoderina vitellilobata (OLSSON, 

1876). 
Gorgoderina translúcida (STAF- 
FORD, 1902), 
Gorgoderina opaca (STAFFORD, 

1902). 
Gorgoderina attenuata (STAFFORD, 

1902). 
Gorgoderina parvicava TRAVASSOS, 

1920. (Fig. 18-20). 
Comprimento: 6 a 11 mm.; largura 
1 a 2 mm. Corpo fusiforme, atenuado 
para as extremidades, quando vivo de 
côr rosea; cuticula lisa, sem espinhos; 
ventosa oral grande, forte, subterminal, 
mede cerca de 0,47 a 0,70 mm. de diâ- 
metro nos exemplares comprimidos; fa- 
rinje ausente; esófago em forma de Y, 
pouco musculoso, mede cerca de 0,17 a 
0,47 mm. de comprimento; cecos lar- 
gos, estendendo-se até perto da extremi- 
dade posterior do corpo; acetabulum 
musculoso, pequeno, mede cerca de 0,31 
a 0,56 mm. de diâmetro; poro genital 
mediano, abaixo da bifurcação esofa- 
jiana; bolsa do cirrus ausente, existe 



um longo canal de paredes pouco níti- 
das, canal ejaculador, que comunica a 
vesícula seminal, situada na rejião dor- 
sal, com o atrium; vesícula genital de 
paredes pouco diferenciadas, pouco vo- 
lumosa, o canal ejaculador mede mais 
ou menos 0,78 mm. de comprimento; 
testículos afastados um do outro, intra- 
cecais, dorsais, elipsoides, medem res- 
pectivamente cerca de 0,52 a 0,87 mm. 
por 0,31 a 0,71 mm. o anterior, e 0,61 a 
1 mm. por 0,31 a 0,78 mm. o posterior; 
ovario elipsoide, pré-testicular, em par- 
te no campo testicular, pos-acetabular, 
com a zona em contacto com a dos víte- 
linos, mede cerca de 0,45 a 0,64 mm. 
de comprimento por 0,26 a 0,43 mm. 
de largura maxima; vitelinos elipsoi- 
des, de contorno regular, pré-ovaríanos, 
abaixo da glândula da casca, medem 
cerca de 0,28 a 0,40 mm. de comprimen- 
to por 0,14 a 0,28 mm. de largura maxi- 
ma, comunicam-se com a glândula da 
casca por um curto canal em forma de 
Y; glândula da casca acima da zona dos 
vitelinos e abaixo da zona acetabular, 
mede cerca de 0,15 a 0,26 mm. de com- 
primento por 0,08 a 0,17 mm. de largu- 
ra maxima; utero com numerosas alças 
ocupando toda a porção do corpo pos- 
ovariana, quer na area extra, quer na in- 
tracecal; acima do ovario as alças uterinas 
tornam-se volumosas e repletas de ovos 
maduros até pouco acima da zona ace- 
tabular onde diminuem de diâmetro para 
constituir mna vajina pouco musculosa 
que se abre em ura curto atrium; ovos 
com cerca de 0,039 a 0,042 mm. de com- 
primento por 0,028 mm. de maior lar- 
gura. 

Habitat: Vesícula urinaria de LeptO' 
dactglus ocelatus. 

Prov. Manguínhos, Angra dos Reis, 
São Paulo (Instituto Bacteriolojíco). Es- 
ta especie encontrámos em Manguinhos 
parasitando rãs não muito frequentemen- 
te, mas por vezes em grande numero. 
Em Angra dos Reis, encontrámos uma 



223 



vez niunerosos exemplares sendo alguns 
de dimensões muito grandes. Em material 
que nos foi enviado do Instituto Bac- 
teriolojico de S. Paulo, colecionado pelo 
Dr. A. LUTZ, encontrámos também exem- 
plares desta especie com o rotulo: Dis- 
toma cygnoidcs. E' também a esta espe- 
cie que se deve identificar o Pleorchis 
cygnoides GALLI VALERI, 1909. 

Distingue-se a especie brasileira de 
todas as outras do genero pela dimen- 
são reduzida do acetabulum relativamen- 
te a ventosa oral. 



Cutícula e corpo: A cuticula é 
desprovida de espinhos. A musculatura 
do corpo é fraca, lijeiramente mais con- 
densada junto a cuticula sendo a por- 
ção interna constituida por uma rede 
de fibrilas de malhas muito largas on- 
de se encontram grandes células. O ace- 
tabulum é constituido por fibrilas muito 
afastadas e pouco diferenciadas. 

Aparelho dij estivo. A ventosa oral 
é forte com fibras radiais e algumas 
anulares, tem estrutura forte mas amus- 
mulatura não é exajerada. Segue-se ime- 
diatamente o esófago, absolutamente sem 
farinje. É sinuoso e curto. 

Em torno do esófago existem algu- 
mas células grandes, piriformes que pro- 
vavelmente tem função glandular. 

O revestimento interno do esófago 
é forte, bastante espessot e a porção mus- 
cular da parede relativamente delga- 
da. O intestino é continuação do esófa- 
go sem trasição nitida e apresenta re- 
vestimento interno mais delgado que 
este. 

Aparelho reprodutor: O poro ge- 
nital da entrada a lun curto vestíbulo 
ou atrium genital onde se abrem os ca- 
nais macho e fêmea sendo o macho an- 
terior e o fêmea posterior. O canal ma- 
cho (fig. 19). conduz a imi reservatório 
de espermatozoides situado dorsalmente, 
é de paredes fracas e de direção ventro- 



dorsal e é guarnecido externamente por 
muitas glândulas prostaticas. O reser- 
vatório de espermatozoides tem paredes 
muito delgadas, quasi nulas; apresenta 
uma abertura antero-ventral que comu- 
nica com o canal ejaculador e outra 
postero dorsal comunicando com o ca- 
nal deferente, inicialmente único, mas 
bifurcando-se para ir aos testículos. 

Os canais deferentes são muito del- 
gados e de luz pequena. Dirijem-se de 
diante para traz dorsalmente as alças 
uterinas e chegam aos testículos pela 
face anterior. 

Os testículos são envolvidos por 
uma membrana delgada e tem a estru- 
tura peculiar ao testículo dos trema- 
todeos. Nos individuos mais novos ha 
um grande numero de células em toda a 
massa testicular, nos individuos velhos 
as células da porção central acham-se 
todas transformadas em espermatozoides 
e as da periferia ainda estão nas divisões 
iniciais. 

O ovario tem a estrutura peculiar, 
dele parte um ovíduto que se reúne aos 
vitelodutos na glândula da casca. O ovi- 
duto é muito curto e é seguido do utero 
sem transição nítida. O utero tem as pri- 
meiras porções de paredes espessas e 
calibre pequeno, adiante porém, torna- 
se de paredes delgadas e calibre grosso 
(fig. 19) É muito sinuoso e primeiramen- 
te díríje-se para a face dorsal até a 
vísínhança da cuticula, dirije-se em se- 
guida para a extremidade posterior por 
um lado do parasito, formando muitas 
alças, até atinjir a extremidade poste- 
rior. Dai caminha para a extremidade 
anterior ocupando o lado oposto ao que 
se dirije para traz e também a face ven- 
tral. Ao nivel do acetabuliun forma gran- 
des alças muito largas e do acetabulum 
para diante diminue progressivamente até 
se transformar em uma vajína (Fig. 19) 
de paredes relativamente espessas e guar- 
necidas exteriormente de glândulas uni- 
celularis piriformis. A vajina termina 



224 



no atrium posteriormente á abertura d. 

Não observamos canal de Laurer 
nem reservatório seminal femeo. 

Aparelho excretor: A vesícula é tu- 
bular e única, de calibre relativamente 
pequeno. Dirije-se de traz para diante 
dorsalmente as alças uterinas. 

Resumindo temos que este parasito 
se caractérisa por uma extrutura pouco 
musculosa e pelo grande desenvolvimen- 
to uterino. 

Não obstante o parentesco eviden- 
te entre os géneros Gorgodera e Gorgode- 
rina não temos duvidas relativamente a 
nitida caraterisação pelo diferenle nu- 
mero de testículos, sempre constante e 
sem formas intermediarias, não obstante 
os múltiplos tesliculos do genero Gorgo- 
dera poderem ser considerados como 
testiculos lobados visto sna distribuição 
cm série. 

Phyllodistomum BRAUN, 1899. 

V. folium (OLFERS, 1816) tipo. 

P, conostomum (OLSSON, 1876). 

/». palellare (STURGES, 1897). 

P. accepinm LOOSS, 1901. 

P. uniciim ODIINER, 1902. 

P. linguale ODHNER, 1902. 

P. amcricanum OSBORN, 1903. 

P. siiperbiim STAFFORD, 1904. 

Catroptoides ODHNER, 1502 in LOOSS. 

Catroptoides spatula (ODHNER, 
1902) tipo. 

Catroptoides spatuliformis (ODH- 
NER, 1902). 

Catroptoides macrocotyle LUHE, 
1909. 

Catroptoides angulatiis (V. LINS- 
TOW, 1907.) 

Macia TRAV., 1920. 

Corpo chato com xmi segmento cóni- 
co anterior, pré-acetabular e lun poste- 
rior, circular. Ventosa oral grande, cir- 
cular; acetabulum pré-equatorial ; farin- 
Je ausente; cecos fusionados; poro geni- 



tal mediano, abaixo da bifurcação esofa- 
jiana; tesliculos lobados, equatoriais, com 
zonas coincidindo e campos afastados; 
ovario no campo de um dos testículos, 
zona em conisto com a dos tesliculos; vite- 
linos lobados profundamente, na zona ova- 
riana, campos separados, para dentro dos 
campos testiculares ou em parte nos 
campos testiculares; disco ventral estria-' 
do ausente. 

Habitat: Vesícula urinaria de peixes. 

Especie tipo: M. magna (MAC GAL- 
LUN, 1917). 

Outras especies. M. aluterae (MAC 
CAIXUN, 1917). 

Macia pulchra TRAV., 1920. 

(Fig. 21 e 23). 

Comprimento: 4,5 mm. largura 3 mm. 

Corpo cbalo, delicado, em fórraa de 
viola, isto é, a porção posterior é mais 
ou menos circular e a porção anterior 
cónica e estreita; cutícula sem espinhos; 
ventosa oral, forte, menor que o aceta- 
bulum, mede cerca de 0,49 mm. de diâ- 
metro; pharinje ausente; esófago sinuo- 
so, largo, mede cerca de 0,24 mm; ce- 
cos unidos na extremidade posterior, 
de grossura uniforme, de cerca de 0,21 
mm. de largura; acetabulum forte pre- 
equatorial, mede cerca de 0,71 mm. fica 
no ponto de separação da porção anterior 
cónica e da posterior circular; poro ge- 
nital logo atraz da bifurcação intestinal; 
bolsa do cirrus com cerca de 0,31 mm. 
de comprimento, musculosa e com vesí- 
cula seminal pequena; testiculos loba- 
dos e elipsoides, transversais, medem 
0,38 por 0,29 mm. e 0,43 por 0,22 mm. 
post-equatoriais, zonas coincidindo, cam- 
pos afastados; ovario redondo com 0,21 
mm. de diâmetro, zona em contato comi 
a zona testicular, campo coincidindo com 
o do testículo esquerdo; vitelinos equa- 
toriais constituidos por 3 a 4 lobos diji- 
tiformis, medem mais ou menos 0,31 
por 0,12 e 0,28 por 0,08 mm. com os 
campos próximos, e situados para dentro 



225 



dos campos testiculares, zonas coinci- 
dindo, acima e em contato com a zona 
ovariana; utero na area intra-cecal e 
post-acetabular; ovos de dimensões mui- 
variaveis, havendo alguns muito peque- 
nos, uão obstante parecerem perfeitos, 
medem, os maiores cerca de 0,051 a 
0,57 mm. poor 0,028 a 0,034 mm. de 
largura maxima, os menores medem até 
0,026 mm. de comprimento por 0,015 
mm. de largura maxima; poro excre- 
sub-terminal; vesicula excretora cilindri- 
ca, reta. 

Habitat: Vesicula urinaria de Balacú- 
Spheroides testudineus (L.) 

Proveniencia: Manguinhos. 

Esta especie é relativamente comum 
nos «baiacus» da bahia do Rio de Janei- 
ro. Aproxima-se bastante das especies 
descritas por MAC CALLUM. Em lun 
exemplar notamos urna anomalia por 
supressão de um dos testículos (Fig. 
21). É especie muito delicada e tem, 
em vida, o corpo translúcido mais pou- 
co transparente. Não obstante examinar- 
mos algumas dezenas de exemplares nun- 
ca observamos separação dos cecos ape- 
zar de em alguns exemplares não serem 
facimente visíveis sem auxilio de artifi- 
cios de técnica, mas isto devido a pou- 
ca transparencia do parasito. Notamos 
também uma grande variação das di- 
mensões dos ovos, mesmo em ovos cora 
toda a aparência de fecimdados. 

Nesta especie póde-se observar, em 
exemplares muito transparentes imi lijeiro 
inicio de estriação semelhante ao refe- 
rido para o genero Xystretum sobre cujo 
valor sistemático discutiremos quando 
tratarmos deste genero. 

Xystretum LINTON, 1910. 

LINTON define este genero do mo- 
do seguinte: 

Pescoço cilindrico, corpo sub-orbi- 
cular e com marjens delgadas e com a 
porção central espessa e sulcada por nu- 
merosas estrias transversais pouco sa- 



lientes; testículos opostos, pós-acetabu- 
lares, ovario prétesticular; vilelinos me~ 
dianos, abaixo do acetabulum e adiante 
dos testículos; utero abaixo dos testícu- 
los; abertura genital mediana; abaixo 
da ventosa oral; farinje ausente; extre- 
midades posteriores do intestino aproxi- 
madas mas não se podendo saber 
se fusionados ou não. 

O autor não menciona especialmente 
um tipo mas deve ser considerado o X. 
solidam LINTON, 1910, descrito ante- 
riormente como Distomum sp. Em se- 
guida este autor descreve com o nome 
de X. papillosum uma outra especie na 
qual como na primeira não poude ver 
se havia ou não fusão intestinal. Em 
ambas as especies o disco ventral é 
muito distinto. 

O X. papillosum apresenta curiosag 
formações cuticulares que LÍNTON cha- 
mou de espinhos; . Papular spines cover 
the neck and body and line the cavities 
of the suckers». Nós parece que este 
dispositivo particular bastaria para ca- 
racterizar um genero. 

Quando, em 1920, apresentamos d 
nosso primeiro trabalho sobre este gru- 
po de parásitos ainda não tínhamos con- 
seguido obter o trabalho de LINTON. 
Por este trabalho verificamos que o nos- 
so genero Macia muito se aproxima de 
Xystretum, não só pela provável fusão dos 
cecos como pela existencia em M. put- 
chra de um vestijio de estriação na fa- 
ce ventral, vestijio representado por 5 
a 4 linhas situadas de cada lado, lógo 
abaixo do acetabulum, com inicio na 
marjem do corpo e que desaparecem 
lógo adiante. Aliás em nada confundível 
cora a formação descrita por LINTON. 
Infelizmente a especie tipo do genero 
Xystretum é descrita e represantada de 
modo insuficiente. 

Quanto a X. papillosum, bem descri- 
to e representado é perfeitamente jus- 
tificável a diferença genérica. 

Na falta de bôa figura do X solidam 



226 



liramos nossas ilustrações do X. papillo- 
sum (Fig. 22). 

O genero Xystretum tem as seguin- 
tes especies: 

X. solidum LINTON, 1910. tipo. 

X. papillosum LINTON, 1810. 

Anaporrhutinae LOOSS, 1901. 
Anaporrhutum OFENHEIM, 1900. 

A. albidum BRANDS, 1900. Tipo. 
A. largnm LUHE, 1906. 

Petalodistomum JOHNSTON, 1913. 

P, polycladum JOHNSTON, 1913. 

Staphylorchis TRAV., 1920. 

Anaporrhutinae; corpo chalo, largo; 
farinje presente; cecos sinuosos sem 
diverticulos; vitelinos intra-cecais; tes- 
tículos extra-cecais, muito pequenos e 
numerosos. 

Esp. tipo. S. cymatodes (JOHNS- 
TON, 1913\ 

Habitat: Na cavidade geral de raias, 
Australia. 

Esta especie foi incluida por JOHNS- 
TON em seu genero Petalodistomum. Jul- 
gamos conveniente a separação em gene- 
ro a parte pois se aproxima mais do 
genero Anaporrhutum que de Petalodis- 
tomum. 

A disposição dos cecos e dos testí- 
culos nos parece bastante para carac- 
ter ísar ura genero a parte. Menor dife- 
rença existe entre Phylodistomum e Ca- 
troptroides e entre Gorgodera e Gorgode- 
rina, 

Probolitrema LOOSS, 1902. 

P. ricchiardii (LOPEZ, 1888). Tipo. 
P. capense LOOSS, 1902. 

Plesiochorus LOOSS, 1801. 

P.cgmbiformis (RUDOLPHI, 1819) 
Tipo. 



Callodistominae ODHNER, 1911. 

Callodistomum ODHNER, 1902. 

Callodistomum diaphanum ODH-^ 
NER, 1902. 

Prosthenhystera TRAV., 1920. 

Callodistominae; ventosa oral sub- 
terminal; farinje muito reduzido; ce- 
cos longos, delgados, pouco sinuosos; 
bolsa do cirrus presente com pequena 
vesícula seminal não circunvolula; tes- 
tículos na area intra-cecal, equatoriais, 
simelricos; ovario pre-testicular, pos-ace- 
tabular; vitelinos pré-ovarianos, na area 
intra e extra-cecal; utero ocupando toda 
a eslensão do corpo abaixo do poro ge- 
nital e invadindo a area extra-cecal ao 
lado do esófago até a zona da ventosa 
oral; vesícula excretora alongada, am- 
pia; ovos com nítida mancha escura em 
forma de 8. 

Esp. tipo.: P. obesa (DIESING, 1850). 

Habitat: Vesícula hepática de Sal 
monideos do vale de Prata e do S. Fran- 
cisco. Este genero se aproxima muito do 
Callodistomum do qual se distingue pela 
posição intra-cecal dos testículos, pelo 
intestino menos largo e não sinuoso e 
pela posição do utero que invade dor- 
salmente todo o corpo deixando livre 
apenas uma pequena area em torno do 
esófago. 

P. obesa (DIESINO, 1850). 

(Flg. 13, 24, 26, 30-32). 

Sin: Distomum obesum DIESING, 

1850 a p. 361 
Distomum obesum DIESING, 1855 

p. 67. pi. 111. fig. 11-13. 
Distomum obesum DIESING, 1858e. 

p. 341. 
Distomum obesum COB BOLD, 1860a. 

p. 24. 
Distomum obesum CO BB OLD, 1879b, 

p. 458. 
Distomum obesum STOSSICH, 1886. 

p. 53. 



227 



Dístomiim obesum ODHNER, 1902. 
p. 152. 

Posthenhystera obesa TRAVASSOS, 
1920 Soc. Bras, de Sc. (Braz. 
Med. Ann. 36, p. 19 (1922). 

Comprimenlo : 14 mm. (3 a 7 mm. 
DIESING,); largura 8 mm. (2 a 5 mm. 
DIESING,). Corpo elipsoide chato; ven- 
tosa oral subterminal, forte, mede cer- 
ca de 1 a 1,2 mm. de diámetro; farinje 
muito pequeno, mede cerca de 0,34 mm.; 
esófago delgado com cerca de 1,3 mm. 
de comprimento; cecos estreitos, pouco 
sinuosos, são mais largos do que o esó- 
fago até a zona acetabular, dai em dian- 
te mais estreitos; acetabulum pré-equa- 
torial, forte mais ou menos do tamanho 
da ventosa oral, mede cerca de 0,95 a 
1,3 mm. de diâmetro; poro genital me- 
diano, logo abaixo da bifurcação do esó- 
fago; bolsa do cirrus constituída por 
um núcleo musculoso, alipsoide atraves- 
sado no sentido antero-posterior por 
um canal estreito tendo no terço poste- 
rior uma dilatação que constitue a vesí- 
cula seminal, parece não haver penis, 
mede cerca de 0,6 a 1 mm. de largura 
por 1,1 a 1,8 mm. de comprimento; tes- 
tículos relativamente pequenos, redon- 
dos, na area intra-cecal e as vezes em 
parte na area cecal, equatoriais, com as 
zonas coincidindo e em contato com 
a do ovario, campos afastados, e em 
contato com o campo ovariano, medem 
cerca de 0,60 a 0,78 mm. por 0,52 a 
0,59 mm.; ovario redondo, pré-testicular 
com a zona pouco afastada da zona 
acetabular, com o campo era contato 
com o do acetabuliun, mede 0,87 por 
1, mm.; vesícula seminal presente, 
na zona ovariana; vitelinos dispostos 
em dois semicírculos abraçando o ace- 
tabulum, começam na zona ovariana e 
terminam na da bolsa do cirrus e na 
area intra-cecal e terminam na extra-ce- 
cal, são constituidos por grupamentos 
de acnes pequenos; glândula da casca 
pos-ovariana; utero com grandes desen- 
Moivimento, ocupa toda a porção do 



corpo pos-acetabular, na area intra-cecal 
e pré-acetabular encontram-se grandesi 
e largas alças com ovos maduros, na 
area extra-cecal encontram-se alças 
muito acima dos vitelinos, onde 
são menos numerosas, e atinjem a zona 
da ventosa oral; ovos elipsoides, sem 
opérenlo aparente e tendo no interior 
uma grande mancha escura de contorno 
irregular em forma de 8 ou de V, me- 
dem cerca de 0,063 a 0,070 mm. de 
comprimenlo por 0,035 -. a 0,049 mm, 
de maior largura; vesícula excretora 
alongada, ampla e em Y de ramos muito 
curtos. 

Habitat: Vesícula hepática de: Sal- 
minns brevidens (Dourado.) Lcporimus 
fridcrici, Xephostoma cuviere, menciona- 
dos por DIESING; Salminus brevidens^ 
Leporinus sp. (Píaú). 

O material de DIESING foi colecío- 
nado por NATTERER em Matto-Grosso. 
O nosso material consta de: 3 exem- 
plares sendo lun completamente esma- 
gado e outro também bastante estragado 
e um em bom estado. O primeiro e o 
ultimo, foram colhidos era Dourado e 
são muito maiores e o outro em Piau. 
Foram colecionados em Porto Tibiriçá 
pelos Drs. LUTZ, FONSECA & ARAÚJO. 
Temos também abundante material de 
Dourado colhido em Lassance, Minas- 
Geraes, graças ao qual podemos fazer a 
descrição anatómica abaixo. Recentemen- 
te capturamos dois grandes e belos 
exemplares em S. brevidens no rio Gaya- 
ba— Matto Grosso. 

Cutícula e musculatura: A cutícula 
é desguarnecida de espinhos e relati- 
vamente grossa; na face ventral a cuti- 
cula é sensivelmente mais grossa que 
que na face dorsal. A musculatura do 
corpo é forte, porém não muito. Existe 
logo abaixo da cutícula uma camada 
de fibras musculares lonjítudinaís e 
abaixo desta uma transversal. Destas fi- 
bras partem prolongamentos para o in- 



228 



tcrior do corpo onde as vezes formam 
feixes grossos. 

A musculatura da ventosa é forte 
sendo a maioria das fibrillas radiais. 
Existem também revestimento muscular 
nas porções terminais dos condutos ge- 
sitais. 

Aparelho dij estivo: A ventosa oral 
não é forte e é seguida emediatamente 
pelo farinje esférico e pouco desenvol- 
vido. 

Tem interiormente um revestimento 
muito forte. 

O esófago é delgado, tem ima revesti- 
mento muito forte no interior e exterior- 
mente fibrilas musculares e numerosas 
células grandes que parece terem função 
glandular. Logo em seguida a bifurcação 
esofajiana ficam os cecos que são del- 
gados. Suas paredes distinguem-se das do 
esófago pela ausencia das células exte- 
riores e pela cutícula interna muito mais 
grossa e formando numerosas pregas 
papilares. 

Aparelho reprodutor: Os testículos 
situados lateralmente estão mais ou me- 
nos na mesma zona, de cada um deles 
parle um canal que se dirijo obliquamen- 
te de fora para dentro e de traz para 
diante até se encontrarem pouco adiante 
da area acetabular onde se reúnem e pe- 
netram pela porção posterior da bolsa 
do cirrus, 

A bolsa do cirrus é lun órgão saci- 
forme de paredes muito espessas e que 
realmente não é uma bolsa de cirrus 
sendo apenas lun órgão homologo a 
este. 

É piriforme tendo a dilatação maior 
dirijida para traz e onde se encontra 
luna ampla cavidade repleta de esperma- 
tozoides, constituindo uma vesícula se- 
minal macho, esta vesícula se comunica 
posteriormente com o canal deferente e 
anteriormente se prolonga em um forte 
canal ejaculador situado no pólo delgado 
da bolsa. Este canal é sinuoso e de 
paredes musculosas sendo interiormente 
^revestido por forte cutícula que é pro- 



longamento da cutícula externa. Ao sair 
da bolsa o canal ejaculador une-se á 
vajina constituindo um canal único ou 
atrium de cerca de 160 micra de com- 
primento por 60 micra de largura. Eote 
atrium tem como o canal ejaculador 
uma forte cutícula que é continuação 
da cutícula externa. Não ha um cirrus 
protatil. Difere este dispositivo do da 
Gorgoderina parvicava apenas pela maior 
musculatura. 

A vajina que tem orijem no atrium, 
é de extrutura muito semelhante ao ca- 
nal deferente. Dirije-se para traz ventral- 
mente a bolsa do cirrus dando varias 
curvas para, alargando-se, constituir o 
utero. As primeiras alças uterinas fi- 
cam na area intra-cecal, são grandes e 
de paredes mais fortes, as ultimas ocu- 
pam toda a area do corpo, intra e extra 
cecal, atinjindo a zona farinjeana. só 
não invadindo o campo da ventosa ora4 
até a bifurcação esofajiana. Suas pare- 
des são delgadas e fracas. 

As alças uterinas ocupam toda a 
area do corpo mas só na face ventral (fig. 
31 e 32) ficando a face dorsal ocupada por 
um parenquima frouxo e pela vesícula ex- 
cretora. O ovário fica situado mediana- 
mente e geralmente é bem menor que 
os testículos. Ao seu lado fica uma ve- 
sícula seminal, bem menor que ele, e a 
glândula da casca. Existe um canal de 
LAURER que se abre dorsalmente na 
zona ovariana. 

Os vitelinos constituidos por grupa- 
mento bem separados de folículos glan- 
dulares tem a extrutura comum, ocupam 
uma faixa oblíqua que vae da zona testi- 
cular até acima da zona acetabular ini- 
cialmente na area intra-cecal termina 
na area extra cecal. O canal excretor é 
dirijido de fora para dentro e de diante 
para traz. 

Aparelho excretor: A vesícula excre- 
tora é constituida por uma grande cavi- 
dade dobrada sobre si de modo a suas 
paredes formarem pregas. Esta cavida- 
de se estende medianamente até a zona 



229 



ovariana e apresenta na porção mais 
anterior diveríiculos. Suas paredes são 
íortes e guarnecidas de algumas fibras 
musculares. 

Cholepotes ODHNER, 1911. 

C. ouofarcius (ODHNER, 1902). 

Thaumarhocotyle ODHNER, 1911. 

Callodisíominae de cecos curtos; vi- 
íelinos de poucos acnes, pré-testiculares; 
testicules intra-cecais, de campos afas- 
tados e de zonas coincidindo em parte, 
pos-acetabulares e pré-equatoriais; ova- 
rio no campo do testículo posterior e 
na zona do antreior; extremidade ante- 
rior com conformação peculiar. 

Especie única: T. pulvinaf a (BB. WJN, 
1899). 

O nome genérico é ocupado por 
SCOTT, 1904. Neste sentido escrevemos a 
ODHNER, mas ainda não recebemos res- 
posta—Acreditamos contudo já tenha si- 
do mudado. 

Thaumarhocotyle pulvinata (BRAUN., 

1899). 

(Figs. 14, 25, 27—29). 

Sin: Distomnm pulvinatum BRAUN, 

1899 e, p. 630. 
Disíomam pulvinatum BRAUN, 1901, 

a, p. 21. fig. 18. 
Distomnm pulvinatum ODHNER, 

1902. p. 153. 
Thanmaiocotyle pulvinata ODHNER, 
1911. Swedish. Zool. Esp. p. 
20. test. f. a— d. 
Comprimento: 4 mm. 
Largura: 0,9 mm. 
Corpo achatado, com a extremidade 
anterior alargada e de confonnação pe- 
culiar; extremidade posterior acumina- 
da; cutícula sem espinhos. 

A extremidade anterior apresenta, 
ventralmente, a ventosa oral, forte, sub- 
terminal, e dorsal e lateralmente duas 
formações musculares simétricas. 

Estas formações (Fig. 27 e 28) são 



representadas por saliências musculares 
lendo orijem nos bordos do corpo ao 
nivel do limite inferior da ventosa e 
dirijidas para traz e para diante (Fig. 
27), curvas, de concavidade anterior e 
que se reúnem na face dorsal (Fig. 
28). Estas formações limitam, de cada la- 
do, em sua concavidade, ura espaço simu- 
lando pseudo ventosa, feixado anterior- 
mente pela ventosa oral e uma salien- 
rai!scular existente junto ao bordo desta, 
interpretados por ODHNER como órgão 
de fixação. 

A ventosa oral mede de diâmetro 
cerca de 0,47 mm. Acetabulum pré-qua- 
torial, transversalmente alongado, mede 
de diâmetro 0,4.5 e 0,50 mm. 

Farinje relativamente pequeno, logo 
em seguida a ventosa oral, mede 0,1 
mm.; esófago duas ou tres ve:^ps mais 
longo que o farinje; cecos curtos, ape- 
nas ultrapassando o equador do corpo; 
Poro genital mediano, pré-acetabular; 
bolsa do cirrus pré-acetabu!nr, tendo no 
interior uma vesícula seminal tubular, 
uma pars prostatica era forma de vesí- 
cula e ura cirrus muito curto e fino; 
testículos esféricos, de campos afastados 
e zonas em parte coincidindo, pré- 
equaíoriais e logo abaixo da zona aceta- 
bular; canais deferentes as vezes muito 
nítidos; ovario elitico, no campo do tes- 
tículo direito, tendo a zona em contato 
com a do testículo do mesmo lado e 
coincidindo com a do testículo do lado 
oposto; víteíinos constituidos por 8 a 9 
folículos situados desde a zona acetabu- 
lar até a zona ovariana, na area cecal 
e intra-cecal; os folículos são providos 
de canais excretores muito nítidos que se 
reúnem em dois troncos transversais que 
terminam em um reservatório mediano; 
vesícula seminal pequena, atraz do 
acetabulum; utero constituido por imia 
porção decendente e outra acendenteque 
se entrecruzam na linha mediana, inter- 
cecal na porção onde existem os cecos, 
e posteriormente a estes estendem-se até 
a marjem do corpo. 



230 



Ovos elipsoides, de casca fina e por- 
tadores de miracidium provido de forte 
mancha ocular (Fig. 29), medem 0,041 
mm. de comprimento por 0,023 mm. de 
largura maxima; os miracideos dos ovos 
da porção terminal do utero já estão 
livres. 

Vesicula excretora tubular e atin- 
Jindo o testículo anterior, 

Habitat: Tartarugas fluviais do Ama- 
zonas. 

Esta especie descrita primeiramente 
por BRAUN, que a representou em 1901, 
foi mais tarde estudada por ODHNER 
que corrijio a descrição da extremidade 
anterior e descreveu a bolsa do cirrus 
e a vesicula excretora, estabelecendo pa- 
ra ela novo genero incluindo na sub-fa- 
snilia Callodistominae. 

A nossa descrição é tirada das de 
IBRAUN e ODHNER bem como as figu- 
ras. A localisação nos hospedadores nem 
os nomes científicos destes foram refe- 
ridos no material. 

Nota. 

Isoparorchinae TRAV., 1920. 

Corpo ovoide: cecos sinuosos; poro 
^nital mediano, pré-acetabular; ace- 
iabulum pré-equatorial ; testiculos redon- 
dos, logo abaixo da lona acetabular, pré- 



ovarianos; ovario cilindrico pós-equafo-* 
rial, pós-uterino ; utero com poucas e del-^ 
gadas alças; vetielinos ramificados pós- 
o varíanos, intra-cecal e extra-cecal; ve 
sicula excretora com dois ramos que 
acompanham os cecos. 

Genero único : Isoparorchis SOUTHE- 
WELL, 1914. 

Habitat: Peixes da Asia. 

Este genero é sinonimo de Leptole- 
citlium KOBAYASHI, 1915. 

O trabalho primitivo de KOBAYAS- 
HI é um japonez, mas posteriormente 
foi pub 'içado em inglez no c Parasito- 
logy » permitindo uma completa iden- 
tificação dos géneros. 

Este genero tem o aspeto dos Callo- 
distominae mas a curiosa disposição e 
forma do ovario, bem como a posição 
do vitelino demonstra ser um Hemuiri- 
dae; quanto a vesicula excretora parece- 
nos ter SOUTHEWELL considerado co- 
mo fazendo parte dela as duas principais 
lacunas. 

/. trisimilitubis SOUTHEWELL, 1941 
(tipo). 

1. eurytrema (KOBAYASHI, 1915) 

Referimos aqui esta nota por termos 
em nosso trabalho anterior feito refe- 
rencia a esta sub-familia como fazendo^ 
parle dos Gorgoderidae. 



231 



Explicação das figuras. 

Est. 26. 

Fig. 1— Eschema de Anaporrhutum 

2— Eschema de Staphylorchis. 

3— Eschema de Petalodistomiim. 

4— Eschema de Probolitrema. 

5— Eschema de Plesiochorus. 

6— Eschema de Phyllodistomimi. 

7— Eschema de Caloptroides. 

8— Eschema de Hacía. 

9— Eschema de Xystretum. 
10— Eschema de Gorgoderina. 
11— Eschema de Gordera. 
12— Eschema de Callodistomum. 
13— Eschema de Prosthenhystera. 
11— Eschema de Thaumatocotyle. 
15— Eschema de Cholepotes. 
16— Eschema de Isoparorchis. 
17- Eschema de Lecithostaphl- 
lum. 

Est. 27 

Fig. 18— Gorg. parvicava—totul. 

« 19— Gorg. parvicava — porção an- 
terior, 

« 20— Gorg. parvicava — vitelinos e 
gland, da casca. 

« 21— Macia pulchra — exemplar anó- 
malo com um só testí- 
culo. 

« 22— Xgstrefum papillosum— seg. 
LINTON. 

Est. 28 

Fig. 23— Macia pulchra— total. (A es- 
cala corresponde a 
1 mm.) 

« 2i—Prosthenhístera obesa tota/. 
(A escala corresponde a 
1 mm.) 

« 25 — Thaumatocotyle pulv inata — 
seg. BRAUN. 

« 20— Prosthenhystera obenta — 



ovos. (A escala corres- 
ponte a 0,1 mm.) 

f 21—Thavm. pulvinata—seg. ODH- 
NER, face lateral. 

« 28— Idem face dorsal. 

« 29— Idem ovo seg. ODHNER. 

Est. 29. 

Fig. SO—Prosth. obesa—Córte lonji- 
tudinal mostrando â 
bolsa do cirrus, vesícu- 
la seminal e a abertura 
genital com a confluen- 
cia da vajina e do ca- 
nal macho. Ve-se tam- 
bém uma seção obliqua 
do intestino. 

Fig. 31 P. obesa—Córte lonjitudinal 
vendo-se seções do ute- 
ro, vesícula seminal fê- 
mea, canal de Laurer, 
vesícula excretora e um« 
parle do acetabulum. 

Est 30. 

Fig. S2—Prosíh. obesa— Cóvte lonjitu- 
dinal veutro dorsal mos- 
trando numerosas seçOes 
uterinas dispostas late- 
ralmente e ventralmente 
ut); bolsa do cirrus (b. 
cir.) e abertura dos ca- 
nais deferentes (c.d.) 
vendo-se no interior a 
vesícula seminal (o. s.ji 
segmentos do intestina 
(int.) alguns acnes dos 
vitelinos extra e intra- 
cecais (vil.); vesícula se- 
minal fêmea (^recj; glân- 
dula da casca (gl. c); 
canal de Laurer (c. l.).; 
ovario (ov.) e vesícula 
excretora (v. eacr.) 



232 



BKAUN, 



BRAUN, 


1901- 


COBBOLD, 


1860 


COBBOLD, 


1879- 


CORT, 


1912- 


DIESING, 


1850 


DIESING, 


1855- 


DIESING, 


1858- 


GALLI-VALERIO, 


1909- 


GUBERLET, 


1920- 


JOHNSTON, 


1912- 


JOHNSTON, 


1913- 


KOBAYASHI, 


1921- 


V. LINSTOW, 


1907- 


LINTON, 


1907- 


LINTON, 


1910- 


LOOSS, 


1899- 



LOOSS, 
LOOSS, 



IBIBLIOGRAF^MIA. 

1899--Weitere Mitlheilungen ueber endoparasitische Trcmatodea 
der Chelonier. Centr. f. Bakt. paras, etc. XXVi, 
p. 627. 

-Trematoden der Chelonier. Mitt. Zool. Mus. in Berlieu 
Ü B. 1 H. 

-Synopsis of the Distomidae. J. Proc. Linn. Soc. Lond. 
V, p. 1-55. 

-Parasites; a treatise on the cntozoa of man and animal^ 
including some account of the entozoa. 

-North American frog blader flukes. Trans. Micr. Soc. V^ 
13, p. 151. 

-Systema helmintum. 

-Neimzehn Arlen von Trematoden. Denhschr. d. k. Akad. 
d. Wiss. Wien, V. 10, p. 59-70, pi. 1-3. 

-Revision der Mvshelminthen-Trematoden. Sitz. d. k. Akad. 
d. Wien, V. 32, p. 207. 

-Notes de parasitologie et de technique parasitologique. 
Centr. f. Bukt. V. 51, p. 538. 

• A new bladder fluke from the frog. Trnas. Am. Micr. 
Soc. V. XXXI, p. 142. 

■On some trematodes parasites of australian frogs. Prod 
Linn. Soc. New. S. Wal. XXXVII, p. 285. 

-On some Queensland trematodes, with anatomical obser- 
vations and descriptions of new species and 
genera. The Quart J. of Micr. So. V. 59, p. 3. 

-On some digenetic trematodes in Japan. Parasitology. V. 
XII, p. 380. 

■Zwei neue Distomum aus Lucioperca sandra der Wolga. 
St. Peterburg. Ann. Mus. Zool. Ac. Sc. V. 12, 
p. 201-2. 

-Notes on Parasites of Bermuda Fishes. P. U. S. Nat. Mus. 
V. 36, p. 85 pi. I-XV. 

-Helminth fauna of the Dry Toortugas-ii, Trematodes. 
Carn. Inst, of Wassington, n». 133. 

• Weitere Beitraege zur Kenntniss der Trematoden-Fauna 
Aegypteus, zugleich Versuch einer nalurlichen 

Gliderung Genus Distomum Retzius. Zool. Jahrb. 
V. XII, p. 521. 

1901— Natura doceri etc. Centr. F. Bakt. v. 29, p. 29, p. 191. 

1902— Uber eine Distomen aus Labriden des Triester Hafens. 
Centr. F. Bakt Bd. 29, p. 405. 



233 



LOOSS, 


1902- 


LOPEZ, 


1888- 


LUEHE, 


1906- 


LUEHE, 


1909- 


MAC CALLUM, 


1917- 


ODHNER, 


1902- 


ODHNERj 


1911- 


OFENHEIN, 


1900- 


OLFERS, 


1916- 


OLSSON, 


1876- 


OSBORN, 


1903- 


RUDOLPHI, 


1819- 


SOUTWELL, 


1914- 


SNîTZIN, 


1905- 


STAFFFORD, 


1902- 


STAFFORD, 


1904- 


STSSICH, 


1886- 


STURGES, 


1897- 


TRAVASSOS, 


1920 


TRAVASSOS, 


1921- 



Ueber neue und belcannt Tremi^toden ans Seeschildkroeten. 
Zool. Jahrb. V. XVI, p. 411. 

-Un Distoraa probabilmente nuovo (D. richiardii). Att 
Soc. Tose. Sc. Nat. Pisa-Proc. Verb. n». 6, p. 137. 

- On the trematode parasites from the Marine fishes of 
Ceylon, Rep. Gov. Cevlon Pearl Oyster Fisheries, 
p. 97. 

- Die Suesswass. Deutschl. Helf. 17. 

-Some new forms of Parasitic worms. Zoopathologica, V. 
i, no. 2, p. 45. 

- Mietteilungen fur kenntnis der Distomen ii, Centr. f. 
Bakt. paras, etc. b. XXXI, p. 152. 

-Results of the Swedish Zool. Espednition to Egypt and the 
White Nile 1901. Fascioliden. 

-Ueber eine neue Distomiden gatungen. Zeitschr. f. Nat. 
L. XXIII, 

-De vegetativis et aniraatis corporibus in corporlbus ani- 
raatis reperiundis commentarius. Berl. 

-Bidragtilî kannedomen ora Jentlands fauna i-K. Svensk. — 
Akad. Handl. Stockolm, V. 14. 

-On Phyllodistomum americanum (n. sp); a new bladder 
distome from Amhbjstoma punctatum. Biol Bull. 
Lancaster, V. 4, p. 252, fig. 1—4. 

— Entozoorum synops. 

Notes from the Bengal Fischeries Laboratory, Indian Mu- 
seum. Rec. of the Ind. Mus. V. IX, 1913. 

Materialy po estestvennoi istorii trematod. Distomy ryp 
i liagushek okrestnostei Varshavy. 

-The American representatives of Distomum cygnoides, 
Zool. Jahrb. Syst. V, 17, p. 411. 

■Wissenschaftliche Mitteilungen. i Trematodes from Cana- 
dian Fishes. Zool. Anz. v. 27, p. 481. 

-I distomi dei pesei marin e d'aqua dolce. Progr. d. 
Ginn. Comm. sup. di Trieste. 

-Preliminary notes on Distomum patellare n. sp. Zool. 
Bull. Bost. V. 1, p. 57—69, fig. 1—5. 

-Contribuições para o conhecimento da fauna helraintolo- 
jica brasileira— XIV. Especies brasileiras da fami- 
lia Gorgoderidae LOOSS, 1901. Bras. Med, Ann. 
36, V. i, p. 17, 1922. 

- Trematodeos novos II. Braz. Med. Ann. 35, v. i. p. 178. 



234 

TRAVASSOS, 1922— Informações sobre a fauna helraintologica de MattoGroff* 

so. Folh. Med. Ann. Ill, no. 24, p. 187. 

2EDER, 1800— Erster Nachtrag zur Naturgeschichte der Eingeweide- 

wurmer, mit Zufassen und Anmerkungen heraus-^ 
gegeben. ¿ 



Claps Csequieli e 
Rh)inostoma bimaculatum, cobras novas òo 
€staòo be (Dinas 6eraes 

pelos 
Tirs. A.I30LF»M0 LUTZ e OSWALDO DEÎ IVIEI^LO 

(Do Instituto Oswaldo Cruz) (Da Filial de Bello Horizonte) 

(Com a estampa 31). 



Entre as cobras do posto ophidico 
do Instituto Oswaldo Cruz, em Bello 
Horizonte, foram descobertas pelo Dr. 
OSWALDO de MELLO 4 especies novas, 
duas das quaes já foram descriptas na 
Folha Medica n». 13, pg. 117 do corrente 
anno; as outras fazem o assumpto desta 
commimicação: 

Eiaps Ezeqaieli n. sp. 

Desta especie temos apenas um 
exemplar, mandado em 1919 de Caxam- 
bu, na serra da Mantiqueira, Estado de 
Minas Geraes. Parece tratar-se de imia 
fêmea. 

Na chave de BOULENGER, este 
exemplar entra no grupo III, divisão B, 
paragrapho c, com E. mipartitiis e Fra- 
feri, dos quaes se distingue facilmente. 



Pelo desenho se approxima mais de 
Marcgravi, mas falta o temporal anterior 
e são mais numerosos os grupos de 
anneis. 

BOULENGER, depois da publicação 
de seu Catalogue of Snakes, descreveu^. 
Rosenbergi (Equador), Simonsi (Argen- 
tina), omissus (Venezuela) e AMARAL 
descreveu E. Fischeri (Estado de S. Pau- 
lo, Serra da Bocaina). Ha ainda alguma» 
formas duvidosas da America Central 

Apenas Fischeri e Simonsi se appro- 
ximam de EzeqweZi. Todavia sfto sepai'a- 
dos pos caracteres anatómicos: presença 
de temporal anterior e symphysial em 
contacto com os mentaes anteriores. Para 
uma appreciação das outras differençaç 
e semelhanças compare-se a descripção 



236 



mais minuciosa da nova especie, que da- 
mos em seguida: 

Comprimento do olho cerca da me- 
tade de sua distancia da fenda buccal. 
Rostral mais alto do que largo, sua por- 
ção visível de cima pouco mais longa 
que a metade de sua distancia, do fron- 
tal. Inlernasaes pouco mais largos do 
que compridos, tão longos quanto os 
prefrontaes. Frontal mais comprido do 
que largo, mais curto do que os parie- 
taes, que são menos compridos do que 
a sua distancia da extremidade do foci- 
nho. Preocular 1, em contacto com o 
nasal posterior, postoculares 2, o supe- 
rior um pouco maior. Temporal anterior 
ausente, temporal posterior 1. Suprala- 
biaes 7; o 3» e o 4° era contacto com 
a orbita, aquelle apenas por ura ponto 
e este por todo o bordo superior; o 6° 
muito maior do que os outros e em con- 
tacto cora o parietal, o 7» bem desenvol- 
vido. 

SjTnphyseal separado dos mentaes 
anteriores. 4 infralabiaes em contacto 
com os mentaes anteriores que são mais 
curtos que os posteriores. 

Escamas em 15 series. Escudos ven- 
traes 226. Escudo anal dividido. Subcau- 
daes 22 pares. Corpo avermelhado, com 
15 grupos de anneis pretos, dispostos aos 
tres; o central muito mais largo, sepa- 
rado dos dois marginaes por anneis bran- 
cos, sem manchas; os anneis vermelhos 
que separara os grupos são salpicados 
de negro na face dorsal e immaculados 
na face ventral. O grupo anterior é con- 
stituido somente por dois anneis pretos, 
faltando o primeiro que é reduzido a 
algumas manchas pretas. A face dorsal 
da cabeça é, na parte anterior, preta 
luzidia, com fai.xa branca semilunar, con- 
cava anteriormente, occupando os pre- 
frontaes, o nasal posterior e o segundo 
supralabial de cada lado, invadindo, era 
cima, a margera anterior do frontal e 
a dos internasaes, e, lateralmente, a mar- 
gem anterior do supraocular, a metade 



anterior do preocular e a borda anterior 
do terceiro supralabial. A parte poste- 
rior da cabeça é vermelha, com man- 
chinhas negras, das quaes duas maiores 
no ápice dos parietaes. Erabai.Ko, a ca- 
beça é verraelha, salpicada de negro, 
o symphyseal e o primeiro infralabiaí 
tingidos de preto. Ura collar estreito, 
de branco puro, separa a cabeça do 
corpo. A cauda apresenta a ínesma côr 
que o corpo, com o ápice negro. 

Comprimento total 670, comprimen- 
to da cauda 40 mm. 

Esta especie é dedicada ao saudoso 
Dr. EZEQUIEL DIAS, fundador e ex- 
director da Filial de Bello Horizonte, 
onde organizou o serviço de dcfeza ophi- 
dica do Estado de Minas Geraes. 

Rhinostoma bimaculatum n. sp. 

Dentes maxillares subiguaes, 10 -{- 2L 
Dentes mandibulares subiguaes. Olho pe- 
queno. Pupilla vertical, elliptica. 

Foucinho curto, de contorno ante- 
rior parabólico, obliquamente virado pa- 
ra cima. Face inferior do rostral mais 
extensa do que a dorsal, que possue uma 
carena longitudinal obtusa. Internasaes 
mais largos do que compridos e mais 
curtos do que os prefrontaes. Compri- 
mento do frontal maior do que a sua 
largura, igual á sua distancia da extre- 
midade do foucinho e ao comprimento 
dos parietaes. Frenal ausente. Preocular 
1, muito menor do que o supraocular, 
que é muito estreito e tem um compri- 
mento igual a metade do frontal. Posto- 
culares 2. Temporaes 2 + 2. Supralabiaes 
8, o 3o, o 4° e o õ» era contacto com a 
orbita, o 2o e o 3^ com o prefrontal; 4 
infralabiaes em contacto com os mentaes 
anteriores que são tão longos quanto 
os posteriores. Escamas lisas, com fos- 
setas apicaes, em 19 series longitudi- 
naes. Ventraes 164. Anal inteiro. Sub- 
caudaes 40 pares (os últimos indistinc- 
tos). Cauda afilada. 

Corpo avermelhado ent cima; atraz do 



237 



pescoço ha 2 manchas de 5 mm. de lar- 
gura por 10 mm. de comprimento, for- 
madas por 4—5 series de escamas enne- 
grecidas e separadas pela serie mediana 
dorsal de escamas. 

Escamas do dorso com ápice infus- 
cado. Venire, parles lateraes (3—4 se- 
ries de escamas) e supralabiaes de um 
branco puro. Cauda da mesma côr que 
o corpo. 

Comprimento total 510 mm. Com- 
primento da cauda 75 mm. 



Procedencia: Pirapora. Pertence â 
Filial de Bello Horizonte. 

Esta especie se distingue facilmente 
de R. guianense e viltatum pela ausen- 
cia de frenal. E muito próxima de R. 
Iglesiasi da qual se separa por ter 3 su- 
praoculares em contacto com a orbita e 
2 temporaes anteriores. 

Damos em seguida um quadro dos 
caracteres differenciaes das 4 especies 
do genero Rhinostoma. 





Iglesiasi 


bimaculatum 


vittatum 


guianense 


Rostral 


sem carena 


com carena 


com carena 




Frenal 


ausente 


ausente 


presente 


presente 


Temporaes 


14-2 


2+2 


2+3 


2+3 


Ventraes 


169 


160 


199—226 


168—209 


Internasaes 


tão compridos quanto largos 


mais largos que compridos 






Frontal 


tão comprido quanto largo, 
mais curta que parietaes 


nenos largo que compri- 
do, igual aos parietaes 






Preocular 


quasi igual ao supraocular 


muito menor 






Supraoculares em contacto 
cora a orbita 


4o e 5o 


3o, 4o e 5o 


40 e 50 


40 e 50 


Cabeça 


manchada de escuro 


não manchada 







Rio de Janeiro, 10 de Novembro de 1922. 



238 



Explicação das figuras. 

Fig. 1-4— Elaps Ezequîell. 

Fig. 1— Aspecto dorsal. 

Fig. 2— Aspecto lateral. 

Fig. 3 — Aspecto ventral. 



Fig. 4— Cauda, aspecto ventral. 

Fig. 5-7— Rhinostoma bimaculatum^ 

Fig. 5— Aspecto dorsal. 

Fig. 6— Aspecto ventraL 

Fig. 7— Aspecto lateral. 



239 



1) BOULENGER, 

2) BOULENGER, 

3) BOULENGER, 

4) BOULENGER, 

5) AMARAL, 



BIBJL.IOORAF»HIA 

1896— Catalogue of Snakes of the British ¡Museum. 

1898— Elaps Rosenbergi, em Proc. ZooL Soc London, p. 117. 

1902— Elaps Simons!, em Ann. Mg. NaL Hist. s. 7, v. 9, p. 338. 

1920— Elaps. omissus, em Ann. Mg. NaL Hist s. 9, v. 6, p.l98. 

1921— Elaps Fischeri, em Annexos Mem. Butantan, v. 1, t I, 

p. 15. RH 



6) GUENTHER, 1902- Biologia Centrali— Americana. 



7) GOMES, FLO- 
RENCIO, 



1915— Rhinostoma Iglesiasi, em CoUectaneas dos Trabalhos dd 
de Butantan de 1901—1917, p. 270. 



Estudos sobre os Blastocystis 



pelo 

DR. HEÏSTRIQUE BEAUREF»AIRE ARAGÃO 

Chefe de serviço. 
(Com as estampas 32—33) 



A opinião da maioria dos pesquiza- 
dores que se têm dedicado ao estudo dos 
parasitas intestinaes ainda não se fixou 
completamente no que diz respeito a 
essas formações de estructura tão curio- 
sa conhecidas pelo nome de Blastocystis 
que lhes foi dado em 1911 por 
ALEXEIEFF. 

Taes parasitas são conhecidos ha 
muito tempo e têm recebido dos diffé- 
rentes autores que os observaram as 
mais variadas interpretações. Assim fo- 
ram elles considerados por uns como 
forma de evolução, enkystamento, auto- 
gamia e degeneração de diversos flagella- 
dos intestinaes como por exemplo Tri- 
chomonas, Bodo, Heteromita, etc. (PER- 
RONCITO, KUNSTLER,. SCHAUDINN, 
PROWAZEK, UCKE, CHATTON). Outros 
os consideram como cogumellos (DO- 
BELL, ALEXEIEFF, BRUMPT,). Num 
terceiro grupo podemos grupar aquelles 
que os julgam sem especificidade de- 
terminada e provenientes de enkystamen- 



to ou degeneração de amebas e outros 
parásitos das fezes (SWELLENGREBEL, 
JEPP e DOBELL) e, finaknente ainda ha 
aquelles que não têm juizo formado 
a respeito. 

De todos estes conceitos o que reúne 
hoje maioria de sufragios e se encon- 
tra indubitavelmente destinado a preva- 
lecer é o qi;e considera os Blastocystis 
como seres absolutamente autónomos do 
reino vegetal, e pertencentes ao grupo 
dos blastomycetos, com um cyclo todo 
especial e sem relação alguma com dif- 
férentes flagellados ou qualquer outro 
pai'asita dentre os que se apresentam 
commumente nas fezes. 

Esta opinião foi pela primeira vez, 
solidamente fundamentada por ALE- 
XEIEFF 1911, baseando-se elle para 
emitiil-a no resultado dos seus estudos 
nos Blastocystis de Triton marmoraíus. 
Triton cristatus e de Salamandra macu- 
losa. 

Os trabalhos de ALEXIEFF, apezar 



241 



de muito bem feitos, não lograram a 
fácil confirmação que era de esperar 
em se tratando de ura parasita tão com- 
mum, donde resultou permanecer o as- 
sumpto um tanto obscuro e impreciso. 
Pensamos ser causa disso a relativa 
raridade das différentes phases de evolu- 
ção do parasita no material que commu- 
mente se tem em observação e ao facto 
de se estudar mais frequentemente os 
Blasfocystis do homem e dos animaes 
de sangue quente, cuja morphotogia e 
evolução, devido ao meio em que vivem, 
é menos typica do que as das formas 
análogas dos aniraaes de sangue frio. 

Assim só poderá fazer um estudo 
perfeito de taes parasitas quem se dedi- 
car ao exame comparativo de material 
de différentes animaes de sangue quente 
e frio, e tiver a felicidade de surpre- 
hender certas phases da evolução des- 
ses parasitas que só raramente são ob- 
servados. 

Foi graça a mu estudo comparativo 
de material abundante e apropriado que 
chegámos á verificação dos factos assig- 
nalados por ALEXIEFF não só confir- 
mando como completando-os em alguns 
pontos. 

No presente trabalho fazemos um 
estudo geral dos Blastocjjstis occupan- 
do-nos especialmente com a morphologia 
e evolução dos parasitas encontrados em 
Rana esculenta e por nós de ha muito 
observados em Munich ao tempo que 
frequentávamos o Instituto Zoológico sob 
a sabia direcção de RICHARD HERT- 
WIG. 

De então para cá repetidas vezes 
temos tido occasião de estudar o as- 
smnpto que pretendemos esplanar neste e 
em outro trabalho que completará o pre- 
sente. 

Generalidades. 

Os Blastocystis são muito communs 
é ás vezes extremamente abundantes nos 
animaes parasitados, mas é bastante raro 



encontrar num. mesmo animal Iodas as 
suas phases de evolução especialmente 
as de esporulação. 

Estes parasitas vivem no intestina 
dos animaes, especialmente na porção 
terminal delle. 

É curioso observar a variedade 
de tamanho que uraa mesma for- 
ma pôde apresentar de accordo com 
as condições do meio. De um modo ge- 
ral, os niasiocystis se apresentam meno- 
res nas fezes solidas do que nas liquidas 
e também de tamanho mais reduzido 
e com estructura menos typica nos ani- 
maes de sangue quente do que nos de 
sangue frio. Assim as differcnças de ta- 
manho observadas e que não raro vão 
do simples ao duplo e mais, quer no 
mesmo animal quer de uma especie para 
outra, não têm, a nosso ver, nenhum va- 
lor especifico seguro. Só com um 
estudo mais aprofundado do assumpto 
será possível chegar a uma conclusão de- 
finitiva a este respeito. 

A nós nos parece que a questão 
da pluralidade das especies de Blastocys- 
tis é, por ora, mn assumpto para ser de- 
cidido após mulhor observação délies. 
Assim não vemos razão porque admit- 
tir, só no homem, 3 especies de Blastocys- 
tis (enterocola, gemmagina e sporogina) 
como ainda muito recentemente propõe 
LYNCH, cujo trabalho não nos parece 
absolutamente convincente. 

O estudo dos Blastocystis deve ser 
feito sempre comparando material a 
fresco com preparações fixados e cora- 
dos. 

O exame a fresco é feito entre la- 
mina e laminula ou, de preferencia, em 
gotta pendente, a qual tem a vantagem 
de não causar alteração na morphologia 
do parasita como sóe acontecer nos pre- 
parados pelo primeiro modo acima ci- 
tado. As preparações coradas devem ser 
feitas fixando-se em sublimado alcool fi- 
nos frottis do material e corando-os pela 
hematoxylina de HEIDENHAIN. 



242 



As preparações coradí^s são as que 
mellior revelam os delicados detalhes da 
estructura do parasita. As colorações pela 
hematoxylina de DEL AFIELD e pelo 
GIEMSA etc., não offerecera melhor re- 
sultado do que a de HEIDENHAIN. 

Durante muito tempo estiveram ads- 
trictos os parasitologistas ao estudo dos 
BlastocysUs no material proveniente 
directamente de animaes parasitados. Re- 
centemente, porém, devido a BARRET 
se conseguiram culturas dos Blastocystis 
era meio liqiicio. O meio usado é constiui- 
do j)or uma Koíuíão a 1/2 "o de soro huma- 
no inactivado em solução physiologica a 
5 o/o. Este meio é collocado em tubos de 
ensaio estreitos em columna alta, e se- 
meia-se depositando com todo cuidado 
no fmido do tubo com uma pipeta este- 
rilizada, um pouco de material contendo 
Blastocijstis. As culturas são feitas a 
temperatura do Laboratorio. 

A experiencia que fizemos do metho- 
do de BARRET nos confirmou absoluta- 
mente a possibilidade de se conseguir 
culturas de Blastocystis ás vezes muito 
abundantes. Ella.s vAo nos trouxeram po- 
rém, até agora, vantagem alguma para 
o estudo da estructura e evolução do 
parasita. Nas culturas não se observa 
absolutamente a transformação do pa- 
rasita em flagellado de qualquer especie, 
mas são frequentes nellas formas em 
degeneração com aspecto atypico lem- 
brando as assignaladas por LYNCH. 

E possível, porém, que as culturas 
ainda venham fornecer vantagem para 
os estudos dos Blastocystis especialmente 
no que diz respeito a sua evolução. 

Os Balstocystis são encontrados nos 
animaes por elles parasitados em quan- 
tidade muito variável; em caso algum, 
porém, parecem causar prejuizo ao seu 
hospedeiro. Elles se tornam ás vezes 
muito abimdantes nos estados diarrheicos 
e dysenlericos, porque o meio então fa- 
,vorece sua proliferação. 



Morphologia e evolcção dos 
Blastocytis 

As formas mais communs, caracte- 
risticíis dos Blastocystis encontrados nos 
animaes por elles parasitados são os 
chamados kystos primarios. 

Estes liystos examinados a fresco, 
em gotta pendente, são esphericos, têm 
um tamanho muito variável, pois me- 
dem de 6 a 40 micra de diâmetro, com 
colorido amarello. ou são de todo inco- 
lores. 

Os kystos primarios se apresentara 
constituidos por 3 porções completa- 
mente distinctos: a parte interna ou cor- 
po interno de ALEXEIEFF, a camada 
media ou protoplasmica, e uma orla pe- 
riph erica, de substancia mucilaginosa. 

O corpo interno é constituido por 
uma porção de substancia homogénea, 
contendo, ás vezes, massas irregulares 
de uma substancia intensamente side- 
rophila (Est. 32, Figs. 12 e 12a),supõe- 
se, pelas reacções microchimicas que 
essas massas sejam de paraglycogeno. 
O corpo interno é, em sua maior parte, 
constituido por substancia de natureza 
glycogenica com funcção de material de 
reserva destinado ás phases ulteriores 
da evolução dos Blastocystis, especial- 
mente na occasião da formação dos 
kystos secundarios. 

O corpo interno é normalmente in- 
color, porém, ás vezes pôde apresentar 
tons amarellados ou mesmo esverdeados. 

Nas preparações pelo HEIDENHAIN, 
o corpo interno se cora mais ou menos 
intensamente com um tom cinzento; ás 
vezes, porém, elle retém fortemente o 
corante e se apresenta ennegrecido. As 
massas de paraglycogeno, que se obser- 
vam no corpo interno dos Blastocystis 
são sempre muito siderophilas e, por 
isso, sobresahem facilmente nos prepa- 
rados (Est. 32, Figs. 12 e 12a, e Est. 33, 
Figs. 15, 18 e 20). 

O corpo interno é cercado por uma 
delgada orla de profoplasma, de es- 



243 



Iructura finamente alveolar, mais espes- 
sa em alguns pontos do que em outros, 
especialmente naquelles em que se acham 
os núcleos. No protoplasma se vêem 
granulações de volutina. A camada de 
protoplasma se adapta perfeitamente ao 
corpo interno, e só raramente (Est. 32, 
fig. 12a) se vê o corpo interno retra- 
hido no interior do seu envoltorio pro- 
toplasmatic©. 

Os núcleos nos Blastocystis, cujo 
numero vae de 1 a 32, se encontram 
sempre na camada protoplasmatica da 
cellula, ora aproximados dous a dous, 
ora collocados me pontos oppostos ou 
então disseminados por toda a super- 
ficie do parasita, quando são muito nu- 
merosos. 

A estructura do núcleo dos Blasto- 
cystis, é muito caracterisiica, como já 
assignalou ALEXEIEFF; elles são cons- 
tituidos por uma pequena colote de chro- 
matina compacta excentricamente colloca- 
da e separada, por uma zona clara, do res- 
to da substancia nuclear, menos densa me- 
nos coravel e mais abundante que a 
anterior. O núcleo não possue membra- 
na e se acha collocado numa zona mais 
clara do protoplasma; elle muito mais 
se aproxima por seu aspecto e estruc- 
tura dos núcleos dos cogumelles de que 
do de qualquer protozoário do grupo dos 
flagellados. 

Cercando a camada de protoplasma 
dos Blastocysits, se pôde perceber, a 
fresco, imia zona de substancia mucilla- 
ginosa. Este halo de substancia mucilla- 
ginosa e hyalina que cerca os Blastocys- 
tis, não pôde ser corada, mas se deixa 
perceber a fresco pelo limite que esta- 
belece entre os Blastocystis e o material 
em suspensão no liquido em torno das 
cellulas do parasita. As vezes mesmo, 
nas preparações coradas esta zona hya- 
lina de substancias mucillaginosa revê 
la sua existencia por uma orla comple- 
tamente descorada em torno aos Blasto- 
cystis. Esta zona de substancia mucilla- 



ginosa, encontrada nos Blastocystis, já 
têm sido igualmente verificada em outros 
cogumelos, especialmente nos adaptados 
á vida parasitaria, como por exemplo o 
Saccharomyces fumefaciens albus e 
outros. 

As 3 partes constitutivas de kystos 
primarios se encontram sempre presen- 
tes nelles (Est. 32, Fig. 2—12), apenas 
as primeiras phases da evolução dos 
kystos primaiios (Est. 32, Fig. 1) se 
apresentam desprovidas de corpo interno, 
por não haver ainda se dado o accumulo 
da substancia de reserva, que constitue 
aquella estructura do Blastocystis. 

Divisão do biastccystis. 
(Plasniotomia) 

Na divisão dos kystos primarios dos 
Blastocystis ha a considerar a da cellula 
e a dos núcleos. A divisão cellular se 
dá por um processo de plasmatomia, 
já assignalada por diversos autores e 
que foi interpretada de modo vario. Al- 
guns pesquizadores acreditam que ella 
seja a única forma de divisão dos Blas- 
tocystis e, de facto, é a mais commu- 
mente observada. 

O processo plasmasmotomico é consti- 
tuido por uma divisão binaria, ás ve.^es um 
tanto desigual, do Blastocystis. O pro- 
cesso se inicia, assumindo a cellula uma 
forma de ellipse (Est. 32, Fig. 5 e 11), o 
qual se vae tornando cada vez mais alon- 
gada. Não demora a apparecer na parte 
mediana um pequeno estreitamento, que 
aos poucos vae se accentuando e, afinal, 
acarreta um completo estrangulamento 
do protoplasma e do corpo interno. Se- 
param-se desta forma dois novos Blas- 
tocystis reconstituindo-se logo, em cada 
um, as porções alteradas pelo proces- 
so plasmatomico, e apresentando elles 
afinal o aspecto typico do parasita, 

Não se deve confundir com o pro- 
cesso de plasmatomia, acima mencio- 
nado, as deformações, que soffre o cor- 
po do Blastocystis sob a influencia de 



244 



compressões variadas, especialmente as 
que se produzem nas preparações entre 
lamina e lamiuula. 

Ainda permanece obscura a signifi- 
cação do processo de divisão plasmato- 
mica dos Bla-^focijstis. Não é impossivc-1 
que elle esteja em relação com algum 
phenomeno sexuado, que se passe na 
cellula, como pensa ALEXEIEFF, mas 
não ha ainda elementos para ura juizo 
seguro a respeito. 

As formas plasmatomicas ora são 
escassas, ora abundantes no material que 
se examina. A divisão plasmatomica tem 
logar em geral nos kystos com 2 e 4 
núcleos, estes porém, não sofírem ne- 
nhuma modificação, nem parecem tomar 
outra parte no processo, apenas pas- 
sam em numero igual para cada ura dos 
novos Blastocijsiis, ao se concluir o pro- 
cesso plasmatomico. 

Divisão nuclear. 

A divisão nuclear nos Blasiocijstis se 
inicia logo nas primeiras phases de ve- 
getação do esporo e se continua até que 
se inicia a phase de esporulação do pa- 
rasita. Assim é raro se encontrar um 
Blastocjjstis com um só núcleo, pois o 
núcleo inicial délies (Est. 32, Fig. 1 e 
2), logo se divide e ulteriormente se 
subdivide repetidas vezes dando não raro 
formas com 8, 18 e 32 núcleos. 

■ O processo de divisão nuclear dos 
Blastocijsfis é bastante simples. Elle se 
inicia pelo alongamento da calote chro- 
matica do núcleo (Est. 32, Fig. 9), que 
toma a forma de um pequeno bastonete 
ligeiramente curvo. Ao mesmo tempo que 
se alonga a substancia chromatica densa 
do núcleo, a porção menos coravel delle 
se distende egualmente formando um pe- 
queno arco de abertura opposta ao pri- 
meiro, Em seguida dá-se a divisão da 
substancia chromatica densa, cujos 
elementos vão formar duas pequenas ca- 
lotes oppostas, colocando-se entre ellas 



a fracção menos coravel do núcleo (Est, 
32, Fig. 9a). 

Em phase mais adiantada do pro- 
cesso, esta substancia menos coravel do 
núcleo se divide, aproximando-se da me- 
tade da calote chromatica que lhe está 
mais próxima (Est. 32, Fig. 8) em breve 
dous novos núcleos estão perfeitamente 
reconstituidos (Est. 32, Fig. 9 e 10). 

As différentes phases de divisão,- 
acima descriptas, são perfeitamente vi- 
síveis na primeira segmentação nuclear, 
mas se tornam menos apreciáveis nas 
demais Œst. 32, Fig. 12a). devido ao 
tamanho cada vez menor elementos. A 
proporção que se multiplicam os núcleos 
também aumenta de tamanho o Blasto- 
cif st ¡s principalmente por accrescimo da 
substancia de reserva do corpo interno. 
As divisões nucleares elevara não raro 
o núcleo de núcleos do Blastocijstis 16 e 
32, cada um dos quaes fará ulteriormen- 
te parte de um kysto secundario, cujo 
modo de formação vamos passar a estu- 
dar. 

Um dos processos mais interessantes 
e mais raros na evolução dos Blastocijs- 
tis é a formação dos kystos secimdarios 
pelos phenomenos cellulares e nucleares, 
que então se observam. O processo de 
formação destes kystos pódc ser perfei- 
tamente comparado ao de esporulação 
de certos saccharoraj'cetos. 

Si bem que seja rara. a forma- 
ção dos kystos secundarios, quan- 
do ella, no entanto, se dá. ocorre 
em massa no material, o que permitte, 
em taes condições, a observação de todas 
as suas phases sem grande difficuldade, 
tanto a fresco como nas preparações 
fixadas e coradas. 

Os phenomenos de formação dos 
kystos secundarios se iniciam pela mul- 
tiplicação nuclear dos Bïastocijstis, etem 
logar em parasitas com 8 a 32 núcleos, 
e cujo tamanho é proporcional ao nu- 
mero de elementos nelle existentes. Estes 
núcleos se acham então mais ou menos 



^- — 245 



regularmente distribuidos no protoplas- 
ma do Blastocystis. A seguir se observa 
([ue em torno a cada núcleo vão surgin- 
do, no protoplasma da ce'lula, até então 
homogéneo, pequenas granulações, segu- 
ramente formadas á custa de material 
fornecido pelo corpo ia'erno que então 
começa a se rarefazer (Est. 33, Fig. 15). 

Não parecem taes corpúsculos se ori- 
ginar dos núcleos da cellula, como se 
fossem verdadeiras mitochondrias; an- 
tes os núcleos funccionam no seu appa- 
recimento como centros de attracção. O 
numero de granulos, que se accumulam 
em torno de cada núcleo é muito variá- 
vel, como se pode ver pelos desenhos 
apresentados (Est. 33, Figs. 15 e 16). O 
apparecimento destas granulações no pro- 
toplasma dos Blastocystis marca o ini- 
cio da constituição dos kystos secunda- 
rios, pois logo após a sua presença ser 
constatada, notase que o protoplasma 
do Blastocystis até então unido, começa 
a se isolar sob a forma de massa poly- 
gonaes (Est. 32, Fig. 16), contendo cada 
uma um núcleo e um numero variável de 
granulações. O corpo interno já se acha 
então quasi completamente rarefeito, 
como se a sua substancia, sob a forma 
das granulações, acima mencionadas, se 
tivesse passado para as ilhas de proto- 
plasma que se formaram na superfície 
do Blastocystis. 

Estas ilhas de protoplasma não tar- 
dam a perder o seu aspecto polygonal, 
do começo, e se arredondam, ficando 
completamente isoladas umas das outras. 
O aspecto dessas ilhas de protoplasma 
é então muito característicos; ellas apre- 
sentam no centro um núcleo e granula- 
ções C mitochondrias, segundo ALEXEl- 
EFF) em numero variável, collocadas pe- 
riphericamente nas malhas de um fino 
retículo. Com o desapparecimento da 
substancia, que constituía o, corpo inter- 
no, que na occasião é completa, a cel- 
lula torna-se flácida, deformase, e apre- 
senta um aspecto mamemmelonado, co- 



mo se iiella houvesse um processo de 
gemraulaoão (Est. 33, Figs. 20 e 21). Em 
um periodo mais adiantado os kystos se 
individualisam completamente; as granu- 
lações se appli?am na peripheria délies 
transformándose então em pequenos bas- 
toneies, e formando-sc uma mem- 
brana. Estes pequenos kystos se- 
cundarios ficam completamente iso- 
lados e apenas mantidos ao começo 
no interior de um delgado sacco mem- 
branoso, ultimo residuo da delicada mem- 
brana do Blastocystis primiiivo. (Est. 33, 
Figs. 26 e 27). Rompendo-se esta mem- 
brana, que envolve os hystos secunda- 
rios, elles ficam completamente livres 
no meio, ora isolados ora em pequenos 
grupos. (Est. 33, Figs. 23 e 24). 

Os kystos secondai-ios definitivamente 
consliluidos medem 5 a 6 de diâmetro 
são menores e têm menos granulações 
que antes de completamente formados. 
O núcleo em alguns permanece com 
o seu aspecto typico, em outros frag- 
menta-se, e. provavelmente a cellula 
degenera. (Est. 33, Fig. 22). 

A formação dos kystos secundarios 
se processa segundo ALEXEIEFFF ení 
10 a 17 minutos, mas nós mmca conse- 
guimos vel-a em tão pouco tempo. 

Os kystos secundarios são formas 
de resistencia dos Blastocystis e se cons- 
tituem como acabamos de ver, por um 
processo análogo ao da constituição dos 
ascoporos de certos schizosaccharomyce- 
los (Schizosaccharomyces ocíosporus). A 
membrana hyalina, que, elles possuem 
e que nas preparações coradas em geral 
não é visive], os protege, no meio am- 
biente, quando sabem do intestino do 
animal parasitado. 

WEN YON e O'CONNER viram uma 
imica vez, no homem, uma forma de 
divisão múltipla de Blastocystis, a qual, 
porém, nada tem de semelhante com o 
processo, acima mencionado, pois na re- 
producção graphica da forma vista mos- 
tram os autores inglezes mn kysto cheio 



246 



de pequenos kystos primarios, fodos com 
seu corpo interno e tendo diversos nú- 
cleos, o que não reproduz a forma clás- 
sica de esporulação do Blastocystis. As 
formas de esporulação, mencionadas e 
desenhadas por LYNCH, não parecem ter 
lambem uma significação muito precisa, 
assim como as descriptas por FLU e 
que se assemelham mais a kystos prima- 
rios degenerados e mal fixados do que 
a verdadeiras formas de esporulação 
dos Blastocystis. 

A evolução ulterior dos kystos se- 
cundarios não tem sido seguida com 
facilidade. O exame do nosso materia] 
nos leva a acreditar que no próprio in- 
testino do animal parasitado ou de outro 
indemne que os ingira elles de novo se 
transformam em kystos primarios. 

Essa transformação occorre soffren- 
<âo o kysto secundario as seguintes mo- 
dificações; ha absorpção e desappareci 
mento dos granulos e retículos exsiteiv 
íes no esporo que se torna então homo- 
géneo com um só núcleo e com a mem- 
brana hyalina visivel (Est. 32, Fig. 1). 
Nesta phase o kysto augmenta sensivel- 
mente de volume. Em phase mais adian- 
tada da evolução começa a formação do 
corpo interno e então o Blastocystis no- 
vo já se apresenta com o protoplasma 
a delgaçado e com o aspecto próprio de um 
kysto primario, mas ainda vminucleado 
<Est. 32, Fig. 2). 

Não tarda a se dividir o nú- 
cleo da forma anterior (Est. 32, 
Fig. 3) dando-se a migração desses ele- 
mentos para poios oppostos (Est. 32, 
Fig. 3 e 4) do Blastocystis e assim appa- 
recem as formas mais características do 
parasita, os kystos primarios completa- 
mente constituidos. 

A evolução dos Blastocystis, tal como 
a acabamos de descrever, é aquella que 
nós parece ser verdadeira, e está de 
accordo com os factos assignados, com 
tanta precisão, por ALEXEIEFF. Nenhu- 
ma phase flagellada intervém neste cyclo 



sendo nossa opinião que os autores, que as 
tem visto, hajam incorrido em erro pela 
cocomitancia de parasitas diversos no 
material, ou talvez haver uma infestação 
doBlastocystis por um flagellado para- 
sita que lhe seja próprio, como a nossa 
ver parece ter succedido a algum dos 
autores que têm descripto phases fla- 
gelladas na evolução dos Blastocystis. 

Também não se pôde deixar de achar 
uma certa semelhança entre as diffé- 
rentes phases de formação de kystos 
secundarios e o processo de multipli- 
cação da Endameba histolitica, descripto 
por SCHAUDINN em seu memorável tra- 
balho sobre as amebas pathogenicas do 
homem, sendo o processo de gemmulação 
desse parasita bem semelhante ao 
da formação de esporos nos Blas- 
tocystis e os pequenos kystos daquella 
Endameba comparáveis aos esporos deste 
parasita. 

O facto de viverem os Blastocystis 
geralmente em companhia de muito ou- 
tros protozoários e vegetaes inferiores no 
intestino dos animaes, por elles parasi- 
tados, difficulta muito sua observação, 
e facilita a confusão, em que tão fre- 
quentemente tem cabido os autores que o» 
tem estudado. Também muito concorre 
para dif ficullar o assumpto o facto da evo- 
lução se fazer muito irregularmente nos 
différentes animaes, e delia só raramente 
se encontrarem as phases tão interessan- 
tes da esporulação. 

Conclusões. 

lo 

Os Blastocystis, encontrados nos dif- 
férentes animaes de sangue quente e 
frio não são formas de evolução de fla- 
gellados destes seres, nem de qualquer 
outro parasita vegetal ou animal exis- 
tentes no intestino. 



2o 



Os Blastocystis são vegetaes diffe- 



247 



renciados pelo parasitismo, mais pró- 
ximos a certos blastomycetos e especial- 
mente aos saccharomycetos pathogenicos. 



30 



A multiplicação dos Blastocystis se 
dá por dous procesos différentes: mu de 
plasmatomia que tem logar nos kystos 
primarios, e outro, de esporogonia no 
interior de imia especie de ascoporo, 
do quai resulta a formação de formas 
de resistencia do parasita. É possível 
que antes de se iniciar a phase de espo- 
rulação occoram no Blastocystis pheno- 



meiios sexuaes, semelhantes aos que se 
conhecem nos saccharomj-cetos. 

40 

Tanto quanto os conhecimentos dal 
morphologia e biologia do parasita o 
permittem af firmar, não parece muito 
bem estabelecida a existencia de múlti- 
plas especies de Blastocystis. 

50 

Os Blastocystis não exercem acção 
pathogenica evidente sobre os organis- 
mos, por elles parasitados, e no homem 
não se nota relação alguma entre a suft 
presença e qualquer estado mórbido. 



248 



Esplicações das estampas. 

Desenhos feitos com a camará clara 
a altura da platina do Microscopio sendo 
usados a objec dimmersão homogénea 
de 2 mm.; e a ocular compensadora 
12. Comprimento do Tubo 16 mm. 

Fig. 1. Forma inicial de evolução 
de um kysto primario sem 
vocuolo. 
Fig, 2. Kysto primario com um só 

núcleo e vacuolo. 
Figs. 3—10. Différentes estadios de 
evolução de kystos prima- 
rios. 
Fig. 11. Kysto primario em phase 

de plasmatomia. 

Fig. 12. Kysto primario com massa 

siderophila no seu interior. 

Figs. 12a e 13. Kystos primários 

com muitos núcleos em pha- 



se anterior a formação d& 
kystos secundarios. 

Fig. 14. Kystos primarios com 12 
núcleos espalhados pelo pro- 
toplasma. 

Fig. 15. Inicio da formação dos 
kystos secundarios. Appa- 
recimento das granulações 
no pro lopl asma em torno 
dos núcleos. 

Figs. 16—22. Différentes phases da 
formação dos kystos secun- 
darios desde o appareci- 
mento dos primeiros esbo- 
ços da segmentação do pro- 
toplasma até a constituição 
dos kystos definitivos. 

Fig. 23 e 24. Kystos secundarios 
completamente constituidos 
e isolados. 



249 



ALEXEIEFF, A. 1909 

ALEXEIEFF, A. 1910 

ALEXEIEFF, A. 19Í1 

ALEXEIEFF, A. 1916 

BARRET, H. P. 1921 

BENSEN, W. 1909 



BOHNE & PRO- 1908 

WAZEK, S. 

BRUMPT, E. 1912 



CHATTON, E. 1917 

CURTIS, F. 1896 

DO BELL, 1908 

FONSECA filho, O. 1915 
JEFFIS & DOBELL 1918 
LYNCH, K. M. 1917 



LYNCH, K. 



1922 



PROWAZECK, S. V. 1904 

SCHAUDINN, F. 1903 

SWELLENGRE- 1917 
BEL, N. H. 



Bilt>liogra.pli i &,. 

Les flageles parasites de l'intestin des batraciens indi- 
gènes. C. R. Soc. Biol. T. 63. 

Kystes intestinaux des batrachiens Bull, scient. Franc» 
& Belgique T. 44. 

Sur la nature les formations dites «kystes de Trychomo- 
nas intestinalis» C. R. Soc. Biol. Année 63, VoL 
2 p. 296. 

Mitochondries chez quelques protistes. C. R. Soc. Biol. 
Vol. 79 p. 1076. 

A method for tho cultivation of Blastocystes. Ann. 
of trop. Med. & Parasit. Vol. 15 No. 2 p. 113. 

Untersucliongen ueb. Trichomonas intestinalis und vagi- 
nalis des Menschen Arch. f. Protistenk Vol. 18. 

Zur Frage der Flagellatendvsenterie. Arch. f. Protisten- 
kunde Vol. 12. 

Colite à Tetramitus Mesaili (Wenyon 1910) et colite à 
Trichomonas intestinalis Leuckart 1879.— Blas- 
tocyslis hominis n. sp. et formes voisines. Bull. 
Soc. Pathol, exot. Vol. 5 p. 725. 

Les Blaslocystis, stades du cycle évolutif des flagellés 
intestinaux. C. R. Soc. Biologie. Vol. 80 p. 555. 

Contribution à l'élude de la saccharomycose humaine. 
Annales Inst. Pasteur p. 449. 

Some remarks uix)n the autogamy of Bodo Lacertaes. 
Biolog. Zentralbl. Bd. 28 No. 17. 

Estudos sobre os flagellados parasitas These Fac. Med. 
Rio de Janeiro. 

Dienlameba fragilis n. g. n. sp., a new intestinal ameba 
of man Parasitology, Vol. 10 p. 352. 

Blastocgstis hominis; its characteristics and its preva- 
lence ill intestinal content and faeces in Sputh 
Carolina. Journ. of Bacteriologi Vol. H p. 369. 

Blaslocystis species in culture. A preliminary communi- 
cation. Amer. Journ. of trop. Med. Vol. 2 No. 3 
p. 215. 

Untersuchungen ueb. einige parasitische Flagellaten. Arb. 
Ksl. Gesimdheitsamte Bd. 21. 

Untersichungen ueb. die Foortpflanzmig einiger Rhi- 
zopõden. Arb. Ksl. Gesimdheitsamte Bd. 19. 

Observations on Blaslocystis hominis. Parasitology VoL 
9 p. 451. 



■ 250 

UCKE 1907 Trichomonaden u. Megostomen des Menschendarmes. 

Cenlralbl. Bakt. Orig. Bd. 45 p. 231. 

"WENYON, G. If. 1910 A new flagellate from the human intestine, with some 

remarks on the supposed cyst of Trichomonas. 
Parasitology, Vol. 3. 

^(VENYON, G. M. & 1917 Human intestinal protozoa in the Near East. Wellcome 
O'CONNOR Bureau of scient. Res. L. 

IWENYON, C. M. 1920 Observations on the intestinal protozoa of three Egyp- 

tian lisards, with a note on a cell invading fun- 
gus. Parasitology. Vol. 12 p. 350. 



S>phîîîs das glándulas supra-renaes 

por 
C. BURILE DE EIOUEIREOO 

(Com as estampas 34—39.) 



As lesões histopathologicas de sy- 
philis nas glándulas supra renaes, vêm 
sendo desde algum tempo objecto de 
especiaes estudos e referencias da lite- 
ratura sobre o assumpto. 

Ultimamente o professor SIMMOND, 
de Hamburgo, e ALDRED SCOTT, pro- 
fessor da Universidade de Michigan, o 
primeiro em seus trabalhos sobre a sy- 
philis congenita das glándulas supra-re- 
naes e o ultimo estudando a syphilis 
em suas manifestações nos diversos ór- 
gãos, offereceram-ncs observações mais 
detalhadas sobre a materia, calcadas so- 
bre estudos anteriores que ainda não 
haviam conseguido ordenar uma serie 
de conclusões apreciáveis. SIMMOND, (1) 
descrevendo as lesões características , da 
syphilis congenita das glándulas supra- 
renaes, estabeleceu como lesão pathogno- 
monica o espessamento da capsula, ao 
^6 denominou de perihypernephrite sy- 



philitica, observada em todos os caso» 
por elle estudados em numero de 18; 
\iém disso, accusou a verificação de in- 
filtrações IjTnphocytarias da camada cor- 
tical, manifestação que elle considera 
não como primitiva do processo patho^ 
genico, mas como urna propagação do 
processo da capsula. 

Em 1916, ALDRED SCOTT (2) pu- 
blicou um artigo sobre « The persistence 
of active lesions and spirochetes in the 
tissues of clinically inactive or cured 
syphilis » accusando em suas observações 
dentre 41 autopsias estudadas, 6 casos 
de lesões syphiliticas das glândulas su- 
pra renaes por elle collocadas em quartoi 
logar na escala que estabelece dos ór- 
gãos mais frequentemente sedes dessas 
lesões (aorta, coração, testículo, glân- 
dulas supra renaes, systema nervoso cen- 
tral, figado e baço) e onde encontrou in- 
filtrações mononucleares na porção me- 



1— Virchow's Aichiv, 1914, Bd 216. 



2— The American Journal of Medical Science», 1016, 
152, 



252 



dollar ou nos limites da cortex e medul- 
la com a presença de spirochetas nesas 
areas infiltradas. Dous annos após era 
1918, voltou novamente SCOTT (3) ao 
assumpto, publicando um artigo original, 
sob o titulo « The new pathology of 
syphilis », dedicando uma pagina ás 
glândulas supra renaes, cujas lesões des- 
creveu com maior desenvolvimento, illus- 
trando-a com uma microphotographia 
em apoio de suas anteriores observações. 

Idênticas verificações já haviam si- 
do feitas aliás anteriormente não só por 
FORDYCK (4) o qual observou que em 
todos os órgãos as lesões se iniciara nos 
espaços lyraphaticos perivasculares sob 
a forma de infiltrações lymphocytarias 
4» de cellulas plasmáticas, como ainda, 
por VON GIERKE que descreve um caso 
de infiltração medullar com infiltração 
perivascular, forte alteração da camada 
cortical e alteração inflammatoria da 
capsula. 

As observações e dados que a seguir, 
se encontram neste nosso trabalho, fo- 
ram colhidas na secção de Anatomia Pa- 
thologica do Instituto. 

Referem-se a 90 autopsias procedidas 
cm individuos syphiliticos, cujo diag- 
nostico foi feito, não só macroscipica- 
mente, como também pela verificação 
histológica, lendo sido nesse numero re- 
conhecidas lesadas 75 glândulas supra-re- 
naes, de accordo cora as descripções por 
todos os autores admittidas como espe- 
cificas. As lesões por nós encontradas 
foram as seguintes: 

1) Infiltrações lymphocytarias e de 
cellulas plasmáticas 63 o/o, com localisa- 
ções as mais das vezes perivasculares 
dentro ou fora da capsula e com menor 
frequência na camada cortical ou mesmo 
disseminadamente. Veja figs. 1—6. 



^;— The American Journal of Syphilis, 1918. 
'4>— Fordyce, Amer. Joum. of Med. Sciences, v. 149, 
1915. 



II) Espessamento da capsula 31 o/oV 
com infiltrações pericapsularcs. Veja fig. 
7. 

III) Fibroses circumscriptas 3,3o/« 
Veja figs. 8 e 9. (veja nota 1). 

Não verificamos em nenhum caso 
gommas miliares ou cacificadas com cel- 
lulas gigantes, atrophias da capsula ou 
simples proliferação de fibroblastos, ma- 
nifestações essas que aliás os autores 
apontam como raras. Tivemos entretanto 
a opportunidade de confirmar a observa- 
ção de SCOTT relativa a presença de 
spirochetas nas zonas de infiltração lym- 
phocytaria disseminada, como se pôde 
verificar nas figs. 10 e 11 (da autopsia 
1457, figs. 6 e 5) que reproduzem cortes 
de uma das glândulas supra renaes das 
mais extensamente lesadas, impregnadas 
pelo processo de LEVADITI. 

Não dispondo de dados clínicos dos 
casos que se offereceram ao nosso exa- 
me anatomo-pathologico, não nos foi 
possível estabelecer uma relação entre 
as lesões encontradas e os sj'^mptomas 
clínicos que porventura pudessem ser 
verificados. E' certo que só muito rara- 
mente se exteriorisam por symptomas clí- 
nicos as lesões de qualquer etiologia com 
sede nas glândulas supra renaes, (syn- 
drome de ADDISON) (5) raanirestaçõesde 
lesões extensas e bilateraes que muito 
poucas vezes se observam; ainda mais 
raros são pois os casos cuja cura a li- 
teratura sobre o assumpto nos transmitte, 
corao obtida pelo tratamento especifico 
da syphilis; a nosso ver entretanto a ve- 



f5)— Além dessas lesões syphiliticas acima apontadas 
notamos com adenomas 20 capsulas, com lipoidose da. 
cortex 19, tuberculose 1, tumor maligno 1, hemorrhagia 
2, hyperaemia 11. 

1— Virchow's Archiv. B. 172, 1903. 

Beitrâge zur Patholog, Anatomic and zur AUg. Pa- 
thologie Bd. 62, 1916. 

Annales de Dermat. et de Syphiligraphie, 1905, 638, 
212. 

Annales des Maladies Vénériennes, 1911, 320. 

Gazette de Ho. 1317, 1914. 
New York Medical ournal 1916. 



253 



rificação histológica das lesões de ori- 
gem syphilitica ali localisadas, não cons- 
titue simplesmente uma curiosidade ana- 
tómica, mas um subsidio valioso para o 
diagnostico anatomo-pathologico da sy- 
philis, pois que por si só é sufíiciente 
para caracterisal-o sendo que a frequên- 
cia dessas lesões por nós observadas 
como resultante da avaria, numa pro- 
porção de 83 o/o, vem realçar o valor in- 
contestável de sua significação. Passa- 
mos a descrever cada uma das observa- 
ções colhidas, e onde se encontrará feita 
a verificação histológica da syphilis nos 
diversos órgãos e com particularidade a 
descripção das lesões de qualquer natu- 
reza encontradas nas glândulas supra- 
renaes. 

Autopsia no. 1005. 

Sexo : Masculino. 

Idade: 27 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Encephalitis 
syphilitica hemispherii sinistri. Cicatrix 
penis. Hyperaemia hepatis et partium 
inferiorum pulmonum. Perisplenitis et 
atrophia lienis. Varus equinus. 

Verificação histológica de syphilis: 
Cerebro. Glandula-suprarenal. 

Glándula supra renal. Espessamento 
da capsula. 

Autopsia no. 1011. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 53 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Atrophia et 
dilaîatio ventriculi et auriculae utrius- 
que. Sclerosis valvulae aorticae. Leish- 
manio.sis nasis. Cicatrix cutis mucosae 
nasi et penis. Leucoma. Petechiae intes- 
tini tenuis submucosae. Nephritis chro- 
nica. Ankylostomiasis. Aortitis. Syphilis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, pelle, endocardio, nariz e glándu- 
la supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
tymphocytaria e cellulas plasmáticas na 



porção mais interna da cortex. Infil- 
tração perivascular. Thrombose. 

Autopsia no. 11 15. 4 

Sexo : Masculino. ^ 

Idade: 32 annos. 
Nacionalidade : Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Mesaortitis 
luética. Sclerosis valvularum aortae. Di- 
latatio ventriculi utriusque. Hypertrophia 
ventriculi dextri. Haeniorrhagiae epicar- 
dii pleurae et nodorum peribronchialium. 
Infarctus pulmonis. Hydrothorax dexter. 
Hyperaemia renura et hepatis. Hyperpla- 
sia nod. lymph, intestini tenuis. Taenia. 
Leptomeningitis chronica luética. Ence- 
phalomalacia. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, endocardio, ganglios lymphaticos, 
cerebro, glándula supra renai. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular. Adenomas da 
capsula Hyperaemia. Lipoidose da cortex. 

Autopsia no. 1123. 

Sexo: Masciüino. 

Idade 64 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico : Encephalo- 
malacia cystica cerebri. Mesaortitis lúe- 
tica. Contraturae musculorum. Cicatri- 
ces culaneae. Decubitus. Fibrosis testis 
ilextri. Atrophia cordis. Nephritis chro- 
nica inlerstilialis. Hyperaemia et atro- 
phia hepatis. Hypostasis et oedema pul- 
monis. Pleuritis et pericarditis chronica 
adhesiva. Cystitis chronica ulcerativa. 
Thrombosis sinus meningis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, pelle, testículo, cerebro e glán- 
dula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e cellulas plasmáticas di- 
versamente distribuidas, perivascular, ca- 
mada interna da cortex e tecido conjuno- 
tivo fóra da capsula da glándula. Espes- 
samento da capsula. Lipoidose da cortex. 



254 



Autopsia 11". 1131. 

Sexo: Feminino. 

Idade: 30 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Salpingo- 
oophoritis purulenta acuta dupla. Peri- 
metritis chronica. Peritonitis fibrlno pu- 
rulenta. Anaemia. Aortitis luética (gum- 
ma). Pleuritis adhesiva chronica. Peris- 
plenitis chronica. Degeneratio acuta he- 
patis et rerura. Cicatrices cruris. Trico- 
cephaliasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, pelle, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e cellulas plasmáticas pe- 
rivascular. Fibrose perivascular ligeira. 
Espessamento da capsula. 

Autopsia no. 1132. 

Sexo : Masculino. 

Idade: 

Nacionalidade: 

Diagnostico anatómico: Malaria. Hy- 
perplasia et pigmentatio lieais. Pigmen- 
tatio hepafis. Tuberculosis chronica pe- 
ribronchiaiis pulmomun. Degeneratio re- 
nimi. Sclerosis aortae (syphilis). Cica- 
trices cutanea, penis et cruris (syphilis). 
Alopoecia (syphilis). Ankylostomiasis. As- 
cariasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, pelle, glándula, supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e cellulas plasmáticas pe- 
rivascular fora da capsula e camada cor- 
tical. Adenoma da capsula. 

fiufopsia no. 1150. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 32 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Pneumonia 
crouposa. Bronchopneumonia. Mesaorti- 
tis syphilitica. Hepatomegalia. Splenome- 
galia. Ascites Nephritis chronica paren- 
chymalosa. Ankylostomiasis. Syphilis. 

Verificação histológica de syphilis: 
>"igado, aorta, glándula supra renal. 



Glándula supro renal: Espessamento 
da capsula. 

Autopsia no. 1158. 

Sexo : Masculino. 

Idade: 43 annos. 

Nacionalidade: Brasileira, 

Diagnostico anatómico: Fractura fe- 
moris. Osteomyelitis chronica suppura- 
tiva femoris. Nephritis acuta parenchy- 
malosa. Enterocolitis acuta fibrinosa. 
Hyperaemia hepalis. Tumor (fibroma) 
peritonei. Lingua glabra. Hyperplasia li- 
enis. Arteriosclerosis. Sclerosis arteriac 
lienis. Ankylostomiasis. Trichuriasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Lingua, rins, glándula supra - renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmática» 
perivascular. 

Autopsia no. 1166. 

Sexo: Masculine. 

Idade: 70 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: ïviesaorlitis 
syphilitica. Aneurysma aortae descendeu- 
tis. Ilypertrophia ventriculi sinistri. Ci- 
catrix myocardii et endocardii. Perisple- 
nitis chronica. Emphysaema pulmonum. 
Fibrosis lienis. Atrophia renum. Nodulae 
intestini tenuis et crassi. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta (aneurisma), endocardio, jnyo- 
cardio. 

Galndula supra renal: Lipoidose cor- 
tex. 

Autopsia no. 1186. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 43 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Endocarditis 
chronica et acuta destruens valvulae aor- 
tae. Hypertrophia ventriculi sinistri. Hy- 
peraemia et oedema pulmonum. Hydro- 
thorax. Hepatitis chronica interstitialis, 
Hyperaemia et infarctus lienis. Cicatri- 
ces et infarctus, renum. Haemorrhagiae 



255 



mucosae intestini et cutis. Cicatrix pe- 
nis. Ankylostomiasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Figado, penis, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lympliocytaria, perivascular central. Ade- 
nomas da capsula. 

Autopsia no. 1196. 

Sexo: Masculino. 

Idade. 30 annos. 

Nacionalidade : Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Aneurisma 
arcus aortae. Erosio tracheae. Aortitis sy- 
philitica. Haemorrhagia et infarctus pul- 
moniun. Hyperaemia lienis renum et 
meningium. Noduli jejuni. SynecWïae 
pleurae. Hyperaemia et infarctus hepatis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular. 

Autopsia no. 1203. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 60 annos. 

Macionalidade: Portugueza. 

Diagnostioc anatómico: Carcinoma 
ventriculi. Tuberculosis chronica fibro- 
sa pulmonis sinistri. Pleuritis chronica 
adhesiva. Lymphadenitis tuberculosa cer- 
vicalis, peritrachealis et peribronchialis. 
Tuberculosis glandularum suprarenalium. 
Enteritis tuberculosa ulcerativa. Aortitis 
syphilitica. Atrophia fusca cordis. Scle- 
rosis vasorum coronarium. Perisplenitis 
chronica. Gumma hepatis. Tuberculosis 
hepatis. Nephritis chronica interstilialis. 
Oedema meningium. Ulcera crurum. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, aorta, figado. 

Autopsia no. 1210. 

Sexo: Masculino, 

Idade: 45 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Anaemia gra- 
vis. Ankylostomiasis degeneralio adiposa 
cordis. Dilatatio ventriculi utriusque. 



Oedema pulmonmn. Hydrothorax duplus 
Tuberculosis circumscripta pulmonis et 
pleurae. Degeueratio adiposa renum. Hy- 
peraemia hepatis degeneratio adiposa. 
Anaemia, cerebri et meniagium. Oedema 
Oedema crurum. Medulla ossea adiposa. 
Perforatio saeptinasi. Cryptorchidismus 
unilateralis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Glándula .supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria na porção mais interna 
da cortex. Espessamento da capsula. 

Autopsia no. 1217. 

Sexo: Masculino: 

Idade: 57 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico : Nephritis 
chronica interstilialis. Hypertrophia ven- 
triculi utriusque. Dilatatio ventriculi dex- 
tri. Fibrosis myocardii. Calcificatio val- 
vularum aortae et mitralis. Calcificatio 
endocardii ventriculi sinistri. Atheroma 
aortae. Atrophia fusca hepatis. Fibrosis 
lienis. Perisplenitis chronica. Synechiae 
pericardii. Hydrothorax dextrus. Atelcc- 
taria pulmonis dextri. Cicatrices crurum. 
Hydroperitoneum. Petechiae epicardii et 
mucosae intestini. Gastritis hypertro- 
phica. Ascariasis. 

Autopsia no. 1227. 

Sexo : Masculino. 
Idade: 36 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Aneurisma 
arcus aortae. Mesaortitis chronica (sy- 
philis). Synechiae pericardii. Dilatatio au- 
riculae et ventriculi dextri. Hypertrophia 
ventriculi sinistri. Oedema, hyperaemia 
et alelectasia pulmonis sinistri. Oedema, 
hyperaemia et emphys^ema pulmonis 
dextri. Hyperaemia chronica hepatis. Hy- 
perplasia chronica lienis. Perisplenitis 
chronica. Degeneratio adiposa et hype- 
raemia renum. Hernia intestini tenuis in 
omentum minus. Hydroperitoneum. Hy- 
drothorax sinister. Ankylostomiasis. 



256 



Verificação histológica de sjjphilis: 
Aorta, glándula supra meal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular central. 

Autopsia no. 1246. 
Sexo : Masculino. 
Idade; 50 annos. 
Nacionalidade: Italiana. 

Dignostico anatómico: Syphilis. Ne- 
phritis interstitialis chronica. Hypertro- 
phia et dilatalio venlriculi sinistri. Dilata- 
tio venlriculi de.Ktri. Degeneratio adiposa 
myocardii. Aortitis levis Oedema el hype- 
raemia pulmonis utriiisque. Pneumonia 
crouposa lobi medii pulmonis dextri. 
Oedema meningium. Pleuritis chronica 
adhesiva. Hyperplasia et fibrosis licnis. 
Degeneratio parenchjonatosa acuta et adi- 
posa hepatis. Hydrothorax sinister. Ul- 
cera crurum. Lymphadenitis chronica in- 
guinalis et iliaca sinistra. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, rins, myocardio, ganglios lympha- 
ticos, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e cellulas plasmáticas pe- 
rivascular. Lipoidose da cortex. 

Autopsia no. 1247. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 48 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Syphilis Ne- 
phritis diffusa chronica. Dilatatio auri- 
culae el venlriculi dextri. Hypertrophia 
venlriculi sinistri. Myomalacia. Hydro- 
Ihorax duplus. Oedema pulmonura. Ate- 
lectasia et hyperaemia lobi inferioris pul- 
monis sinistri. Lingua glabra. Pachy- 
meningitis haemorrhagica interna sinis- 
tra. Encephalomalacia circumscripta. Her- 
nia inguinalis dextra. Phymosis. Balani- 
tis suppurativa. Ulcera cutanea. Degene- 
ratio hepatis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Lingua, pelle, rins, glándula supra re- 
nal. 



Glândula supra renal: Espessamento 
da capsula. Lipoidose da cortex. 

Autopsia no. 1258. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 36 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Syphilis. 
Aneurysma arteriae coroniae anterioris. 
Arteritis syphilitica aortae et arteriae co- 
ronariae. Hypertrophia venlriculi sinis- 
tri. Dilatatio auriculae sinistrae. Balani- 
tis ulcerativa. Cicatrices crurum. Hype- 
raemia chronica pulmonum, lienis, hepatis 
et renum. Necrosis mucosae intestini cras- 
si Petechiae endocardii et mucosae gas- 
tricae. Pleuritis chronica dextra. Hydro- 
peritoneum. Hydropericardium. Hydro- 
thorax. 

Verificação histológica de syphilis: 
aorta, pelle, penis, intestino e glándula 
supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e cellulas plasmáticas pe- 
vascular central. Hyperaemia. 

Autopsia no. 1263. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 42 annos. 

Idade: 42 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Syphilis. Hy- 
pertrophia et dilatatio venlriculi utri- 
tisque. Pleuritis chronica dextra. Hype- 
raemia chronica hepatis. lienis et renum, 
Degeneratio adiposa hepatis et myocar- 
dii. Perisplenitis chronica. Prostatitis 
chronica. Hydroperitoneum. Hydrothorax 
dexter. Cicatrices crurum. PhjTnosis. LH- 
cus penis, infarctus pulmonis dextri. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, penis, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltraçãa 
lymphocytaria e cellulas plasmáticas, pe- 
rivascular central. Lipoidose da cortex. 

Autopsia n<>. 1276. 
Sexo: Masculino. 
Idade: 3.5 annos. 



257 



Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Hepatitis 
chronica inlerstitialis (syphilitica). Hy- 
perplasia lienis. Perisplenitis chronica. 
Hydroperitoneimi. Fibrosis et atrophia 
myocardii. Fibrosis testis. Lymphadeni- 
tis chronica perigastrica, peripancreati- 
ca, lumbaris et hepática. Fibrosis pulmo- 
num. Pleuritis chronica adhesiva sinistra. 
Icterus. Cicatrices crurum. Ankylosto- 
miasis. Hyperaemia chronica renum. 
Anomalia arteriae coronariae sinistrae. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, figado, ganglios lymphaticos, tes- 
tículos, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular, camada me- 
dullar e fora da capsula. Espessamento 
da capsula. 

Autopsia no. 1290. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 23 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Malaria. Hy- 
perplasia et pigmenta' lo lienis. Pigmen- 
tatio hepatis. Hyperaemia pulmonu.m 
Pleuritis chronica adhesiva dextra. Gimi- 
ma testis sinistri. Fibrosis testis dextri. 
Cicatrix penis. Decubitus. Cadaver pu- 
trefactum. Ankyloslomiass. 

Verificação histológica de syphilis: 
Penis, tesliculo, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Espessamen- 
to capsula. Adenoma. 

Autopsia no. 1296. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 30 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico : Nephritis 
chronica inlerstitialis. Hypertrophia ven- 
triculi utriusque. Dilatatio ventriculi si- 
nistri. Oedema et emphysaema pulmo- 
num. Hydroperituneum. Hydrothorax du- 
plus. Fibrosis myocardii. Atrophia fusca 
hepatis. Atrophia lienis. Fibrosis testis. 
Oedema, hyperaemia et petechiae muco- 
sae intestini. Oedema levis meningiiun. 



Ankylostomiasis. Diverticulum intestini 
(Meckel). Anasarca. Cicatrices cutaaeae. 
Papilloma renis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Rim, glándulas supra renaes. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria na camada cortical. 

Autopsia no. 1305. 

Sexo : Masculino. 

Idade: 59 annos. 

Nacionalidade: Brasileira, 

Diagnostico anatómico: Arteritis sy- 
philitica. Aneurysma arcus aortae. Com- 
pressio pulmonis dextri, venae cavae supe- 
rioris, oesophagi et tracheae. Infarctus, 
hj'peraemia et oedema pulnionum. Ero- 
sio slerni. Pleuritis chronica adhesiva. 
Degeneratio adiposa et hyperaemia he- 
patis. Hyperaemia chronica lienis. Ne- 
phritis interslilialls chronica. Adenoma 
renis sinistri. Fibrosis glandulae pros- 
tatae. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltraç2a 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas, 
perivascular central. 

Autopsia no. 1334. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 28 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Aortitis sy- 
philitica. Aneurisma aortae thoracicae. 
Necrosis vertebrarum dorsalium et cos- 
tarum, Compressio medullae spinalis. 
Pyonephritis. Cystitis pseudomembrano- 
sa. Emphysaema pulmonum. Pleuriti» 
chronica adhesiva. Ankylostomiasis. 

Verificação histológica da syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas, 
na camada cortical e medular. Thrombo- 
se. Hemorrhagia. Adenoma da capsula. 

Autopsia no. 1339. 
Sexo: Masculino. 



258 



Idade: 23 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Syphilis 
Stricturae urethrae. Dilatai io circums- 
cripta urethrae et urethritis necrótica. 
Cystitis suppurativa et hypertrophia ve- 
sicae urinalis. Pyelitis chronica et hy- 
dronephrosis levis reñís dextri. Nephritis 
interstitialis chronica thrombotica. Peris- 
plenitis chronica et synechia (abscessus 
antiquus). Hyperplasia lienis. Degeneratio 
parenchjTnatosa, cicatiices et pynechiae 
hepatis. Pancreatitis interslitialis chroni- 
ca. Compressio capsulae suprarenalis si- 
nistrae. Fibrosis testis. Periorchilis chro- 
nica. Vesiculitis seminalis chronica. Hype- 
raemia et oedema pulmonum. Hypertro- 
phia ventriculi sinistri. Infiltratio adi- 
posa myocardii. Leptomeningitis chroni- 
ca. Lingua glabra. Lymphadenitis chro- 
nica lumbaris. Ulcus cruris. Cicatricse 
cutis. Cicatrix vulneris puncti abdominis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, ganglios lymphaticos, testículo e 
glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular, camada cor- 
tical e medullar. Ligeiro espessamento 
da capsula. 

Autopsia no. 1340. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 50 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Malaria. An- 
kylostomiasis. Ileocolitis acuta serosa et 
ulcerativa incipiens. Peritonitis acuta sup- 
purativa. Hydroperitoneum. Hepatitis in- 
terstitialis chronica. Hyperplasia lienis 
et perisplenitis chronica. Pigmentatio lie- 
nis et hepatis. Fibrosis testis dextri. Ne- 
phritis acuta parenchymatosa. Hydrotho- 
rax duplus. Hypreaemia, oedema et an- 
thracosis pulmonum. Pleuritis chronica 
adhesiva dupla. Pericarditis chronica 
circumscripta. Sclerosis vavulae milralis 
et aorticae. Hypertrophia ventriculi sinis- 
tri Arteriosclerc sis. Cicatrix ulceris duo- 
deni. Anaemia cerebri. 



Verificação histológica de syphilis: 
Figado, endocardio, testículo, glándula 
supra renal. 

Glándula supra renal: Espessamento 
da capsula. 

Autopsia no. 1350. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 43 annos. 

Nacionalidade: AUemã. 

Diagnostico anatómico: Oedema, hy- 
peraemia el emphysaema pulmontun. 
Pleuritis chronica adhesiva dextra. Hy- 
drothorax, dexter Hypertrophia ventri- 
culi sinistri. Dilatatio ventriculi dextri- 
Arteriosclerosis. Hyperplasia et hyperae- 
mia capsulae suprarenalis utriusque. Hy- 
peraemia chronica hepatis. Pyelitis si- 
nistra. Cystitis catarrhalis. Atrophia cir- 
cumscripta corticis cerebri. Atrophia cru- 
ris et brachii sinistri. Asymetria faciei 
Encephalomalacia nuclei lenticularis et 
capsulae internae dextrae. Anomalia pul- 
monis sinistri. 

Verificação histológica de syphilis: 
aorta, cerebro, glándula yupra renal. 

Glándula supra renal Infiltração 
lymphocj'taria perivascular, ligeira. Lipoi- 
de da cortex. Hyperaeraia. 

Autopsia no. 1351 

Sexo: Masculino. 

Idade: 57 annos. 

Nacionalidade : Italiana. 

Diagnostico anatómico : Mesaortitis 
chronica. Aneurysma arcua aortac. Bron- 
chopneumonia, oedema et emphysaema 
pulmonis. Pleuritis chronica adhesiva 
dextra. Perisplenitis chronica. Splenoma- 
lacia. Nephritis interstitialis chronica 
Cholelithiasis. Hyperplasia nodularis et 
diffusa prostatae. Sclerosis arteriae ba- 
silaris. Cicatrix penis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, pelle, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
jíerivascular. Lipoidose da cortex. 



259 



Autopsia no. 1361. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 34 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Syphilis 
Aneurisma aortae thoracicae in parte 
descendente. Mesaortitis. Alelectasia pul- 
monis sinistri. Bronchopneumonia tuber- 
culosa. Pleuritis chronica adhesiva. Ne- 
crosis vertebrarum. Hyperaemia chronica 
passiva hepatis et renum. Atrophia lienis. 
Lymphodenitis mesaraica. Dilatatio ven- 
triculi dextri. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymph ocy tar ia e algumas cellulas plas- 
máticas, perivascular central. Espessa- 
mento pronunciado da capsula. 

Autopsia no. 1362. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 35 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Syphilis. He- 
patitis interslitialis chronica. Hyperpla- 
sia lienis. Perisplenitis chronica. Nephri- 
tis parenchymatosa chronica. Hypertro- 
phia ventriculi utriusque. Pleuritis chro- 
nica sinislra. Infiltratio adiposa myocar- 
dii. Oedema et hyperaemia pulmonum. 
Necrosis saepti nasis et cicatrix alae na- 
sis et glabelae. Colitis ulcerativa. Ana- 
sarca. Cicatrices crurum. Haemorrhagia 
capsulae suprarenalis sinistrae. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, fígado, nariz, glándula supra renal. 

Glândula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
perivascular central. Hemorrhagia. 

Autopsia no. 1363. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 53 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Pericarditis 
fibrino purulenta. Pleuritis fibrino puru- 
lenta sinistra. Alelectasia pulmonis sinistri 
Emphysaema marginalis pulmonis dex- 



tri. Oedema lobl superioris et medii pul- 
monis dextri. Oedema et hyperaemia lobi 
inferioris pulmonis dextri. Splenitis acu- 
ta. Hyperaemia chronica passiva et de- 
generatio adiposa hepatis. Dermatitis pa- 
pulosa. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, glándula supra renal. 

Glândula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular central ligei- 
ra. Adenoma da capsula. 

Autopsia no. 1373. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 60 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Atheroma 
aortae. Bronchopneumonia. Tuberculosis 
fibrosa pulmonis dextri. Oedema et hy- 
peraemia pulmonum. Pleuritis chronica 
dextra. Hyperaemia hepatis et renum. 
Decubitus. Cicatrix penis. Cystitis pseu- 
domembranosa. Proctitis. Diverticula sig- 
moidea (?). 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria de cellulas plasmáticas pe- 
rivascular. Adenoma da capsula. 

Autopsia no. 1374. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 29 annos. 

Nacionalidade : Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Haemorrha- 
gia cerebralis. Encephalomalacia capsu- 
lae internae, nuclei lenticularis et lobl 
frontalis dextri. Hyperaemia meningium, 
pulmonis dextri, renum, hepatis, lienis 
et capsularum suprarenalium. Broncho- 
pneumonia sinistra. Pleuritis chronica si- 
nistra. Hypertrophia ventriculi sinisti-i. 

Verificação histológica da syphilis: 
Aorta, cerebro. 

Glándula supra renal: Adenoma da 
camada cortical. Hyperaemia. Lipoidose 
cortex (ligeira). 



260 



Autopsia no. 1383, 

Sexo: Masculino. 

Idade: 63 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Ulcus carci- 
nomalosum ventriculi cum perforatione. 
Carcinoma melastatica in nodis medias- 
tini posterioris, perigastricis et hmíbaris. 
Peritonitis sero fibrin osa. Arteriosclerosis 
et aortitis chronica (syphilis). Atrophia 
cordis, hepatis et lienis. Hyperaemia et 
oedema pulmonis dextri. Nephritis in- 
terstilialis chronica. Oedema meningium. 

Verificação histológica de si/philis: 
Aorta, penis, rins, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas, 
perivascular central e fora da capsula. 

Autopsia no. 1386. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 21 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Tuberculosis 
miliaris acuta pulmonum, hepatis et lie- 
nis. Lymphadenitis tulîerculosa mesarai- 
ca et mesocolica. Enteritis tuberculosa 
ulcerativa. Pharyngitis ulcerativa. La- 
ryngitis ulcerativa. Oesophagitis ulcerati- 
va. Tracheitis ulcerativa. Syphilis. Ci- 
catrix penis. Perisplenitis chronica. Pe- 
rihepatitis chronica. Pleuritis adhesiva 
suÍ3-acuta. Hypertrophia ventriculi utri- 
usque. Aortitis. Clades saepti nasis. Ulcus 
alae- sinistrae. nasis (Leishmaniosis). 
Granuloma n.asis (Leishmaniosis). Ulcus 
labii superiofis (Leishmaniosis) Atrophia 
reniun. Ankylostomiasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Laryngé, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria de cellulas plasmáticas pe- 
rivascular central. Espessamento da cap- 
sula. 

Autopsia no. 1400. 
Sexo: Masculino. 
Idade: 90 annos. 
Nacionalidade : Brasileira. 



Diagnostico anatómico: Ulcera et ci- 
catrices sypliilitica cutis, laryngis et tra- 
cheae. Exfoliatio epidermis. Aortitis chro- 
nica s^'phili!ica. Hypertrophia et dilata- 
tio ventriculi utriusque. Emphysaemaet 
oedema pulmonum. Hyperaemia chroni- 
ca hepatis et lienis. Cicatrices renum. 
Typhlilis ulcerativa. Oedema leptomenin- 
gium. Ankylostomiasis. Ascariasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Trachea, aorta, pelle, laryngé, glándula 
supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
perivascular central. 

Autopsia no. 1416. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 20 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

D'annostico anatómico ;Emphysaema 
pleurae sinistrae. Pneumonia crouposa 
piilmonis sinistri. Bronchopnemnonia pul- 
monis dextri. Gangraena circumscripta 
pulmonis sinislri. Pleuritis chronica adhe- 
siva dextra. Hyperaemia hepatis. Perihe- 
patitis chronica. Hyperplasia lienis. Hy- 
perplasia lymphoidea inteslini. Athero- 
ma aortae. Cicatrices cutis. Vitiligo. Fi- 
broma renis sinislri. Trichuriasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, pelle. 

Glándula supra meal: Adenoma da 
capsula. 

Autopsia n". 1428. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 41 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Nephritis pa- 
renchjTnatosa chronica. Degeneratio adi- 
posa myocardii. Degeneratio adiposa et 
atrophia levis hepatis. Oedema pulmo- 
num. Hydrothorax duplas. Hydroperito- 
neum. Anaemia cerebri. Perisplenitis 
chronica. Diverticulum intestini (Meckel). 
Syphilis. Cicatrix penis. Oedema levis 
crurum. Ankylostomiasis. Lymphadenitis 
chronica inguinalis. 



261 



Verificação histológica de syphilis: 

Ganglios Ijionphaticos, glándula pupra-re- 

nal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular central. 

Espessamento da capsula. Lipoidose da 

cortex. 

Autopsia n*5. 1433. 

Se.xo : Masculino. 

Idade: 63 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Broncho- 
pneumonia sinistra. Pleuritis fibrinosa 
dextra. Pyothorax. Atelectasia pulmonis 
dextri. Bronchitis acuta catarrhalis. Aor- 
titis syphilitica. Hypertrophia ventriculi 
utriusque. Hyperaemia et degeneratio adi- 
posa hepatis. Degeneratio parenchyma- 
tosa renum. Ankilostomiasis, Ascariasis. 
Leucoplakia oesophagi. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
leucocytaria e de cellulas plasmáticas pe- 
rivascular, camada medullar. Fibrose. Es- 
pessamento da capsula. Hyperaemia, ade- 
noma da capsula. 

Autopsia no. 1436. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 28 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Pneumo- 
nia crouposa dextra. Oedema et hype- 
raemia pulmonis sinistri. Pleuritis adhe- 
siva dextra. Mesaortitis syphilitica. De- 
generatio adiposa hepatis. Nephritis acu- 
la parenchymatosa. Hypertrophia ventri- 
culi sinistri. Hyperaemia lienis. Ulcera 
oesophagi. Adenoma capsulae suprarena- 
Hs sinistrae. Ankylostomiasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta. 

Glândula supra renal: Adenoma da 
capsula. 

Autopsia no. 1457. 
Sexo: Masculino. 
Idade: 48 annos. 



Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Haemorrha- 
gia. Aneurysma arcus aortae et aortae 
descendentis. Ruptura aneurismae ¡noe- 
sophagum. Pneumonia lobi inferioris pul- 
monis sinistri. Atelectasia lobi superio- 
ris pulmonis sinistri. Arteritis arteriarum 
carotid\!m. Perisplenitis chronica. Hype- 
raemia chronica hepatis. 

Microscopicamente : Pneumonia sy- 
philitica 1. i. p. s. Adrenalitis syphilitica. 
Nephritis chronica diffusa. 

Verificação histológica de syphilis :^ 
Aneurisma, pulmão, glándula supra re- 
nal. 

Glándula supra renal: Intensa infll- 
tração lymphocytaria e de cellulas plas- 
máticas perivascular e disseminadamen- 
te. Adenoma da capsula. 

Autopsia no. 1463. 

Sexo: Masculino. 

Idaie: 40 annos. 

N acionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Pneumonia 

crouposa dextra. Atelectasia pulmo- 
nis sinistri. Hepatitis chronica. Perihe- 
patitis chronica. Peritonitis chronica 
Atrophia lienis. Perisplenitis chronica. Ar- 
teritis syphilitica. Hypertrophia ventri- 
culi sinistri. Dilatatio ventriculi dextri 
Degeneratio parenchymatosa renum. Hy- 
drothorax duplus. Hydroperitoneum. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, figado, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria da camada cortical. Pe- 
rivascular fora da capsula. 

Autopsia no. 1469. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 26 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Broncho- 
pneumonia ulcerativa tuberculosa du- 
pla. Lymphadenitis tuberculosa peribron- 
chialis et mesaraica. Pleuritis adhesiva 
chronica, dupla. Laryngitis ulcerativa sy- 
philitica. Appendicitis tuberculosa. En- 



262 



terocolitis ulcerativa tuberculosa. Cica- 
trix penis. Peritonitis tuberculosa cir- 
cumscripta. 

Verificação histológica de sjfphilis: 
Penis, laryngé, glándula supra trcnal. 

Glándula supra renal: Ligeira infil- 
Iração lymphocytaria perivascular. 

Autopsia no. 1470. 

Sexo: Masculino. 
i Idade: 48 annos. 
^ Nacionalidade: Brasileira, 

Diagnostico anatómico: Arterioscle- 
rosis. Aortitis chronica syphilitica. Ne- 
phritis interstitialis chronica. Hypcrtro- 
phia vcntriculi sinislri. Dilatalio vcntri- 
culi dexlri et auricularum. Sclerosis va- 
sorura cerebri. Oedema, emphysaema ct 
hyperaemia pulmonum. Hyperaemia pas- 
siva chronica hepatis. Petechiae vcntri- 
culi et pericardii. Hydrothorax duplus 
Calcificalio glandulae thyrcoidicac. Atro- 
phia lienis. Ankylostomiasis. Dilatatio ve- 
sicae urinalis. 

Verificação histológica de s'jphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e algumas cellulas plas- 
máticas perivascular. Lipoidose cortex. 
Hyperaemia. Adenoma da capsula. 

Autopsia no. 1479. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 46 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: S!enosis et 
cicatrices recti. Colitis ulcerativa ct po- 
íyposa. Perforalio coli sigmoidei. Vari- 
ces renae haemorrhoidalis Atrophia fus- 
ca myocardii. Tuberculosis apicum pulmo- 
num. Atelcctasia pulmonis sinistri. Em- 
physaema et oedema pulmonis sinistri. 
Pleuritis chronica adhesiva sinistra. Pe- 
risplenitis ch.-onica. Atrophia fusca he- 
patis. Hyperaemia passiva renum. 

Verificação histológica de syphilis: 
Laryngé, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 



lymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
perivascular. Hyperaemia. 

Autopsia no. 1484. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 45 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Aortitis chro- 
nica syphilitica. Aneurisma aorlae des- 
cendcntis. Ruptura aneurismae in oeso- 
phajjum. Ilaemorrhagia in ventriculum, 
intestinum tenue et in coecum. Arteritis 
et degeneratio adiposa arleriae anony- 
mae et carotidis. Hyperplasia nodoruru 
mcsaraicorum. Oedema oesophagi. Calci- 
ficalio cartilaginium costalium. Cicatrices 
penis. Degeneratio adiposa hepatis. 

Verificação histológica de syphilis.' 
Aorta, penis, ganglios lymphaticos, glán- 
dula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular. Lipoidose da 
cortex. 

Autopsia no. 1494. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 32 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Syphilis. 
Aortitis syphilitica. Oedema pulmonum. 
Hypcrlrophia venlriculi sinislri. Degene- 
ratio adiposa hepatis. Hyperaemia lie- 
nis. Hyperaemia renum. Ulcera crurum. 
Cicatrices penis. Cicatrices crurum. 

Verificação histológica de syphilis: 

Aorta, pelle, penis, glándula supra 
renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
de cellulas plasmáticas, na camada me- 
dular. Hyperaemia. 

Autopsia no. 1499. 

Sexo: Feminino. 

IdaJe: 50 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Cystis hepa- 
tis. Nepbrilis intcrslilialis chronica cum 
cystide. Cystis ovarii dcxtri. Adenoma 
glandulae thyroidicae. Degeneratio pa- 



263 



Irenchyraalosa hepafs. Cystis plexi cho- 
roidici sinistri. Aortitis chronica. Ventri- 
culus bilocularis. Hyperplasia lymphoidea 
li«nis. Haemorrhagiae lienis. Sclerosis va- 
sorum basis cerebri. FÜjrosis myocardii. 
Hypertrophia et dilatatio ventriculi si- 
nistri. Laparatomia. Adipositas. Ascaria- 
sis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, myocardio, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas, 
da camada cortical. 

Autopsia no. 1504. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 24 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Nephritis dif- 
fusa acuta. Ulcus oesopliagum gastricum. 
Colitis ulcerativa et haemorrhagica. Hy- 
peraeraia intestini tenuis. Degeneratio 
adiposa hepatis. Syphilis. Cicatrix penis. 
Bronchopneiunonia haemorrhagica pul- 
monis dextri. Cicatrices inguino crura- 
les. Ascariasis. ' 

Verificação histológica de syphilis: 
penis, ganglios lymphaticos. 

Glándula supra renal: Lipoidose da 
cortex. 

Autopsia no. 1515. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 50 annos. 

N acionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Aortitis sy- 
philitica et aneurisma aortae abdomina- 
lis. Pneiunonia lobi inferioris sinistri (sy- 
philis). Atrophia cordis. Perisplenitis 
chronica. Anaemia renis sinistri. Atrophia 
hepatis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, pulmões. 

Autopsia no. 1527. 
Sexo : Masculino. 
Idade: 34 annos. 
Nacionalidade: Brasileira. 
Diagnostico anatómico: Carcinoma 
jílcerativum, ventriculi. Carcinoma me- 



tastalicum hepatis et nodorum subdia^ 
phragmaticorum et peripancrealicorum. 
Cachexia, .aortitis chronica syphilitica. 
Clades nasis. Cicatrices penis. Atrophia 
fusca cordis. Oedema pulmoniun. Hydro- 
cele sinisler. Ascariasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, penis, nariz. 

Autopsia no. 1540. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 45 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Malaria. Hy- 
perplasia et pigraentatio lienis et hepatis» 
Pigmentatio paniculi adiposi cutis et pe- 
ricardii. Pigmentatio pancreatis et sero- 
sae intestini. Icterus. Nephritis interstiti- 
alis chronica. Petechiae mucosae intesti- 
ni. Pigmentatio mucosae ventriculi. Ulce- 
ra crurum. Hyperplasia corticis glandu- 
larum suprarenal ium. Nodulae plexi cho- 
roidei. 

Verificação histológica de syphilis: 
Glândula supra renal. 

Glândula supra renal: InfiltraçSo 
lymphocytaria perivascular e dissemina- 
damente. 

Autopsia no. 1515. -^ 

Sexo: Masculino. 

Idade: 50 annos. 

Nacionalidade: 

Diagnostico anatómico: Arterioscle- 
rosis. Encephalomalacia. Nephritis in- 
terstitialis chronica (a. s). Pneumonia 
crouposa loborum superioris et inferioris 
pulmonis dextri. Sclerosis vasorum ba- 
sis cerebri. Hepatitis interstitialis chro- 
nica. Cholelithiasis. Perisplenitis chro- 
nica. Hypertrophia ventriculi sinistri. 
Calcificatio valvularum aortae. Sclerosis 
vesicularmn seminalium. Sclerosis testiç 
dextri. 

Verificação histológica de syphilis: 
Figado, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: lufiltraçãa 
IjTnphocytaria perivascular com espe^ 
sámenlo da capsula. 



264 



Autopsia no. 1557. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 28 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Hyparaemia 
et hyperplasia chronica lienis. Malaria. 
Ankylostomiasis. Syphilis. Degeneratio 
parenchymatosa acuta renum. Hyperae- 
mia chronica et degeneratio adiposa he- 
patis. Hypertrophia ventriculi sinistri. 
Hyperaemia et oedema pulmommi. Dila- 
latio auriculae utriusque. Cicatrices cu- 
tis Hydrothora.K duplus. Hydropcricar- 
dium. Hydroperitoneum. Degeneratio adi- 
posa aortae. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Espessamento 
da capsula. 

Autopsia no. 1565. 

Se.\o: Masculino. 

Idade: 21 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Broncho- 
pneumonia dupla. Pleuritis fibrinopuru- 
lenta sinistra. Pleuritis serosa dextra. 
Splenitis acuta. Dilatatio ventriculi et 
am-iculac dextraae. Nephritis parenchy- 
matosa acuta. Infarctus renis. Hypcrae 
mia meningium. Ulcera cruris sinistri. 
Cicatrices crurum et penis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, glándula supra renal. 

Glándula supra meal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular central 

Autopsia no. 1569. 

Sexo Masculino: 

Idade: 63 annos. 

Nacionalidade: Italiana. 

Diagnostico anatómico: Aortitis sy- 
philitica et arteriosclerosis. Nephritis in- 
terstitialis chronica. Anaemia. Ulcus fa- 
ciei sinislrae. Atrophia fusca cordis. Atro- 
phia hepalis. Atrophia capsularum supra- 
renalium. Perisplenilii cliro lica. Emphy- 
saema pulmommi. Oedema loborum infe- 



riorum pulmonis utriusque. Gastritis chro- 
nica. Oedema crurum. Phymos!s. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula suora renal. 

Glándula supra renal: Espessamento 
da capsula. 

Autopsia no.l572. 

Sexo : Masculino. 

Idade: 40 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Aortitis ¡ry- 
phililica. Aneurysma aortae ascenden- 
tis. Dilatatio auriculae et ventriculi dex- 
tri. Oedema et emphysaema pulmonum. 
Hyperaemia passiva hepatis et lienis. Hy- 
drolhorax duplus. Hydroperitoneum. Oe- 
dema cutis. Cicatrix collis. Anasarca. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
IjTnphocytaria perivascular. Espessamen- 
to da capsula. Hyperaemia, 

Autopsia no. 1581. 

Sexo : Masculino. 

Idade: 

Nacionalidade: Portugueza, 

Diagnostico ana/om/co: Syphilis. Tra- 
cheitis ulcerativa (syphilis). Oedema glo- 
ttidi.s. Gumma pulmonis. Cicatrices hepa- 
tis (hepar lobatum). Fibrosis vesicularum 
seminalium. Lymphadenilis chronica in- 
guinalis et subdiaphragmalica. Atheroma 
levis aortae. Nephritis interslitialis chro- 
nica et infarctus renum. Hyperplasia lie- 
nis, Hypertrophia ventriculi sinistri. Em- 
physaema et oedema pulmonum. 

Verificação histológica de syphilis: 
Trachea, aorta, ligado, pulmão, ganglios 
lymphaticos, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria de cellulas plasmáticas pe- 
rivascular. Adenoma da capsula. 

Autopsia no. 1588. 
Se.xo: Masculino. 
Idade: 29 annos. 
Nacionalidade : Brasileira. 



265 



Diagnostico anatómico: Neoplasma 
pleurae dextrae. Pleuritis adhesiva chro- 
nica dextra. Hydrothorax dexter. Ate- 
lectasia pulmonis dextri. Oedema pul- 
monis sinislri. Hydroperitoneum. Haemo- 
pericardiimi., Petechiae peritonei. Dege- 
noratio adiposa et hyperaemia chronica 
passiva hepatis. Infarctus lienis. Cicatri- 
ces cutis. Cicatrices penis. Ankylostomia- 
sis. Decubitus. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, pelle, penis, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular central. Ade- 
iwma da capsula. 

Autopsia no. 1589. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 20 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Pneumonia 
crouposa lobi inferioris pulmonis sinistri 
et bronchopneumonia lobi superioris pul- 
monis dextri. Pleuritis fibrinosa acuta et 
fibrosa chronica adhesiva sinistra. Hy- 
drothorax duplus. Haemorrhagiae muscu- 
lorum intercostalium. Splenomegalia. No- 
dulus perirenalis. Hyperostosis syphiliti- 
ca tibiae sinistrae. Ulcus cubiti. Ulcus 
crunmi. Cicatrices et pigmentatio cutis. 
Phymosis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, fígado. 

Glándula supra renal: Adenoma da 
capsula. 

Autopsia no. 1591. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 40 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Broncho- 
pneiunonia lobi inferioris et partis infe- 
rioris et superioris pulmonis sinistri. Oe- 
dema et hyperaemia lobi pulmonis dex- 
trL Nephritis interstitialis levis et dege- 
neratio parenchymatosa renum. Atrophia 
ievis hepatis. Myelitis. Hyperaemia me- 
iiingiima; et cerebri. Fibro.sifi llenis. Atro- 



phia musculi sceleti. Ascariasis. Noduli 
plexonmi choroidicorvmi. Cicatrix penis. 
Verificação histológica de syphilis: 
Glanulda supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
na camada cortical e medullar. 

Autopsia no. 1600. 

Sexo : Feminino. 

Idade: 26 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Septicaemia. 
Angiocolitis acuta. Hyperaemia pulmo- 
num et reniun. Uterus subinvolutus. Re- 
tentio placentae. Endometritis acuta. 

Verificação histológica de syphilis. 
glándula supra renal 

Glándula supra renal Infiltração 
lymphocytaria perivascular. 

Autopsia no. 1616. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 49 annos. 

Nacionalidade : Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Broncho- 
pneumonia tuberculosa dextra. Pleuritis 
tuberculosa chronica dextra cum calct- 
ficatione. Oedema et hyperaemia pulmo- 
num. Hepatitis chronica. Perihepatitis 
chronica circumscripta. Perisplenitis 
chronica. Gastritis chronica catarrhalis. 

Verificação histológica de syphilis: 
glándula supra renal. 

Glándula supra meal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular e camada 
corüral. 

Autopsia no, 1620. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 19 annos. 

Diagnostico anatómico: Pleuritis fi- 
brinopurulenta dupla. Mediastinitis fibri- 
nopurulenta. Endocarditis acuta mitralis. 
Nephritis parenchymatosa subacuta. Hy- 
perplasia levis nodorimi retroperitoneaü- 
um. Splenomegalia (17 -f- 10 -f- 4,5) (sy- 
philis). Perisplenitis chronica. Perihepa- 
titis chronica. Fibrosis hepatis (Syphilis)^ 



266 



Haemoi'ihagia el hyperaemia suprai'ena- 
lium. 

Verificação histológica de syphilis: 
Figado, glándula suprarenal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
îymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
fora da capsula. Lipoidose da cortex. 

Autopsia no. 1621. 

Sexo : Masculino. 

Idade: 30 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Peritonitis ti- 
brino-purulenta. Degeneratio adiposa he- 
patis. Hyperaemia et oedema pulmonum. 
Degeneratio parenchymatosa renimi. Pan- 
creatitis chronica interstitialis (interlo- 
bularis et intralobularis). Anaemia. Am- 
J)utatio femoris sinistri. Cicatrices cru- 
ris dextri. Pleuritis chronica adhesiva 
dextra. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pancreas, glándulas supra renaes. 

Glándulas supra renaes: Infiltração 
îymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
perivascular e em toda a capsula. 

Autopsia no. 1622. 

Sexo: Feminino. 

Idade: 19 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Nephritis 
chronica interstilialis. Hypertrophia ven- 
triculi sinistri. Pacchymeningilis hae- 
tnorrhagíca interna. Hypostasis pulmo- 
num et bronchitis acuta. Infarctus pul- 
anonum. Lymphadenitis tuberculosa pe- 
ritrachialis. Pleuritis chronica adhesiva 
dextra. Oedema leptomeningium. Arte- 
riosclerosis, incipiens. Cicatrices cutis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, pelle, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
Iymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
perivascular central. 

Autopsia no. 1625. 
Sexo : Feminino. 
Idade: 62 annos. 



Nacionalidade: Portugueza. "^ 

Diagnostico anatómico: SyplúUs. Aor- 
titis syphilitica. Nephritis interstitialis 
chronica. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glândula supra renal: Infiltração 
Iymphocytaria na camada cortical. 

Autopsia no. 1630. ¿ 

Sexo: Masculino. í 

Idade: 45 annos. 
Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Arterioscle- 
rosis. Aortitis chronica syphilitica. Ul- 
cus tuberculosum intestini tenuis. Dila- 
tatio oesophagi et synechiae nodorimi. 
Calcificatio nodormn peribronchialiiun. 
Bronchopneumonia loborum inferiorvun 
pulmonum. Oedema et hyperaemia pulmo- 
moniun. Pleuritis chronica adhesiva si- 
nistra, Degeneratio adiposa myocardii et 
hepatis. Atrophia lienis. Oedema lepto- 
meningium. Hydrocele dexter. Nephritis 
parench3^matosa levis acuta Cicatrices cru- 
rum. Fibrosis testis. 

Verificação histológica'^ de syphilis: 
Aorta, pelle, testículo. 

Autopsia no. 1633. 
Sexo: Masculino. 
Idade: 45 annos. 
Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Tuberculosi» 
ulcerativa et peribronchialis. lobi superio- 
ris sinistri. Oedema et hyperaemia pulmo- 
niun. Lymphadenitis tuberculosa peritra- 
chealis. Hydrothorax sinister. Pleuritis 
chronica adhesiva dupla. Tuberculosis ul- 
cerativa tracheae. Dilatatio universalis 
cordis. Hypertrophia ventriculi sinistri. 
Enterocolitis tuberculosa ulcerativa. Hy- 
peraemia lienis. Hyperaemia et degene 
ratio adiposa hepatis. Nephritis paren- 
chymatosa chronica. Adenoma capsulan 
adrenalis dextrae. Fibrosis testis dextri. 
Hyperplasia nodormn inguinaliimi. Cica- 
trices cutis. 



267 



Nerlficação histológica de syphilis: 
Pelle, testículos, ganglio lymphatico. 

Glándula supra renal: Tuberculose. 
Adenoma. 

Autopsia no. 1634. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 64 annos. 

Nacionalidade: Italiana. 

Diagnostico anatómico: Syphilis pul- 
monum. Nephritis interstitialis chronica. 
Degeneratio adiposa hepatis. Oedema pul- 
monum. Hydroperitoneum. Hydrothorax 
duplus. Oedema subcutaneum. Vesiculitis 
seminalis chronica. 

Verificação histológica de syphilis. 
Pulmão, myocardio, glándula supra re- 
nal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria disseminada e perivascu- 
lar. 

Autopsia no. 1637. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 23 annos. 

Nacionalidade Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Leptomenin- 
gitis suppurativa acuta. Hyperaemia no- 
dulorum Peyeri. Haemorrhagia capsulae 
suprareualis dextrae. Tuberculosis peri- 
bronchialis pulmonis dextri. Lymphade- 
denitis tracheobronchialis. Aortitis syphi- 
litica. Exanthema. Petechiae pericardii et 
mucosae vesicae urinalis. Ascariasis. Tri- 
churiasis. Cystis peritrachealis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiitração 
lymphocytaria e cellulas plasmáticas pe- 
rivascular. Haemorrhagia, infarcto. 

Autopsia n-^. 1645. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 33 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Tuberculosis 
miliaris et ulcerativa pulmonum. Menin- 
gitis tuberculosa. Pleuritis chronica adhe- 
siva dupla. Aortitis syphilitica. Hyperae- 
mía hepatis, lienis et renum. LjTnpha- 



denitis tuberculosa tracheobronchiali». 
Tuberculosis prostatae. Colitis ulcerativa. 
Varices recti. Ankylostomiasis. Trichu- 
riasis. Ascariasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Músculos. 

Autopsia no. 1654. 

Sexo : Masculino. 

Idade: 36 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Septicemia. 
Syphilis gravis Perihepatitis et perisple- 
nitis chronica. G\immata hepatis et lie- 
nis. Hyperplasia lienis. Pleuritis chroni- 
ca adhesiva dupla. Hyperaemia hepatis, 
lienis et renum. Hepatitis interstitialis 
chronica sporadica. Colitis catarrhalis. 
Cicatrix epigîottidis. Fibrosis testis sinis- 
tri. Gastritis calarrhalis. Hyperaemia pul- 
monum. Cicatrices crurum. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pelle, figado, testículo, glándula supra 
renal. 

Glándula supra renal: Infiltração! 
i>Tnphocytaria disseminada. 

Autopsia n". 1655. 

Sexo: Masculino; 

Idade: 26 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Broncho- 
pneumonia dextra. Pleuritis fibrinosa 
dextra. Pleuritis adhesiva chronica du- 
pla. Pericarditis acuta fibrinopurulenta. 
Laryngitis pseudomembranosa (Diphte- 
ria). Tracheotomia. Hyperplasia lienis. 
Perisplenitis et perihepatitis chronica. He- 
patitis intrsetitialis chronica et cicatri- 
ces. Pericholangitis chronica. Colitis fol- 
licularis. Gastritis haemorrhagica. Pete- 
chiae istestini tenuis. Lymphadenitis tu- 
berculosa peribronchialis et peritrachea- 
lis. Oedema epigîottidis. Medulla ossea 
I'ubra. Ascariasis. Ankylostomiasis. Ne- 
phritis diffusa acuta. Hyperplasia glan- 
dularum suprarenalium. Cicatrices cru- 
riun. Syphilis. Hydrocele dupla. Lympha- 
denitis chronica jnesaraica. "Schistosomia- 
sis. 



268 



N. B.— O caso parece ser de Molestia 
de BANTl, morto por causa de urna in- 
fecção diphterica. 

Verificação histológica de syphilis: 
glándula supra renal. 

Glándula siipra renal: Infiltração 
îymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
perivascular. Espessamento da capsula. 

Autopsia no. 1662. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 62 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Broncho- 
pneumonia confluens lobi inferioris dex- 
tri. Tuberculosis ulcerativa chronica et 
fibrosis lobi superioris pulmonis dextri. 
Pneumonia syphilitica. Pleuritis fibrosa 
chronica dextra. Hyperaemia cerebri. 
Lymphadenitis acuta peribronchialis. Ne- 
phritis interstitial is chronica. Atrophia 
fusca cordis. Atrophia hepatis et perihepa- 
titis chronica (levis). Hepatitis inlerstitia- 
lis (syphilis). Atrophia et fibrosis Uenis. 
Arteriosclerosis. Gastritis chronica atro- 
phica. Enteritis haeraorrhagica acuta. Fi- 
brosis testis. Hyperlrophia prostatae. 

Verificação histológica de syphilis: 
Pulmão, e testículo. 

Glándula supra renal: Ganglios lym- 
phaticos intracapsulares. Adenoma da 
capsula. 

Autopsia no. 1668. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 7(i annos. 

Nacionalidade: Inglez. 

Diagnostico anatómico: Leptomenin- 
gitis suppuraliva acuta (meningococcus). 
Nephritis inlerslitialis chronica. Arteri- 
osclerosis. Aortitis chronica cyphilitica 
Splenitis acuta. Tuberculosis fibrocasco- 
sa apicis pulmonis dextri. Hyperaemia 
pulmonum Pelechiae epicardii el muco- 
sae vesicae urinalis. Fibrosis et atrophia 
testis dextri. 

Verificação histológica de syphilis:. 
Aorta, testículo, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 



Iymphocytaria e cellulas plasmáticas pek 
rivascular. Hyperaemia. 

Autopsia no. 1670. 

Sexo : Masculino. 

Idade: 26 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Otitis medía 
suppurativa. Bronchopneumonia conflu- 
ens lobi inferioris pulmonis sinistri. Pleu- 
ritis fibrinosa acuta sinistra. Lymphade- 
nitis acuta peribronchialis. Pleuritis fi- 
brosa chronica dextra. Hydroperitoneum. 
Hyperaemia chronica et degeneratio he- 
patis. Degeneratio et cicatrices renum. 
Splenitis acuta. Aortitis syphilitica. Gas- 
tritis subacuta. Ulcera cruris. Ascariasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, pelle. 

Autopsia no. 1671. 

Sexo: Feminino. 

Idade: 21 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Ankylosto- 
miasis. Degeneratio acuta renum. Hydro- 
preitoneum. Hydrolhorax duplus. Hydro- 
pericardium. Endocarditis acuta vegeta- 
tiva mitralis (levis). Dilatatio a\u'icula:c 
et ventriculi dextri. Anomalia cordis. Oe- 
dema pulmonum. Anaemia. Splenomega- 
lia et cicatrices lienis. Ascariasis. 

Verificação histológica de syphilis. 
Glândula supra renal. 

Glândula supra renal: Espessamento 
da capsula. 

Autopsia no. 1677. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 40 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Aortitis sy- 
philitica. Endocarditis chronica valvulac 
aorticac. Hyperlrophia et dilatatio uni- 
versalis cordis. Hydroperitoneum. Hydro- 
thorax duplus. Pleuritis fibrosa chronica 
dextra. Tuberculosis fibrosa chronica lo- 
bi superioris pulmonis dextri. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, endocardio, glándula supra renal 



269 



Glándula supra renal: Espessamento 
da capsula. 

Autopsia no. 1679. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 41 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Aortitis Sy- 
philitica. Dilatatio universalis cordis. Hy- 
pertrophia ventriculi sinistri. Hyperpla- 
sia, hyperaemia et pigmentalio lienis. Hy- 
peraeniia chronica renum. Pleuritis chro- 
nica adhesiva dupla. Hydrothorax dexter. 
Emphysaema pulmonum. Hyperaemia 
meningium. Haemorrhagia subpleura- 
lis dextri. Gastritis ulcerativa. Ankylos- 
tomiasis. Ascariasis. 

Verificação histológica de suphilis: 
Aorta, rin.s, pulmão, glándula supra re- 
nal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lyraphocytaria e de cellulas plasmáticas 
perivascular e medullar. Espessamento 
da capsula. 

Autopsia no, 1681. 

Sexo: Feminino: 

Idade: 35 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Aortitis sy- 
philitica et aneurisma arcus aortae. Di- 
latatio et hypertrophia ventriculi sinis- 
tri. Endocarditis chronica aortae. Obli- 
teratio orificii arteriae coronariae dex- 
trae. Hydrothorax duplus. Hydroperito- 
neum. Hyperaemia et oedema pulmonis 
utriusque. Atelectasia lobí inferioris pul- 
monis sinistri. Hyperaemia renum. Hy- 
peraemia chronica passiva et dcgenera- 
tio hepatis. Pleuritis fibrosa chronica 
adhesiva dupla. Cicatrices colli uteri. An- 
kylostomiasis. Cadaver putrefactimi. 

Verificação histológica de sgphilis: 
Aneurisma, endocardio, glándula supra 
renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de ceJlulas plasmáticas 
perivascular. Adenoma da capsula. Lipoi- 
dose. 



Autopsia no. 1683. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 39 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Syphilis* 
Aortitis syphilitica. Lymphadenitis uni- 
versalis. Tuberculosis circumscripta pul- 
monis sinistri. Pleuritis adhesiva chro- 
nica dupla. Hyperaemia pulmonum, he- 
patis, lienis, renum et cerebri. 

Verificação histológica de ãgphilis: 
Aorta, glândula suprarenal. 

Glândula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular. Ligeiro es- 
pessamento da capsula. Lipoidose da 
cortex. 

Autopsia no. 1684. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 45 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Tuberculosis 
ulcerativa pulmonis. Tuberculosis milia- 
ris peribronchialis. Pleuritis chronica 
adhesiva dupla. Arteriosclerosis. Degene- 
rado adiposa hepatis Hernia directa 
inguinaîis dextra. 

Verificação histológica de si/philis: 
Aorta, glândula supra renal. 

Galndula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
perivascular. Lipoidose da cortex. 

Autopsia no. 1685. 

Sexo: Feminino. 

Idade: 25 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Cicatrix éí 
stenosis pylori. Lymphadenitis suppurati- 
va peripancreatica, mesenterica et pre- 
aortica. Cicatrices tuberculosae il ei. Tu- 
berculosis fibrocaseosa circumscripta pul- 
monis dextri. Dcgeneratio adiposa myo- 
cardii. Aortitis syphilitica. Degeneratio 
adiposa hepatis. Degeneratio parenchy- 
chymalosa renum. Oophoritis tuberculo- 
sa. Cicatrices cutaneae inguinocrura- 
les. Cachexia. Myocarditis syphilitica. 

Verificação histológica de syphilis: 



270 



Myocardio e aorta, gîanglio lymphatico, 
glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas, 
perivascular central. Adenoma. Espessa- 
mento considerável da capsula. 

Autopsia no. 1687. 

Sexo: Masculino. 

Idade : 

Nacionalidade : 

Diagnostico anatómico: Peritonitis 
suppurativa acuta. Salpingitis, endome- 
tritis, myometritis suppurativa. Lympha- 
denitis tracheobronchialis tuberculosa. 
Aortitis syphilitica. Pleuritis adhesiva 
dextra. Cadaver putrefactum. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria perivascular. 

Autopsia no. 1688. 

Sexo: Feminino. 

Idade: 29 annos. 

Nacionalidade: Brasileira. 

Diagnostico anatómico: Pyodermatl- 
tis faciei. Abscessus pulmonmn. Pleuri- 
tis fibrinosa acuta. Arteritis syphilitica 
incipiens. Hyperplasia et hyperaemia lie- 
nis. Hyperaemia hepatis et renum. De- 
cubitus. Pigmentatio circumscripta cru- 
rum. Ascariasis. Trichuriasis. 

Verificação histológica de syphilis: 
Aorta, glándula supra renal. 

Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria ligeira na cameda cortical. 
Espessamento da capsula. 

Autopsia no. 1689. 

Sexo: Feminino. 

Idade: 49 annos. 

Nacionalidade : Brasileira. 

Diagnostico anatómico: (Morbus Ray- 
naudi). Bronchopneumonia loborum in- 
férions et medii pulmonis dextri. Pleuri- 
tis seroîibrinosa sinistra. Pleuritis adhe- 
siva subacuta dextra. Pericarditis sero- 
îibrinosa levis. Hypertrophia ventriculi 



utriusque cordis. Atrophia flava hepatis. 
Nephritis interstitialis chronica. Arterios- 
clerosis. Gangraena digitorum manus si- 
nistrae. Clades digitorum manus dextrae. 
Gangraena digitoriun pedis dextri. Scle- 
rosis levis vasorum basis cerebri. Oede- 
ma leptomeningium. Endarteritis oblite- 
rans syphilitica membrorum. 

Verificação histologcia de syphilis r 
Aorta, glandiila supra renal. 

Glándula supra renal: Espessamento 
da capsula. 

Autopsia no. 1691. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 48 annos. 

Nacionalidade: Portugueza. 

Diagnostico anatómico: Epithelioma 
bronchi. Epithelioma metastaticum pul- 
monis, nodorum media stinorum, oesopha- 
gi, hepatis et glandidae suprarenalis. 
Pneumonia crouposa. Pleuritis fibrinosa 
acuta sinistra. Pleuritis chronica adhesi- 
va dextra. Emphysaema pulmonis dextri. 
Splenitis acuta. Nephritis parench^mato- 
sa acuta. Aortitis chronica syphilitica. 
Hydrocele dupla. Hernia inguinalis direc- 
ta. 

Microscopicamente foram encontra- 
dos focos do tumor no myocardio. 

Verificação histológica de syphilis- 
Aorta. 

Glándula supra renal: Adenoma da 
capsula. Carcinoma. 

Autopsia no. 1692. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 50 annos. 

Nacionalidade : Hespanhola. 

Diagnostica anatómico: Malaria. 
Oedema pulmonum. Degeneratio paren- 
chymatosa renum. Pigmentatio hepatif 
et lienis. Splenitis acuta. Arteriosclero- 
sis. Icterus. Lymphadenitis tuberculosa 
tracheobronchialis. Aortitis chronica sy- 
philitica. Tuberculosis fibrocaseosa pul- 
monis. 

Verificação histológica de syphitb: 
Aorta, e glándula supra renal. 



271 



Glándula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria e de cellulas plasmáticas 
perivascular e disseminadamente. 

Autopsia no. 1700. 

Sexo: Masculino. 

Idade: 28 annos. 

Nacionalidade : Brasileira, 

Diagnostico anatómico: Pneumonia 
crouposa dextra. Tuberculosis fibroca- 
seosa pulmonis dextri. Lymphadenitis tu- 
berculosa tracheobronchialis. Aortitis 
chronica syphilitica. Degeneratio adiposa 



myocardii. Degeneratio adiposa et tuber- 
culosis miliaris hepatis. Nephritis paren- 
chym alosa. Splenitis acuta. Anaemia. 
Anasarca. Cicatrix penis. Ankylostomia- 
sis. 

Microscopicamente foi verificado in- 
filtração lymphocytaria na capsula supra 
renal. 

Verificação histológica de syphilis: 
Penis, glándula supra renal. 

Glândula supra renal: Infiltração 
lymphocytaria camada medullar e peri- 
vascular. ¡ 




Ano 1922 
Tomo XV 
Faciculo 1 



Translations 



MEMORIAS 

DO 

Instituto Oswaldo Cruz 



Rio de Janeiro - Manguinhos 



Tí}e Discovery of Trypanosoma Cru3Í ano of 
American Trypanosomiasis 

Historic retrospect 

by 

I3R. caíalos en ao- as 

Directeur of tlie Instituto Oswaldo Cruz. 



The discovery of araericaii Irjpa- 
nosoraiasis and chiefly the methods of 
reasoning which led to definitive re- 
sults, furnish a new line of action for 
conducting similar research-work yet to 
be undertaken with a view to solving 
other obscure problems of human patho- 
logy. 

This biological observation was car- 
ried out in a way completely different 
to that usually employed in recognising 
the etiology and pathology of diseases 
or in describing new ones. Furthermore, 
as in this discovery there are to be 
found interesting aspects and incidents 
which may be of use to other research 
workers, there follows an exact and mi- 
nute description of the facts especially 
those concerning the more important 
points. 

The discovery of the parasite here 
preceded the recognition of the disease 
and when in the blood of a feverish 



child I found the pathogenic trypanoso- 
me I had already acquired a complete 
notion of its biology. 

But for greater clearness it is more 
advisable to expose the facts in their 
uninterrupted order : 

.Vs a consequence of the outbreak 
of a malaria epidemic amongst Govern- 
ment workmen on the Central Railway 
of Brasil, in the valley of the Rio das 
Velhas (Slate of Minas Geraes) the Mi- 
nister MIGUEL CALMON applied to OS- 
WALDO CRUZ for steps to be taken. 
OSWALDO CRUZ immediately com- 
plied, intent as he was on proceeding 
with the anti-malarial campaigns suc- 
ccesfully undertaken in other parts of 
the country and decided to entrust me 
with lhe sanitary measures. 

Together with Dr. BELISARiO 
PENNA whom I invited to be assistant 
in this commission, I started out for the 
interior of Minas Geraes and installed 



myself ou Uie banks of the Rio Bicudo 
where the works on the railroad lingered 
belated by the epidemic. The malaria pro- 
phylaxis was unterlakeu with the most 
satisfactory results and regular work on 
the railroad was once more begun. 

We remained more than a year in 
this region without becoming aware of 
the existence in the local huts, of a 
blood-sucking insect known popularly 
the name of barbeiro, chupão or 
chupança. By this time we had already 
had the opportunity of carrying out lo- 
cally a good deal of clinical observation 
and of studying a great number of ca- 
ses not only amongst those sul)ject to 
malarial infection, in the valleys of big 
and small rivers but also among the 
inhabitants of mountainous regions who 
were entirely exempt of this disease. 

And from that time on, experimental la- 
boratory methods and the most careful 
semiotic consideration of the cases were 
alike of no avail in diagnosing some of 
the cases submitted to us. In these there 
remained unknown something new in 
the dominion of pathology to stimula- 
ted our curiosity. 

On a journey to Pirapora and while 
spending the night in an engineers' camp 
Dr. BELISARIO PENNA and I first ma- 
de the acquaintance of the barbeiro, 
Shown to us by Dr. CANTARINO MOT- 
TA, chief of the engineering committee. 
Once we had heard of the blood- 
sucking habits of this insect and of its 
proliferation in human dwelling-places, 
we became very interested in knowing 
its exact biology and above all in ascer- 
taining if by any chance it were as I 
immediately supposed, a transmitter of 
any parasite of man or of another ver- 
tebrate. 

The rôle of several blood-sucking 
insects in the transmission of human 
diseases and of several trypanosomiases 
of mammals, directed my line of thou- 
ght and led rae to obtain some more 
specimens of tlie insect, so as to search 



for the parasites which it might har- 
bour in its digestive tube and salivary 
glands. Dissecting the insect, / found in 
the poslerior intestine of each one nu- 
merous flagellates with the appearance 
of crithidias. This fact elicited two hypo- 
theses, either the flagellate was a harm- 
less natural parasite of the insect, or 
else it represented a stage in the evolu- 
tion of a hsemo-flagellate of some verte- 
brate perhaps even of man. 

Previously I had found a new spe- 
cies of trypanozome in the monkey Cal- 
lithrix (Callithrix penicillata) and given 
the frequency of the infection of mon- 
keys by Trypanosoma minasense, the 
species I described, I supposed the crithi- 
dias seen in the intestine of the barbeiro 
to be a phase in the evolution of this 
trypanosome which would then be trans- 
mitted by the insect. And as all the 
monkeys of the region proved to be in- 
fected the experiments of transmission 
with the purpose of confirming this hypo- 
thesis could not be carried out for obvious 
reasons. For this reason I sent some of 
the insects to my unforged table chief 
OSWALDO CRUZ, so that they should 
be allowed to suck healthy monkeys of the 
genus Callithrix. 20 or 30 days later 
when once again back in Manguinhos, I 
examined the blood of one of these 
monkeys that had been sucked by bar- 
beiros and found in it a trypanosome, 
which at first sight and before exami- 
ning it by the technical methods I took 
to he Tnjp^mosoma minasense. Añer ha- 
ving seen the flagellate alive, between 
cover-glass and slide I made some fixed 
and stained preparations in which it was 
seen to show characters entirely distinct 
from those of Trypanosoma minasense 
and to show no similarity to any other 
trypanosome. It was undoubtedly a now 
species whose chief character lav in its 
blepharoplast, the biggest I had yet seea 
and located at the hind end (the end 
opposed to the free flagellum). 



After having studied the new parasi- 
te's morphology I started to work on 
its biology. In repeated experiments, I 
obtained new laboratory infection not 
only in monkeys of the genus CalUthrix, 
but also in guinea-pigs, rabbits and pup- 
pies. These infections were obtained in 
some cases by tJie stinging of the insect but 
mostly by inoculation of the flagellates 
taken from its intestine. Lengthy experi- 
ments thus allowed me to characterise 
the trypanosomc as a new species and 
to established the part played by the 
barbeiro in its transmission. Besides 
this I made sure of the pa- 
thogenic properties of the Irypanoso- 
me whicli brought about the death, in 
a variable period, of small laborato- 
ry animals, generally by septicaemia and 
witliout the disappearance of the para- 
site from the peripheric circulation. The 
remainder of the experiments I carried out 
related to the double evolutive cycle of the 
trypanosome in the vertebrates and in 
the insect transmitter, the forms of evo- 
lution in the intestine of the barbeiro, 
the artificial cultivation of the proto- 
zoon etc. 

And it was then after having 
acquired ample knowledge of the para- 
site, in its morphology, general bio- 
logy and pathogenic action that I 
undertook the second part of mj»^ re- 
search-work that was to give the more 
remarkable results as regards human 
pathology. 

To the new species of trypanosome 
I gave the name of Trypanosoma Cruzi, 
in honom- of my unforgettable leader, 
to whom I owe everything in my scien- 
tific career, and who in tliese studies 
was to me the most broad-minded of 
counsellers: to the impersonation of 
scientific capability and kindness, al- 
v.-ays ready to let me partake of the be- 
nefits of his knowledge and to harbour 
me in the warmth of his friendship. 
What little work has been accomplislied 
hy me in my professional career 



is more his than mine, and 
what there may be of useful in 
this work I attribute with pride and sin- 
cerity to the value of his teaching and 
to the example of his high faith, to 
that decisive sway of his strong per- 
sonality and great abnegation upon ali 
those who had the good-fortvme to en- 
counter him during their lifetime and 
to reap the benefits of that influence that 
shaped their careers. 

This is tlie exact truth concerning 
the discovery of Trypanosoma Cruzi, 
known up to this point only as a para- 
site of a vertebrate of unknown species 
and transmitted by the sting of an in- 
sect. The latter was determined as Tria- 
loma megista BURM. by Dr. ARTHUR 
NEIVA who in lengthy studies descri- 
bed its whole biology. 

In tliis first period of our work the 
most interesting point was the observa- 
tion of a hemipteron as a transmitter 
of parasites. This observation was far- 
reaching as regards general biology and 
was by itself a scientific fact of real 
importance. 

I will now proceed to describ^^ the 
discovery of Trypanosoma Cruzi in man 
and the observation of the new disease. 

Returning to the triatoma-infested re- 
gions, it became my object to ascertain 
the vertebrate host of Trypanosoma Cruzi^ 
inasmuch as the monkeys and laboratory 
animals I had worked upon were all o£ 
them experimentally infected and did not 
demonstrate the ordinary host of the para- 
site. 

The difficul(j' of interpretation of 
the local clinical cases together with, 
the supposition based on careful obser- 
vation and lengthy research-work of the 
existence of a patliological condition that 
escaped identification with any establi- 
shed disease, facts which I had 
reflected on for some time and which 
made me suppose an miknown etiologic 
cause, became the starting-point for the 
work I then undertook. To add to this waa 



the primary circumstance of the triato- 
ma's being a domestic insect with habi- 
tat, perhaps confined to human dwelling- 
places, and preferring to nourish itself 
on human blood during sleep. Under 
these circumstances, and to judge by 
the biology of ])lood-parasites it was 
to be admitted that the flagellate of the 
Intestine of the blood-sucker, whose food 
is chiefly human blood, should undergo 
a gradual adaptation to the blood-medi- 
um and, at a given moment of its 
philogenetic evolution, become a parasite 
of man. Up to this point I was frankly 
in the realm of hypotheses, undoubtedly 
based on exact biological reasons but 
that nevertheless still awaited con- 
firmation. Furthermore I was at that 
time unaware of the important fact that 
even in uninhabited regions, armadilloes 
(T'atusia novemcincta) are frequently in- 
fected v/ith Trypanosoma Cruzi. This 
observation, completed by the finding 
of Triatomn genicnlata, infected v> ith try- 
panosomes in armadillo-holes led me to 
the conviction, jusiified by vaincus argu- 
ments that the natural and ancestral 
host of the parasite is really the arma- 
dillo and that the himian infection is 
the result of a later adaptation. 

This point of view hr.rdly to be op- 
posed, since it has in its favour positive 
facts of observation as well as undenia- 
ble biological arguments, would explain 
the existence of infected triatomala in 
regions were the disease is unknown. 
As a matter, of fact, some people, with 
the curious object of denying Trypanoso- 
ma Cruzi any pathogenic action, state 
that the barbeiro has been found in some 
regions of Brasil and other countries 
carrying in its digestive tube flagellates 
that could be inoculated into small labo- 
ratory animals and that nevertheless the 
disease had not been reported in these 
regions. 

Now, in the first instance it would be 
advisable to relate the clinical and expe- 
rimental researches proving the inexis- 



teufc of the disease, whose parasitolõ* 
gicid diagnostic is not an easy matter 
and as a rule is possible only post-mortem. 
And as for acute cases, to happen upon 
them it would be necessary to remain 
some time in the region. It would be of 
more use in excluding the existence of 
trypanosomiasis to carry out minute cli- 
nical observations based on an exact 
knowledge of the symptoms that cha- 
racterise the different forms of the di- 
sease. Only after this had been done 
could one claim, that in this or that 
country, in one or another region, 
there were triatomata infected with pa- 
rasites that could be inoculated in small 
laboratory animals without there having 
been observed any human infections. 

But granting the opinion of those 
vsho disbelieve in american trypanoso- 
miasis, unless we want to deny the exis- 
tence of the disease altogether, which 
would be absurd in view of the exact- 
ness of the clinical observations, the 
post-mortem findings, and the experi- 
mental results, demonstrating in full 
the scientific interest and social impor- 
tance of the disease, we are obliged to 
accept the above-mentioned apparently 
contraditory fact, taken from my con- 
clusions, namely that in these regions 
tlie adaptation of the trypanosome to man 
is not yet accomplished and that the races 
o!). ser ved in the blood-sucking trans- 
mitter are not virulent for human be- 
ings. In any case this is a question in 
itself, but under no circumstances will 
it be possible to find bona-fide and logic 
argimients to displace the evidence of 
facts acquired by observation and expe- 
riment. 

It svas along these lines, that I 
started a new phase of my work by sear- 
ching for trypanosomes in those patients 
for whose disease I had foimd no inter- 
pretation. 

At first all attempts gave constan- 
tly negative results a fact which was later 
explained by the absence of parasites 



în lhe peripheric circulation and tlieir 
existence in the tissues of these patients. 
My observations were made in human 
dwelling-places abundantly infested by 
triatomata. In one of these I found a cat 
evidently ill and in whose blood \ipon exa- 
mination, was loimd Trypanosoma Cruzi. 
Tliis did not, however, allow of a defi- 
nite conclusion, since the cat, being a 
domestic animal, passes tlie night in 
human dwelling places and is conse- 
quently exposed to being sucked by the 
insects, so that its infection could be no 
siH'prise. And besides, from later exami- 
nations I came to the conclusion that 
the cat is a reservoir for trypanosomes, 
and for this very reason a factor in the 
spreading of the disease. 

Pursuiníí my work, and I must ad- 
mit I did it with a well-foimded certa- 
inty of success, 1 had the chance of fin- 
ding in a feverish condition a child from 
lhe house in which I had found tlie infec- 
ted cat. Now, a fortnight or twenty 
(lays before, I had spent a night in the 
house and had seen a great number of 
insects stinging the dwellers including 
the little girl who now lay feverish and 
who at the time had been in perfect 
health. 

Among the chief clinical symptoms 
of this child, whose fever had come 
on some eight or ten days before exa- 
mination, where the following: Axillary 
temp. 40oC; spleen enlarged and to be 
felt imder the edge of ribs; liver also 
enlarged; groups of peripheric lymphatic 
glands swollen etc. Most noticeable was 
a generalised infiltration, more prono- 
raiced in the face, and which did not 
show the characters of renal œdema but 
rather of myxœdema. This last symp- 
tom, which I later found to be one of 
the most characteristic of the acute form 
of the disease, already then revealed so- 
me functional alteration of the thyreoid 
gland, perhaps affected by the patho- 
genic action of the parasite. 

Examination between covcr-giass 



end slide revealed the existence of fla- 
gellates, in good number and The fixing 
and staining of blood-films made it pas' 
sible to characterise the parasite's mor- 
phologi] and to identify it with Trypano- 
soma Cruzi, first seen in crithidia-form 
in the intestine of Triatoma and trans- 
mitted by the sting and by inoculation 
of the flagellates taken out of the intes- 
tine, first to the monkey Callithrix (Cal- 
lithrix penicillata) and then to several 
small laboratory animals. 

Thus was proved the existence of a 
new trypanosomiasis of man. This was 
the second one known; its parasite sho- 
v.ed well defined morphologic and 
])iologic cliaracters distinguishing it 
from any other known trypanosome. The 
transmitter of the new disease as shown 
'/y undeniable laboratory experiment* 
was a heteropteron of the genus irlatoma, 
Triatoma megista. 

There remained now to be carried 
thiougli careful studies as to the patho- 
genesis, symptomalogy epidemiology and 
geographic distribution of the new di- 
sease which 1 had discovered in it» 
acute form. Was it always like this or 
did it show well-defined chronic fonms t 
My clinical experience and knowledge of 
the imusual diseased condition of local 
inhabitants led me to admit that in 
tiiis trypanosomiasis, besides the known 
acute form, other chronic ones awaited 
detection and description. 

I was only able to take up again 
these researches some months later, 
with the clinic and epidemiologic pro- 
blems of the disease, up to then almost 
entirely obscure, now as my object. la 
this also my knowledge of the local no- 
sology, in which I had come upon con- 
ditions impossible to understand, was of 
great use to me. Returning to the study 
of the disease with a better grasp of tlie 
problem, I tried to systematise the facts 
so as to get a starting-point for possible 
generalisations. Among the symptoms 
what most impressed me was the fre- 



8 



qucncy of alterations in the raythm of 
the heart-beat among the local inhabi- 
tants especially among those who lived 
în írja/oma— infested houses. This was 
extremely common and generally took 
the form of extrasystolcs frequently with 
slow pulse. I must mention that in view 
of the anatomical alterations of the thy- 
reoid commonly observed in these pa- 
tients, either as a great hypertrophy 
or as an almost inappreciable enlargement 
of the gland, I at first believed these 
cardiac perturbations to be ascribable 
to goitre. 

Soon, however, I made sure that 
patients showing an unrhythmic heart- 
beat had not infrequently a normal thy- 
reoid. About this time I got the opportu- 
nity of practising a post-mortem on a child 
In whom I had diagnosed the acute form 
of the disease with trypanosomes in the 
peripheric circulation. The material I 
obtained I sent to the Instituto Oswaldo 
Cruz where it was examined by the re- 
grelled GASPAR VIANNA, whose high 
technical ability and great competence 
in the field of pathological anatomy we- 
re of the greatest help to us. 

CASPAR VIANNA described, within 
the cardiac fibres of the child's myocar- 
dium some very curious parasitical 
forms, very numerous and taking the 
form of actual kysts. Similar aspects 
of the parasite were observed in other 
organs. 

There was at the time, as I heard 
from OSWALDO CRUZ, some doubt as 
to the interpretation of there parasitic 
forms, VIANNA believing them to be 
special stages of Trypanosoma Cruzi. All 
doubts were dispelled, however, when, 
at Lassance, OSWALDO CRUZ, showed 
me sections and smears from the myo- 
cardium, in which I recognised parasi- 
tic forms identical to those I had obtai- 
ned in artificial cultures of the trypa- 
nosorae. No doubt could be left over, 
therefore, as to VI ANNA'S observations 



of the localisation of the trypanosome, 
under a special form in the myocardi- 
um, within the muscle-fibres. This fur- 
nished the acceptable interpretation to 
one of the most frequent clinical 
symptoms of the disease, disturbance 
of the rhythm of the heart. The histo- 
pathological results of the first autopsy- 
were so interesting that OSWALDO 
CRUZ decided to become better acqua- 
inted with my work and made with this 
purpose the fatiguing journey to the in- 
terior of Minas Geraes where he remai- 
ned for a week in the enthusiastic ap- 
preciation of the clinical cases and expe- 
rimental facts which were opening a 
new chapter in human pathology. 

I must here allude to a cause of 
error in the first laboratory work for 
the diagnostic of the disease. 

In the earlier studies on Trypanoso- 
ma Cruzi I had connected with the evo- 
lutive cycle of the trypanosome in ver- 
tebrates, special forms found with great 
frequency in the lungs of infected gui- 
nea-pigs. It was from this interpretation, 
in which I had the assent of PROWA- 
ZEK and MAX HARTMANN, that came 
the forming of the genus Schizolrypanum 
in which to place the new species of pa- 
rasitic flagellates. In view of this obser- 
vation I for some time made use of 
these forms founds in the lungs of the 
guinea-pig as a factor in the diagnostic 
of patients whose blood had been inocu- 
lated in guinea-pigs. It was later obser- 
ved, first by Prof. CARINI and DELA- 
NOË and tnen by some research- wor- 
kers of the Institute, that the parasitic 
forms from the lungs of the guinea-pig 
hady nothing to do with Trypanosoma 
Cruzi and were really another parasite, 
Pneumocystis. This parasitologic diag- 
nostic was thereby rendered valueless 
and we had to base on other grounds 
our opinion regarding the chronic forms 
of the disease. Numerous post-mortems in 
which the parasites were seen localised 



— 9 



în diffe e^il organs aiid the lesions for 
which they an; responsible rjnpîy justi- 
fied the clinical diagnostic of the diffe- 
rent forms of the disease by establi- 
hing beyond d(»ubt its cause. 

But to proceed to the detail: Of 
the acute forms of the disease, charac- 
terised by the easily observed existence 
of the trv7^anosome in the peripheric 
circulation within a short period. I ob- 
tained several clinical ol)servations to 
which no objection can be made. 

A': to the chronic forms, my con- 
clusions were no less conclusive, based 
as they were on a great number of post- 
mortems with parasitológica! and at the 
same time histo-pathological study. Of 
tlie clinical cases in which cardiac symp- 
toms dominate, I quickly obtained a 
great number of observations and also 
several post-mortems. In the latter the 
imiformity of the lesions of the myocar- 
dium and the constant occurrence of 
the parasite in it founded on anatomical 
reasons the diagnostic of chronic cases, 
carerully studied while alive. The cli- 
îiical diagnostic of these lesions 
necame one of the characteristics of 
the new disease. Recent researches of 
GROWEI.I. prove that the cardiac le- 
sions in american trypanosomiasis can 
be recognised independently of the fin- 
ding of trypanosomes and are to be 
considered as a well characterised spe- 
cific lesion. 

Contrarily to wbat those who say 
we only know a few cases of american 
trypanosomiasis, a patient with domi- 
nant cardiac symptoms is, according to 
the acceptation of the disease, infected 
with Trypanosoma Cruzi: besides the 
rhythm other s\Tnptoms indicating lesions 
of other organs can be foimd. And judging 
the nmnber of cases by the cardiac for- 
ms oin: opponents would certainly admit 
that there has been no exaggeration in 
estimating as very high the number of 
«ndemic cases. 



Tlie ;.is''erlaining of the nervous forms 
was also based ou clinical observation 
and post-mortem findings of undoubted 
value. The niunerous cases of cerebral 
diplegia, of organic idiocy, of monople- 
gias, of aphasias etc., observed in the 
regions where we worked had long since 
impressed me. The first supposition of 
syphilis to which these lesions mighl 
have been attributed was quickly dispel- 
led by all clinical and laboratorj^ me- 
thods of syphilis-diagnostic. And con- 
trarly to the fallacious tradition, this 
disease is an extremely rare occurrence 
amongst the inhabitants of the interior, 
where it is taken only by new comer* 
Ironi more civilised and contaminated 
zones. In another publication we will 
speak of this subject proving that in 
the remote zones of the interior syphi- 
lis remains unknown vmfil it is introdu- 
ced v.ith the advent of the railways. 

(.ould the nervous phenomena be 
attributed to endemic cretinism as 
K1Í AUS later proposed ? Certainly not, sin- 
ce under the most strenuous observation, 
they w ere far from show ing, what several 
authors have considered to be the clas- 
sical nervous manifestations of creti- 
nism. And this is not a question to solve 
by hypotheses but rather by the surer 
methods of pathological anatomy. 

The first post-mortem was carried 
out on a case of cerebral diplegia that 
had lasted for 22 years. According ta 
information given by the family, the 
subject had been paralytic since she 
was 3 years old and had suffered from 
organic idiocy with excitable phases. 
Death ensued from accidental burning. 
Autopsy showed the existence of trypa- 
nosomes and well defined cerebral lesions 
distributed in foci. Histo-pathological stu- 
dies carried out by GA.Si^AR VIANNA lefl. 
no doubt as to the etiological cause of the 
nervous phenomena studied. After 
this, other post-mortems followed and 
among them those of cases of acute rae~ 



10 



nyn go-cephalitis in which the seat of 
She parasite in the brain and the lesions 
prodiK-ed amply justified the recognition 
of a nervous form of the disease, cas- 
ting light on numerous obscure points 
of the local nosology. 

This precludes the basing on sound 
scientific reasoning of the denial of ner- 
Tous forms of the disease, with distur- 
bances affecting motility, intelligence, 
speach etc. and the great number of cases 
of paralysis, organic idiocy, aphasia, ob- 
served in friafoma— infested regions ca- 
ses which reproduce the symptoms of 
thiose which were submitted to 
post-mortem examination, and must con- 
sequently be attributed to the same etio- 
logical cause. As an additional confir- 
mation of this way of thinking, experi- 
ments made by EURICO VILLELA and 
MAGARINOS TORRES elicited paralyses 
in dogs and monkeys with the conse- 
cutive finding of the trypanosome and 
lesions in the central nervous system. 

Infantilism and other dystrophies 
frequently seen in the regions where 
the disease is endemic, I ascribe to 
infection by Trypanosoma Cruzi, either 
as a residual form from infection in 
first childliood or what is still more 
probable as a consequence of heredita- 
ry infection. Are there any reasons wan- 
ting for conviction? How but by logi- 
cal deduction from facts has syphilis 
been connected with infantilism? Trypa- 
nosoma Cruzi like tlie tréponème is 
foimd localised in tlie different organs of 
the endocrinic system whose rôle in 
the general phenomena of development: 
OS no longer contested. In the adrenals 
of man and of experimentally infected ani 
mais for instance, the trypanosome and 
the lesions it produces have been amply 
demonstrated. The same, as regards tes- 
ticles, ovaries and the thyreoid gland. 
And if these react, as has been obser- 
ved, it is logic to admit the physio-pa- 
thological consequences of these anato- 
mical alterations. Here also recent 



experiments of EURICO VILLELA are 
being of great value. E. VILLELA ob- 
served new-born puppies of an infected 
mother wither hereditary cephalitis and 
trypanosomes. 

This subject, which needs detailed 
explanation, cannot be gone into fully 
in this work, in which I only desire to 
outline the essential motives for my con- 
victions concerning infantilism and other 
dystrophies of the regions in which try- 
panosomiasis is endemic. 

In the first phase of our work we 
took trypanosomiasis to be the cause 
of the endemic goitre of the regions 
where the disease prevails. The reasons 
we had were based, some of them on 
the pathogenesis, others on the epide- 
miology and geographic distribution of 
trypanosomiasis. At first, the frequen- 
cy of goitre or of a simple alteration in 
the thyreoid with partial hypertrophy 
of some of its lobes in patients with 
other symptoms called my attention. 
What further impressed us was the in- 
filtration observed in all acute cases 
and having the characters of myxœde- 
ma. This was a constant symptom in the 
the first phase of the infection, and was 
to be considered as a myxœdematous in- 
filtration peculiar to trypanosomiasis and 
expressing the part the thyreoid played 
in the pathogenic process. Posterior exa- 
minations on acute cases showed tlie 
seat of the trypanosome in the gland, 
right inside the vesicular cells, and al- 
so showed the inicial reaction-processes 
that characterise the formation of the 
stroma. Furthermore a prolonged obser- 
vation of some patients, from the acute 
phase, permitted to follow the progres- 
sive development of the goitre, which in 
some subjects attains a considerable size, 
while in others it limits itself to hypertro- 
phy, complete or partial, of the thyreoid. 
The absolute absence of goitre in acute 
cases and the existence of it in children 
of the same age that might have got 
mfected earlier were another argument 



11 



iu favour cf this way of thinking. Other 
reasons were of a pathogenic and epi- 
demiologic order. Regarding the geo- 
graphical distribution of goitre my expe- 
rience like that of my informers, was 
tiiat goitre was constantly seen in tria- 
fom«— infested regions and unknown in 
those where the insect is not found. And 
in the regions where we studied, per- 
sons, among them children, without any 
hypertrophy of the thyreoid and living 
in houses in which there where no tria- 
tomata where common whilst those li- 
ving in infested houses all showed goi- 
tres or hypertrophied thyreoid glands. 
The high percentage of goitre in the 
rural huts, even in the ones round the 
cities and the absence of any lesions on 
the glands of the towns and villages 
the people dwelling in good houses, whi- 
ch do not offer the barbeiro favourable 
conditions for its proliferation, cannot 
fail to strike one. The factors usually 
held to be responsible for endemic goi- 
tre, among them the drinking-v/ater, 
were excluded in this case seeing that 
both the persons who had goitres, chief- 
ly the children, and the persons who 
living mider the same conditions, using 
the same food, had no goitres and lived 
in houses in which there were no triato- 
mata. These facts as well as many 
others which I do not refer to in this 
work, lead me to consider the goitre 
as one more element of the disease in 
trypanosomiasis — regions. And up to 



now no definitive proof to modify our 
point of view in regarding the goitre asi 
part of trypanosomiasis in the parts of 
the country in which this disease is pre- 
valent. Yet, as we cannot give a positive 
demonstration for this as we gave 
for other aspects of the disease in 1916 
at the time we were synthetising the 
pathology of the disease, we will con- 
sider the goitre a question apart, on the 
subject of which there may exist diver- 
ging opinions. And on this footing we 
stand as regards this discussed point. 
while we await research-u;ork which 
will displace our way of thinking or 
will confirm it in a positive way. 

Of late there has been a tendency, 
v/ith a view to admitting the infectious- 
ness of goitre, towards attributing the 
goitre to a filterable virus. And here I 
must point out that I think it absurd 
to consider only one etiologic cause 
of goitre, seen in different parts of the 
world and having very varied physio- 
pathological consequences. 

Concerning opinions on the etiolo- 
gy and pathogenesis of goitre, and spe- 
cially in trypanosomiasis as its cause 1 
might give some lengthier arguments 
based on the epidemiology and geo- 
graphic distribution and based also on 
the physio-pathology of endemic goi- 
tre in the regions in which I studied 
IL I will, however, return to the subject 
in later publications. 



Serum against the Epithelioma or Diphtheria of Birds 

by 



Concerned for more than ten years 
with the study of various diseases, caustd 
by filterable germs, of more special in- 
terest to veterinary medicine, I became 
convinced that these germs form a quite 
horao,i;eneous group, the important cha- 
racters of which are to be found in the 
conditions of parasitism and may be 
considered in a synthetical manner in 
the following way: 

lo. All filterable germs arc obligatory 
parasites, that is may only manifest vi- 
tal activity when inside a host, although 
able to remain, in a state of latent life, 
outside the organism. The cultures, which 
may sometimes be obtained in special 
culture media, are short-lived and the- 
refore are not to be found amongst the 
collections of the most prominent insti- 
tutes of research however complete they 
may be. 

2o. They are very exacting as to the 
choice of their host: hog cholera is ex- 
clusively confined to porcines, foot-and- 
mouth disease can be transmitted easily 
only to artiodactyla, and contagious epi- 
Ihelioma even presents difficulties with 



regard to its transmission from one spe- 
cies of birds to another. 

3o. In the cases were they are not 
observed lo be so particular (rabies, cow- 
pox etc.) the germs are more liable to 
undergo mutations: innis fixe, vaccines, 
etc. The race thus obtained has vaccina- 
ting properties, and no other method for 
obtaining vaccines can be applied, seein^j 
that the methods used for attenuating 
bacteria usually prove very unsatisfac- 
torj' in this case. 

4°. The morbid symptoms which 
they cause are usually intensified 
by association with bacteria generally 
of small pathogenic activity: for instance 
a paratyphus bacillus or a pasteurella 
plays a role in the pulmonar or intesti- 
nal form of hog-cholera (swine-plague); 
in pox a streptococcus, in the epithelio- 
thelioma of birds a staphylococcus, and 
so forth. 

5". The attack the organism .sufTers, 
when it does not prove fatal, causes 
immunity, at times of a very lasting 
kind, as in pox, epithelioma of birds, 
velloNv fever, etc., at others oí very short 



13 



term, as in the case ot foot-and-mouth 
disease. 

ot). The animal species, which are 
sensitive to the germ, produce sera of a 
very real preventive value: thus serum 
active ajiainst loot-aud-mouth disease can 
only be obtained from cattle and porci- 
nes; serum against hog-cholera only from 
sheep, and so forth. 

This last character is one of those 
which are still rather uncertain in medi- 
cal and veterinary littérature; it is in this 
way that, in the case of the contagious 
epithelioma of birds, the conclusions are 
categoric and deny the serum any pre- 
ventive or curative properties. To sus- 
tain this last assertion, i. e. "that sensi- 
tive species produce a preventive serum", 
the first indication was to control the ex- 
periments of other research-workers on 
this subject, by repeating them, avoiding 
causes of error which might have left 
margin for the obtaining of negative re- 
sults. That was the reason for the 
undertaking of this work. 

Research work carried out at our 
Station showed that, here as elsewhere, 
these errors had been of dual nature; 
insufficient ! doses and a pseud o-superi- 
munisation. 

A) Insufficient Doses. There is a ge- 
neral tendency to carry out the investiga- 
tion of sera with insufficient doses, a fact 
which frequently leads to the denying 
of any value to antibacterian and anti- 
toxic sera of great curative value, such 
as the one against bubonic plague, teta- 
nus, etc. In the cases of the filtera- 
ble germs MOUSSU, in preparing serum 
against foot-and-mouth disease by injec- 
tions of virulent blood, obtained a serum 
certainly efficacious, but tried its effect 
with 50 cm' which in this case must su- 
rely have corresponded to one third of 
the efficient dose. On the other hand, 
when the research- workers use conside- 
rable doses the results are positive in 
foot-and-mouth disease as in diseases pro- 



duced by other filterable germs, unless 
another cause of error intervenes. 

In vaccination, REYNAUD, among 
others, was able to immunise calves with 
250 cm* of a convalescent's serum; and 
STRAUSS, CHAMBÓN and MENARD, 
with more or less a litre. (Pos-sibly an in- 
tense super-immunisation might reduce 
this dose to its tenth part ; in another pu- 
blication we will return to the subject). 
KUNIO SATA ascertained the formation 
of antibodies in rabbits inoculated either 
cutaneously or in the cornea. 

In sheep-pox, DU CLERC immunised 
the animals wilh 190 cm^ of cured sheep's 
serum and BORREL was even able to ob- 
tain serum of practical use, immunising 
with a dose of 15 to 20 cm^. 

In foot-and-mouth disease, various 
research workers verified that the serum 
of animals, that had recovered from 
the disease, immunised at the dose of a 
litre and LOEFFLER, super-immunising 
cattle, reduced the preventive dose to 
100 to 150 cm*, a dose which can be 
further reduced to less than 80 cm* wi- 
thout concentrating the serum. 

In Cattle Plague, a few hundred 
centimetres of the serum of a convales- 
cent animal are already of use in the 
prevention of the disease, but KOLLE 
and TURNER, NICOLLE and ADIL BEY 
and others, by means of supei'imraunisa- 
tion, reduced this dose to about 20 cm» 

In hog-cholera, the serum furnished 
by superimmunised animals is of the 
most potent kind since it prevents infec- 
tion when employed in doses of less 
than 10 cm*, but as in the case of all 
the other sera against filterable micro- 
organisms, its curative properties are^ 
practically non-existent, and only demons- 
trable by the use of enormous doses 
right in the beginning of the disease. 

¡n chicken pes/, JOUAN and STAUB 
were alile to immunise chickens with 
less than 1 cm* of serum obtained front 
chickens. 



14 



In rabies (hi¡drophobia). BABES was 
invariably able to protect dogs by means 
of serum obtained from do^s; MAGA- 
LHÃES was able to protect oxen with 
ox serum funj)ublished work carried out 
at the Experimental Station of Bello 
Horizonte, Minas Geraes). Homolo.^ous 
sera are, as l-OEFFLER and others had 
already ascertained, always more potent 
than heterologous ones. 

In the case of diseases exclusively 
affecting man, the verification is more 
difficult as il entails superimnumisinR 
convalescer.ts, however : 

In poUomijelitis acuta, FLEXXEH 
and LEWIS, LEVADITl and LANDS íE!- 
NER cured monkeys with the sera of 
convalescents and of superimmunised 
monkeys; NETTER, GENDRON and 
TOURRAINE, NOBE'COURT and DAR- 
RE', FLEXNER and AMOSS obtained fa- 
vourable results in patients on whom 
they employed b\g doses of the serum 
of convalescents; 

¡n small-pox, PROW'AZEK and ARA- 
GAO indicated the efficacity of twelfth- 
day serum against the virus; superiramu- 
nisation would certainly give more po- 
sitive results. 

In yelloiv fever, MARCHOUX. SA- 
L1MBÉN1 and SlMOND ascertained that 
the serum of convalescents is endowed 
with undeniable preventive properties 
and perhaps even with some therapeutic 
ones. 

In scarlet fever, EMIL REISS besi- 
des others, obtained f?ood results, even 
in unfavourable cases, by injectinf? in- 
travenously 100 cm^ of convalescent's 
serum before the fourth day» of illness. 

B) Psendo-siiperimmunisation, i. e., 
the collecting of serum of patients while 
theif arc still ill. 

The virus-carriers or rather the 
persons thai eliminate or expel virus (VI- 
nisaussctieider J appear to be ill in all 
cases, even if the chronic symptoms 
jshonld be oí little account. This fact 



observed by different authors in the case 
of foot-and-mouth disease, is easily seen 
in the case of epithelioma of birds. 

A fowl apparently recovered from 
the illness, nourishing itself plentifully, 
laying eggs, is considered completely re- 
cuperated; on the other hand, if we put 
it under close observation, we can notice 
thai every now and then it shows a brief 
shaking of the head. This fowl suffers 
from a slight chronic coryza, and both 
the cerebro-spinal fluid and the blood 
are infectious. In such a case one may 
think of an immanifas non stcrilisans, 
seeing thai one obtains an infectious 
serxmi. 

In order lo verify the uncertainties 
pointed out. several studies were underta- 
ken al the Station. The results obtained 
with the epithelioma or diphtheria of 
birds, which offers greater facilities far 
experimental work may already be pu- 
blished. 



When one has to deal vdth a great 
number of chicks and fowls infected with 
epitheüoma, one can no longer doubt its 
identity with the diphtheria of birds. 

Not only do all the chicks show mo- 
re or less marked symptoms of diphthe- 
ria in the period to which death ensues, 
but it is also frequent for diphtheric pat- 
ches lo appear in the course of the de- 
velopment of the epithelioma; besides 
this it is not altogether uncommon for 
inoculations to call forth only diphtheria. 
In fowls subcutaneous or intraperitoneal 
inoculations of big doses of epithelioma 
usually provoke diphtheria. 

Besides this proof based on inocula- 
tion, which had been previously studied 
by S. VON RATZ and by UHLENHUTH 
and MANTEUFFEL (1910), the serolo- 
gical proofs which I will publish later, 
confirm this assertion, although MAN- 
TEUFFEL did not obtain any therapeiu- 
tic results by inoculating 5 cm^ of the 



15 



serum of immune fowls, which is not to 
be wondered at. 

The preparation of anti-epithelioraa- 
tous serum, as it is being carried out, 
consists in triturating material from epi- 
thelioma in a stone mortar, straining it 
through muslin and filtering it through 
paper, this being a technic similar to 
the one we employed in preparing scrum 
against foot-and-mouth disease and other 
sera which are being worked upon. In 
the case that was being studied I avoided, 
in opposition to the one of foot-and- 
mouth disease, intravenous injections, al- 
though I consider them the best for su- 
perimmunisation, because in the case of 
fowls its difficulty renders it unpractica- 
ble; I preferred, therefore, intraperito- 
neal inoculations. 

To avoid virus-carriers, I resolved to 
take only not very young fowls in big 
lots and to carry out a first test-inocu- 
lation on them. Although using birds 
that by their ages should have had chan- 
ces of infecting themselves before, I was 
constantly obliged to set aside more or 
less 5O0/0, because they would either ac- 
quire a marked diphtheria, or else be- 
cause they would manifest the chronic 
coryza to which I have referred. 

The birds, which in the course of 
a week show no symptoms of disease, 
save a slight green diarrhoea, are isola- 
ted for superimmunisation. This is done 
according to the general technic which 
we adopt in current practice for tlie pre- 
paration of serum against the filterable 
germs, with the alterations in dose and 
mode of inoculation required by the 
case, vir. ; 

Irst Inoculation (Test Inoculation'* 
Hypodermic injection of 0,1 gr. 
of the substance of the skin loca- 
lisations (boubas) triturated and 

Irst 

Chicks one month of age inoculated 
serum. 



dissolved in physiological saline 
solution, filtered through muslin 
and through filter-paper. 
2nd inoculation; in the peritoneum» 
of 0,5 gr, of the substance of the 
skin localisations properly tritu- 
rated, diluted and filtered. 
3rd Inoculation; intra-peritoneal ino- 
culation of 1 gr. of the material 
referred to. 
4th Inoculation; intra-periloneal ino- 
culation of 2 grs. of the material 
referred to. 
5th Inoculation; intra-peritoneal ino- 
culation of 4 grs. of the material 
referred to. 
Superimmunised fowls are killed on 
the tenth day after the fifth inoculation. 
The serum should be used the same day, 
as the preservation of it by means of 
Carbolic Acid (Phenol) produces in young 
chicks convulsions sometimes causing 
death and a great irritation at the site 
of inoculation. The Assistant-Chemist of 
the Station. BAETA VíANNA, purposes 
to obviate this drawback by substituting 
this chemical substance and besides by 
concentrating the serum through reduc- 
tion of volume. 

The chicks chosen should be very 
young in order to avoid the ones that 
should have become immunised by a 
previous attack of the disease. 

Chicks of more than three months 
of age are already more resistant to 
infection and older ones and adults still 
more so; the latter recover without treat- 
ment. 

After various tentative experiments 
I ascertained that a dose of 2,5 cm^ 
already protects, when inoculated pre- 
viously and, at times even when inocu- 
lated shortly after the virus. 

The following tables are résimiés of 
the more recent experiments: 
Series, 
with 2,5 cm' of antiepitheliom.itous 



16 

l.-lnj. 5 minutes after virus (rubbed in on the head) Did not suffer 

2.- « 10 « « « * * * * t (death) 

3.- « 15 * « « * * * "■ "^ 

4. - « 20 » « « * * • * "^ 

5.- « 25 - - « « « « * t 

6.- Inoculated only with the material from skin lesions (bouba) t 

Only the chick injected 5' after the virus did not suffer, all the others died 
within 33 days. Chicks 4 and 5 had enormous skin localisaüons (boubas) 
the remainder smaller ones. 

2nd Scrlca. 
Chicks one month of ai?e inoculated with 3 cm^ of antiepitheliomatous se- 
rum and spleen extract. 
7 - Inj 15 minutes before virus (rubbed in on the head) Nothing 

S^-Id.' ^^ 

9. -Inj. 15 minutes after virus Id 

10.- Id I 

11. Inj, 1 hour after virus T 

12.-ld t 

13.- Inj. of spleen extract one hour afterwards T 

14.-Id I 

15. -Inoculated only with virus f 

16.- Id '^ 

Chicks having been subjected to injection before the inoculation of virus 
(rubbed in on the head) did not get infected; even injection 1/4 hour after 
inoculation would only protect one of the two chicks inoculated; from this 
point on the protective activity was non-existant. Chicks 11 to 14 only sho- 
wed diphtheric patches, the remainder skin localisations (boubas). 

3rd Scries. 
Chicks two months old inoculated with 4 cm3 of antiepitheliomatous or 
normal serum. 
17.- Inj. 2 hours before (2 cm^) and 1 hour before (another 2 cm3) Did not suffer 

isi-ld.' '^ 

19. ^ Id with normal chicken serum skin localisation (Bouba) 

2(X - Id. Id ^'^'" localisation (Bouba) 

21. -Inoculated only with virus (rubbed in on the head)., skin localisation (Bouba) 

In this experiment also the senun showed an absolute value as a preven- 
tive. 

Fonrth Scrlei 

Chicks of a little more than two months of age inoculated with 2,4 and 
cm3. of antiepitheliomatous or normal serum. 

PreventiTC Injections (Antiserum). 

22 -Inj of 2 cni3 24 hours before virus (hypod. inj.) skin localisation (Bouba) 

23" _ Id Did not suffer 

24. - Inj. of 2 cra3 24 and 21 hours before virus (Total 4 cm3) Did not suffer 



17 

^•~ '^ Did not suffer 

26. -Id Did not suffer 

27. - îd Did not suffer 

28.-ïnj. of 2 cm' at 24, 21 and 18 hours before virus (Total 6 cm^) Did not suffer 

29. -Id Did not suffer 

30. - Id Did not suffer 

3I--ld Did not suffer 

Preventive Injections (Normal Serum;, 

32.-Inj. 2 cm» of normal serum 24 hours before virus... skin locahsation (Bouba) f 
33.-Inj. 2 cm3, 24 and 21 hours before virus (Total 4 ctn») skin locahsation (Bouba) 

34. - Id skin localisation (Bouba) 

35.-Inj. of 2 cm3 24, 21 and 18 hours before virus (Total 6 cm^) skin local. (Bouba) 

36. - Id skin localisation (Bouba) 

Curative Injections ^AntiseruraA 

37. - InJ, 2 cm3 immediately after hypod. inj. of virus Nodules 

38. ~ Id skin localisation (Bouba) 

39. - Inj. 2 cni3 plus 2 cm3 after inj. of virus Nodules 

40. - Id Nodules 

41. - Id Nodules 

42.-Id Nodules 

43. -Inj. 2 cm3, plus 2, plus 2 after inj. virus Nodules 

44.-Id Nodules 

45.-Id Nodules 

46. - Id Nodules 

Preventive Injectionu (Normal Serum). 

47.-Inj. of 2 cm3 immediately after the inj. of virus skin localisation (Bouba) 

48. -Inj. of 2 cm3 plus 2 cm3 after the inj. of virus, (total 4 cm3) skin local. (Bouba) f 

49.- Id skin localisation (Bouba) f 

50.-^ Inj. of 2 cm3, plus 2 cm^, plus 2 cm' after virus skin locahsation (Bouba) (killed) 

51.-Id.. . , skin localisation (Bouba) f 

52. - Id skin localisation (Bouba) 

Controls. 

52. -Inoculated only with virus skin localisation (Bouba) f 

53. - Id skin localisation (Bouba) f 

54.- Id skin localisation (Bouba) 

55. - Id skin localisation (Bouba) 

56. - Id skin localisation (Bouba) 

Chicks do not tolerate injections of more tlian 2 cm» to 3 cm^, therefore 
in this series the injections of 4 to 6 cm^ were made in two or three times 
at intervals of approximately three hours. 

The nodules observed in the ando- observed in the chicks of lower numbers, 

men (site of the injection of serum in injected with fresh serum, nor in the 

chicks of numbers 38 to 46) appear to controls treated with normal serum, al- 

have been due to the carbolic acid nee- so in fresh condition, 
ded to preserve the seriun; this was not Here, once more, the preventive va- 



18 



lue of lhe serum was complele, when 
the serum was used in the dose of 4 to 6 
cm^. 

We may therefore conclude that se- 
rum ajiaiiist the epithelioma of fowls 
may be easily obtained provided that; 
1" the superimmunised fowls support 
the inoculations without morbid 
manifestations, even slight ones 
(chronic coryza, for instance). 
2° the activity of the immunising 
serum be verified with high doses 
with regard to the weight of the 
animal that is to be protected aga- 
inst infection. 



i 



The simple passage of the virulent 



material through musliu and filter paper 
might, at first sight, seem to prejudice 
the experime but I had no inten- 
tion of demonstrating in any way the 
filterability of the germ o! the diphtheria 
of fowls; this had already been brillian- 
tly done by great research- workers; my 
purpose was to show that fowls super- 
immunised with virulent material fur- 
nish serum against a disease produced 
by a filterable germ that seemed to 
elude the general principal that; The 
filterable germs produce, as a rale, pre- 
ventive serum, when inoculated in a 
proper manner in animals sensitive to 
the disease which theif provoke. 

Bello Horizonte, May 21rst, 1922. 



Beitrag zur Kentnis der Gregarínen (') 



von 



Or. meci. OESAR F»IIV'ro 

(Taf. 1-6). 



Einieitung. 

Nachfolgende Arbeit ist das Ergeb- 
nis von Unlersuchungen, die im Monat 
September 1917, unter Leitimg der Assis- 
tenten Dr. OLYMPIO DA FONSECA jun. 
iind Dr. ARISTIDES MARQUES DA 
ClUNHA, im Instituto Oswaldo Cruz be- 
gonnen wurden. In zwoelf vorlanefigeu 
Mitleilungen, welche im Jalire li)18 im 
€ Brazil Medico:» erschieuen, beschrieb 
ich 16 neue Arten von Gregarineii mid 
stellte zwei neue Galtungen auf, eine 
derselben fuer eine bereits bekannte Art, 
die andere fuer eine der neuen Gregari- 
nenforraen Ausserdem gab ich dieWie- 
tlcrbeschreibung zweier bereits bekann- 
ler Gregarinen, bci weichen ich eini- 
ge Charaktere beobachtete, die den frü- 
heren Beschreibern entgangen waren. 
Die Zahl der von mir untersuchten Ar- 
thropod en erreichte 471; sie wurden in 
I, eme und Manguinhos, in der Umge- 
gend von Rio de Janeiro, waehrend ver- 
schiedener Jahreszeiten gesammelt. In 



Myriapoden, welche von Dr. OLYM^'IO 
da FONSECA waehrend einer wiessen- 
schafthclien Expedition am Rio Paraná, 
im Staate São Paulo, gesammelt und unter- 
sucht wui'den, fand ich nur zwei, bereits 
bckannte Gregarinenarten, Stenophora 
fnli und St. cockerellae. 

Erst nach zehnraonatlichen Unlersu- 
chungen geiang es mir, von einer einzigen, 
Gregarine den Entwicklungszyclus fest- 
zustellen, da die Sporen dieser Proto- 
zoen immer sehr selten waren, obgeich 
die Arthropoden in verschiedenen Jah- 
reszeiten unlersucht wurden. Das einzj- 
ge Tier, welches eine gi'osse Zahl vore 
Sporen aufwies, war ein Oligochaete 
(Glossoscolex wiengreeni), der von Dr. 
OLYMPIO DA FONSECA in der Umge- 
gend von Rio Gavea i, gefundeu wurde. 
Ich benutzte die grosse Zahl von Spo- 
ren der Monocijstis perforans PINTO, 
1918. welche im Gewebe des Testikels, im^ 
Coelom und in den Faeces gefunden wur- 
den, um die Bildung der Sporozoiten in 



(1) Prdsgekrônt von d«r A' edlrinischen PakuHSt in Rio de janeiro mit demJ/'OuBning-Prei»" facr Niturge- 



schichte. 



20 



vifro zu beobachte]!, was relativ leiclit 
gelang. 

Brasilianische Literatur. 

Ich kenne nur eiiie brasilianische 
Arbeit ueber das vorliegende Thema;die- 
selbe wurde von Professor PEDRO SE- 
VERIANO DE MAGALHÃES in den «Ar- 
chives de Parasilologie» (i^aris, 190Ü) 
veroeffentlicht. Neuerdings publizierte Dr. 
GUSTAVO HASSELMANN, Professor an 
der Landwirtschaftliciien Schule, im 
< Brazil-Medico» fueuf vorlauefige Mittei- 
lungeu ueber Sporozuen und beschrieb 
«inige ueue Gregarinenarleu; ueberdies 
studierte er eingeheud den Entwickhings- 
^yklus dieser Prolozuen. 

Tecfanik. 

BESCHAFFUNG DES SiUDIENMA- 
TERIALS: Von wirbellosen Tieren sind 
Arthropoden, Annelideu, Mollusken, Echi- 
nodermen etc. die hauefigsten Wirte von 
Gregarinen. Von Gliedertieren ist eine 
Schabcnarl, Stylopijga americana, hier 
am leichteslen zu beschaffeu und cnt- 
•haelt die folgenden Arten: Gregarina 
blattarum (von Sieboldt), Protomaga- 
ihaensia serpentula (Magalhães, 1300) 
tuid Gregarina légeri Pinlo, 1918. 

Nachdem die Wirle durch Cliloro- 
f orm Oder Aether getoelet warden, nimmt 
man den Darm heraus und eroeffnet ihn 
in seiner ganzen Laenge mit eincr ge- 
«igneten feinen Schere. Man kann dann 
haeufig mit blossem Auge kleiue weiss- 
Mche Staebchen unterscheiden; diesel- 
ben werden zusammen mit dem Darmin- 
halt in eine Pipette aufgenommen und 
dann bei schwacher Vergroesserung un- 
tersucht (Obj. A Zeiss). Nachdem die 
Gegenwart der Gregarinen im Darme des 
Wirte festgestellt ist, w^ird derselbc fi- 
xiert, in Paraffin eingebettet und in 
Schnilte zerlegt, in whelchen man die in- 
trazellulaeren Gregarinenformen sucht. 

Mikroskopische Praeparate. 

Man imtersucht in frischen oder ge- 
faerblen Praparaten; letztere wm*den 



nach der Méthode von HEIÜENHAIN" 
cder mit Haematoxylin (nach DELA- 
FIELD Oder HANSEN) hergestelU. Die 
JJarmschnitte, welche intrazellulaere For- 
men aufwiesen, wurden ebenso nach HEI- 
DENHAIN gefaerbt, was immer gute Re- 
sáltale gal). Beim Studium der Systcmatik 
ist es besser, die Gregarinen lebend zu 
zeichnen, da sie sich bei der Fixiertmg 
und Faerbung in Folge ihrer ungewoehn-i 
lichen Dimensionen oft in Fragmente 
aufloesen. 

Studium der Brasilianischen Gattungen und 
Arten . 

Waehrend meiner Untersuchungen 
ueber brasilianische Sporozoen stellte ich 
das Vorkommen von sechs Gregari- 
nengattungen fest. Zwei derselben wurden 
von mir aufgestellt. Beim Studium eini- 
ger Arten fiel es mir schwer, dieselben 
in bereits bekannte Gattungen unterzu- 
bringen; in Ermangelung einer genue- 
genden wissenschaftUchen Basis fuer die 
Aufstellung neuer Genera, habe ich eini- 
ge Arten vorlauefig in der Gattung Gre- 
garina Dufour untergebracht, bis die 
átellung derselben durch weitere Stu- 
dien genuegend aufgeklaert sein wird. 

Polycystische Gregarinen (CEPHALINAE) 

I. Fam. STENOPHORIDAE (LÉGER 
et DUBOSQ, 1904). PINTO, 1918. 

a) Genus STENOPHORA LABBÉ, 
1899. 

b) Genus FOA^SECA/A PINTO, 1918. 
H. Fam. GREGARINIDAE LABBÉ, 

1899. 

a) Genus GREGARINA DUFOUR, 
1828. 

b) Genus PROTOMAGALHAENSIA 
PINTO, 1918. 

III. Fam. ACTÍN0CEPHALIDAEL1È' 
GER, 1892. 

a) Genus BOTHRIOPSIS SCHNEI- 
DER, 1875. 

Monocystische Gregarinen (ACEPHALINAE). 
I. Fam. MONOCYSTIDAE BUET-. 
SCHLI, 1882. 



21 



a) Genus MOXOCYSTIS STEIN, 184S. 
Genus Fonsecaia PINTO, 1918. 

Diagnose der Gattimg: Polycystische 
Gregarinen mit intrazellulaerer Enlwick- 
lung, keine Syzygien bildend. Glatte 
Sporocysten von laenglich elliptischer 
Form, ohne Aequatoriallinie unci Endo- 
sporocysten. Nichl zu Ketten vcreinigt. 
Epimerit sehr reduziert, ohue Endoplas- 
raa. Parasitisch in Diploi)oden. Cysten 
imbekannt. 

Dieses Genus gelioert .<iir Familie 
Stenophoridae LÉGER und DUBOSQ, 
1904, deren Diagnose icli modifizierte, 
um ihr Arlen einzureihen, welche vve- 
der Aequatoriallinie, noch Endosporocys- 
ten auhveisen. 

Typische Art des Genus: Fonsecaia 
polymorpha PINTO, 1918. 

(Tatel. 1, Fig 1 17). 

Dimensionen: Runde ¡"onn (Fig. 2 
und 3) : Gesammtlaeage 30 mikra : Laenge 
des Protomerileu 8, Breite 11 mikra; 
Laenge des Deutomeriten 24 mikra. 

Intermediaere Form (Fig. 4 bis 9); 
Gesamtlaenge 100 mikra; Laenge des Pro- 
lomeriten 10 mikra; Breile 14; Deulo- 
merit 48 mikra breit. 

Sporont (Fig. 17) : Gesammtlaeuge 170 
mikra; Protomerit lõ mikra lang , 18 
mikra breit; Deutomeril 80 mikra breit. 
Durchmesser des Kerns 10 mikra, des 
Karyosoms 3 mikra. 

Dimensionen der Sporen (Fig. 1): 
18 mikra Laenge bei 8 Breite. Verhaelt- 
nis der Dimensionen des Sporonten (Fig- 
17): Die Laenge des Protomeriten ver- 
haelt sich zur Gesammllaenge der Grega- 
riñe wie 111,3, die Breite des Proto- 
meriten zu der des Deutomeriten wie 1 
zu 4,4. Breite des Protomeriten zur 
Laenge desselben wie 1 zu 1,2. 

Beschreibang: Fonsecaia polymorpha 
'/.eigt zwei verschiedene Typeu, bei de- 
uen Zwischenformen vorkommen. Es sind 
dies ein runder (Fig. 2—3) Typhus, an- 



I scheinend ohne Epitneril und ein langer 
I Typus (Fig. 4—17) rail fast konstantem, 

jedoch zuweileu rudimentaerem Epime- 

ritcn. 

Runde Form (Fig. 2—3) mil einem 
Durchmesser von 30 mikra und einem 
halbkugelfoermigen, 8 mikra langen und 
11 breiteu Protomeriten. Deutomeril fast 
immer vollkommen kugetig, mil ziemlich 
entwickeltem Epizyl imd einem Durch- 
messer von zirka 24 mikra. Das Sep- 
tum isl flach. 

Lange Form (Fig. 4—17): Epimerit 
manchmal rudimentaer oder zuweileii 
ganz fehlend, immer ohne Endoplasma. 
Protomerit in a!>geflachter Zylinder- oder 
Biruform. Septum zuweilen nicht er- 
kenni)ar. Deutomeril bei den langen For- 
men manchmal ziemlich vielgestaltig. 
Zuweilen ist er zylindrisch und kana in: 
einer Spitze enden, die immer alDge- 
stumpft ist; in anderen Faellen zeigt sein 
miltlerer Teil eine Erweitenmg, die sich 
nach beideii Enden verschmaelert, oder 
diese Erweiteruug ist nach einem der 
beiden Enden verschol^en, so das einer 
der verschmaelerten Teile laenger wird^ 
als dcr andere, und der Parasit eine Fla- 
schenl'orm zeigt (Tat. 1, Fig. 12). 

Abgeseiien von solcheu indivlduel- 
teu Variationen des Deutomeriten kann 
bei demseîben Exemplare durch sine zir- 
kulaere Kontraklion der Myonemen eine 
Einschnuerung auftreten, die sich nach 
der einen oder andereu Richtung ver- 
schieben kann (Taf. 1 Fig. 7). In den 
von mir beobachtelen Sporonten war 
der Deulomerit eifoerraig (Taf. 1, Fig. 
17). Ich sah einen .solchen Sporonten sich 
nach imd nach einschnueren, bis er Biru- 
form annahm (Taf. 1, Fig. 11) und 
an seiner Basis den sehr reduzierten 
Protomeriten zeigte. 

Epizyt fast bei alien Exemplaren ziem- 
lich dick. Myonemfibrillen unsichlbar, 
entweder nur im vorderen und mittle- 
ren Teile oder in der ganzen Ausdehnung 
des Deutomeriten. Endozyl von brauuer 



22 



odcr gelblicher Farbe und mit einer 
Koernung, die im Deutomeritea iinmer di- 
cker isl. In einem Exemplar beobach- 
tete ich. deutlich das Freibleiben von die- 
ser Koernung im miltleren Teile des 
Deulomeriten, woselbst eine Aequatori- 
alzone auftrat, in der nur Myonemfibril- 
len sichtbar vvaren. (Taf. 1, Fig. 17). 
Die Granulationen des Deutomeriten 
toennen sich in seinem millleren Telle 
anhaeufen, so dass nur in derNaehc des 
Epizyten ein hyaliner Raimi freibleibt 
(Taf. 1, Fig. 9). 

Kern. Auch dieser Teil der Gregari- 
x\e zeigt verschiedene Bilder. Bei man- 
chen Exemplaren ist er in friscliem Zus- 
tande unsichtbar; bei anderen erscbeint 
cr rund, mit oder ohne Karyosom von 
runder Form und wechseinder Groesse; 
er ist auch in frischem Zustande sicht- 
bar. Manchmal ist er laenglich inRosetlen 
(Fig. 13) Oder in Birnt'orm (Fig. 14). 

Bewegiingen. Die runden Formen und 
die Sporonten zeigten keine Bcwcgung, 
dagegen sah ich bei mittelgrossen Exem- 
plaren bald langsame, bald ungevvoehn- 
lich lebhafte Bewegungen. Die Gregari- 
ne bewegt sich immer in der Richtung 
ihrer Laengsachse und macht zuerst 
gewõhnlich einen kurzen Vorstoss, auf 
den sofort eine ruecklaeufige Bewegung 
folgt. Bei mittelgrossen Formen mit deut- 
üichen Myonemen sah ich die Gregarine 
sich in der Mitte umbiegen und nach 
der einen oder anderen Seite verschie- 
ben. Die fast unbeweglichen Sporonten 
liessen niemals solche Bewegungen er- 
kennen. 

Zysten: Obgleich ich eine grosse 
Zahl von Diplopoden untersuchte, fand 
ich niemals Zysten. 

Sporocysten sind bereits beschrie- 
ben. 

Fundort des Wirtes: Militaerhospi- 
tal, Jockey-Club, Rio. 

Zeit: April 1918. 

Wirt: Orlhomorpha gracilis KOCH, 
1847. 

Vorkommen: Dann. 



Stenophora canhai PINTO, 1918 

(T«f. 6 Fig 87-88). 

Dimensionen: GesammtlaeJige 250 des 
Protomeriten 50 mikra. Breite desselbcn 
40, des Deutomeriten 30 mikra. Durch- 
messer des Kerns 20, des Karyosoms 10 
mikra. 

Verhaeltnis der verschiedenen Di- 
mensionen: Laenge des Protomeriten 
zur Gesamtlaenge 1 zu 5; Breite des Pro- 
tomeriten zu der des Deulomeriten 1:1; 
Breite des Protomeriten zur Laenge des- 
selben 1:1,2. 

Der Protomerit zeigt ein kugeliges 
Vorderende mit nachfolgender ringfoer- 
miger Einschnuerung. Hinler dieser fin- 
dei sich ein zweiter erweiterter Teil, ge- 
folgt von einer zweiten Einschnuerung, 
die dem Septum zwischen Deuto- und 
Protomeriten entspricht. Am vordersten 
Teil des Protomeriten befindet sich eine 
Reihe von Zaehnchen. 

Deutomerii zylindrisch, gekruemmt, 
am Vorderende mil einer Erweiterung, 
die derjenigen am Hinlerende des Proto- 
merilen entspricht. Epizyt von gleich- 
mae.ssiger Dicke, die starkentwlckelten 
Myonemfibrillen in Form einer Laengs- 
streifung deutlich erkennbar. Endozyt 
wasserklar, mit wenigen Koernchen am 
Vorder- mid Kinterende. 

Kern: Rimd, mit einem grossen Ka- 
ryosom in der Mille und einer halb- 
mondfoermigen Chromatinmasse an der 
Oberflaeche. 

Wirt. Rhinocricus pngio Broelemann, 
11;02, (Gongolo). 

Vorkommen: Darm. 

Fundort des Wi'r/es.- Leme, Rio de 
Janeiro. 

Zeit: November 1917. 

Stenophora iutzi PINTO, 1918. 

(Taf. 2, 5 u. 6, FIgt. 32—36; 82-85). 

Freie Gregarinen, aus der Leibes- 
hoehle des Wirtes zeigten eine Laenge 
von 15 bis 210 mikra, Gesammtlaenge des. 
Sporonten 210, des Protomeriten 28 mi- 



23- 



ira; Breite des Protomerilen im hinte- 
ren Abschuilt 28, des IJeutomerilen 35 
mikra; Laeuge des Epimeriten 5, Breite 
desselben 8 mikra. 

Verhaeltnis zwischen der Laenge des 
Protomeritea iind der Gesammtlaenge der 
Gregarine 1:7,5; zwischen der Breite des 
Deutomerilen und des Protomeriten 
1:1,2; Verhaeltnis zwischen der Breite 
und Laenge des Protomeriten 1:1. 

Epi me rit halbkugelig, bei den inter- 
raediaeren Formen konstant, bei den Spo- 
ronten meistens fehlend. 

Protomerit zyhndrisch. immer mit 
mitilerer Einschnuerung, manchmal vor- 
ne mit einem Rest des Epimeriten, der 
sieh losgeloest hat. 

Deutomerit zylindrisch, mil abge- 
rundeter Spitze am Ende. 

Epizyt biegsam, von gleichmaessiger 
Dicke. 

Endozyt braun, am Proto-und Deu- 
iomeriten koernig und bei letzterem oef- 
ters am vorderen Ende dunkler. 

Kern rund, gewoehnlich im hinteren 
Teile des Deutomerilen, mit rundem Ka- 
rj'osom in dcr Mil te. 

Zysten mid Sporen unbekannt. 

Unterscheidung der Art: Die bc- 
schriebeue Gregarine gleicht der Stcno- 
phora dauphinia. \\'ATSON untersclieidet 
sich aber durch das Fehlen eiues Porus 
mid der Papillen am Vorderende des 
Protomerilen. Das Vorkommen eines Epi- 
meriten, wie er bei Stenophora liitzi beo- 
bachtet wird, hat WATSON bei seiner 
Art niciit angegeben. 

Wirt: Rhinocricus sp. 

Vorkommen: Darm. 

Fundort: Rio de Janeiro. ¡Leme). 

Zeit: November, 1917. 

Stenophora crnzi. PINTO. 1819. 

(T«f. 6, Pig 89>. 

Dimensionen: Gesammtlaenge 100 mi- 
kra; Laenge des Protomeriten 30 mikra; 
Breite des Protomeriten 40 mikra; Brei- 
te des Deutomerilen 80 mikra; Kern: 10 
mikra im Durchmessei-. 



Vcrhaeltriis der L iiit- des Protome^- 
rite.i zur Gesamtlaenge l:í3; der Breite 
des Deutomerií?n zu der des Protomeri- 
ten 1:2, Breite des Pf-otomeriten zm* 
Laenge desselben 1:1,3. 

VrotomrH in aligestutzter Kegelforni. 
Deutomerit zylindrisch, im vorderen 
Teile, nach hinten zu, schmaeler. mit 
abgerundeter Spilze. Bei die.ser Art ist 
der Deutomerit imraer gebogen. Epizyt 
gleichmaessig dick, mit klar durchschei- 
nendeii Myonemen, in einigen Teilen anch 
mit Falten von wechselnder Lange, die 
wie Furchen aussehen. Endozyt wasser- 
klar, aber voll von kleinen Koernern. an 
den Sellen und and Ende deutlich va- 
kuolaer. Prolomerif mit Koernern, aber 
ohne Myoneme. Kern kleiii und rund. 

Habitat: Darm. von Rhinocricus ip, 

Pnndort: Rio de Janeiro (Leme). 

Zeii: Dezeraber, 1917. 

Stenophora viannai PINTO, 1918. 

^T«f. 6, Fig. M-92J. 

Dimensionen : Gesammtlaenge 1)00 bis 
1000 mikra; des Protomeriten 60 mikra; 
Breite des Protomeriten 70 mikra; de» 
Deutomerilen 150 mikra; Epimeril 10 zu 
30 mikra; Kern 30 mikra. 

Verhaeltnis der Laenge des Proto- 
merilen zur Gesammtlaenge 1:16,6 der 
Breite des Deutomerilen zu der des Pro- 
tomeriten 1:2,1; der Breite des Protome- 
rilen zu seiner Laenge 1:1,1. 

Epimerit: Am Vorderende des Pro- 
tomeriten findet sich ein Epimerit Î4 
I Form eines annaehernd zylindrischeit 
Forlsatzes mit centralem Poras. Proto- 
merit halbkugelig, mit ziemlich deutli- 
chem Septiun. Deutomerit zylindrisch^ 
mit abgerundeter Spitze. Diese Gregari- 
ne ist ziemlich polymorph. Bei einige» 
Exemplaren spitzt sich der Deutomerit 
am oberen Drittel zu; beim I^rotomerî- 
ten ist das nicht der Fall : er behaelt fast 
imraer diesselbe Form. 

Kern: Dieser Teil des Protisten 
lenkt durch Forra und Lage sofori 
die Aufmerksamkeit des Beobachters auf 



24 



sich. Er isl immer von laenglicher Form 
nnd liegt meistens quer am Deutomeri- 
ten Oder in seiner Naehe. Epizyt von 
•wechselnder Dicke Am Rande des Sep- 
tums ist er von ziemlicher Dicke und 
mehr noch am Rande des Porus des Epi- 
merilen. 

Endozyt: koernig, beim Deutomeri- 
ten von brauner Farbe, beim Protome- 
riten immer hell. 

Wirl: Rhinocricus (sp). 

Vorkommer: Darm. 

Fundort: Rio de Janeiro (Leme). 

Zeit: Februar 1918. 

Stenophora polydesmi (LAN RESTER, 1863) 
WATSON, 1916. 
(Tal. 3, rig. 49). 

Synonymie : 

Gregarina polydesmi virginiensis LEI- 
DY, 1853. 

Gregarina polydesmi LANKESTER, 
1863. 

Amphoroides polydesmi LABBÉ, 
1899. 

Gregarina polydesmi-virginiensis 
CRAWLEY, 1903. 

Amphoroides polydesmi-virginiensis 
ELLIS, 19913. 

WATSON gab 1916 eine neue Be- 
schreibung von dieser Art, nach welcher 
die Sporonten 400 bis 900 mikra lang sind. 
Ich fand iolgende Dimensionen: Gesammt- 
laenge 370 mikra; Breite des Deutome- 
riten 40 mikra; Breite des Protomeriten 
30 mikra; Lãnge desselben 40 mikra; Kern 
10 mikra in Dm-chmesser. 

Da die Figuren von WATSON manche 
Einzelheilen in der Struktur dieser Art 
joicht deutlich zeigen, gebe ich eine Zeich- 
nung nach der Nalur. 

Stenophora polydesmi (LANK.) WAT. 
zeigt den Epimeriten in Form einer Ca- 
lotte ohne Koerner, den Protomeriten 
koernig, mit laengsge: ichteten Myonemen; 
quergelagerte Myoneme habe ich niege- 
sehen. Das Septmn ist hell und leicht 
Jtonkav, die Einbuchtung nach vorn ge- 
aichlet. Der Deutoraerit ist ziemhch lang 



und durchweg braun gekoernt, er zeigf 
laengsgerichte'.e Myoneme; am Epizy- 
ten sieht man deutlich quergerichtete 
Myoneme, docli lassen sich diese nur 
an der Peripherie erkennen. 

Wirt: Rhinocricus (sp.) 

Vorkommen: Darm. 

Fundort: Rio de Janeiro. (Leme) 

Zeit: November, 1917. 

Stenophora umbilicata PINTO, 1918. 

ft&f. 5. Fig. 79 und 80) 

Dlmens-onen: Ge:;animtlaenge des Spo- 
ronten; 320. Laenge des Protomeriten 
25 mikra, Breite des Protomeriten 40, 
des Deutomeriten 150 mikra; Kern 40, . 
Karyosom 10 mikra ira Durchmesser. 

Epimerit: rudimentaer. Protomerit 
sehr klein und stark abgeplattet. Deuto- 
merit im Verhfiltuis zum Protomeriten 
sehr breit, von eüiptischem Umriss. 

Die Kombinalion von Epimerit und 
Deutomerit, die beide stark al)geflacht 
sind, laesst das Vorderende dieser Art 
nabelfoermig erscheinen. 

Epizyt: bei einigen Sporonten nicht 
abgegrenzt, bei anderen am Vorderende 
des Deutomeriten angedeutet. 

Endozyt: am Protomeriten und Deu- 
tomeriten hell und koernig. 

Kern: sehr gross, rundlich, im Zen- 
trmn mit einera grossen kugelfoermigen 
Karyosom. 

Wirt: Rhinocricus (sp). 

Vorkommen: Darm. 

Fundort: Rio de Janeiro (Leme). 

Zeit:: Dezember, 1917. 

Stenophora tenuicollis PINTO, 1918 

(Taf 5 Fig. 8i;. 

Dimensionen: Gesamtlaenge des Spo- 
ronten 400 mikra; Protomerit 20 mikra 
lang und 20 mikra breit; Deutomerit in 
der groessten Breite 50, in der gerings- 
ten 18 mikra. 

Kern: 10 mikra im Durchmesser. 

Protomerit kegelfoeimig. Deutomerif 
gekruemmt, von wechseludem Durchmes- 



25 



ser in seiner gan/eu Laeuge, ira Vorder 
leile ballonfoermigerweileit. Nach hinten 
iolgt ein schraaJer f eil, der sich nach iind 
nach erweilert und am Etide Keulenform 
aunimral. Der schmaelere Teil zwischen 
den l)eiden erweiterten Enden hat 
die Form eines langen und duennen Fla- 
schenhalses. 

Hndozyf: im Protu- und Deutomeri- 
len h e: 1 ; sehr gut entwickelte Myoneme im 
Prolomeriten imd miltlereu Teile des Deu- 
lomerilen. 

Wirt: Rhinocricus (sp). 

Vorkommen: Darm. 

Fundort: Rio de Janeiro (Mangui- 
nhos). 

Zeit: Dezember, 1917. 

Genus Protomagalhaensia PINTO, 

1918. 

Genus-Diagnose: Sporen in Form ei- 
nes Toennchens mit vier Dornen. Ent- 
wickhuig immer intra-zellulaer. Zysten 
xmbekannt. A He Entwicklmigsformen 
laengli:-h. Syzygiea; IDer Protomerit des 
Salelliten umfassl den Deutomeriten des 
Primiten zangenartig. Epimerit unbe- 
kaimt. Ich stelle dieses Genus in die Fa- 
railie Gregarinidae LABBÉ, 1889. 

Naclifolgende Zusammenstellung zeigt 
die Vei'schiedenheiten zwischen mei- 
lier Galtung und dem Genus Gregarina 
DUFOUR, 1828. 

Genus Gregarina DUFOUR, 1828. 

Sporen zylindrisch oder in To- 
cnnchenform. 

Entwicklung intrazellulaer. 

Zyslen mit Sporoducten. 

Entvvicklungsformen laenglicli mid 
rundlich. 

Epimerit rundUch oder zylindrisch. 

Syzygien. der Protomerit des Satel- 
liten nur adhaerent am Deuto- 
meriten des Primiten. 

Genus Protomagalhaensia PINTO, 
: 1918. 



Sporen in T. e mclieuform, mit einem. 

Dorn in jedem Winkel. 
Entwicklung intrazellulaer. 
Zysten unbekannt. 
Entwicklunggsformen immer laen- 

glich. 
Epimerit unbekannt 
Syzygien: der Protomerit des Satel- 

liten umfasst den Deutomeritpa 

des Primiten zangenartig. 

Typische Art der Gattung: PROTOMA- 
GALHAENSIA SERPENTULA (MAGA- 
LHÃES, 1900). PIHTQ, 1918. 

(Taf. 3 a. 6, Fig. 48 u. 93). 

Synonymie : 

Gregarina serpentula MAGALHÃES, 
1900. 

Dimensionen nach MAGALHÃES : 

ExempJare von 1,2 mm. Laenge bei 0,18 

j mm. Bieite. Gewoehnliche Laenge 0,77 

I bis 0,80 mm. bei 0,0G mm. Breile. Der 

Protomerit isl 50 mikra lang. 

It. serpentula zeigte stels die Form 
eines ziemlich langen Zylinders imd be- 
sass in fast alien beobachtelen Exem- 
plaren sehr deutliche Myonemen; diese 
sind am Protomeriten und an Deutomeri- 
ten sichtbar und verlaufen in der Laengs- 
richlung dej' Gregarine. Transversale 
Myoneme im Epizylen habe ich nie 
oeobachtet. 

Bei einigen Exemplaren beobachte- 
te ich eineu kleinen braunen eifoermi- 
gen Fleck im Protomeriten des Sporon-. 
ten. im mittleren Teil des Protomeriten 
dieses Protisten sieht man auch eine 
leichte Einschnuerung intolge der Bewe- 
gungen, welche der vordere Teil des Pro- 
tomeriten nach der einen oder der ande- 
reu Seite ausfuehrt. Die Syzygien koen- 
nen Y- oder Gabelform zeigen. in diesent 
Falle sieht man die Satelliten in ver- 
schiedener Weise am Primiten befestigt. 
Der echte Satellit befestigt sich am Pri- 
miten, indem er dcsseii Endteil zang^^n- 
artig umfasst. (Fig. 48). Der Pseudosa- 
tellit tut dies ill andere¡- Weise, das, heisstjr 



26 



kÈi- beícsügl 6ich aui Print! teu, wie 
der Salellit de; Gregarina aragãoi PIN- 
TO, 191 8, 

Wirt: Stylopyya americana (Kaker- 
lake). 

Vorkommen: Dann. 

Fundort: Rio dc Janeiro (Leme). 

Gregarina magalhaensi PINTO, 1918. 

rrat. 1 u 2, Fig. 18-29;. 

Dimensionen: der jungen Formen: 
iiicsaintlaenge 80 mikra. Laenge des Pro- 
tomerileii 20, Breiles dcsselben 20 mikra; 
Durchmcsser des Kerns 10 mikra. 

Dimensionen: des Sporonten: Gesammt- 
« laenge 300, Laenge des Protomeriten 65, 
Breile desselben 60 mikra; des Deuto- 
meriten 70 mikra. 

Epimerit: (Fig. 18-24 & 24). Die- 
ser Teil ist bei Gregarina magalhaensia 
ziemlich beweglich mid zeigt vcrschie- 
dene Formen; in der Ruhe ist er kegel- 
foermig und frei von Koernern. 

Protomerit: mil hemerkenswertem 
Picomorphismus, bei jungen Formen (Fig. 

24) zylindro-kouiscii, in anderen Faellen 
Tou vorne nacii hinten abgeplattet (Fig. 
23); zuweilen beobachtete ich auch abge- 
flachle Protomeriten mit Aus- und Ein- 
buchtungen, entweder im Vorderteil (Fig. 

25) Oder an den Seiten (Fig. 25); die Ve- 
raenderlichkeit der Form des Protomeri- 
ten ist eine Folge der von der Gregarine 
ausgefuehrten Bewegungen, bei wclchen 
sich der Protomerit nach beiden Seiten 
verschiebt. Septum geradlinig oder leicht 
gekruemmt, manclimal nicht wahr- 
aehmbar. Deutomerit zylindrisch; bei 
intermediaeren Formen (Fig. 29) zeîgt 
der Deutomerit melir oder weniger 
S-form; Wenn sich die Gregarine vor- 
waerts bewegt, biegt sich der Deutome- 
rit nacli und nach und aimmt zuletzt eine 
abgeilachte S-form an. 

Epizyt: zuweilen nicht wahrnehm- 
bar (Fig. 26 und 28); in anderen Faellen 
dick mit vielen Falten von wechselnder 
Grocsse am Deutomeriten (Fig. 29). 
Manchmal dringt der Epizyt in zwei Drit- 



tel des Deutomeriten ein, v^odurch der 
Eindruck von Furchen entstehl. (Fig. 29). 

Endozijt: Iiell, mil Granulalionen im 
Protomeriten. 

Deutomerit ziemlich dunkel, eben- 
falls mit vielen Granulalionen. 

Kern: von wechselnder Form und 
Groesse. 

Zysten: eifoermig. 

Wirt: Scolopendra sp. 

Vorkommen: Darm. 

Fundort: Rio de Janeiro. 

Zeit: November, 1917. 

Meinen Kollegen Dr. ALVIM TEI- 
XEIRA DE AGUIAR und Dr. ARTHUR 
PAULO DE SOUZA MARTINS, von de- 
nen ich das Material fuer das StudiunS 
dieser Art erhielt, spreche ich hier mei- 
nen besten Dank aus. 

Gregarina brasiiiensis PINTO, 1918. 

(Taf. 2 Fig. 30-3 V. 

Dimensionen: Gesamtlaenge 92 mi- 
kra; Laenge des Protomeriten 38 mikra; 
Breile desselbcn 30, Laenge des Deuto- 
meriten 35 mikra; Laenge des Kerns 20, 
Breile desselben 10 mikra. Durchmessfir 
des Karyosoms 4 mikra. 

Verhaeltinis der Dimensionen: Laen- 
ge des Protomeriten zur Gesamtlaenge: 
1:2,4; Breile des Deutomeriten zu der 
des Prolomerilen 1:1,1; Breile des Pro- 
tomeriten zur Laenge desselben 1:1,2. 

Protomerit: zylindrisch-eifoermig, ge- 
kruemmt, meistens dem vorderen Ende 
des Deutomeriten schraeg autsitzend (Fig. 
31); Deutomerit birnfoermig. 

Epizyt: des Protomeriten und Deuto- 
meriten ziemlich dick; Endozyt beider 
koernig; Zyslen míd Sporen nicht beot>- 
achtet. Kern oval, mil vielgeslaltigem 
Karyosom und Chromatinkoernern von 
wechselnder Groesse, in unregelmaessi- 
ger Anordnung. 

Beweglichkeit: Bei der Bcobachtung 
dieser Art bemerkt man sofort ziemlich 
ausgesprochene Bewegungen; die Ver- 
scliiebung findet nur nach vorne stall. 



27 



Differentialdiagnose: Diese Art glei- 
cht der Gregarina grisea ELLIS , uiid 
dem Actinocephalus stelliformis ÀIMÉ 
SCHNEIDER. Vouersterer unterscheidet 
sie sich durch deiitliche Einschnuerung 
des Septums und Abwesenheit von Syzy- 
gien; ausserdem durch die Form des Yor- 
derendes des Prolomeriten. Von letzterem 
miterscbeiïîet sie sich dadrnxh, dass sie 
einen Epimerilen besitzt, der sich lange 
Zeit erhãlt und durch die Form des Sep- 
tums, welches bei Actinocephalus stelli- 
formis iramer flacli ist. Gregarina brasili- 
ensis zeigt nur eine Form des Deutome- 
rilen, im Gegensatz zum Actinocephalus 
stelliformis A. SCHNEIDER, dessen Deu- 
tomerit drei Varietaeten anfweist, eine 
birnfoermige, eine laengliche imd eine 
«ubsphaerische. 

Wirt: Scolopendra sp. 

Vorkommen: Darm. 

Fundort: Rio de Janeiro. 

Zeit: Oktober 1917. Dr. SEVERINO 
iLESSA spreche ich meinen Dank aus fuer 
die Beschaffung des Materials zum Stu- 
dium dieser Art. 

Gregarina elegans PINTO, 1918. 

(Tai. 2 Fig. 37;. 

Dimensionen: Gesamtlaenge 75 mi- 
kra; Laenge des Prolomeriten 10, Breite 
desselben 21 mikra; Breite des Deutorae- 
riten 32; Laenge des Kerns 12, Breite des- 
selben 5 mikra; Durchmesser des Karyo- 
soms 2 mikra. 

Verhaeltnis der Dimensionen: Laen- 
ge des Prolomeriten zur Gesamtlaenge 
1:7,5; Breite des Deutomeriten zu der 
des Prolomeriten 1:1,2; Breite des Pro- 
tomeriten zu seiner Laenge 1:2,4. 

Protomerit: kurz, von voni nach hin- 
ten abgeflacht, in der Mitte mil einer 
eifoermigen Bildung, deren groesster 
Durchmesser quer verlaeuft; d ieselbe 
kann nicht als Kern an gesp rochen warden, 
well ihr die charakteristische Slruktur 
fehlt. Am Vorderende des Prolomeriten 
befindet sich eine Reihe von Fasern. 

Deutomerit: birnfoermig. Epizyt 



am Protomerileu duenn, am Deutomeri- 
ten ziemlich dick. Endozyt bei beiden 
kocrnig, im Prolomeriten braun, im Deu- 
tomeriten noch dunkler. Kern: Derselbe 
wurde in Praeparaten, welche mil Subli- 
mat-Alkohol nach SCHAUDINN fixirt und 
mil Eisenhaematoxilin nach HEIDEN- 
HAIN gefaerbt waren, genauer auf seine 
Slruktur ualersucht. Der birnfoermige 
Kern zeigt eine ziemlich ausgesprochene 
Membrau von wechselnder Dicke, mit 
einem eiwas ovalen Karyosom, innerhalb 
und elwas nach vorne gelegen. Ein 
Zentriol wurde weder innerhalb noch 
ausserhalb des Kernes gesehen. Lininim 
Innern desselben unregelmaessig ange- 
oi'dnet. 

Bewegungen: Diese Art besitzt Beweg- 
iichkeit. Sie bewegt sich immer nach 
vorn, ohne ruecklaeufige Bewegungen, wie 
sie bei Gregarina aragãoi vorkommen. 

Zysten: und Syzygien konnte ich 
nicht beobachten. 

Wirt: Scolopendra sp. 

Vorkommen: Darm. 

Fundort: Rio de Janeiro. 

Zeit: September, 1917. 

Gregarina watsoni PINTO, 1918. 

(Tai. 2 u. 3, Tig 39-43). 

Dimensionen der beobachteten Exem- 
plara: E.ntwicklungsformen von 54 mikra 
bis zu 350 mikra langen Sporonten. Masse 
eines Exemplares mit erhallenem Epime- 
rilen (Fig. 41): Gesammtlaenge 130, Laen- 
ge des Epimerilen 12, Breite desselben 
20 mikra; Laenge des Prolomeriten 25, 
Breite desselben 38, des Deutomeritcs 40 
mikra. Kern 10, Karyoson 4 mikra im 
Durchmesser. Dimensionen des Sporon- 
ten: Gesamtlaenge 350; Laenge des Pro- 
lomeriten 52, Bieile desselben 104, Brei- 
te des Deutomeriten 152 mikra. Kern 30, 
Karyosom 10 mikra im Durchmesser. 

Dimensionen der Syzygien : Gesamt- 
laenge 570 mikra, Primil 300, Satellit 270 
mikra lang. 

Epimerit kugelfoerraig, ohne wahr- 
uehmbare Bewegungen. 



28 



Protomciit von elwas vvechselnder 
Stniklur, je nachdem eine noch junge 
Oregariiie oder eine noch in Entwicke- 
liing begriffene oder bereits ein Sporont 
vorlic;it Bei den jungen Formen enscheint 
(IJesei- Ahschnilt melir oder weniger 
/.ylindro-konisch, mit einer seichten Ein- 
schnuerung im mittleren Teile. In den 
Zwischenformen, mit erhaltenen Epime- 
riten, zeigt der Protomerit pyramidenar- 
tige Form mit einer konstanten Einsch- 
Querung im mittleren Stuck. Dagegen 
fehll die>es Merkmal beim J^rotomeriten 
der Sporonlen, der nur eine halbkugelt'oer- 
mige Plasmaportion aufweist. Die Spo- 
i'onlen besitzen einen vie! kleinercn Pro- 
io- unCi keinen Epimerilen. Das Septum 
ist bei jungen und intermedi aeren For- 
men flacli und fehlt bei den Sporonten. 

Dentomerit: bei jungen Furmeni»irn- 
foermig. bei den intermediaeren zy- 
lindrisch mil abgerundeter Spitze; bei 
den Sporonlen ganz zylindrisch. 

Bewegungen: Die Gregarine bewegt 
sich ziemlich rasch in gerader Linie, 
heibt jedoch fuer einige Sekunden sta- 
lionaer; dann biegt sich der hinterc Teil 
des Deutomeriten gegen den vorderen 
und machi Krucmniungeu nach rechts 
und links, so dass in dicser Falle eine 
\'-Form entsteht (Fig. 43). 

Epizyt: Bei jungen und intermediae- 
len Formen fehlend, bei den Sporonten 
/iemJich deutlich. Endozyt koernig und 
braun ge'aerbt, sowohl im Froto-, ais auch 
i m Deutomeritesî, ira Vorderteile dos 
iîpimerileii und im Frotomeriten der Spo- 
ronlen heller. Kern rund mit grossem 
Karyosom. Syzygien wurden in einigen 
Exemplaren beobachtet. 

Dr. ADOLPHO LUTZ und Dr. MA- 
CAR! NOS TORRES sage ich meinen bes- 
te n Dank fuer die Bestimmung des Wir- 
l<s und fuer die Beschaffung des Studi- 
('! imateriais. 

Wirt: Omoplata nor ma! is GERM. (Co- 
leóptera). 

Vorkommcn: Darm. 



Pundori: Nictheroy. 
Zeit: April 1918. 

Gregarina chagasi PINTO» 1918. 

HTaf. 2 u. 4 Tig. 37 u. 56— 60y. 

Dimensionen der Art: Totallaenge 
130, Laer.ge des Frotomeriten 35, Breite 
desselben 50, des Deutomeriten 50 mi- 
kra. Diirchmesser des Kerns: 10 mikra.- 

Gegenseitige Beziehungen dieser Mas- 
se: Laenge des Frotomeriten zur Ge- 
sammtlacnge l:3,r>, der Bi-eile des Froto- 
meriten zu der des Deutomeriten 1:1,5, 
der Bi-eite des Protomerilen zur Laenge 
desselben: 1:1,5. 

Protomerit: siii)-globulaer, von hin- 
len nach vorne abgeflacht und zwar 
schon bei den jungen Formen. Deuto- 
merit zylindiisch, bei den jungen For- 
men im hinteren Telle schmaeler. In 
dem Masse, wie die Gregarinen sich zum 
Sporonten enlwickein, aendert sicli die 
F"orm des Deutomeriten, der zuletzt in 
seiner ganzeii Laenge gleich breit er- 
scheinl. Bei den Zwischenformen zcigl 
er eine nahezu sub-globu!aere Zilinder- 
form. -spater als Sporont wird er laeng- 
lich mil hinterer .\bflachung. 

Epizyt: ziemlich biegsam, von gleich- 
maessiger Dicke; bei án\ jungen For- 
men dieser Art bemerkte ich deutliche 
Myonemen im hinleren Teile des Deu- 
tomeriten (Fig. 57). Endozyt gelblich, 
mil zerstreuten Koernchen im Proto- und 
Deutomeriten. Bei einigen Exemplaren 
bemerkte ich eine helle Querbinde im 
vorderem Teile des Deutomeriten (Fig. 

Kern: rund, mil manchmal sehr deu- 
tlicher MeaViuan und zuweilen mit run- 
dem, elwas excentrischem Karyosom Ich 
beobachtete eirüermi:íe Zysien von sehr 
geringer Groesse Fig. 5!) utid 60). Spo- 
reii bemerkte ich iiiehl. Bewegungen: 
Deutomeril im vorderca Driltel bieg- 
sam, sodass si h ein kleiner Teil dessel- 
ben mit dem IVotomeriten nach rechts 
und links biegen kann. Nachdem die Gre- 



29 



garine diese Bewegimgen ausgefuehrt hat, 
vcrschiebt sie sich in gerader Linie etvvas 
nach vorn und steht einige Sekunden 
still; manche Exeraplare bewegen sich 
vorwaerts und rueckwaerts. 

Wilt: Conocephalus f rater REDT. 
(Heuschrecke). 

Vorkommen: Darm. 

Fundorf: Manguinhos, Rio. 

Zeit: Dezember 1917 

Die Bestimmung des Wirtes verdan- 
ke ich Dr. A. DA COSTA LIMA, von der 
Landw'irlschaftlichen Schule 

Gregarina aragãoi PINTO, 1918. 

^Taf. 2, 3, 4 u. 5 Fig. 44—47, 50—55, 61 -62, 72-78; 

Dimensionen: Gesamtlaenge 170 Brei- 
te des Deutomeriten 70 mikra; Laenge 
des Prolomeriten 30, raikra; Breite des- 
selben 40 mikra. Epimerit 10 mikra lang 
und 10 breit. Syzygien: Laenge des Pri- 
miten 160 mikra; zu 160 Breite; Satel- 
lit 150 mikra lang, 140 breit. Kern 12, 
Karyosom 8 mikra im Durchmesser. 

Epimerit: zylindrisch mit abgerun- 
detem Ende weiiig beweglich, zuweilen 
sich nach rechts oder links verschiebend. 
Protomerit, je nach dem Entwicklimgs- 
zustand von wechselnder Form; bei jun- 
gen Exemplaren fast halbkugelig oder 
sonst zylindrisch mit abgerundetem Vor- 
derende. 

Deutomerit: von mehr oder weniger 
iaenglicher Eiform. Epizyt ziemlich bieg- 
sam, von gleichmaessiger Dicke. Endo- 
zyt in einigen Exemplaren hyalinisch so 
dass die Gregarinen oft kaum zu erken- 
nen sind. In anderen Faellen sind sie 
gut sichtoar, indem der Endozyt hellbraun 
erscheint. In nach HEIDENHAIN mit 
Eisenhaemaloxylin gefaerbten Praepara- 
ten zeigt der Endozyt wabige Struktur. 

Kern: (Fig. 78.) rundmit gut erkenn- 
barer Membran, meistens in der Mitte 
gelegen; doch sah ich ihn auch exzen- 
trisch im vorderen Teile des Deutomeri- 
ten. In Darmschnitten, nach Fixierung 
mit Sublimatalkohol nach SCHAUDINN 
imd Faerbung mit Haeraatoxyliu nach 



I HA.NSEN, konnte ich die Kernstruktur 
besser. erkennen. Er zeigt imraer ein 
grosses Karyosom. In der Kernsaftzone 
bemerkte ich haeiifig ein Chromatinkorn, 
meist sehr nahe am Karj'osom und mit 
diesem durch eine chromatiahaltige duen- 
ne Faser oder ehien Schre er verbunden. 
Aehnliche Koerner beobachtete ASTRO- 
GILDO MACHADO in seiner Schizocgstis 
spinigeri MACHADO. 

HARTMANN, PROWAZEK und MA- 
CHADO hallen diese Chromatinkoerner 
fuer aus dem Karyosom ausgetretene Zen- 
triolen. Der Kern besitzt beinahe immer 
grosse Chromatinkoerner. Das Karyosom. 
ist fast immer rund. 

Syzygien: (Fig. 61 & 62) wurden ei- 
nige Male beobachtet. Fig. 61 zeigt eine 
Form kurz vor der Enzystierung. Es ge- 
lang nicht, die Sporen zu beobachten. 

Bewegungen und Formveraenderun- 
gen: Einige Exemp'arezei^en rasche Vor- 
waerts-, andere seitliche Bewegungen. In 
letzterem Falle biegt sich die Gregarine 
I auf sich selbst zurueck und der Endozyt 
! verdichlet sich derartig, dass eine von 
I der normal en ganz verschiedene Form 
entsteht. (Fig. 51) Ich sah Exemplare 
dieser Gregarine eine rundliche Form an- 
nehmen imd sich nach Art der Ziliaten 
bewegen (Fig. 50;; nach einigen Sekun- 
den nahmen sie wieder eine laengliche 
Form an, und fuhren fori sich vor- und 
seitwaerts zu bewegen. 

Entwicklungszyklus : Obgleich ich 
zahlreiche Coleopteren, die diese Grega- 
rine beherbergten, imtersuchte, konnte 
ich nur einen Teil des Entwichlungszyk- 
lus beobalilen. Es gelang nicht Sporen 
Oder Zyslen in verschiedenen Reifestadien 
zu finden, was mich hinderte, Gameten 
und ihre Konjugation, Kopula, Zygoten» 
Sporen und Sporozoiten zu beobachten. 
Trotzdem der Darm des Wirtes aeusserst 
duenn war, wurde er doch im Sublima- 
talkohol nach SCHAUDINN fixiert, in 
Paraffin eingebettet und in seiner gan- 
zen Laenge in Serienschnitte zerlegt, die 



30 



tait HEIDENHAINschem Fi..e i aemato- 
xylin gelaerbt wurden. 

Der laengliche Sporozoit hiegt die 
CiJJen der Epitlielzellen zur Seite und 
dringt in dieselben ein (Fig. 73); im In- 
nern angelangt, verdraeugt er den Kern 
und nimmt eine ovale Form an. TFig. 
72). In weiler \orgeschritten ;n Phasen 
zeigl der Parasit zwei Segmente (Fig. 
75) Oder sogar 3 CFig. 74) mit einen ira 
Deutomeriten gelegenen Kerne. Nachdem 
die Gregarine sich auf Kosten der inva- 
dierten Epithelzelîe eatwickell hat, ver- 
verlaesst sie die.selbe (Fig. 75) und bleibt 
noch einige Zeit mit dem Epimeriten in 
Verbindung (Fig. 76); manchmal laesstsie 
beim Austritt ans der Zelle don Epime- 
riten an derselben haengen. Ira anderen 
Fallen wird derselbe nach der Abloesung 
lange Zeit beibehalten. 

Wirt: Systena sp. (kleiner Kaefer). 

Vorkommen: Darm. 

Fundort: Manguinhos. 

Oregarina legerl PINTO, 1918. 

(Inf. 6 Fig. 86;. 

Dimensionen : (jesammtlatn^e 290 rai- 
kra; Laenge des Protoraeriteii 60, Breite 
im vorderen Tcile 70, ini hinteren 50, 
Breite des Dentomeriten 60, im verbrei- 
terten Teile 80 mikra. Kern 50 zu 30 mi- 
kra. 

Verhaeltnis der Üimensionen: Laen- 
ge des Protomeriten zur Gesammtlaenge 
J :4,8; Breite des Protomeriten zu der des 
Deutomeriten 1:1; Breite des Protomeri- 
ten zur Laenge desselben 1:1. 

Protomerit: kurz, zylindrisch, am 
Vordereude kuglig erweitert; bier zeigt 
die Gregarine Spuren des Epimeriten, 
der sich losgelocst hat. Deutomerit zylin- 
drisch, endet am hinteren Teile kuglig 
erweitert, woran man diese Art leicht 
von alien anderen unterscheidet. 

Epizyt: doppelt konturiet, ohne deut- 
liche Streifung. Endozyt koernig, braun, 
sowohl im Protomeriten als auch im 
Deutomeriten. Kern eifoermig, im er- 
3v€iterten Endteile des Deutomeriten ge- 



legen. Zyslen und Sporen kamen nicht 
zur Beobachtung. Diese Art wurde nur 
einmal in Siylopyga americana gefuuden. 

Wirt: Siylopyga americana ''Geraeine 
Kakerlaken). 

Vorkommen: Darm. 

Fundort: Rio de Janeiro. (Leme 

Zeit: Dezember 1917. 

Das Material zura Studium dieser 
Gregarina verdanke ich D. ABELARDO 
MELLO. 

Bothriopsis claviformis PINTO, 1918. 
^af. 4 Fig. 63- 67>. 

Diwrnsionen: Es wurden Exempla.re 
voji 100 bis 200 mikra Laenge beobachtet. 
Breite des Deutomeriten 50 mikra, Laen- 
ge des Protomeriten 35 mikra zu 70 
Breite. Epizyt gut entvvickelt. 

Protomerit: von vorne nach hinten 
abgellacht, immer viel breiter als der 
Deutomerit, mit ihm zusammeu eine Kew- 
lenform darslellend. Bei den meisten 
Exemplareii .sah ich im Vorderleile des 
Protomeriten eine belle koenichentrcie 
Zone. 

Deutomerit: vorne verbreitert, am 
Hinterende immer abgerundel. Hier fin- 
den sich bei den meisten Individúen Fle- 
cken von wechseluden Form, die zwar 
koernig, aber hnmer heller als der Rest 
des Endozyten des Deutomeriten erschei- 
ncn. Im Protomeriten sah ich seiche 
Flecken niemals. 

Das Septum ist immer koukav niMl 
dringt keilfoermig in den Protomeriten 
ein. Der Kern zeigt runde, ovale oder 
Hantelform. Zyslen unbekannt. 

Wirt: Larve einer Aeschnide (Odo- 
nata). 

VorAro/iimen. Darm. 

Fundort: Manguinhos. 

Zeit: Jub, 1918. 

Das Material zum Studium dieser 
Art verdanke ich Dr ADOLPHO LUT2. 

Monocystis perforans PINTO, 1918. 

(Tat. 4-6 Fig. 68-71 & M-IWV 
Beobachtung der SporoxoitenbUdung 



31 



*in vitro»: Da diese Monocystide sehr 
zahlreiclie Sporen aufwies, versuchte ich 
die Sporozoitenbildung zu beobachten, 
was verhaeltnismaessig leicht gelang. Zu 
diesem Zwecke nahm ich Zysten mit Spo- 
ren in \ erschiedenen Reifegraderi und 
mischte sie mit physiologischer Koch- 
salzloesung von 8,5 o/o und brachte die 
feuchte Mischung in cine Temperatur 
von 21 f>. Nach halbstuendiger Beobach- 
tung, entsfand allmaelilich der erste Spo- 
rozoil; nach einer Stunde hatten sich 
sechs Sporozoiten gebildet, von denen 
jeder annaehernd dieselbe Zcit gebrauch- 
te. Am frischen Material konnte ich 
an nach HEIDENHAÎN oder mit Haema- 
laun-Eosin geïaerbten Preparaten erken- 
nen dass die Sporen acht Sporozoiten 
enlhielteu. 

Spore; Monocystis perforans besitzt 
Sporen von doppelter Kegelform mit re- 
sistenter Membran und gleichen Polen, 
die regelmaessig gebildet und glatt sind 
(Angiosporen). Endospore eifoermig mit 
acht halbmondfoermigen Sporozoiten 
(Fig. 100), deren Kern zentral gelegen 
isL Die Sporozoiten messen 5:1, die Spo- 
ren 24:7,5. mikra. Endosporen 14 mikra 



lang, 6,5 breit. Im Zentrum der Spore 
beobachlete ich bei frischen und ge- 
faerbten Praeparaten ein kleines rundes 
Gebilde in der Mitte von 7 andern. Die 
so entstandene Rosette repraesentiert den 
Restkern der Spore. 

Der Koerper der Monocysts perforans 
zeigt wechselnde Formen, imter welchen 
zylindrische vorherrscht. Man sieht iso- 
lierte Gregarinen und Syzygien. Die Spor- 
onten sind mit blossem Auge sichtbar 
und messen 1200 zu 800 mikra (Primit); 
der Satellit ist kleiner, 800 bis 750 mikra; 
die gemessenen Sporontenkernc waren 
150 mikra lang und 50 breit; das rundli- 
che Karyosom liegt regellos im Innern des 
Kerns; das Protoplasma der Gregarineisl 
in seiner ganzen Ausdehnung grob va- 
kuoli.siert. 

Ich verdanke Herrn Professor CAR- 
LOS MOREIRA vom Museu Nacional die 
Bsslimraung des Oligochaeten in der die 
Monocystis perforans yorkommt. 

Wirt: Glossoscolex wiengreeni Mch- 
IsD. 

Vorkommen: Hoden. 

Fundort: Rio de Janeiro (Gavea). 

Zeit: Juli 1918. 



32 



Erkfaerung der Figuren. 

rTaf. í—6) 

Fig. 1 Fonsecaia polymorphà Pll^TO, 
1918. .Spore. 

Fig. 2 Fonsecaia polymorpha dito, 
runde Form. 

Fig. 3 Fonsecaia polymorpha von 
oben nach unten gesehen. 

Fig. 4—10 Fonsecaia polymorpha, Ent- 
wickelungsform. In Fig. 7 sind 
die Mj'onemen nui- ia der vor- 
deren Haeifte des Deutomeriten 
sichthar. 

Fig. 11 Fonsecaia polymorpha. Das- 
selbe Exemplar wie in Fig. 17 
(Sporont), zusammenge/.ogen das 
die Form, wie in Fig. 11. ange- 
nomraen hat. 

Fig. 12 Fonsecaia polymorpha in 
Krugform; Myonemen im vorde- 
ren Telle des Deutomeriten .sicht- 
bar. 

Figrn. 13 — K) Fonsecaia polymorpha 
im Uebergang zmn Sporonten. 

Fig. 17 Fonsecaia polymorpha Spor- 
onten. Der I'rotomeril klcin im 
Verliaeltni.s zum Deutomeriten; 
Epimerit ohne Koei'nung. Im 
niittleren Teile des Sporonten 
eine helle Zone in 1- olge des Aus- 
fallejis der Koernung des Endozy- 
ten; sehr deutliche Myonemen 
im mittleren Teile des Sporon- 
ten; Kern in Rosettenform, ein 
Karyosom enthaltend. 

Figrn. 18—24 (iregavina magalhaensi 
PINTO, 1918: Junge Formen. 
Epimerit in alien Exemplaren 
sichlbar, nur in dem der Fig. 23 
fehlend; la Fig. 20 bis 22 ist 
der Epimerit amoeboid und 
wechselt seine Form, den, vom 
Protomeriten ausgefuehrten Be- 
wegungen entsprechend. 

Figrn. 25 — 28 G regañina magalhaensi 
dito, Entwickelung zu Sporon- 
ten. 

Fig. 29 Gregarina magalhaensi dilo, 



Sporont. Kern unsichthar. Epi- 
zyt bildet Falten, die bis zum 
dritten Teile des Endozyten ein- 
dringen. 

Figrn. 30—31 Gregarina brasiliensis 
PINTO, 1918. Eisenhaematoxy- 
linfaerbung nach Heidenhain. 
Fig. 30 zeigt eine Gregarine in 
der Ruhe und Fig. 31 eine seiche 
in Bewegung; Kern in Fig. 31 
eifoermig, in Fig. 30 elliptisch. 
Im Kern sieht man stark ge- 
faerbte Chromatinmassen von 
wechselnder Form imd Groesse. 

Fig. 37 Gregarina elegans PIN- 
TO, lv>18. Eisenhaemato.xylin- 
faerbung. Linin in Koernchen- 
I'orm. 

Figrn. 32—36 Stenophora hitzi PIN- 
TO 1918. Der Epimerit fehlt 
nur bei dem E.xemplar in Fig. 
32. Alie Gregarinen enthalten 
Kerne, derjeuige in Fig. 30 zeigt 
ein rundes Karyosom. 

Figrn. 38, 56—60 Gregarina chagasi 
PINTO, 1918. Junge Formen in 
Fig. 57 und 58. Entwicklungs- 
iorm ohne erkennbares Septum 
in Fig. 38. Sporont in Fig. 56. 
Cysteu in Fig. 59 und 60, Fig. 
57 zeigt Alyonemen im Endteile 
des Deutomeriten. Fig. 58 eine 
helle Binde im vorderen Teile 
desselben. 

Figrn. 39 — 13 Gregarina ivatsoni PIN- 
TO, 1918. Fig. 39 junge Form, 
mit dunklem Fleck im vorderen 
Teile des Protomeriten Fig. 40 
eine bewegliche Form, bei wel- 
cher Epimerit und Protomerit 
ueber den Deutomeriten zu- 
rueckgebogen sing. Fig. 42 Syzy- 
gie der Gregarine. Fig. 41 zeigt 
den Epimeriten, den Protomeri- 
ten und den Deutomeriten. Fig. 
43 Sporont, dessen Deutomerit 
seitlich umgebogen ist. 

Fig. 49 Stenophora polydesmi (LANK, 
1863;. WATSON,' 1916. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV-1922 



ESTAMPA 1 




L. CORDEIRO, del. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV— 1922 



ESTAMPA 2 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV— 1922 



ESTAMPA 3 




L. CORDEIRO, del. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV— 1Q22 



ESTAMPA 4 




66 

L. CORDEIRO, del. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV— 1922 



F.STAMPA 5 




81 82 



L. CORDEIRO, del. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV-1922 



ESTAMPA 6 




L, CORDEIRO, del 



33 



Fig. 44-47, 50—55, 61 und 62 Grega- 
riña aragãoi PINTO, 1918. Fig. 
55 zeigt in starker Vergroessung 
ein sehr kleines Exemplar mit 
alien drei Abschnitten. Fig. 45 
und 46 Entwicklmigsformen mit 
Epimerit. Fig. Ein Individuam 
von oben gesehen, in dieser Stel- 
lung dreht sich die Gregarina 
nach rechts imd links wie ein 
Infusorium; Fig. 51 zeigt eine 
solche Form in schraeger Lage, 
im Begrif f die Lage des Exempla- 
res in Fig. 50 anzunehmen. Fig. 
52 und 53. Entwicklung zum Spo- 
ronten; Fig. 54 Sporont (typische 
Gregarinenform); Fig. 62 Sy- 
zygie und Fig. 61 eine zweite vor 
der Zystenbildung, doren Satel- 
lit eine Abflachung des Proto- 
meriteu aufweist. 

Figrn. 63—66 Bothriopsis clauiformis 
PINTO, 1918. 

Fig. 67 Bothriopsis clauiformis Dito, 
Zysten. 

Figrn. 68—71 Monocystis perforons 
PINTO, 1918. Fig. 68 Zysteu mit 
Gamelen; Fig. 69 Zyste mit Spo- 
ren; Fig. 70 Gregarine, 71 Syzy- 
gie. 

Figrn. 72—76 Gregarina aragãoi PIN- 
TO, 1918. Endozellulaere Formen. 
Fig. 73 Sporozoit in eine Epithel- 
zelle eindringend. Fig. 72 Spo- 
zoit in der Entwicklung zur Gre- 
garine. Fig. 74 neugebildete Gre- 
garine in einer Epitlielialzelle 
Fig. 75 aus einer solchen austre- 



teud. Fig. 70. Eiue Gregarine, mit- 
telst des Epimeriten in einer Epi- 
thelialzelle fixiert. Fig. 77 eine 
Cyste; Fig. 78 Kern einer Grega- 
rine (gezeichnet mit Okular 3 
imd Objektiv Imm. 1/12). Dicht 
am Kern ein von heller Zone imi- 
gebenes Zentriol. 
Figrn. 79 und 80 Stenophora umbili- 

cata PINTO, 1918. 
Fig. 81 Stenophora tennicolUs PIN- 
TO, 1918. 
Figrn. 82—85 Stenophora lutzi PIN- 
TO, 1918. Fig. 84 sehr junges 
Exemplar. 
Fig. 86 Gregarina légeri PINTO, 1918. 
Figrn. 87—88 Stenophora cunhai 
PINTO, 1918. Junge Form und 
Sporont. 
Fig. 89 Stenophora crnzi PINTO, 

1918. Sporont. 
Figrn. 90—92 Stenophora viannai 
PINTO, 1918. Fig. 92 zeigt den 
Protomeriten und den Deutome- 
riten mit einer Papille. 
Fig. 93 Protomagalhaensia serpentula 
(MAGALIliES, 100), Kern (ge- 
zeichnet mit Kompensationsok. 
6 und Objektiv 1,8). Eine Syzy- 
gie zeigt die Fig. 48. 
Figrn. 91—100 Monocystis perforans 
PINTO, 1918. Sporeu (gezeich- 
net mit Ok. 4 imd Immersions- 
obj 1/12). Im Zentrum der Spo- 
re sieht man eine Rosettenform, 
die dera Restkern entspricht. 
Von Fig. 97 an sieht man dio 
Sporozoiten in der Spore. 



On the relation of precipitins to 
precipitinogen 

by 

DR. J. COSTA CRU:^ 



The concomitant existence of preci- 
pitins and precipitinogen circulating in 
the blood of animals, vaccinated with sera 
of distant species, is a fact which was 
mentioned a long time ago and which 
immediately attracted the attention of 
nimierous authors, on account of it's ap- 
parently conlractory signification. 

LINOSSIER and LEMOINE seem to 
have been the firsts to verify this 
phenomenon. EISENBERG studied it in 
detail and tried to e.xpiain it as a sta- 
te of chemical equilibrium following the 
laws of mass action. 

VON DUNGERN, in 1V)04, demons- 
trated by numerous experiments that the 
reaction lay outside the dominion of that 
law. A careful analysis of the phenome- 
non led him to believe that in the anti- 
genic sera there existed not one but 
many precipitinogens which called into 
existence, in the immunised animals, not 
one but various precipitins, endowed 
each one, with affinity for ils corres- 
ponding antigen alone, so that tiie si- 



multaneous presence in the blood stream 
of antigen and antibody, without preci- 
pitalioïî could be readily understood. 

On the other hand the numerous 
authors who occupied thenselves with de- 
monstrating the specificity of precipi- 
tins for certain proteins disagree con- 
siderably in the results obtained 

LEBLANC, for instance, obtained, by 
immunising rabbits with beef-serum al- 
bumin (protein) and bullock serum pseu- 
do-globulin, precipitins which would on- 
ly precipitate with the antigens emplo- 
yed in immunisation. OBERMAYER and 
PICK, ROSTOSKL UMBER, LANDSTEI- 
NER and CALVO believe, on the contra- 
ry, that no such specificity is ascertai- 
nable. In their experiments, OBER- 
MAYER and PICK employed as antigen 
different substances extracted from 
white of egg: foin- chemically distinct 
globulins, one crystallising and one im- 
crystallising albumin. LANDSTEINER 
and CAJ-.VO immunised animals with dit 
fereiit fractious of horse-serum obtained 



35 



by lhe usual precipitation processes. UM- 
BER used albuminoids of the white of 
egg, a crystallised albiuuin and a crys- 
tallised globulin. ASCOLI, however, was 
able to demonstrate by means of elective 
absorption that the various immune sera, 
oblaiiied by treating rabbits with diffe- 
rent fractions of horse-serum, were not 
identical wilh one another. The precipi- 
tabilily of the serimi entirely disappears 
after treatment by a sufficient amount 
of the corresponding antigen, whilst by 
treatment with a different fraction of hor- 
se-serum a partial reaction is obtained, 
enabling yet a subsequent precipitation 
wilh the fraction used in immunising the 
animal. Many other authors (BERTAREL- 
LÎ, SACCONAGHl, FRANCESCHELLI) 
have occupied themselves wilh this as- 
pii'A of the proMem, but their results 
do uot lead us to a more secure conclu- 
sion than those of the first mentioned 
authors. 

UHLENMUTH is of the oponion that 
the chemical processes for the pre- 
paiation and purification of these anti- 
gens ai'e not sufficiently perfect to allow 
us to take a stand in favour of one opi- 
nion, or the other, seeing that the pre- 
cipilin-reaction is far more sensitive than 
the ones that can be made with chemical 
reactives. 

This is also the point of view of the 
majority of authors who have contribu- 
ted to these studies. Recently there have 
appeared authors who propose to explain 
the simultaneous coexistence of preci- 
pitin and precipitinogen on the basis of 
the analogy between this phenomenon 
and cei'lain states of colloidal equilibrum, 
maintained by protective colloids (ZINS- 
SER, YOUNG). Amongst many other ar- 
guments, one that appears to find the 
most favour with the authors, is the slow 
spontaneous precipitation, «autoprecipi- 
tation>, which takes place in the precipi- 
tating sera on being kept some time. It 
is well known, however, that the same 
predpitation takes place in normal sera, 



kept under the most favourable condi- 
tions (UHLENHUTH). This point of view 
has been disputed by WEIL who has go- 
ne back to the older view of VON DUN- 
GERN, on the basis of numerous precipi- 
tations he carried out with crystallised 
egg alhumen. WEIL claims that, if a 
pure protein like crystallised egg albu- 
min is used for immunisation, antigen 
and antibody are never found simulta- 
neously in the blood stream. (1) 

This point, however, remains an open 
question and still awaits a definite- 
solution. 

The results obtained by our experf- 
iiients do not seem to be entirely devoid 
of interest. We thought that, for VOM 
DUNGERN's opinion to prevail, esperi- 
mentally, one more road lay open to 
research, and that this was the one 
which, taking into account the term of 
incubation of the precipitins for the dif- 
ferent fractions of antigenic serum em- 
ployed, would indicate whether each 
fraction really determined a different 
and approximately specific incubation 
term in the same animal species. Although 
enormous individual oscillations in one 
species are known in relation to the ca- 
pacity of production of the antibodies 
which interest, us, we began the study 
of a series of animals, resolved to examino 
the question from this point of view. As 
multiple injections shorten the period 
of incubation, while, at the same time they 
reduce the period of permanence of pre- 
cipitinogen in circulation, we only made 
use, for our experiments, of animals 
which furnished precipitins after one 
injection alone. As it is also very likely 
that the different precipitinogens do not 
maintain themselves in the same propor- 
tion in the sera of the animals of one 
species, we always used horse seinma ob- 
tained from one blood-letting alone. 

(l) WEIL, cited bi ZINSSER, Infection and Rcsis» 
tance, 1918, page 271. 



35 



Irst Series of experiments: 

Four rabbits of approximatively the 
same weight were inoculated with 10 cc. 
of normal horse serum and bled on the 
'4th, 5th, 9th and 16th day after inocula- 
tion. The sera, after having been separa- 
ted, were titrated for their precipitating 
▼alue, not only by making use of dilutions 
of the precipitinogen, but also by using 
dilutions of the precipitating serum itself 
in the presence of a dilution of precipi- 
tinogen at 1 to 100. 



4th day serum precipitating up frf 
1/1.000 and precipitated, diluted at 1/2. 

5th day serum precipitating up to 
1/10.000 and precipitated, diluted at 1/2. 

9th day senun precipitating up to 
1/10.000 and precipitated, diluted at 1/8. 

16th day senun precipitating up to 
1/10.000 and precipitated, diluted at 1/32. 

The precipitating sera were used 
unaltered in the proportion of 0,5 and 
the precipitinogen in decreasing pro- 
portions from one half down to 1/64. 



Irst Series: 16th day Precip. Ser. 0,5-j-0,5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 4th day serum- 
ring up to 1/64. 

2nd Series: loth day Precip. Ser. 0,5-(-0,5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 5th day serum 

— ring up to 1/64. 

3rd Series: 16th day Precip. Ser. 0,5-f0,5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 9th day serum 

— ring up to 1/32. 

4th Series: 9th day Precip. Ser. 0,5-|-0,5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 4th day serum— 

ïing up to 1/16. 

5th Series. 9th day Precip. Ser. 0,5-f-0,5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 5th day serum— 

dng up to 1/16. 

6th Series: 9th day Precip. Ser. 0,5-|-0.5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 16th day serum 

— ring up to 1/2 d" 

7th Series: 5th day Precip. Ser. 0,5-|-0,5cc. of 1/2, 1/4, 1/0, up to 1/64 4th day serum 

— ring up to 1/2 9 

8th Series: 5th day Precip. Ser. 0,5-hO,5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 9th day serum- 
ring up to 1/4 c^ 

9th Series: 5th day Precip. Ser. 0,5-hP,5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 16th day serum 

— ring up to 1/16 d 

lOth Series: 4th day Precip. Ser. 0,54-0,5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 5th day serum- 
ring up to 0. 

11th Series: 4th day Precip. Ser. 0,54-0,5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 9th day serum- 
ring up to 1/4 d 

12th Series: 4th day Precip. Ser. 0,5-|-0,5cc of 1/2, 1/4, 1/8, up to 1/64 16th day serum 

— ring up to 1/16 cf 



2nd Series of experiments. 

Three rabbits of approximately equal 
weight were inoculated subcutaneously 
^ith 15 cc. of normal horse serum and 
were bled on 4th, 10th and 16th days. 

16th day serum precipitating up to 
1/10.000 and precipitated diluted at 1/32. 



10th day serum precipitating up to 
1/10.000 and precipitated diluted at 1/16. 

4th day serum precipitating up to 
(?) and did not precipitate when diluted. 

The 10th day serum was kept in the 
refrigerator for more than six days befo- 
re realising the following experiments: 



37 



Irst Series: 0,5 oí 16th day Precip. Serum + 0,5 of 1/2 etc. 1/128 4th day serum 1/128 



2nd 


« 


« « « 


3rd 


« 


« « 10th 


4th 


« 


« « « 


5th 


« 


« « 4th 


6th 


« 


« « « 



4- * 
+ « 
+ * 

+ « 



10th 
4th 
16th 
10th 
16th 



1/64 
1/64 
1/16 cf 
1/16 d" 
1/32 d- 



3rd Series of experiments: 

Four rabbits were inoculated with 
15 cc. of normal horse-serum and were 
bled respectively on the 6th, 10th, 16th 
and 21th days. 

21th day serima precipitating up to 
1/10.000 and precipitated diluted up to 
1/32. 

16th day serum precipitating up to 
1/10.000 and precipitated diluted up to 
1/32 with 1/100 Antigen. 



10th day serum precipitating up to 
1/10.000 and precipitated diluted up to 
1/16. 

6th day serum piecipitating up to 
1/1.000 and precipitated diluted up to 
1/4. 

The precipitate obtained with the 
10th day serum in the tube with 1/100 of 
precipitinogen was slightly smaller 
than with the 16th day serum and per- 
ceptibly more abundant than the one 
obtained with serum of 21 days. 



Irst Series: 0,5 of 21rst day Precip. Serum -f 0,5 of 16th day Serum (diluted up to 
1/256) 1/64. 

2nd Series: 0,5 of 21rst day Precip. Serum + 0,5 of 10th day Serum 1/128 



3rd Series: 

4th Series: 

5th Series: 

6th Series: 

7th Series: 

8th Series: 

9th Series: 

10th Series: 

11th Series: 

12th Series: 



16th 



10th 



6th 



+ -^ 


6th . 


< 1/256 


+ ' 


21th « 


« 1/8 J 


+ •< 


- 10th « 


1/64 


+ « 


« 6th « 


< 1/256 


4- « 


< 21th « 


« 1/16 d" 


4- « 


16th « 


« 1/16 J- 


+ « 


« 6th « 


« 1/128 


+ - 


« 21rst « 


« 1/32 cT 


+ « 


« 16th « 


1/32 cT 


+ « 


« 10th * 


1/16 d" 



From these results one may infer: 

a) That precipitinogen circulating 
in the seriun of previously treated ani- 
mals is only demonstrable by precipita- 
ting sera of a posterior date of bleeding. 

b) That, when in a mixtm*e of two 
precipitating sera, the one containing the 
more recent precipitins is taken for pre- 
cipitant serum, precipitation never goes 
beyond the tube in which the scrum of 
posterior date, diluted, is able to preci- 
pitate horse-serum at 1/100. (In the tables 
above, the arrows indicate the sense in 
which the precipitation produces itself; 
the precipitation diffuses in the serima 



that acts as precipitant, provided certain 
technical precautions are respected, 
every time the precipitate is not very; 
dense, which is nearly always the case.) 
c) That, (within certain limits) the 
precipitinogen-precipitation increases in 
proportion to the length of the interval 
of bleeding between the two sera. 

4th Series of experiments: 

A rabbit, inoculated with 15 cc. of 
normal horse serum and bled at the end 
of 26 days, furnished serum, precipitant 
up to 1/1.000.000. 



38 



A rabbit (serum no 1), inoculated with 
3 cc. of normal horse serum and bled six 
days afterwards, demonstrated a serum 
precipitant up to 1/1.000. 

0,5 serum no 1+0,5 of 1/2 etc. 1/256 
serum no 2. No precipitation. 

0,5 serum no 2-f 0,5 of 1/2 etc. 1/256 
serum no 1. No precipitation. 

0,5 26th day's seriuii+0,5 of 1/2 etc. 
1/256 serum no 1. Precip. up to 1/64. 

0,5 26th day's serum-1-0,5 of 1/2 etc. 
1/256 serum no 2. Precip. up to 1/265. 

A rabbit was inoculated. 

On Feb. 12th 1920 with 15 cc. 
normal horse serum. 

On Feb. 14th 1920 with 10 cc. 
normal horse serum. 

On Feb. 16th 1920 with 10 cc. 
normal horse seriun 

and bled on Feb. 20th 1920. That is 8 
days after the first injection. 

The serum 1 was precipitant up to 
1/100.000. 

A rabbit was inoculated with 15 cc. 
normal horse seriun and bled eight days 
afterwards. 

Adopting the same critérium as in 
the previous experiments, the mixture 
of these two sera gave no precipitation. 

Two rabbits received subcutaueous- 
ly 15 cc. of normal horse serum and 
were bled on the 1th and 10th day after- 
wards. 

One of the sera precipitated up to 
Î/10.000, the other one which wasslight- 
iy hemolysed, would not go beyond 
1/1.000. 

The serial mixture of these two sera, 
would also not furnish precipitates even 
using the sera in their natural condition. 

Therefore one concludes that: 

a) Precipitating sera with identical 
bleeding period, although they should 
have the same precipitating titre and ve- 
ry great differences in the quantity of 
precipitinogen, do not usually precipi- 
tate when mixed. 



b) Precipitating sera with the same 
bleeding period, with different precipi- 
tating titres although with approxima- 
tely equal quantities of precipitinogen, 
did also not produce the formation of a 
ring. 

We must add, however, that some- 
times upon mixture of precipitating sera 
with same period of bleeding (10th day, 
16th day) we would obtain subsequently 
the slow appearance of a diffuse ring, 
imdoublely due to a phenomenon of pre- 
cipitation. 

These reactions were however very 
weak in comparison with those obtained 
with sera of different dates in the abo- 
ve mentioned series. We are therefore 
led to believe that the incubation terms 
of the precipitins in the animal species 
of are only approximately identical and 
that the character of precision evinced 
by our experiments is due to the tJie spa- 
ces of time sufficiently large to exceed 
individual oscillations. 

5th Series of experiments: 

A rabbit inoculated with 15 cc. of 
normal horse seriun and bled on the 
21rst. day, furhished precipitins up to 
1/10.000. 

This serum mixed with the one of 
16 days already previouly employed and 
of a precipitating titre of l/l.OOO.OOO, 
did not demonstrate precipitation in any 
of tiie tubes. 

Two rabbits of approximately equal 
weight were inoculated with 15 cc. nor- 
mal horse serum and four days later 
with another 10 cc; seven days after 
the last injection one of them (n» 

1) was bled of 50 cc. and the other (n» 

2) only of 10 cc. 

The precipitating titre did not exce- 
ed 1/10.000 and the mixture in any pro- 
portion of the two sera would not cause 
the appearence of a ring. Five days af- 
terwards these animals were bled once 
more. Nr. 1 serum precipitated only up 
to 1/1.000, nr. 2 süll up to 1/10.000. 



3Q 



Irst series: 0,5 serum nr. 1 (2nd 

bleed¡ng)-|-0,5 1/2 etc. serum nr. 1 of 
lhe Irst bleeding: 0. 

2nd series: 0,5 serum nr. 1 (2nd 

bleeding)-f-0,5 1/2 etc. serum nr. 2 of 
the 2nd bleeding: 0. 

3rd series: 0,5 serum nr. 2 (2nd 

bleeding)4-0,5 1/2 etc. serum nr. 1 of 
the Irst bleeding: 1/16. 

4th series: 0,5 serum nr. 2 (2nd 

b]eeding)+0,5 1/2 etc. serum nr. 2 of 
the Irst bleeding: 1/8. 

From these results one might draw 
tlie following conclusions: 

On the 21rst day the precipitinogen 
has not remained in circulation in the 
rabbit in appreciable quantities when 
one injects 15 cc. horse serum. 

When a vaccinated animal is bled 
twice, with a regular space of time be- 
tween, altho igh the precipitin titre should 
pot have augmented, the serum of later 
(iate acquires the property of demonstra- 
ting tlie precipilinogen of the one 
of the first bleedi ig. If, on the other 
l:and, the amouut of blood taken at the 
first bleeding is sufficiently large, the 
senun of this animal not only shows a 
very noticeable reduction in its titre, 
Lut also does not acquirer the property 
of precipitating the seriun of earlier da- 
U': It appears, therefore, that in this ca- 
se the bleeding not only removes 
for the greater part the precipitins al- 
ii'ady in circulation, but also the precipi- 
linogen circulating in the blood; this 
circulating precipitinogen must therefo- 
I e be considered as being indispensable 
for the formation of the precipitins which 
precipitate the precipitinogen of the 
First bleeding. Everything occurs, in the 
process of vaccination, as if the diffe- 
rent serum fractions were removed from 
the circulation, as the antibodies which 
precipitate them make their appearance 
in the blood, antibodies these that sum 
quantitatively up to the twenty first 
4^iirst) day, or perhaps even later. 



One more fact might guide in this 
study. It is known that many antibodies; 
function, if not directly as precipitino- 
gens, at any rate as substances very 
nearly related to these bodies (KRAUS 
and PRIBRAM). DEHNE and HAMBUR- 
GER announced in 1904 that anti-horse 
rabbit sera were able to produce a fall, 
together with the precipitate, the teta- 
nus antitoxin of horses actively immu- 
nised against this toxin. 

That this reaction was absolutely 
specific and was not to be accounted 
for as a physical phenomenon was most 
convincingly proved by the work; nof 
only of these authors but oí KRAUS and 
PRIBRAM and of V. EISLER andTSURU. 

■We began by ascertaining up to 
what space of time tetanus toxin could 
be found circulating in rabbits inocula- 
ted with sufficient quantities, and the 
results we obtained resemble those obtai- 
ned by the authors who studied this 
point (DENNE and HAMBURGER, TIZ- 
ZONI etc.). 

Three rabbits of medium size were 
inoculated at intervals of five days= with 
3, 5, 7 cc. of antitetanus serum represen- 
ting a total of 15.000 A. U. As we care- 
fully ascertained, the rabbit senun 
had previously shows itself indifferent 
with regard to the antitoxin. 

13 days after the last inoculation 
we had still two animals which were 
bled and furnished serum for examina- 
tion. 

Reaction of precipitins present) 

irst Guinea-pig— 1/2000 antiser.— 2 
cc. physio!, salt sol.—Cont. dosis: Died of 
tet. on 5th day. 

2nd Guinea-pig — 1/1000 antiser. — 2 
cc. physio!, salt sol.— Conl. dosis; Survi- 
ved. 

3rd Guinea-pig - 1/2000 antiser. ~ 3 
cc. serum of rabbit sol. no 1.— Cont. do- 
sis: Died tet. 8lh day. 

4tb Guinea-pig — 1/1000 antiser. — 1 



40 



ce. serum of rabbit sol. n» 1.— Cont. do- 
sis: Survived. 

5th Guinea-pig — 1/2000 anliser. — 2 
cc. serum of rabbit sol. n» 2.— Cont. do- 
sis: Died tet. 7lh day. 

6th Guinea-pig — 1/1000 antiser. — 2 
cc. serum of rabbit sol. n" 2.— Cont. do- 
sis: Survived. 

7th Guinea-pig — 2 cc. ser. rabbit 
no 1—0,0025 tet. toxin. Survived. 

8th Guinea-pig — 2 cc. ser. rabbit n» 
2—0,0025 let. toxin. Survived. 

9th Guinea-pig — O.OüOü tet. toxin. 
Died between 4th and 5th day. 

The rabbit sera together with the 
dilutions of antitoxin serum were placed 
for an hour in the incubator at the end 
of which time the control-dosis of toxin 
■was added, it being then allowed to stand 
for another hour at room temperature. 
The antitoxin employed v/as the same 
throughout and titration was always ma- 
de by the RüSENAU ANDERSON me- 
thod. 

it thus becomes evident that thirteen 
days after the last inoculation, there still 
existed appreciable quantities of horse 
antitoxin in circulation, although precipi- 
tins were by then abundant. 

Eight days later, after death of one 
of the animals, the remaining one was 
bled, and serum examined. 

Reaction of precipitins present. 

Irst Guinea-pig — 1/2000 antiser. — 2 
cc. physiol. s. sol. Cont. dosis, Local tet. 
3rd day, death on 4th. 

2nd Guinea-pig — 1/1000 antiser. — 2 
cc. physiol. s. sol. Cont. dosis— Healthy, 
survived. 

3rd Guinea-pig — 1/2000 antiser. — 2 
cc. serum rabbit n» 1 Control dos. Dia- 
phragmatic tet. Died afternoon of 2nd 
day. 

4th Guinea-pig — 1/1000 antiser. — 2 
cc. serum rabbit n» 1 Control dos. Dia- 
phragmatic tet. Local tet. evident on 
Irst day. Found dead next morning. 



.\s will be seen this time, the anti- 
toxin was entirely eliminated from anti- 
toxic serum. We were able to ascertain 
beyond doubt that inactivation for half 
an hour at 56° does not in any way mo- 
dify the toxin-inactivaling property, and 
like DEHNE and HAMBURGER, we were 
easily able to regenerate antitoxic pro- 
perty by dissolving the precipitate in as 
excess of precipitinogen (normal horse 
serum). Unless the jintitoxin is as.sumed 
to play the role of a precipitinogen, the 
interpretation of the phenomenon seems 
to remain very obscure, seeing that, once 
it is bound to its corresponding toxin, 
the precipitating serum is unable to libe- 
rate the toxin from it's antibody, as we 
ourselves were able to ascertain. 

Irst guinea-pig — 1/1000 anti.ser. — 2 
cc. Prccip. ser. — Control dosis. 

2nd guinea-pig — 1/1000 antiser. — 2 
cc. Control dosis Precip. sera. 

3rd guinea-pig — 1/1000 antiser. — 2 
cc. physiol. salt. sol. — Control do.sis. 

In the case of the second guinea-pig 
the toxin, after an hour's contact with 
the antitoxin, was left for another hour 
together with the precipitating serum in 
the incubator. 

The first guinea-pig succumbed to 
tetanus within two days. The other 
two survived. Forty two days after 
the last inoculation, the serum of 
this same animal, after being bled once 
more, clearly retained the antitoxin-inac- 
tivating property. 

Five rabbits were inoculated subcu- 
taneously with 15 cc. of normal horse 
serum and bled on 6th, 10th, 16th, 21th 
and 26th day. 

(Sera used as on pag. 36.) 

Irst guinea-pig — 1/1000 antiser. — 2 
cc. 6th day-Precip. serum.— Control dosis. 

2nd guinea-pig — 1/1000 antiser. — 2 
cc. 10th day-Precip. serum.— Control do- 
sis. 

3rd guinea-pig — 1/1000 antiser. — 2 



41 



ice. 16th day-Precip. serum. — Control do- 
sis. 

4th guinea-pig — 1/1000 anliser. — 2 
cc. 21lh day-Precip. .serum.— Control do- 
sis. 

5th guinea-pig — 1/1000 anliser. — 2 
cc. 26th day-Precip. .serum.— Control do- 
sis. 

6th guinea-pig — 1/1000 anti.ser. — 2 
cc— physiol. salt, solution. 

On the second day after inoculation 
the 3rd, 4th and 5th guinea-pigs died of 
tetanus; the remaining three kept through 
out in good health. From this may be 
deduced that the precipitins capable of 
removing the antitoxin, only make their 
appearance towards the 16th day after 
inoculation, irrespectively of the preci- 
pitating titre of serum or of the amount 
of precipitate formed. 

A rabbit was given three subcuta- 
neous inoculations o'i normal horse se- 
rum in the following order: . 

On Jan. 10th, 1920-15 cc. 

On Jan. 12th, 1920—10 cc. 

On Jan. loth, 1920 — 10 cc. 

Bled on the 21rst it demonstrated 
precipitins up to 1/100.000 and with 
abundant precipitation up to 1/1000 of 
precipitinogen. 

On Jan. the 23 1920. 

Irst Guinea-pig — 1/1000 anti,ser. — 2 
cc. Prtcip. serum.— Control dosis. 

2nd Guinea-pig — 1/2000 antiser. — 2 
cc. Precip. serum.— Control dosis. 

3rd Guinea-pig — 1/1 000 antiser. — 2 
cc. physiol. salt. sol. Control dosis. 

4th Guinea-pig — 1/2000 antiser. — 2 
cc. physiol. salt. sol. Control dosis. 

4th guinea-pig died within 60 hours; 
2nd with 72. The remaining two survi- 
ved. 

A rabbit vaccinated with concentra- 
ted antitetanic serum (U. S. Standard), 
by means of three inoculations, at five 
days interval each time, was bled 24 
days after the last injection; it's serimi 



precipitated the antitoxin as well as the 
ones previously used. 

With diphteria antito.xin, however, 
in spite of all our efforts we were not 
able to verify the disappearance of an- 
titoxin by the use of precipitating sera, 
although we had used antitoxic sera ob- 
tained from different sources and of suf- 
ficiently elevated titre to unable their 
being employed for titration in as high 
as those in used in the case of tetanus 
antito.xin; and although all the precipi- 
tating sera had their activity againat 
tetanus antitoxin controlled. 

Guinea-pig of 250 grammes. 

Irst Guinea-pig — 1/700 antidiph. se- 
rum. — 2 cc. 21th day Precip. S.-Cont. 
dosis. 

2nd Guinea-pig — 1/1000 antidiph. se- 
rum. — 2 cc. 21th day Precip. S.-Cont. 
dosis. 

3rd Guinea-pig — 1/700 antidiph. se- 
rum. — 2 cc. phys. Salt. sol. S. — Cont. 
dosis. 

4th Guinea-pig— 1/1000 antidiph. se- 
rum — 2 cc. phys. Salt. sol. S. — Cont 
dosis. 

Of these guinea-pig the last one died 
between the fourth and the fifth day, 
the second one five hours afterwards, 
both of them with congestion of adrenals 
and hemorrhagic Infiltration at the site 
of inoculation. 

250 gr. guinea-pigs. Precipitating se- 
rum of 36 days. 

Irst guinea-pig — 0,1 standard antis. 

— 2cc. Precip. S. — 0,7 toxin (control do- 
sis. 

2nd guinea-pig — 0,1 standard antis. 

— 3 cc. Precip. S. — 0,7 toxin (control do- 
sis. 

3rd guinea-pig — 0,1 standard antis. 

— 2 cc. phys. s. sol. — 0,7 toxin (control 
dosis. 

These guinea-pigs died one after 
another at short intervals on the night 
between fourth to fifth day. 

Precipitating serum of 30 days. 



42 



Irst pigeon — 1/800 anli-dipht s.— 2 
cc precip. S.— Control dosis. 

2nd pigeon — 1/1000 anti-dipht. s. —2 
(CC. precip. S.— Control dosis. 

3rd pigeon — 1/800 anti-dipht. s.— 2 
cc. physiol. salt. sol. — Control dosis. 

4th pigeon — 1/iOOO anti-dipht. s. —2 
cc. physiol. salt. sol. — Control dosis. 

All the animals survived, except the 
Hast one which died on the 6th day. 

Notwithstanding our eagerness to 
provide the best condilions for obtaining 
positive results, we found it invariably 
impossible to remove the diphteria an- 
îiloxin by means of anti-horse rabbit se- 
rum. 

These results explain however the 
reason why the experiments of KRAUS 
and PRIBRAM entirely disagree with 
«lose of DEHNE and HAMBURGER as to 
ïhe precipitation of antilo.xin in vivo, for 
while the latter worked with tetanus an- 
tito.-iin the others employed diphtheria 
antitoxin in their investigations. For this 
reason KRAUS and PRIBRAM'S conclu- 
sions on this subject do not possess an 
unquestionable value. 

But not only with diphtheria antito- 
xin did we have negative results; the ex- 
periments with bothropic antivenin led 
lus to similar results. These results arc, 
however, more open to criticism, seeing 
Ihat for the titration of serum it is not 
possible to make high dilutions of prc- 
dpilinogen, which according to K. and P. 
is essential in obtaining reliable resul- 
ts. To obviate this drawback, we used 
excessive quantities of precipitating se- 
rum which had, as in the case of the diph- 
iheria antitoxin, been previously vcrilied 
with tetanus antitoxin. 

The anti venin used was obtained 
from the Serum-therapeutic Institute of 
Bulantan, State of São Paulo, and had 
titration indicated on the basis of 1 ca 
of serum corresponding to 1,6 of poison 
of Lachesis lanceolalus. The poison 
we obtained from Bello Horizonte. 



All the titrations were made by the pro-* 
cess of VITAL BRAZIL. Before adding 
the poison the tubes were left with an- 
titoxic and precipitating serum during 
2 hours in the incubaton at 37° Centigra- 
de. After the addition of the poison they 
remained yet another hour at 37o C. be- 
fore being injected in the axillary vein of 
the pigeon. 

Irst pigeon — 1 cc. Bothr. Ser. 3 cc. 
Precip. Ser.— 1,6 poison Lachesis lan- 
ceolatus. 

2nd pigeon — 1 cc. Bothr. Ser. 3 cc. 
Precip. Ser.— 1,6 poison Lachesis lan- 
ceolalus. 

3rd pigeon — 1 cc. Bothr. Ser. 1 cc. 
Precip. Ser.— 1,6 poison Lachesis lan- 
ceolalus. 

4lh pigeon — 1 cc. Bothr. Ser. 3 cc. 
dist* water — 1,6 poison Lachesis lanceo- 
latus. 

5th pigeon — 1,6 of poison of La- 
chesis lanceolatus. 

All the pigeons kept in good health 
and survived the inoculation, except the 
last one which died immediately. 

2nd Series: 

Irst Pigeoon — 1/10 Bothr. serum 2 
cc. Precip. S. — 0,16 poison L. lanceo- 
latus. 

2nd Pigeon — 1/10 Bothr. serum 1,5 
Precip. S. — 0,16 poison L. lanceolatus. 

3rd Pigeon — 1/10 Bothr. serum Ice. 
Precip. S. — 0,16 poison L. lanceolatus. 

4lh Pigeon — 1/10 Bothr. serum 2cc. 
phys. s. s. 0,16 poison L. lanceolatus. 

5th Pigeon — 0,16 poison of Lachesis 
lanceolatus. 

All these animals resisted without 
alteration of their state of health ex- 
cepting the last one which died within 
five minutes. 

The scarcity of the serum in the 
market prevented us from performing 
other experiments and from determining 
titrations with Crotalus (rattle-snake) an- 
tivenin The precipitating serum emplo- 



43 



yed in these experiments was oí 24 days. 

Still more interesting were the re- 
snlts obtained with tetanus antitoxin and 
human anti-horse precipitating serum. 

AS. received in two days 300 cc. of 
antipest serum in three injections, two 
in the vein and one subcutaneously. Last 
Injection on Nov. 11th, 1919. 

On Nov. 19th, 1919 he was bled 
and the serum demonstrated: 

Presence of precipitinogen up to a 
dilution of 1/10. 

Presence of precipitins up to a dilu- 
tion higher than 1/1000. 

Absence of precipitin for tetanus an- 
titoxin. 

On Nov. 26, 1919, bled once again 
his serum demonstrated: 

Presence of precipitinogen up to 
1/10. 

Presence of precipitins up to 
1/1000. 

Complete absence of precipitins for 
tetanus antitoxin. 

On Dec. 14, 1919, bled for the last 
time, the patients scrum upon being ana- 
lysed demonstrated: 

Presence of precipitinogen up to 
1/2. 

Presence of precipitins up to 
1/10.000 

Absence of precipitin for tetanus an- 
titoxin. 

C. R. received 320 cc, antipest serum 
in three intravenous inoculations, the 
last one on Nov. 11, 1919. 

On Nov. 22, 1919, after bleeding the 
serimi showed: 

Presence of precipitinogen up to 
1/1 a 

Presence of precipitins up to 
1/1000. 

Absence of precipitin for tetanus 
antitoxin. 

On Dec 5, 1919. 

Presence of precipitinogen up to 
1/2. 



Presence of precipitins up to 
1/1000. 

Absence of any action upon tetanus 
antitoxin. 

On Dec. 29, 1919. 

Absence of precipitinogen. 

Presence of precipitins up ta 
1/1000. 

Absence of any harmful effect for 
tetanus antitoxin. 

The precipitinogen was searched for 
with the aid of anti-horse precipitating 
rabbit serum, of 17 days. The titrations 
of the antitoxin were performed with 
such an approximation to the antitoxic 
titre of serum that a distinct local teta- 
nus was obtained in the guinea-pigs. 

Later on, we had opportunitity of 
examining three more individuals, but 
we exempt ourselves from exposing the 
results in detail, as they do not in any 
way differ from the ones mentioned. In 
no case could we obtain a result that 
might iu any way be considered as doubt- 
itful. 

This demonstrates, therefore, that the 
precipitinogens for certain animal spe- 
cies may not act as such on other, ones» 
although these may react with precipitins 
on other fractions of the serum em- 
ployed. 

Studies on rabbits, with dysentery 
antitoxin gave us completely different 
results. 

Teclinic; 

We placed 0,1 of anli-Shiga seriun, 
concentrated 6 times, together with pre- 
cipitating serum of 16 days, of 4 days, 
and normal rabbit serum for two hours 
at 37o Centigrade. This mixture, after ccn- 
trifugalion and décantation, inoculated 
iU the marginal vein of the ear, was fol- 
lowed after half an hour, and this lime 
in the vein of the opposite ear, by an 
inoculation of 0,4 of Shiga extract. 

Irst Rabbit — 1 cc. 16lh day ser. — 
0,1 Shiga s. — 0,4 Shiga extract. 

2nd Rabbit — 1 cc. 4th day ser. — « 
0,1 Shiga s. — 0,4 Sliiga extract 



44 



3rd Ralibit— 1 ce. norm. rabb. ser.— 
0,1 Shiga extract. 

4th Rabbit — 0,1 Shiga s. — 0,4 Shi- 
ga extract. 

The first rabbit died within three 
days with generalised paralysis, the se- 
cond one, whicla had shown itself to be 
almost entirely paralytic from the second 
day on, resisted until the ninth day. 
The remaining two animals showed no 
no alteration of their state of health. 

Upon repeating these experiments we 
obtained similar results. The first rabbit 
died on the 3rd day, the second on the 
7th, with initial paralysis on the 2nd. The 
precipitating serum of 4 days, used in 
this case, had proved itself to be entirely 
incapable of removing the tetanus anti- 
toxin from the antitoxic serum. Extending 
our investigations to the agglutinins, we 
employed not only the technic of KRAUS 
and P11ÍBRAM, starting from initial dilu- 
tions to make the successive dilutions, 
but using also for every dilution to 
which germs had to be added, 0,5 of 
precipitating serum. 

Technic. 

To each tube containing 0,5 of pre- 
cipitating serum were added 0,5 of dilu- 
tions at 1/25, 1/125, 1/250. 1/500, 1/1000, 
1/2000, 1/4000 of dysentery agglutinating 
serum and afler two hours in the incu- 
bator at 37". Centigrade, the precipitates 
formed were removed by centrifugation 
and- décantation. Placing now in each 
lube 1 cc. of an emulsion of Shiga bac, 
the mixture was placed in the incubator 
for another two hours and then results 
were read. 

We made several series for the pre- 
cipitins we had, of 4, 10, 16. 21. and 26 
■days. 

Agglutination was positive up to 
1/16000 (last tube) in the series in which 
4ih day precipitins were used and com- 
pletely negative in all the others, right 
from the first tube, although the dilution 
of the serum employed did not exceed 
1/25. 



A control series showed that the se- 
rum was agglutinating up to 1/500. 

The agglutination up to 1/lGOOO in 
the series of precipitins of the 4th day 
was due to the rabbit serum used. 

For typhus agglutinins the serum em- 
ployed was agglutinating for the sample 
used up to 1/10.000. 

.\s before for dysentery bacilli the 
agglutination was negative with precipi- 
tins of 10th, I6lh. 21th, and 26th days 
and positive with the one of the fom'th 
day. Besides the technic indicated above, 
we made series of dilutions with aggluti- 
nating serum at 1/500 and 1/1000 in 0.5 
cc. which we added to 0,5 of the precipi- 
tating sera. Afler the lapse of time indi- 
cated for remaining in the incubator and 
after removing the precipitate, we took 
the remaining liquid for making dilu- 
tions whicli we mixed with emulsions of 
typhus bacilli permitted up to obtain li- 
tres oí 1/1000, 1/2000, 1/3000, 1/8000, 
1/16.000, 1/32.000. 1/64.000. 

The reading permitted here also 
with the precipitins of the 4th day posi- 
tive agglutination up to 1/32.000; this 
was probably owing to the rabbit senun. 

These indications show that diffe- 
rent antibodies are to be found in cir- 
culation as parts of differenl precipiti- 
nogens, which can be partially distin- 
guished by the delay with which the pro- 
duction of precipitins takes place in the 
organism of the rabbit. Thus the dysen- 
tery antitoxin is already partially preci- 
pitated by precipitins of the foiu*th day, 
whilst agglutinins for the same genn are 
only precipitated by sera ,of the tenth 
day and the antitoxin is only removed 
from antitoxic serum by sera older still 
(16 days). 

For the two agglutinins we investi- 
gated, the precipitation began with sera 
of the same date, whereas with the diph- 
theria and bothropic antitoxins it was 
always impossible to obtain positive re- 
sults, in spite of all the trouble we took 



45 



in the examination of the matter. Thus 
we come to the conclusion that the the 
different antibodies are found tied to 
different precipitinogens, some of which 
can be easily differentiated and others in 
which this difiereutiation is affected by 
the fact that they cause a more or less 
equal period on incubation in the rabbit 
KRAUS and PRIBRAM even think on 
account of the fact that some precipitins 
remove from a certain quantity of deter- 
mined sera one germ alone and need 
very much more precipitating serum to 
produce the same effect in agglutinins 
of other animals of the same species, 
that the same antibody may be tied to 
different precipitinogens in the same ani- 
mals (horse). This conclusions seem to 
us to go to far and we believe that it is 
really rather a case of a quantitative 
ratio between the precipitinogen to which 
the agglutinin is tied and the part of 
this same precipitinogen without agglu- 
tiniting groups which circulates certainly 
side by side with it, and which is, 
precipitated by the same kind of preci- 
pitins. 

As seemed most strongly indicated, 
we started the study of the relations of 
precipitins to other antibodies (aggluti- 
natins and antitoxins). 

A rabbit marked with picric acid, 
was inoculated on: 

Jan. 21, 1920 with 10 cc. of an emul- 
sion of B. mallei killed. 

Jan. 28, 1920 at 70o C. by two hours 
exposure and simultaneously. 

Feb. 2, 1920 with 10 cc. of normal 
horse servmi. 

Bled on Feb. 9, 1920 it gave precipi- 
tating serum up to 1/10.000 and aggluti- 
nins up to 1/1600. 

Technic : 

To 0,5 of rabbit serum were added 
decreasing quantities of horse se- 
rum at 1/10, 1/100, 1/1000, 1/10.000, 
1/100.000. After two hours in the incuba- 
tor at 37° C. and 24 hours in the refri- 
gerator, the precipitates formed were 



removed by centrifugation and décan- 
tation and the supernatant liquids v, ere di- 
luted in such a way as to obtain serum 
dilutions at 1/200, 1/400 etc. up to 
1/6400, after having added to each tube 
1 cc. of an emulsion of the germs. Con- 
trol tubes treated in the same way had 
the precipitinogenic horse serum subti- 
tuted by physiologic saline solution. 

Reading was done after 24 hours m 
the incubator at 37» C. In all the tubes, 
even in the first, one, in which precipi- 
tation was thy plentiful, the remaining li- 
quid agglutinated the germs up to 1/1600 
as in the control tubes. 

The conclusion to be drawn is that 
the precipitins are not tied in the serum 
to the fraction to which the agglutinins 
belong and that the removal of this frac- 
tion does not give the agglutinins either 
greater affinity or greater activity for 
the specific germs. 

With the antitoxins we were led to 
a similar result: 

x\ horse was inoculated on: 

Sep. 17, 1919 with 100 cc. of tetanus 
toxoids. 

Sep. 25, 1919 with 250 cc. of tetanus 
toxoids. 

Oct. 6, 1919 with 250 cc. of tetanus 
toxoids. 

Oct. 17, 1919 with 300 cc. of tetanus 
toxoids. 

Oct. 29, 1919 with 400 cc. of tetanus 
toxoids. 

Nov. 9, 1919 with 400 cc. of tetanus 
toxoids. 

Nov. 19, 1919 with 450 cc. of tetanus 
toxoids. 

Nov. 27, 1919 with 100 cc. of toxia 
and formol (3 days contact). 

Dec. 10, 1919 with 150 cc. of toxin. 

Dec. 18, 1919 with 200 cc. of toxin. 

Dec. 19, 1919 with 500 cc. of normal 
sheep serum. 

Dec. 30, 1919 with 250 cc. of toxin. 

Dec. 31, 1919 with 250 cc. of normal 
sheep serum. 



46 



Bled on Jan. 9, 1920, this animal 
furnished antitoxic serum with 500 A. 
U. per cubic centimetre and precipita- 
ting up to 1/100. 

On Jan. 15, 1920, to 0,5 of the serum 
of this horse sheep serum diluted at 1/10 
was added. After two hours at 37oC. and 
24 hours in the refrigerator it was cen- 
trifugated and the liquid poured off was 
diluted in such a manner that the antito- 
xic serum became diluted at 1/1.000, 
1/2.000, and 1/5.000. Controls accompa- 
nied this process with physiologic sali- 
ne solution instead of sheep serum. To 
each dilution was added the control 
dosis and after an hour's interval the 
inoculations were made on guinea pigs 
of 350 grammes. 



Irst 
titox. s. 

2nd 
titox. s. 

3rd 
titox. s. 

4th 
titox. s. 

5th 
titox. s. 

6lh 
titox. s. 



g-p- 

— 2 cc 

g-P- - 

— 2 cc 

g-P- - 

— 2 cc 

g-p.- 

— 2 cc 

g-p.- 

— 2 cc 

g-P- 

— 2 cc 



an- 



an- 



an- 



1/1000 precipitated 
phys. s. Cont. dos. 
1/2000 precipitated 
phys. s. Cont. dos. 
I/ÕOOO precipitated 
phys. s. Cont. dos. 
1/1030 non precipitated an 
. phys. s. Cont. dos. 
1/2C03 non precipitated an 
. phys. s. Cont. dos. 
1/5000 non precipitated an 
. phys. s. Cont. dos. 



The third and the sixth guinea pigs 
died of tetanus on Jan. 20; the remai- 
ning four survived. 

A goal was inoculated on: 

Oct. 28, 1919 with 50 cc. of toxoids. 

Nov. 7, 1919 with 100 cc. of toxoids. 

Nov. 17, 1Ü19 with 100 cc. of toxoids. 

Nov. 27, 1919 with 150 cc. of toxoids. 
• Dec 10, 1S19 with 150 cc. of toxoids. 
f Dec. 20, 1919 with 20 cc. of toxin. 

Dec. 30, 1919 with 40 cc. of toxm. 
' Jan. 9, 1920 with 50 cc. of toxin. 



Jan. 19, 1920 with 50 cc. of toxin. 

Jan. 20, 1920 with 100 cc. of normal 
faorse serum. 

Jan. 29, 1920 with 50 cc. of toxin. 

Jan. 30, 1920 with 100 cc. of normal 
horse serxim. 

This animal was bled on Feb. 2, 
1920; the serum contained 50 U. A. per 
cubic centimetre and precipitated up to 
1/1 OOO 

The technic used in this case was 
exactly equal to the preceding one, the 
serum was precipitated by a dilution at 
1/10, the precipitate being more abun- 
dant in this tube. 

Irst guin. pig.— 1/50C precipitated ant. 
s.— 2 cc, phys. sal. sol. control dosis. 

2nd guin. pig.— 1/1000 precipitated 
ant. s. — 2 cc. phys. sal. sol. control dosis. 

3rd guin. pig.— 1/500 non precipita- 
ted ant. s.— 2 cc. phys. sal. sol. control 
dosis. 

4th guin. pig.— 1/1000 non precipita- 
ted ant. s.— 2 cc. phys, sal sol. control 
dosis. 

Second and fourth guine.i pigs died 
in the course of the second day, third 
one diu*ing the afternoon of the fourth 
day and first one was found dead on 
the fifth day. 

Thus here also one sees that the 
removal of the fraction of the serura 
which constitutes in them their precipi- 
tating part is entirely independent of the 
part formed by antitoxin in animals of 
a different species, The removal of this 
part does not give the sera higher anti- 
toxic powers nor greater affinity forth* 
toxin. 

Rio, March the 12th, 1920 



liber cine Âmõbe der Gatíung VAHLKAMPFIA beím 

Menschen 



von 
CESÍAFt F»IlVTO. 

(Tafel. 7). 



Die Gattung Vahlkampfia CHATTON 
et BONNAIRE, 1912 wurde fur die frei- 
lebenden Amôben aufgestelt, die untar 
dem Namen Limaxamôben bekannt 
wareií. Es sind Rhizopoden von 5—30 
milvra Laenge, bilden gewôhnlich nur ein 
Pseudopodium (Lobopodium), welches 
nach vorn gericlitet ist, mit oder ohne 
Vakuolen; einfaciíer Kernbau, Kernteilung 
(Naeglers Promitose) und endlich Zysten 
mit ein em Kern. 

ALEXEIEFF behauptet, dass die Vahl- 
kampfia niemals Paraslten seien und 
dass ihre Zyslea den Verdauungsapparat 
verschiedener Tiere passiren kõnnen und 
die Amôben die Zysten erst in den Faeces 
verlassen. 

Diese Beauplung ALEXEíEFFS wider- 
spricht den Beobachtungen von CHAT- 
TON, BONNAIRE, WHITMORE, HART- 
MANN, HOGUE und den meioigen. 
Die beiden ersten Forscher tanden ve- 
getative Formen der Vahlkampfia im 
Stuhl des Menschen; WHITMORE kulü- 



vierte die Vahlkampfia whitmorei HART, 
im Eiter eines Leberabszesses und drei- 
zehnmal ira Kote von Dysenteriekranken; 
HOGUE beobachtete Exemplaire der frag- 
lichen Gattung in Austern. 

In einem Falle von Dysenterie mit 
zahireichen Giardia intestinalis (LAMBL) 
steJlle ich die Vahlkampfia macromiclcata 
im Kole fest, ebenso fand ich sie in einem 
andern Falle von Amõbendysenterie (En- 
tamoeba histolytica SCH.,) 



Gattung Vahlkampfia CHATTON et 
BONNAIRE, 1912, 

Syn: Naegleria ALEXEIEFF, 1912 

Diagnose: «Amôben von geringer 
Grosse; Bewegung gewôhnlich mittelst 
eines breiten Pseudopodiums (Lobopodl- 
ums); manchmal bilden sich audi viele 
Pseudopodien. Besitzt eine pulsierende 
Vakuole. 

Einkernig mit grossem dichtem und 
chromophilem Karyosom, arm an peri- 



48 



pherischem Chromatin (Protokaryon). 
Kernleilung charakteristisch durch grosse 
Polkõrper, welclie im Karyosom entste- 
hen. Die Aequatorialplatte bildet sich 
hauptsãchlich auf Kosten des peripheri- 
schen Chromatins. 

Einkernige Zysten mit chromatol- 
den Korpern, welche in den alten Zys- 
ten verschwinden. 

Im Flagellarzustand mit zwei Geis- 
seln». 

F. DOFLEIN rechnet die Amõben 
der Gattung Vahlkampfia zu einer Fami- 
lle, der er Bistadiidae DOr-"., nennt. Nach 
den Regehi der zoologischen Nomenkla- 
tur sollte der Name einer Familie, der 
typischcn GatUnig entnommen werden, 
and so mûsste cigentHch die Bezeichnung 
Trimastigamoebidae vorgehen, weil die 
Gattung Trimastiqamoeba WHITMORE 
zuerst aufgestellt wurde 

Diagnose der Familie: «Rhizopoden, 
die dadurcli charakterisiert sind, dass 
sie ein Geisselsladiumund ein geisselloses 
besitzen. In diesem letzten Stadiimi 
besitzen die Protozoen amôbenartige Be- 
wegung, haben Lopodien und náhren sich 
nach Art der Amõben. Es scheint, dass 
es Formen mit einer, zwei und drei 
Geisseln gilí t. Teilung kennt man nur 
im Amôbenstadium. Die Formen sind 
einkernig mid haben einen Kern mit 
blãsclienfõrmigen Karyosom. Zysten ein- 
kernig. 

Typische Gattmig: Trimastigamoeba 
^WHITMORE. 



Vahlkampfia macronucleata PINTO, 1921 . 

(Ta fel 7). 

Bibliographie: C. PINTO, 1921, in 
Brazil-Medico. Anno 35, vol. 1, No. 18, 
pp. 222—3. 

Grõsste Lãnge 14,4 mikra; Breite 8 
mikra. Figur 1 der Tafel 7 stelltdas 
grossie gefundene Exemplar dar. Es be- 
sleht kein Unterschied zwischen Ekto- 
plasma mid Entoplasma, welches BUET- 
SCHLI's Schaumstruktur besitzt; es hat 
weder Vakuole noch Einschlüsse. Der 
Kern lenkt im vegetativen Stadium durch 
seine Grosse sofort die Aufmerksamkeit 
auf sich, denn er nimmt die Hãlfte der 
Breite des Rhizopoden ein und gibt ihm 
seine charakleristische Form. Sein Durch- 
messer betrãgt 4 mikra. Eine deutliche 
Kernmembran existent nicht (Taf. 7 
Fig. 1—5). Die Kernsaftzone (Taf. 7, 
Fig. 1—5) besitzt kein Chromatin; man 
sieht genau die Lininfãden, welche vom 
Karyosom ausgehen und nach der Kern- 
peripherie laufen. Karyosom gross und 
rund (Taf. 7, Fig. 1) von 3,2 mikra 
Durchmesser. Figur 4 der Tal". 7 zeigt das 
kleinste Exemplar dieser Vahlkampfia, 
deren Kern ebenfalls gross ist und die 
chromatinarme Kensaftzone besitzt. 

Praezystische Formen (Taf. •7, Fig. 
6—9 rundlich, 9 mikrii im Durchmesser; 
bei einer (Fig. 7) sieht man den Kern 
in der Teilung. 

Habitat: Freilebende Amõi)e beira 
Menschen. 

Den Herrén Dr. ALVARi^^ LOBO, Dr. 
COSTA CRUZ und JULiO MUNIZ danke 
ich fur das gelieferte Material. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
. — TOMO XV— 1922 



ESTAMPA 7 



MÜÜLLU C H^W^I 






e 







Castro Silva e Kattenbach, del 



49 



Erkiãrung der Abbildungen. 

Alie Zeichnungen wurden angefertigt 
von Ausstrichen menschlichen 
Kots, die mit Alkoholsublimat 
nach SCHAUDINN fixiert und 
nach HEIDENHAIN'S klassis- 
cher Méthode gefârbt wurden. 

Die Figuren 1, 4, 5, 7, 8 und 9 
wurden gezeichnet mit dem Ab- 
béschen Zeichenapparat in der 
Hôhe des Arbeitstisches. Okular 
5, Immersionsobjektiv 1/12. Mi- 
kroskop von ZEISS. 

Die Figuren 2 und 3 wurden gezeich- 
net mit Okular 12 (Kompen- 
tionsokular) und Immersionsob- 
jektiv 1/12; Flg. 6 mit Okular 4 
und Imm. 1/12. 



Figur 1 stellt die vegetative Fornï 
dar; man bemerkt den Anfang 
der Pseudopodienbildung am vor- 
deren Teile des Rhizopoden. 
Grosser Kern mit rimdem Ka- 
ryosom, chromatinarme Kern- 
saftzone und Lininfãden, welche 
vom Karyosom zur Kernperi- 
pherie verlaufen. Keine Ein- 
schlüsse, keine Vakuolen. 

Fig. 2, 3, 4 und 5 kleinere Formen 
der Vahlkampfia macronucleata; 
bei Fig. 2 sieht man eine Ein- 
buchtung des Karyosoms. 

Fig. 6, 7, 8 und 9 praezystische 
Formen der Vahlkampfia; inFig^ 
7 sieht man die Kernteilung. 



ENTOMOLOGICAL NOTES 
IL 

ON THE ANATOMY 

OF 

THE GENUS TRIATOMA. 

Salivary apparatus 

by 

DR. ANTONIO LUIS do B. BARRETO. 
Aoxil. Assistant of the Instituto Oswaldo Cnu 
^Plates 8-12;. 



In studying the salivary apparatus 
of the genus Triatoma we began by dis- 
secling the specimens under liquid; 
this allows to observe the arrangement 
of the different parts of the apparatus 
in situ and to follow the delicate excre- 
tory ducts which connect the same. Need- 
less to say, much labour and patience 
were required to prepare these delicate 
and fragile organs. 

The positions of the different parts 
of the salivary apparatus in relation to 
the digestive tube were observed by 
means of stained sections of the thora- 
cic block, embedded in parafine, after 
the indispensable fixation in 10 0/0 for- 
3110I. 



Inclusions of the different glands 
in paraffine and celloidin, after fixation 
in sublimate-alcool, furnished sections 
which were used for histological purposes 
after staining with hematoxiUn-eosine. 



The salivary apparatus of the genus 
Triatoma is found at the level of the an- 
terior part of the digestive tube and 
does not reach beyond the proventriculus. 
It is composed of three pairs of sym- 
metrical glands, which differ in shape and 
position ; they are connected by a system 
of excretory ducts and open into a small 
idngle organ, known as salivary pump, as 



51 



it expelis the liquid formed in the 
glaiids. 

In the following description I shall 
deal first with one half of the appara- 
tus, that is the glands and ducts on the 
right side of the digestive tube, and 
afterwards with the impair organ (sali- 
vary pump) which expelis the saliva. 

Accessory gland. 

The posterior gland is rounded, has 
very thin and transparent walls and is 
closely connected with the walls of the 
proventriculus by branches of the tra- 
cheas. 

It is easily distinguished from the 
surrounding tissues, if the head of the 
specimen be severed on the day prece- 
ding examination, as the citrine liquid 
which accumulates within, distends its 
walls and makes it more conspicuous. 

In adult specimens of Triatoma me- 
gista it has the following dimensions. 

ÍLenglh: 1,35 mm. 
"^ I Width: 1,2 mm. 

ÍLenglh: 1.4 mm. 
Width: 1,3 mm. 

As for its structure, it is composed of 
a delicate basal membrane and a layer 
of flattened pavement cells. It is consi- 
dered a mere deposit or receptacle of 
.saliva, as expressed in the denomination 
Accessory salivary gland. 

At the anterior and external pole 
of this gland begins an excretory tube, 
which is the accessory duct; it runs pa- 
rallel with the oesophagus, penetrates 
into the cephalic cavity, describes a loop 
after which it runs in the opposite di- 
rection and finally opens into the mid- 
dle or supplementary gland. The mea- 
surements of the accessory duct are as 
following : 

j jtotal: 6,0 mm. 

j Length jto the: loop 3,5 mm. 

Irefiected part: 2,5 mm. 

I greatest: 0,1 mm. 
^'^'***^ Ismallcst: 0,045 mm. 



9 I 



Lenath 



Width 



toial; 7,5 ram. 
to the loop: 4.Ü ram. 
reflected part: 3,5 mm. 
greatest: 0,12 mm. 
smallest: 0,050 mm. 



Supplementary gland. 

The supplementary gland is a little 
above the former one, at the side ot the 
initial portion of the proventriculus. 
The connection between it and the prin- 
cipal gland is so close that some authors 
consider it a diverticle of the same. 

It is pear-shaped and has the follo- 
wing dimensions: 

(Length: 1,2 mm. 
^ \Widlh: 0,62 mm. 

jLength: 1,12 mm. 
^ t Width: 0,64 mm. 

The structure in the same as that 
of the accessory gland, that is a single 
layer of cells on a basal meml)rane. This 
histological identity leads rae to consider 
it also merely as a receptacle of saliva. 

The other end of the accessory duct 
opens in its middle part. 

Principal gfand. 

The principal gland is directly con- 
nected with the supplementary gland 
and occupies a place in front and out- 
wards of the same. It is easily distin- 
guished from the others, which arc light 
and transparent, by its remarkable opa- 
city and dirty yellow color. 

It is kidney-shaped and has the fol- 
lowing proportions : 

íLenglh: 1,25 mm. 
■^ IWidth: 1,0 mm. 

ÍLenglh: 1,37 ram. 
"^ I Width: 1,08 mm. 

The histological structure of this 
gland is very different from that of the 
former, as it is typically glandular with 
high, polycdric glandular cells, often 



52 



opening into the cavity of ttie gland 
and showing granular protoplasm and a 
typical nucleus with chromatine in thc 
shape of chromosomes. 

This is the very organ by wiiich 
the saliva is produced. 

At the narrowest point, that is at 
the hilus (which is in close connection 
with the part of the supplementary 
gland where the accessory duel ends), 
begins the principal duct which is pa- 
rallel to the first and enters the cepha- 
lic cavity, opening into *he salivary 
pump, either independently or forming 
by anastomosis a single duct with the one 
of the opposite side. 

The dimensions are: 



sT 



(Length: 5,30 mm. 
¡Width: 0,60 mm. 

íLength: 6,40 mm. 
^ Kvidth: 0,65 mm. 

Salivary pump. 



The impair organ of the salivary 
apparatus, salivary pump or receptacle 
«of the Triatoma is a conic chamber 
with strongly chitinised walls, in- 
side which moves a very characteristic 
piston or embolus. 

It is found in the cephalic cavity 
below the pharynx, on the ventral side 
of the body. The only way to distinguish 
its minor details is to sever the upper 
half of the head by two lateral inci- 
sions after keeping it for 8 to 10 days in 
£ 4Ü0/0 solution of potash or soda. 

At the anterior end this gland forms 
an elongated canal, coming into con- 
tact with the mandibles; posteriorly it 
is closed by a delicate and flexible mem- 
brane. The emboluã Is moved by a nH 



of oblique, antagonistic, protracting andf 
retracting muscles, the movement of 
which causes the aspiration of saliva 
into the interior of the chitinous recep- 
tacle and its expulsion through the 
salivary duct which is found in the 
proboscis and is formed, as we have 
seen before (1), by the application 
of one mandible to the other. 

Physiology. 

Given the anatomy and the structure 
of the different parts of the salivary ap- 
paratus of the Triatoma, it is easy to 
understand the functioning of the same. 
The saliva is formed only in the 
principal gland, which is the only one 
i that shows a typic glandular texture; 
I it passes out through the principal duct 
' to the salivary pump, from which it is 
I expelled through the salivary tube 
I found in the proboscis. 
¡ As for the supplementary and acces- 

I sory glands, I believe them to be simple 
receptacles or deposits for saliva, whe- 
re the excess of the principal gland is 
stored. 

When the saliva in the principal 
gland is insufficient for the demands, 
the reserve accummulated in the other 
two glands comes into play, running 
out through the principal gland, thanks 
to the communication between the prin- 
cipal duct, at its origin, and the acces- 
sory one. 



(l)See: Barreto, A. L, B. Notas entomológicas I- 
Estud.os sobre a anatomia do genero Triatoma : Proboa- 
cida e tubo digestivo. (Brasil Medico Anno 3. 1919. H. 
cl. pag. 161.^ 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV--1922 



ESTAMPA 8 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV— 1922 



ESTAMPA Q 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV-1922 



ESTAMPA 10 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV— 1922 



ESTAMPA 11 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO XV— 1922 



ESTAMPA \í 




íé* 




2 



Un Cas òe (Dole Compliqué òe 

par le 

Dr, Oswîno Alvares Penna 
(Avec les Planches 13-16). 

Section d'Anatomie Pathologique de l'Instituto Oswadc Cniz 



L'observation que nous présentons 
ne vient pas précisément ouvrir de nou- 
veaux horizons dans l'étude des chorio- 
carcinomes; elle nous offre à peine l'heu- 
reuse occasion de suivre les diverses 
phases de l'évolution d'une de ces tu- 
ineurs, grâce à l'amabilité de M. le Dr. 
CAMILLO BICALHO. 

Notre confrère qui a fait l'observa- 
tion clinique en donne le rapport sui- 
vant: 

« A. F., blanche, portugaise, âgée de 
27 ans, mariée, de bonne constitution. 

Antécédents: héréditaires, bons. 

Individuels: Tempérament excessive- 
ment nerveux. La malade n*a eu aucune 
maladie grave: elle se plaint de l'esto- 
mac. Des deux enfants qu'elle a eus, le 
premier, qui a été extrait à forceps, est 
actuellement âgé de cinq ans, tandis que 
le deuxième, né après accouchement nor- 
mal, est mort à deux ans et serait au- 
jourd'hui âgé de quatre. Les grossesses 
ijDBl été pénibles avec des accidents ner- 



veu.K el surtout des troubles de l'estomae 
(vomissements incoercibles). Elle n'a ja- 
mais avorté. 

Premier examen le 15 Janvier 1920i. 
La malade se croît enceinte depuis deux 
mois: ses règles ont cessé depuis No- 
vembre et depuis ce temps elle souffre 
dç l'estomac. M. le Dr. PAES BARRETO 
la traite depuis cinq jours parce qu'elle 
vomite toute ce qu'elle avale même l'eau; 
elle a eu de petites hémon*hagies utérii 
nés sans douleurs. Elle ne supporte an- 
cun médicament dans l'estomac. 

L'examen local révèle un utérus mé- 
dian de consistance molle très grand 
pour deux mois: col normalement mou 
et fermé. Pas de fièvre: pouls petit 
(moyenne de 90 a 100 par minute). 

Toute médication interne est impos- 
sible puisque la malade ne le tolère 
guère. Les applications de glace surl'es^- 
tomac soulagent les vomissements. In- 
jections de huile camphrée et irriga- 
tions vaginales. Les hémorrhagies et 



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vüiuissemciils conlinuenl en s'améliorant 
el en s'aggravant alternativement. Les 
íiémorrliaj^ies sont peu importantes et 
s'espacent de deux à trois jours. Les 
injections de sérum hormo-gravidique ne 
donnent aucun résultat tandis que l'adré- 
naline, en injections journalières, sou- 
lage les vomissements. 

Peu à peu les symptômes s'amélio- 
rent et il semble que tout rentre dans 
l'ordre. Le 21 Janvier je suspends mes 
visites. 

Le 13 Février je suis appelé à nou- 
veau parce que tous les s\Tnptômes s'é- 
taient renouvelés. La malade déclare que 
les troubles de l'estomac n'avaient pas 
cessé, mais que les hémorrhagies n'éta- 
ient revenues que ce jour môme en 
coïncidant avec des vomissements rebel- 
les. La malade avait perdu sa bonne 
mine, était dévenue maigre et se sentait 
iaible. L'utérus s'est augmenté outre me- 
sure de volume et donne l'impression 
d'ime grossesse de six ou sept mois: 
il est d'une consistance molle et pâteu- 
se, douloureux a l'examen. On n'entend 
pas de bruit cardiaque ni de souffle 
placentaire; col mou et fermé. Le con- 
tact du doigt dans le col utérin provo- 
que des vomissements immédiats en cau- 
sant du malaise et en aggravant l'état 
Le pouls varie entre 100 et 120; pas de 
Îièvre. A l'éxamen les urines sont nor- 
males. 

Quoique sans danger précis, l'état 
général de la malade, qu'aggravent les 
vomissements, ainsi que l'évolution anor- 
male de la pseudo-grossesse m'impres- 
sionne et je propose une opération 
pour vider l'utérus, qui est refusée. J'in- 
terromps nouvellement mes visites. Le 
25 Février de très bonne heure on m'ap- 
le. La malade est très amaigrie, ané- 
mique et affaiblie. Pouls 140: pas de 
fièvre. Utérui» peut-être encore plus 
grand que dans une grossesse normale de 
neuf mois. Je déclare ne plus rien en- 
treprendre sauf l'opération, qui était dé- 
venue urgente et même dangereuse; deux 



ou Irois heures après la malade expulse ra- 
pidement une môle hydatiforme de 4 kg. 
. vu sein des hydatides, du coagulum et du 
liquide, rien ne ressemble à un embryon. 
La température atteint 37.8oC. pouls de 
160. Injections de sérum physiologique 
etc. État général extrêmement défavora- 
ble: le toucher digital démontre qu'il 
reste encore quelque chose dans l'utérus. 

La malade se plaint de douleurs dans 
le ventre, surtout dans l'ovaire droit, 
Impressionée par l'aspect des masses 
expulsées la famille permet le curettage 
»iitérin qui est effectué le matin du 2G, 
l'état général étant toujours défavorable. 
Après le curettage instrumental, en exa- 
minant le ventre on perçoit l'utérus petit 
et rond au dessus du pubis et on observe 
nettement trois autres tumeurs indépen- 
dantes entre elles et indépendantes de 
l'utérus. Toutes les trois sont assez doulou- 
reuses ; l'une, de la grandeur d'une manda- 
rine, dans l'ovaire droit; une autre, un peu 
plus grande et un peu moins doulou- 
reuse, dans l'ovaire gauche: et une troi- 
sième, trois fois plus volumineuse que 
celle-ci, mobile, bien définie plus ou 
moins lisse, allongée dans le sens longi- 
tidunal du corps, comme si elle reposait 
sur l'aorte un peu à gauche de la ligne 
médiane et un peu au-dessus de l'ombi- 
lic, tres douloureuse. 

Des observations journalières de la 
maison de santé, j'extrais les données 
suivantes : 

Le 26— L'état de la malade est tou- 
jours défavorable: pouls 120, vomisse- 
ments fréquents— défaillances. 

Le 27— État toujours défavorable- 
Médication le matin: lavage et drenage 
utérins (gaze iodoformée) après la mé- 
dication l'état de la malade s'aggrave, 
surtout en ce qui se rapporte aux vomis- 
sements— l'après-midi j'ai retiré la gaze 
de l'utérus ce qui la soulagea un peu. 

Le 28— État toujours défavorable, in- 
jections d'adrénaline, caféine, huile cam- 
phrée et sérum; on continue les appli- 
cations de glace sur l'estomac; lavage^ 



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nitérin, sans drenage faprès la médica- 
tion, aggravalioii passagJre de l'état de 
la malade). 

Le 29— Aucun changement dans l'état 
de la malade— injections de lantol le 
matin et l'après-midi, avec de bous ré- 
sultats (V. le Tableau de la Températu- 
re) — les vomissemenls tendent a s'amé- 
liorer—lavage vaginal simple— légèrement 
sanguinolent. 

Le 1 Avril— Les progrès s'accentu- 
ent—déjà peu de vomissements. 

Pendant quelques jours on continua 
les lavages vaginaux simples, les injec- 
tions de lantol, et de huile camphrée. 

Le 6 Avril la malade quitte la mai- 
son de santé. Elle a perdu environ les 
deux cinquièmes de son poids et ne 
peut se tenir debout. .\némie notable. 
Elle se noxurit passablement. La tem- 
pérature est normale; pouls 90 et 100. 
Le ventre est flaccide, avec deux tu- 
meurs seulement puisqsie celle de l'ovaire 
droit est disparue. Les deux restants sem- 
blent aggrandies quoique moins doulou- 
reuses. 

Chez elle la malade est confiée aux 
soins de son médecin afin de récupé- 
rer ses forces de façon à pouvoir sup- 
porter Topération, qui me parait indis- 
pensable: hislérectomie et (si possible) 
extirpation des deux tumeurs dont je ne 
puis préciser la nature mais qui me pa- 
raissent être des métasta.ses du chorio- 
cpithéliume utériji. 

Le 11 Mai nouvel examen de la ma- 
lade: son état général est assez satisfai- 
sant: elle se nourrit bien et continue à 
augmenter de poids en regagnant sa 
bonne mine. Elle a eu des règles avec 
peu de sang et de faibles douleurs. 

Le toucher vaginal révèle im utérus 
presque indolore de grandeur et consis- 
tance normales. L'examen du ventre ne 
permet d'observer de tumeur d'aucune 
sorte (!). La région des ovaires est par- 
faitement flaccide et Indolore. A l'em- 
placement de la plus grande tiuneur un 
*mpâicnient douteux avec une légère 



sensibilité que je ne sais si on pourrait 
attribuer à la timieur. 

Ces tumeurs tellement nettes qu'elles 
avaient été perçues par rinfirmière sans 
que je les fui eusse montrés ont été cons- 
tatées par MM. les Drs. CARLOS WER- 
NECK et PAES BARRETO aussi et je 
les avais sentis encore un mois après 
sa sortie de la Maison de Santé. 

La malade ne veut rien savoir d'ime 
opération. 

Le 25 Septembre je suis appelé de 
nouveau. La malade a presque regagné 
son poids normal est sa bonne raine. 
Elle s'était tr^s bien portée jusqu'à deux 
mois auparavant. Les règles qui auraienf 
du avoir lieu le 20 Juillet firent défaut. 
Elle se croit grosse depuis ce temps 
d'autant plus que depuis lors elle a souf- 
fert de l'estomac. Depuis le jour précé- 
dent les vomissements répétés 0:1 repris 
et elle a eu de petites pertes sanguino- 
lentes. L'examen révèle un utérus non 
douloureux, gros pour deux mois de 
grossesse; le col est mou et fermé. Le 
toucher digital provoque des nausées. 
i^o'îls (le 100; pas de fièvre. 

Je déclarai n'entreprendre le trai- 
tement de la malade qu'à condition de 
pouvoir l'opérer dans deux ou trois jours. 

Le 26, de très bonne heure, la ma- 
lade éprouve une abondante hemorrha- 
gic. Je la trouve couchée au milieu de 
très grandes masses de sang coagulé, 
exsangue presque, et avec un pouls im- 
perceptible et des collapses répétées. .'9 
fais un fort tamponnement vaginal, des 
injections cardio-toniques, ergotine et sé- 
rum gélafíné en abondance, tandis qué 
je la fais mener à la Maison de Santé. 

{'e rat^me matin elle est opérée sous 
anésihésie par l'éther; hystérectomie to 
tale avec ablation des aimexes droits. Dans 
l'ovaire de ce même coté il y a un petit 
abcès avec environs 5 cm^. de pus jau- 
ne clair. Suture du vagin, sans drenage. 

Le ventre ouvert, je recherchai en 
vain les anciennes tumeurs que j'avais 
senties. \ Texception du petit abcès de 



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ro\ aü'c gauche (que Tcxauíea u'avait pas 
permis de déceler; rieii de suspecte ne 
fut constaté. Ces nodules ne pourra- 
ient-ils être des fécalômcs, étant donnée 
ieur grande sensibilité et leur persistance 
après plus d'un purgatif que la malade 
avait pris. Métastase régressive? 

Les suites de l'opération ont été ex- 
cellentes: le huitième jour on a ôté les 
agrafes. Pas d'élévation de température; 
le pouls s'est remis peu à peu et à ce 
moment est d'environ 90 par minute. 

Le neuvième jour la malade se pla- 
int de points de coté dans la moitié 
gauche du thorax et l'après-midi elle 
éprouve une petite élévation de tempé- 
rature. Le dixième jour le point de coté 
subsiste et la température atteint 38": 
le crachat est légèrement hémoploique. 
Son médecin, ayant été appelé, constate 
xin foyer congestif du poiunon et entre- 
prend le traitement nécessaire (médica- 
tion interne, ventouses, injections de hui- 
le camphrée et de lautol). Peu à peu la 
crainte bien fondée d'une métastase pul- 
monaire semble pouvoir être mise hors 
de caiLse par l'évolution de ce foyer con- 
gestif va's ime pneumonie franche, à 
moins que le métastase ne se prêtât 
a cette confusion et regi'essât très rapi- 
dement. 

Cette complication intercmTente évo- 
lue sans une plus grande gravité et à la 
20ème journée de son séjour la malade 
f^uitte la Maison de Santé guérie. 

Depuis ce temps, ses progrès sont 
rapides. Elle parait guérie de son anci- 
enne dyspepsie, s'alimente bien et re- 
prend son poids et sa teinte normale. 
Le ventre est complètement insensible 
r+ la cicatrice vaginale est bonne ainsi 
que celle de la peau du ventre. 

Rio, le 30 Octobre 1920. 

Le lendemain de l'éxpulüion de 
la môle nous sommes allés la 
chercher chez la malade et nous l'avons 
trouvée dans im bassin, dans de l'eau 
gourante. Le matériel jse composait de 



vésicules de dimensions variant entre 
celles d'un gros raisin, et celles de vési- 
cules microscopiques; les unes étaient 
tenses les autres fanées, quelques unes 
déchirées, et on voyait des masses de sang 
coagulé, d'un rouge clair, décolorées na- 
turellement par l'eau qui était fortement 
teinte en rouge. Le tout pesait environ 
4 kg. Nous avons cherché avec ténacité 
et un grand désir de le trouver, l'em- 
bryon, mais en vain: nous n'en avons 
rencontré pas même des vestiges. Les 
hydatides étaient d'une couleur brune 
claire. 

La Fig. 1 est une photographie de 
l'exemplaire conservé dans le liquide de 
JORES au Musée de llnstituto Os- 
waldo Cruz sous la rubrique P. C. 1144. 
Nous avons pris beaucoup de ces hyda- 
tides, surtout les plus petites pour les faire 
inclure en paraffine et les faire couper 
et colorer a l'hématoxyline-éosine. A 
l'examen de ces préparations nous avons 
constaté que les noyaux des cellules de 
LANGHANS et des syncytiums n'avaient 
pas pris d'ime manière particulière et élec- 
tive le colorant basique du mélange, ce 
que nous pensons attribuer à la longue 
macération en eau courante qui pré- 
céda la fixation. 

Avec des légères variantes les coupes 
des hydatides examinées montraient la 
même structure; dans la portion centrale 
un tissu fibro-muqueux très lâche, qui par 
endroits paraissait même édémacié, tel- 
le était la distension des mailles. Autour 
de cette formation, une espèce de mem- 
bra